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CENTRO ESPÍRITA LÉON DENIS DESPRENDIMENTO

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Academic year: 2022

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C E N T R O E S P ÍR IT A L É O N D E N IS

Centro Espírita Léon Denis. Rua Abílio dos Santos, 137, Veja as palestras pelo nosso site: Bento Ribeiro, RJ - RJ. Telefax (21) 2452-1846. www.celd.org.br

DESPRENDIMENTO

“(...) no instante da morte, o desprendimento do perispírito não se completa subitamente; (...) naqueles sobretudo cuja vida foi toda material e sensual, o des- prendimento é muito menos rápido, (...) quanto mais o espírito se haja identifi cado com a matéria, tanto mais penoso lhe seja separar-se dela; ao passo que a atividade intelectual e moral, a elevação dos pensamentos operam um começo de desprendi- mento, mesmo durante a vida do corpo, de modo que, em chegando a morte, ele é quase instantâneo.” (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, perg. 155a.)

Que o amor único de Deus inspire todas as almas para o bem!

Todos aqueles que pensam que os espíritos se separam abrupta- mente do corpo só observam a separação física que, mesmo esta, não é tão rápida quanto possa parecer.

Os sinais de decomposição orgânica, as difi culdades próprias de quem se desliga da matéria, a própria observação do espírito, antecipadamente, do mundo que irá habitar brevemente tornam a separação algo diferente; difícil, mesmo, para muitas criaturas.

O que falar daqueles que, sentindo-se presos às emoções terrenais ou ligados pelas emoções às criaturas a quem amam, começam o pro- cesso da desencarnação, observando a vida a esvair-se por entre os seus dedos, como que a se antecipar num processo lento, mas seguro da separação? O que falar dos que sentem que em breve deixarão os seus?

Para esses, a separação é extremamente demorada. Muitas ve- zes, vemos corpos sendo enterrados e espíritos presos à vida que acabam de deixar. Nesse caso, somente a Lei de Deus poderá in- terferir, mostrando à criatura humana que todos prosseguirão em suas vidas, a despeito da separação orgânica.

O homem precisa aprender a observar a própria existência;

precisa ver que constantemente ele provoca uma separação. Suas ideias, seus sentimentos, sempre se renovando e se reelaborando, desligam-no do passado, das situações anteriores. A Lei de Deus faz isso conosco diariamente. Nós, entretanto, ao nos separarmos de modo um pouco mais enérgico, um pouco mais dolorido, ao nos sentirmos desligados, acreditamos não poder prosseguir. Sentimo- nos mais sofridos do que nunca, julgando ser a dor irreparável.

Homens, prestem atenção! Deus nos ensina a separação diariamente.

E por que é que Deus nos faz essa proposta de separação? Por que é que

muitas vezes nos sentimos desligar, a pouco e pouco, de certas emoções?

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Trata-se, justamente, da caminhada na direção do progresso. Todos esta- mos, constantemente, sendo convidados a progredir. Nenhum de nós poderá fi car estático, como eterno expectante. Continuamente, somos obrigados a mudar de ideias, de sentimentos, para melhor, evidentemente. Somos cha- mados a mudar nosso comportamento. Agradeçamos a Deus permitir que isso aconteça. Percebamos na Providência Divina um encaminhamento de nosso espírito para as regiões celestiais, para as regiões de luz, para as re- giões por hora inatingíveis, mas, um dia, lugares onde todos habitaremos.

Tais mudanças que vão sendo efetuadas em nosso íntimo mostram-nos a caminhada do espírito imortal. Somos itinerantes. O progresso é a meta;

a elevação é o fi m. Caminhando para Deus, vamos atingindo cada vez mais metas expressivas no nosso progresso, até que cheguemos, afi nal, ao ápice de tudo: a perfeição.

Diante da morte do corpo, quando sentem antecipadamente o sofrimen- to, quando descobrem que alguém partiu, as pessoas passam por um pro- cesso muito doloroso, penoso, mesmo, para muitos de nós, espíritos de Deus. Mas informamos sempre às criaturas, dizendo-lhes:

Olhem um pouco mais adiante; observem o futuro! Aquele que partiu, que se desprende, está caminhando; está vencendo etapas; superando as distâncias, os problemas, as dores.

Cada um de nós, certamente, que tem algo de mais sofrido no coração, alguém por quem chorar: a esposa, o fi lho, a mãe, aqueles todos que têm nos seus companheiros de jornada afi nidade maior digam para eles:

Chorem, meus fi lhos, chorem! Jesus chorou, também, um dia, no Monte das Oliveiras. À semelhança do Cristo, não percam a confi ança em Deus; à semelhança do Cristo, que, diante da dor, soube ainda indicar roteiro para a própria mãe. E a separação tão dolorosa para muitos será o espetáculo da confi ança em Deus para os que souberem crer.

O espírita aprenderá a ciência do desprendimento na medida em que ele próprio se sinta desprendido das coisas do mundo.

Façamos isto: pouco a pouco, desprendamo-nos das coisas menos im- portantes. Não nos preocupemos com as coisas tão difíceis de desligarmo- nos. O tempo nos ensinará o desligamento necessário daquilo que for pe- quenino, sem importância, que não represente nada de útil para seus espí- ritos, comecem a desprender-se.

Há pessoas que começarão a fazer isso com uma pequena peça de roupa,

com um pequeno objeto; outras, com coisas de mais importância. Todas, en-

tretanto, estarão aprendendo a espiritualizar-se, que é o que devemos buscar.

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Itens do Livro a serem estudados:

O Livro dos Espíritos – Cap. III – Segunda Parte –

“Retorno da Vida Corporal à Vida Espiritual”, questões 149 a 162

A ALMA APÓS A MORTE

149. O que se torna a alma no instante da morte?

“Volta a ser Espírito, isto é, volta ao mundo dos Espíritos que, momentaneamente, ela havia deixado.”

150. A alma, após a morte, conserva sua individualidade?

“Sim, jamais a perde. Que seria ela, se não a conservasse?”

a) Como a alma constata sua individualidade, visto que não tem mais o seu corpo material?

“Ela ainda possui um fl u ido que lhe é próprio, que haure na atmosfera de seu planeta e que representa a aparência de sua última encarnação: seu perispírito.”

b) A alma nada leva consigo deste mundo?

“Nada além da lembrança e o desejo de ir para um mundo melhor. Esta lembrança é cheia de doçura ou de amargor, conforme o uso que ela tenha feito da vida; quanto mais pura, mais ela compreende a futilidade do que deixa na Terra.”

151. O que pensar da opi nião de que, após a morte, a alma retorna ao todo universal?

“O conjunto dos Espíritos não forma um todo? Não cons titui um mundo? Quando estás numa assembleia, és parte integrante desta assembleia e, todavia, conservas sempre a tua individualidade.”

Que esta lição da noite de hoje torne cada um de vocês um tanto mais desprendido! De cada um se espera que se cresça no sentimento, na busca do amor e na busca de Deus.

Nosso desprendimento não pode ser assim um ato de puro desprezo por alguma coisa, não! Nosso desprendimento signifi ca escolha por algo mais importante. E o que há de mais importante no ser humano do que a própria vida?

A vida material tem a sua fase; a vida espiritual tem como consequência a união com Deus, que é a busca fi nal de tudo.

Que Deus nos ajude, abençoe, nos proteja e nos dê um fi nal de estudos e de trabalhos espirituais com muita paz!

Vosso irmão Antonio de Aquino, amparado, também, pelo irmão Balthazar.

Do livro: Inspirações do Amor Único de Deus, vol. 1. CELD Psicofonia: Altivo C. Pamphiro

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152. Que prova podemos ter da individualidade da alma, após a morte?

“Não tendes esta prova através das comunicações que recebeis? Se não fôsseis cegos, veríeis; se não fôsseis surdos, ouviríeis; pois, com muita frequência, uma voz vos fala e vos revela a existência de um ser que está fora de vós.”

Os que pensam que, com a morte, a alma volta para o todo universal estão errados, se com isso entendem que, semelhante a uma gota d’água que cai no oceano, ela aí perde sua individua lidade; estão certos, se entendem por todo universal o conjunto dos seres incorpóreos do qual cada alma ou Espírito é um elemento.

Se as almas fossem confundidas na massa, só teriam as qualidades do conjunto e nada as distinguiria umas das outras; não teriam inteligência nem qualidades próprias; enquan- to que, em todas as comunicações, acusam a cons ciência do eu e uma vontade própria: a diversidade infi nita que apresentam, sob todos os aspectos, é a própria consequência das individualidades. Se, após a morte, só houvesse o que se chama de o Grande Todo, absor- vendo todas as individualidades, este Todo seria uniforme e, então, todas as comunicações que se recebessem do mundo invisível seriam idênticas. Visto que lá se encontram seres bons, outros maus, sábios e ignorantes, felizes e infelizes; que os há de todos os caracteres:

alegres e tristes, levianos e profundos, etc., é, evidentemente, porque são seres distintos. A individualidade se torna mais evidente ainda quando esses seres provam a sua identidade, através de sinais incontestáveis: das particularidades pessoais relativas à sua vida terres- tre, que podem ser constatadas. Não pode ser posta em dúvida, quando eles se manifestam à visão, nas aparições. A individualidade da alma nos era ensinada em teoria, como um artigo de fé; o Espiritismo a torna patente e, de alguma forma, material.

153. Em que sentido se deve entender a vida eterna?

“É a vida do Espírito que é eterna; a do corpo é transitória e passageira. Quando o corpo morre, a alma retoma a vida eterna.”

a) Não seria mais exato chamar de vida eterna a dos Espíritos puros, daqueles que, tendo atingido o grau de perfeição, não têm mais provas a experimentar?

“Seria, antes, a felicidade eterna; mas isto é uma questão de palavras; chamai as coisas como quiserdes, desde que vos entendais.”

SEPARAÇÃO DA ALMA E DO CORPO

154. A separação da al ma e do corpo é dolorosa?

“Não; frequentemente, o corpo sofre mais durante a vida do que no momento da mor- te: a alma disso não participa. Os sofrimentos que, algumas vezes, se experimentam no momento da morte, são um gozo para o Espírito, que vê chegar o término do seu exílio.”

Na morte natural, a que sobrevém pelo esgotamento dos órgãos, em consequência da idade, o homem deixa a vida sem disto se aperceber: é um lampião que se apaga, por falta de combustível.

155. Como se opera a separação da alma e do corpo?

“Sendo rompidos os elos que a retinham, ela se desprende.”

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a) A separação se opera instantaneamente e por uma brusca transição? Há uma linha de demarcação nitidamente traçada entre a vida e a morte?

“Não; a alma se desprende gradualmente e não escapa, como um pássaro cati vo, resti- tuído, subitamente, à liberdade. Esses dois estados se tocam e se confundem; assim, o Espí- rito se desprende, pouco a pouco, de seus laços: eles se desatam, não se quebram.”

Durante a vida, o Espírito se prende ao corpo por seu envoltório semimaterial ou peris- pírito; a morte é a destruição do corpo somente, e não a deste segundo envoltório, que se separa do corpo, quando nele cessa a vida orgânica. A observação prova que, no instante da morte, o desprendimento do perispírito não se completa subitamente; ele só gradualmente se opera e com uma lentidão muito variável, conforme os indivíduos; em uns ele é bastante rápido e pode-se dizer que o momento da morte é também o da libertação, diferindo em al- gumas horas; porém, em outros, sobretudo naqueles cuja vida foi toda material e sensual, o desprendimento é muito menos rápido e dura, algumas vezes, dias, semanas e até meses, o que não implica existir no corpo a menor vitalidade nem a possibilidade de um retorno à vida, mas uma simples afi nidade entre o corpo e o Espírito, afi nidade que está sempre em razão da preponderân cia que, durante a vida, o Espírito deu à matéria. Com efeito, é racional conce- ber que quanto mais o Espírito se haja identifi cado com a matéria, mas tenha difi culdade de se separar dela; enquanto que a atividade intelectual e moral, a elevação dos pensamentos operam um começo de desprendimento, mesmo durante a vida do corpo e, quando a morte chega, ele é quase instantâneo. Este é o resultado dos estudos feitos em todos os indivíduos observados no momento da morte. Estas observações provam, ainda, que a afi nidade que, em alguns indivíduos, persiste entre a alma e o corpo é, algumas vezes, muito penosa, pois o Espírito pode experimentar o horror da decomposição. Este caso é excepcional e próprio a certos gêneros de vida e a certos gêneros de morte; ele se apresenta em alguns suicidas.

156. A separação defi nitiva da alma e do corpo pode acontecer antes da cessação completa da vida orgânica?

“Na agonia, a alma, algumas vezes, já deixou o corpo: nada mais há senão a vida orgâni- ca. O homem não tem mais consciência de si mesmo e, todavia, resta-lhe ainda um sopro de vida. O corpo é uma máquina que o coração faz funcionar; ele existe enquanto o coração faz circular o sangue nas veias e, para isso, não necessita da alma.”

157. No momento da morte, a alma tem, algumas vezes, uma aspiração ou êxtase que lhe faz entrever o mundo para onde vai retornar?

“Frequentemente, a alma sente quebrarem-se os elos que a prendem ao corpo; faz, en- tão, todos os esforços para rompê-los inteiramente. Já em parte desprendida da matéria, vê o futuro desenro lar-se diante de si e goza, por antecipação, do estado de Espírito.”

158. O exemplo da lagarta que, primeiramente, se arrasta pela terra, depois, encerra-se na sua crisálida sob uma morte aparente, para renascer com uma existência brilhante, pode dar- nos uma ideia da vida terrestre, depois do túmulo e, fi nalmente, de nossa nova existência?

“Uma pequena ideia. A imagem é boa; no entanto, é preciso não a tomar ao pé da letra, como frequentemente vos acontece.”

159. Que sensação experimenta a alma, no momento em que se reconhece no mundo dos Espíritos?

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“Isso depende; se fi zeste o mal com o desejo de praticá-lo, no primeiro momento, tu te sentirás envergonhado de tê-lo feito. Para o justo, é bem diferente: ela fi ca como que alivia- da de um grande peso, pois não teme nenhum olhar perscrutador.”

160. O Espírito reencontra, imediatamente, aqueles que conheceu na Terra e que mor- reram antes dele?

“Sim, conforme a afeição que se dedicavam mutuamente; frequentemente, eles vêm recebê-lo, quando da sua entrada no mundo dos Espíritos e o ajudam a se desligar das faixas da matéria; como também há muitos que ele reencontra, depois de os haver perdido de vista, durante sua estada na Terra; vê os que estão na condição de errantes; os que estão encarnados e vai visitá-los.”

161. Na morte violenta e acidental, quando os órgãos ainda não se enfraqueceram pela idade ou as doenças, a separação da alma e a cessação da vida acontecem simulta- neamente?

“Geralmente assim é, porém, em todos os casos, o instante que as separa é muito curto.”

162. Após a decapitação, por exemplo, o homem conserva, durante alguns ins tantes, a consciência de si mesmo?

“Muitas vezes ele a conserva durante alguns minutos, até que a vida orgânica esteja completamente extinta. Porém, frequentemente também, a apreensão da morte o faz perder essa cons ciência antes do instante do suplício.”

Trata-se, aqui, apenas da cons ciência que o supliciado pode ter de si mesmo, como homem e por intermédio dos órgãos, e não como Espírito. Se não perdeu essa cons- ciência antes do suplício, pode, então, conservá-la por alguns brevíssimos instantes. Ela cessa, necessariamente, com a vida orgânica do cérebro, o que não implica que o peris- pírito esteja inteiramente desligado do corpo; ao contrário, em todos os casos de morte violenta, quando ela não se deu pela extinção gradual das forças vitais, os elos que unem o corpo ao perispírito são mais tenazes e o desligamento completo é mais lento.

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Lybio Magalhães – 13 x 18,5 cm – 184 p. – ISBN 978-85-7297-120-1

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