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Aula 08: Geografia. Geografia do Brasil para Soldado da PM SP. Prof. Danuzio Neto. 1 de 61

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Aula 08: Geografia

Geografia do Brasil para Soldado da PM SP

Prof. Danuzio Neto

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SUMÁRIO

SUMÁRIO 2

OESPAÇORURALBRASILEIRONAMODERNIDADE 4

REVOLUÇÃOVERDEEBIOTECNOLOGIA 6

CINTURÕESVERDES 7

FRONTEIRASAGRÍCOLAS 8

Frente de expansão e frente pioneira 8

CENSOAGROPECUÁRIO–CENSOAGRO 11

OCUPAÇÃODOTERRITÓRIONACIONAL 12

AGRICULTURAFAMILIAR 13

TAMANHODAPROPRIEDADERURALFAMILIAR 17

RELAÇÕESDETRABALHONAZONARURAL 18

Relação trabalhista no campo segundo o Censo Agropecuário 2017 18

Trabalho temporário e o trabalho formal 19

Parceria e arrendamento 19

Escravidão por dívida 19

Posseiros 20

Grileiros 20

DADOSCENSOAGROPECUÁRIO2017 21

Mecanização cresce quase 50% 21

Número de estabelecimentos que usam agrotóxicos cresce 20,4% 21

73% dos estabelecimentos que usam agrotóxicos têm menos de 20 ha de lavouras 21

Acesso à Internet cresce 1.900% desde 2006 21

Analfabetismo entre os produtores rurais tem leve recuo: de 24,5% para 23,03% 21 Proporção de produtores que receberam orientação técnica cai para 20,1% 21 Produção vegetal responde por 66,2% do valor da produção agropecuária 21 Nordeste perde 131 mil estabelecimentos, com redução de 5,1 milhões de hectares 22 Proporção de área de terras arrendadas passa de 4,5% para 8,6% da área total 22 Áreas de matas naturais em estabelecimentos agropecuários crescem 11,8% 22

Mulheres e idosos aumentam participação entre produtores 22

Cor ou raça do produtor são pesquisadas pela primeira vez no Censo Agropecuário 23

ADIMENSÃOTERRITORIALDAPROPRIEDADE 24

QUESTÕES COMENTADAS PELO PROFESSOR 26

LISTA DE QUESTÕES 47

GABARITO 59

RESUMO DIRECIONADO 60

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O ESPAÇO RURAL BRASILEIRO NA MODERNIDADE

O atual cenário do campo brasileiro se divide entre as benesses da tecnologia aplicada ao setor (como a participação na Revolução Verde e a adoção da biotecnologia) e os efeitos negativos da aplicação dessas tecnologias. Com o aumento das áreas cultivadas, por exemplo, surgiu a agricultura de precisão, que permite o conhecimento detalhado da lavoura, por meio de sinais de satélite e softwares.

Por causa de todos os saberes necessários e das etapas envolvidas no desenvolvimento da cadeia produtiva agropecuária, observa-se que há, nos dias de hoje, uma grande integração entre indústria, estrutura urbana e setor agrícola no Brasil. Ademais, com o desenvolvimento tecnológico e o avanço dos meios de comunicação e de transporte, houve uma diliuição da fronteira que dividia a zona rural da urbana.

Historicamente campo e cidade eram espaços totalmente diferentes e com ínfimas conexões. O espaço do campo era considerado atrasado e o espaço da cidade era o moderno. Tal divisão vem sendo, ao longo das últimas décadas, pouco a pouco desconstruída, pois as conexões entre campo e cidade são cada vez mais fortes, promovendo inclusive características urbanas no campo e vice-versa. A agroindústria, a propósito, apresenta-se como a principal responsável por essas novas relações espaciais.

Com o espaço rural cada vez mais industrializado ou atrelado aos complexos industriais, o processo de cultivo é fragmentado e o agricultor tem menos controle sobre sua lavoura, precisando adequar-se ao modo capitalista de produção, em sua etapa monopolista.

Como podemos observar no excerto a seguir, as inovações técnicas e organizacionais, no campo da agricultura brasileira, ocorreram de forma mais rápida onde a produtividade se mostrou mais articulada ao período técnico-científico-informacional.

Inovações técnicas e organizacionais na agricultura concorrem para criar um novo uso do tempo e um novo uso da terra. O aproveitamento de momentos vagos no calendário agrícola ou o encurtamento dos ciclos vegetais, a velocidade da circulação de produtos e de informações, a disponibilidade de crédito e a preeminência dada à exportação constituem, certamente, dados que vão permitir reinventar a natureza, modificando-se solos, criando-se sementes e, até mesmo, buscando-se, ainda que pontualmente, impor leis ao clima. Eis o novo uso agrícola do território no período técnico-científico-informacional.

Milton Santos e María Silveira. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. 2005, p. 118 (com adaptações).

Ao envolver vários setores, como a agricultura de precisão e a biotecnologia, o agronegócio desponta como um dos mais importantes setores da nossa economia, constituindo-se, assim, como setor nacional com grande capacidade de geração de postos de trabalho, a despeito do seu processo de mecanização.

Ao mesmo tempo em que o país se destaca no cenário mundial como exportador de “commodities”

agrícolas (como soja, café e trigo), baseado num setor que se modernizou ao se orientar pelo binômio INDUSTRIALIZAÇÃO/EXPORTAÇÃO, o nosso país ainda tem grandes problemas da estrutura fundiária, que é extremamente concentrada desde os tempos coloniais.

Por seu caráter exportador, podemos dizer que o agronegócio brasileiro:

• Atende à demanda do mercado internacional;

• Utiliza-se de capitais nacionais e estrangeiros;

• É dominado por transnacionais do ramo alimentício e de fabricantes de insumos para a agricultura;

• Apresenta uma crescente articulação com o capital externo em diferentes etapas do processo produtivo; e

• Contribui, com certa frequência, para a geração de superávit primário na economia brasileira.

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Apesar dessas características positivas, e em contraponto ao processo de modernização produtiva, o setor agropecuário no Brasil mantém uma estrutura baseada na produção para a exportação sem a agregação de valor. Ou seja, não há processo parcial ou total de transformação pela indústria nacional.

As regiões produtivas do agronegócio brasileiro são competitivas no mercado global de commodities e caracterizadas pela especialização produtiva que atende a parâmetros internacionais de qualidade e de custos.

Não fosse por essa dupla competitividade (de qualidade e de custos), o Brasil não conseguiria alcançar a capilaridade que possui no mercado internacional de produtos agropecuários.

O Brasil é, na América Latina, um dos países que mais reorganizou sua atividade agropecuária desde meados do século XX. Desde então, a reestruturação produtiva da agricultura brasileira tem- se norteado pela racionalidade com funcionamento regulado pelas relações de produção e distribuição globalizadas, direcionando-se, cada vez mais, ao atendimento da crescente demanda do mercado urbano interno e à produção de commodities para a exportação, in natura ou após passarem por algum tipo de transformação industrial, o que aumenta seu valor agregado.

Denise Elias. Globalização, agricultura e urbanização no Brasil. Internet: (com adaptações).

Esse protagonismo do agronegócio brasileiro só é possível por causa do atual estágio de desenvolvimento do nosso espaço agrário, que apresenta:

ALTO GRAU DE MECANIZAÇÃO E QUIMIFICAÇÃO das fazendas, o que permitiu importante aumento da produtividade;

FORTE AUMENTO NA PRODUÇÃO, inicialmente de bens exportáveis, e depois de produtos para o mercado doméstico;

• Grande demanda por RECURSOS HÍDRICOS;

CRESCIMENTO DA AGROINDÚSTRIA;

AUMENTO DA CONCENTRAÇÃO FUNDIÁRIA;

CRESCIMENTO DA UTILIZAÇÃO DA MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA; e

MAIOR INTERLIGAÇÃO ENTRE O SETOR AGRÍCOLA COM SEUS FORNECEDORES.

CARACTERÍSTICAS DO ESPAÇO RURAL BRASILEIRO NA ATUALIDADE

- ALTO GRAU DE MECANIZAÇÃO E QUIMIFICAÇÃO das fazendas, o que permitiu importante aumento da produtividade do setor;

- FORTE AUMENTO NA PRODUÇÃO;

- Grande demanda por RECURSOS HÍDRICOS;

- AGROINDÚSTRIA ROBUSTA;

- CONCENTRAÇÃO FUNDIÁRIA;

- GRANDE UTILIZAÇÃO DA MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA;

- GRANDE INTERLIGAÇÃO ENTRE O SETOR AGRÍCOLA E SEUS FORNECEDORES.

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REVOLUÇÃO VERDE E BIOTECNOLOGIA

O agronegócio brasileiro é reconhecido mundialmente por conta de sua qualidade e eficiência. Além de tudo o que já foi citado, outros dois fatores contribuíram para este sucesso:

• A Revolução Verde e

• A Biotecnologia.

Chama-se de REVOLUÇÃO VERDE o conjunto de iniciativas tecnológicas, iniciadas na década de 1950 no México, que transformou as práticas agrícolas e aumentou drasticamente a produção de alimentos no mundo.

O precursor da Revolução Verde foi o engenheiro agrônomo Norman Borlaug, responsável por desenvolver técnicas químicas que deram maior resistência inicialmente às plantações de milho e trigo, e que otimizaram os métodos de produção agrícola.

Foi a Revolução Verde, a partir de meados da década de 1960, a grande responsável pelo processo de modernização da agricultura brasileira. Apesar das inúmeras vantagens para o consumidor, porém, acadêmicos apontam que esse novo padrão de desenvolvimento econômico gerou desemprego para o homem do campo e a diminuição da renda destes trabalhadores. Até hoje, como sabemos, o agronegócio brasileiro é caracterizado por uma heterogeneidade estrutural que beneficia uma minoria e exclui uma grande quantidade de trabalhadores.

Já a BIOTECNOLOGIA permitiu a transferência de genes de uma espécie para outra, criando os organismos geneticamente modificados (OGMs) – ou transgênicos.

Foi a partir dos TRANSGÊNICOS que houve um novo salto de produtividade, já que este tipo de produto foi a maneira mais eficiente que a ciência encontrou para resolver problemas que afetam a produção de alimentos no globo, como doenças e problemas climáticos (como secas e geadas, por exemplo).

Segundo o Conselho de Informações sobre Biotecnologia:

A biotecnologia tem contribuído para melhorar a qualidade de plantas e aumentar a produtividade agrícola, de forma sustentável e focada na conservação ambiental. Dessa forma, vem ajudando a produzir alimentos de maior valor nutritivo e espécies mais adaptadas a condições adversas de clima e solo, além de mais resistentes a pragas, doenças e pesticidas.

Com a aplicação da biotecnologia na agricultura, também tem sido possível reduzir custos e perdas pós-colheitas, pela produção de variedades que amadurecem mais lentamente que as convencionais. Ela permite, ainda, um uso mais eficiente do solo – como o plantio direto, que evita a erosão – e oferece novas possibilidades para os cultivos tradicionais, como a produção, por meio de plantas, de plásticos biodegradáveis, tecidos com amido e compostos farmacêuticos.

Ao aumentar a produtividade agrícola, o uso da biotecnologia na agricultura contribui para a redução do desmatamento de áreas naturais e, consequentemente, para a preservação da biodiversidade nesses locais. Além disso, pode ser usada como uma poderosa para monitorar o processo de extinção de espécies, pela quantificação da variabilidade genética (base da perpetuação de todas as espécies) existente nelas, por meio de testes de DNA. Ela pode ajudar a detectar, e também a prevenir, a perda da variabilidade genética das plantas e de outros seres vivos.

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CINTURÕES VERDES

Espécie de área de transição entre o espaço rural e o urbano, é chamada de CINTURÃO VERDE a área verde que pode ser composta por PARQUES, CHÁCARAS, RESERVAS AMBIENTAIS, JARDINS ou POMARES que estão localizados ao redor de uma cidade (ÁREA PERIFÉRICA).

Os cinturões verdes são apontados como possível solução para alguns conhecidos problemas urbanos, como a péssima qualidade do ar, ausência de áreas recreativas verdes e a escassez de fornecimento de frutas e verduras frescas para a população dos centros urbanos.

A seguir, algumas vantagens dos cinturões verdes:

• Melhoria na qualidade do ar das cidades;

Áreas de lazer (parques) e educacionais (voltadas para a educação ambiental);

• Áreas de produção agrícola que podem abastecer o mercado consumidor das cidades próximas com produtos mais frescos.

Manutenção do microclima da região, não permitindo que as temperaturas se elevem muito.

• Em algumas regiões, estes cinturões verdes são áreas de preservação ambiental, o que contribui para a manutenção do ecossistema local.

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FRONTEIRAS AGRÍCOLAS

Fronteira agrícola é uma área, mais ou menos definida, que representa um AVANÇO DA PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA SOBRE O MEIO NATURAL. Em outras palavras, é uma REGIÃO AINDA COM MATA NATIVA QUE SOFRE COM A EXPANSÃO DE ATIVIDADES AGROPECUÁRIAS.

A existência da fronteira agrícola está diretamente ligada a maior necessidade de produção de alimentos e de criação de animais – tanto para o consumo interno quanto para o abastecimento do comércio internacional. Além disso, a sua existência também está ligada à ausência de políticas públicas eficientes – já que, na fronteira agrícola, muitas terras são compradas ilegalmente e sem qualquer tipo de controle/fiscalização.

A fronteira agrícola, portanto, apresenta-se como um complicado dilema para a sociedade. De um lado, temos a atividade humana se expandindo a fim de buscar novos territórios cultiváveis, o que contribui para a economia nacional. De outro, geralmente, grandes reservas florestais e áreas pouco povoadas que ainda conservam a vegetação nativa e o ecossistema local, o que contribui para a preservação do planeta.

Por causa das particularidades de uma fronteira agrícola, que ameaça ecossistemas ainda intocáveis, a comunidade científica costuma acompanhar com bastante preocupação o conflito existente entre a “mata virgem” e o avanço das atividades agropecuárias, já que são nessas áreas em que há maior desrespeito à legislação ambiental e onde ocorrem com mais frequência, consequentemente, desmatamento ilegal e conflitos que envolvem a posse e o uso das terras.

Frente de expansão e frente pioneira

Uma fronteira agrícola costuma se desenvolver por meio das seguintes etapas:

FRENTE DE EXPANSÃO – Esta fase se inicia com a presença dos posseiros durante a ocupação de áreas naturais. Estas ocupações geralmente são realizadas por pequenos produtores sobre terras devolutas (terrenos públicos sem uso público), sendo que, em não raras ocasiões, estes produtores se organizam por meio de cooperativas. Após dez anos de ocupação destes terrenos, os produtores geralmente requerem a posse legal de suas terras por meio do usucapião. Normalmente, estes produtores exercem a agricultura familiar e de subsistência.

FRENTE PIONEIRA – São os GRILEIROS que ganham o protagonismo nesta fase. PRODUTORES RURAIS que expandem seus domínios por meio da grilagem (apropriação ilegal por meio da falsificação de documentos e de títulos de propriedades) de terras devolutas ou de espaços já ocupados pelos posseiros. Os grileiros desenvolvem um modo de produção voltado para a produção comercial interna e para a exportação.

FRENTE DE EXPANSÃO E FRENTE PIONEIRA Frente de expansão

- PRESENÇA DOS POSSEIROS;

- PEQUENOS PRODUTORES SOBRE TERRAS DEVOLUTAS (terrenos públicos sem uso público);

- Geralmente ORGANIZADOS POR MEIO DE COOPERATIVAS;

- Geralmente, REQUEREM A POSSE LEGAL DE SUAS TERRAS POR MEIO DO USUCAPIÃO;

- Geralmente, exercem a AGRICULTURA FAMILIAR E DE SUBSISTÊNCIA.

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Frente pioneira - GRILEIROS;

- PRODUTORES RURAIS;

- Expandem seus domínios por meio da GRILAGEM de terras devolutas ou de espaços já ocupados pelos posseiros.

- MODO DE PRODUÇÃO VOLTADO PARA A PRODUÇÃO COMERCIAL INTERNA E PARA A EXPORTAÇÃO.

Onde está a fronteira agrícola brasileira?

No Brasil, a fronteira agrícola se encontra atualmente na região Norte, tomando espaço de vastas porções da Floresta Amazônica, e também na região conhecida como Matopiba, formada pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Além dos que compõem a matopiba, podemos citar como estados que fazem parte da fronteira agrícola:

Pará e Mato Grosso. Por conta deste avanço, são ainda registrados vários conflitos na área da Floresta Amazônica decorrentes de questões ambientais ou de “mera” luta por posse de terra. Dentre estes conflitos, ganhou destaque o caso de Dorothy Stang, que era uma ativista norte-americana, mas naturalizada brasileira, que foi assassinada por fazendeiros na cidade de Anapu (PA), em 2005. Com o desmatamento da Floresta Amazônica, muitas comunidades indígenas perderam as suas terras ou tiveram os seus espaços reduzidos.

Assim, temos que a expansão da fronteira agrícola, especialmente na Amazônia Legal, é marcada por conflitos entre assentados e grandes projetos agropecuários e de mineração e por intensa devastação e desperdício dos recursos naturais e da biodiversidade, o que compromete o futuro da região.

Fonte da imagem: https://secom.to.gov.br/noticias/to-apresenta-grande-potencial-de-expansao-do-matopiba-regiao- conhecida-como-a-nova-fronteira-agricola-brasileira-212714/

Principais problemas da Fronteira agrícola

Por conta da grilagem e do desmatamento, alguns problemas saltam aos olhos nos locais onde se desbrava uma fronteira agrícola, sendo, o primeiro deles, os conflitos no campo, já que de um lado estarão grileiros e, do outro, posseiros (que podem estar representados por meio de movimentos sociais do campo, como o MST – Movimento dos Trabalhadores Sem Terra). Em oposição aos grileiros, também podemos observar grupos

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indígenas. Com o avanço do agronegócio, as pequenas propriedades são pressionadas para avançar ainda mais a fronteira agrícola ou para que seus moradores pratiquem o êxodo rural, o que resulta na migração de um grande contingente de trabalhadores rurais, sem as qualificações adequadas, para as cidades.

Das disputas territoriais, que também podem envolver comunidades indígenas, são recorrentes os assassinatos na luta pela terra. No meio de tudo isso, ainda ocorre a remoção e a comercialização ilegal de madeira nativa da floresta. Diante dessas informações, estes são os três principais problemas decorrentes das fronteiras agrícolas:

Devastação da vegetação – Este é o problema de mais fácil observação, já que a fronteira agrícola, para existir como tal, precisa avançar sobre a vegetação nativa de determinada região.

Concentração de terras – Este problema se refere ao surgimento de latifúndios, já que o tamanho médio de uma propriedade na fronteira agrícola é maior que o de terrenos rurais no resto do país.

Questão de produção de alimentos – Este problema aparece como decorrência do segundo, já que os grandes latifundiários, geralmente, têm produção voltada para o mercado exterior.

A fronteira agrícola muda de lugar?

A fronteira agrícola não é um local imutável no cenário de determinada região. Não é como um acidente geográfico, que permanece no mesmo lugar por séculos. No Brasil, assim como em qualquer outro país com grandes áreas cultiváveis, a localização da fronteira agrícola se modificou ao longo da história.

Durante boa parte do período colonial, por exemplo, a zona litorânea, composta predominantemente pela Mata Atlântica, foi cenário da primeira fronteira agrícola do Brasil. Ao longo do século XX, as práticas agrícolas ganharam novos terrenos, avançando para o interior do país. Nesse meio tempo, o Centro-Oeste passou a ser a nova fronteira agrícola, tocada por produtores oriundos do Sul e do Sudeste brasileiro. Como resultado, houve intensa transformação da paisagem de estados como Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o que fez com que a região Centro-Oeste ficasse conhecida como o celeiro do Brasil.

Assim, podemos perceber que o Centro-Oeste, atualmente o coração do agronegócio brasileiro, nem sempre teve suas porteiras abertas para o setor. Antes da década de 1970, por uma questão tecnológica, a região ainda era considerada um obstáculo para a expansão agrícola, já que a maioria dos solos não era considerada agricultável por conta de seus elevados índices de acidez. Com a REVOLUÇÃO VERDE, no entanto, houve a correção dos solos (principalmente por meio da técnica de calagem). Para fortalecer ainda mais a interiorização da fronteira agrícola, houve a difusão da rede de infraestrutura, logística e serviços, o que facilitou sobremaneira a ocupação agrícola do Cerrado.

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CENSO AGROPECUÁRIO – CENSO AGRO

Os dados mais confiáveis sobre a realidade agropecuária brasileira estão disponíveis no Censo Agropecuário do IBGE. O Censo Agro, como este levantamento também é conhecido, é a principal e mais completa investigação estatística e territorial sobre a produção agropecuária brasileira, contemplando informações dessa atividade econômica no país sobre:

• A estrutura;

• A dinâmica; e

• O nível de produção.

As informações geradas pelo Censo Agro possibilitam, por exemplo, o planejamento e a avaliação de políticas públicas sobre o setor. Elas propiciam, também, estudos a respeito da expansão da fronteira agrícola e da dinamização produtiva ditada pelas inovações tecnológicas e enriquecem a produção de indicadores ambientais. Permitem ainda análises sobre as transformações decorrentes do processo de reestruturação e de ajustes na economia e de seus reflexos sobre o setor.

O primeiro Censo Agropecuário foi realizado em setembro de 1920. A partir dessa pesquisa pioneira, foram mais 10 edições, sendo a última em 2017, totalizando 11 Censos Agropecuários. O IBGE tem sido responsável por esse trabalho desde a fundação do Instituto, em 1936.

No período de mais de 100 anos, o Censo Agro acompanhou a mudança tecnológica no campo e também se modernizou – seja nas temáticas abordadas ou nas tecnologias utilizadas hoje para a realização da pesquisa. Na década seguinte a do primeiro levantamento, por motivos políticos que culminaram na Revolução de 30, o Censo Agro não foi realizado. A partir da década de 1940, ele foi feito de dez em dez anos, até 1970, quando passou a ser quinquenal. Então teve em 70, 75, 80 e 85. Hoje ele deveria ser feito de cinco em cinco anos, mas a partir de 1985 houve problemas para conseguir recursos, sendo realizado apenas em 1995-1996, 2006 e 2017.

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OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO NACIONAL

Com território de 851,487 milhões de hectares (ha), o Brasil tem um total de 5.073.324 estabelecimentos agropecuários, que ocupam uma área total de 351,289 milhões de ha, ou seja, cerca de 41% da área total do país.

Em relação ao levantamento anterior, feito em 2006, houve aumento de 5,8% na área ocupada, apesar da redução de 102.312 unidades rurais. Ou seja, houve aumento do tamanho médio dessas unidades. O levantamento também mostra um total de terras indígenas que somam 117,639 milhões de ha e unidades de conservação espalhadas por 151,895 milhões de ha.

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AGRICULTURA FAMILIAR

A agricultura familiar tem dinâmica e características distintas da agricultura não familiar. Nela, a gestão da propriedade é compartilhada pela família e a atividade produtiva agropecuária é a principal fonte geradora de renda. A definição legal de agricultura familiar consta no Decreto nº 9.064, de 31 de maio de 2017.

Apesar de estarem em segundo plano no cenário nacional, por conta do domínio da grande propriedade rural, as unidades familiares são elementos fundamentais no espaço geoeconômico rural.

Considerando-se, porém, os alimentos que vão para a mesa dos brasileiros, os estabelecimentos de agricultura familiar têm participação significativa. Nas culturas permanentes, o segmento responde por 48% do valor da produção de café e banana; nas culturas temporárias, são responsáveis por 80% do valor de produção da mandioca, 69% do abacaxi e 42% da produção do feijão.

Participação da agricultura familiar em cada Unidade da Federação

Fonte: https://censos.ibge.gov.br/agro/2017/templates/censo_agro/resultadosagro/pdf/agricultura_familiar.pdf

Segundo o Censo Agropecuário, existiam 3,9 milhões de estabelecimentos de agricultura familiar – 77%

do total, apesar de ocuparem apenas 23% da área destinada à agropecuária. Ou seja, o tamanho médio destes estabelecimentos é menor que os não-familiares.

Em 2017, a agricultura familiar ocupava 10,1 milhões de pessoas, 67% do total de trabalhadores nos estabelecimentos agropecuários.

Em 2006, a agricultura familiar respondia por 84,4% dos estabelecimentos agropecuário, com um total de 4.367.902 deles. De um levantamento para outro, portanto, houve diminuição de estabelecimentos rurais familiares.

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Ou seja, a este tipo de gricultura encolheu, já que houve uma redução de 9,5% no número de estabelecimentos classificados como de agricultura familiar em relação ao último Censo, de 2006. O segmento também foi o único a perder mão de obra. Enquanto na agricultura não familiar houve a criação de 702 mil postos de trabalho, a agricultura familiar perdeu um contingente de 2,2 milhões de trabalhadores.

De acordo com a Lei 11.326, para ser classificado como agricultura familiar o estabelecimento deve:

• Ser de pequeno porte (até 4 módulos fiscais);

• Ter metade da força de trabalho familiar;

• A atividade agrícola no estabelecimento deve compor, no mínimo, metade da renda familiar; e

• Ter gestão estritamente familiar.

Do censo de 2006 para o de 2017, a configuração dos produtores mudou. Aumentou muito o número de estabelecimentos em que o produtor está buscando trabalho fora, diminuiu a mão de obra da família e está diminuindo a média de pessoas ocupadas. O estabelecimento acaba não podendo ser classificado como familiar por não atender aos critérios da lei.

Outro fator que contribuiu para o novo cenário é o envelhecimento dos chefes das famílias, ao mesmo tempo em que os filhos optam por outras atividades fora do domicílio agrícola. As pessoas estão ficando idosas, o que reduz o número de ocupados, já que os jovens optam por áreas urbanas. Além disso, há o aumento da mecanização e da contratação de serviços.

A Lei 11.326 foi regulamentada pelo Decreto 9.04/2017, que mudou a forma de classificar o estabelecimento, principalmente em relação à renda do produtor, com a nova exigência de ser predominantemente obtida no domicílio. Em 2017, dos 4,6 milhões de estabelecimentos de pequeno porte que poderiam ser classificados como de agricultura familiar, apenas 3,9 milhões atenderam a todos os critérios.

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Ainda assim, a agricultura familiar continua representando o maior contingente (77%) dos estabelecimentos agrícolas do país, mas, por serem de pequeno porte, ocupam uma área menor, 80,89 milhões de hectares, o equivalente a 23% da área agrícola total. Em comparação aos grandes estabelecimentos, responsáveis pela produção de commodities agrícolas de exportação, como soja e milho, a agricultura familiar responde por um valor de produção muito menor: apenas 23% do total no país.

Fonte: https://censos.ibge.gov.br/agro/2017/templates/censo_agro/resultadosagro/pdf/agricultura_familiar.pdf

A agricultura familiar geralmente se desenvolve no entorno das grandes cidades e em algumas regiões agroindustriais, tendo em vista que as famílias fornecem matéria-prima para as grandes empresas processadoras.

Quando a agricultura praticada pela família é extensiva e de subsistência, os seus membros, geralmente, veem-se obrigados a complementar a renda como trabalhados temporários em épocas de corte, colheita ou plantio nas grandes propriedades agroindustriais – além de buscarem também subempregos nas cidades. Quando a propriedade possui uma boa rentabilidade/produtividade, geralmente os membros não procuram renda extra em outras propriedades.

Apesar de se apresentarem como uma categoria única, há muita diferença entre os vários estabelecimentos rurais familiares, já que nem todos possuem as mesmas condições de produtividade, tendo em vista a ocorrência de vários problemas para algumas dessas unidades, como a falta de escoamento adequado, técnicas inadequadas de produção e maquinário precário.

Há também muita diferença de produtividade e capacidade de escoamento entre as próprias unidades familiares. É mais provável, por exemplo, que uma família que tenha uma propriedade rural próxima a um grande centro urbano, e produza alimentos de forma intensiva (modo de produção mais moderno, maior uso de tecnologia, mais eficiente), tenha uma rentabilidade maior do que aquela que pratica a agricultura extensiva (modo mais tradicional de produção, sem disponibilidade de muita tecnologia, menos eficiente) em uma área mais distante dos grandes centros urbanos.

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Essa divisão das propriedades rurais em familiares (não tecnificadas e não interligadas ao processo de globalização) e não familiares (tecnificadas e interligadas ao processo de globalização), faz-nos lembrar que existe uma divisão territorial do trabalho em regiões produtivas do agronegócio, que são organizadas em dois circuitos da economia local:

• O circuito superior: comandado pelas empresas e produtores hegemônicos do agronegócio; e

• O circuito inferior: formado a partir da agricultura camponesa não integrada diretamente à agricultura tecnificada.

PRODUÇÃO EXTENSIVA x PRODUÇÃO INTENSIVA PRODUÇÃO EXTENSIVA

– Uso de técnicas rudimentares ou tradicionais;

– Pode ser encontrado tanto nas pequenas quanto nas grandes propriedades em que há baixa mecanização e predomínio da mão de obra humana;

– Pouco uso de tecnologias de ponta;

– Demanda menos recursos financeiros;

– Baixa produtividade;

– Mais comum em países pobres ou em desenvolvimento.

PRODUÇÃO INTENSIVA

– Utiliza de forma intensa insumos e tecnologia para o aumento da produtividade e redução nos prazos;

– Intensa mecanização;

– Presente em países desenvolvido;

– Uso intensivo de fertilizantes e defensores agrícolas (agrotóxicos);

– Uso de transgênicos;

– Alta produtividade;

– Uso de mão de obra qualificada.

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TAMANHO DA PROPRIEDADE RURAL FAMILIAR

A propriedade familiar possui área de dimensão variável. Para dimensioná-la, leva-se em consideração, basicamente, três fatores que ao aumentar o rendimento da produção e facilitar a comercialização diminuem a área do módulo. Esses fatores são:

Localização da propriedade

Se o imóvel rural se localiza próximo a um grande centro urbano, em região bem atendida pelo sistema de transportes, ele proporciona rendimentos maiores do que um imóvel mal localizado, por isso terá uma área menor.

Fertilidade do solo e clima

Quanto mais propícios às condições naturais – relevo, solo, clima e hidrografia –, menor a área do módulo.

Tipo de produto cultivado e tecnologia empregada

Em uma região do país onde se cultiva mandioca ou batata, por exemplo, e se utilizam técnicas tradicionais, o módulo rural deve ser maior do que em uma região que produz soja ou uva com emprego de tecnologia moderna.

Baseado nestes critérios apresentados, passou-se a utilizar, a partir de 1990, uma classificação que foi regulamentada em lei (lei 8.629/1993). São consideradas pequenas as propriedades com até 4 módulos rurais;

médias as de 4 a 15 módulos; e grandes as que superam 15.

De acordo com o artigo 185 da nossa Constituição, é proibida a desapropriação, para fins de assentamento rural, de pequenas e médias propriedades produtivas, desde que seu proprietário não possua outra.

TAMANHO DAS PROPRIEDADES RURAIS Pequenas propriedades: até 4 módulos rurais;

Médias propriedades: de 4 a 15 módulos; e Grandes propriedades: as que superam 15 módulos.

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RELAÇÕES DE TRABALHO NA ZONA RURAL

No Brasil, a escravidão foi a primeira forma generalizada de relação de trabalho no campo, situação que perdurou nos primeiros séculos da nossa história – tanto no período colonial quanto no imperial. Assim, durante os ciclos da cana-de-açúcar e do ouro, por exemplo, o trabalho escravo de africanos e seus descendentes foi a principal fonte de mão de obra utilizada em nosso país.

Até 1888, quando houve a Abolição da Escravatura, o grande produtor rural utilizava-se da mão de obra escrava para cultivar as suas lavouras. O pequeno produtor que não tinha condições de comprar escravos, por outro lado, desenvolvia o trabalho camponês.

Com o advento da expansão cafeeira na região Sudeste, no século XIX, surgiu a relação de trabalho chamada de colonato, baseada no trabalho familiar, realizado por imigrantes. O café começou a se desenvolver no Brasil justamente no período de transição entre o fim da escravatura e o começo da utilização maciça de mão de obra livre.

Principalmente no Sudeste e no Sul, em substituição à mão de obra escrava, o café era cultivado por meio do colonato, em que os colonos responsáveis diretamente pela produção entregavam parte desta para o proprietário da terra.

Todas essas formas de relação de trabalho lançaram raízes em nossa sociedade e até hoje moldam as relações sociais do nosso campo. Distante dos grandes centros urbanos, a zona rural ainda apresenta um grande contingente de trabalhadores que não possuem vínculo formalizado com seus empregadores, tendo em vista a maior dificuldade de fiscalização e atuação de fiscais e da justiça do trabalho.

Relação trabalhista no campo segundo o Censo Agropecuário 2017

Em 30 de setembro de 2017, havia 15.105.125 pessoas ocupadas nos estabelecimentos agropecuários, uma média de 3,0 pessoas por estabelecimento, entre produtores e pessoas com laços de parentesco com eles, além de empregados temporários e permanentes. Do total de pessoas ocupadas nesta data, os produtores e trabalhadores com laços de parentesco com eles representaram 73,5% (11.101.533).

Na comparação com o Censo Agropecuário 2006, houve redução de 1.463.080 pessoas no total de ocupados, que era de 16.568.205 no dia 31/12 daquele ano. A média de ocupados por estabelecimento também caiu, de 3,2 pessoas, em 2006, para 2,97, em 2017.

Nos estabelecimentos da Agricultura Familiar, a população ocupada reduziu em 2,166 milhões de pessoas.

No entanto, nos estabelecimentos que não caracterizados dessa forma, a oferta de postos de trabalho seguiu um rumo oposto: de 2006 para 2017, a população ocupada nesse tipo de estabelecimentos ganhou mais 702,9 mil trabalhadores.

Em contraponto com a queda no pessoal ocupado, o número de tratores em estabelecimentos agropecuários aumentou 49,9%, ou 409.189 unidades a mais em relação ao Censo Agropecuário de 2006, chegando a 1.229.907 unidades em 30 de setembro de 2017. Já o número de estabelecimentos que utilizavam este tipo de máquina aumentou em mais de 200 mil, alcançando um total de 734.280 produtores em 2017.

Com o aumento da produtividade das terras brasileiras e a maior mecanização observada nos últimos anos, conjugado com o alto número de desempregados do cenário atual, é possível que seja observado no próximo censo um número ainda menor de trabalhadores voltados para atividades agropecuárias.

Apesar de toda essa importância, uma grande parcela das pessoas ocupadas na agricultura familiar não consegue obter uma renda mínima que lhes assegure condições dignas de vida. Por esta razão, muitos agricultores acabam por realizar trabalhos em outros estabelecimentos (familiares ou não), ou atuam em atividades não agrícolas. Além disso, para muitas famílias a aposentadoria rural (de apenas um salário mínimo) é a principal fonte de renda.

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Trabalho temporário e o trabalho formal

Os trabalhadores diaristas e temporários são denominados de diferentes formas de acordo com a região em que trabalham: no Centro-Sul são boias-frias; no Nordeste e Centro-Oeste, corumbás; no Norte, peões.

Geralmente, recebem por dia, não são registrados em carteira de trabalho e conseguem trabalho para apenas determinadas épocas do ano.

Esta modalidade de mão de obra é absorvida principalmente pela agroindústria de cana-de-açúcar, laranja, algodão e café, que a utiliza apenas no período do plantio e da colheita. Há ainda famílias que, embora possuam uma pequena propriedade, fazem trabalhos avulsos em latifúndio, retornando depois para casa. Aqueles que não têm propriedade trabalham como volantes, ou seja, ao terminar a temporada de serviços em uma região, deslocam-se para outra para encontrar trabalho.

Essa relação de trabalho geralmente é feita com trabalhadores que são contratados por meio de intermediários (ilegais), conhecidos como “gatos”, que fornecem a mão de obra ao fazendeiro.

A mão de obra contratada através da intermediação de terceiros, como empreiteiros, cooperativas de mão de obra e empresas, passou de 251.652 pessoas, em 2006, para 611.624 em 2017, representando um crescimento de 143%.

Dentre as modalidades de contratação, a mais frequente foi a feita por meio de empreiteiros, com 497.247 estabelecimentos contratando mão de obra, dessa forma, ou 9,8% do total. Essa modalidade de contratação cresceu 108% em relação a 2006.

Parceria e arrendamento

Parceiros e arrendatários são aqueles que alugam a terra de um proprietário para cultivar alimentos ou criar gado. A diferença entre parceria e arrendamento se dá no tipo de contrapartida dada por aquele que ocupa a terra.

Se o aluguel for pago em dinheiro, há arrendamento; se o aluguel for pago com parte da produção, combinada entre as partes, há parceria. Caso a divisão seja feita meio a meio, o parceiro será chamado de meeiro;

caso seja de 1/3, será terceiro; caso seja de 1/4, quarteiro.

DIFERENÇA ENTRE PARCERIA, ARRENDAMENTO E MEEIRO Se o aluguel for pago em dinheiro, dizemos que há arrendamento;

Se o aluguel for pago com parte da produção, temos uma parceria.

- Caso a divisão seja feita meio a meio, o parceiro será chamado de meeiro;

- Caso seja de 1/3, será terceiro;

- Caso seja de 1/4, como quarteiro.

Escravidão por dívida

A escravidão por dívida no meio rural se dá por meio do aliciamento de mão de obra feito a partir de falsas promessas.

Ao empregar-se na fazenda, o trabalhador é informado que está endividado e, como seu salário nunca é suficiente para quitar a dívida, fica aprisionado sob vigilância de capangas armados a serviço do fazendeiro.

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Posseiros

São trabalhadores rurais que ocupam a terra sem ter o correspondente título de propriedade, geralmente estão engajados em movimentos sociais, como o MST (Movimento dos Trabalhadores sem Terra).

As primeiras ocupações deste movimento se davam, em geral, em fazendas improdutivas que se encaixavam nos pré-requisitos constitucionais para a realização da reforma agrária. Nos últimos anos, porém, tem se observado com mais frequência invasões de propriedades produtivas, centros de pesquisas e órgãos públicos, o que configura uma ação ilegal.

Em muitos casos, os enfrentamentos decorrentes dessas ações causam sérios conflitos, inclusive com registro de mortes entre lavradores, policiais e jagunços. Algumas áreas de assentamento, com destaque às que se organizaram em cooperativas, foram bem-sucedidas e prosperaram bastante, mas os assentamentos desorganizados, realizados em áreas desprovidas até mesmo de infraestrutura que permita o escoamento da produção, fracassaram.

Grileiros

São os invasores de terras que conseguem, mediante corrupção, escritura falsa da propriedade da terra.

Costumam agir em áreas de expansão das fronteiras agrícolas ocupadas inicialmente por posseiros, o que causa grandes conflitos e inúmeros assassinatos, entre os membros dos dois grupos.

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DADOS CENSO AGROPECUÁRIO 2017

Mecanização cresce quase 50%

Em contraponto com a queda no pessoal ocupado no campo, o número de tratores em estabelecimentos agropecuários aumentou 49,9%, ou 409.189 unidades a mais em relação ao Censo Agropecuário de 2006, chegando a 1.229.907 unidades em 30 de setembro de 2017. Já o número de estabelecimentos que utilizavam este tipo de máquina aumentou em mais de 200 mil, alcançando um total de 734.280 produtores em 2017.

Número de estabelecimentos que usam agrotóxicos cresce 20,4%

Entre 2006 e 2017, houve um aumento de 20,46% no total de estabelecimentos que usaram agrotóxicos no período de referência do Censo. Na série histórica dos censos agropecuários, esse número variou bastante, chegando ao seu ponto mais alto (quase 2 milhões) em 1980, e ao nível mais baixo (quase 1,4 milhão) em 2006.

Em 2017, cerca de 34% dos estabelecimentos que declararam despesas com agrotóxicos tinham 5 ha ou mais de área de lavouras. Estes estabelecimentos concentravam 94% da despesa com agrotóxicos.

73% dos estabelecimentos que usam agrotóxicos têm menos de 20 ha de lavouras

Dos 1.681.564 estabelecimentos que declararam ter utilizado agrotóxicos, 1.230.403 tinham área de lavouras menor que 20 hectares, o equivalente a 73% desse total. A despesa destes estabelecimentos com agrotóxicos foi de R$ 2,36 bilhões. O total de despesas com agrotóxicos levantado pelo censo foi de R$ 31,8 bilhões.

Acesso à Internet cresce 1.900% desde 2006

Com relação ao acesso à internet, o crescimento é igualmente relevante. No Censo 2017, 1.430.156 produtores declararam ter acesso à internet, sendo que 659 mil através de banda larga, e 909 mil, via internet móvel. Em 2006, o total de estabelecimentos agropecuários que tinham acesso à internet era de apenas 75 mil.

Já o número de estabelecimentos com acesso ao telefone passou de 1,2 milhões para 3,1 milhões, uma alta de 158% entre 2006 e 2017.

Analfabetismo entre os produtores rurais tem leve recuo: de 24,5% para 23,03%

Cerca de 15,5% dos produtores disseram nunca ter frequentado escola e 73% frequentaram somente o ensino fundamental, sendo que 66,5% destes declararam não ter terminado o curso. Além disso, 23,03% dos produtores (ou 1.164.710) declararam não saber ler e escrever. Em 2006, essa taxa de analfabetismo era de 24,5%.

Proporção de produtores que receberam orientação técnica cai para 20,1%

Diminuiu de 22% para 20,1% a proporção de produtores que receberam orientação técnica. Em 2017, 1.025.443 produtores agropecuários declararam receber assistência técnica, correspondendo a 20,1% do total, uma proporção menor que a de 2006, quando havia 1.145.049 estabelecimentos que recebiam orientação técnica (22% do total).

Produção vegetal responde por 66,2% do valor da produção agropecuária

O valor da produção com atividades agropecuárias chegou a R$ 465 bilhões. A Produção Vegetal participou com 66,2% (R$ 308 bilhões), sendo 77% (R$ 237,3 bilhões) das culturas de Lavoura Temporária; 13% das de Lavoura Permanente; 5,7% da Silvicultura; 2,8% da Horticultura; 0,7% da Extração Vegetal e 0,6% pela Floricultura.

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Já a produção animal contabilizou R$ 157,4 bilhões (33,8% do total), com 70,5% vindo dos animais de grande porte. A produção de aves foi a segunda mais expressiva (19%), com os animais de médio porte e os pequenos a seguir: 8% e 2,5%, respectivamente.

Nordeste perde 131 mil estabelecimentos, com redução de 5,1 milhões de hectares

Apenas a região Nordeste teve queda tanto no número (menos 131.341) quanto na área (menos 5.180.546 ha) dos estabelecimentos agropecuários. Esta redução se deu principalmente em municípios do semiárido Nordestino, 65.667 estabelecimentos ou 50% da redução e 4.538.458 ha, representando 87,6% da redução.

Já na região Sul, mesmo com a queda no número de estabelecimentos (menos 152.889), houve aumento na área (mais 1.094.307 ha).

Nas demais regiões houve aumento de estabelecimentos e de área: na Norte mais 104 mil estabelecimentos com mais 9,67 milhões de hectares; na Sudeste mais 47,3 mil estabelecimentos com aumento de 5,36 milhões de hectares e na Centro-Oeste aumento de 29,7 mil estabelecimentos com aumento de 6,65 milhões de hectares.

Apesar da redução de 102.312 estabelecimentos entre 2006 e 2017, houve aumento de 4,9% (17.609.779 hectares) na área total dos estabelecimentos.

Além disso, o número de produtores sem área (apicultores, extrativistas, criadores de animais em beira de estradas, etc.) caiu de 255.019, em 2006, para 77.037 em 2017.

Proporção de área de terras arrendadas passa de 4,5% para 8,6% da área total

Em relação à condição legal das terras, entre 2006 e 2017, a proporção de estabelecimentos que declararam terras próprias aumentou de 76% para 80,9%; porém, a participação da área de terras próprias diminuiu de 91% para 85%.

Já a proporção de terras arrendadas reduziu-se de 6,4%, em 2006, para 6,3%, em 2017, mas a participação da área da modalidade cresceu de 4% para 8%. Os estabelecimentos com terras em “comodato ou ocupadas”

variaram de 9,7% para 9,6%, com reflexo de 2,2% para 2,8% na área.

Áreas de matas naturais em estabelecimentos agropecuários crescem 11,8%

Em relação ao uso da terra nos estabelecimentos agropecuários, entre 2006 e 2017, observou-se redução de 33,6% na área utilizada para lavouras permanentes, como frutas e café, por exemplo. Já a área destinada a lavouras temporárias, como grãos e cana de açúcar, cresceu 14%.

Houve, também, redução de 18% nas áreas de pastagem natural e crescimento de 10% nas áreas destinadas a pastagens plantadas. O Censo mostra, ainda, elevação da quantidade de hectares de matas naturais (12%) existentes em seus domínios, e no das matas plantadas (83%), que são as áreas destinadas a silvicultura.

Mulheres e idosos aumentam participação entre produtores

Observamos que 81,3% dos produtores são do sexo masculino e 18,7% do sexo feminino representando um aumento na participação das mulheres, pois no Censo Agropecuário de 2006 elas representavam 12,7% do total de produtores.

Quanto à idade, houve redução na participação dos grupos de menores de 25 anos (3,3% para 2%), de 25 a menos de 35 (13,6% para 9,3%) e de 35 a menos de 45 (21,9% para 17,9%), enquanto a dos grupos mais velhos aumentou: de 45 a menos de 55 (23,3% para 24,2%), de 55 a menos de 65 (20,4% para 23,5%) e de 65 ou mais (17,5% para 23,2%).

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Cor ou raça do produtor são pesquisadas pela primeira vez no Censo Agropecuário

A cor ou raça do produtor que dirige o estabelecimento foi pesquisada pela primeira vez em um Censo Agropecuário. A distribuição encontrada foi: brancos 45,4%; pretos 8,4%; amarelos 0,6%; pardos 44,5% e indígenas 1,1%.

Esses números são similares à distribuição dos grupos de cor ou raça na população que foram encontrados pela PNAD Contínua do IBGE.

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A DIMENSÃO TERRITORIAL DA PROPRIEDADE

Em relação à área:

• Na categoria com mais de mil hectares, são 51.203 estabelecimentos, que ocupam 167,227 milhões de ha.

• As propriedades pequenas, com até 10 hectares, são 2.543.681, em 7,993 milhões de ha.

• Foram identificados 77.037 estabelecimentos agropecuários sem área, ou seja, produtores que trabalham, por exemplo, com extrativismo e apicultura.

Entre 2006 e 2017, a participação na área total dos estabelecimentos iguais ou maiores de 1.000 ha aumentou de 45% para 47,6%. Com um aumento de 3.625 estabelecimentos e de 17,08 milhões de hectares, a área média do grupo elevou-se de 3.155,7 para 3.265,9 ha.

Já os estabelecimentos de 100 a menos de 1.000 ha perderam participação na área total, passando de 33,8% para 31,9%. Houve, entre esses estabelecimentos, uma redução de 3.569 unidades e de 586.494 ha, com a área média variando de 266 ha para 266,8 ha.

Já nos estratos intermediários (menos de 100 ha), a participação da área manteve praticamente estável, variando de 21,2% para 20,4%, com um acréscimo de 75.614 estabelecimentos e com a área média mantendo-se em 15,8 ha.

Quanto à utilização da terra:

• Houve diminuição de 34% na área de lavouras permanentes, ficando em 7,755 milhões de hectares, e de 18% nas pastagens naturais, que somam 47,323 milhões de ha.

• Por outro lado, as áreas dedicadas a lavouras temporárias cresceram 14% (55.761.998 ha), as de pastagens plantadas subiram 10% (112.174.148 ha), as matas naturais dentro de estabelecimentos agrícolas aumentaram 12% (106.574.867 ha) e as matas plantadas ocupam uma área 83% maior que em 2006 (8.658.850 ha).

O aumento da área com mata natural decorre da aprovação, em 2012, do Código Florestal. Todo estabelecimento agropecuário, dentro do Código Florestal, tem que manter um percentual de matas naturais, de acordo com a região. É natural que você aumente o estabelecimento, aumente a área total e aumente a área de mata, porque esta área de mata não estava sendo contada como pertencente a estabelecimento agropecuário.

Os produtores que são proprietários das terras subiram de 76% em 2006 para 81% em 2017. As terras arrendadas são a segunda maior proporção, com um total de 6,3% das propriedades, embora a participação em hectares dessa modalidade tenha subido de 4,5% para 8,6% do total em área.

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QUESTÕES COMENTADAS PELO PROFESSOR

1. (CESPE - ABIN - 2008)

O Brasil é um importante produtor agrícola que tem ampliado suas exportações, principalmente as do agronegócio. Ganhos em produtividade são reconhecidos em todos os fatores da produção: terra, trabalho e capital.

Tendo em vista o panorama da agricultura brasileira na atualidade, sua evolução e características principais, julgue o item que se segue.

A expansão agrícola, ao inaugurar novos polos de crescimento econômico e ao disseminar os programas de assentamento rural, ajudou a atenuar o problema da concentração da propriedade de terras no país.

( ) Certo ( ) Errado RESOLUÇÃO:

Estamos aqui falando de Brasil e, como todos sabemos, os novos polos de crescimento econômico, bem como os programas de assentamento rural, não ajudaram a atenuar o problema fundiário no país. A estrutura fundiária brasileira ainda é caracterizada pela grande concentração da terra, o que tem resultado em recorrentes conflitos agrários entre diversos grupos (grileiros, fazendeiros, posseiros, madeireiros, movimentos sociais).

Resposta: Errado

2. (CESPE - ABIN - 2008)

Com relação ao processo de modernização agrícola brasileira e suas implicações, julgue o item subsequente.

Os conflitos pela posse de terra no Brasil ocorrem tanto nas áreas tradicionais de produção agropecuária como nas novas áreas de expansão agrícola, a exemplo da região Centro-Oeste.

( ) Certo ( ) Errado RESOLUÇÃO:

Os problemas fundiários que desaguam em conflitos sangrentos ainda são uma realidade do nosso país. Além das áreas tradicionais, onde esses conflitos tendem a diminuir, eles também ocorrem nas fronteiras agrárias, onde, por conta da fragilidade da documentação e da situação real de posse de cada terreno, há recorrente conflito entre grileiros e posseiros que se apresentam não raras vezes, concomitantemente, como os donos de uma mesma terra.

Resposta: Certo

3. (TJ/SC - TJ/SC - 2011)

Em relação as principais características e tendências recentes do setor agrário brasileiro, leia as proposições abaixo e responda.

I. O Brasil se destaca no cenário mundial como exportador de “commodities”, produtos agrícolas como soja, o café, o algodão, a laranja e produtos da pecuária portanto, a modernização do setor agrário brasileiro está orientado pelo binômio industrialização – exportação, o agronegócio.

II. O grande problema da estrutura fundiária do Brasil é a extrema concentração das propriedades, cujas origens remontam ao nosso modelo de colonização aqui aplicado.

III. A utilização da biotecnologia, a mudança na estrutura genética dos vegetais, tornando-os mais resistentes às pragas, adaptando-os a diferentes tipos de solos e climas aumenta a produção mundial de alimentos e com isto em poucos anos a fome será erradicada do nosso planeta.

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Assinale a alternativa corretas:

a) Somente a alternativa I está correta b) Somente a alternativa II está correta c) Somente as alternativas I e II estão corretas d) Somente as alternativas II e III estão corretas e) Todas as alternativas estão corretas.

RESOLUÇÃO:

I. O Brasil se destaca no cenário mundial como exportador do “commodities”, produtos agrícolas como soja, o café, o algodão, a laranja e produtos da pecuária portanto, a modernização do setor agrário brasileiro está orientado pelo binômio industrialização – exportação, o agronegócio.

O item resumiu bem a situação de grande exportador assumido pelo agronegócio brasileiro. ITEM CORRETO.

II. O grande problema da estrutura fundiária do Brasil é a extrema concentração das propriedades, cujas origens remontam ao nosso modelo de colonização aqui aplicado.

Durante a colonização brasileira, por exemplo, as províncias, que hoje corresponderiam aos estados, eram de propriedade privada, o que demonstra o grau de concentração histórico de nossas terras. ITEM CORRETO.

III. A utilização da biotecnologia, a mudança na estrutura genética dos vegetais, tornando-os mais resistentes às pragas, adaptando-os a diferentes tipos de solos e climas aumenta a produção mundial de alimentos e com isto em poucos anos a fome será erradicada do nosso planeta.

Infelizmente, a questão da fome não será resolvida apenas por conta do desenvolvimento tecnológico, o que já poderia ser feita, já que é um problema que envolve também questões econômicas, políticas e sociais. ITEM INCORRETO.

Resposta: C

4. (ACEP - BNB - 2006)

Assinale a alternativa que NÃO é característica do processo de modernização da agricultura brasileira.

a) O aumento do grau de mecanização e quimificação das fazendas, o que promoveu importante aumento da produtividade do setor.

b) O forte aumento na produção, no início de bens exportáveis, e depois também de produtos para o mercado doméstico.

c) O crescimento da agroindústria.

d) O aumento da concentração fundiária e o crescimento da utilização da mão-de-obra temporária.

e) Menor interligação entre o setor agrícola propriamente dito com seus fornecedores, chamados setores " a montante" e com seus compradores, setores ditos "a jusante".

RESOLUÇÃO:

Dentre outras características, o processo de modernização da agricultura brasileira caracterizou-se pelo (a):

- Aumento do grau de mecanização e quimificação das fazendas, o que promoveu importante aumento da produtividade do setor.

- O forte aumento na produção, no início de bens exportáveis, e depois também de produtos para o mercado doméstico.

- O crescimento da agroindústria.

- O aumento da concentração fundiária e o crescimento da utilização da mão-de-obra temporária.

- Maior interligação entre o setor agrícola propriamente dito com seus fornecedores.

Ou seja, diante das informações acima descritas, percebe-se que a única alternativa incorreta é a da letra E.

Resposta: E

(28)

5. (FCC - SEDU/ES - 2016) Considere o texto abaixo.

A ..I.., como muitos chamaram a evolução da agricultura no terço final do século vinte, proporcionou aumentos significativos de produtividade que garantiram, junto com a expansão das fronteiras agrícolas, o abastecimento de alimento para uma população mundial em explosivo crescimento neste período. Apesar disso, as técnicas convencionais e a expansão da área de terras agricultáveis chegando ao seu limite, estamos correndo o risco de comprometer seriamente alguns recursos naturais, como flora, fauna e mananciais de água. Portanto, é imperativo que se busque alternativas para uma maior oferta de alimentos. É onde entra a ..II..

(Disponível em: www.beefpoint.com.br/cadeia-produtiva/espaco-aberto/a-polemica-dos-transgenicos-no-brasil-5323/) O conteúdo do texto destaca duas grandes transformações I e II que afetaram a produção agrícola em escala mundial, desde a década de 1940 até dos dias atuais. Preenchem, correta e respectivamente, as lacunas do texto em:

a) Revolução Verde − biotecnologia b) Reforma Agrária − indústria.

c) Modernização do Campo − agricultura orgânica.

d) Globalização Produtiva − abertura econômica.

e) Segunda Revolução Industrial − reforma agrária.

RESOLUÇÃO:

As duas grandes transformações citadas no texto são, respectivamente, a Revolução Verde e a biotecnologia.

Resposta: A

6. (MPE/GO - MPE/GO - 2017)

Analise as proposições que seguem, pertinentes ao cenário atual da agropecuária brasileira:

I. Na propriedade em que são desenvolvidas atividades com o emprego de técnicas rudimentares, com baixos índices de produtividade e sem dispor de capitais de investimento, diz-se que há agropecuária extensiva.

II. Nos chamados "Cinturões Verdes" praticamente inexiste a utilização de mão de obra familiar.

III. Com a modernização das técnicas, o domínio das grandes propriedades e a intensificação do êxodo rural, as unidades familiares deixaram de ser elementos fundamentais no espaço geoeconômico rural.

Está correto o que se afirma em:

a) Todas as assertivas estão corretas.

b) Apenas a assertiva I está correta.

c) Apenas a assertiva III está correta.

d) Apenas as assertivas II e III estão corretas.

e) Todas as assertivas estão incorretas.

RESOLUÇÃO:

I. Considera-se agropecuária extensiva aquela praticada a partir de técnicas mais tradicionais e com pouca tecnologia agregada. ITEM CORRETO.

II. Cinturão verde é uma área verde que pode ser composta por parques, chácaras, ou pomares, por exemplo, que se localizam ao redor de uma cidade (na área periférica). Ou seja, por não serem, necessariamente, áreas de influência do agronegócio, são cultivadas por meio de mão-de-obra familiar. ITEM INCORRETO.

(29)

III. As unidades familiares ainda são extremamente importantes para a economia nacional e para o abastecimento de produtos importantes que estão presentes na mesa do brasileiro, como o arroz e o feijão.

ITEM INCORRETO.

Resposta: B

7. (CESGRANRIO - IBGE - 2016)

As atividades agrícolas estão em constante processo de inovação para obter maior produtividade. Nesse contexto, durante a década de 1950, ocorreu de forma mais intensa o processo de modernização da agricultura que envolveu um grande aparato tecnológico provido de variedades de plantas modificadas geneticamente em laboratório, espécies agrícolas que foram desenvolvidas para alcançar alta produtividade, uma série de procedimentos técnicos com uso de defensivos agrícolas e de maquinários.

Disponível em: <http://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias- -ensino/a-modernizacao-agricultura.htm>.

Acesso em: 31 maio 2016.

Nesse contexto histórico, o processo de modernização mencionado caracteriza, especificamente, a) as Reformas de Base

b) a Revolução Verde c) o Milagre Econômico d) a Nova República e) o Estado Novo RESOLUÇÃO:

Duas inovações tecnológicas contribuíram fortemente para um aumento exponencial da eficiência na agricultura, a biotecnologia e Revolução Verde, sendo que esta permitiu o alcance de uma maior produtividade por meio do desenvolvimento de pesquisas em sementes, fertilização do solo, utilização de agrotóxicos e mecanização no campo que aumentassem.

Resposta: B

8. (NUCEPE - SEDUC/PI - 2015)

Sobre o espaço brasileiro leia as afirmativas e marque a alternativa CORRETA.

I. A modernização da agricultura e a ocupação estimulada pelo desenvolvimento da fronteira agrícola fortalecem a estrutura fundiária brasileira, os latifúndios e a empresa rural.

II. A indústria brasileira encontra-se concentrada principalmente no Sudeste, marcada pela variedade e volume de produção, diversificada em indústria automobilística, petroquímica, alimentares, de minerais não metálicos, têxtil, de vestuário, metalúrgica e mecânica.

III. A questão energética brasileira é uma das preocupações primordiais, quando se trata da relação crescimento e desenvolvimento socioeconômico, os principais investimentos, neste setor, têm priorizado outras fontes de energia limpa, como as termoelétricas, considerando a crise da água no Brasil.

a) Somente I é correta.

b) Somente III é correta.

c) Apenas I e II estão corretas.

d) Apenas II é correta.

e) Nenhuma é correta.

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RESOLUÇÃO:

I. A modernização da agricultura e a ocupação estimulada pelo desenvolvimento da fronteira agrícola fortalecem a estrutura fundiária brasileira, os latifúndios e a empresa rural.

Tanto a modernização da agricultura quanto a ocupação estimulada pelo desenvolvimento da fronteira agrícola contribuem para o fortalecimento da estrutura fundiária brasileira, os latifúndios e a empresa rural, já que ambos estão relacionados, principalmente, aos grandes atores do setor. ITEM CORRETO.

II. A indústria brasileira encontra-se concentrada principalmente no Sudeste, marcada pela variedade e volume de produção, diversificada em indústria automobilística, petroquímica, alimentares, de minerais não metálicos, têxtil, de vestuário, metalúrgica e mecânica.

Apesar do movimento dos últimos anos de desconcentração espacial da indústria, esta ainda se concentra bastante na região Sudeste. ITEM CORRETO.

III. A questão energética brasileira é uma das preocupações primordiais, quando se trata da relação crescimento e desenvolvimento socioeconômico, os principais investimentos, neste setor, têm priorizado outras fontes de energia limpa, como as termoelétricas, considerando a crise da água no Brasil.

As termoelétricas não são consideradas exemplo de fonte de energia limpa, tendo em vista que consomem combustíveis fósseis para queimar e gerar energia, o que ocasiona uma grande liberação de poluentes na atmosfera. ITEM INCORRETO.

Resposta: C

9. (CESPE - SEDU/ES - 2010)

A respeito das recentes transformações do espaço agroindustrial brasileiro, julgue o item que se segue.

Com as mudanças nas relações de trabalho e com as especializações de funções nas agroindústrias, muitas pessoas se mudaram para as áreas rurais em busca de bons empregos.

( ) Certo ( ) Errado RESOLUÇÃO:

Questão no mínimo polêmica. O que a banca quis dizer com “muitas pessoas”? Dez, cem, mil?

Na impossibilidade de decifrar esse número o que nos resta é imaginar o que a banca quis dizer.

O que tem se observado no Brasil, durante décadas, é a crescente diminuição da população rural. Este movimento, de diminuição da população rural, deve persistir, tendo em vista a contínua adoção de tecnologias no campo que aumentam a produtividade – e dispensam o uso de muita mão-de-obra.

Assim, há um fluxo maior de pessoas do campo em direção às cidades que em sentido contrário.

Resposta: Errado

10. (CESPE - SEPLAG/DF - 2008)

Hoje, tanto os cinturões quanto as frentes pioneiras revelam que o território brasileiro tem incorporado muitas das características da chamada revolução agrícola, especialmente nas culturas de exportação, aquelas que consolidam a divisão territorial do trabalho mundial. Assim, esses produtos acabam por invadir, com velocidade cada vez maior, áreas antes destinadas às produções domésticas.

No Brasil, verifica-se a inter-relação entre o processo de urbanização e a modernização no campo.

( ) Certo ( ) Errado

(31)

RESOLUÇÃO:

O consumo urbano de alimentos e as demandas industriais de matérias-primas, principalmente, demonstram a relação existente entre a produção agropecuária e o espaço urbano.

Se antes a economia rural era voltada para as suas próprias necessidades (autossuficiente), hoje notamos que ela se organiza e se especializa para atender às demandas da cidade.

Sob outra perspectiva, percebemos também a economia urbana depende da rural, ao fornecer maquinário, insumos e alimentos industrializados para esta.

Resposta: Certo

11. (CESPE - SEPLAG/DF - 2008)

Hoje, tanto os cinturões quanto as frentes pioneiras revelam que o território brasileiro tem incorporado muitas das características da chamada revolução agrícola, especialmente nas culturas de exportação, aquelas que consolidam a divisão territorial do trabalho mundial. Assim, esses produtos acabam por invadir, com velocidade cada vez maior, áreas antes destinadas às produções domésticas.

No processo de modernização no campo, o pequeno agricultor vê-se excluído da dinâmica das atividades agrícolas em função do baixo volume de produção por este alcançado.

( ) Certo ( ) Errado RESOLUÇÃO:

O pequeno produtor ainda é um ator bastante relevante na economia rural, respondendo inclusive pela produção de importantes produtos de consumo diário da população brasileira, como o arroz e o feijão.

Resposta: Errado

12. (CESPE - Instituto Rio Branco - 2006)

No quarto final do século XX, a estrutura social do mundo contemporâneo sofreu alterações profundas. Em 1991, desmoronaram a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e o sistema socialista construído em torno delas. As nações que continuaram adotando o comunismo como objetivo promoveram grandes mudanças: a China, por exemplo, a partir de 1978, desmantelou o sistema de comunas, no qual se organizava a maior parte de sua imensa população. Do lado capitalista, a produção e a distribuição de bens se reorganizaram: os países centrais do sistema deslocaram, para além de seus territórios, especialmente para a Ásia, um gigantesco aparato produtivo e, graças ao avanço das comunicações, uma grande quantidade de serviços.

Enquanto isso, no Brasil, o desenvolvimento industrial foi mínimo nas últimas décadas, salvo uma ou outra indústria, nenhuma delas muito sofisticada tecnologicamente. O único setor que se destacou foi o do agronegócio. Mudanças que já se desenvolviam em períodos anteriores consolidaram a extensão do capitalismo ao campo, o assalariamento rural, a incorporação de uma forma subordinada da pequena propriedade familiar a cadeias produtivas comandadas por grandes empresas. Foi como se o país tivesse cumprido um outro ciclo de produção de matérias-primas, depois dos ciclos do ouro, do açúcar e do café, em mais uma etapa de sua inserção subordinada no sistema capitalista mundial, do qual é morador periférico desde os tempos coloniais.

Retrato do Brasil. São Paulo: Editora Manifesto, n.º 4, nov./dez./2005, p. 133 (com adaptações).

Tendo o texto acima como referência inicial, julgue os itens seguintes.

A modernização das atividades agrícolas no Brasil resultou em aumento na concentração de propriedade da terra e na migração rural-urbana.

( ) Certo ( ) Errado

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