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Sudoeste da Bahia UESB Vitória da Conquista - BA. Sudoeste da Bahia UESB. Sudoeste da Bahia UESB

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ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.11 n.21; p. 2015 3094 DISPOSIÇÃO FINAL DOS RESÍDUOS SÓLIDOS DE SERRARIAS DE VITÓRIA DA

CONQUISTA-BA

Flávia Ferreira de Carvalho1, Aline Pereira das Virgens2, Mariana de Aquino Aragão3, Thamara Carvalho Loureiro4 e Danusia Valeria Porto da Cunha5

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Graduanda no curso de Engenharia Florestal da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB ([email protected]) Vitória da

Conquista - BA.

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Graduanda no curso de Engenharia Florestal da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB

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Graduanda no curso de Engenharia Florestal da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB

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Graduanda no curso de Engenharia Florestal da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB

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Mestranda no Programa de Pós-graduação em Ciências Florestais da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB.

Recebido em: /03/2015 – Aprovado em: 15/05/2015 – Publicado em: 01/06/2015 RESUMO

A atividade industrial madeireira no Brasil é altamente geradora de resíduos. A geração excessiva destes resíduos, associada ao baixo aproveitamento, resultam em danos ambientais, além de perda significativa de oportunidade para a indústria, comunidades locais, governos e sociedade em geral, em comparação aos benefícios econômicos e financeiros gerados por meio de sua reutilização. Com o presente trabalho objetivou-se a caracterização dos resíduos sólidos de 15 serrarias do município de Vitória da Conquista - BA, bem como do destino dado aos resíduos gerados pelo processamento, por meio de um formulário de pesquisa. Grande parte das empresas foram classificadas como microempresas e o resíduo de maior significância foi o pó de serra. A destinação para substrato animal foi a mais citada e 100% dos representantes das serrarias afirmaram que não havia interesse no processo de reaproveitamento de resíduos, porque não sabiam como fazê-lo, ou porque tinham receio de ter prejuízos. O reaproveitamento dos resíduos gerados nas indústrias madeireiras se mostra de grande importância ambiental e econômica, porém esta prática não é empregada na região de estudo.

PALAVRAS-CHAVE: cavaco, madeira, maravalha

FINAL PROVISION OF SOLID WASTE OF SAWMILLS VITORIA DA CONQUISTA – BA

ABSTRACT

The timber industrial activity in Brazil is highly a waste generator. The excessive generation of that waste, associated with its low use, results in environmental damage, besides the significant loss of opportunity for the industry, local communities, governments, and society in general, compared to the economic and financial benefits generated through reuse. This study aimed at characterizing the

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solid waste of 15 sawmills in Vitória da Conquista - BA, as well as the destination of the waste generated by processing through a search form. Most companies were classified as micro companies; the most significant waste was sawdust. The destination for animal substrate was the most mentioned and 100% of people represented by sawmills said they did not have interest in waste reuse process because they did not know how to do it, or because they were afraid of making damage. The reuse of waste generated in the timber industries shows very important environmental and economic, but this practice is not used in the study region

KEYWORDS: chips, shavings, wood

INTRODUÇÃO

O Brasil apresenta uma extensa área florestal representando grande porcentagem do território nacional. Este aspecto explica o enorme potencial que o país vem apresentando para a geração de produtos madeireiros, tendo como destaque a madeira proveniente de florestas de reflorestamento (ROSÁRIO, 2011).

Os produtos provenientes da indústria de base florestal são os mais variados, podendo ser divididos em oito cadeias produtivas principais: chapas e compensados; óleos e resinas; fármacos; cosméticos; alimentos; carvão, lenha e energia; papel e celulose; madeira e móveis (SBS, 2008). Os subprodutos do desdobro da madeira, bem como da sua utilização é definido como resíduos industriais florestais (ARAÚJO, 2003).

ROSÁRIO (2011) destaca que, em geral, as indústrias madeireiras tendem a apresentar baixo rendimento devido à ausência de um plano de corte e, portanto, grandes quantidades de resíduos são geradas durante as operações de desdobro. O setor de serrarias se apresenta como exemplo sendo, frequentemente, indústrias isoladas, com pequeno capital e manejo inadequado, com maquinário antigo e depreciado, gerando perdas de produção (BATISTA et al., 2013; MAZIERO et al., 2013). De acordo com FROEHLICH et al. (2012), o aproveitamento do volume total de uma tora é apenas de 40 a 60%, ou seja, de cada dez árvores cortadas apenas cinco são aproveitadas em sua totalidade.

A geração de resíduos é consequência natural do processamento primário e secundário da madeira provocado pelo contato com as serras, instrumentos de corte e acabamento da madeira (ROSÁRIO, 2011). São considerados resíduos a casca, a costaneira, as pontas, as aparas, as lascas, os nós, o pó-de-serra e as maravalhas (ARAÚJO, 2003). PEREIRA et al. (2010), ressaltam que há muitos fatores que interferem no melhor ou pior aproveitamento da madeira, bem como, o processamento inadequado do material e a ausência de uma pré-seleção da matéria-prima.

A cadeia produtiva madeira-móveis apresenta maior perda em seu processamento primário, onde a fração percentual que representa os resíduos varia em função de fatores, como o tipo de processo, as máquinas utilizadas e as dimensões e características físicas e anatômicas das toras (HILING et al., 2009).

De acordo com BRASIL (2009), as gerações excessivas de resíduos de madeira associada ao seu baixo aproveitamento resultam em danos ambientais, além de perda significativa de oportunidade para a indústria, comunidades locais, governos e sociedade em geral, especialmente em regiões remotas, dependentes de fontes energéticas externas.

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O aproveitamento de resíduos de madeira vem contribuindo para a racionalização dos recursos florestais, proporcionando uma nova alternativa socioeconômica às empresas, além de contribuir para uma adequação ambiental do gerenciamento de resíduos sólidos industriais (CERQUEIRA et al., 2012).

Dessa forma, a presente pesquisa teve por objetivo a caracterização dos resíduos sólidos de 15 serrarias do município de Vitória da Conquista - BA, por meio da identificação do destino dado aos resíduos gerados pelo processamento; bem como o porte da empresa, os tipos de resíduos gerados e a intenção de reaproveitar os mesmos.

MATERIAL E MÉTODOS Caracterização física da área de estudo

O município de Vitória da Conquista, fundado em 1891, está localizado na região Sudoeste da Bahia, no Planalto da Conquista (Figura 1), com uma área de 3.704,018 km2 e altitude média de 923 metros em relação ao nível do mar (PMVC, 2015).

FIGURA 1 - Localização de Vitória da Conquista – BA.

Fonte: Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista

Dados antrópicos da região

Em 1991, a população do município era de 225.091 habitantes e alcançou, de acordo com o IBGE (2013) 306.866 habitantes, portanto Vitória da Conquista é a terceira cidade mais populosa do Estado da Bahia. O principal fator para este crescimento da população neste período, foi caracterizado pelas migrações provenientes de várias regiões do país, principalmente do Nordeste.

Outra característica importante é o êxodo rural constante, que em 1970 atingiu um percentual de 67,5% da população do município vivendo na cidade. As causas desse evento migratório se referem ao fascínio que as cidades, especialmente as grandes e de médio porte, desempenham sobre os moradores da zona rural em relação à oportunidade de se obter melhores condições de vida (PMVC, 2015).

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Até os anos 1950 a economia de Vitória da Conquista desenvolveu-se com base na pecuária extensiva. Com a construção da BR116, no início dos anos 1960, a cidade tornou-se ponto de apoio fundamental para o transporte de cargas e passageiros. A partir da década de 1970 a principal atividade econômica passou a ser o plantio de café, que teve um desenvolvimento surpreendente até a década de 1980. O município tem uma atividade agrícola estabilizada e é referência regional nas áreas de educação, saúde e comércio, o que atrai milhares de usuários e consumidores das cidades vizinhas (PMVC, 2015).

Dados sobre a economia local

O município de Vitória da Conquista tem a 6ª maior economia da Bahia, com participação de 2,29% no Produto Interno Bruto (PIB) do estado. No ano de 2009, as riquezas produzidas no município geraram R$ 3,142 bilhões, um aumento de 18,5% comparado ao ano de 2008. De 1999 a 2009, o PIB municipal apresentou um crescimento maior que 340%. Considera-se que esse crescimento se baseia na ampliação de um grande conjunto de atividades (PMVC, 2015).

Ainda segundo a PMVC (2015), o destaque está no setor de serviços que é responsável por mais de 70% do PIB municipal. O comércio bem consolidado e ativo e os serviços nas áreas de educação e saúde, contribuem de maneira essencial para o desenvolvimento desse setor.

Coleta dos dados

Os dados foram coletados em serrarias no município de Vitória da Conquista – Bahia, localizado no sudoeste do Estado (Figura 1), situado a 14° 51' 53'' de latitude sul e 40° 50' 13'' de longitude oeste, no período de 6 a 9 de dezembro de 2014.

Foram avaliados 15 estabelecimentos que trabalham com madeira e que geram resíduos sólidos a partir dessa matéria prima. Para o levantamento das informações referentes aos resíduos madeireiros, elaborou-se um formulário de pesquisa, utilizado nas visitas e aplicado em forma de questionário semiestruturado individual com os representantes de cada empresa, no próprio estabelecimento. O formulário para avaliação foi estruturado com as seguintes informações: porte da empresa; tempo de mercado; quais tipos de resíduos produzidos; qual a destinação final dos resíduos gerados e se há um interesse em reaproveitá-los.Os questionários foram aplicados nos principais polos comerciais do setor madeireiro da cidade.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Dos estabelecimentos visitados, aproximadamente 67% foram considerados microempresas possuindo de um a nove funcionários e os demais, 33%, eram de pequeno porte com 10 a 99 funcionários. Destes estabelecimentos, 80% estão no mercado há mais de 11 anos. Em um trabalho realizado por CERQUEIRA et al., (2012), também com estabelecimentos madeireiros, porém no município de Eunápolis – BA, o tempo de atuação das empresas no mercado perfaz, em média, 14 anos, com um número de funcionários variando de 10 a 25.

Quanto aos resíduos gerados pode-se destacar o pó de serra, a maravalha, lascas e nós, como principais (Figura 2). Na Figura 3 é possível verificar que a maior parte dos estabelecimentos pesquisados (13 serrarias) geram resíduos do tipo pó de

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serra, seguido por 12 serrarias que geram maior quantidade de maravalha, enquanto que a minoria gera resíduos classificados como nós (duas serrarias), lasca e outros (três estabelecimentos cada). ALMEIDA et al. (2012), verificaram em estudo realizado numa marcenaria no município Bom Jesus-PI, que a maravalha contribuiu com a maior percentagem de resíduo gerado alcançando uma média semanal de 1,8524 m³, o que representa 63,45% do total de resíduos.

MENDOZA et al. (2010), realizaram um estudo em marcenarias do município de Viçosa, no estado de Minas Gerais, onde a serragem foi o resíduo que mais contribuiu, perfazendo 36,17% do total. CERQUEIRA et al., (2012), em estudo realizado em serrarias no município de Eunápolis-BA, verificaram que os principais resíduos gerados foram serragem (36,17%), lenha (25,53%), maravalhas (23,40%) e cavacos (12,77%).

FIGURA 2 - Principais resíduos gerados no processamento da madeira. A:

Pó de serra; B: Maravalha; C: lascas: D: Madeira bruta FONTE: MACHINERY SHOPS.

FIGURA 3 - Tipo de resíduos gerados em 15 estabelecimentos

madeireiros no município de Vitória da Conquista – BA.

Em relação ao destino dos resíduos foi possível observar três destinos básicos entre os estabelecimentos, sendo 87% para substrato animal (para construção e manutenção de galinheiros e baias de cavalos) e 13% são queimados em um local aberto qualquer; e dentre esses, 40% ainda realizam o comércio com padarias,

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pizzarias e academias que utilizam o resíduo na geração de energia a partir da queima desse subproduto, além dos viveiros que utilizam os resíduos como substrato para a produção de mudas.

GOMES & SAMPAIO (2004) verificaram, em estudo com três empresas no estado do Pará, que a maior parte do resíduo gerado durante o processo de fabricação de seus produtos é destinado à geração de energia, em média 65%, diferindo dos resultados do presente trabalho. Porém, observou-se também nas serrarias do Pará a destinação dos resíduos para produção de adubo orgânico, assim como o comércio com padarias.

CERQUEIRA et al., (2012), em estudo realizado no município de Eunápolis-BA, em relação à destinação dos resíduos gerados pelas serrarias avaliadas, verificaram que a maior parte das empresas (55%) comercializa os resíduos para a geração de energia em cerâmicas nas proximidades do município, 17% vendem os resíduos para uso em baias de animal, 16% doam às pessoas interessadas, 8% descartam em lixões e 2% empregam na confecção de artefatos de madeira.

Sobre a quantidade de resíduos gerados, mais da metade das empresas pesquisadas não sabiam o número exato produzido, sendo classificados a partir da quantidade de sacos, de 50 quilos, que eram recolhidos dos galpões em geral (Figura 4). Resultado este que difere dos estudos realizados por CERQUEIRA et al., (2012) no município de Eunápolis-BA, onde constatou-se que as empresas pesquisadas apresentaram um beneficiamento mensal médio de 105m3 de madeira, gerando cerca 40m3 de resíduos mensais cada uma. Anualmente, esse valor é de 1.720 m3 de madeira processada e 396,6 m3 de resíduos gerados por cada serraria.

FIGURA 4 - Quantidade de resíduos gerados em 15

estabelecimentos madeireiros no município de Vitória da Conquista – BA.

Segundo MENDOZA et al. (2010), o conhecimento dos resíduos gerados por uma empresa é importante tanto do ponto de vista econômico quanto do ambiental, uma vez que espera-se maior retorno econômico durante todo o processo produtivo e menor impacto ambiental. Assim, de acordo com os autores, estes aspectos

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podem ser largamente resolvidos através do aproveitamento máximo dos resíduos gerados durante toda a cadeia produtiva.

Quando questionados sobre o interesse em reaproveitar os resíduos gerados, 100% dos representantes questionados, responderam que não havia interesse neste processo, porque não sabiam como fazê-lo, ou achavam que isso ia custar muito caro para a empresa, afetando os lucros. Alguns alegaram que comercializar ou doar com outros setores já seria uma destinação adequada e não pensam em outro tipo de reaproveitamento. MENDOZA et al. (2010) também constataram que os proprietários e responsáveis pelas empresas não tinham preocupação quanto à maior agregação de valor aos resíduos gerados pela atividade desenvolvida pela empresa ou quanto aos prejuízos ambientais que estes resíduos poderiam causar, caso fossem descartados de maneira incorreta.

ALVES et al. (2014) verificaram em um estudo de caso realizado numa marcenaria no município de Monte Alegre no estado do Pará, que o destino final da maioria dos resíduos é o acondicionamento no próprio terreno da fábrica. Uma parte dos resíduos é doada para ser utilizada na forração para criação de frangos e outra para agricultores que a utilizam como adubo, por meio da compostagem.

CONCLUSÃO

Qualquer processamento primário ou secundário da madeira sólida resultará na geração de resíduos sólidos. Sendo assim, é essencial um controle ambiental por parte dessas indústrias madeireiras, dando um destino final adequado aos resíduos. Contudo, ainda é observado um elevado desperdício no setor madeireiro.

Com relação aos resultados obtidos, foi possível observar que, dentre as empresas estudadas, a maioria era microempresa com mais de 11 anos no mercado. Dentre os resíduos gerados por estas empresas, os principais foram pó de serra, maravalha, lascas e nós. Com relação ao aproveitamento dos resíduos, os principais destinos foram para substrato animal, queima do material e reuso em comércios locais. Além disso, as empresas não mostraram interesse em reaproveitar tais resíduos de outra forma, alegando que tal processo seria oneroso ou mesmo não saber como fazê-lo.

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