CAP INF ÂNGELO MACHADO DA COSTA
ANÁLISE DA NECESSIDADE DE TRANSFORMAÇÃO DO 61° BATALHÃO DE INFANTARIA DE SELVA EM COMANDO DE FRONTEIRA
Rio de Janeiro
2018
CAP INF ÂNGELO MACHADO DA COSTA
ANÁLISE DA NECESSIDADE DE TRANSFORMAÇÃO DO 61° BATALHÃO DE INFANTARIA DE SELVA EM COMANDO DE FRONTEIRA
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, como requisito para a especialização em
Ciências Militares com ênfase emGestão Operacional
Rio de Janeiro
2018
I Autor: Cap Inf ÂNGELO MACHADO DA COSTA
Título: ANÁLISE DA NECESSIDADE DE TRANSFORMAÇÃO DO 61°
BATALHÃO DE INFANTARIA DE SELVA EM COMANDO DE FRONTEIRA
Trabalho Acadêmico, apresentado à Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, como requisito parcial para a obtenção da especialização em Ciências Militares, com ênfase em Gestão Operacional, pós- graduação universitária lato sensu.
APROVADO EM ~ (O / (O.td / 18 CONCEITO:
--- ---
BANCA EXAMINADORA
Membro Menção Atribuída
lROderikYa'ashita - Cap 1° Membro e Orientador
o Fernandes Flor - Cap 2!' Membro
ÂNG~OSTA-cap
Aluno
Palavras-chave: fronteira, proteção, 610 Batalhão de Infantaria de Selva, estrutura, batalhão, comando de fronteira, transformação.
A Amazônia Ocidental possui elevada importância estratégica para a soberania nacional, de modo que a ocupação e proteção da fronteira é diretriz constante da Estratégia Nacional de Defesa. Este estudo visa analisar se a atual estrutura do 610 Batalhão de Infantaria de Selva, localizado na cidade de Cruzeiro do Sul-AC, extremo oeste brasileiro, atende às necessidades de emprego do batalhão, considerando tanto a vigilância fronteiriça quanto as demais hipóteses de emprego, como por exemplo: ações de garantia da lei e da ordem, adestramento militar, entre outras. Isso porque, ao contrário dos demais batalhões de infantaria vinculados ao Comando Militar da Amazônia e ao Comando Militar do Norte, localizados em área de fronteira, o 610 Batalhão de Infantaria de Selva não é estruturado como unidade do tipo comando de fronteira, mas sim batalhão, o que determina uma estrutura reduzida, sem companhia especial de fronteira vinculada. O resultado obtido com o presente estudo possibilitará apresentar uma sugestão de estrutura do batalhão de acordo com suas necessidades de emprego, seja pela manutenção do quadro de cargos previstos atual, seja pela indicação de necessidade de transformação em comando de fronteira e adequação do efetivo e dos meios necessários.
Palabras clave: frontera, protección, 610 Batallón de Infantería de Selva, estructura, batallón, mando de frontera, transformación.
La Amazonía Occidental tiene una elevada importancia estratégica para Ia soberanía nacional, de modo que Ia ocupación y protección de Ia frontera es directriz constante de Ia Estrategia Nacional de Defensa. Este estudio pretende analizar si Ia actual estructura dei 610 Batallón de Infantería de Selva, ubicado en Ia ciudad de Cruzeiro do Sul-AC, extremo oeste brasilerio, atiende a Ias necesidades de empleo dei batallón, considerando tanto Ia vigilancia fronteriza como Ias demás hipótesis de empleo, como por ejemplo: acciones de garantía de Ia ley y dei orden, adiestramiento militar, entre otras. Esto es porque, Ia diferencia de los demás batallones de infantería vinculados ai Comando Militar de Ia Amazonía y ai Comando Militar dei Norte, ubicados en área de frontera, el 610 Batallón de Infantería de Selva no está estructurado como unidad dei tipo comando de frontera, sino batallón , 10 que determina una estructura reducida, sin compariía especial de frontera vinculada. EI resultado obtenido con el presente estudio posibilitará presentar una sugerencia de estructura dei batallón de acuerdo con sus necesidades de empleo, sea por el mantenimiento dei cuadro de cargos previstos actual, sea por Ia indicación de necesidad de transformación en comando de frontera y adecuación dei efectivo y de los medios necesarios.
1 INTRODUÇÃO
A Amazônia representa um dos focos de maior interesse para a defesa. A defesa da Amazônia exige avanço de projeto de desenvolvimento sustentável e passa pelo trinômio monitoramentol controle, mobilidade e presença. O Brasil será vigilante na reafirmação incondicional de sua soberania sobre a Amazônia brasileira. Repudiará, pela prática de atos de desenvolvimento e de defesa. qualquer tentativa de tutela sobre as suas decisões a respeito de preservação. de desenvolvimento e de defesa da Amazônia. Não permitirá que organizações ou indivíduos sirvam de instrumentos para interesses estrangeiros - políticos ou econômicos - que queiram enfraquecer a soberania brasileira. Quem cuida da Amazônia brasileira. a serviço da humanidade e de si mesmo. é o Brasil.
(ESTRATÉGIA NACIONAl DE DEFESA, 2012, p.55)
Nas lições do General de Exército Gleuber Vieira (2003), em palestra proferida no Seminário Política de Defesa para o Século XXI, a missão de ocupar e defender as fronteiras brasileiras perpassa, mais que pela presença, pela possibilidade de se fazer presente. Isso porque o Brasil possui dimensões continentais, contando com 16.886km de fronteira, segundo dados do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON).
Não obstante. e avessa às dificuldades encontradas, a força terrestre tem sido pioneira na atividade de ocupar os territórios fronteiriços. Nesse sentido pontua o General Gleuber Vieira, para quem:
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
a Amazônia brasileira constitui o maior bioma brasileiro, com área de aproximadamente 4.196.943 quilômetros quadrados de extensão, correspondente a 49,3% do território nacional.
Não bastasse a importância relativa à bacia hidrográfica do Amazonas, seus vastos recursos naturais e minerais, bem como a biodiversidade ali existente. a região amazônica é imprescindível à segurança e soberania nacionais. já que seu território faz fronteira com sete países: Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela. Guiana, Suriname e Guiana Francesa.
A região amazônica é, aliás, objeto de atuação prioritária do Estado Brasileiro, conforme aduz a Diretriz número 10 da Estratégia Nacional de Defesa (END), que assim dispõe:
A primeira estratégia é a presença do Exército, que é histórica. Desde o início de sua existência, o Exército tem sido pioneiro, antecipando- se na ocupação dos territórios, chegando aos seus pontos extremos e desenvolvendo os núdeos de povoamento que estabelece.
(REBELO, Aldo et ai (Coord), 2003, p. 138)
o aumento que ocorreu na quantidade de comandos de fronteira (C Fron), a partir dos anos 90, e do contingente vinculados ao Comando Militar da Amazônia (CMA) e Comando Militar do Norte (CMN) faz notar que o Exército Brasileiro (EB) vem buscando otimizar e intensificar sua atuação na região fronteiriça, mais especificamente na Amazônia, o que tem fundamento tanto na Política Nacional de Defesa (PND) quanto na Estratégia Nacional de Defesa.
Nesse sentido, aduz Ceará:
Na área operacional. constata-se o início de um gradativo aumento da presença militar na região. Ao longo dos anos de 1990, destaca-se a estrutura que passou a se estabelecer na área: a 16a Brigada de Infantaria de Selva (1&' Bda Inf. Selva) originária das Missões, que foi deslocada do sul do país para a região amazônica, juntamente com o 17° Batalhão de Infantaria de Selva (17° BIS) que foi de Cruz Alta (RG) para Tefé (AM) e o 61° BIS, de Santo Ângelo (RG) para Cruzeiro do Sul (AC). Em 1993, foi criado o 4° Esquadrão de Aviação do Exército na cidade de Manaus (AM) que foi deslocado da cidade de Taubaté (SP). Na sequência dessa tentativa de "blindar a fronteira", foi iniciada a transferência da ?' Brigada de Infantaria Motorizada da cidade de Niterói (RJ) para a cidade de São Gabriel da Cachoeira (AM), transformando-se em 2a Brigada de Infantaria de Selva. No período 1998-2010, o número do contingente do Exército na região passou de 3,3 mil para aproximadamente 25 mil homens.
(CEARÁ, 2011, p.14-15)
Tal evolução se justifica tanto pelo objetivo de se fazer presente na região amazônica, quanto pela necessidade de patrulhar as fronteiras dificultando a entrada de armas, drogas, imigração ilegal, crimes ambientais, bem como pela posição estratégia e de destaque que a Amazônia brasileira possui no cenário internacional.
O 61° BIS está subordinado à 17
8Brigada de Infantaria de Selva (Bda Inf SI), "Brigada Príncipe da Beira", localizada em Porto Velho, no estado de Rondônia. A sede do batalhão está localizada na cidade de Cruzeiro do Sul, Acre, no extremo oeste brasileiro.
Conforme Lima (2003), a área de emprego do 61° BIS se estende pelos estados do Amazonas (Guajará, Ipixuna, Envira, Eirunepé e Itamarati) e do Acre, englobando as cidades de Mâncio lima, Rodrigues Alves, Cruzeiro do Sul, Porto Valter, Marechal Thaumaturgo, Jordão, Tarauacá e Feijó, englobando a faixa de fronteira com o Peru.
1.1 PROBLEMA
o 61° Batalhão de Infantaria de Selva, Batalhão Marechal Thaumaturgo
de Azevedo, está organizado como batalhão e não como comando de fronteira,
ao contrário das demais organizações militares (OM) localizadas nas áreas fronteiriças da Amazônia.
É responsável ainda pela defesa e ocupação da fronteira do extremo oeste brasileiro, região constantemente exposta a ações de tráfico internacional de entorpecentes e entrada ilegal de armas e pessoas. Desse modo, além da atuação pertinente à preservação da soberania nacional na faixa de fronteira, o batalhão também deve estar pronto a atuar em operações de Garantia da lei e da Ordem (GlO).
A estruturação da OM como unidade tipo batalhão de infantaria de selva lhe impõe uma infraestrutura mais reduzida que aquela relativa a um comando de fronteira, afetando áreas sensíveis como efetivo, logística, gestão de recursos e imediata empregabilidade da OM.
O 61° BIS é batalhão do tipo 2 e conta atualmente com um Destacamento Especial de Fronteira (DEF), localizado em Mâncio Lima/AC (DEF São Salvador) e um Pelotão Especial de Fronteira (PEF), localizado em Marechal Thaumaturgo/AC, este último funcionando atualmente como DEF.
Conhecendo a estruturação das OM componentes do Exército Brasileiro (especialmente as OM subordinadas ao CMA), o efetivo cumprimento das diretrizes constantes da Estratégia Nacional de Defesa e a missão constitucional do Exército, será possível analisar: existe a necessidade de transformar o 61 ° BIS em comando de fronteira?
1.2 OBJETIVOS
É objetivo geral deste trabalho analisar se é viável e necessária a transformação do 61 ° Batalhão de Infantaria de Selva em comando de fronteira, ou se a classificação atual da unidade como batalhão de infantaria de selva tipo 2 atende às suas hipóteses de emprego.
Com o desígnio de atender ao objetivo geral do trabalho de maneira lógica e coerente foram traçados objetivos específicos, assim detalhados:
a. apontar as diferenças estruturais existentes entre batalhões de infantaria de selva e comandos de fronteira;
b. conceituar e definir a faixa de fronteira, bem como verificar a área de fronteira sob responsabilidade do 61° BIS;
c. descrever as condições peculiares que envolvem o 61° BIS e como
elas podem influenciar no poder de manobra do Batalhão e em sua logística;
d. identificar se a mudança estrutural trazida pela "Reestruturação dos Comandos de Fronteira e Batalhões de Infantaria de Selva na área do Comando Militar da Amazônia" (Portaria 094-EME, de 21 de Julho de 2010) foi suficiente para atender às demandas do 61 ° BIS;
e. examinar a atual estrutura do 61° Batalhão de Infantaria de Selva e se existem demandas insuficientemente supridas, em razão de sua dassificação como batalhão de infantaria de selva, sem a existência de uma companhia especial de fronteira (CEF);
f. registrar comparativamente a estrutura do 61° BIS com as demais organizações militares subordinadas ao CMA e ao CMN localizadas em faixa de fronteira;
g. analisar de que maneira a transformação do 61° Batalhão de Infantaria de Selva em comando de fronteira seria útil, se necessária.
1.3 JUSTIFICATIVA
A tarefa de ocupação e defesa da vasta fronteira brasileira requer, além de planejamento, enorme apoio logístico e de pessoal. Sobretudo na região amazônica, as condições de acesso e manutenção em determinadas áreas, como a dos destacamentos e pelotões especiais de fronteira, são de extrema dificuldade, sobrecarregando as unidades com encargo de fronteira.
Nesse cenário, por vezes inóspito, as condições de manobra e logística são normalmente dificultadas. Esse quadro se aplica ao 61° BIS, em razão de sua posição geográfica, acessibilidade, número do efetivo e diversidade de operações de emprego.
A cidade de Cruzeiro do Sul - AC. onde está situada a sede do 61° BIS.
possui ligação rodoviária com o restante do território nacional apenas pela BR- 364. Ainda nos dias atuais, a referida rodovia permanece fechada na maior parte do inverno amazônico, em razão das péssimas condições de tráfego causadas pela chuva, o que toma a região inacessível pela via terrestre.
É importante destacar ainda, o crescimento da disputa pela região por narcotraficantes, transformando-a em rota para entrada ilegal de entorpecentes e adicionando ações de defesa necessárias à manutenção da ordem na localidade.
A gestão administrativa e operacional, relativa à transformação do 61°
BIS em comando de fronteira, com a criação de uma CEF juntamente com
seus PEF's - devidamente prevista em quadro de cargos previstos (QCP) e quadro de dotação de material previsto (QDMP), pode se mostrar como elemento facilitador do desenvolvimento das atividades no ambiente de selva.
Decidir pela instalação, criação, transformação ou extinção de organizações militares dos mais variados graus depende de avaliação casuística de diversos pontos, tais como: localidade, aspectos logísticos, orçamentários, poder de manobra, efetivo empregado e disponível para pronto emprego. Sempre pautada pelo binômio necessidade x utilidade, já que o Exército Brasileiro atua com pessoal e material escassos.
Como será detalhado neste estudo, a Portaria 094-EME, de 21 de Julho de 2010, que aprova a Diretriz para a Reestruturação dos Comandos de Fronteira e Batalhões de Infantaria de Selva na área do Comando Militar da Amazônia modificou a estrutura do 61
0BIS, mas não alterou a categoria da OM, que permanece como unidade tipo batalhão de infantaria de selva.
Identificar a necessidade e viabilidade de transformação do 61
0BIS em comando de fronteira, com a criação de uma CEF, se revela de grande importância, para o fim de adequar os meios e materiais necessários ao cumprimento da missão do 61
0BIS.
2 METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa de natureza aplicada, que visa "gerar conhecimentos para aplicação prática, dirigidos à solução de problemas específicos" (GERHARDT e SILVEIRA, 2009, p.35), notadamente avaliar a necessidade (ou não) de transformação do 61
0BIS em Comando de Fronteira, com a consequente criação de uma companhia especial de fronteira no âmbito daquela organização militar.
A fim de atender ao objetivo geral desta pesquisa, se faz necessário
entender o ambiente operacional amazônico, especialmente a área de atuação
compreendida pelo 61
0Batalhão de Infantaria de Selva; as missões
competentes aos pelotões especiais de fronteira e aos destacamentos
especiais de fronteira e como tais atividades vem sendo desenvolvidas no
âmbito do 61
0BIS; a legislação pertinente ao tema, e ainda, em linhas gerais,
como se comportam os demais batalhões de infantaria situados nas demais
áreas da fronteira amazônica.
Para tanto, a pesquisa desenvolvida foi do tipo exploratória, pois buscou
"proporcionar maior familiaridade com o problema. com vistas a torná-lo mais explícito" (Gil, 2002, p. 41).
Embora haja vasta literatura e produção acadêmica sobre a região amazônica e estruturas do exército, bem como existam regras postas para instalação de comandos de fronteira e de companhias especiais de fronteira (o que poderia dar ensejo a uma pesquisa do tipo descritiva), a situação particular do 61° BIS é "objeto pouco explorado" (RODRIGUES, 2005, p.37), que demandou estudo casuístico, resultado de atividade exploratória, no sentido de identificar as peculiaridades que se relacionam diretamente com a solução apontada.
Quanto à forma de abordagem, trata-se de pesquisa, pois foram utilizados tanto critérios qualitativos quanto quantitativos. Aliás, é possível a convivência de tais critérios. Nesse sentido:
Passado o tempo de conflito entre "quantitativos" e "qualitativos", quando a dicotomia era total, hoje, apesar de a paz não ter sido ainda estabelecida em sua plenitude, percebe-se que os dados quantitativos e qualitativos se complementam, pois a realidade tem o poder de fazê-Ios interagir. (NEVES e DOMINGUES, 2007, p. 19)
Como instrumentos ao presente estudo, temos a pesquisa bibliográfica e a aplicação de questionários, com análise dos dados relativos ao 61° Batalhão de Infantaria de Selva.
2.1 REVISÃO DA LITERATURA
Para melhor consecução da pesquisa foi necessário explorar o ambiente operacional amazônico, a crescente importância da Amazônia nos cenários nacional e internacional e a estrutura dos batalhões de infantaria de selva.
Foi também necessário conhecer a organização do próprio 61° BIS e das OM com encargo de fronteira situados na região amazônica, as missões desenvolvidas pelo 61 ° BIS, e os objetivos da Estratégia Nacional de Defesa e do Plano Amazônia Protegida (PAP).
A pesquisa teve suporte na produção bibliográfica existente acerca da
região amazônica, da estrutura das organizações militares do Exército
Brasileiro e das missões que competem a essas organizações. De maneira
ampla, englobou tanto livros quanto publicações periódicas e impressos
diversos, tanto em meio físico quanto digital.
o material foi selecionado de modo a priorizar aqueles específicos à doutrina e à técnica militares, por se relacionarem diretamente com o tema aqui estudado.
Para conhecer o conteúdo acadêmico e técnico já produzido sobre o tema, foi procedida à revisão da literatura, seguindo os procedimentos abaixo especificados.
a. Fontes de busca
A pesquisa bibliográfica foi feita por meio da leitura exploratória e seletiva do material, com dedicada atenção a autores e estudos especializados na doutrina militar, ou que possuam vivência com o tema.
Dentre as fontes de busca incluíram-se não apenas os livros, mas também trabalhos acadêmicos anteriormente produzidos, pertinentes ao objeto de estudo, extraídos de sítios eletrônicos, e especialmente aqueles feitos no âmbito da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), obtidos em consulta ao acervo da Biblioteca do Exército (BIBLlEx).
A utilização de manuais e instruções provisórias emitidas pelo Estado Maior do Exército (EME), bem como suas portarias, serviu de substrato teórico para assuntos de ordem técnica, específicos da Força. A consulta teve por foco principal os manuais relativos aos batalhões de infantaria, notadamente os de selva, por se tratar do objeto deste trabalho.
Sobre o tema abordado incide também grande produção legislativa, extraída de sítios oficiais, tais como o portal da Presidência da República e do Senado Federal, fontes confiáveis e disponíveis na rede mundial de computadores. A legislação consultada foi verificada quanto à sua atualização, a fim de evitar o uso de materiais já revogados ou alterados.
A pesquisa bibliográfica mirou, também, comparar a estrutura do 61° BIS com as demais organizações militares subordinadas ao CMA e ao CMN, localizadas na fronteira amazônica, o que foi feito a partir da análise das bases doutrinárias das referidas OM, disponíveis nesta Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais.
b. Termos de busca para bases eletrônicas de pesquisa:
Na busca pelo conteúdo relativo ao tema de estudo foram usadas
palavras-chave, tais como: faixa de fronteira, Amazônia, atuação do Exército
Brasileiro na região Amazônica, estrutura organizacional do Exército Brasileiro,batalhão de infantaria de selva, comando de fronteira, destacamento especial de fronteira, pelotão especial de fronteira, companhia especial de fronteira, reestruturação das fronteiras, tráfico de drogas na Amazônia, defesa da Amazônia, defesa nacional, ambiente operacional amazônico, 61° BIS, CMA,
CMN, CEF, DEF, QCP, QDMP, C Fron, Gr Ap Elm Fron, Cruzeiro do Sul, Acre e operações na selva.
A seleção do material foi feita de modo a privilegiar as produções pertinentes e específicas ao objeto de estudo, considerando os critérios abaixo indicados.
c. Critérios de inclusão:
- Materiais em português, tais como livros, trabalhos acadêmicos, manuais, artigos e notícias.
- Materiais relativos ao 61° BIS produzidos a partir da década de 90, quando o batalhão se instalou na cidade de Cruzeiro do Sul-AC.
- Legislação e manuais vigentes e na versão mais atualizada, obtida junto aos repositórios eletrônicos oficiais do Planalto e da BIBLlEx.
- Materiais de fontes fidedignas, como sítios eletrônicos oficiais, sites
jornalísticos conhecidos, publicações obtidas junto ao acervo digital da EsAO, dentre outros.
d. Critérios de exclusão:
- Materiais relativos a batalhões e unidades de fronteira que não sejam na Amazônia.
- Materiais que tenham por foco o estudo do meio ambiente amazônico, desmatamento, sustentabilidade e voltados a aspectos culturais e regionais, puramente.
- Materiais voltados à análise da atuação da Polícia Federal na Amazônia.
2.2 COLETA DE DADOS
O instrumento utilizado para a coleta de dados foi do tipo questionário, cuja compilação e análise criteriosa das respostas possibilitou identificar, na execução prática da rotina do batalhão, se a atual estrutura atende aos encargos de fronteira que lhe competem.
-
A amostra pesquisada abrangeu, tanto quanto possível, os oficiais de todas as patentes e ainda subtenentes e sargentos que serviram no 61° BIS a partir do ano de 2010.
A preferência por militares que serviram no 61° BIS a partir de 2010 se deu em razão de ser esse período contemporâneo e posterior à reestruturação dos comandos de fronteira e batalhões de infantaria de selva na área do Comando Militar da Amazônia, feita pela Portaria nO 094-EME, de 21 de julho de 2010.
Já a limitação quanto ao posto/graduação do entrevistado justificou-se pela priorização do contato com aqueles que, além de possivelmente atuarem em campo, são também potenciais responsáveis e conhecedores das operações de planejamento.
° questionário foi criado e enviado aos militares por meio da plataforma Google Forms, via e-mail.
A aplicação se deu de forma eletrônica em razão da distância entre o 61° BIS e a EsAO, que inviabilizou a aplicação presencial aos militares que estejam servindo no 61° BIS. A existência de militares já transferidos para outras guarnições espalhadas pelo Brasil foi outro fator que dificultou a aplicação presencia I do questionário.
Diante desses cenários, a aplicação eletrônica do questionário, além de alcançar o maior número possível de militares, ainda conferiu agilidade à obtenção das respostas, retransmitidas em tempo real.
A amostra, bem como os dados de e-mail para envio foram retirados da base de dados da Departamento Geral de Pessoal (DGP), após aplicados os filtros acima indicados (posto/graduação selecionados e ter servido no 61° BIS a partir do ano de 2010).
Na parte inicial do questionário buscou-se situar o respondente no espectro do presente trabalho, informando-Ihe sobre os motivos da pesquisa.
Nas questões postas, foi priorizada a clareza, a separação dos temas, e as opções de respostas predominantemente fechadas, com espaço - ao final - para considerações que o respondente julgasse relevantes à problemática em estudo.
No intuito de encontrar possíveis inconsistências no questionário ou, de outro lado, validar sua aplicação, foi aplicado um pré-teste com três militares, alunos da EsAO no ano de 2018, que se enquadravam no perfil da amostra.
-
Após retificação, o questionário foi enviado aos integrantes da amostra, inclusive àqueles que realizaram o pré-teste, e os resultados do pré-teste, desconsiderados na análise.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Como resultado da revisão da literatura foi possível relacionar as condições e variáveis que influem na rotina do 61
0BIS, bem como aprofundar no conhecimento da estrutura do Batalhão comparativamente às demais OM com encargo de fronteira, o que foi de essencial importância à análise dos resultados obtidos com a aplicação do questionário e à identificação da relação existente entre a teoria prevista e a prática aplicada no 61
0Batalhão de Infantaria de Selva.
3.1 O AMBIENTE OPERACIONAL AMAZÔNICO E A CRESCENTE IMPORTÂNCIA DA AMAZÔNIA NOS CENÁRIOS NACIONAL E INTERNACIONAL
O ambiente operacional amazônico é ímpar. Além da vasta e densa vegetação, dos fatores climáticos e endêmicos, da rarefeita população e da precária ou inexistente assistência em diversas áreas (hospitalar, emergencial ou de meios e materiais) observa-se grande dificuldade logística, já que diversos pontos só podem ser alcançados por meio do desbravamento da floresta bruta, por meio aéreo ou pelo acesso de rios, cuja navegabilidade depende de vazantes e cheias.
Não bastassem as dificuldades orgânicas encontradas no ambiente de selva, agravam a atuação em ambiente amazônico a questão indígena e a ideia de intemacionalização da Amazônia.
A Amazônia é considerada por muitos "patrimônio da humanidade"
(LIMA, 2013, p. 23), o que se revela uma ameaça à soberania nacional e reforça a necessidade de proteção das fronteiras.
Isso porque, ao considerar a Amazônia "patrimônio da humanidade", defende-se a possibilidade de entrada no território nacional para "preservação"
da floresta, independentemente da permissão do Estado Brasileiro.
É o que já ocorre, certa maneira, com o estabelecimento de organizações não governamentais (ONG) em áreas indígenas na Amazônia.
Só na área de atuação do 61
0BIS existem atualmente vinte e nove terras
indígenas conhecidas, segundo dados da Comissão Pró-índio do Acre.
De outro lado, as condições de vulnerabilidade da fronteira amazônica também tem favorecido a ocorrência de ilícitos transfronteiriços, ambientais, de contrabando, tráfico de drogas e armas, dentre outros.
3.2 EVOlUÇÃO lEGISLATIVA ACERCA DA ATUAÇÃO DO EXÉRCITO NA ÁREA DA FRONTEIRA AMAZÔNICA
Prevista na Constituição Federal em seu artigo 142, a missão do Exército possui crucial relevância para a soberania nacional e, portanto, para que o Brasil continue a ser reconhecido como nação independente.
A faixa de fronteira, prevista no artigo 20,
§~da Constituição é determinada como aquela ao longo de 150 km (cento e cinquenta quilômetros) de largura, sendo considerada como fundamental para a defesa nacional.
No âmbito i nfraconstitucional , a lei Complementar 97, de 09 de Junho de 1999 regula as normas gerais para a organização, o preparo e o emprego das Forças Armadas.
Em atenção aos problemas que envolvem a questão amazônica antes relatados, o Estado Brasileiro deu início, a partir do ano de 2008, a diversas reformas no sentido de melhor estruturar a atuação do Exército nas áreas fronteiriças.
Para isso, reforçou a presença da Força Terrestre na fronteira, incentivando a vivificação das regiões em seu entorno, diminuindo assim a faixa de fronteira não habitada e vigiada.
Aliás, já em 2008 o número de militares na Amazônia era de 25.000 (vinte e cinco mil), contra os apenas 1.000 (mil) militares lá lotados no ano de 1950, conforme informações do Dr. Nelson Jobim, então Ministro da Defesa, em palestra na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional Subcomissão Permanente da Amazônia, do Senado Federal
1 .Nesse sentido, em 22 de julho de 2008 foi publicado o Decreto 6.513, da Presidência da República, que determina, em caráter obrigatório, a implantação de bases do Exército nas terras indígenas situadas em faixa de fronteira:
Art. 'P- O Decreto rf4.412, de 2002, passa a vigorar acrescido do seguinte a(tigo:
"Art. 3° -A. O Comando do Exército deverá instalar unidades militares
permanentes, além das já existentes, nas terras indígenas situadas em faixa de fronteira, conforme plano de trabalho elaborado pelo
J Disponível em : http://www.senado.leg.br/comissoeslae/ap/AP20081118_CrepaAudPub96a.
pdf>. Acesso em 10 jun. 2018 .
••
Comando do Exército e submetido pelo Ministério da Defesa à aprovação do Presidente da República. (BRASIL, 2(08)
Em 18 de dezembro de 2008, por sua vez, foi promulgado o Decreto n°
6.703, também da Presidência da República, que aprovou a Estratégia Nacional de Defesa, que trouxe como sua diretriz nO 2 "organizar as Forças Armadas sob a égide do trinômio monitoramento/controle, mobilidade e presença" .
De especial relevância os itens 8, 9 e 10 da END, que determinam a priorização da região amazônica, identificando-a como maior foco de interesse da defesa nacional; o reposicionamento das Forças Armadas para o fim de atender com prontidão as áreas de maior preocupação da defesa, dentre as quais a região Norte; e ainda o adensamento da presença das Forças Armadas nas regiões de fronteira.
De extrema importância também o Plano Amazônia Protegida, lançado em 2009 em resposta às determinações da END e do Decreto 6.513/08.
Referido plano prevê a criação de 28 (vinte e oito) novos pelotões de fronteira na região amazônica, sendo quatro deles no estado do Acre, dos quais, três de responsabilidade do 61
0BIS. A disposição dos novos pelotões de fronteira está assim prevista:
o
PAP do Ministério da Defesa pretende implantar até 2021 mais 28 pelotões de fronteira ao longo da faixa fronteira, elevando seu número para 55 PEF, sendo posicionados preferencialmente em terras indígenas, serão distribuídos pelos 6 Estados da região, sendo: 7 PEF no Estado do Amazonas, o PEF de Tunuí, às margens do Rio lçana - afluente do Rio Negro já está em processo de implantação, com mais 6 unidades a serem abrigadas nas localidades de Jurupari, Marauiá, Demini, Traíra, Puruê e Bom Jesus; 4 PEF no Estado do Pará, em Tiriós, próximo ao Suriname, já implantado, e os de Curiaú, Cafuni e Trombetas em fase de estudos; 4 PEF no Estado do Acre, sendo um já implantado na localidade de Marechal Thaumaturgo, na fronteira do Acre com o Peru e mais 3 a serem instalados nas localidades de São Salvador. Jordão e Laco; 3 PEF no Estado do Rondônia, nas localidades de Surpresa, Pimenteiras do Oeste e Rolim de Moura, 6 PEF no Estado de Roraima, nas localidades de Entre rios, Jacamin, Vila Contão, Serra do Sol, Ericó e Uaiacás; e mais 4 PEF no Estado do Amapá nas localidades de Vila Brasil, Queriniuti, Jari e Amapari. O PAP prever ainda a modernizar e ampliar os 27 PEF já existentes. (NASCIMENTO e MIRANDA, 2012, p.18) (sem grifos no original)No âmbito do Exército Brasileiro, foi publicada a Portaria 094-EME, de
21 de julho de 2010, que aprova a Diretriz para a Reestruturação dos
Comandos de Fronteira e Batalhões de Infantaria de Selva na área do
Comando Militar da Amazônia, a fim de atender aos objetivos consagrados na
END. Tal documento é de extrema importância pois indusive alterou a
-
17 estrutura do 61
0BIS, conforme se analisará adiante.
Ainda nessa direção, a Lei Complementar 136 de 25 de agosto de 2010, alterando a Lei Complementar 97/1999 alargou a competência das Forças Armadas para incluir "ações preventivas e repressivas, na faixa de fronteira terrestre, no mar e nas águas interiores, independentemente da posse, da propriedade, da finalidade ou de qualquer gravame que sobre ela recaia, contra delitos transfronteiriços e ambientais", incumbindo ao exército mais uma situação de emprego e elevando os encargos das organizações militares em área de fronteira.
No ano de 2012 o Sistema de Monitoramento Integrado de Fronteiras (SISFRON) foi aprovado pelo Presidente da República em exercício, tendo sido lançado com o objetivo de atender especialmente à diretriz n° 2 da END, possibilitando o monitoramento, controle e atuação do Exército na faixa de fronteira terrestre.
Mais recentemente, promulgado o Decreto 8.903, de 16 de Novembro de 2016, que instituiu o Programa de Proteção Integrada de Fronteiras (PPIF), objetivando o fortalecimento da prevenção, do controle, da fiscalização e da repressão aos delitos transfronteiriços e determinando a integração dos órgãos de segurança pública e Forças Armadas, bem como cooperação com países vizinhos nas atividades de vigilância e controle das fronteiras.
Todo esse arcabouço legislativo ratifica a mensagem de intensificação da presença do Exército na fronteira, o que inevitavelmente exige mais das estruturas alacadas nessas regiões, pois eleva sobremaneira as atribuições das unidades com encargo de fronteira. Tal intensificação se justifica pela condição prioritária que a área fronteiriça amazônica recebeu tanto pela END quanto pela PND.
3.3 A ESTRUTURA DOS BATALHÓES DE INFANTARIA DE SELVA EM FAIXA DE FRONTEIRA
Os batalhões de infantaria de selva constituem unidades táticas básicas das brigadas de infantaria de selva (BRASIL, 1997). Acerca da estrutura organizacional de um Batalhão, aduz o item 1-8 das instruções provisórias 72- 20 - O BATALHÃO DE INFANTARIA DE SELVA, 1
aEdição, 1997, que:
a. O batalhão de infantaria de selva é constituído por um comando, um estado-maior, uma companhia de comando e serviços e três companhias de fuzileiros de selva.
-
18
b. A organização detalhada do batalhão de infantaria de selva e a sua respectiva dotação de material constam dos Quadros de Organização e Quadros de Dotação de Material do BIS aprovados pelo Estado- Maior do Exército.
( ... )
b. É a unidade tática básica da brigada de infantaria de selva.
c. Pode atuar enquadrado pela brigada e/ou isoladamente. Em qualquer destes casos recebe uma área de responsabilidade que pode repartir pelas suas companhias. (BRASIL, 1997, p. 1-3 e 1-6).
Enquanto batalhões são unidades, as companhias são subunidades. Já os comandos de fronteira, são aquelas organizações militares que reúnem elementos de comando, unidades, subunidades e pelotões tendo, portanto, caráter mais abrangente. O Regulamento Interno e dos Serviços Gerais - R-1 (RISG), dispõe em seu artigo 14 que:
Unidade é a OM da F Ter cujo comando, chefia ou direção é privativo de oficial superior, podendo ser denominada regimento, batalhão, grupo, esquadrão de aviação, parque ou depósito. Parágrafo único.
Os comandos de fronteira são organizações militares, comandadas por oficial superior, que reúnem elementos de comando, unidades, subunidades e pelotões (BRASIL, 2003, p. 6).
O manual das instruções provisórias 72-20 disciplina a estrutura dos batalhões de infantaria e preconiza que, o batalhão de infantaria, "quando sediado em área de fronteira, além das suas missões normais, recebe a missão de vigilância da faixa fronteiriça" (BRASIL, 1997).
Para tanto, os batalhões lançam mão dos destacamentos especiais de fronteira, que são "fração de unidade" (RISG, art. 312) e são supridos pela unidade a que estão vinculados, além de contar com estrutura reduzida, tendo efetivo de aproximadamente 21 (vinte e um) homens, comandados por um tenente; e dos pelotões especiais de fronteira, este último com efetivo de 66 (sessenta e seis) militares.
Prestando apoio logístico. operacional e administrativo às subunidades
destacadas pode haver um grupo de apoio aos elementos de fronteira (Gr Ap
Elm Fron), composto por 08 (oito) militares - nos casos de unidades com até
dois PEF -ou uma companhia especial de fronteira (CEF), com efetivo de 45
(quarenta e cinco) ou 62 (sessenta e dois militares), e dependendo do
enquadramento em tipo I - quando se tratar de unidade com três ou quatro PEF
- ou tipo 11 - quando se tratar de unidade com cinco ou mais PEF, nos termos
da Portaria 094-EME, de 21 de julho de 2010.
l __
-I
E~'...,.._C'ia_FU_Z_SI_
1
(_._._._._-;---; ,_._._. Cando _. J ! r-'-' -_._ . ..,
.
,L--f-·:~~~~~~~l._
••• -! ~ (_._ .• _ ..
_-_
; .• -:-', '-_._. PEF J !
FIGURA 1 - Estrutura Organizacional prevista para reestruturação dos BIS com encargo de fronteira
Fonte: Portaria 094-EMEJ2010 (BRASIL, 2010, p.16)
A fim de melhor distribuir o contingente disponível e as bases de operações, a proteção da faixa de fronteira amazônica está dividida entre o Comando Militar da Amazônia, ao qual está subordinado o 61° BIS, e o Comando Militar do Norte.
Segundo consta do site oficial do CMN na rede mundial de computadores, estão subordinados ao CMN 08 (oito) organizações militares.
São elas: 8
aRegião Militar (8
aRM), Grande Comando Logístico e Administrativo, com sede em Belém-PA; 22° Brigada de Infantaria de Selva (22
aBda Inf SI), Grande Comando Operacional, com sede em Macapá-AP; 23°
Brigada de Infantaria de Selva (23
aBda Inf SI), Grande Comando Operacional, com sede em Marabá-PA; 2° Batalhão de Infantaria de Selva (~ BIS), com sede em Belém-PA; Base de Administração e Apoio do Comando Militar do Norte (B Adm Ap CMN), com sede em Belém-PA; 24° Batalhão de Infantaria Leve (24° BIL), com sede em São Luís-MA; Comando de Fronteira Amapá/34°
Batalhão de Infantaria de Selva (CFAP/34° BIS), com sede em Macapá-AP e a 15
aCompanhia de Polícia do Exército (15
8Cia PE), com sede em Belém-PA.
O CMA, por sua vez, conforme consta em seu site oficial, tem a si
subordinadas a 12
8Região Militar, 04 (quatro) brigadas de infantaria de selva
(1
a,2
8,16
8e 17
a,que possuem hoje cinco comandos de fronteira a elas
vinculados: Comando de Fronteira Roraima / 7° BIS, Comando de Fronteira Rio
Negro/5
0BIS, Comando de Fronteira Solimões /8° BIS, Comando de Fronteira
Acre/4° BIS e Comando de Fronteira Rondônial6° BIS), além do 2° Grupamento
de Engenharia de Construção e de 12 (doze) organizações militares
diretamente subordinadas (OMOS) e vinculadas (OMV), como demonstrado na
figura abaixo:
_._
c.e...
--- ,._v~
<" • .,_ a."_ saç·,.,.. C;:"C-.cIo._
•. _,.~o c_c-,
--
.•.•• t •••••••• ,- •...•
,.,,.- .•....••.
..-<lACa> .22'"' p..,"_ ,."aalAv SO"' ••••
'
•.. --
'''''''-.4C ___ '·.'-.08&1: ~ aGe :2- 00.,.,.. ••.•• C_Sl ...•••• t"'~C_""._- ._- --
". •.••••• P1!"
,.,... C_W 1M __ v ••••..• "
---
,_.•. _....
,· ••• tC_., 17"""L_
••• v.._-RR •. .,._ v.n-..:.fto!
3oZO ••••• rc
,,.,....c_
a..V...,-":R "on_.~ftO
I· aE:C
--
•..• "c--
,....ecfbo"'nco-AC
C0.2
-
HOUPV
H •••• T TIROS DE GUERRA
- _
,z-1It1l.. - - -
rCTA "00.LEGENDA RegUlo MUltar
• Brlgad •• Inf SI 2' Gpt E OMOS OMV
• OMFRON
TIROS DE GUERRA
••• PEF SamiJRow doPuru-'C
FIGURA 2 - Estrutura Organizacional do CMA Fonte: www.cma.eb.mil.br
Convém destacar que, como pode ser observado na figura 3, dentre todos os batalhões de infantaria de selva subordinados ao CMA e localizados em área de fronteira, apenas o 61° Batalhão de Infantaria de Selva não está constituído como Comando de Fronteira (C Fron). Dentre todos, apenas o 61°
BIS e o C Fron RO/6° BIS não possuem CEF vinculada.
CEf EpIIKloIindia-AC
1'PEF 1·PEf
800 rn-ftR
v.u,..,...
2"pu' 2"PEf
Ouer..rl·AM 2" PEF Nonnandla-ltR;
l·PU IpirJnp*
l" PfF Sjo Jo.quim-AM
)"PEF Pac.Illm;HtR ••• PEf
Vila Ç~IIl~ Brt."""",,·,AM
.·PEF 5"PEF
,Surueuc:u' RR I llaturK4I·'" .-PEF
5'PEF E.tillOdO
S'PEF EquacIcw·_
••••••• 1s--ftR: PiJri.CiJc;I\oei •• AM '1"PEF
,"'EI'
TIA"U"'"
UlfamutS-RR
DEf
5'0 Sah,.dOf·AC
2"PEF
~1i15 Brnll·AC
Y'PEF Plictdode C.wo-AC
Atualizado em 15f0912016
FIGURA 3 - Estrutura Organizacional das OM de fronteira vinculadas ao CMA Fonte: www.cma.eb.miLbr
3.4 O 61° BATALHÃO DE INFANTARIA DE SELVA
O 61° Batalhão de Infantaria de Selva está vinculado ao CMA e
subordinado à 17
aBrigada de Infantaria de Selva e atua na missão de ocupar e
defender a fronteira na porção noroeste do Brasil.
A cidade de Cruzeiro do Sul, localizada no extremo oeste do estado do Acre, é a segunda maior cidade do estado e localidade da sede do Batalhão.
Éligada à capital, Rio Branco, distante 636 km (seiscentos e trinta e seis quilômetros), segundo dados obtidos na plataforma Google Maps. O acesso rodoviário é feito pela BR 364, que permanece fechada durante grande parte do inverno amazônico, abundante em chuvas, por conta das precárias condições de tráfego.
Segundo estudo realizado por LIMA (2013, p. 26), a área de atuação do 61° BIS comporta 80.000 km
2(oitenta mil quilômetros quadrados), sendo 480 (quatrocentos e oitenta) quilômetros de faixa de fronteira com o Peru. Em sua área de operações encontra-se ainda o Parque Nacional da Serra do Divisor, unidade de conservação do bioma amazônico.
Estão sob responsabilidade do 61° BIS um PEF em Marechal Thaumaturgo, às margens do rio Juruá, que funciona atualmente como DEF; e um DEF em São Salvador, localizado às margens do Rio Môa, na região da cidade de Mâncio LimalAC.
O destacamento de São Salvador apresenta acentuada dificuldade de acesso, sobretudo pela ausência de pista de pouso e de ligação rodoviária com qualquer outro ponto do território nacional. Quanto ao destacamento de Marechal Thaumaturgo, possui pista de pouso e acesso fluvial (este dependente da época de cheia do rio, já que na vazante a hidrovia se torna inviável), mas, por outro lado, não possui acesso rodoviário.
FIGURA 4 - DEF Marechal Thaumaturgo Fonte: www.61bis.eb.mil.br
FIGURA 5 - DEF São Salvador Fonte: www.61bis.eb.mil.br
Segundo a base doutrinária do 61° BIS, o batalhão pode ser empregado tanto em ações de garantia da lei e da ordem quanto de defesa da Pátria, seja em ações convencionais, seja em vigilância da fronteira.
Écomum o emprego do batalhão em apoio a órgãos públicos, bem como a realização de operações de reconhecimento de fronteira, além das ações cívico-sociais, com destaque para as áreas em que estão instalados os destacamentos especiais de fronteira, carentes da presença do Estado.
A área de operações merece especial atenção. Inserida no contexto amazônico antes detalhado, tem sua condição agravada pelo isolamento geográfico, bem como pela enorme dependência de cursos fluviais, o que influi diretamente no fator mobilidade, tanto nas operações de suprimento como de evacuação, por exemplo.
Ademais, há que se considerar a baixa densidade demográfica da região, a presença de comunidades indígenas ainda isoladas e a considerável dificuldade de comunicação.
Apesar de ser batalhão localizado em área de fronteira e com encargos dessa espécie, o 61° BIS é organização militar do tipo unidade, portanto de estrutura menos abrangente.
Segundo consta do site oficial do 61 ° BIS, o batalhão está "organizado
em Comando, Estado Maior, duas Companhias de Fuzileiros de Selva, uma
Companhia de Comando e Apoio, uma Base Administrativa e dois
Destacamentos Especiais de Fronteira".
A Portaria 094-EME determinou a instalação de uma Base administrativa no âmbito do 61
0BIS em "substituição ao pelotão de Administração atualmente existente em seu QCP" (2010, p.14). Já o Sistema de Planejamento Estratégico do Exército (2014) previu a conclusão da instalação de um PEF na localidade de Marechal Thaumaturgo, o que ainda não aconteceu de fato.
Relativamente aos encargos do 61° BIS, importante ressaltar o Plano Amazônia Protegida, que prevê a criação de 03 (três) pelotões especiais de fronteira na área de atuação do 61
0BIS: um em Marechal Thaumaturgo, um em São Salvador e um na localidade de Jordão/AC. Diante dessa previsão, cabe analisar também se o 61
0BIS terá possibilidade de atender tais demandas com sua atual estrutura.
3.5 ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS COM A APLICAÇÃO DOS QUESTIONÁRIOS
A amostra considerada foi de quarenta e cinco respondentes e, embora não haja respostas de todas as categorias de posto/graduação destinatárias, observa-se que o questionário alcançou tanto graduados quanto oficiais - subalternos, intermediários e superiores- conforme se observa no gráfico abaixo.
• Coronel
• Tenente CO'"C '1 e:
Major
• Capitão
• Tenente
• Aspirante a O"lclal
• Sutxenen:e
• Sarçe'1to
GRÁFICO 1 - Posto/graduação dos respondentes Fonte: O autor
Desse modo, foi possível identificar, nos respondentes, uma visão geral do batalhão, abrangendo os diversos níveis de comando, o que colabora com a credibilidade da pesquisa, tornado-a mais completa.
Quanto ao ano em que serviram no 61
0BIS e à atuação nas funções
indicadas no questionário, a amostra também mostrou-se global, já que
abarcou todos os anos a partir de 2010 e todas as funções elencadas, quais
sejam: Comandante de batalhão, integrante de Estado Maior, Comandante de
companhia, Comandante de pelotão, Comandante de destacamento, aprovisionador, Subcomandante de companhia, Comandante de grupo e Comandante de setor fluvial, conforme pode ser observado nos gráficos abaixo.
2013 2017 2016
~2 (4a.9~~)
•••••••••••••• _ -H (37.8%)
••••••••••• 1-
3(23.9%)'3 (28 9%)
•••••••• -8(178%) 2013
2012 2011
20'0
Outros
•••••••••••• -í2 (26.7C~)
-:::::::--7(~S6%;
• 7 ('5 6'Jo~
••••••. -6('33%J
00 5,0
'3 (23.9%;
7
s
10o
12,5 15,0 17 5 20.0 22.: 25o
2,5
GRÁFICO 2 - Ano de serviço no 610 BIS Fonte: O autor
comanoa-te de Bata: ão ••• -
3
(6.7'i<l) Estaoo ValOl' - 3 (6.n,,)Comandante Comandante de Pe.otão de comoantlta!:::::::6:(:'
3:.3:%:)::::-~:-:::,.
Comandalltt> de DeS-.acamen~o • 2 (26.7%)
APro'{,Slonador• __ 3 (6.7~)
suoccmandante ae Comoan'li3-=:::::'5~(~:1~.1~~í-~) •••••••
Comanõan:eõeGrupo;' - i4(31.1Sól
Comandante do Se:or Flu\:al. 1 (22<>')
Nenhuma das ourras •••••••
t-
7.-s
6'>.)o
2 3 10 12GRÁFICO 3 - Funções exercidas pelos respondentes Fonte: O autor
Da análise das respostas obtidas nos questionários, observa-se também que, embora exista a previsão de um PEF em QCP, que seria o PEF de Marechal Thaumaturgo, na realidade o 61° BIS atua com dois DEF, já que o PEF de Marechal Thaumaturgo está em fase de implantação. Aliás, o próprio site do Batalhão traz a informação de que lá haveria dois DEF.
Dos militares respondentes, três dos vinte e dois que ainda servem no
61° BIS neste ano de 2018 (sendo um Coronel - Comandante do Batalhão, um
Capitão, integrante do Estado Maior e um Sargento com função de
comandante de grupo), utilizaram o espaço destinado às observações
pessoais do respondente para tratar desse assunto específico:
Na sua atual configuração, Marechal Thaumaturgo não é PEF. E DEF. Inicialmente, é necessário que se conclua a obra estrutural que dará condições ao DEF de se transformar em PEF.
O Batalhão atualmente não possui nenhum PEF. Existe a previsão da implantação de um PEF em MTH, mas sem data prevista próxima ( ... ).
Mesmo com o efetivo do PEF MTH previsto em QCP, o batalhão fica, na minha análise, com um grande déficit de militares durante os períodos de trocas, a cada 2 (dois) meses, devido ao fato da dependência do PAA e pela falta da conclusão das obras dos PNR do DEF (PEF após a conclusão das obras) MTH, fato este que impossibilita a pennanência dos militares por período de 1 (um) ano. ( ... ).
QUADRO 1 - Respostas qualitativas sobre a existência de PEF
-
Fonte: O autor
Prosseguindo na análise, foi possível verificar que, dos respondentes, 95,6% afirmaram que há necessidade de retirar militares das seçõeslsubunidades do 61° BIS para guarnecer o PEF e o DEF, por falta de efetivo suficiente para estes. Também 97,8% afirmaram que tanto o PEF de Marechal Thaumaturgo quanto o DEF de São Salvador funcionam em sistema de rodízio.
Também é possível observar desfalque nas companhias do batalhão na realização logística das atividades de troca de efetivos e ressuprimento de materiais dos elementos destacados. Conforme afirmaram 82,2% dos respondentes, há necessidade de retirar militares das seçõeslsubunidades do batalhão para realizar essas atividades logísticas.
Agrava esse déficit, o contingente empregado nas operações de troca de efetivo, que deve considerar não apenas o pessoal enviado para substituir os que lá estão, mas também os que estão sendo substituídos, que não atuarão de imediato no retomo ao batalhão, em função da necessidade de período de arejamento.
De acordo com 84,4% dos respondentes, os meios próprios do 61° BIS são sempre utilizados, tanto no ressuprimento e logística do PEF de Marechal Thaumaturgo quanto do DEF de São Salvador.
Para a troca e ressuprimento realizada em Marechal Thaumaturgo, o 61
oBIS conta com auxílio da Força Aérea Brasileira, conforme 73,3% dos respondentes. Quanto ao apoio aéreo prestado na logística do PEF de Marechal Thaumaturgo, importante pontuar a resposta qualitativa dada por dois respondentes, abordando esse tema e noticiando atrasos na troca do efetivo do PEF, devido à dependência da disponibilidade de vôos da FAB, o que dificulta ainda mais a situação do Batalhão.
Nas operações de troca e ressuprimento no DEF São Salvador, 93,3%
da amostra afirmou serem realizadas exdusivamente com meios próprios do
61° BIS. Desse modo, já que não há apoio aéreo e as operações logísticas ficam exclusivamente a cargo do batalhão, o comprometimento de efetivo e meios é ainda maior.
Quanto à existência ou não de Gr Ap Elm Fron, 82,2% dos respondentes declarou não existir no 61° BIS. De fato, na análise do QCP previsto na base doutrinária do batalhão não se observa a implantação desse módulo.
De todo modo, ainda que fosse implantado o Gr Ap Elm Fron conforme preconiza o item c. 2 da Portaria n° 094-EME, a ampla maioria, 80% dos respondentes, entende que não seria suficiente para atender às necessidades logísticas, de pessoal (recompletamento/substituições) e de controle do PEF e do DEF vinculados ao 61° BIS.
• Sim .
• Nãc.
Apenas as oecessmanes iogíst<as .
• Apenas as necessidades oe pessoal
GRÁFICO 4 - Suprimento das necessidades do 610 BIS por um Gr Ap Elm Fron Fonte: O autor
Como se depreende da análise do gráfico, 11,1 % acredita que um Gr Ap Elm Fron resolveria apenas as necessidades logísticas do PEF e do DEF.
Por outro lado, 91,1 % dos respondentes concordou com a afirmativa de que a criação de uma CEF e a subordinação a ela do PEF de Marechal Thaumaturgo e do DEF de São Salvador melhoraria a coordenação e o controle operacional e administrativo pelo 61° BIS, bem como sua capacidade operativa.
• Concoroo clel"al'1e'lte
• concoroo parcia'!Y\e"te Discordo otenamerue
GRÁFICO 5 - Melhora da capacidade operativa do 610 BIS com a criação de uma CEF Fonte: O autor
Nesse mesmo sentido, a absoluta maioria, 97,8%, considerou necessária transformação do 61° BIS em comando de fronteira e a subsequente criação de uma companhia especial de fronteira, prevista em QCP. Tudo isso, considerando o trabalho desenvolvido pelo 61° BIS e as demandas logísticas, administrativas e de pessoal do próprio batalhão, do PEF de Marechal Thaumaturgo e do DEF de São Salvador.
Os respondentes refutaram, ainda, a afinnativa de que a estrutura atual atende plenamente às necessidades do 61° BIS.
Aliás, entre aqueles respondentes que desejaram registrar alguma informação que contribuiria para a pesquisa, soou recorrente o alerta para a falta de efetivo do 61° BIS, agravada pela não previsão do DEF e do Gr Ap Elm Fron em QCP e pela não instalação do PEF de Marechal Thaumaturgo, o que tem se mostrado como real obstáculo à realização das atividades do batalhão.
No quadro abaixo, algumas das respostas apresentadas:
o
Btl trabalha com efetivo e material muito aquém das suas necessidades, aumentar o efetivo e melhorar as condições do material (sobretudo dos meios fluviais) é emergencial, se aiar o C F ron for uma alternativa viável para a solução para tais problemas creio que deva ser implementado.E extremamente necessária a transformação do Batalhão em CFR, mas temos que planejar a ampliação das vilas militares. clube, instalações do batalhão, entre tantas medidas Iogísticas estruturais, para que não caia e até mesmo melhore as condições da família militar na guarnição
Falta muito efetivo no btl e o batalhão tem poucos recursos para cumprir as missões que vem cumprindo com excelência
Na sua atual configuração, Marechal Thaumaturgo não é PEF. E DEF.
Inicialmente, é necessário que se conclua a obra estrutural que dará condições ao DEF de se transformar em PEF. A partir daí, o próximo passo é aumentar o efetivo de QCP para mobiliar o PEF. Neste momento, após o aumento de efetivos, considero importante a transformação do Btl em Cmdo Fron e o advento de uma CEF.
Eu como comandante da Cia Operacional do 61° BIS posso afirmar que existe uma grande dificuldade para compor os efetivos dos Pelotões nas diversas missões e operações realizadas pela Cia, tendo em vista principalmente que parcela considerável dos integrantes da Cia se encontram nos DEF.
QUADRO 2 - Respostas qualitativas sobre as necessidades do 61° BIS Fonte: O autor
Dentre os benefícios advindos da criação de uma CEF vinculada ao 61 °
BIS. conforme se observa no gráfico abaixo. 86,7% dos respondentes acredita que tal medida aumentaria a capacidade operativa do batalhão, seguido de 68,9% que acredita que melhoraria a vida administrativa da OM, além de resolver o problema de escassez de efetivos relacionado à troca e manutenção de pessoal no PEF e no DEF (57.8%), supriria as demandas logísticas do PEF e do DEF (53,3%) e aumentaria o controle do PEF e do DEF por parte do 61°
BIS (40%), tendo um militar acrescentado ainda que tal medida aumentaria o
controle nas fronteiras.
-
28
suonna as demandas logis cas doPF . Aumeníana o cootrote do PEF
edo DEFp Resolvefla o problema de
esc asse:: de ef
24 (53.3%)
ALiOlentafla a cacac ooeranva do 61 . Aumentana o controle
39 (86,7%\
o •
J 20GRÁFICO 6 - Benefícios observados com a criação de uma CEF Fonte: O autor
30
A amostra ficou dividida quanto à possibilidade de o PEF e o DEF terem condições de realizar operações de reconhecimento de fronteira (ReFron), tal como estão estruturados e equipados, sem receber apoio direto do batalhão.
Enquanto 17,8% acredita que apenas o PEF seria capaz de cumprir tal missão, 44,4% afirmou que ambos, PEF e DEF, possuem condições de realizar ReFron com seu efetivo e meios próprios, confrontados por iguais 37,8% que afirmaram exatamente o contrário. Apenas com relação ao DEF de São Salvador, há maioria formada (55,6%) de que não possui condições de realizar tais operações.
Por fim, todos os respondentes entendem que o 61° BIS, com a estrutura atual, não possui condições logísticas e de pessoal para mobiliar mais um PEF em sua área de atuação, além do PEF e do DEF já existentes, sem interferir em sua capacidade operacional e administrativa. Observa-se, desse modo, que para 100% dos respondentes o 61° BIS já opera em sua capacidade máxima.
Atenção especial se dá a esse ponto quando da análise do Plano Amazônia Protegida, que prevê a criação de mais dois PEFs na área de atribuição do 61° BIS, um na cidade de Jordão e a transformação do DEF de São Salvador em PEF, totalizando assim três PEF sob responsabilidade do 61°
BIS.
3.6. DISCUSSÃO
Como visto, o 61° BIS é batalhão de infantaria de selva com encargo de fronteira, pois responsável pela vigilância da área fronteiriça. Conforme as instruções provisórias 72-20 - O BATALHÃO DE INFANTARIA DE SELVA, 1
aEdição, 1997, p. 9-1 a 9-3:
9-1. CONSIDERAÇÕES BÁSICAS
a. O batalhão de infantaria de selva sediado em área de fronteira pode receber, além das missões de combate inerentes ao BIS, a missão de vigilância das fronteiras. Cumpre, também, com os pelotões especiais de fronteira (PEF), missões complementares
ligadas à produção de alimentos e à prestação de serviços.
b. O BIS, nesta situação, possui as mesmas características e possibilidades dos batalhões de infantaria de selva, acrescidas da capacidade de, desde os tempos de paz, realizar a vigilância e a vivificação das fronteiras, constituir a presença armada brasileira em regiões fronteiriças, agir como fator de dissuasão para os elementos externos e como agente de operações psicológicas no seio da população que gravita em torno dos pelotões especiais de fronteira.
c. Ao empregar os seus pelotões especiais de fronteira (PEF) em operações, pode apenas executar, com limitações, ações ofensivas e defensivas de pequena monta nas áreas a estes atribuídas.
d. Por sua localização, é muito mais afetado pelas dificuldades do apoio logístico, principalmente no que se refere aos pelotões especiais de fronteira.
ARTIGO 11
ESTRUTURAÇÃO
9-2. ORGANIZAÇÃO
a. O BIS sediado em área de fronteira é constituído por um comando, um estado-maior, uma companhia de comando e apoio, um número variável de companhias de fuzileiros de selva e uma base de administração e apoio.
b. A organização detalhada deste BIS e a sua respectiva dotação de material constam do Quadro de Organização e Quadro de Dotação de Material aprovados pelo Estado-Maior do Exército.
9-3. A BASE DE ADMINISTRAÇÃO E APOIO
a. A sua organização baseia-se em módulos para a prestação do apoio administrativo e logístico à unidade. São eles:
( ... )
(7) módulo de Divisão de Elementos de Fronteira.
( ... )
c. O módulo de Divisão de Elementos de Fronteira, em operações, constitui uma companhia especial de fronteira, a fim de poder cumprir a missão de executar, com limitação, por meios de seus pelotões, ações ofensivas e defensivas na área de combate que lhe for atribuída. Em tempos de paz, cabe-lhe o encargo de apoio aos pelotões especiais de fronteira (PEF). (BRASIL, 1997, p. 9-1 a 9-3) (grifos no orginal)
O 61° BIS é batalhão do tipo 2, atuando, portanto, com duas companhias de fuzileiros, e possui um PEF previsto em QCP, conforme se observa na base doutrinária do Batalhão.
CMOO/EM
Cia CAp 2~ Cia Fuz SI
FIGURA 6 -
Estrutura organizacional prevista Fonte: Base doutrinária 61° BIS-
30