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Modelo experimental de ção hepática

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Academic year: 2018

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(1)

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

FACULDADE DE MEDICINA

DEPARTAMENTO DE CIRURGIA

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIRURGIA

JAMIL M. ZARUR

MODELO EXPERIMENTAL DE

QUIMIOEMBOLIZAÇÃO HEPÁTICA

(2)

JAMIL M. ZARUR

MODELO EXPERIMENTAL DE QUIMIOEMBOLIZAÇÃO

HEPÁTICA

Dissertação submetida à Coordenação do Curso de Pós-graduação em cirurgia, da Universidade Federal do Ceará, como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Cirurgia.

Orientador: Prof. Dr. Manoel Odorico de Morais Filho.

(3)

EXPERIMENTAL DE QUIMIOEMBOLIZAÇÃO HEPÁTICA

Dissertação submetida à

Coordenação do Curso de

Pós-Graduação em CIRURGIA, da

Universidade Federal do Ceará, como

requisito parcial para a obtenção do

grau de MESTRE em CIRURGIA .

Aprovada em ___/___/______

BANCA EXAMINADORA

_____________________________________________

Prof. Dr. Manoel Odorico de Morais Filho (Orientador)

Universidade Federal do Ceará-UFC

_____________________________________________

Prof. Dr. .José Huygens Parente Garcia Universidade Federal do Ceará-UFC

_____________________________________________

(4)

A minha esposa, Eveline Castro. Por sua paciência, compreensão e pelos bons momentos vividos juntos.

A meus pais, Elisiária e Abdalla Zarur, pelo apoio e educação que me proporcionaram.

(5)

“ A hipótese voa, a ação caminha; por vezes as asas tomam um rumo indevido, o pé pisa no chão firme; porém o vôo pode ser retificado, enquanto o passo nunca poderá voar.”

(6)

AGRADECIMENTOS

• Ao meu orientador, Prof. Dr. Manoel Odorico de Morais que fez com que uma simples idéia se concretizar, e que um sonho

tornasse realidade.

• A todos os funcionários do laboratório de oncologia experimental da UFC que contribuíram para a concretização deste trabalho. • Ao amigo, Dr. Paulo Ferdinando de Melo Oliveira, que incentivou,

orientou e tornou este trabalho possível.

• Ao Dr. Dalgimar pelas orientações e análises da microscopia.

• Aos alunos da UFC, Marjorie S. Façanha Barreto, Clarissa Alencar Diogenes, Germana Lopes do Nascimento, com a ajuda, espírito

científico e disposição destes alunos foi possível a realização do

trabalho.

• Ao Instituto do Câncer do Ceará pelo fornecimento do quimioterápico.

• À faculdade de medicina da UFC, em especial ao departamento de cirurgia, que com afinco de seus professores não deixam que a

pesquisa e a ciência fiquem esquecidos e renegada a segundo

plano.

(7)

Ficha Catalográfica

Zarur, Jamil Martins

Modelo experimental de quimioembolização hepática/ Jamil Martins Zarur. Fortaleza - 2004

Dissertação ( mestrado ) Universidade Federal o Ceará.

Titulo em Inglês : Experimental model of chemoembolization hepatic

(8)

RESUMO

MODELO EXPERIMENTAL DE QUIMIOEMBOLIZAÇÃO

HEPÁTICA

OBJETIVOS : Estabelecer um modelo de tumor no fígado de ratos para estudo do comportamento tumoral e avaliar o uso da quimioembolização transarterial .

METODOS : Utilizado setenta e sete ratos Wistar, fêmeas, adultos, pesando entre 175- 325 g . Realizado incisão abdominal de três centimetros e implantado o carcinossarcoma de Walker 256 no lóbulo esquerdo do fígado. Dividido em três grupos ( n=40 ) que receberam respectivamente 100x 103 , 200x 103 e 300x 103 células tumorais, avaliado a pega do tumor e a sobrevida. Em um segundo experimento com 39 animais inoculados com tumor de Walker foi avaliado a sobrevida dos animais após infusão do 5-Flourouracil (5-FU) por via intra-peritoneal e transarterial, na artéria hepática, juntamente com partículas embolizantes.

RESULTADOS : O implante do carcinossarcoma de Walker no fígado de ratos apresentou desenvolvimento em 100 %, teve um crescimento rápido e ocorrência de metástases tardiamente, levando os animais ao óbito entre o sétimo e décimo quinto dia. O método de quimioembolização transarterial é possível de ser realizada experimentalmente. O uso do 5-FU aumentou a sobrevida em comparação ao grupo controle, porém não ocorreu diferença na sobrevida entre os grupos tratados por via peritoneal e transarterial.

CONCLUSÃO : O modelo de implante do tumor de Walker no fígado de ratos é eficiente, de fácil reprodutibilidade, e sobrevida média de 9,96±0.3 dias. A quimioembolização transarterial hepática pode ser realizada experimentalmente para avaliar diversas drogas.

(9)

ABSTRACT

EXPERIMENTAL MODEL OF CHEMOEMBOLIZATION HEPATIC

OBJECTIVES: Try to do a animal model to study the behaivor of liver tumor in rat and its response after use of chemoembolization transarterial.

METHODS : We use 77 Wistar rats, all of them were females, adult, weight 175-325 g. Abdominal incisor of 3 cm and implanted the Walker carcinossarcoma 256 at left lobule of the liver. The animals were divide into 3 grups, that recieved 100x103 , 200x103, and 300x103 cells. Followed up the animas to avaliate life standing and development tumoral. In another experiment was use 39 animals which alredy had Walker 256 tumor and we study the survival of the animals after treatment with 5-FU IP or 5-FU IA.

RESULTS : The orevall tumor development rate were 100%. Tumor growth was fast, and devolopment metastases on old fase. The animals dead between 7o. and 15o. day. Its possible to do chemoembolization experimentaly, after the use of 5-FU the rate survival increased.

CONCLUSION : The model with Walker 256 tumor developed here is easy to repoduce, efficient, with high tumor development rate observed, the life standing is about 9,96 ± 0,3 days. The chemoembolization can make experiment to assess several drugs.

(10)

SUMÁRIO

PÁGINA

1. INTRODUÇÃO 1

1.1.Câncer 2

1.2.Tumor hepático 3

1.2.1.Tumor hepático primário 3

1.2.2.Tumor hepático secundário 4

1.3.Tipos de tratamento 6

1.3.1.Cirurgia 6

1.3.2.Quimioterapia 10

1.3.3.Ablação química percutânea 11

1.3.4.Radiofreqüência 11

1.3.5.Quimioembolização 12

1.4.Modelos experimentais de tumor hepático 19

2. OBJETIVOS 23

2.1.Objetivos específicos 24

3. MATERIAL E MÉTODOS 25

3.1.Material cirúrgico 26

3.2.Animais 26

3.3.Células neoplásicas 26

3.4.Técnica anestésica 27

3.5.Técnica do implante tumoral 27

3.6.Técnica de cateterização da artéria hepática 28

3.7.Fases experimentais 29

3.7.1.Experimento 1 : Estabelecer o número de células do

implante tumoral e a velocidade de crescimento tumoral

30

3.7.2.Experimento 2 : Estabelecimento da sobrevida dos

animais

31

3.7.3.Experimento 3 : Infusão do quimioterápico 31

3.8. Análise estatística 33

4. RESULTADOS 34

4.1.Resultados da técnica do implante tumoral 35

4.2.Crescimento tumoral e sobrevida dos animais 37

4.3. Analise estatística 39

4.4.Avaliação da quimioembolização 40

5. DISCUSSÃO 43

(11)

hepático com o carcinossarcoma de Walker

5.2.Avaliação da quimioembolização trans-arterial hepática 47

6. CONCLUSÕES 52

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 54

8. ANEXO 1 71

(12)

LISTA DE FIGURAS

PÁGINA

Figura 1 : Arteriografia hepática pré-embolização 14

Figura 2 : Arteriografia hepática pós-embolização 14

Figura 3 : Tomografia computadorizada de metástase hepática de tumor neuroendócrino pré embolização

15

Figura 4 : Tomografia computadorizada de metástase hepática de tumor neuroendócrino pós embolização

16

Figura 5 : Inoculação do tumor de Walker 29

Figura 6 : Pedículo hepático 30

Figura 7 : Cateterização artéria hepática 30

Figura 8 : Histopatologia do tumor no fígado 37

Figura 9 : Histopatologia do tumor do tumor de Walker 37

Figura 10 : Curva de sobrevida de ratos com tumor de Walker 39 Figura 11 : Curva de sobrevida de ratos com tumor de Walker

tratados com 5-FU

42

LISTA DE TABELAS

PAGINA

Tabela 1 : Sistema de Estadiamento de Okuda 06

Tabela 2 : Estadiamento do tumor hepático 07

Tabela 3 : Resultado da ressecção cirúrgica para metástase de câncer coloretal

09

Tabela 4 : Resultados da quimioembolização hepática 18

Tabela 5 : Resultado da sobrevida após inoculação células tumoral.

(13)
(14)

1.1.Câncer

No Brasil, o câncer ocupou o segundo lugar em causa de morte em

2000. As neoplasias foram responsáveis por 12,7% dos óbitos no Brasil.

Os dados epidemiológicos disponíveis atualmente no Brasil, configuram o

câncer como problema de saúde pública (Brasil, Ministério da saúde,

2000 ). O aumento da urbanização principalmente em centros mais

industrializados propicia a exposição da população a maior quantidade de

carcinógenos, além do que, as tendências demográficas mostram que

teremos uma população mais idosa que sofre mais de doenças

degenerativas.

O câncer do fígado é a sétima maior causa de morte por câncer no

mundo, com uma incidência estimada de 300.000 – 1000.000 novos

casos por ano. Apresenta altas taxas de incidência na China ( 23 a

150/100.000 hab.), Japão ( 2 a 20/100.000 hab.) e países do sul da Ásia

e na África (Bosch e col., 1999 ). O fígado é também sede freqüente de

metástase de tumores do trato gastrointestinal e de outros locais, sua

falência é uma das principais causas de morte na doença neoplásica.

O conhecimento da carcinogênese e dos fatores de risco são de

grande importância para a prevenção e para o tratamento precoce do

câncer. Os avanços nos setores de diagnóstico e na terapêutica em

estágios iniciais possibilitaram a cura de diversos pacientes, porém o

tratamento das lesões mais avançadas ainda é um desafio. Novas

modalidades terapêuticas vem surgindo ou sendo aperfeiçoadas, e são

(15)

1.2.Tumor hepático

1.2.1. Tumor hepático primário

O Carcinoma hepatocelular é um dos tumores malignos mais

freqüentes no mundo. Infecções virais crônicas por hepatite B e C, cirrose

alcóolica, aflatoxinas e esteróides sexuais são fatores de riscos

reconhecidos na carcinogênese destes tumores ( Johnson, 1996). Países

que apresentam endemia de hepatite viral tipo B, como os países

orientais e africanos, apresentam também as maiores incidências de

carcinoma hepatocelular. Em países da África e Ásia o carcinoma

hepatocelular também está relacionado com a contaminação de aroz e

grãos por aflatoxina, uma toxina produzida pelo Aspergillus flavius, o qual

se acredita causar efeito carcinogênico no fígado ( Enwonwu, 1984).

Apesar das evidências demonstrarem que os vírus da hepatite são

causadores do carcinoma hepatocelular, os mecanismos patogênicos

ainda não estão completamente esclarecidos. A prevalência do antígeno

de superfície da hepatite B ( HbsAg ) e anticorpos da hepatite viral C

( anti-HVC ) em pacientes com carcinoma hepatocelular na China é de

63,2% e 11,2% respectivamente ( Tang, e col., 2001). A hepatite crônica

causa lesão aos hepatócitos com hiperplasia regenerativa, expondo as

células a maiores riscos de mutação. O aumento da expressão do

citocromo p450 pode levar a um aumento da produção de metabólicos

carcinogênicos ( Lau & Lai, 1990) . Alteração na proteína HBx provoca

dano ao controle normal do crescimento celular, induzindo mudanças

progressivas na morfologia dos hepatócitos com formação de adenoma e

carcinoma. ( WANG e col., 1995 ). A ingestão excessiva de álcool está

(16)

por causar cirrose hepática. Cerca de 80% a 90% dos pacientes com

carcinoma hepatocelular apresentam cirrose associada.

A grande maioria dos HCC se instala em portadores de cirrose

hepática, os quais apresentam risco da ordem de 20% de desenvolver o

tumor em cinco anos ( Bruix , 1997 ; Tsukuma, 1993).

O diagnóstico do tumor hepático é realizado através de meios de

imagens como o ultra-som, a tomografia computadorizada e a

ressonância magnética, em combinação com a medida da

alfa-fetoproteina ( AFP ) ( Wands & Blum, 1991). O exame histológico pode

ser realizado com biópsia percutânea, transjugular ou no ato cirúrgico. As

metástases extra-hepáticas ocorrem tardiamente, sendo o mais comum

as metástases para o pulmão e osso. A trombose da veia porta por

invasão direta é a condição mais comum. ( Pentecost, 1993 )

O acompanhamento de pacientes com hepatite viral crônica com

ultra-som e alfa-fetoproteina tem permitido o diagnóstico precoce de

lesões iniciais permitindo o tratamento com chances de cura ( Okuda,

1986). Pacientes com carcinoma hepatocelular tem um prognóstico ruím,

menos de 5% sobrevivem mais de cinco anos após sua descoberta. O

diagnóstico é na maioria dos casos realizado tardiamente,

impossibilitando a ressecção cirúrgica. Assim a média de sobrevida

nestes casos é de quatro a seis meses ( Okuda e col. ,1985 ).

1.2.2.Tumor hepático secundário

O fígado é um sítio freqüente de metástases, principalmente de

(17)

sistema porta, formado pelas veias mesentérica superior e esplênica, que

por sua vez é recebe ramos da veia mesentérica inferior e da veia

gástrica esquerda ( Bierman e col., 1951; Healy e col., 1965 ) .

O acometimento hepático por um tumor secundário é muito mais

comum do que por um tumor primário, chegando a ser vinte vezes mais

freqüente. Os principais sítios primários são cólon, pâncreas, mama,

ovário, reto, estômago, pulmões e rins ( Foster & Lundy, 1981).

Embora a via preferencial de metastatização seja a veia porta, as

metástases hepáticas são supridas quase que exclusivamente através da

artéria hepática. (Bredis & Young, 1954 )

O câncer coloretal é um dos mais freqüentes em todo o mundo, 25%

dos pacientes diagnosticados com câncer coloretal já apresentam

metástase hepática no momento do diagnóstico, e mais de 70% destes

pacientes apresentaram metástase hepática no decorrer de suas vidas.

Quando não tratados precocemente apresentam prognóstico ruim com

sobrevida média de seis meses, e em cinco anos a sobrevida é menor

que 2 % ( Fong e col.,1995).

Algumas características do tumor estão relacionadas com pior

prognóstico, como o número de metástases maior que três e o tamanho

da lesão maior que cinco centímetros, porém o fator mais importante

relacionado com a sobrevida é a presença de doença extra-hepática.

(18)

1.3.Tipos de tratamento

1.3.1.Cirurgia

A cirurgia é a melhor opção de tratamento para o carcinoma

hepático. O tratamento cirúrgico pode ser realizado pela ressecção do

tumor ou através do transplante de fígado, que é indicado em estágios I

e II. A cirurgia apresenta uma taxa de morbidade e mortalidade

considerável apesar das melhorias ocorridas no suporte anestésico,

cirúrgico, e pós-operatório. As taxas de sobrevida com a ressecção

cirúrgica variam de 39% a 51% em três anos e de 25% a 49% em cinco

anos ( Ryu e col., 1997; Lai e col., 1995 ). Porém a ressecção cirúrgica é

indicada em somente 15% a 30% dos casos, isso devido a vários fatores,

dentre os mais importantes está o estadiamento do tumor, que pode ser

feito pelo sistema de Okuda (Tabela 1) ou sistema TNM da International

Union Against Cancer ( Tabela 2 ).

Tabela 1

Sistema de Estadiamento de Okuda

Critérios Parâmetros

Tamanho do tumor * > 5% ( + ) < 5% ( - )

Ascite Detectável ( + ) Não detectável ( - )

Albumina sérica < 3 g/dl ( + ) > 3 mg/dl ( - ) Bilirrubina sérica > 3 mg/dl ( + ) < 3 mg/dl ( - )

* Maior área seccional do tumor / maior área seccional do fígado

Estágio I Zero positivo

Estágio II Um ou dois positivos

Estágio III Três ou quatro positivos

(19)

Com o crescimento silencioso, o diagnóstico é realizado tardiamente.

Grandes tumores ou vários nódulos tumorais impossibilitam a ressecção,

além da proximidade e invasão de vasos e estruturas biliares dificultam o

tratamento cirúrgico Em muitos casos a cirrose compromete a função

hepática e contra-indica a cirurgia de ressecção ( Hanazaki e col., 2001 ).

Tabela 2

Estadiamento do tumor hepático

T1 - Tumor solitário sem invasão vascular .

T2 - Tumor solitário com invasão vascular ou múltiplos tumores menor que 5 cm.

T3 - Múltiplos tumores maior que 5 cm ou tumor envolvendo um ramos maior da veia porta ou veia hepática .

T4 - Tumor(es) com invasão direta de órgãos adjacentes exceto a vesícula biliar ou com perfuração do peritôneo visceral .

T N M

Estágio I T1 N0 M0

Estágio II T2 N0 M0

Estágio III A T3 N0 M0

Estágio III B T4 N0 M0

Estágio III C qualquer T N1 M0 Estágio IV qualquer T Qualquer N M1

American Joint Commite on Cancer : Cancer Staging Manual, Sixth Edition.

A ressecção cirúrgica do carcinoma hepatocelular usualmente se restringe

aos pacientes com lesões solitárias, com função hepática bem preservada

e sem evidência de hipertensão portal (LLOVET,1999). Nessas condições

favoráveis, a sobrevida em cinco anos após a ressecção, pode chegar a

50%. Entretanto, a recorrência tumoral após a ressecção cirúrgica é

invariavelmente elevada, podendo exceder 50% em cinco anos. ( Fried ,

(20)

O achado de metástase hepática, mesmo quando aparentemente

única, proveniente de tumores de mama, pâncreas, estômago, órgãos

pélvicos da mulher e pulmões a ressecção do tumor primário por não

interferir com o prognóstico, diferente do que ocorre com os tumores

coloretais, onde a ressecção da metástase hepática pode melhorar a

sobrevida (Morrow e col.,1982).

A cirurgia é o tratamento com melhores chances de cura nas

metástases hepática do câncer coloretal, porém o tratamento cirúrgico só

é possível em 10% a 25% dos casos (Luna-perez e col., 1998). Os

resultados favoráveis do tratamento cirúrgico são encontrados também

nas grandes ressecções hepáticas com mortalidade peri-operatória de 8%

(Geoghegan e col. 1999). Atualmente, com uma seleção adequada dos

pacientes, a ressecção hepática é o tratamento de escolha para

metástases de câncer colorretal confinadas ao fígado e resulta em

sobrevida que varia de 25% a 40% em várias séries (Fong e col. 1997) (

Tabela 3 ).

A complexidade da ressecção causa importantes perdas de funções

metabólicas e imunológicas que levam as taxas de complicações

operatórias de 25%. Complicações de grande ordem, como insuficiência

hepática (3-8 %), hemorragia (2-5%), fistula biliar (4%), abscesso

perihepático (5-10%), requerem cuidados pós-operatórios intensivos,

devendo assim, serem tratadas em centros especializados. (Iwatsuki &

(21)

Tabela 3

Resultado da ressecção cirúrgica para metástase de câncer coloretal Estudo No. pacientes Mortalidade operatória (%) Sobrevida 1 ano (%) 3 anos (%) 5 anos (%) Média (Meses)

Adson e col.(1984) 141 2 82 40 25 24

Hughes e col.(1986) 607 - - - 33

-Sclag e col. (1990) 122 4 85 40 30 32

Doci e col.(1991) 100 5 - - 30 28

Scheele e col.

(1991)

219 6 - - 39

-Rosen e col. (1992) 280 4 84 47 25 34

Tabela 3 :FONG, Y., BLUMGART, L., COHEN, A . Ca Cancer J Clin 1995; 45: 50-62

O transplante ortotópico do fígado (TOF) para tratamento do

hapatocarcinoma esta indicado em pacientes selecionados. Os tumores

em estágio avançado não apresentam benefícios com o transplante

hepático, apresentam altas taxas de recidiva e mortalidade precoce

(Iwatsuki, 1985).

Assim o transplante de fígado deve ser somente recomendado em

pacientes com impossibilidade de ressecção cirúrgica ou com insuficiência

hepática progressiva. O transplante hepático é indicado em pacientes

cirróticos com tumores solitários com diâmetro <5 cm ou até 3 lesões de

diâmetro <3 cm cada e sem evidência de invasão vascular ou

disseminação extra-hepática. A taxa de recorrência é baixa, variando de

3% a 8% em 3 anos, e os índices de sobrevida de 75% em 4 anos são

muito semelhantes aos encontrados nos pacientes sem carcinoma

(22)

1.3.2.Quimioterapia

A quimioterapia sistêmica tem apresentado resultados

desapontadores no tumor primário do fígado e alguns tumores

metastáticos para o fígado. Drogas quimioterápicas, como agentes

alquilantes, antimetabólitos, plantas alcalóides, antibióticos antitumorais,

e antracíclicos têm sido extensivamente estudados para o combate do

carcinoma hepatocelular. Entre os muitos agentes estudados a

doxorubicina, 5-fluorouracil, mitomicina, e cisplatina apresentam

atividade antineoplásica limitada. Na maioria dos casos a taxa de

resposta usando estes agentes são menores que 20%, a sobrevida média

é comparável com pacientes não tratados. ( Moore, D. e col., 1993 ).

A doxorubicina é o agente mais comumente utilizado no tratamento

do carcinoma hepatocelular, resposta de 10% -13% são relatadas, com

sobrevida média de 3 a 6 meses. Análogos como o mitoxantrone também

foi utilizado com os mesmos resultados. Pobres resultados também foram

reportados com uso do idarubicin, epirubicin e esorubicin (Chlebowski e

col., 1984 ; Sciarrino, E. e col , 1985 ).

A cisplatina foi utilizada na terapia do carcinoma hepatocelular pelo

Southeastern Cancer Study Group e o Eastern Cooperative Oncology

group não apresentando bons resultados, assim como a etoposide,

neocarzinostatin, diclorometotrexate ( Ravry, M.J. e col. 1986; Falkson,

G. e col. 1987 ).

A utilização de terapias alternativas como a hormonal também foi

investigada, com uso do tamoxifen, acetato de megestrol e acetato de

(23)

mostrado pequena atividade contra o carcinoma hepatocelular. (Gerard,

B. e col, 2004 ; Colleoni, M. e col. 1994)

1.3.3.Ablação química percutânea

O tratamento percutâneo de ablação é um procedimento

minimamente invasivo que usa substâncias químicas, como o álcool e o

ácido ascético. A alcoolização percutânea causa destruição do tumor por

promover a desidratação e desnaturação das proteínas, além de ter um

efeito trombótico na vascularização do tumor ( Bartolozzi, 1996). É um

tratamento seguro, efetivo e barato. A principio era usado em tumores

volumosos com resultados limitados devido a não difusão do álcool na

massa tumoral com permanência de tumor residual na periferia da lesão

( Vilana, 1992). Com aumento da experiência passou-se a utilizá-lo em

tumores menores e com melhores resultados. A alcoolização percutânea

em hapatocarcinoma menores que 3 cm teve uma resposta completa em

70% e sobrevida em 5 anos de 50% (LIVRAGHI, 1995 )

1.3.4.Radiofreqüência

A radiofrequência é um tratamento alternativo para pacientes com

tumor primário ou secundário do fígado, com lesões únicas ou múltiplas.

Utilizando-se da hipertermia para causar destruição do tumor por

desnaturação das proteínas intracelulares e fusão da bicamada

fosfolipídica, resultando na morte direta das células tumorais ( Rossi e

col., 1990 )

A ablação por radiofreqüência utiliza corrente alternada que é

(24)

estimulação iônica induzida pela corrente em tecidos circunjacentes

produz um gradual aquecimento friccional elevando a temperatura

tecidual de 80o a 100o C, que resulta em necrose coagulativa dos tecidos

próximos ao eletrodo (Rhim e col., 1999 ).

O procedimento é geralmente realizado sob sedação endovenosa,

uma agulha é introduzida por via percutânea no fígado, guiada por meio

de ultra-som ou tomografia computadorizada, e posicionada dentro da

lesão. Um gerador promove energia na ponta da agulha, monitoriza-se a

temperatura e a impedância. O procedimento é rápido e muitas vezes

não necessita de hospitalização.

Os dados ainda são precoces para permitirem conclusões sobre o

método, com pequenas casuísticas e curto período de acompanhamento.

Livraghi e colaboradores (1997) trataram 11 pacientes com 17

metástases, obtiveram resposta completa em 12 lesões (67%) e resposta

parcial em 6 (33%) após 6 meses do tratamento, porém não

apresentaram resultados a longo prazo. Solbiati e colaboradores ( 1998)

apresentaram resultados em 52 pacientes com total de 101 metástases

hepáticas. A taxa de sobrevida foi de 92% em 1 ano, 56% em 2 anos e

32% em 3 anos.

1.3.5.Quimioembolização

O tratamento de tumores hepáticos através de administração

seletiva intra-arterial de substâncias embólicas e quimioterápicos foi

primeiro usado no Japão ha cerca de vinte anos ( Yamada e col., 1983 ).

Aproximadamente um terço do fluxo sangüíneo hepático provem da

(25)

oxigênio requerido pelo fígado é transportado pela veia porta ( Bierman e

col., 1951 ). Devido a dupla irrigação sangüínea do fígado, através do

sistema porta e da artéria hepática, a interrupção do fluxo sangüíneo por

embolização seletiva da artéria hepática que nutri o tumor não traz

conseqüências graves a função hepática, a não ser que haja obstrução da

veia porta ou a função hepática esteja comprometida ( Hatanaka e col.

1995 ).

O hepatocarcinoma geralmente recebe suprimento sangüíneo quase

que exclusivamente da artéria hepática, razão porque a desarterialização

hepática destrói o tumor mais seletivamente do que o parênquima

hepático normal. Wang e colaboradores (1994) demonstraram em

modelo experimental em ratos com tumor de Walker que o fluxo

sangüíneo portal contribui para a circulação do tumor em 16% quando o

tumor é pequeno ( < 30 g ) e decresce para 4% em tumores maiores, a

irrigação do tumor era realizada principalmente pela artéria hepática,

ocorrendo acentuada diminuição do fluxo no centro do tumor com a

desarterialização.

A quimioembolização é realizada em sala apropriada com

intensificador de imagem com programa para realizar angiografia com

subtração digital; por técnicas de punção percutânea da artéria

( Seldinger, 1953 ) introduz o cateter no sistema arterial até a artéria

hepática, e por cateterização seletiva é identificado o vaso que irriga o

tumor ( Fig. 1 ). O tumor é então irrigado com drogas antitumorais ,

emulsão de óleo da papoula com iodo e partículas para obstrução dos

(26)

Fig. 1 : Arteriografia hepática pré-embolização. (Zarur, J.M., 2003)

(27)

A injeção de óleo da papoula como meio de contraste e veículo para

diluição do agente quimioterápico tornou o método mais popular e com

melhores resultados. Consiste em um composto de monoiodo etil ester de

ácido gorduroso, contendo 480 mg/ml de iodo .

Quando o óleo etiodado é injetado na artéria hepática há uma

concentração seletiva nos vasos do tumor, e sinusóides peritumoral por

longo período. Isto acontece por mecanismo de retenção no sistema

reticuloendotelial, adesão a membrana celular e aprisionamento

microvascular ( Nakakuma, e col., 1983 ; Nakajo, e col., 1998 ). Utilizado

em combinação com drogas antineoplásicas com a finalidade de reter a

droga no tumor, é empregado também para realização de diagnósticos de

pequenos nódulos hepáticos, diferenciação entre câncer, nódulos

hiperplásticos e hemangioma, aumentando a sensibilidade da tomografia

computadorizada ( Yumoto, e col., 1985 ).

O uso do óleo etiodado é utilizado para aumentar a sensibilidade de

meios diagnósticos como a tomografia computadorizada ( Fig. 3 ), que

detecta nódulos com menos de 1cm; a tomografia computadorizada com

óleo etiodado apresenta a maior sensibilidade ( 83%- 95% ) dentre os

(28)

Fig.3:Tumor neuroendócrino. Pré-quimioembolização.(Zarur,J.M. ;2003)

(29)

Estudos experimentais e clínicos realizados por Nakakuma e

colaboradores (1989 ) demostram a concentração do óleo etiodado no

tumor após três dias.

Em um estudo realizado por Raoul e colaboradores ( 1992 ) a

doxorubicina marcada com tecnécio diluída em diferentes soluções e

injetada intra-arterial demostrou maior permanência da droga ao nível

do tumor quando se realizava emulsão com óleo etiodado e menor nível

da droga no sangue circulante, diminuindo o pico de concentração sem

no entanto modificar a biodisponibilidade da doxorubicina. Surgindo

assim vários benefícios na terapia, como a redução da cardiotoxicidade

que está relacionada com concentrações elevadas da droga no plasma. A

biodistribuição é otimizada ao nível do tumor, demostrou que após 3

horas após a infusão 40% da doxorubicina ainda permanecia no fígado o

que não ocorria sem o uso do óleo etiodado.

Várias drogas são utilizadas na quimioembolização, como medicação

única ou em combinação de duas ou três drogas. As mais utilizadas são

cisplatina (Ngan, 1996 ), doxorubicina, mitomicina e mais recentemente

irinotecan ( Sciarrino, e col., 1985; Solomon, e col.,1999).

A desvascularização seletiva dos vasos nutridores do tumor é

realizado com a utilização de substâncias embolizantes, entre as mais

utilizadas estão partículas de gelfoan e polivinil álcool ( PVA) . As

substâncias embolizantes melhoram a eficácia da quimioterapia por

lentificar o fluxo sangüíneo no tumor e por induzir hipóxia das células.

( Wei-jian e col., 2002 )

A embolização pode causar reações adversas e complicações; a

síndrome pós-embolização ocorre na maioria dos pacientes e é bem

(30)

ser um método invasivo pode ocorrer complicações referentes a

possibilidade de não acerto ao local desejado causando colecistite

isquêmica, infarto esplênico, lesão da mucosa gastrointestinal, embolia

pulmonar, ou ainda complicações infecciosas decorrente da necrose

podendo causar abscesso hepático; em pacientes com função hepática

ruim pode precipitar a falência hepática. (Leung e col., 2001 )

Os resultados da quimioembolização são questionados e

controversos, na maioria utilizada em pacientes com grandes tumores e

estágios avançados não tem aumentado a expectativa de vida. Porém em

pacientes selecionados e associados com outras modalidades de

tratamento apresenta benefícios ( Tabela 4 ).

Tabela 4

Resultados da quimioembolização hepática

Estudo Tumor No. pacientes Sobrevida

Média (meses) 1 ano (%) 3 anos (%) 5 anos (%)

Tung-Ping e col(2000) HCC 484 - 49 23 17

Ryu e col. (1997) HCC 1067 - - 26 9,4

Hatanaka e col. (1995) HCC 138 83.3 41.7 27.1

Kamada e col (2001) HCC 108 24 81 41 19

Kim e col (2002) HCC 253 28,6 75 50

-Bronowicki e col(1994 ) HCC 127 18 64 27

-Solomon e col (1999) HCC 38 20 60 16

Rajan e colaboradores (2001) realizaram quimioembolização em

metástase de sarcomas para o fígado em 16 pacientes com sobrevida de

81% em 1 ano, 54% em 2 anos e 40% em 3 anos. Mavligit e

(31)

cisplatina e vinblastina, em 14 pacientes com leiomiosarcoma

gastrointestinal com metástases para o fígado com regressão significativa

do tumor ( > 50% ) em 10 pacientes ( 70% ).

Estudo randomizado realizado por Rougier e colaboradores ( 1992 )

em pacientes com metástases inressecáveis de carcinoma coloretal

comparou o tratamento com floxuridine por infusão arterial hepática com

o tratamento sistêmico com fluorouracil em 166 pacientes, mostrou

melhora da sobrevida no grupo com infusão intra-arterial , 64% versos

44% em 1 ano e de 23% versos 13% em 2 anos .

Stokes e colaboradores ( 1993) realizaram quimioembolização para

metástases hepática de tumor neuroendócrino e obtiveram decréscimo do

(32)

1.4.Modelos experimentais de metástase hepática

Modelos experimentais tem sido idealizados para compreensão dos

fatores carcinogênicos, da oncogênese e para avaliar métodos

diagnósticos e terapêuticos.

Modelos de camundongos expostos a aflatoxina B1 causaram

mutação nos cromossomos 249 do gene supressor tumoral p53 causando

tumor hepático. Em ratos a alimentação com N-dietilnitrosamina causa

tumor hepático ( Pavone e col. 1989)

A realização de um modelo experimental através da inoculação de

células tumorais em suspensão no parênquima do baço de camundongos

demostrou serem de boa eficiência e facilidade. Após a inoculação as

células migram através do sistema porta para o fígado ocorrendo

crescimento tumoral, o baço é extirpado após alguns minutos da

inoculação. (Lafreniere e col., 1986 ) .

De forma semelhante modelos experimentais de implantes no fígado

foram desenvolvidos pela inoculação de células tumorais na veia iliocólica

de camundongos, através da exteriorização do ceco. Os implantes

tumorais eram encontrados a partir do 11o. dia e apresentavam sobrevida

média de 53,3 dias. (Goldrosen , 1986 )

Diferentes tipos de células tumorais foram utilizados para implantes

no fígado de camundongos, ratos e coelhos. Tumores de diferentes locais

e histologia podem ser transplantados para o fígado, assim modelos de

(33)

do pulmão, células de Novikoff em ratos Sprague-Dawley, Morris

Hepatoma 3924A, células de carcinoma do colon DHD K 12. 9 ( Chen e

col., 1989; Gutt e col. 2000; Kopper e col., 1982 )

O carcinoma VX-2 é amplamente utilizado em modelo de tumor

hapático em coelhos. Mantido em implantes no peritôneo, as células são

colhidas e implantadas no fígado. O crescimento tumoral ocorre com

freqüência e em tempo curto, o tumor permanece localizado e apresenta

metástases somente a longo prazo. (Thorstensen . , 1994 )

A utilização de células do tumor carcinosarcoma de Walker para

modelo experimental de tumor no fígado já foi utilizado por outros

autores, os implantes são realizados por inoculação direta no fígado na

forma de solução com suspensão de células ou implante de fragmento

sólidos dentro do parênquima hepático, a inoculação através da veia

esplênica e veia mesentérica também foram realizados com sucesso

(Yang e col., 1992 ; Murphy e col., 1991).

Os modelos de implantes no fígado são de grande utilidade para

avaliação de métodos de diagnóstico por imagem, principalmente a

ressonância magnética que tem boa acurácia na detecção de pequenos

nódulos hepáticos. (Chen, 1989) A ressonância magnética foi capaz de

detectar nódulos de até 1mm de diâmetro e realizar cálculo de volumetria

do tumor em modelo animal com precisão, e assim realizar uma curva de

crescimento tumoral . (Qin , 1992 )

A embolização de tumor no fígado, idealizado experimentalmente

com implante de células de Novikoff em ratos Sprague-Dawley, foi

(34)

marcados com fluorescência infundidas na artéria hepática . Após exame

por microscopia de fluorescência foi observado que partículas menores

que 40 micras eram encontrados em outros órgãos como o pulmão e

baço, e não causavam completa embolização, porém as partículas de 40

micras permaneciam no sistema capilar próximo do tumor e não

migravam para outros órgãos. (Bastian e col., 1998)

Modelos de quimioembolização foram realizados para avaliar a

eficácia do método, utilizando ratos e coelhos. O tumor de Walker provou

ser um bom modelo por reproduzir características comuns ao carcinoma

hepatocelular em humanos, como o crescimento rápido e restrito ao

fígado e por apresentar grande neovascularização com nutrição

proveniente dos vasos arteriais hepáticos (Li e col., 2002 ).

Modelos experimentais de tumor de Walker no fígado foram

desenvolvidos para avaliar a ação de agentes inibidores de angiogênese

TNP-470 administrados via artéria hepática, os resultados indicam

remarcada ação antitumoral. (Yanai e col., 1994 ).

O bloqueio da artéria hepática através de sua ligadura em modelo de

carciosarcoma de Walker em ratos foi utilizado para avaliar a influência

sobre o fator de crescimento vascular endotelial (VEGF) e a matrix

metalloproteinase-1 (MMP-1), ocorrendo decréscimo da perfusão e

causando hipóxia, com aumento do VEGF; podendo ser um fator

estimulador de metástase. (Guo e col., 2002 )

O uso de citocinas imunomoduladoras como o fator de necrose

tumoral alfa (TNF- alfa ) exibe ação antitumoral em vários modelos

experimentais, porém sua aplicação sistêmica causa toxicidade que limita

(35)

crescimento tumoral do adenocarcinoma mamário em ratos foi superior a

(36)
(37)

O objetivo deste estudo é desenvolver um modelo de tumor hepático

com características semelhantes ao carcinoma hepatocelular em

humanos, que seja de fácil reprodução, conhecer sua evolução e suas

características.

Através deste modelo desenvolver um método cirúrgico para realizar

quimioembolização através de artéria hepática, e avaliar a ação

antitumoral do quimioterápico

2.1.Objetivos específicos

• Desenvolver um modelo de tumor hepático em ratos com o carcinossarcoma de Walker.

• Avaliar o crescimento e evolução do tumor carcinossarcoma em fígado de ratos.

• Desenvolver método de infusão de drogas diretamente na artéria hepática de ratos.

(38)
(39)

3.1.

Material cirúrgico

O material cirúrgico e de laboratório utilizados para os experimentos

encontram-se descritos no anexo 1.

3.2.Animais

Foram utilizados para o trabalho ratos Wistar, fêmeas, com peso de

175 g a 325 g. Os animais eram provenientes do biotério central da

Universidade Federais do Ceará (UFC) e mantidos no laboratório de

Oncologia Experimental do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da

UFC, abrigados a 24o C em ciclo luz-escuro de 12 horas e com acesso a

água e alimento ad libitum.

3.3.

Células neoplásicas

O tumor utilizado foi o Carcinossarcoma 256 de Walker, mantido em

laboratório por inoculações intramusculares sucessivas.

O tumor de Walker vem sendo mantido no Laboratório de Oncologia

Experimental da Universidade Federal do Ceará através de transplantes

sucessivos a cada 10 dias, por inoculação via intramuscular na pata

traseira de ratos Wistar. O tumor é retirado dos animais doadores e

colocado em uma placa de Petri contendo 9ml de Ringer com lactato e 1

ml de gentamicina ( 10mg/ml). O tecido é separado de focos necróticos e

triturado em pequenos fragmentos, em seguida colocados em um frasco

(40)

solução é então filtrada em uma peneira de metal e mantida em

temperatura de 4 oC. Colhido 106 células tumorais para nova manutenção

do tumor ou experimentos.

3.4.

Técnica anestésica

Foi utilizado o Hidrato de cloral a 10% na dose 0,1 ml a cada 30

grama de peso. Administrados por via intraperitoneal com agulha, caso

necessário repetia-se 20% da dose inicial.

3.5. Técnica de implante tumoral

Os animais anestesiados eram colocados em decúbito dorsal,

fazia-se uma incisão de 3 cm de comprimento, a fazia-seguir era exposto o lobo

esquerdo do fígado. Com uma seringa de 1 ml e agulha de 27G contendo

a suspensão de células tumorais, estas eram implantadas diretamente no

parênquima do lobo esquerdo do fígado a uma profundidade de 0,5 cm(

Fig. 5 ). Realizado a hemostasia por compressão, quando necessária,

realizava-se o fechamento da cavidade abdominal em plano único com

sutura contínua com nylon 4.0.

Para o implante foram utilizadas três quantidades de células

tumorais, que eram quantificadas através do microscópico óptico. Usado

(41)

Figura 5 : Inoculação do tumor de Walker

3.6.Técnica de cateterismo da artéria hepática

Após a inoculação de células tumorais no fígado dos animais, estes

eram submetidos a novo procedimento cirúrgico, no 6o. dia pós implante,

com abertura da cavidade peritonial, identificava-se o pedículo hepático e

cateterizava-se a artéria hepática com cateter de 0,85mm de diâmetro

(Figura 6 e 7 ), era então infundido a solução. Após, realizava-se retirada

do cateter e sutura do orifício de entrada com fio cirúrgico prolene 7.0 e

fechamento da cavidade abdominal.

(42)

3.7.Fases experimentais

Utilizado 88 ratos Wistar fêmeas, com peso que variou de 175 g a

325 g com peso médio de 240,55 gramas , foram divididos em três fases

experimentais. O primeiro experimento (n = 09), foi idealizado para

avaliar o freqüência de desenvolvimento do tumor. O segundo

experimento (n = 40) avaliou-se o crescimento tumoral e a sobrevida dos

animais e o terceiro experimento (n = 39 ) foi realizado para comparar e

avaliar a ação do quimioterápico infundido intra-arterial seguido da

embolização hepática.

(43)

3.7.1. Experimento 1 : Estabelecer o número de células do

implante tumoral e a velocidade de crescimento tumoral

Este experimento teve a finalidade de avaliar a pega tumoral com

diferentes quantidades de células tumorais. Foram utilizados nove

animais, divididos aleatoriamente em três grupos com três animais em

cada grupo, que receberam respectivamente, por inoculação direta no

lobo esquerdo do fígado, 1 x 105 células tumorais, 2 x 105 células e 3 x

105 células.

Após o sexto dia do implante os animais eram sacrificados e

necropsiados, realizado abertura e inventário da cavidade abdominal com

retirada do fígado e tecidos que poderiam estar comprometidos pelo

tumor. Realizava-se medidas da massa tumoral em seus dois diâmetros

com um paquímetro e cálculo do volume do tumor em cm3 ( D2xd/3 ),

após fixação com formol tamponado à 10% realizava-se cortes para

exame histopatológico.

Cálculo do volume tumoral : D2xd/3

*D – diâmetro maior

(44)

3.7.2.Experimento 2 : Estabelecimento da sobrevida dos

animais

Este experimento também foi dividido em três grupos (n = 40) os

quais foram implantados no lobo esquerdo do fígado 1 x 105 células

tumorais ( n = 13 ), 2 x 105 células ( n = 15 ) e 3 x 105 células (n = 12 )

respectivamente. Mantidos no biotério e acompanhados até as suas

mortes. Logo após suas mortes, realizava-se necropsia com abertura da

cavidade abdominal inventário dos órgãos e retirava-se o fígado e tecidos

que poderiam estar comprometidos pelo tumor, e ainda realizava-se

medidas dos diâmetros do tumor com um paquímetro e exame

histopatológico.

Este experimento tem como objetivo avaliar a sobrevida dos animais

com as diferentes quantidades de células neoplásicas e o crescimento

tumoral.

3.7.3. Experimento 3 : avaliação da quimioembolização

Administração de solução salina por via intra-arterial

O grupo controle foi criado utilizando doze ratos que foram

inoculados no lóbulo esquerdo do fígado com 1x 105 células tumorais pela

técnica já descrita, no sexto dia após a inoculação os animais eram

submetidos a novo ato operatório sob anestesia com hidrato de cloral,

com abertura da cavidade abdominal, identificava-se a artéria hepática e

com uma seringa contendo 1ml de solução salina e um cateter de 0,85

mm de diâmetro cateterizava-se a artéria hepática e infudia-se a solução

(45)

com fio cirúrgico prolene 7.0. Após sutura da cavidade abdominal, eram

mantidos no biotério até a suas mortes. Os animais que morreram no

ato operatório ou com 24 horas do procedimento eram retirados do

grupo. Após suas mortes, os animais eram necropsiados e colhidos

tecidos para exames histopatológico.

Administração do quimioterápico 5-Fluorouracil por via peritoneal

Nesta etapa do experimento criou-se um grupo para avaliar o efeito

anti-tumoral do 5-Fluorouracil por via intra-peritoneal. Foram utilizadas

12 ratas fêmeas, com peso de 210 a 325 g, que foram implantados 100 x

103 células tumorais no lobo esquerdo do fígado. No sexto dia

administrava-se 5-Fluorouracil intra-peritoneal da dose de 130 mg/massa

corporal (m2), onde a massa corporal é calculada pela fórmula seguinte

( Wernicke, 1949):

Superfície corporal (m2 ) = 0.01672 √peso (kg ) X Altura ( cm )

Os animais eram então seguidos até suas mortes naturais para

avaliar suas sobrevidas, após o óbito eram realizados necropsia e exames

histopatológico.

Administração do quimioterápico 5-Fluorouracil por via

intra-arterial e embolização hepática

O terceiro grupo, com quinze ratas, foi inoculado com 1x 105 células

tumorais no lóbulo esquerdo do fígado, pela técnica já descrita. No sexto

(46)

sob anestesia com hidrato de cloral, com abertura da cavidade

abdominal, identificava-se a artéria hepática e com uma seringa e um

cateter de 0,85 mm de diâmetro cateterizava-se a artéria hepática ( Fig.

6 e fig. 7 ) e infundia-se o líquido com 5-Fluorouracil na dose de 130

mg/superfície corporal (m2), juntamente com 200mg/kg de partículas de

polivinil álcool (PVA) de 50 micras de diâmetro. Logo após realizava-se

sutura do orifício de entrada do cateter com fio cirúrgico prolene 7.0.

Suturado da cavidade abdominal com nylon 4.0. Após recuperação

anestésica eram mantidos no biotério até a suas mortes. Os animais que

tiveram óbito no ato operatório ou com 24 horas do procedimento eram

retirados do grupo. Após suas mortes eram necropsiados e colhidos

tecidos para exames histopatológico.

3.8.Análise estatística

As taxas de sobrevida foram calculadas pelo teste de Kaplan-Meier e

a diferença de sobrevida entre os grupos pelo teste de Log-Rank. Os

dados foram analisados pelo programa estatístico StatView em um

computador pessoal, sendo os valores de p < 0,05 considerados

(47)
(48)

4.1 Resultados da técnica do implante tumoral

A técnica de implante tumoral é de fácil execução, o uso do hidrato

de coral por via peritoneal propiciou um bom tempo anestésico com boa

sedação, facilitando o manuseio do animal, assim tivemos poucos óbitos

decorrentes do ato anestésico.

No primeiro experimento foi realizado o implante de células tumorais

com objetivo de avaliar a pega do tumor utilizando nove animais

divididos em grupos de três animais, foram infundidos com 1x 105, 2x105

e 3x105 células respectivamente. No sexto dia foi realizado o sacrifício

dos animais com abertura da cavidade abdominal e torácica. Encontrado

nódulo tumoral em todos os nove animais (100%), circunscrito ao lóbulo

esquerdo do fígado, de coloração clara e consistência endurecida, com

diâmetros maiores variando de 0,7 a 1,2 cm e volume médio de 0,165

cm3. Não foi encontrado ascite, implantes no peritôneo ou tumor no

tórax.

Realizado exame histopatológico com coloração de

hematoxilina-eosina em todos os animais (Fig. 8 e 9 ), encontrado células do tumor de

Walker agrupadas irregularmente, com hipercromatose e pleomorfismo,

apresentando hipervascularização e em alguns casos a presença de

(49)

Fig. 8 : Cél. de Walker no Fígado . Aumento 100x

(50)

Índice de pega tumoral

O índice de pega tumoral foi de 100% para todos os grupos que

foram inoculados com o carsinossarcoma de Walker.

4. 2. Crescimento tumoral e sobrevida dos animais

O segundo experimento realizado com 40 animais que foram

divididos em três grupos, teve a finalidade de avaliar a evolução do

tumor e a sobrevida dos animais, assim cada grupo foi inoculado com

1x105( grupo Ia ), 2x105 ( grupo IIa )e 3x105 células tumorais ( grupo

IIIa ) respectivamente, e acompanhados até suas mortes. Após o óbito

realizou-se a necropsia e microscopia das lesões tumorais. Realizado

medidas manual do tumor com utilização de um paquímetro (diâmetros

maior e menor) e o volume dos tumores calculado em cm3 ( Dxd2 /2 )

No grupo IA a sobrevida variou de nove a quinze dias, com média

de 10,23 dias, não ocorreu modificações significativas no peso dos

animais. Realizado a necropsia e encontrado o tumor restrito ao lóbulo

esquerdo do fígado, em 5 animais havia implantes tumorais por

contiguidade em estruturas vizinhas e 3 animais apresentavam ascite. O

(51)

No grupo IIA a vida média foi de 9,73 dias com variação de 9 a 11

dias, não ocorreu variação no peso dos animais. Com a morte dos

animais realizou-se a necropsia sendo encontrado tumor no lóbulo

esquerdo do fígado em todos os animais, invasão de estruturas vizinhas

em 8 animais e ascite em 3. O volume do tumor foi em média de 0,158

cm3. A microscopia confirmou a presença do tumor nas amostras

colhidas.

O grupo IIIA apresentou sobrevida média de 9,917 dias, com

variação de 7 a 14 dias. Também não apresentou variação no peso. Na

necropsia o tumor também era restrito ao lóbulo esquerdo do fígado, com

invasão de estruturas vizinhas em 5 casos e presença de ascite em 4

casos. O volume do tumor em média foi de 0,1854 cm3.

Grupos Qt.

Células

N Sobrevida

média (dias)

Volume Tumor(cm3

)

Achados

Grupo IA 1x105 13 10,23 (9-15) 0,1773 3 ascite

5 invasão contigüidade Grupo IIA 2x105 15 9,73 (9-11) 0,1588 3 ascite

8 invasão contigüidade Grupo IIIA 3x105 12 9,917 (7-14) 0,1854 4 ascite

5 invasão contigüidade

(52)

4.3. Análise estatística

Na análise de sobrevida entre os grupos foi verificado que não

ocorreu diferença estatística entre os três grupos ( teste de Log Rank : p

> 0,050 ) de animais que foram inoculados com o tumor de Walker.

(Figura 10 ).

Tempo (dia) 16 14 12 10 8 6 S o b re v id a ( % ) 1,2 1,0 ,8 ,6 ,4 ,2 0,0 -,2 Grupos (experimento) 300000 cel 200000 cel 100000 cel

(53)

4. 4 . Avaliação da quimioembolização.

A realização do terceiro experimento teve como objetivo avaliar a

sobrevida dos animais quando administrado 5- Fluorouracil por via

intra-peritoneal e por via intra-arterial, na artéria hepática, juntamente com

substâncias embolizantes. Foi utilizado um total de trinta e sete animais,

implantado 1x105 células por não haver diferença nas sobrevidas entre os

grupos. No 6º. dia realizava-se o tratamento proposto, devido ao tumor

ainda estar restrito ao fígado neste momento.

Grupo controle

Criado o grupo controle ( Grupo IB ) , consistindo de 12 ratas, que

foi implantado 1x105 células do tumor de Walker no lóbulo esquerdo do

fígado, pela técnica já descrita. No 6o. dia após o implante, foi realizada

nova intervenção cirúrgica com isolamento da artéria hepática e infusão

solução salina intra-arterial. Após o procedimento os animais foram

seguidos até a sua morte. Este grupo teve sobrevida média de 10,58

dias.

Ação do 5-Fluorouracil por via peritoneal .

Foram utilizado 12 ratas fêmeas implantados 1 x 105 células tumorais

no lobo esquerdo do fígado( grupo IIB ) . No sexto dia administrou-se

5-Fluorouracil intra-peritoneal da dose de 130 mg/superfície corporal (m2).

Acompanhado até a suas mortes, neste grupo a sobrevida média foi de

(54)

Ação do 5-Fluorouracil por via intra-arterial

Utilizado 15 ratas fêmeas ( grupo IIIB ) implantados com 1 x 105

células tumorais no lobo esquerdo do fígado. No sexto dia realizou-se

novo procedimento cirúrgico com abertura da cavidade abdominal,

identificado à artéria hepática, cateterizada e injetado 5-Fluorouracil

juntamente com polivinil álcool (PVA), após término do procedimento,

foram acompanhados até a suas mortes.

A sobrevida média do grupo foi de 12,27 dias.

Análise estatística

Realizado estudo comparativo das sobrevidas entre os três grupos

através da análise estatística de Kaplan – Meier e teste de diferença de

sobrevida entre os grupos pelo teste de Log Rank com significância

estatística quando p < 0,05.

O grupo IIB tratado com 5-FU por via peritoneal apresentou curva de

sobrevida maior que o grupo controle com p = 0,0208 .

O grupo IIIB tratado com 5-FU por via intra-arterial e embolização

hepática, a curva de sobrevida foi maior que o grupo controle com p =

0,0063. No estudo comparativo entre o grupo IIB e IIIB não houve

(55)

Survival Functions

Tempo (dia) 16 15 14 13 12 11 10 9 8 S o b re v id a ( % ) 1,2 1,0 ,8 ,6 ,4 ,2 0,0 -,2 Grupos (experimento) 5-FU ia 5-FU ip Infusão salina

Figura 11 : Curva de sobrevida de ratos com tumor de Walker

(56)
(57)

5.1.Estabelecimento de modelo experimental de tumor

hepático com o carcinosarcoma de Walker

O carcinoma hepatocelular apresenta um prognóstico ruim, assim

como as metástases hepáticas. O tratamento com melhores resultados é

a hepatectomia, porém a maioria dos casos são considerados inoperáveis

devido a extensão do tumor no momento do diagnóstico ( Iwatsuki e col.,

1989; Hanazaki e col. , 2001; Geoghegan e col., 1999). Tratamentos

convencionais como a radioterapia e a quimioterapia sistêmica não

apresentam resultados positivos, apesar dos diversos esquemas

terapêuticos utilizados ( Moore e col. 1993).

A quimioembolização trans-arterial desponta como um tratamento

promissor em tumores avançados no fígado. Porém a seleção de

pacientes, as diferentes formas de quimioembolização e a grande

variação de métodos existentes entre os dados da literatura não

permitem uma comparação entre eles, além de não existir trabalhos

randomizados que comprovem a sua eficácia , o que desacredita o

método terapêutico ( Vnook e col., 1990; Ravry e col., 1986).

Para avaliar e estudar o método em um tempo mais curto, sem

expor os pacientes aos riscos e complicações possíveis é necessário um

modelo animal apropriado e reprodutível.

Vários métodos têm sido introduzidos para desenvolver modelos de

tumor intra-hepático. Os pequenos animais como os camundongos, ratos

e coelhos são os mais utilizados devido a facilidade de aquisição e

manutenção em laboratórios experimentais. As induções de tumores com

(58)

tumores mutifocais no fígado, além de um prolongado tempo para o

surgimento dos tumores. O implante de células tumorais tem se

mostrado de grande eficácia, a injeção de células tumorais no sistema

porta , através de veias ilio-cólicas, no baço e diretamente na veia porta

propicia o surgimento de tumor no fígado, porém podem ser encontradas

em diversos segmentos do fígado. O implante de tumor diretamente no

fígado é uma técnica simples, utilizada para diversos tipos de tumores

com bons resultados, causa nódulos uniformes e únicos. Os tumores tipo

hepatoma de Novikoff e carcinoma do cólon DHD K 12 podem ser

reproduzido por essa técnica, porém apresentam necrose central precoce,

metástase sistêmica precoce e são pouco vascularizados, o que não

ocorre com o carcinoma hepático em humanos. ( Yang e col, 1992 )

O implante de células do tumor de Walker no fígado apresenta

comportamento semelhante aos tumores hepáticos em humanos. O

tumor é usualmente hipervascularizado e recebe seu suprimento

sangüíneo quase exclusivamente da artéria hepática ( Li e col., 2002).

Como ocorre com os tumores hepáticos que tem seu suprimento

sangüíneo proveniente primariamente da artéria hepática ( Bierman e

col., 1951; Healy e col., 1965 ). Apesar do tumor de Walker ser bastante

agressivo, ele usualmente causa invasão de estruturas vizinhas,

surgimento de ascite e lesões a distâncias somente em fases avançadas,

assim como o tumor hepático em seres humanos.

No modelo do presente trabalho o implante de células do tumor de

Walker por inoculação direta no parênquima hepático, de forma

semelhante como realizou Silva e colaboradores (2002) em rins de ratos,

não apresentou dificuldades. Após uso de vários tipos de anestésicos, em

fase inicial, foi optado pelo uso do hidrato de cloral por ser de ação rápida

(59)

animais decorrentes da ação anestésica. A abertura da cavidade

abdominal foi realizada através de incisão mediana de 3 cm, com fácil

exposição do lóbulo hepático esquerdo. Entre os animais selecionados

para o estudo não ocorreu infecção ou deiscência da ferida cirúrgica.

A fim de avaliar a pega tumoral, foi realizado sacrifício dos animais

no sexto dia e comprovada a presença do tumor em 100% dos casos. Os

métodos de imagens podem ser utilizados para o acompanhamento do

crescimento tumoral e avaliar a pega tumoral, dentre os métodos de

imagem o que mostra de maior utilidade é a ressonância magnética, por

não causar danos ao animal devido ao uso do contraste e por poder

visualizar nódulos de pequeno diâmetro, infelizmente não podemos

utilizar tal recurso no trabalho.

A ressonância magnética foi utilizada por Geschwind e colaboradores

(2000) para demostrar a eficácia da quimioembolização em modelo

experimental em coelhos com tumor VX2, mostrando áreas de diferentes

difusão entre o parênquima hepático normal, o tumor e áreas de necrose

tumoral nos animais submetidos a quimioembolização. Li e

colaboradores (2002) também utilizaram a ressonância magnética em

ratos com tumor de Walker e demostraram área de hipointensidade

tumoral após a quimioembolização, correspondendo a área de necrose

tumoral, em seu modelo foi demostrada a presença do tumor no oitavo

dia após a inoculação.

Para conhecer o comportamento do tumor foram utilizadas

diferentes quantidades de células para implantes, e acompanhados até

suas mortes. Foi verificado que a sobrevida média entre os três grupos

não apresentou diferença estatística, que foi de 10,23 dias, 9,73 dias e

(60)

cél e 300x103 cél., demostrando a agressividade do tumor de Walker.

Oliveira e colaboradores (1998) usando células do tumor de Walker

implantadas no estômago de ratos, relataram sobrevida média de 13,2

dias. Gomes e colaboradores (2001) também usando células do tumor

de Walker implantadas no pulmão relataram sobrevida média de 10,1

dias.

No presente trabalho o tumor de Walker cresceu como nódulo único,

com invasão de estruturas vizinhas e causando ascite em alguns casos.

Nos cortes histológicos foi observada a irrigação abundante do tumor,

fato comum aos tumores primários do fígado. Estas características e a

facilidade de desenvolvimento tumoral em um tempo precoce fazem

deste tipo de tumor um excelente modelo experimental para pesquisa de

tumor no fígado.

5.2.Avaliação do modelo de quimioembolização trans-arterial

hepática

A quimioembolização combina a embolização da artéria hepática com

a infusão simultânea de uma dose concentrada de drogas

quimioterápicas. Existem vantagens teóricas desta técnica, a embolização

causa isquemia no tumor, privando de nutrientes e oxigênio. A

concentração da droga é maior ao nível do tumor do que a infusão

endovenosa, além do fluxo ser lento devido a embolização, prolongando o

tempo da quimioterapia e reduzindo a toxicidade sistêmica ( Ngan e col,

Imagem

Fig. 1 : Arteriografia hepática pré-embolização. (Zarur, J.M., 2003)
Figura 5 : Inoculação do tumor de Walker
Figura 7 : Infusão intra arterialFigura 6 : Pedículo hepático
Fig. 8 : Cél. de Walker no Fígado . Aumento 100x
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Referências

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