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Sistemas Lineares e Matrizes

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Academic year: 2021

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Sistemas Lineares e Matrizes

Lino Marcos da Silva [email protected]

Obs. Este texto ainda est´a em fase de reda¸ao. Por isso, pe¸co a gentileza de avisar-me sobre a ocorrˆencia de erros conceituais, gr´aficos ou de digita¸ao. Al´em disso, cr´ıticas e sugest˜oes ser˜ao bem vindas.

1 Introdu¸c˜ ao

Muitos problemas oriundos das diversas engenharias, das ciˆencias humanas aplicadas e da pr´opria matem´atica necessitam da resolu¸c˜ao de sistemas lineares para serem analisa- dos ou solucionados. Em ´Algebra linear, a resolu¸c˜ao de sistema lineares ´e um problema fundamental. Embora estejam dispon´ıveis m´etodos computacionais eficientes, que en- contram a solu¸c˜ao num´erica de sistemas lineares com milhares de equa¸c˜oes e inc´ognitas, um estudo te´orico do mesmo atrav´es da ´Algebra Linear ´e importante por possibilitar a aprendizagem de conceitos e ferramentas necess´arios `a resolu¸c˜ao de outros problemas da vida real. Nas pr´oximas se¸c˜oes ser˜ao apresentados alguns problemas pr´aticos cuja solu¸c˜ao depende de sistemas de equa¸c˜oes lineares.

Um exemplo de aplica¸c˜ao dos sistemas lineares ´e o c´alculo dos coeficientes do po- linˆomio interpolador de um determinado grau n. A interpola¸c˜ao polinomial ´e uma importante ferramenta matem´atica comumente utilizada em c´alculos de estimativas de- mogr´aficas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat´ıstica (IBGE) e por outras ins- titui¸c˜oes. A t´ecnica permite calcular a estimativa populacional de uma determinada cidade, por exemplo, em anos que n˜ao foram cobertos por censos. Para exemplificar essa t´ecnica, considere a Tabela 1 com a popula¸c˜ao do mun´ıcipio de Petrolina em v´arios anos.

Tabela 1: Popula¸c˜ao de Petrolina (IBGE) Ano Popula¸c˜ao

1991 175406 1996 189983 2000 218538 2007 268339 2010 293962

Observe que a tabela n˜ao apresenta a popula¸c˜ao referente ao ano de 2005. De fato, o IBGE realiza censo a cada 10 anos e, portanto, a popula¸c˜ao em anos intermedi´arios de-

(2)

vem ser estimadas por meio de algum m´etodo adequado. Nesse sentido, tem-se duas quest˜oes importantes sobre estimativas populacionais. A primeira ´e: como pode-se estimar a popula¸c˜ao em um determinao ano localizado entre dois censos realizados?

Por v´arias raz˜oes, conhecer uma estimativa dessa popula¸c˜ao ´e importante para diversos

´

org˜aos p´ublicos de planejamento. A segunda, e mais interessante, quest˜ao ´e: como re- alizar uma estimativa da popula¸c˜ao em uma data futura, por exemplo, a popula¸c˜ao do munic´ıpio no ano de 2018? A primeira quest˜ao pode ser resolvida, com certa precis˜ao, por meio da interpola¸c˜ao polinomial, enquanto que a segunda necessita de um m´etodo mais sofisticado, como por exemplo, o m´etodo dos quadrados m´ınimos.

Agora, considere calcular uma estimativa para a popula¸c˜ao de Petrolina no ano de 2005 por meio de um polinˆomio interpolador grau 2. Isto ´e, um polinˆomio do tipo

p(x) =a0+a1x+a2x2. (1) Como deseja-se calcular uma estimativa para o ano de 2005, escolhem-se, na Tabela 1, trˆes pares de dados referentes aos anos mais pr´oximos de 2005. Por exemplo, os pares (2000, 218538), (2007, 268339) e (2010, 293962). Dessa forma, o polinˆomio interpolador p(x) deve satisfazer as seguintes condi¸c˜oes:

p(2000) = 218538, p(2007) = 26833 e p(2010) = 293962.

Substituindo esses dados em (1), obtˆem-se as trˆes seguintes equa¸c˜oes lineares:

a0+a1·2000 +a2·20002 = 218538 a0+a1·2007 +a2·20072 = 268339 a0+a1·2010 +a2·20102 = 293962

(2)

sendoa0,a1 ea2 as suas inc´ognitas. Um conjunto de equa¸c˜oes lineares como o represen- tado em (2) ´e chamado desistema linear. Uma solu¸c˜ao para tal sistema linear ´e um tripla ordenada de n´umeros reais (a0, a1, a2) que ´e soluc˜ao das trˆes equa¸c˜oes simultane- amente. Estes e outros conceitos relacionados a sistemas lineares ser˜ao apresentados ao longo desse texto. Com rela¸c˜ao ao problema da interpola¸c˜ao polinomial, que uma vez calculados os valores de (a0, a1 e a2) tem-se determinado esse polinˆomio. O resultado num´erico do sistema linear (2) encontra-se resolvido na ´ultima sess˜ao desse texto.

2 Sistemas Lineares - Primeiros Exemplos

S˜ao muitos os problemas reais ou n˜ao que necessitam de sistemas lineares para serem resolvidos. A seguir ser˜ao apresentados trˆes problemas, certamente vocˆe j´a resolveu algum parecido, que ilustram bem esse fato.

1. Problema 1. Quais s˜ao os dois n´umeros cuja soma ´e igual a 10 e a soma de um com o dobro do outro ´e igual a 16?

(3)

Resolu¸c˜ao. Chamando um n´umero de x e o outro de y, o problema pode ser representado por meio das seguintes equa¸c˜oes

x + y = 10

x + 2y = 16.

Subtraindo, membro a membro, a primeida equa¸c˜ao da segunda equa¸c˜ao, obtem- sey = 6. Substituindo esse valor na primeira equa¸c˜ao, obtem-sex = 4. Logo, os n´umeros procurados s˜ao 4 e 6.

2. Problema 2. Em um s´ıtio h´a galinhas e bodes. No total existem 10 cabe¸cas e 32 patas. Quantas s˜ao as galinhas e quantos s˜ao os bodes existentes no s´ıtio?

Resolu¸c˜ao. Denotando o n´umero de galinhas por x e o n´umero de bodes por y, o problema pode ser representado por meio das seguintes equa¸c˜oes

x + y = 10 2x + 4y = 32.

Para resolver o sistema linear resultante, podemos multiplicar a primeira equa¸c˜ao por−2 e somar com a segunda equa¸c˜ao, dessa forma obtem-se:

-2x - 2y = -20

2x + 4y = 32

0 + 2y = 12.

Isto ´e, 2y = 12, donde vem que y = 6. Substituindo o valor de y na primeira equa¸c˜ao (poderia ser na segunda tamb´em) obtem-se x = 4. Logo, a solu¸c˜ao do sistema ´e x= 4 ey = 6. Portanto, no s´ıtio h´a 4 galinhas e 6 bodes.

Observe que os sistemas lineares oriundos do primeiro e do segundo problema, apesar de serem diferentes, apresentaram a mesma solu¸c˜ao: x= 4 ey= 6. Quando isso acontece, diz-se que os sistemas s˜ao sistemas equivalentes.

3. Problema 3. Um grupo de estudantes planejam comprar um presente para o seu professor de matem´atica: se cada estudante contribuir com 8 reais, sobrar˜ao 3 reais. Por outro lado, se cada estudante pagar 7 reais, faltar˜ao 4 reais. Quantos estudantes s˜ao e qual ´e o pre¸co do presente?

8x = y+3 7x = 3y-4

Resolu¸c˜ao. Tente vocˆe mesmo resolver esse sistema linear.

Os problemas 1, 2 e 3 apresentados anterioremente, s˜ao sem d´uvida alguma, pro- blemas bem interessantes, mas pouco relevantes do ponto de vista pr´atico (atual). No entanto, t´ecnicas an´alogas as utilizadas para resolver esses sistemas lineares, podem ser

(4)

empregadas para resolver sistemas lineares maiores, isto ´e, sistemas com um n´umero maior de equa¸c˜oes e envolvendo mais inc´ognitas. Em cursos como os da ´area de enge- nharia vocˆe ir´a encontrar problemas mais desafiadores, cuja solu¸c˜ao requer o tratamento de sistemas lineares. Por isso, o estudo formal e aprofundado da teoria matem´atica e das t´ecnicas de resolu¸c˜ao de sistemas lineares ´e muito relevante nessa ´area. Tal estudo ser´a feito nas se¸c˜oes seguintes.

3 Sistemas Lineares - Conceitos B´ asicos

Umsistema linearcommequa¸c˜oes eninc´ognitas ´e um conjunto de equa¸c˜oes do tipo:













a11x1 + a12x2 + . . . + a1nxn = b1 a21x1 + a22x2 + . . . + a2nxn = b2

. . .

am1x1 + am2x2 + . . . + amnxn = bm

, (3)

sendo aij n´umeros reais, 1 ≤ i ≤ m e 1 ≤ j ≤ n. Observe que em cada equa¸c˜ao i = 1,2, ..., m, cada inc´ognita xi ´e multiplicada apenas por um n´umero real constante aij. Isto ´e, n˜ao aparecem express˜oes do tipox1x2 ou x23. Essa ´e a essencia das equa¸c˜oes lineares.

Uma solu¸c˜ao do sistema linear (3) ´e uma n-upla (x1, x2, ..., xn) de n´umeros reais que satisfaz simultaneamente as suas mequa¸c˜oes.

Dizemos que dois sistemas lineares s˜ao equivalentes se, e somente se, toda solu¸c˜ao de qualquer um dos sistemas tamb´em ´e solu¸c˜ao do outro. Equivalentemente, pode-se dizer que dois sistemas lineares s˜ao equivalentes se um pode ser obtido do outro atrav´es das seguintes opera¸c˜oes, chamadas deopera¸c˜oes elementares, sobre as suas equa¸c˜oes:

1. Troca de duas equa¸c˜oes de lugar;

2. Multiplica¸c˜ao uma equa¸c˜ao por um n´umero diferente de zero;

3. Substitui¸c˜ao de uma equa¸c˜ao pela soma de duas (ou mais) equa¸c˜oes.

Exemplo 1. Os sistemas lineares (b) e (c) seguintes foram obtidos do sistema (a) realizando-se opera¸c˜oes elementares em suas linhas. Logo, esses trˆes sistemas s˜ao equi- valentes.

(a)

1x1 + 12x2 + 3x3 = 8 2x1 + 4x2 + 16x3 = 14 3x1 + 16x2 + 9x3 = 5

(5)

(b)





1x1 + 12x2 + 3x3 = 8 1x2 + −1

2 x3 = −1 10

1x3 = 2

(c)

1x1 = 3

1x2 = -2

1x3 = 2

Os sistemas lineares (a), (b) e (c) s˜ao sistemas equivalentes. No entanto, observe que o sistemas (b) e (c) s˜ao mais simples de resolver do que o sistema (a).

E comum classificarmos um sistema linear quanto a existˆ´ encia e n´umero de solu¸c˜oes.

Dizemos que um sistema ´e imposs´ıvel quando n˜ao possui solu¸c˜ao;poss´ıvel e determinado quando possui uma ´unica solu¸c˜ao; e poss´ıvel e indeterminado quando possui infinitas solu¸c˜oes.

4 Forma Matricial de Um Sistema Linear

Um sistema linear tamb´em pode ser representado por meio de matrizes. Isso ´e poss´ıvel, devido ao modo como o produto entre duas matrizes est´a definido. Usando a nota¸c˜ao de matrizes, o sistema linear (3) pode ser escrito da seguinte forma:

a11 a12 . . . a1n a21 a22 . . . a2n

. .

. .

. .

am1 am2 . . . amn

 x1 x2

. . . xn

=

 b1 b2

. . . bn

. (4)

A matriz A =

a11 a12 . . . a1n a21 a22 . . . a2n

. .

. .

. .

am1 am2 . . . amn

, chamada de matriz dos coeficientes; a

matrizX =

 x1 x2

.. x.n

´e chamada dematriz das inc´ognitas; e a matrizB =

 b1 b2

.. b.n

´ e a matriz dostermos independentes.

De forma simplificada, o sistema linear (4) pode ser representado por AX =B.

(6)

E comum usarmos tamb´´ em a nota¸c˜ao Ax=b para nos referirmos ao sistema linear na forma matricial.

Chamamos de matriz ampliadaoumatriz aumentadado sistema linear a matriz obtida quando juntamos em uma ´unica matriz a matriz dos coeficientes A e a matriz dos termos independentesB, do seguinte modo:

[A|B] =

a11 a12 . . . a1n | b1 a21 a22 . . . a2n | b2

. . . | .

. . . | .

. . | .

am1 am2 . . . amn | bn

(5)

Note que a matriz ampliada possui uma coluna a mais do que a matriz dos coefici- entes, justamente a coluna formada pelos termos independentes do sistema linear.

Exemplo 2. Para o sistema linear (a) apresentado anteriormente, temos: a matriz dos coeficientes A =

1 12 3 2 4 16 3 16 9

, a matriz dos termos independentes B =

 8 14

5

 e a

matriz ampliada

1 12 3 8

2 4 16 14

3 16 9 5

.

Exemplo 3. A forma matricial do sistema linear (2) apresentado na introdu¸c˜ao desse cap´ıtulo ´e :

1 2000 20002 1 2007 20072 1 2010 20102

 a0

a1

a2

=

218538 268339 293962

.

5 Resolu¸c˜ ao de Sistemas Lineares por Escalonamento

5.1 Opera¸c˜oes Elementares sobre as linhas matrizes

Em muitas situa¸c˜oes ´e interessante transformar uma dada matrizAem outra matriz ˜A, que seja, de alguma forma mais simples, mas ainda preservando propriedades importan- tes da matriz A. No contexto da resolu¸c˜ao de sistemas lineares, essas transforma¸c˜oes consistem em transformar uma matrizA qualquer em uma ou mais matrizes que sejam triangulares. Tais transforma¸c˜oes podem ser feitas, por exemplo, efetuando nas linhas da matriz A opera¸c˜oes similares as opera¸c˜oes elementares realizadas nas equa¸c˜oes de sistemas lineares para transformar um sistema linear em outro equivalente.

Seja A uma matriz de ordem m×n. Definimos as opera¸c˜oes elementares nas linhas de A do seguinte modo:

(7)

1. Troca das linhas Li e Lk,

Li ←→Lk

2. Multiplica¸c˜ao de uma linha Li por um n´umero real cdiferente de zero, Li→cLi

3. Substitui¸c˜ao de uma linhaLi pela soma desta com um m´ultiplo de uma outra linha Lk.

Li →Li+cLk

Sejam A e B matrizes de ordem m×n. A matriz A ´e dita ser equivalente por linhas `a matrizB, se B pode ser obtida de A pela aplica¸c˜ao sucessiva de um n´umero finito de opera¸c˜oes elementares sobre linhas.

Observamos que a equivalˆencia de matrizes por linhas corresponde `a no¸c˜ao de equi- valˆencia de sistemas lineares quando se efetuam as respectivas opera¸c˜oes sobre as suas equa¸c˜oes. Al´em disso, temos o seguinte resultado: A´e equivalente por linhas a B se, e somente se, B ´e equivalente por linhas a A.

A seguir apresentamos o enunciado de um teorema fundamental no c´alculo da solu¸c˜ao do sistema linear AX = B. A demonstra¸c˜ao do mesmo pode ser obtida em livros de Algebra Linear ou An´´ alise matricial.

Teorema. Sejam os sistemas lineares AX =B e ˜AX = ˜B tais que as matrizes au- mentadas [A|B] e [ ˜A|B˜] s˜ao matrizes equivalentes por linhas. Ent˜ao os sistemas lineares AX =B e ˜AX = ˜B tˆem a mesma solu¸c˜ao.

5.2 Elimina¸c˜ao Gaussiana

O m´etodo da Elimina¸c˜ao Gaussiana ou M´etodo de Gauss ´e um dos m´etodos mais utili- zados para resolver sistemas lineares. A ideia do m´etodo ´e usar opera¸c˜oes elementares sobre as linhas da matriz ampliada [A|B], do sistema linear AX = B, de modo a ob- ter uma matriz equivalente [ ˜A|B], por´˜ em com a caracter´ıstica de que o sistema linear AX˜ = ˜B ´e mais simples de resolver do que o sistema original. No caso em que o sistema linear tem n´umero de equa¸c˜oes igual ao n´umero de inc´ognitasl, a matriz ˜A em [ ˜A|B] se˜ reduz `a uma matriz triangular superior.

Uma matriz A = [aij]m×n est´a na forma escalonada reduzida se possui as pro- priedades:

(i) Todas as linhas nulas ocorrem abaixo das linhas n˜ao nulas;

(ii) O primeiro elemento n˜ao nulo de uma linha, chamado de pivˆo, ´e igual a 1;

(8)

(iii) O pivˆo de cada linha n˜ao nula ocorre `a direita do pivˆo da linha anterior;

(iv) Se uma coluna cont´em um pivˆo, ent˜ao todos os seus outros elementos s˜ao iguais a zero.

Exemplos. Apenas as matrizesA eE, abaixo, est˜ao na forma escalonada reduzida.

A=

0 1 2 0 1 0 0 0 1 3 0 0 0 0 0

B =

1 0 0 0

0 1 −2 0

0 0 1 0

C=

0 3 1

1 0 −1

0 0 0

D=

1 3 7 2 0 2 5 1 0 0 0 3

E =

1 0 0 3 0 1 0 4 0 0 1 5

Note que a matrizB n˜ao possui a propriedade (iv) e as matrizesC eDn˜ao possuem a propriedade (i).

Se uma matriz satisfaz as propriedades (i) e (iii), mas n˜ao necessariamente (ii) e (iv), dizemos simplesmente que ela est´a na forma escalonada. As matrizes B e D do exemplo anterior est˜ao na forma escalonada. Dessa maneira, na forma escalonada, o pivˆo, em cada linha n˜ao nula, n˜ao precisa ser necessariamente o n´umero real 1. Al´em disso, para a matriz escalonada, o item (iv) pode ser reescrito do seguinte modo: se uma coluna possui um pivˆo, ent˜ao todos os elementos dessa coluna que est˜ao abaixo do pivˆo s˜ao iguais a zero.

E poss´ıvel provar que toda matriz ´´ e equivalente por linha a uma ´unica matriz na forma escalonada reduzida. Prova-se tamb´em que toda matriz ´e equivalente por linhas a uma matriz na forma escalonada. O m´etodo conhecido como m´etodo de Gauss- Jordan usa opera¸c˜oes elementares para transformar a matriz aumentada do sistema AX =B em um matriz na forma escalonada reduzida. J´a o m´etodo que apresentaremos aqui, m´etodo de Gauss, transforma a matriz aumentada do sistema em uma matriz na forma escalonada. Este m´etodo ´e tamb´em chamado de m´etodo da Elimina¸c˜ao Gaussiana.

5.3 M´etodo de Gauss

O m´etodo de Gauss consiste no uso de opera¸c˜oes elementares sobre as linhas da matriz ampliada do sistema linear com o intuito de obter a forma escalonada da mesma . Em seguida, resolsve o sistema triangular obtido por meio de substitui¸c˜oes retroativas, isto

´e, de tr´as para frente.

Vamos apresentar o m´etodo de Gauss atrav´es da resolu¸c˜ao de alguns sistemas lineares.

(9)

1. Resolver o sistema linear

x+ 4y+ 7z= 2 2x+ 3y+ 6z= 2 5x+ 5y−z= 8

. Resolu¸c˜ao.

Primeiro escrevemos a matriz aumentada do sistema:

1 4 7 | 2

2 3 6 | 2

5 5 −1 | 8

.

Em seguida, come¸camos o escalonamento da matriz aumentada. Na primeira etapa devemos come¸car escolhendo o pivˆo na primeira linha. Como, neste caso, o primeiro elemento da primeira linha ´e n˜ao nulo, pois e igual a 1, ele ser´a escolhido como pivˆo e n˜ao h´a necessidade de efetuar trocas de linhas.

Lembramos que nessa etapa, o objetivo ´e zerar os elementos que est˜ao na primeira coluna e abaixo do pivˆo. Dessa forma, as opera¸c˜oes elementares a serem efetuadas nas linhas da matriz devem ser cuidadosamente escolhidas para chegar a esse fim.

Nesse caso, faremos a opera¸c˜ao

L2→ −2L1+L2 para zerar o elemento da segunda liinha; e

L3→ −3L1+L3

para zerar o elemento da terceira linha. Em palavras, o que iremos fazer ´e substituir a segunda linha pelo resultado da soma da segunda linha mais a primeira linha multiplicada por -2; e a terceira linha ser´a substituida pelo resultado da soma da terceira linha com a primeira linha multiplicada por -3. Ao final dessa primeira etapa obtemos a seguinte matriz:

1 4 7 | 2

0 −5 −8 | −2

0 −15 −36 | −2

.

Agora, na segunda etapa do processo de escalonamento, o pivˆo deve ser escolhido na segunda linha. Ser´a o primeiro elemento n˜ao nulo dess linha. Se necess´ario efetuamos troca de linhas. Mas, nesse caso, n˜ao ser´a necess´ario. O pivˆo ´e o elemento−5, e como o objetivo nessa etapa ´e zerar o elemento da segunda coluna que est´a abaixo do pivˆo, a opera¸c˜ao elementar escolhida ser´a:

L3 → −3L2+L3. Assim, ap´os esse processo, obtemos a seguinte matriz:

1 4 7 | 2

0 −5 −8 | −2

0 0 −12 | 4

.

(10)

Como n˜ao h´a mais linhas abaixo da terceira linha, o processo termina e a matriz obtida ´e a matriz aumentada do sistema em sua forma escalonada.

Agora, reescrevemos o sistema utilizando a matriz escalonada

x+ 4y+ 7z= 2

−5y−8z=−2

−12z= 4

e o resolvemos por substitui¸c˜oes retroativas, isto ´e, efetuando as substitui¸c˜oes de baixo para cima. Note que z pode ser facilmente calculado da terceira equa¸c˜ao, de onde obtemos z =−1

3. Substituindo esse valor na terceira equa¸c˜ao, obtemos y= 14

15. Finalmente, substituindo os valores deyezna primeira equa¸c˜ao, obtemos x= 3

5. Portanto, a solu¸c˜ao do sistema dado ´e tripla ordenada (3 5,14

15,−1 3).

2. Resolver o sistema linear

x+ 2y+z= 1 4x+ 3y+ 5z= 5 3x+y+ 4z= 4

. Resolu¸c˜ao.

Primeiro escrevemos a matriz aumentada do sistema

1 2 1 | 1 4 3 5 | 5 3 1 4 | 4

.

Como nessa primeira etapa, o objetivo ´e zerar os elementos que est˜ao na primeira coluna e abaixo do pivˆo, as opera¸c˜oes elementares a serem efetuadas nas linhas da matriz devem ser

L2→ −4L1+L2 para zerar o elemento da segunda linha; e

L3→ −3L1+L3

para zerar o elemento da terceira linha. Ao final dessa primeira etapa obtemos a seguinte matriz:

1 2 1 | 1

0 −5 1 | 1 0 −5 1 | 1

.

Agora, na segunda etapa do processo de escalonamento, o pivˆo deve ser escolhido na segunda linha. O objetivo nessa etapa ´e zerar o elemento da segunda coluna que est´a abaixo do pivˆo. Sendo assim, a opera¸c˜ao elementar escolhida ser´a:

L3 → −1L2+L3.

(11)

Assim, ap´os esse processo, obtemos a seguinte matriz:

1 2 1 | 1

0 −5 1 | 1

0 0 0 | 0

.

Como n˜ao h´a mais linhas abaixo da terceira linha, o processo termina e a matriz assim obtida ´e a matriz aumentada do sistema em sua forma escalonada.

Agora, reescrevemos o sistema utilizando a matriz escalonada x+ 2y+z= 1

−5y+z= 1 e o resolvemos por substitui¸c˜oes retroativas.

Note que ficamos com menos equa¸c˜oes do que inc´ognitas. Isso aconteceu pelo fato de que todos os elementos da ´ultima linha da matriz escalonada serem iguais a zero. Note que neste caso o sistema ter´a infinitas solu¸c˜oes. Para encontrar a forma geral dessas solu¸c˜oes, procedemos do seguinte modo: isolamos uma vari´avel na segunda equa¸c˜ao, por exemplo,

z= 1 + 5y;

e a substituimos na primeira equa¸c˜ao, de onde obtemos x+ 2y+ 1 + 5y= 1⇒x=−7y.

Neste caso,y ´e uma vari´avel livre. Portanto, a solu¸c˜ao do sistema ´e {(−7y, y,1 + 5y);y∈R}.

Se quisermos uma solu¸c˜ao particular desse sistema, basta atribuir um valor real qualquer para a vari´avel y. Por exemplo, se y = 1 obtemos a solu¸c˜ao particular (−7,1,6).

3. Resolver o sistema linear

x+ 3y+ 13z= 9 y+ 5z= 2

−2y−10z=−8 . Resolu¸c˜ao.

Primeiro escrevemos a matriz aumentada do sistema

1 3 13 | 9

0 1 5 | 2

0 −2 −10 | −8

.

Observe que todos os elementos da primeira coluna que est˜ao abaixo da diagonal s˜ao nulos. Logo, podemos pular a primeira etapa. Para realizarmos a segunda

(12)

etapa do processo de escalonamento, escolhemos o pivˆo 1 e a seguinte a opera¸c˜ao elementar:

L3 → −2L2+L3. Assim, ap´os esse processo, obtemos a seguinte matriz:

1 3 13 | 9

0 1 5 | 2

0 0 0 | −4

.

Como n˜ao h´a mais linhas abaixo da terceira linha, o processo termina e a matriz obtida ´e a matriz aumentada do sistema em sua forma escalonada.

Agora, reescrevemos o sistema utilizando a matriz escalonada

x+ 3y+ 13z= 9 y+ 5z= 2 0z=−4

.

Da terceira equa¸c˜ao podemos concluir que o sistema ´e imposs´ıvel, pois n˜ao existe z∈Rtal que 0z=−4.

At´e agora resolvemos sistemas lineares nos quais n˜ao precisamos efetuar troca de linhas das matrizes e t´ınhamos a sorte do pivˆo encontrado ser sempre igual a 1.

Os dois pr´oximos exemplos s˜ao mais completo nesse sentido.

4. Resolver o sistema linear

2x+ 5y= 1 3x+ 2y= 2 . Resolu¸c˜ao.

Primeiro escrevemos a matriz aumentada do sistema 2 5 | 1

3 2 | 2

.

Nesse caso, como o pivˆo na primeira linhar ´e diferente de 1, podemos multiplicar a primeira linha por 1

2 , para facilitar os c´alculos. Dessa maneira, podemos iniciar o escalonamento com a opera¸c˜ao

L1 → 1 2L1. Assim, obtemos a matriz

1 5/2 | 1/2

3 2 | 2

.

(13)

Agora para zerar o elemento da primeira coluna que est´a abaixo do pivˆo 1, reali- zamos a opera¸c˜ao

L2 → −3L1+L2. Assim, obtemos a matriz escalonada

1 5/2 | 1/2 0 −11/2 | 1/2

,

e podemos reescrever o sistema da seguinte forma:



 x+5

2y= 1 2

−11 2 y= 1

2.

Da´ı resolvemos o mesmo fazendo as substitui¸c˜oes retroativas. Isto ´e, da segunda equa¸c˜ao obtemos y=− 1

11, que subtistuindo na primeira nos d´ax= 8 11.

5. Resolva o sistema linear





x3+ 3x4 = 4 x1−x2+x4 = 1

−x3−3x4 =−4

−x1+x2−x4 =−1 .

Resolu¸c˜ao.

Escrevendo a matriz aumentada do sistema , obtemos:

0 0 1 3 | 4

1 −1 0 1 | 1

0 0 −2 −6 | −8

−1 1 0 −1 | −1

 .

Nesse caso, come¸camos efetuando uma troca de linhas para obtermos pivˆo 1 na pri- meira linha. Isso pode ser feito atrav´es da troca da segunda linha com a primeira.

Isto ´e, realizamos a opera¸c˜ao

L1 ↔L2 e obtemos a seguinte matriz:

1 −1 0 1 | 1

0 0 1 3 | 4

0 0 −2 −6 | −8

−1 1 0 −1 | −1

 .

Agora para zerar o elemento da primeira coluna que est´a abaixo do pivˆo 1( na quarta linha), realizamos a opera¸c˜ao

L4→L1+L4.

(14)

Assim, obtemos a matriz :

1 −1 0 1 | 1

0 0 1 3 | 4

0 0 −2 −6 | −8

0 0 0 0 | 0

 .

Agora, note que o pivˆo da segunda linha ´e o elemento 1 que est´a na terceira coluna.

Com a opera¸c˜ao elementar

L3 →2L2+L3

zeramos o ´unico elemento n˜ao nulo elemento da terceira coluna que est´a abaixo do pivˆo. Depois de realizada a opera¸c˜ao, obtemos a matriz

1 −1 0 1 | 1

0 0 1 3 | 4

0 0 0 0 | 0

0 0 0 0 | 0

e o processo de escalonamento termina.

Agora, reescrevendo o sistema com a matriz escalonada obtemos:

x1−x2+x4 = 1 x3+ 3x4= 4 .

Note que o sistema tem quatro inc´ognitas mas apenas duas equa¸c˜oes, logo trata-se de um sistema indeterminado. Al´em disso, note que a matriz escalonada apresenta duas linhas nulas, logo o sistema possui duas vari´aveis livres.

Na segunda equa¸c˜ao isolamos uma das vari´aveis, por exemplo, podemos fazer x3 = 4−3x4.

Na primeira equa¸c˜ao, isolamos a vari´avel x4 obtendo x4 = 1−x1+x2. Substituindox4 na equa¸c˜ao anterior, obtemos

x3 = 3 +x1−x2.

Portanto, o conjunto de solu¸c˜oes do sistema linear ´e dado por {(x1, x2,3 +x1−x2,1−x1+x2);x1, x2, x3, x4 ∈R}.

(15)

6 Sistema Linear Homogˆ eneo

O sistema linear ´e chamado desistema homogˆeneose ´e da forma













a11x1 + a12x2 + . . . + a1nxn = 0 a21x1 + a22x2 + . . . + a2nxn = 0 .

. .

am1x1 + am2x2 + . . . + amnxn = 0

, (6)

Na forma matricial temos

AX = 0

onde 0 indica a matriz nula de m linhas e 1 coluna. Um sistema linear homogˆemo ´e sempre poss´ıvel, pois admite a solu¸c˜aoX = 0, que ´e chamada de solu¸c˜ao trivial.

Exerc´ıcio. Mostre que seX1eX2s˜ao solu¸c˜oes distintas do sistema linear homogˆeneo AX =B, ent˜ao X1+X2 e αX1 ( α∈R) tamb´em s˜ao solu¸c˜oes.

7 Aplica¸c˜ oes

7.1 Circuitos El´etricos

Qual a intensidade I1,I2 e I3 das correntes que percorrem o circuito el´etrico mostrado

abaixo?

I2 =I1+I3 (7)

I1+I3=I2 2·I1+ 1·I2+ 2·I1= 8 1·I2+ 4·I3= 16

(16)

I2 =I1+I3 (8) I1+I3=I2

2·I1+ 1·I2+ 2·I1= 8 1·I2+ 4·I3= 16

Organizando as equa¸c˜oes, obtemos o seguinte sistema linear:





I1−I2+I3 = 0 4I1+I2 = 8 I2+ 4I3 = 16

8 Posto e Nulidade

Defini¸c˜ao. SejaA uma matriz de ordemm×ne ˜Aa sua forma escalonada. Definimos opostop da matrizA como o n´umero de linhas n˜ao nulas de ˜A. A nulidadede A´e o n´umeron−p.

Dado o sistema linearAX =B, ondeAtem ordemm×n, sejapAo posto da matriz dos coeficientes Ae pAB o posto da matriz aumentada [A|B].

1. Se pA=pAB =n, ent˜ao o sistema possui solu¸c˜ao ´unica;

2. Se pA=pAB < n, ent˜ao o sistema admite infinitas solu¸c˜oes;

3. Se pA6=pAB, ent˜ao o sistema n˜ao possui solu¸c˜ao.

Exemplos. Observe os escalonamentos realizados nas matrizes dos coeficientes dos sistemas lineares utilizados anteriormente nos exemplos 1, 2 3 e 4. No Exemplo 1, temos pA=pAB = 3 . Neste caso, o sistema linear possui ´unica solu¸c˜ao; no Exemplo 2, temos pA = pAB = 2, mas a dimens˜ao do sistema linear ´e 3. Logo o sistema possui infinitas solu¸c˜oes (1 vari´avel livre); J´a no Exemplo 3, o postopAda matriz dos coeficientes ´e igual a 2, enquando o postoPAB da matriz ampliada ´e igual a 3. Logo,pA6=pAB e o sistema n˜ao tem solu¸c˜ao; No Exemplo 4, temos pA = pAB = 2 (o sistema linear possui ´unica solu¸c˜ao); Por fim, no Exemplo 5, o sistema linear possui dimens˜ao 4, maspA=pAB = 2.

Logo o sistema linear possui infinitas solu¸c˜oes. Note que o sistema possui duas vari´aveis livres.

9 A Matriz Inversa

Matriz Inversa. Dada uma matriz quadrada A de ordemn, chamamos de inversa de A a matriz quadradaX de ordem ntal que

AX =XA=I.

(17)

E comum usarmos a nota¸c˜´ aoX=A−1. Logo, se a matrizApossui uma inversaA−1, ent˜ao

AA−1 =A−1A=I.

Usando a matriz inversa na resolu¸c˜ao de sistemas lineares. Dado o sistema linear AX = B, se soubermos que a matriz A ´e invert´ıvel e soubermos como calcular sua inversa, ent˜ao a solu¸c˜ao do sistema ´e dada porX =A−1B. Pois

AX =B ⇒A−1AX =A−1b⇒IX =A−1B ⇒X=A−1B.

Na pr´atica esta n˜ao ´e uma boa estrat´egia para calcular a solu¸c˜ao do sistema linear. De fato, o c´alculo da matriz inversa, em geral, ´e muito trabalhoso.

A seguir enunciaremos alguns teoremas relacionados com a matriz inversa.

Teorema. Uma matriz quadrada de ordem n´e invert´ıvel se, e somente se, ela tem posto n. Uma matriz invert´ıvel ´e tamb´em chamada de n˜ao-singular.

Procedimento pr´atico para o c´alculo da Matriz Inversa.

Teorema. Uma matriz quadrada A de ordem n ´e invert´ıvel se, e somente se, a matrizIn ´e equivalente por linhas `a matrizA. Isto ´e, seIn pode ser obtida deA atrav´es de opera¸c˜oes elementares sobre as linhasA. Nesse caso, a mesma sequˆencia de opera¸c˜oes elementares transformam In em A−1.

Este Teorema nos fornece o seguinte procedimento para calcular a matriz inversa de uma matriz quadradaA de ordem npor meio dos seguintes passos:

1. Escrevemos a matriz

M = [A|In], ondeIn ´e a matriz identidade de ordem n.

2. Efetuamos opera¸c˜oes elementares sobre as linhas da matrizM at´e transformarmos a matriz A na matriz indentidade In (note que esse procedimento implicar´a em transforma¸c˜oes na matriz In `a direita da matrizA).

3. Ao final do processo a matrizM ter´a sido transformada em uma matriz ˜M do tipo M˜ = [In|X]

4. A matrizX ´e a matriz inversa da matriz A. Isto ´e,X =A−1.

Exemplo. Considere calcular a inversa da matrizA= 2 3

1 4

. Resolu¸c˜ao.

(18)

1. Primeiro escrevemos a matriz:

2 3 | 1 0 1 4 | 0 1

;

2. Efetuamos opera¸c˜oes elementares sobre as linhas dessa matriz (escalonamento);

3. Ao final do processo obtemos a forma escada equivalente:

1 0 | 4/5 −3/5 0 1 | −1/5 2/5

.

4. A matriz inversa de A ´e a matriz

4/5 −3/5

−1/5 2/5

.

9.1 Propriedades da Matriz Inversa

Sejam A eB matrizes invert´ıveis de ordem n. Ent˜ao, valem as seguintes propriedades:

1. AB ´e invert´ıvel e (AB)−1=B−1A−1. 2. A−1 ´e invert´ıvel e(A−1)−1 =A.

10 Determinantes

O determinante ´e uma fun¸c˜ao matricial que associa a cada matriz quadrada A um escalar. Em geral, o determinante da matriz A ´e representado por det(A) e, uma vez estando dispon´ıvel, podemos us´a-lo para detectar a existˆencia de solu¸c˜oes do sistema linearAx=bou a existˆencia da matriz inversa deA.

Neste texto iremos apresentar um defini¸c˜ao indutiva para o determinante de uma matriz quadradaA de ordem n, fazendo uma indu¸c˜ao sobren≥1.

Se n= 1, ent˜ao a matriz Apossui apenas o elementoa11. Neste caso, det(A) =a11.

Vamos supor agora que n > 1 e que det(A) esteja definido para todas as matrizes de ordemr tal que 1 ≤r ≤n−1. Isto ´e, podemos calcular o determinante de todas as matrizes quadradas de ordem at´en−1.

Agora sejaA uma matriz quadrada de ordemn. Para cada par (i, j) defina a matriz Aij formada a partir da matriz A retirando sua i-´esima linha e j-´esima coluna. A matriz assim formada ´e chamada de menor complementar da matriz A em rela¸c˜ao ao elemento Aij. Note que dessa forma, Aij ´e uma matriz de ordem n−1, e portanto, o seu determinantedet(Aij) j´a est´a definido.

Finalmente, o determinante da matrizA ´e definido como sendo det(A) =

n

X

j=1

(−1)j+1a1jdet(A1j). (9)

(19)

Exemplo 1. Considere a matriz A=

a11 a12 a21 a22

. Pela defini¸c˜ao de menor comple- mentar temosA11= [a22] e A12= [a21]. Dessa forma,

det(A) = (−1)1+1a11det(A11) + (−1)1+2a12det(A12)

=a11a22−a12a21.

Portanto,det(A) =a11a22−a12a21. Esse resultado, pode ser reescrito como uma regra, comumente utilizada para o c´alculo do determinante de matrizes de ordem 2.

Regra para o c´alculo do determinante de matrizes de ordem 2: O determi- nante de uma matrizAde ordem 2 ´e igual ao produto do elementos da diagonal principal menos o produto dos elementos da diagonal secund´aria.

Exemplo 2. Considere a matrizA=

a11 a12 a13

a21 a22 a23 a31 a32 a33

.

Pela defini¸c˜ao anterior, temosA11=

a22 a23 a32 a33

,A12=

a21 a23 a31 a33

eA13=

a21 a22 a31 a32

. Agira usando a regra apresentada no Exemplo 1, obtemos:

det(A11) =a22a33−a23a32, det(A12) =a21a33−a23a31, det(A13) =a21a32−a22a31.

Agora, substituindo na f´ormula da defini¸c˜ao, obtemos

det(A) = (−1)1+1a11det(A11) + (−1)1+2a12det(A12) + (−1)1+3a13det(A13)

=a11det(A11)−a12det(A12) +a13det(A13).

Substituindo os valores de det(A11), det(A12), det(A13) e efetuando os c´alculos ne- cess´arios, obtem-se o valor do det(A). Na pr´atica, o determinante de uma matriz de ordem 3 ´e calculado usando uma regra conhecida comoRegra de Sarrus.

Na defini¸c˜ao de determinantes apresentada aqui consideramos realizar uma soma utilizando os elementos da primeira linha e determinantes de matrizes menores. A nossa op¸c˜ao pela primeira linha foi apenas por conveniˆencia. Na verdade, esse ´e um caso particular de uma defini¸c˜ao mais geral, onde essa soma pode ser realizada usando-se qualquer uma das linhas ou colunas da matriz A. Na pr´atica, escolhemos a linha ou coluna que apresenta o maior n´umero de elementos nulos. Essa escolha se justifica pelo fato de que a quantidade de zeros presentes na linha ou coluna, implica na mesma quantidade de parcelas nulas desta soma, reduzindo assim a quantidad de c´alculos necess´arios para achar o determinante. Observa¸c˜ao. Essa regra utilizada para calcular determinantes ´e conhecida como Regra de Laplace.

(20)

Exemplo 3. Calcule o determinante da matrizA=

2 1 −1 1

4 0 3 2

−1 3 1 0

1 0 1 1

 . Resolu¸c˜ao.

Fazendo o desenvolvimento pela linha 2 temos

det(A) = (−1)2+1a21det(A21) + (−1)2+2a22det(A22) + (−1)2+3a23det(A23) + (−1)2+4a24det(A24)

=−2det(A21) + 0det(A22)−3det(A23) + 2det(A24)

=−2det(A21)−3det(A23) + 2det(A24).

Se em vez disso, us´assemos a coluna 2 ter´ıamos

det(A) = (−1)1+2a12det(A12) + (−1)2+2a22det(A22) + (−1)3+2a32det(A32) + (−1)4+2a42det(A42)

= 1det(A21) + 0det(A22)−3det(A23) + 0det(A24)

=det(A21)−3det(A23).

Ou seja, neste caso, s´o ter´ıamos que calcular dois determinantes de ordem 3.

10.1 Propriedades dos Determinantes

Sejam A e B matrizes quadradas de ordem n e k ∈ R. Ent˜ao, valem as seguintes propriedades:

1. det(AB) =det(A)det(B);

2. det(A) =det(BT);

3. det(kA) = (det(A))k.

4. Se a matrizA ´e invert´ıvel, ent˜aodet(A−1) = (det(A))−1.

5. SeA ´e uma matriz triangular, ent˜ao odet(A) ´e igual ao produto da elementos da diagonal principal.

10.2 Aplica¸c˜oes do Determinante

1. Existˆencia da matriz inversa. Uma matriz quadradaAde ordemn´e invert´ıvel se, e somente,det(A)6= 0.

2. Existˆencia de solu¸c˜ao ´unica para sistema linear. Seja A uma matriz qua- drada de ordem n . O sistem linear Ax = b admite uma ´unica solu¸c˜ao se, e somente, det(A)6= 0.

3. Regra de Cramer. A regra de Cramer ´e uma conhecida regra para o c´alculo da solu¸c˜ao de um sistema linear por meio do c´alculo de determinantes. Como, na pr´atica, essa regra ´e pouco utilizada n˜ao a apresentaremos neste texto.

(21)

11 Exerc´ıcios Propostos

1. Dada o sistema

3x+ 5y = 1 2x+z= 3 5x+y−z= 0

(a) Escreva a matrizA dos coeficientes do sistema linear e calcule o seu determi- nante.

(b) Escreva a matriz ampliada do sistema e fa¸ca o escalonamento da mesma.

(c) Obtenha a solu¸c˜ao do sistema.

2. Determine k, para que o sistema

−4x1 + 3x2 = 2

2x1 + x3 = 0

5x1 + x2 = k

, admita solu¸c˜ao.

Sugest˜ao. Fa¸ca o escalonamento da matriz ampliada do sistema e analise o posto das matrizes dos coeficientes e da matriz ampliada.

3. Explique porque a nulidade de uma matriz nunca ´e negativa.

4. Encontre os valores de k, tais que o sistema homogˆeneo

2x−5y+ 2z= 0 x+y+z= 0 2x+kz= 0 tenha uma solu¸c˜ao distinta da solu¸c˜ao trivialx=y=z= 0 .

5. Dado do sistema linear





x+y−w= 0 x−z+w= 2 y+z−w=−3 x+ 2y−2w= 1

.

Calcule o posto da matriz dos coefiencientes e da matriz ampliada do sistema.

Determine, se existir, a solu¸c˜ao do sistema.

6. Dado o sistema linear





2x1+x2+x3+x4 = 1 x1+ 2x2+x3+x4 = 2 x1+x2+ 2x3+x4 = 3 x1+x2+x3+ 2x4 = 4

.

(a) Escreva a matrizA dos coeficientes do sistema linear e calcule o seu determi- nante.

(b) Escreva a matriz ampliada do sistema e fa¸ca o escalonamento da mesma.

(c) Obtenha a solu¸c˜ao do sistema.

(22)

12 Recursos Computacionais para ´ Algebra Linear

12.1 O SoftwareScilab

OScilab ´e um software para computa¸c˜ao cient´ıfica e visualiza¸c˜ao, gratuito, com c´odigo fonte aberto e interface para as linguagens FORTRAN e C. Ele permite a solu¸c˜ao de problemas num´ericos em uma fra¸c˜ao do tempo que seria necess´ario para escrever um programa em uma linguagem como FORTRAN, Pascal ou C, devido `as suas centenas de fun¸c˜oes matem´aticas. Mais informa¸c˜oes sobre o Scilab, bem como o link para download do mesmo, podem ser obtidas no site www.scilab.org.

12.2 C´alculo da solu¸c˜ao de Sistemas Linerares

A seguir apresentamos a resolu¸c˜ao emScilabdos sistemas lineares apresentados no exem- plos da se¸c˜ao 5. NoScilab dado a matriz dos coeficientesA e o vetor do lado direitob, a solu¸c˜ao do sistema linear Ax=bpode ser calculada atrav´es do comando x=A\b.

1. Resolver o sistema linear

x+ 4y+ 7z= 2 2x+ 3y+ 6z= 2 5x+ 5y−z= 8

.

−−>A=[ 1 4 7; 2 3 6 ; 5 5 -1]

A = 1. 4. 7.

2. 3. 6.

5. 5. - 1.

−−>b= [ 2; 2; 8]

b = 2.

2.

8.

−−>x=A\b x =

0.6 0.9333333 - 0.3333333

2. Resolver o sistema linear

x+ 2y+z= 1 4x+ 3y+ 5z= 5 3x+y+ 4z= 4

.

−−>A=[ 1 2 1; 4 3 5; 3 1 4]

A =

(23)

1. 2. 1.

4. 3. 5.

3. 1. 4.

−−>b=[1;5;4]

b = 1.

5.

4.

−−>x=A\b

Aviso: A matriz ´e quase singular ou possui m´a escala. rcond = 0.0000D+00 Computando a solu¸c˜ao de m´ınimos quadrados (ver lsq).

x = 0.

- 1.526D-15 1.

Observa¸c˜ao. Na resolu¸c˜ao da equa¸c˜ao Ax = b, o comando x=A\b do Scilab computa uma solu¸c˜ao aproximada (solu¸c˜ao de quadrado quadrado) com no m´aximo PA, posto deA, componentes n˜ao nulas. Observe ainda que, neste exemplo, PA= 2. A sigla lsq significaleast square, ou seja, quadrado m´ınimo.

3. Resolver o sistema linear

x+ 3y+ 13z= 9 y+ 5z= 2

−2y−10z=−8 .

−−>A = [ 1 3 13; 0 1 5; 0 -2 -10]

A = 1. 3. 13.

0. 1. 5.

0. - 2. - 10.

−−>b=[ 9; 2; -8]

b = 9.

2.

- 8.

−−>x=A\b

Aviso: A matriz ´e quase singular ou possui m´a escala. rcond = 0.0000D+00 Computando a solu¸c˜ao de m´ınimos quadrados (ver lsq).

x =

(24)

- 0.36 0.

0.72

12.3 C´alculo da Matriz Inversa

Dado a matriz quadrada A, o comando inv(A) calcula a inversa da matriz A. No caso da matriz n˜ao ser invert´ıvel, o programa retorna a informa¸c˜ao de que o ”problema ´e singular”; al´em disso, devido a erros de aprxima¸c˜oes, um aviso pode ser impresso na tela informando queA possui m´a escala ou ´e quase singular.

1. Calcular a inversa da matriz dos coeficientes do sistema linear do Exemplo 1 da Se¸c˜ao 5.

−−>A=[ 1 4 7; 2 3 6; 5 5 -1]

A = 1. 4. 7.

2. 3. 6.

5. 5. - 1.

−−>X=inv(A) X =

- 0.55 0.65 0.05

0.5333333 - 0.6 0.1333333 - 0.0833333 0.25 - 0.0833333

−−>Y=A*X Y =

1. 0. - 1.110D-16 0. 1. 0.

- 1.527D-16 0. 1.

Observa¸c˜ao. Note que, por defini¸c˜ao, sendo X a matriz inversa da matriz A, a matriz Y =AX deveria ser igual a matriz identidade I3. Por´em, note que os elementos x13 e x31 s˜ao diferentes de zero, contudo os mesmos s˜ao da ordem de 10−16. Ou seja, s˜ao n´umeros muito pr´oximos de zero. Fatos como este ocorrem em c´alculos num´ericos realizados por computadores e por isso as implementa¸c˜oes de algoritmos num´ericos para resolver problemas matem´aticos devem ser feitas cuidadosamente e de modo a minimizar esse tipo de erro.

2. Calcular a inversa da matriz dos coeficientes do sistema linear do Exemplo 2 da Se¸c˜ao 5. −−>A=[ 1 2 1; 4 3 5; 3 1 4]

A =

(25)

1. 2. 1.

4. 3. 5.

3. 1. 4.

−−>X=inv(A)

!–error 19

O problema ´e singular.

Observa¸c˜ao. Neste caso, o programa retorna uma mensagem de erro e a in- forma¸c˜ao de que o problema ´e singular. Isto significa que a matriz A n˜ao ´e in- vert´ıvel.

12.4 C´alculo do determinante

O determinante de uma matriz quadrada A pode ser calculado no Scilab por meio do comandodet(A). Observe o c´alculo dos determinantes das matrizes dos exemplos ante- riores:

−−>A=[ 1 4 7; 2 3 6; 5 5 -1]

A = 1. 4. 7.

2. 3. 6.

5. 5. - 1.

−−>det(A) ans = 60.

−−>B=[ 1 2 1; 4 3 5; 3 1 4]

B = 1. 2. 1.

4. 3. 5.

3. 1. 4.

−−>det(B) ans = 0.

−−>C=[1 3 13; 0 1 5; 0 -2 -10]

C = 1. 3. 13.

0. 1. 5.

0. - 2. - 10.

−−>det(C) ans = 0.

(26)

12.5 Resolu¸c˜ao do sistema linear da Introdu¸c˜ao

O problema proposto na Introdu¸c˜ao consistia em determinar o polinˆomio interpolador de grau 2

p(T) =a0+a1T+a2T2.

onde os coeficientes a0, a1 e a2 s˜ao obtidos por meio do c´alculo da solu¸c˜ao do sistema linear:

a0+a1·2000 +a2·20002 = 218538 a0+a1·2007 +a2·20072 = 268339 a0+a1·2010 +a2·20102 = 293962.

NoScilab a entrada dos dados e o c´alculo da solu¸c˜ao podem ser realizados da seguinte maneira:

−−> A= [1 2000 20002; 1 2007 20072; 1 2010 20102] A =

1. 2000. 4000000.

1. 2007. 4028049.

1. 2010. 4040100.

−−>b=[ 218538; 268339; 293962]

b =

218538.

268339.

293962.

−−>x=A\b x =

5.586D+08 - 564512.74 142.65714

Dessa forma, o polinˆomio interpolador de grau 2 obtido ´e:

p(T) = 5.586D+ 08−564512.74T+ 142.65714T2.

Uma estimativa para a popula¸c˜ao do munic´ıpio de Petrolina no ano de 2009 pode ser obtida calculando-se p(2009). Efetuando-se os c´alculos, obtemos p(2009) = 269677.61.

Da´ı, podemos estimar que a popula¸c˜ao em 2009 era de aproximadamente 269678 habi- tantes.

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