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Consolados. por Maria

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Academic year: 2022

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Consolados

por Maria

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Monsenhor Jonas Abib

Consolados

por Maria

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Editora: Daniela Miranda

Capa e Projeto gráfico: Claudio Tito Braghini Junior Preparação: Denis Duarte

Iracema Oliveira Revisão: Lilian Miyoko Kumai

Editora Canção nova

Rua João Paulo II, s/n - Alto da Bela Vista 12630-000 Cachoeira Paulista SP Telefone [55] (12) 3186-2600 e-mail: [email protected]

Home page: http://loja.cancaonova.com Todos os direitos reservados.

ISBN: 978-85-7677-199-9

© EDITORA CANÇÃO NOVA, Cachoeira Paulista, SP, Brasil, 2010

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Sumário

Maria nos dá um novo coração ...7

Maria nos prepara para a ressurreição ... 17

Formados por Maria ... 27

Maria ensina o papel do homem ... 35

As mulheres rezam pelos homens ... 45

Maria nos traz Jesus ... 47

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Maria nos dá um novo coração

Os povos gregos chegaram a Jerusalém a cerca de duzentos anos antes de Cristo e a dominaram, instalan- do ali um verdadeiro paganismo: o helenismo pagão do rei Antioco IV.

Eles agiram com grande astúcia: iniciando pelo es- porte, construíram grandes ginásios, onde reuniam os jo- vens judeus para ensinar-lhes modalidades diversas como a corrida, o salto, os dardos etc. Naturalmente, a juven- tude judaica, que não praticava qualquer tipo de esporte, ficou entusiasmada. Os rapazes se entregaram de corpo e alma aos ensinamentos dos gregos. Tal estratagema tinha por objetivo extinguir o culto ao Deus rico e verdadeiro para instalar o paganismo entre os judeus, assim como

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Consolados por Maria

era feito em todos os países que invadiam. Infelizmente, a meta foi alcançada: a partir da juventude, um contingen- te enorme de homens e mulheres de Jerusalém passou a exercer as práticas pagãs, conforme os gregos.

Todavia, um pequeno grupo do povo de Deus per- maneceu fiel, passando a ser perseguido e pressionado.

Ele era constituído por um número exíguo de pessoas, mas tinham Deus em seus corações e queriam viver os mandamentos e as leis do Senhor, por mais exigentes que fossem. E Deus inspirava-os para que não arrefecessem, pois deveriam ser o sustentáculo de seu povo: o nome, a glória do Senhor permaneceria por meio deles, muito embora todos os outros jovens estivessem se entregando aos cultos pagãos e esquecendo-se dos mandamentos...

Nesta época, entre as muitas perseguições, um fato aconteceu: sete irmãos, por causa de sua fidelidade ao Se- nhor, foram levados à presença do rei, que queria obrigá-los a abandonar o Senhor, a desonrá-lo publicamente.

O mais velho afirmou diante do rei que de modo algum faria o que ele ordenava, pois pertencia a Deus e, custasse o que custasse, permaneceria fiel a Ele. O rei decidiu então torturá-lo de forma terrível na presença de seus irmãos e de sua mãe: a princípio, ordenou que

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lhe arrancassem o couro cabeludo; em seguida, que o es- folassem, retirando-lhe a pele. Mas o jovem, quase sem respiração, permaneceu firme. O rei, diante disso, man- dou que lhe cortassem a extremidade dos dedos, depois as mãos e os pés, porém o rapaz continuava dizendo com voz forte: “Não violarei a lei do meu Deus, eu sou de Deus e não me renderei!” O rei, cada vez mais enrai- vecido, ordenou que tostassem o jovem e, em seguida, o assassem em um caldeirão, diante da mãe e dos irmãos.

Mesmo com essa ameaça de morte, ele não voltou atrás.

Seus irmãos, um após o outro, passaram então a ser torturados, mas nenhum deles entregou-se. O rei, que já estava ficando temeroso e com receio de perder o crédito diante daquele povo, aproximou-se do irmão mais novo, que ainda era criança, na certeza de que este não iria aguentar. Como o menino não lhe prestasse a mínima atenção, ordenou que a mãe o aconselhasse a se entregar, a violar a lei de Deus, para que sua vida fosse poupada. Certamente aquela mãe estava com o coração despedaçado por ver os seis filhos serem barbaramente torturados e mortos, mas, heroicamente, apesar de lhe ter restado apenas um filho, e ao contrário do que se imaginava, inclinou-se sobre o menino e disse:

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Consolados por Maria

Meu filho, compadece-te de tua mãe que te trouxe nove meses no seio, amamentando-te durante três anos, que te nutriu, conduziu e educou até essa idade. Eu te suplico, meu filho, contempla o céu e a terra, e reflete bem: tudo que vês, Deus o criou do nada, assim como a todos os homens. Não te- mas, pois, esse algoz, mas sê digno de teus irmãos, e aceita a morte para que, no dia da misericórdia, eu te encontre no meio deles.

Assim, o menino, apresentando-se diante do rei, disse: “Eu também não seguirei tuas ordens, mas as do meu Deus”. O rei ficou terrivelmente rancoroso, man- dando supliciar ainda mais o garoto, que não voltou atrás. E a mãe, assistindo a tudo aquilo, manteve-se fir- me, pois era fiel a seu Deus e a sua lei.

É isso que Maria, a Mãe de Jesus, quer lhe dizer hoje.

Ela se aproxima de você como seu filho mais novo e diz:

Meu filho, olha para tua Mãe. Junto ao pé da cruz, sobre meus joelhos, colocaram o corpo torturado de meu Filho, Jesus, e eu o abracei. E, embora es- tivesse com o coração despedaçado, louvei ao Pai,

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Monsenhor Jonas Abib

entreguei meu Filho morto ao Senhor e o prepa- rei para a ressurreição. E, agora, tomo-lhe em meu colo e digo: Não volta atrás, não ceda. Hoje não é um rei, mas pior: o mundo inteiro está contra meu Filho, dizendo a você que goze a vida, que sinta to- dos os prazeres e se entregue à bebida, às festas, e se esqueça de Deus. A televisão, o rádio, os jornais e as revistas – os meios de comunicação em geral – convidam-no, continuamente, a viver de maneira pagã. O mundo ainda não o torturou, como fez com os sete irmãos, mas o aliciou, oferecendo pra- zeres, prometendo felicidade, e você errou e errou muito, pecou em excesso, afastando-se de Deus e dos mandamentos.

O mundo, e por detrás dele o demônio com to- dos os seus anjos maus, deseja sua destruição, quer derrubá-lo. A bebida e o tóxico estão aí para acabar com o seu corpo, o seu espírito e a sua alma; pro- metem-lhe muita alegria e a fuga dos problemas, uma situação nova. Mas, na realidade, a intenção do demônio é afastá-lo do Deus vivo e verdadeiro;

Daquele que é o caminho à verdade. E é isto que ele faz quando atrai você para o jogo de cartas a dinheiro, ou para o bilhar; querem tirá-lo de casa e

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aniquilá-lo perante você mesmo, sua família e sua igreja. O mundo, por meio das revistas e novelas de televisão, pinta para você tudo com cores muito atraentes; há toda uma sexualidade inconsequente que gera depravação e divide os lares, destruindo a família.

No entanto, você não foi feito para o mal, nem para o pecado: Deus o criou para o amor. Você não foi concebido para a bebida, os tóxicos, o jogo ou o roubo, nem para se aproveitar dos outros a fim de ganhar mais; você não foi feito para a mentira nem para a hipocrisia, o ódio ou o rancor; como tam- bém não foi feito para revoltar-se consigo mesmo e com sua família... Não! Você foi criado para amar!

Deus, que é amor, habita o seu coração, e você, no fundo, sabe disso. Ao cometer um erro, você sente-se mal, mas não tem coragem de mudar a situação, pois o mundo o tem aliciado demais. O mundo lhe apresentou o caramelo, e por causa dele você encontrará a infelicidade.

Meu filho, minha filha, veja o que o pecado fez com você. No entanto, eu que sou Mãe, tomo-lhe no colo, como tomei o corpo de meu Filho estraça- lhado na cruz. Talvez você não tenha errado tanto,

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Monsenhor Jonas Abib

mas é infeliz. Vejo a infelicidade em seu lar dividi- do, pois seu marido é infiel, sua mulher é neuróti- ca, seu pai é autoritário demais e seu filho muito revoltado... Vejo o coração de pai, de homem, des- pedaçado, como vejo também seu coração de mãe pequenininho, machucado, ferido, e compadeço-me.

Contemplo seu coração de jovem que não está fe- liz com a escola, o namoro, a família. E como estão estraçalhando o seu corpo, sua alma e seu espírito.

O mundo só lhe apresentou ódio, sexualidade e prazer mundanos; não lhe deu amor. Entrego todo meu amor de Mãe a você, tomando-lhe em meu colo e abraçando ternamente. Sinta isso agora. Eu me condôo por você e lhe acaricio para cicatrizar seu coração ferido. Você precisa muito da minha cura de mãe. Não fique pensando muito em seus problemas, mas aceite meu amor.

Assim como fiz com o corpo de meu Filho, desejo, agora, lhe preparar para a ressurreição. As flores que foram pisadas, machucadas e lançadas ao chão não serão recuperadas, criatura alguma poderá le- vantá-las. Mas posso lhe restaurar, e estou aqui para fazer de você uma linda obra, porque é esse o desejo de meu Filho.

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Consolados por Maria

Todo aquele que está em Cristo é uma nova cria- tura; passou pelo que era velho e deteriorado, sen- do pisado e estraçalhado, e agora se refaz. Meu Filho quer que eu faça essa obra com Ele e por Ele.

Em função disso, em primeiro lugar, é preciso que você acredite no amor de Deus. Ele ama você com o amor mais terno e mais puro. Deus sabe tudo a seu respeito, inclusive de seus pecados. Porém, apesar de tudo, Ele lhe ama, justamente porque você passou por grandes sofrimentos e tentações na vida. Deus te ama como aquele amor que uma mãe tem por seu filho doente, acidentado, jogado em uma cama de hospital. E, como mãe, estou ago- ra tocando e curando teu coração para que você acredite e aceite o amor do Pai. Não estou apenas consertando o seu coração, mas sim dando-lhe um novo. Receba-o, pois é com ele que eu quero que você caminhe.

Dê, agora, uma resposta a Maria:

Sim, Mãezinha, aceito o seu amor. Obrigado por entender minha situação e me tomar em teu colo,

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Monsenhor Jonas Abib

envolvendo-me com tua ternura. Muito obriga- do, Maria, minha Mãe, Mãe de Jesus, por seu amor curador.

Maria, minha Mãe, aceito a obra que está produ- zindo em mim. Muito obrigado. Creio sim que Deus me ama com tudo o que eu tenho e com tudo aquilo que eu sou. Ele não olha para o mal em mim ou para o meu pecado, e sim para mim, com muito carinho, ternura e misericórdia. Ele me ama.

Maria, minha Mãe, muito obrigado por esse novo coração, aceito-o. Obrigado por arrancar-me o coração velho, empedrado, machucado e sujo, e posto em mim um coração novo, igual ao de seu Filho Jesus. Amém.

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Maria nos prepara para a ressurreição

Maria lhe chama de pecador não por você ter come- tido um ou outro pecado, mas porque ela sabe que existe um mal habitando seu coração; o demônio colocou um veneno dentro de você. Este é o pecado original. Ele, como serpente, mordeu-lhe, espalhando em você o veneno da rebeldia, da desobediência, da oposição a Deus. Portanto, há em seu interior duas inclinações, e você percebe isso:

uma lhe leva a sentir-se impulsionado para o bem, para ser de Deus e viver nele, sendo o próprio Deus a proporcionar isso. Mas, ao mesmo tempo, você sente uma outra incli- nação que lhe empurra para o mal, para o pecado, colo- cando-lhe, assim, contra nosso Deus e contra suas ordens.

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São Paulo sentiu isso em sua própria carne:

Sabemos que a Lei é espiritual; eu, porém, sou carnal, vendido ao pecado como escravo. De fato, não entendo o que faço, pois não faço o que que- ro, mas o que detesto. Ora, se faço o que não que- ro, estou concordando que a Lei é boa. No caso, já não sou eu que estou agindo, mas sim o pecado que habita em mim. De fato, estou ciente de que o bem não habita em mim, isto é, na minha carne.

Pois querer o bem está ao meu alcance, não, po- rém, realizá-lo. Não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero. Ora, se faço aquilo que não quero, então já não sou eu que estou agin- do, mas o pecado que habita em mim. Portanto, descubro em mim esta lei: quando quero fazer o bem, é o mal que se me apresenta. Como homem interior, ponho toda a minha satisfação na Lei de Deus; mas sinto em meus membros outra lei, que luta contra a lei de minha mente e me aprisiona na lei do pecado, que está nos meus membros. In- feliz que eu sou! Quem me libertará deste corpo de morte? Graças sejam dadas a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor! (Rm 7,14-25).

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É por causa desse mal que há em você, desse pe- cado habitando em seu coração, que muitos erros são cometidos. É por isso que você se revolta contra seu pai, sua mãe, seu patrão e colegas; e ao brigar, ofende, ali- menta rancor e pensa em vingança. E, então, apesar de querer dizer a verdade, de não gostar da falsidade, você mente; por diversas vezes, acaba sendo falso, hipócrita, pois o pecado está habitando seu coração. Empurram-lhe à impureza, e você a aceita; em pensamentos, desejos, sentimentos, como também em atos. Embora seja con- tra tudo isso, quando menos espera, você acaba sendo empurrado e impulsionado a essas coisas terríveis.

É preciso convencer-se de que os hábitos munda- nos lhe estragaram. Ajoelhe-se diante de Deus, humilhe-se e reconheça: não são apenas os outros que são maus, pois você também é pecador. Não era o que você queria, mas foi uma herança infeliz; isto é, o veneno do inimigo existe. Você é muito orgulhoso, muito autossuficiente e acredita ser a melhor pessoa do mundo...

Leia, então, o que escreveu São Pedro:

Igualmente vós, os jovens, sede submissos aos anciãos.

Revesti-vos todos de humildade no relacionamento

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mútuo, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes. Humilhai-vos, pois, sob a poderosa mão de Deus, para que, na hora oportuna, ele vos exalte. Lançai sobre ele toda a vossa preocupa- ção, pois ele é quem cuida de vós (1Pd 5,5-7).

Deus deseja que você seja a melhor pessoa do mundo, mas é necessário que se humilhe diante dele e admita-se pecador, reconhecendo que esconde muita coisa atrás da sua honestidade de pessoa trabalhado- ra e cumpridor de seus deveres. Não lhe estou con- denando, apenas alertando para a sua doença, que se chama pecado e que o debilita como pessoa, sugando suas forças.

Mesmo você, que se diz tão honesto e trabalhador;

que não deixa faltar nada em casa, sabe o que se pas- sa em seu coração, em seus pensamentos e desejos. E as coisas feitas às escondidas sobre as quais seus filhos, sua esposa e colegas nada sabem? No entanto você só as faz porque o pecado habita em você.

Maria lhe diz como Mãe: humilhe-se diante de Deus, reconheça que é um pecador e que necessita de sal- vação. Até hoje você acreditou que não precisaria de Jesus;

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Monsenhor Jonas Abib

você já era muito bom. Mas hoje eu lhe convenço de que precisa, urgentemente, do meu Filho, pois sem Ele você não terá salvação, nem haverá felicidade nessa vida. Ar- rependa-se agora e diga diante de mim:

Tenho certeza de que Maria quer isso mesmo.

Ela está me preparando para a ressurreição: “Foi por isso que o Filho de Maria veio”. O Pai enviou seu Filho, como Filho dela, para me salvar. As- sim, Jesus foi até a morte, e morte na cruz; Ele derramou todo seu sangue para salvar-me de uma doença que se chama pecado. A única sal- vação para essa doença é Jesus, é a redenção, o sangue de Jesus.

Observe como São Pedro nos explica de que modo Deus o salvou do pecado:

Tende consciência de que fostes resgatados da vida fútil herdada de vossos pais, não por coisas perecíveis, como a prata ou o ouro, mas pelo pre- cioso sangue de Cristo, cordeiro sem defeito e sem mancha. Conhecido de antemão antes da criação

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do mundo, ele foi, neste final dos tempos, manifes- tado em favor de nós (1Pd 1,18-20).

Duas coisas, portanto, são necessárias: que você se entregue a Jesus e que permaneça com Ele, pois todo aquele que está com Cristo se transforma numa nova criatura. “Portanto, se alguém está em Cristo, é criatu- ra nova. O que era antigo passou, agora tudo é novo!”

(2Cor 5,17).

Jesus derramou seu sangue por você. Volte-se para Ele, que agora está diante do Pai no céu de braços aber- tos, mostrando a Ele as chagas em suas mãos, em seus pés e a enorme chaga em seu coração.

Maria está lhe dizendo: a lança dos soldados ras- gou o peito do meu Filho, abrindo seu coração, e Jesus, na aparição aos apóstolos, a Tomé principalmente, mos- trou seu coração aberto. Há um corpo humano em cha- gas e um coração aberto e estraçalhado no céu, diante do Pai, para você entrar. Meu filho, minha filha, entre agora no coração de Jesus. Feche os olhos e jogue-se no coração dele; ponha-se lá dentro. Lá existe amor, perdão, misericórdia; lá existe recolhimento. É seu refúgio. “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir minha voz e

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Monsenhor Jonas Abib

abrir a porta, eu entrarei na sua casa e tomaremos a re- feição, eu com ele e ele comigo” (Ap 3,20).

Responda a Maria, em oração:

Maria, minha Mãe, eu reconheço, sou pecador, o pecado mora em mim; é um veneno esta triste he- rança que recebi. E, por causa disso, cometo tan- tos erros, em sentimentos, em palavras e desejos, e também em obras. Sei que o pecado mora em mim, e me humilho hoje, diante de Deus, e diante de ti, Maria, me reconhecendo pecador. Meu cora- ção está humilhado, eu estou no chão, e reconheço:

preciso da salvação de Jesus. Maria, tu és minha intercessora, minha advogada, e me coloco em teu colo. Dá-me a salvação. Hoje eu digo “não” a todos os pecados que cometi, a toda paixão pecaminosa, e peço, Maria, que Jesus me salve. Amém.

Jesus não está lhe condenando ou repelindo; ao con- trário, Ele o acolhe, coloca calor humano sobre você e diz:

Como foi bom você ter vindo. Eu esperava por isso há tanto tempo... Aqui é o seu lugar. Você deve

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permanecer em meu coração, pois o inimigo está por aí, rondando para lhe pisotear, e o que eu quero é levá-lo, mesmo despedaçado, para dentro do meu coração, onde eu possa refazê-lo e transformá-lo.

O que o mundo, a vida e o melhor cirurgião não podem fazer eu quero e vou fazer, mas você precisa permanecer comigo. É por isso que lhe dou toda a riqueza da minha Igreja: a oração, a Bíblia, a comu- nidade, a missa, a confissão e todos os sacramentos.

Minha Igreja é o meu coração, e para que você per- maneça em mim é necessário que você permaneça nela. Não há o que temer, ela é feita de pessoas fa- lhas e pecadoras como você, pessoas despedaçadas que eu estou refazendo. É um enorme sanatório;

por isso você a criticava, se aborrecia e se escan- dalizava com minha Igreja: por ela ser feita de pe- cadores. Mas é preciso afirmar que estou fazendo novas todas as coisas, estou restaurando a tudo e a todos. Bem-vindo à minha Igreja.

A obra se completa quando o Espírito que está em nós pelo batismo vem à tona e nos enche. Pois é preciso saber que uma coisa é ter o Espírito Santo, e outra é ser

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Monsenhor Jonas Abib

cheio do Espírito Santo. Assim como uma bexiga, que às vezes tem ar, mas está murcha, e quando você a sopra, ela se enche e então fica colorida e bonita. Deus o quer assim, repleto, porque somente quando se é selado pelo Espírito Santo é possível permanecer em Jesus, com Je- sus, em sua Igreja.

Diga, agora, em oração:

Jesus, meu Senhor, aceito tua Paixão. Derrama agora sobre mim teu precioso sangue, aquele derramado na cruz. Jesus, lava-me com teu sangue, me perdoa e me liberta. Preciso e quero ser salvo pelo teu sangue, tua cruz, tua morte e tua ressurreição. Amém.

Senhor Jesus, volto de todo coração para tua Igreja, que é a minha Igreja. Volto sem decepção, sem re- volta ou rancor, mas humilhado e pobre. Estou aqui, Senhor, e quero permanecer usando de todas as rique- zas que me ofereces. Muito obrigado por me receberes de volta. Amém.

Senhor Jesus, tenho consciência de que o Espírito Santo está em mim, Ele habita em mim, desde meu

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Consolados por Maria

batismo, mas eu quero Senhor, ser pleno do Espírito Santo. Enche-me com teu Espírito, Senhor, infunde- me teu Espírito. Peço, Senhor, que aconteça comigo e com meus irmãos a maravilha que aconteceu no Cenáculo.

Senhor, que o Pentecostes aconteça aqui. Derrama so- bre nós teu Espírito Santo. Cumpra-se tua promessa:

“Vós sereis batizados no Espírito Santo. Descerá so- bre vós o Espírito, e Ele vos dará força, e, assim, sereis minhas testemunhas até os confins do mundo”. Muito obrigado, Senhor, porque tu ressuscitas agora a graça, os dons e os frutos do Espírito Santo que estavam em meus irmãos. É assim que seremos o novo homem e a nova mulher que tu queres. É assim que nos transfor- maremos na nova criatura.

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Formados por Maria

Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém para comemorar a Páscoa. Tendo Ele completado doze anos, foram até lá, segundo o costume da festa, mas na hora de retornar o menino Jesus ficou em Jerusalém sem que seus pais percebessem. Pensando que Ele estives- se na caravana, fizeram o caminho de volta por um dia inteiro, buscando-o entre os parentes e os conhecidos.

Como não o encontraram, voltaram a Jerusalém, à sua procura. Foram achá-lo só depois de três dias; acharam- -no no Templo, sentado entre os doutores. Ele os ou- via e interrogava-os. Todos os doutores que o ouviam estavam maravilhados com a sabedoria de suas respos- tas. Seus pais, ao vê-lo, ficaram admirados, e sua mãe disse-lhe: “Meu filho, que nos fizestes? Eis que teu pai

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Consolados por Maria

e eu andávamos à tua procura cheios de aflição”. Res- pondeu-lhes: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?” Eles, porém, não compreenderam o que lhes dissera. Em seguida desceu com eles a Nazaré e lhes foi submisso. Sua mãe guardaria todas essas coisas em seu coração, enquanto Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça diante de Deus e dos homens.

Nós em geral, quando falamos a respeito desse fato, nos detemos muito na situação do menino Jesus, que fez sua primeira reinação; detemos-nos muito na aflição de Maria e de José, que é real. Mas, por outro lado, é muito importante refletir na resposta de Jesus: a tendência é imaginar que Ele, por ser Deus e por ter consciência dis- so, acreditava saber tudo, e sabia que precisava se ocupar das coisas do Pai. Não é nada disso. Uma passagem da Escritura não se opõe à outra; e a chave é aquela pas- sagem em que nos é dito que Jesus se esvaziou, desves- tiu-se de sua divindade e se fez homem, totalmente ho- mem, usando unicamente a veste da humanidade. “Ele, existindo em forma divina, não se apegou ao ser igual a Deus, mas despojou-se, assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano. E encontrado em aspecto humano, humilhou-se, fazendo-se obedien-

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Monsenhor Jonas Abib

te até a morte – e morte de cruz” (Fl 2,6-8).

Portanto, Ele não recorria a seus conhecimentos de Deus, muito pelo contrário: Jesus foi tendo a experiên- cia crescente de que Deus era seu Pai; e aí está a beleza.

Não foi algo que aconteceu a Ele repentinamente. Jesus pouco a pouco foi cultivando o relacionamento de um fi- lho para com o Pai. Quando chegou aos doze anos, tinha tanto amor, tanto carinho pelo Pai, estava tão possuído das coisas do Pai, que logo adquiriu a consciência de que em Jerusalém se sabia das coisas de Deus, por isso foi para lá.

Ele já vinha ouvindo muito de seu pai e de sua mãe, é claro, mas precisava escutar também de outros.

Assim, Ele ficou três dias ali, ouvindo-os e interrogan- do-os. Seu coração tinha sede de conhecimento sobre o Pai, de relacionar-se, de unir-se e de fazer-se um com Ele. Sua resposta a José e a Maria estava implícita: vocês estão colhendo o que plantaram. Vocês foram ensinan- do-me a ocupar-me das coisas do Pai; foram falando de Deus, e Ele foi tomando conta do meu coração cada vez mais, o que me fez descobrir que é meu Pai.

Hoje o Senhor está dizendo a cada um de nós: “É preciso que vocês se ocupem das coisas de seu Pai; que

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me amem e estejam imbuídos e plenos, tomados pelas minhas coisas a ponto de vivê-las”. É isso que Nossa Senhora quer passar para cada um de nós. O interesse não é o trabalho, a evangelização, as pessoas, mas o Pai.

Porque devemos estar possuídos por Ele, porque nosso coração precisa estar cheio de amor por Ele, sentindo- nos impelidos a agir, a evangelizar. Não haveria sentido se fôssemos para a ação pela ação; se fôssemos unica- mente por amarmos as pessoas. O que nos sustenta e nos manterá neste ardor pelo Evangelho é o amor de Deus. É preciso, portanto, cultivá-lo.

Vocês já repararam o que acontece num cano de borracha quando colocamos uma de suas extremi- dades em um recipiente cheio de líquido e pela outra puxamos o líquido? O cano inteiro se enche e jorra o líquido, mesmo que o recipiente apresente um nível baixo. Se, por acaso, houver uma redução do líquido dentro do conduto, restando, por exemplo, ¾, ele vol- tará para trás.

É isso. Por que será que muitas pessoas começam bem e não vão em frente? Porque elas foram pela evan- gelização, pelo trabalho, pelo amor aos irmãos; isto tudo é válido, mas não é o que sustenta. O que sustenta é o

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Monsenhor Jonas Abib

amor do Pai. Quando estamos repletos do amor do Pai, e sustentando continuamente esse amor, cria-se uma pres- são que nos mantém sempre cheios; e o amor de Deus, a salvação de Jesus, o dom do Espírito vai se espalhando;

os irmãos vão recebendo-os, e então nos conservamos pelo amor de Deus...

A “reta intenção” faz os santos, como Santo Afon- so de Ligório, doutor da Igreja, agirem na Igreja, traba- lhar no Reino de Deus, simplesmente por amor a Deus, e gratuitamente. Sem esse “amor puro” colocamos tudo a perder, mesmo as nossas melhores e maiores obras.

“Não sabeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?” Nesse momento, o Espírito Santo moveu Jesus, que então desceu com eles a Nazaré e lhes foi submisso, ficando lá dos doze aos trinta anos, trabalhando dezoi- to anos na oficina de José, vivendo na casa deles, indo à sinagoga, lutando, sofrendo e aprendendo. Foi desse modo que o Pai preparou Jesus, o grande evangelizador.

Não existe outra maneira de formar evangelizado- res como Jesus a não ser pela escola da vida: orando ao Senhor, ouvindo-o, crescendo com Ele... O Senhor nos educa nas coisas da vida; nas dificuldades; nos relacio- namentos, nos quais muitas vezes nos pegamos com o

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coração aflito; no perdão a ser dado ou pedido; na recon- ciliação a ser feita.

É por meio de tudo isso que se vão formando nossos corações e o coração do evangelizador, que então evangeli- za a partir da própria experiência. O evangelizador é conti- nuamente transformado pelo Senhor, e não é perfeito. Ele não se põe solenemente na atitude de mestre, que sempre porta a Bíblia e caceteia a cabeça dos outros, falando como se fosse o tal, como se já conhecesse todas as coisas, julgan- do que todos os outros precisam se converter porque são pecadores... Não é nada disso. O formador colhe todas es- sas coisas no comum, na rotina, guardando-as e median- do-as em seu coração. Ele fala daquilo que está vivendo, e com a simplicidade de filho, que não precisa de pedestal nem de aparato, fala com amor, afeto e delicadeza.

Tudo isso acontece na casa, no coração de Maria.

Ela foi a formadora de Jesus, e é a primeira formadora dos evangelizadores à imagem de Jesus. Provavelmente nossos irmãos, ainda mais nos tempos de hoje, não terão outro Evangelho para ler a não ser as nossas próprias vidas. E Maria está aí, à nossa disposição. Ela tem sido a Mãe, a mestra, a educadora de cada um de nós, e, quanto mais nos deixarmos modelar, mais Ela fará essa obra lin-

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da, caseira, doméstica, porque foi formada em sua casa e na oficina de José.

Santo Agostinho chamava Maria de a forma Dei; a forma de Deus, onde Ele molda os santos. Quem desejar chegar à santidade sem Maria sofrerá muito, poderá se cansar e desanimar; porém, colocando-se no coração da Mãe, consagrando tudo a Ela, fazendo tudo por meio dela – em Maria, com Maria e por Maria, como ensinou São Luiz de Montfort – tudo correrá bem.

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Maria ensina o papel do homem

Recordemos como nasceu Jesus Cristo:

Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José e, antes de passarem a conviver, ela encon- trou-se grávida pela ação do Espírito Santo. José, seu esposo, sendo justo e não querendo denun- ciá-la publicamente, pensou em despedi-la secre- tamente. Mas, no que lhe veio este pensamento, apareceu-lhe em sonho um anjo do Senhor, que lhe disse: “José, Filho de Davi, não tenhas receio de receber Maria, tua esposa; o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe porás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu

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povo dos seus pecados”. Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta:

“Eis que a virgem ficará grávida e dará à luz um fi- lho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus conosco”. Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor tinha mandado e acolheu sua esposa. E não teve relações com ela até o dia em que deu à luz o filho, ao qual ele pôs o nome de Jesus (Mt 1,18-25).

Logo após a Anunciação, Maria foi às monta- nhas da Judeia para estar com Isabel, sua prima, que, segundo o anjo, estava esperando um filho; e ali ficou por vários meses. Ela já carregava em seu ventre Jesus, o Filho de Deus feito homem, e quando voltou para Nazaré, já apresentava os sinais da gravidez. Assim, José a viu na gestação...

Às vezes, imagina-se José como um velhinho que já havia perdido a virilidade há muito tempo, sendo esco- lhido, por esta razão, para não colocar Maria em “perigo”.

Essa versão não está correta. Ele estava em plena idade de se casar e pedira muito ao Senhor que o inspirasse na escolha de sua mulher. José e Maria se amaram com o

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amor que um homem e uma mulher podem sentir um pelo outro, e tinham grandes planos em comum. Inclusi- ve já tinham o compromisso de casamento, restando-lhes apenas morar juntos. Nesse momento, o anjo falou a Ma- ria, e Ela aceitou.

Imagine o que deve ter passado na mente e no coração de José. Ele tinha a certeza de que a criança não era dele. Então de quem poderia ser? Seria este o motivo de ela ter viajado às montanhas da Judeia? Mas por que, então, não ficou lá? Por que não teve seu fi- lho na Judeia? Foi por engano, por ingenuidade? Ela foi violentada na viagem? Por que ela não dizia nada?

Será que foi pura maldade mesmo? Maria fraquejou?

A todas essas dúvidas, ele não era capaz de explicar a si mesmo, e seu coração também não acreditava nessas conjeturas, porém os sinais estavam ali, e José não era ingênuo. Imagine a angústia vivida por ele durante to- dos esses dias! Maria não ousava contar, e ele também não ousava perguntar.

Confuso, José recorreu ao Senhor, pedindo-lhe uma luz antes de tomar uma decisão. E qualquer deci- são, em seu caso, implicaria dor: a lei mandava declarar o adultério, cujo castigo era o apedrejamento. Poderia, por

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outro lado, tomar a culpa para si como se tivesse sido o responsável, ou então poderia ir embora e deixar Maria.

Foi então que por meio de um sonho o anjo do Senhor apareceu e esclareceu tudo a José: “José, Filho de David, não tenhas receio de receber Maria, tua esposa;

o que nela foi gerado vem do Espírito Santo” (Mt 1,20).

José não era capaz de compreender como uma criança poderia ter sido concebida pelo Espírito no seio de uma mulher; porém, era um homem de fé, de oração, e, as- sim, sentiu que era Deus quem lhe falava. A partir daí acolheu Maria e a assumiu alegremente diante de toda a cidade. José tomou a culpa para si – pensava-se que ele adiantara o expediente antes de se casarem –, abriu mão de ter um filho – tê-lo, para um judeu, era questão de honra – e, o que é mais importante, investiu toda sua vida em Maria e no menino.

Se Maria precisou de uma grande fé, concreta, vi- ril, José, por seu lado, soube corresponder. Que homem de fé! Se o mundo hoje se encontra assim, é porque nós, homens, não assumimos nossa posição de homens de Deus, de pai de família. Ser homem não é ser ma- chão, mas sim ser a cabeça, aquele que se realiza, se entrega e investe. As mulheres têm seu papel, igualmen- te importante: elas são o coração, Deus as fez coração.

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Mas, sendo os homens a cabeça, precisam ir em frente e comandar, não de forma autoritária, e sim com res- ponsabilidade. No entanto, a grande verdade é que os homens têm sido muito irresponsáveis.

Deus quer que reassumam a posição de pais de fa- mília. Os, sacerdotes, por escolha de Deus são celibatá- rios, não se casam, não têm filhos da carne, mas são pais, tanto é assim que são chamados de padre. Por que isso?

Porque todo homem é chamado a ser pai. Deus conta com você. Deus confia em você.

Sei que o mundo moderno deturpou-nos a cabe- ça. A fantasia, os sentimentos, a sensibilidade, o corpo e a deturpação aparecem, na escrita, na fala; a deprava- ção é cantada em versos de todos os tipos de músicas, inclusive em música sertaneja, considerada como um tipo de música mais “pura”, mais ligada aos valores da família e dos bons sentimentos. O mundo nos arras- ta, fascina, engana, e nós já fomos muito tolos, fraque- jando tantas vezes... Mas Deus nos oferece o poder do Espírito para dizer que as coisas não devem caminhar assim, e nós sabemos a verdade: Deus confiou em nós para sermos geradores de vida, pais, como Ele mesmo o é. É preciso respeitar essa sociedade, essa cooperação de Deus.

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Um exemplo da influência do mundo sobre nós são os romanos, tão selvagens, tão grosseiros, tão bárbaros, que iam para os banquetes, comiam até não aguentarem mais e então se dirigiam aos vomitórios – que nos palácios ro- manos eram feitos de mármore –, onde colocavam o dedo na garganta para voltarem a comer. Essa mesma barbari- dade, essa sujeira toda, nós a temos feito com o sexo. Foi assim que o mundo nos ensinou. E quanta gente vomita até mesmo o fruto da própria genitalidade, no aborto.

O inimigo se aproveita de nossa ignorância, de nos- sa ingenuidade, para nos dobrar e, desse modo, esfregar nossa cabeça na sujeira! Você é o filho de Deus e compa- nheiro das filhas de Deus, por isso não deve mais permi- tir isso. Hoje em dia tudo se deturpa e acabamos dando valor ao que é errado, pensando que é o certo. Mas qual- quer pessoa esclarecida pela lógica de Deus, quando vê a verdade, a reconhece, e não há como fugir dela. Se isso é tido como moralismo, sejamos então moralistas, para que a pessoa humana tenha moral; se é radicalismo, sejamos, pois, radicais: já viram alguma planta, alguma flor sem raiz? Se não formos moralistas nas coisas em que precisa- mos ser, se não tivermos raiz, não seremos nada.

Certamente Deus colocou em seu coração a aspi- ração, a ânsia, o gosto por ser pai, e Ele deseja que você

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reassuma essa função, sem medo; que você gere, eduque, ame e seja presente. Ser pai é uma arte linda, em que continuamente aprendemos, e, de um modo especial, Deus está disposto a ensinar. Não podemos permitir que o mundo nos reprima e nos ponha no chão.

Você foi criado por Deus, que lhe deu as qualida- des para ser pai, com tudo o que a beleza dessa palavra implica; pai que faça homens e mulheres para a vida e para Deus. Rapazes e moças precisam de um exemplo, uma figura de pai. Os jovens necessitam de alguém em quem possam encontrar firmeza de caráter, afeto, res- ponsabilidade, justiça, verdade e amor. Estas são as qua- lidades necessárias para ser pai.

Muitos não têm conseguido ser homens e pais, porque negam o principal: ser de Deus. A cultura mo- derna em geral vende a imagem de que a religião, o cris- tianismo, são voltados para a mulher e a criança; mas a real idade é justamente oposta: no Antigo Testamen- to, por exemplo, as mulheres tiveram uma missão mui- to importante, assim como em toda a história, mas os homens é que foram os patriarcas, os profetas de Deus;

os reis que Deus colocou diante de seu povo. No Novo Testamento Jesus escolheu homens como apóstolos, e estes escolheram discípulos para acompanhá-los.

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Deus nos revela o segredo disso: se o mundo está tão descristianizado, desumanizado, selvagem e embru- tecido, é porque negamos a base e abandonamos a es- sência, que é ser homens de Deus, ligados à sua energia, da qual brota toda a vida. Nisso não há condenação; to- dos erramos, mas Deus quer renovar o mundo a partir de nós. Hoje, Ele derrama seu Espírito para que, como homens, reassumamos a função de cabeça e sejamos res- ponsáveis. Falamos muito e fazemos pouco. Você, padre como eu, ou jovem, você que é pai de família, ou que já tenha mais idade, diga a si mesmo:

Senhor, quero ser responsável naquilo que sou, naquilo que faço. Cura-me, Senhor, profunda- mente, porque muitas coisas nesse mundo fo- ram tornando-me irresponsável e me estragando.

Transforma-me, Senhor, e cura-me daquelas feri- das e marcas que me fazem ser irresponsável, mes- mo quando não tenho intenção. Dá-me a graça, Senhor, de, em teu Espírito que cria e recria todas as coisas, me tornar cada vez mais responsável.

Torna-me capaz de responder por aquilo que sou e por aquilo que faço. Torna-me capaz, Senhor, de responder pelos meus atos.

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Senhor, dá-me a graça do Espírito Santo para rea- prender a ser pai. Quero reassumir minha função:

a missão e a beleza de ser pai.

Senhor, meu Deus, agora entendo; é isso que de- sejas de mim, aí está a verdade. Desejo, Senhor, ser um homem de Deus; quero religar-me a ti. For- ma-me, Senhor, educa-me, transforma-me. Maria, mãe de Jesus, eu te peço este presente: assim como o fizeste com Jesus, faz de mim homem de Deus.

Amém.

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As mulheres rezam pelos homens

Nós, mulheres, acreditamos no poder do sangue de nosso Senhor Jesus Cristo. Acreditamos na força do Espíri- to Santo, que o ressuscitou dos mortos. É nesta fé e confian- ça que pedimos por todos os homens: abençoai-os, Senhor;

curai suas mentes; libertai-os de todo o mal que faz parte de seu passado e seu presente; de tudo que ainda é amarra, vício e prisão para suas vidas. Jesus, em teu nome, clama- mos a todas as forças do mal que se afastem das mentes, dos corações, dos corpos desses nossos irmãos. Senhor Jesus, acreditamos que és o Príncipe da Paz; dai a paz a esses corações, Senhor; dai a alegria a cada um deles.

Nós te pedimos, Senhor, uma efusão do Santo Espí- rito sobre cada homem e cada pai, para que toda paterni-

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dade seja conduzida pela Sabedoria e pelo Amor. Pedimos para cada sacerdote, cada seminarista, cada diácono, Je- sus, uma porção redobrada do teu Santo Espírito; que eles sejam ungidos com a força do Espírito e, assim, com todo poder e destemor, sem qualquer receio, possam proclamar tua salvação. E para as crianças, os meninos e os jovens, pedimos que teu Espírito Santo venha também sobre nos- sos rapazes. Nós te louvamos por toda libertação e todo o perdão que o Senhor está nos oferecendo.

Revigora, Senhor, a saúde de sua alma e do seu corpo;

as energias, a coragem e a fortaleza, para que possam ser homens de fé. Obrigado Jesus, por seres o Cristo ressusci- tado em nosso meio, e porque em ti, pela força do Espírito Santo, o Pai faz novas todas as coisas. Visita, Senhor, ago- ra, muitos homens, em todas as localidades, com força e o poder de teu Espírito Santo. Muito obrigado Jesus.

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Maria nos traz Jesus

A Bíblia nos diz que Judite entrou no acampa- mento, na tenda de Holofernes, o grande inimigo de seu povo, e decepou-lhe a cabeça com a espada do próprio guerreiro. Depois, leva a cabeça de Holofernes ao povo, dizendo que Deus a havia cortado por meio das mãos frágeis de uma mulher, e entoou um cântico ( Jt 16):

Entoai o louvor de meu Deus com tambores, cantai ao meu Senhor com pandeiros, entoai para ele um salmo novo, Exaltai e invocai o seu nome.

Tu és um Deus que esmagas as guerras,

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que acampas no meio do teu povo, para me liber- tar dos meus perseguidores.

A Assíria veio das montanhas, veio do norte, com os milhares dos seus exércitos,

uma multidão obstruiu as torrentes, e sua cavalaria recobriu as colinas.

Ela disse que havia de incendiar meu território, e matar meus jovens à espada,

que prostraria ao solo meus pequeninos, e tomaria meus filhinhos como presa e minhas virgens como despojo.

Mas o Senhor todo-poderoso os desprezou, e os envergonhou pela mão de uma mulher.

Seu herói não caiu às mãos de jovens, nem os filhos dos Titãs o abateram, nem gigantes enormes o sobrepujaram.

Mas foi Judite, a filha de Merari,

que o derrotou com a beleza do seu rosto [...]

Nessa batalha em que nos encontramos e que ten- de a ficar ainda mais cruenta, Deus colocou Maria, como

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o fez com Judite naquele tempo. Esta não é apenas uma comparação, mas sim uma afirmação: Judite é uma figu- ra de Maria.

No livro de Judite, no capítulo dois, lemos: no dé- cimo terceiro ano do reinado de Nabucodonosor, no vi- gésimo segundo dia do primeiro mês, foi tomada na casa de Nabucodonosor, rei dos assírios, a decisão de que ele se vingaria. Foi uma decisão, um plano, que indica a data e o lugar. Nós estamos enfrentando um plano de vin- gança! O inimigo, vendo tudo o que Deus fazia e tendo a certeza de que lhe restava pouco tempo, pois o Senhor começava a derramar seu Espírito sobre o mundo, to- mou a decisão pela guerra.

Convocou todos os anciãos, bem como os che- fes e guerreiros, e teve com eles um conselho secreto, no qual lhes revelou seu desígnio de submeter a terra toda ao seu império. Com sua proposta, que agradou a todos da assembléia, o rei Nabucodonosor chamou Holofernes, marechal do seu exército, e disse: “Vá con- tra todos os reinos do ocidente, principalmente contra aqueles que desprezaram minhas ordens. Ferirás a to- dos sem consideração alguma e sujeitarás a mim todas as fortalezas”.

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O livro de Judite, a partir daí, começa a mostrar o pesado aparato bélico do inimigo. Ele fez questão de im- pressionar, mostrando poder. Há um ponto crucial no capítulo sete, em que se descreve o cerco de Betúlia: o povo judeu foi totalmente cercado e ficou sem alimento, sem água e sem provisões. E, com a fome, com sede, com a falta de tudo, desanimaram e pensaram em se entregar.

Não havia outro jeito. Os guerreiros até aguentariam tudo, mas e suas mulheres e filhos? Nesse momento surgiu Judite. Ela já vinha orando, e o Senhor já lhe fa- lara ao coração. Embora não parecesse possível que uma mulher pudesse dar a vitória a seu povo, acreditou-se nela. Judite permaneceu no acampamento do inimigo, entrou na tenda de Holofernes e foi ali dentro, depois do banquete em que ele, com antecedência, comemorava a vitória, que com a espada do próprio Holofernes ela lhe decepou a cabeça e levou-a para seu povo.

Ozias, príncipe e sacerdote do povo de Israel, dis- se-lhe [quando ela voltou e todos já sabiam o que ela tinha feito]:

“Tu és bendita, ó filha, pelo Deus altíssimo, mais que todas as mulheres da terra. Bendito é o Senhor,

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nosso Deus, que criou o céu e a terra, e te conduziu para ferires na cabeça o chefe dos nossos inimigos. O teu louvor não se apagará do coração de todos os que se lembrarem, para sempre, da força de Deus! Que o Senhor te conceda, para tua exaltação eterna, que Ele te visite com seus bens, porque não poupaste a tua vida por causa da humilhação do nosso povo, mas te opuseste à nossa ruína, correndo diretamente ao alvo, na presença do nosso Deus!” E todo o povo aclamou: “Amém, Amém!” (Jt 13,18-20).

Você se lembrou de um outro cântico?

Minha alma glorifica o Senhor,

Exulta meu espírito em Deus, meu Salvador;

Porque o Senhor olhou para a baixeza, a peque- nez, a pobreza da sua serva;

Pois que o Poderoso fez em mim maravilhas, Ele, cujo nome é Santo.

E por causa disso todas as gerações me proclama- rão bem-aventurada;

Não por mim, mas porque o Senhor fez em mim maravilhas.

Santo é o seu nome.

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Jesus veio a este mundo no ventre de uma mulher, e esta mulher chama-se Maria. Foi ela que o concebeu, por obra do Espírito Santo, deu-o à luz e o amamentou.

Não resta dúvida: o Messias, o Salvador, o Cristo veio a nós por meio de Maria, que o trouxe em sua primeira vinda e agora o está trazendo pela segunda vez.

Antes da chegada do sol o que acontece? A aurora.

Quem é esta que avança como a aurora, formosa como a lua, brilhante como o sol e temível como um exército em ordem de batalha? Ela é guerreira, simples, meiga, pura, linda, suave, mas traz dentro de si um espírito de guer- reira, um espírito do Deus das batalhas – nós já lemos em Judite: "O Senhor é um Deus que extermina as guer- ras, Senhor é o Seu nome, acampou no meio de seu povo e me livrou da mão de todos os meus inimigos”. Maria traz dentro de si esse Deus guerreiro. Então, antes de o sol chegar, é a aurora que vem chegando.

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Maria anuncia a segunda vinda

Por que Maria tem aparecido tanto? Para preparar o povo, o mundo, por meio de aparições todos os dias, em círculos concêntricos. Nossa Senhora já apareceu em tantos lugares. Em 1917, por exemplo, quando estáva- mos no estertor da Primeira Grande Guerra, apareceu a três pastores em Fátima, Portugal, e falou em português.

É a aurora vindo, clareando, agora, a tudo e a todos, pois atrás dela vem o sol; sua formosura está em anunciá-lo.

Jesus está vindo.

No livro do Apocalipse está escrito: “Vede! Ele vem com as nuvens, e todo olho o verá – como também aqueles que o traspassaram. Todas as tribos da terra baterão no peito por causa dele. Sim! Amém” (Ap 1,7). Mesmo os judeus,

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que o traspassaram, irão vê-lo, e também os que hoje são seus perseguidores, cuja intenção é destruí-lo, esvaziá-lo.

Vamos agora ao primeiro livro do Novo Testa- mento, que é Atos (e não Mateus, porque depois de Pentecostes os outros livros foram feitos. A Igreja co- meça com Atos dos Apóstolos). Em Atos 1, a partir do versículo 9, temos a narração da ascensão do Senhor:

Depois de dizer isto, Jesus foi elevado, à vista de- les, e uma nuvem o retirou aos seus olhos. Conti- nuavam olhando para o céu, enquanto Jesus subia.

Apresentaram-se a eles então dois homens ves- tidos de branco, que lhes disseram: “Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus que, do meio de vós, foi elevado ao céu, virá assim, do mesmo modo como o vistes partir para o céu”.

E o que diz o Apocalipse? “Ele vem com as nu- vens, e todo olho o verá – como também aqueles que o traspassaram”.

Então, porque Jesus está prestes a vir, a aurora já está acontecendo. O desejo de Deus sempre foi trazer

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seu Reino, o Reino dos céus, para a terra; fazer com que sua vontade, que se faz nos céus, se faça também na terra. O que Ele sempre quis foi unir o céu e a terra. E quando começou a fazer isso, o que aconteceu? O inimi- go, de forma sutil, de repente surgiu e, aproveitando-se da ingenuidade de nossos pais, enganou-os, levando-os a desobedecer.

Deus entregou a terra ao homem, isso está claro no Gênesis. Disse ao homem que dominasse a terra:

Crescei, multiplicai-vos, dominai. Para quê? Para que, tendo o homem como aliado, trouxesse seu reino para a Terra. E o que Deus havia dado ao homem, este a en- tregou para o inimigo; assim como os índios entregaram a terra para os colonizadores em troca de um monte de bugigangas; assim como Esaú entregou seu irmão à pri- mogenitura por um prato de lentilha fumegante, gostoso, porque estava com fome.

Desde então o inimigo tenta implantar aqui o rei- no do homem que está por cima do próprio reino do inimigo, que espera para emergir. Lembremo-nos do trecho de Judite: o plano é estabelecer aqui seu império.

Ele é enganoso e eleva o homem, que, assim, sente-se orgulhoso, autossuficiente e disposto a conquistar do- mínios e bens.

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Na primeira vinda de Jesus ao mundo, o inimi- go também insuflou os poderes. Os governantes e sa- cerdotes então fizeram uso daquilo que para eles era muito importante: sua posição, seu prestígio. Ninguém queria ceder nada a ninguém, até que pegaram Jesus e levaram-no à cruz. O Pai arrebatou seu Filho, e a obra do Senhor continua pelo seu Espírito. Um tempo se iniciou logo depois da cruz, a Ressurreição e a Ascen- são de Jesus, no qual estamos em seu final, quando Je- sus voltará.

Deus usa de sua enorme misericórdia e aguenta toda a insolência do inimigo, por quê? Para salvar os escolhidos, o maior número possível de eleitos. Mas hoje tudo já indica: Jesus virá, e a hora de sua vinda está próxima. De outro lado, o inimigo chega ao máxi- mo da implantação de seu reino. Ele será um líder uni- versal apoiado por um falso profeta e terá o domínio por um curto espaço de tempo – a Bíblia menciona

“três anos e meio”, um bom tempo, no qual a Igreja e os que são de Deus serão espezinhados. Ter-se-á a im- pressão de que esse líder venceu, mas então o Senhor intervirá. Jesus virá, com a glória e o poder, como ho- mem vencedor, para estabelecer o reino dos céus entre

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nós. E o inimigo será devolvido ao abismo, que será fechado. A partir disso teremos um novo céu e uma nova terra.

O Catecismo da Igreja garante que a Igreja deverá passar por uma grande provação antes de Jesus voltar e consumar a sua Igreja na glória:

Antes do advento de Cristo, a Igreja deve passar por uma provação final que abalará a fé de muitos crentes (Lc 18,8; Mt 24,12). A perseguição que acompanha a peregrinação dela na terra (Lc 21,12;

Jo 15,19-20) desvendará o “mistério de iniquida- de”, sob a forma de uma impostura religiosa que há de trazer aos homens uma solução aparente a seus problemas, à custa da apostasia da verdade. A impostura religiosa suprema é a do Anticristo, isto é, a de um pseudomessianismo em que o homem glorifica a si mesmo em lugar de Deus e de seu Messias que veio pela carne (2Ts 4-12; 1 Ts 5,2-3;

2Jo 7; 1Jo 2,18.22) (§675).

A Igreja só entrará na glória do Reino por meio desta derradeira Páscoa, em que seguirá seu

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Senhor em sua Morte e Ressurreição (Ap 19,1- 9). Portanto, o Reino não se realizará por um triunfo histórico da Igreja (Ap 13,8) segundo um processo ascendente, mas por uma vitória de Deus sobre o desencadeamento último do mal (Ap 20,7-10), que fará sua Esposa descer do Céu (Ap 21,2-4). O triunfo de Deus sobre a revolta do mal assumirá a forma do Juízo Final (Ap 20,12) depois do derradeiro abalo cósmico deste mundo que passa (2Pe 3,12-13) (§677).

O céu baixará e se unirá à terra, formando apenas um reino. Não se trata do fim do mundo, mas do fim de um tempo (cf. Ap 19-21). “Pois o mistério da iniqui- dade já está em ação. Basta que o obstáculo atual seja afastado. Então, ele se revelará, o Iníquo, que o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e destruirá com a manifestação da sua vinda” (2Ts 2,7-8).

E o que acontecerá depois? Não se sabe. Não há nada na Bíblia que explique. Mas as promessas do reino messiânico apresentadas no Antigo Testamento ainda não se cumpriram. Quando isso acontecer, teremos um reino de paz e prosperidade; transformaremos nossas

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armas de guerra em arado e foices, e Deus estará conos- co, fazendo com seu povo uma nova aliança. E todos o conhecerão.

Jesus mesmo disse: “Olhai para a figueira e olhai para os outros. Na hora em que a figueira está brotando, é porque está para chegar o verão. A primavera já está no fim e o verão está para chegar”. E Jesus disse logo de- pois dessa comparação: “A geração que vir isso tudo verá também a vinda do Filho do Homem”. Portanto, nossa geração, que presencia toda esta luta, verá também a vin- da do Filho do Homem.

[...] Meu Senhor chegou com toda glória Vivo Ele está, sim, Ele está

Bem junto a nós

Seu corpo santo a nos tocar E vivo, eu sei, Ele está.

A aurora está aí. E quem Deus escolheu para cor- tar a cabeça de Holofernes? Uma mulher. A mesma mu- lher que trouxe Jesus em sua primeira vinda, concebeu- o por obra do Espírito Santo e o deu à luz prega Jesus

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para que Ele volte a este mundo. Desse modo, todos os olhos irão vê-lo, mesmo aqueles que o atravessaram, culminando na destruição do inimigo.

Feliz o homem que não procede conforme o con- selho dos ímpios, não trilha o caminho dos pecadores, nem se assenta entre os escarnecedores; feliz daquele que se compraz no serviço do Senhor e medita sua lei, dia e noite. É como a árvore plantada à beira das águas correntes que dá fruto em sua época própria, e cuja fo- lhagem jamais murchará: tudo que ele empreende pros- pera. Assim é esse homem que não procede conforme o conselho dos ímpios. Da mesma forma, os pecadores não suportarão o juízo, nem permanecerão na assem- bleia dos justos. Porque o Senhor vela pelo caminho dos justos, ao passo que o dos ímpios leva à perdição (Sl 1).

[...] de modo que sejam condenados todos aqueles que não creram na verdade, mas se comprazeram na iniquidade. Quanto a nós, devemos continuamente dar graças a Deus a vosso respeito, irmãos amados no Senhor, porque Deus vos escolheu, desde o co- meço, para serdes salvos pelo Espírito que santifica e pela fé na verdade. Deus vos chamou também, pela

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nossa pregação do evangelho, para alcançardes a gló- ria de nosso Senhor Jesus Cristo (2Ts 2,12-14).

Por que as nações se revoltam, e os povos conspi- ram em vão? Os reis da terra se insurgem e os po- derosos fazem aliança contra o Senhor e contra seu Ungido: “Vamos quebrar suas correntes e libertar- nos da sua opressão!” [Foi isso que eles disseram e realizam, porque é uma trama. E como Ele respon- de?] Aquele que está nos céus se ri deles, zomba deles o Senhor. Então, cheio de ira, vai dizer-lhes, apavorando-os com seu furor: “Já o estabeleci como meu rei sobre Sião, meu santo monte!” [Foi Deus quem escolheu e sagrou Jesus, tornando-o o Cris- to] Vou proclamar o decreto do Senhor: Ele me disse: “Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei! Pede-me e te darei como herança as nações, e como tua pos- se os confins da terra. Tu as governarás com cetro de ferro, tu as quebrarás como a potes de barro”

[ Jesus queria vir manso, humilde, simples e dese- joso de implantar seu reino apenas na mansidão, mas, infelizmente, o inimigo não permitiu isso, e os homens, tolos mais uma vez, como no paraíso terreal, se deixaram enganar, obrigando o Pai a mudar

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seus planos. Jesus voltará, mas agora será obrigado a destruir os inimigos] (Sl 2,1-9).

Deus, porém, pode transformar seus inimigos em amigos, e Ele quer fazer essa mudança. Por isso tem es- perado com o coração de pai de filho pródigo, com pa- ciência e aguentando toda a insolência do inimigo e dos homens que dizem: “Se Deus existe, por que está acon- tecendo tudo isso? O Deus de vocês é um tolo, e o Cristo de vocês é mais tolo ainda”. Ele tem suportado este tipo de julgamento, mas chegará um dia em que terá de inter- vir, quando então implantará seu império sobre aqueles que não o quiseram respeitar. Para os demais, entretan- to, significará apenas a glória, a felicidade e a paz.

Agora, pois, tomai cuidado, ó reis, aceitai este aviso, governantes da terra: Servi ao Senhor com reverência e prestai-lhe homenagem com tremor, para que não se irrite e pereçais pelo caminho, pois sua ira se inflama de repente. Felizes os que nele se abrigam! (Sl 2,10-12).

Esses dois versículos são proféticos, valendo também para os últimos tempos que vivemos. Por isso a aurora está

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aí, ou melhor, Maria está cada vez mais chegando até nós.

E não há dúvida: Ela é que prepara os filhos de Deus, os escolhidos, para o encontro com Cristo. Por isso disse em Fátima: “Por fim meu Imaculado Coração triunfará”. Será o triunfo de Jesus, dos filhos de Deus, dos escolhidos, e a derrota daqueles que ainda resistem a seu reino.

Maria, como Judite, vai à frente e penetrará no acampamento do inimigo, na sua tenda, e lhe decepará a cabeça:

E o Senhor Deus disse à serpente: “Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais domés- ticos e entre todos os animais selvagens. Rasteja- rás sobre teu ventre e comerás pó todos os dias de tua vida. Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3,14-15).

Todos os nossos sofrimentos são terríveis, porém não são mais do que um ferir de calcanhar. Sem dúvida, um calcanhar machucado é um incômodo, mas causa ape- nas mal-estar. Assim, o que a Bíblia cita da grande deso- lação não passa de um ferimento no calcanhar. O inimigo

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irá apenas ferir o calcanhar de Maria, que certamente so- frerá com isso. Nenhuma mãe gosta de ver o sofrimento de seus filhos, e fará sofrer a descendência da mulher, que somos nós. Por outro lado, no entanto, ela lhe esmagará a cabeça.

De pé! Deixa-te iluminar! Chegou a tua luz. A gló- ria do Senhor te ilumina. Sim, a escuridão cobre a terra, as trevas cobrem os povos, mas sobre ti bri- lha o Senhor, sobre ti aparece sua glória. As nações encaminharão à tua luz, os reis, ao brilho do teu esplendor. Lança um olhar em volta e observa: to- dos estes foram reunidos para virem a ti, teus filhos vêm de longe, tuas filhas carregadas ao colo. Então verás, e teu rosto se iluminará, teu coração vai pal- pitar e arfar, pois estarão trazendo a ti os tesouros de além-mar, aí chegarão as riquezas das nações.

Multidão de camelos te invade, dromedários de Madiã e de Efá, de Sabá trazem ouro e incenso, anunciando os louvores do Senhor (Is 60,1-6).

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