CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE TANGARÁ DA SERRA DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM
NATHALIE MARCELLE DUARTE MESQUITA
ANÁLISE DO ATENDIMENTO E ACOMPANHAMENTO DE PACIENTES HIPERTENSOS NAS UNIDADES DE SAÚDE DE TANGARÁ DA SERRA/MT.
TANGARÁ DA SERRA/MT 2010
NATHALIE MARCELLE DUARTE MESQUITA
ANÁLISE DO ATENDIMENTO E ACOMPANHAMENTO DE PACIENTES HIPERTENSOS NAS UNIDADES DE SAÚDE DE TANGARÁ DA SERRA/MT.
Monografia apresentada ao Departamento de Enfermagem da UNEMAT- Campus de Tangará da Serra, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Enfermagem, pela Universidade do Estado de Mato Grosso, sob orientação da Professora Msc. Cristiane Ferreira Lopes de Araújo.
TANGARÁ DA SERRA/MT 2010
M578A MESQUITA, NATHALIE MARCELLE DUARTE
ANÁLISEDOATENDIMENTOEACOMPANHAMENTODEPACIENTESHIPERTENSOSNAS UNIDADES DE SAÚDE DE TANGARÁ DA SERRA – MT / NATHALIE MARCELLE DUARTE MESQUITA –
TANGARÁDA SERRA [MT], 2010.
38F.: IL.; 21X29,7 CM.
MONOGRAFIA (TRABALHODE CONCLUSÃODE CURSO) UNIVERSIDADEDO ESTADODE MATO
GROSSO, CAMPUSDE TANGARÁDA SERRA, CURSODE ENFERMAGEM.
ORIENTADORA: M.SC. CRISTIANE FERREIRA LOPESDE ARAÚJO
CO-ORIENTADORA: FERNANDA LUIZADE MATTOS SILVESTRE
1. HIPERTENSÃO. 2. ATENDIMENTO. 3. USF. I. MESQUITA, N.M.D. II. TÍTULO.
NATHALIE MARCELLE DUARTE MESQUITA
ANÁLISE DO ATENDIMENTO E ACOMPANHAMENTO DOS PACIENTES HIPERTENSOS NAS UNIDADES DE SAÚDE DE TANGARÁ DA SERRA/MT.
Monografia apresentada à Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT, para obtenção do título de Bacharelado em Enfermagem, sob a orientação do Professor Ms.
Cristiane Ferreira Lopes de Araújo.
BANCA EXAMINADORA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
______________________________________________________________________ Professor Ms. Cristiane Ferreira Lopes de Araújo - Orientadora
Universidade do Estado de Mato Grosso - Campus de Tangará da Serra Departamento de Letras
______________________________________________________________________ Profª Enfermeira Fernanda Luiza de Mattos Silvestre – Co-orientadora
Universidade do Estado de Mato Grosso – Campus de Tangará da Serra Departamento de Enfermagem
______________________________________________________________________ Profª Enfermeira Neli Guidotti de Vargas - Examinadora
Universidade do Estado de Mato Grosso – Campus de Tangará da Serra Departamento de Enfermagem
CONCEITO FINAL: ______________________ DATA DE APROVAÇÃO: _____/_____/_____
DEDICATÓRIA
Dedico está monografia Àquele que me criou e com muito amor tem cuidado de mim e minha família sempre, porque como diz Mateus 6, 33: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua
justiça e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo.” O qual nunca deixou de me
amparar por mais difícil que tenha sido alguns trechos dessa longa jornada que se finda, um amor perfeito que não pode ser igualado a nada nesta Terra, amor do qual quanto mais perto fico mais Ele me fortalece.
Ao meu papai Sílvio (in memorian) que não está aqui pra dividir comigo, mas que hoje eu sei que era (é) meu maior fã, que torcia por mim incondicionalmente, que os olhos brilharam quando me viu pela primeira vez vestida para aula de campo no hospital. Pelo apoio, pela alegria, pelos puxões de orelha que me fizeram ser quem eu sou hoje, por sempre enxergar o melhor de mim. Pelo amor que encontrei nele quando eu mais precisava. E por mais que hoje exista ausência física posso sentir que me deu força quando estava fraca, me guiou pela mão quando não podia ver, cuidou de mim nos momentos de dor, foi além de pai, foi meu anjo. Àquela que pra mim é a minha base, é minha força, hoje posso dizer que é tudo o que tenho de mais precioso na minha vida. Mulher de fibra, que é somente coração, que é meu exemplo, minha companheira, minha amiga, minha intercessora. Eu não sei decidir nada sem sua opinião ou aprovação. Que comigo ri, chora e batalha. Que suporta minhas crises existenciais, minha TPM, minha carência e minha revolta, que me ensina a aceitar as controvérsias da vida, quem proporcionou vários dos melhores momentos da minha vida, aquela que por maior que possa ser o meu erro nunca vai me abandonar. A mulher da minha vida, minha mãe Juce muito obrigada por tudo, nada que eu faça ou diga pode representar o meu agradecimento por sua dedicação por mim.
À minha família que me apoiou ao longo dessa jornada, que torceu e acreditou em mim, aqueles que quando precisei estavam de braço abertos para me amparar e me amar, que estiveram ao meu lado em mais uma fase que se completa na minha vida, a qual sem eles não teria sido a mesma.
Aos meus amigos, a família que eu pude escolher que me compreenderam em cada fase desses quatro anos, que me amaram e aceitaram apesar de dois anos de distância, que estiveram ao meu lado na perda do pai, me ajudando a superar a dor, a saudade. Que foram o meu sustento quando eu vacilei, que me entenderam quando o resto do mundo não me
entendia, que me acolheram na minha indecisão e me deram a mão quando estava perdida, aos quais não posso definir pois não tem como definir o amor. Aos meus amigos, bênçãos na minha vida, meus anjos guardiões que eu sei entenderão meu simples e humilde, obrigado. A todos os meus colegas de turma, aos quais se fizeram tão presentes no decorrer desses anos, com os quais chorei, me alegrei, briguei, mas também juntos batalhamos para chegarmos onde estamos hoje como vitoriosos, os quais não podem ser apagados da minha lembrança pois contribuíram e muito para minha formação, levarei cada um em meu coração, pois cada um do seu jeito, da sua maneira conseguiu conquistar meu amor. Em especial quero agradecer a minha amiga e companheira de turma Sílvia Soares que sempre esteve do meu lado a responsável por eu não desistir de tudo, que sempre esteve ali com todo carinho e seu olhar amoroso para me levar pra frente, me ajudando e mostrando que nós iríamos chegar ao fim, por mais que a agente possa se afastar daqui pra frente estarei sempre intercedendo por você, porque você é impossível de se esquecer.
AGRADECIMENTOS
Agradeço a minha orientadora professora Mestre Cristiane Ferreira Lopes de Araujo, pelo seu incentivo, seu carisma, por toda calma e paciência durante a execução deste trabalho.
A professora Mestre Ana Lúcia Andruchak, por não medir esforços para nos orientar no decorrer desses dois semestres, que foram cruciais para nossa turma.
Aos professores que lecionaram no decorrer do curso, esses tiveram uma grande responsabilidade na contribuição da minha formação tanto como ser humano quanto como futura profissional enfermeira. Em especial a professora Enfermeira Fernanda a qual, com seu olhar me deu a segurança que precisava para continuar a caminhada nesta reta final.
RESUMO
A hipertensão atualmente é a mais freqüente doença cardiovascular e o fator de risco mais comum para o acidente vascular cerebral, o infarto agudo do miocárdio e a insuficiência renal crônica, sendo que o número de hipertensos não para de aumentar em pessoas com mais de 40 anos, mas pesquisas revelam que a hipertensão vem acometendo também os adolescentes, apesar da sua freqüência é uma doença de difícil controle por ser na maioria das vezes assintomática e de difícil adesão ao tratamento. Essa pesquisa tem por objetivo analisar o atendimento e acompanhamento dos hipertensos nas Unidades de Saúde da Família (USF) de Tangará da Serra, para isso foi realizada uma pesquisa qualitativa com os enfermeiros das unidades de saúde a fim de examinar como tem ocorrido a assistência aos pacientes hipertensos.
ABSTRACT
Hypertension is currently the most common cardiovascular disease and the most common risk factor for stroke, acute myocardial infarction and chronic renal failure, and the number of hypertensive patients is constantly increasing in people over 40 years, but research shows that hypertension is also affecting adolescents, despite its frequency is a difficult disease to control because it is most often asymptomatic and difficult to adhere to treatment. This research aims at analyzing care and monitoring of hypertension in the Family Health Unit of Tangara da Serra, for this qualitative research was conducted with the nurses of the health units to examine how the assistance has been provided for hypertensive patients.
LISTA DE SIGLAS
ACS Agente Comunitário de Saúde
PSF Programa de Saúde da Família
SIAB Sistema de Informações de Atenção Básica
SUS Sistema Único de Saúde
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Mapa de localização do município de Tangará da Serra (Fonte: PREFEITURA MUNICIPAL DE TANGARÁ DA SERRA, 2009)...21 Figura 2: Número de Cadastros de Hipertensos no HiperDia nos Anos de 2008 e 2009. (Fonte: SISHIPERDIA/ Examinado pelo pesquisador)...25
SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ...13 1.1. Hipertensão...13 1.1.1. Fisiopatologia...15 1.1.2. Manifestações Clínicas...16 1.1.3. Diagnóstico...16 1.1.4. Tratamento...16
1.1.5. Cuidados Para Aferir a Pressão Arterial...17
1.1.6. Classificação...17
1.2. Caracterização do Sus – Sistema Único de Saúde...18
2. METODOLOGIA...21
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO...24
3.1. Atendimento Médico...26
3.2. Atendimento de Enfermagem...27
3.3. Visita do Agente Comunitário de Saúde (ACS)...28
3.4. Cadastros no HIPERDIA...29
3.5. Distribuição dos medicamentos...29
4. CONCLUSÃO...31
5. REFERENCIAIS BIBLIOGRÁFICOS...32
1. INTRODUÇÃO
1.1. Hipertensão
A hipertensão arterial foi clinicamente valorizada com o aparecimento dos primeiros aparelhos de medida, no início do século 20, mas a tecnologia logo foi superada. Em 1905 o russo Korotkoff desenvolveu o método auscultatório de medida indireta da pressão arterial, através do esfigmomanômetro. Antes de 1950 não havia um tratamento medicamentoso efetivo para a hipertensão arterial e o que os clínicos receitavam para combater a hipertensão eram medicamentos inócuos, à base de papaverina, sedativos (fenobarbital ou teobromina) e aminofilina. Naquela época, o único tratamento eficaz era a simpatectomia bilateral ampla, indicada a pacientes com hipertensão maligna ou com fraca insuficiência cardíaca, contudo, a hipertensão retornava em poucos anos, após a operação (LUNA, 2006).
Em 1950, o único tratamento clínico eficaz, a Dieta de Kempner, era receitada pelos melhores clínicos; consistia de 400g diárias de arroz, acompanhada de frutas e açucarados, sendo hipocalória, hipossódica, hipoproteica, insípida e de difícil tolerância, porém, a única medida terapêutica real àquela época. Em 1954 apareceram os produtos à base dos alcalóides da Rauwolfia serpentina e, logo depois, a hidrazina, que tinha muitos efeitos colaterais. Neste mesmo ano apareceu a clorotiazida, grupo que revolucionou o tratamento da hipertensão arterial, e que, permanece até hoje, como a chave da terapia anti-hipertensiva, pois são, quase sempre, bem toleradas, baratas e adequadas ao tratamento (LUNA, 2006).
Em 1963, chegou ao mercado brasileiro a guanetidina, o primeiro antihipertensivo realmente poderoso, porém, com sérias reações colaterais, principalmente na esfera sexual do homem. Neste mesmo ano foi lançada a 26 alfametildopa que, durante muitos anos, dominou o receituário do clínico brasileiro. Em 1965 apareceram os diuréticos de alça, dos quais, a furosemida foi protótipo e, que ainda continua muito usada, principalmente, se houver insuficiência cardíaca ou renal. O início da década de 70 assistiu a chegada de dois importantes grupos de drogas antihipertensivas: os agentes betabloqueadores adrenérgicos e os antagonistas dos canais de cálcio. A princípio ambos não foram indicados para hipertensão (LUNA, 2006).
Em 1973 apareceu a clonidina que, inicialmente, era conhecida como cloridrato de imidazolina, um novo simpaticolítico de ação central, semelhante à alfametildopa (LUNA, 2006).
No início da década de 70, Sérgio Ferreira e sua equipe, em Ribeirão Preto, num fantástico experimento, descobriram que o veneno da jararaca era capaz de intensificar a resposta à bradicinina, mediante o que chamavam de fator de potenciação. O veneno continha um peptídio inibidor da enzima conversora de angiotensina e que, também, evitava a degradação da bradicinina. Após esta descoberta, foram sintetizados vários outros peptídios, dos quais o teprotide, de ação hipotensora, foi o primeiro. Em 1977, Crushman et al chegaram ao captopril, dando início, então, à descoberta de um importante e novo grupo terapêutico para o tratamento da hipertensão arterial que se iniciou, por sinal, no interior do Brasil. Em1976 foi lançado o minoxidil para os tipos graves de hipertensão, um medicamento que tem indicação importante na terapêutica (LUNA, 2006).
A regulação da pressão arterial é uma das funções fisiológicas mais complexas do organismo, que depende de ações integradas dos sistemas cardiovascular, renal, neural e endócrino. A maioria das alterações cardiovasculares provocadas pela Hipertensão é desencadeada por mecanismos compensatórios. A crise hipertensiva designa uma condição de elevação rápida e sintomática da pressão arterial, com risco de deterioração de órgãos-alvo ou da vida em potencial. Constitui-se na emergência clínica mais freqüente nos prontos-socorros e exige ação rápida e com necessidade de internação em terapia intensiva no caso de emergência hipertensiva (BRASIL, 2002).
A hipertensão é a mais freqüente das doenças cardiovasculares, e também é o principal fator de risco para as complicações mais comuns como o acidente vascular cerebral, o infarto agudo do miocárdio e da doença renal crônica (BRASIL, 2006).
No Brasil são cerca de 17 milhões de portadores de hipertensão arterial, 35% da população de 40 anos ou mais. E esse número é crescente; seu aparecimento está cada vez mais precoce e estima-se que cerca de 4% das crianças e adolescentes também sejam portadoras sendo assim é uma preocupação da saúde publica no país e no mundo. O controle da hipertensão é muito baixo devido a falta de adesão somado a parte do curso patológico ser assintomática. Modificações de estilo de vida são de fundamental importância no processo terapêutico e na prevenção da hipertensão. Alimentação adequada, sobretudo quanto ao consumo de sal, controle do peso, prática de atividade física, tabagismo e uso excessivo de álcool são fatores de risco que devem ser adequadamente abordados e controlados, sem o que, mesmo doses progressivas de medicamentos não resultarão alcançar os níveis recomendados de pressão arterial (ibidem).
É considerada hipertensão quando a pressão sistólica é superior a 140 mmHg é uma pressão diastólica maior que 90 mmHg, sendo que a pessoa deve apresentar essas medidas em
duas ou mais mensurações feitas por profissional da saúde (BRUNNER & SUDDARTH, 2005 ).
Em 90% dos casos a causa da hipertensão é desconhecida, porém sabe-se que há uma forte ligação com fatores genéticos. A hipertensão também é considerada um problema de saúde pública devido a duas taxas de mortalidade e morbidade, impacto na qualidade de vida das pessoas, altos custos hospitalares com internações devido às complicações com a doença (FIGUEREDO, 2008).
A hipertensão pode ser dividida em primária e secundária. Ela é considerada primária quando não é conhecida a causa da elevação da pressão arterial, e a secundária é quando a causa da elevação da pressão é conhecida (BRUNNER & SUDDARTH, 2005).
1.1.1. Fisiopatologia
Do ponto de vista fisiopatológico, a Hipertensão é um fenótipo final extremamente complexo, influenciado pelo meio ambiente e por múltiplos sistemas regulatórios redundantes, que participam do controle do débito cardíaco e da resistência vascular periférica. Esse fato sugere haver diferentes mecanismos responsáveis pelo seu espectro sindrômico, estipulando que pessoas do mesmo nível de pressão não necessariamente apresentem as mesmas alterações (BRASIL, 2002).
Embora na maioria dos casos de hipertensão a causa da elevação da pressão arterial é desconhecida, é de conhecimento que a hipertensão é multifatorial. Então para que ela ocorra, deve haver uma alteração em um ou mais fatores que afetam a resistência periférica ou o débito cardíaco (BRUNNER & SUDDARTH, 2005).
Existem várias hipóteses sobre a fisiopatologia da hipertensão associadas ao conceito multifatorial, entendendo que estas hipóteses venham se mostrar corretas futuramente através de pesquisas. A hipertensão pode ter uma ou mais causas a seguir:
- Atividade aumentada do sistema nervoso simpático relacionada com a disfunção do sistema nervoso autônomo.
- Reabsorção renal aumentada de sódio, cloreto e água relacionada com a variação genética na maneira pela qual os rins excretam o sódio.
- Atividade aumentada do sistema renina-angiotensina-aldosterona, resultando em expansão do volume de líquido extracelular e resistência vascular sistêmica aumentada.
- Resistência à ação da insulina, que pode ser um fator comum ligando a hipertensão, diabetes melito tipo 2, hipertrigliceridemia, obesidade e intolerância à glicose.
As alterações estruturais e funcionais no coração e vasos sanguíneos contribuem para aumentos na pressão arterial que acontecem com a idade, o resultado dessas alterações é uma diminuição na elasticidade dos principais vasos sanguíneos (ibidem).
1.1.2. Manifestações Clínicas
Em sua maioria não apresenta sintomas, que só aparecem quando a pressão já está muito elevada, incluem dor no peito, dor de cabeça, tonturas, visão embaçada e sangramento nasal, portanto a doença é assintomática e ao exame físico não revela nenhuma anormalidade (ibidem).
1.1.3. Diagnóstico
Segundo Brunner & Suddarth (2005), para se chegar ao diagnótico de hipertensão necessita-se de um histórico de saúde e exame físico completo, exames laboratoriais (exame de urina, potássio, creatinina, glicemia de jejum, hematócrito, colesterol total, HDL, triglicérides, ECG), ecocardiografia para detectar hipertrofia ventricular esquerda.
1.1.4. Tratamento
O tratamento para hipertensão deve ser escolhido individualmente para cada paciente, sendo que pode ser não medicamentoso ou medicamentoso, os dois devem ser associados, pois somente a medicação mesmo em doses altas não consegue manter o nível da pressão arterial.
O tratamento não medicamentoso consiste na mudança do estilo de vida e aceitação da doença, pois não tem cura, apenas tratamento. Essa mudança no estilo de vida deve ser feita de maneira a manter um peso adequado, uma mudança de hábitos alimentares adotando uma dieta hipossódica rica em frutas, verduras e legumes, evitando alimentos gordurosos. Deve-se praticar atividades físicas regulares e aproveitar os momentos de lazer. Não fazer uso de álcool e fumo.
O tratamento farmacológico é feito com os agentes anti-hipertensivos que podem ser classificados em cinco classes: diuréticos, inibidores adrenérgicos, vasodilatadores diretos, antagonistas do sistema renina-angiotensina e bloqueadores dos canais de cálcio.
Segundo BRASIL (2006), na rede básica de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), existem alguns hipertensivos disponíveis para o tratamento de pacientes que utilizam a rede pública de saúde: diuréticos: hidroclorotiazida (tíazidico), furosemida (de alça); antagonistas adrenérgicos: propranolol; inibidores do Sistema Renina Angiotensina: captopril e enalapril (inibidores da Enzima Conversora da Angiotensina ).
1.1.5. Cuidados Para Aferir a Pressão Arterial
Segundo BRASIL (2006) existem alguns cuidados para aferir a pressão arterial: Repouso de 15 minutos em ambiente calmo e agradável, a bexiga deve estar vazia (urinar antes), após exercícios, álcool, café ou fumo aguardar 30 minutos para medir, o manguito do aparelho de pressão deve estar firme e bem ajustado ao braço e ter a largura de 40% da circunferência do braço,sendo que este deve ser mantido na altura do coração, não falar durante o procedimento, esperar 1 a 2 minutos entre as medidas, manguito especial para crianças e obesos devem ser usados, a posição sentada ou deitada é a recomendada na rotina das medidas.
1.1.6. Classificação
Segundo Nettina (2003) a classificação de hipertensão pode ser dividida em estágios sendo que estes se dividem dependendo do valor da pressão arterial, segundo o quadro abaixo:
Classificação da pressão arterial para adultos com 18 anos de idade ou mais Pressão Arterial (mmHg)
Categoria Sistólica Diastólica
Ótima < 120 E < 80 Normal < 130 E < 85 Normal alta 130 – 139 ou 85 – 89 Hipertensão estágio 1 140 – 159 ou 90 – 99 Hipertensão estágio 2 160 – 179 ou 100 – 109 Hipertensão estágio 3 > 180 ou >110
De acordo com a situação clínica, recomenda-se que as medidas sejam repetidas pelo menos em duas ou mais visitas clínicas.
No Brasil 10 a 15% da população é hipertensa. A maioria das pessoas desconhece que são portadoras de hipertensão.
A hipertensão arterial pode ser sistólica e diastólica (máxima e mínima) ou só sistólica (máxima). A maioria desses indivíduos, 95%, tem hipertensão arterial chamada de essencial ou primária (sem causa) e 5% têm hipertensão arterial secundária a uma causa bem definida.
O achado de hipertensão arterial é elevado nos obesos 20 a 40%, diabéticos 30 a 60%, negros 20 a 30% e idosos 30 a 50%. Nos idosos, quase sempre a hipertensão é só sistólica ou máxima.
1.2. CARACTERIZAÇÃO DO SUS – SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
O Sistema Único de Saúde (SUS) é um conjunto de ações e de serviços de saúde prestados por órgãos e instituições federais, estaduais e municipais ou por entidades a ele vinculadas. Ele é um direito conquistado pela população brasileira e está consolidado pela Lei Federal n. 8.080 (FIGUEIREDO, 2008).
Segundo o mesmo autor o SUS deve garantir atendimento universal, igualitário e integral a todo cidadão brasileiro que dele precisar em qualquer unidade pública de saúde sem que nada seja cobrado, pois o atendimento foi pago pelo cidadão através de suas contribuições.
A Saúde da Família é compreendida como uma estratégia de reorientação do modelo assistencial, que funciona mediante a implantação de equipes multiprofissionais em unidades básicas de saúde. Estas equipes são responsáveis pelo acompanhamento de um número definido de famílias, localizadas em uma área geográfica delimitada. As equipes atuam com ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais freqüentes, e na manutenção da saúde desta comunidade (FIGUEIREDO, 2008).
A estratégia de Saúde da Família é um projeto do SUS, condicionada pela evolução histórica e organização do sistema de saúde no Brasil. A velocidade de expansão do programa comprova a adesão de gestores estaduais e municipais aos seus princípios. Em 1994 teve seu inicio e apresentou um crescimento expressivo nos últimos anos. A consolidação dessa estratégia precisa, entretanto, ser sustentada por um processo que permita a substituição da rede básica de serviços tradicionais no âmbito dos municípios e produção de resultados positivos nos indicadores de saúde e na qualidade de vida da população. A Saúde da Família tem provocado um importante movimento com o intuito de reordenar o modelo de atenção no SUS. Busca maior racionalidade na utilização dos demais níveis assistenciais e tem produzido
resultados positivos nos principais indicadores de saúde das populações assistidas às equipes de saúde da família (FIGUEREDO, 2008).
Dentro das Unidades de Saúde da Família a necessidade de trabalho multiprofissional nos cuidados com a saúde é reconhecida por todos e vem sendo incorporada de forma progressiva na prática do dia a dia. Treinados durante a formação para atuar individualmente, os profissionais de saúde tem dificuldade de colocar limites entre o trabalho de cada membro da equipe, onde este trabalho exige uma autocrítica e coragem para obter resultados esperados. A hipertensão arterial é um excelente modelo de trabalho multiprofissional, por ser uma doença multifatorial que envolve várias orientações, tem seu sucesso quando a abordagem é feita com o apoio de vários profissionais da saúde. (MION JR, 2006).
Segundo Brasil 2000, o Programa de Saúde da Família foi criado para aproximar os serviços de saúde da população, garantindo assim o direito a atenção integral a saúde, dando prioridade as medidas preventivas sem deixar a desejar os serviços assistenciais, tendo em vista o número de dados gerados pelo Programa de Saúde da Família, devido ao aumento da equipe e do número de famílias acompanhadas, os números de dados recolhidos e arquivados manualmente se demonstrava insuficiente para o aproveitamento de dados, por esta razão, foi solicitada ao DATASUS o desenvolvimento de um sistema especial para gerenciamento das informações obtidas nas visitas à comunidade o SIAB – Sistema de Informações de Atenção Básica é a resposta da demanda, pois ele produz relatórios que auxiliam o acompanhamento e avaliação da qualidade dos trabalhos prestados.
Segundo o Ministério da Saúde o Programa HiperDia (Hipertensos e Diabéticos) é destinado ao cadastramento e acompanhamento de portadores de hipertensão arterial e/ou diabetes mellitus atendidos na rede ambulatorial do Sistema Único de Saúde – SUS. Este programa tem como objetivo monitorar os pacientes cadastrados e gerar informações para aquisição, dispensação e distribuição de forma regular e sistemática a todos os pacientes cadastrados pelo HiperDia.
Segundo Figueredo (2008) as Unidades de Saúde da Família tem como ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais freqüentes, e na manutenção da saúde desta comunidade, sendo então ela a principal responsável pela prevenção para que não apareçam novos casos de hipertensão na sua área de abrangência, assim como na prevenção de complicações que a hipertensão possa causar.
A prevenção do aumento de número de hipertensos constitui o meio mais eficiente de combater a hipertensão arterial, evitando-se as dificuldades e o elevado custo social de seu
tratamento e de suas complicações. As medidas preventivas se baseiam na identificação dos grupos de maior risco e nas modificações do estilo de vida (KOHLMANN JR, 1999).
Objetivou-se na presente pesquisa enfatizar a importância de aprofundar os conhecimentos relacionados a hipertensão, pois ainda há muito a ser feito para que se possa melhorar as formas de prevenção e tratamento desta doença. Através desta investigou-se o atendimento e o acompanhamento dos hipertensos nas Unidades de Saúde da Família (USFs), identificando o número de hipertensos e a qualidade do atendimento prestado a esses pacientes.
2. METODOLOGIA
O município de Tangará da Serra (FIGURA 01) está localizado no sudoeste matogrossense, região chamada também de Médio Norte, a 242 km da capital, Cuiabá. Apresenta 11.556 km² de extensão territorial, sendo que 6 124 km² são ocupados por reservas indígenas Paresi (OLIVEIRA, 2004).
Figura 1: Mapa de localização do município de Tangará da Serra (Fonte: PREFEITURA MUNICIPAL DE TANGARÁ DA SERRA, 2009)
O município foi criado pela lei 3 687, no dia 13 de Maio de 1976 e atualmente apresenta 9.514.474,58 m² de área urbana, divididos em 92 loteamentos, sub-divididos em 07 macro-setores. Sua população está estimada em 72 311 habitantes. Apresenta-se entre as coordenadas 14º 04' 38'' S e 57º 03' 45'' W e a 387 metros de altitude, faz limites com os municípios de Campo Novo dos Parecis, Pontes e Lacerda, Barra do Bugres, Nova Olímpia, Santo Afonso, Nova Marilândia, Sapezal, Campos de Júlio, Denise, Diamantino, Reserva do Cabaçal e Conquista d’ Oeste. (PREFEITURA MUNICIPAL DE TANGARÁ DA SERRA, 2006). Esta pesquisa foi realizada no município de Tangará da Serra, com intuito de identificar e analisar o atendimento a hipertensos. As instituições envolvidas nesta pesquisa
são aquelas que dizem respeito à Saúde Pública e Entidades Científicas. Universidade do Estado de Mato Grosso, na qual sou acadêmica de enfermagem, graduanda no 8°semestre.
Para o desenvolvimento desta pesquisa foi utilizada a metodologia de cunho qualitativo que segundo Richardson (1999) são estudos que descrevem problemas, analisam interação de certas variáveis, compreendem e classificam processos dinâmicos vividos por grupos sociais contribuindo no processo de mudança de determinado grupo de pessoas. A coleta de dados da pesquisa foi realizada a partir de entrevista semi-estruturada direta com os enfermeiros responsáveis pelas USFs. O qual foi necessário desenvolver um modelo próprio de investigação, adequado a pesquisa.
Segundo SEVERINO (2002), a entrevista semi-estruturada, em geral parte de certos questionamentos básicos, que se apóiam em teorias e hipóteses que interessam a pesquisa e que oferece um amplo campo de interrogativas, que irão surgindo durante a entrevista semi-estruturada que se caracteriza pela existência de um guia previamente preparado que serve de eixo orientador ao desenvolvimento da mesma, e que não exige uma ordem rígida nas questões, e o desenvolvimento da entrevista irá se adaptando ao entrevistado existindo assim a flexibilidade na exploração das questões. Desta forma o pesquisador pode seguir mais espontaneamente a linha de seus pensamentos e das suas experiências dentro do seu foco principal e terá uma melhor participação na elaboração da mesma.
Este roteiro foi aplicado durante as entrevistas gravadas com os enfermeiros responsáveis pelas USF. Durante a realização da pesquisa foi descoberto que as anotações feitas pelos agentes de saúde são realizadas com base na última verificação da pressão arterial, sendo assim não retratam o estado do paciente no momento da visita, houve dificuldade de acesso a estas anotações, pois os agentes comunitários de saúde precisavam sair para a visita domiciliar levando consigo essa folha de anotação impossibilitando assim a pesquisa com as mesmas. Ocorreu que por problemas administrativos na saúde alguns funcionários acabaram saindo dos seus empregos, houve mudança de enfermeiro e saída de agentes de saúde o que deixou microáreas descobertas e os pacientes dessas áreas sem ter anotações, após encontrar essa dificuldade foi descartada a análise dos registros dos agentes comunitários de saúde.
Durante o projeto de pesquisa foi estabelecido que seriam coletados os dados de 2 USF, mas devido a necessidade de mais informações sobre o funcionamento de diferentes USFs do município foi realizada a pesquisa em 4 USF de bairros distintos, mas devido aos problemas na cidade a atenção saúde, alguns enfermeiros estão desanimados com a situação por não ter certeza do próprio emprego onde não foi possível arrumar o quarto sujeito de pesquisa e por causa dos estágios curriculares foi feito a pesquita somente com 3 USF.
Para que tudo ocorresse de acordo com as normas da instituição a ser pesquisada, foi solicitada a Universidade uma autorização para o início da pesquisa. O qual deu excesso o direito ao acadêmico de ir a campo representando a universidade solicitando a autorização da coordenação das USFs à liberação para realizar a pesquisa nas USFs escolhidas.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
No banco de dados do DATASUS foram colhidas as informações necessárias para a elaboração dos gráficos e análise da situação dos cadastros dos hipertensos dentro do programa HiperDia no Brasil.
Segundo informações colhidas no banco de dados do HiperDia dos anos de 2008 e 2009 referente ao número de pacientes cadastrados no programa por regiões do Brasil, pode-se obpode-servar a irregularidade no cadastramento dos pacientes no mesmo. A figura 2 nos mostra que na região Norte no ano de 2008 houve 39.675 cadastrados e no ano de 2009 houve 40.470 cadastrados marcando assim um pequeno aumento de apenas 795 novos casos cadastrados no programa HiperDia. Na região Nordeste o número de cadastrados no ano de 2008 foi o de 178.896 e em 2009 este número subiu para 194.498 totalizando em um aumento 15.602 novos cadastros feitos nesta região. Na região Centro Oeste houve no ano de 2008 um número total 40.716 cadastros no programa e no ano de 2009 um número de 44.023 tendo um aumento considerável de 3.307 novos cadastros. Na região Sudeste que no ano de 2008 teve 205.522 hipertensos cadastrados, e em 2009 o número diminuiu para 154.826 diminuindo em 50.696 hipertensos com cadastro no HiperDia. Na região Sul no ano de 2008 foram cadastrado 108.297 hipertensos, já no ano de 2009 esse número caiu para 82.826 hipertensos cadastrados diminuindo em 25.471 de hipertensos cadastrados. No Distrito Federal no ano de 2008 houve 1040 cadastros no programa e no ano seguinte não houve nenhum cadastro registrado de hipertensos no programa. Esta irregularidade pode estar ligada a falta de estrutura nas unidades de saúde, pela falta das ferramentas que o programa precisa para funcionar tais como o computador e a internet (Figura 2).
Figura 2: Número de Cadastros de Hipertensos no HiperDia nos Anos de 2008 e 2009. (Fonte: SISHIPERDIA/ Examinado pelo pesquisador)
Na figura 3 observa-se que no Brasil existem 5565 municípios segundo o IBGE (2010), sendo que somente 88,31% enviam os dados para o HiperDia segundo o DATASUS. No gráfico pode-se observar que na região Norte existem 449 municípios, sendo que 7,35% destes não enviam dados ao HiperDia. Na região Nordeste 7,42% dos 1794 municípios não são cadastrados no programa. Na região Centro Oeste dos 465 municípios 21,30% não enviam dados, assim como a região Sudeste que de 1668 municípios não enviam dados 15,35% sendo as regiões com maior número de cidades que não tem cadastro no programa respectivamente. Dos 1188 municípios da região sul apenas 10,86% deixa de ter informações no banco de dados do DATASUS, o que leva a refletir o porque a falta de adesão ao programa (Figura 3).
Figura 3: Número de Municípios por Região e o Número de Municípios que Enviam Dados ao HiperDia. (Fonte: SISHIPERDIA/ Examinado pelo pesquisador)
A segunda etapa da presente pesquisa teve como objetivo, coletar dados referentes ao cadastramento dos hipertensos no programa HiperDia nas USFs em Tangará da Serra-MT. Através de um questionário semi-estruturado foram entrevistados enfermeiros de três unidades com o objetivo de verificar como o programa está sendo utilizado pelos mesmos e se está de acordo com o que o Ministério da Saúde preconiza. Também foram analisadas as atribuições da equipe multidisciplinar.
A partir dos dados coletados, foi feita a seguinte análise:
3.1. Atendimento Médico
Segundo MION JR (2006), a equipe multiprofissional tem atribuições nos cuidados com pacientes portadores de hipertensão, estas atribuições devem ser respeitadas para que os profissionais não acumulem funções e também para que o hipertenso consiga ser assistido por completo.
É prioridade que o paciente tenha ao chegar à unidade uma consulta médica, a qual é responsável pelo diagnóstico e pela conduta terapêutica do paciente. Após essa consulta o paciente tem direito ao menos a duas consultas, é de responsabilidade médica também dar apoio aos demais membros da equipe e encaminhar os pacientes quando necessário.
Observou se em todas as unidades que, os pacientes ao chegarem as USFs passam pela triagem durante a qual é verificada a pressão arterial, caso esta esteja alterada este é encaminhado para o médico. Os pacientes que já são cadastrados e acompanhados nas unidades em geral tem duas consultas por ano com o médico.
3.2. Atendimento de Enfermagem
Para o paciente hipertenso é preconizada a consulta de enfermagem onde é feita a medida da pressão arterial com manguito adequado ao braço do paciente, medida de peso, altura, medida da circunferência da cintura e quadril e o cálculo de índice corporal. Nesta consulta deve ser feita uma investigação sobre a vida para detectar os hábitos de vida que são fatores de risco para hipertensão, orientação sobre a doença o uso regular dos medicamentos e sobre os hábitos de vida pessoais e familiares (MION JR, 2006).
No tratamento da hipertensão arterial dentro de uma unidade básica de saúde o enfermeiro é responsável por algumas funções que se bem executadas o tratamento desses pacientes será de sucesso. As atividades que o enfermeiro pode implementar na sua USF para melhor atendimento e acompanhamento dos hipertensos: Capacitar os técnicos de enfermagem e os agentes comunitários de saúde, supervisionando de forma permanente em suas atividades; Realizar consulta de enfermagem, abordando os fatores de risco na doença, o tratamento não-medicamentoso, adesão e possíveis intercorrências no tratamento, encaminhando o paciente ao médico quando necessário; Desenvolver atividades educativas de promoção de saúde com todas as pessoas da comunidade; Desenvolver atividades educativas com os pacientes seja individual ou em grupo; Estabelecer, junto com a equipe, estratégias que possam favorecer a adesão dos pacientes ao tratamento; Solicitar durante a consulta de enfermagem os exames mínimos estabelecidos nos consensos e definidos como possíveis pelo médico da equipe; Repetir a medicação controlada e sem intercorrências em pacientes; Encaminhar para consultas mensais, com o médico da equipe, os pacientes que não aderiram às atividades educativas, os de difícil controle e os portadores de lesões em órgãos-alvo (cérebro, coração, rins, vasos, etc); Encaminhar para consultas trimestrais, com o médico da equipe, os pacientes que mesmo apresentando controle dos níveis tensionais, sejam portadores de lesões em órgãos-alvo ou co-morbidades; Encaminhar para consultas semestrais, com o médico da equipe, os pacientes que precisam de controle, os sem sinais de lesões em órgãos-alvo e sem co-morbidades (ALMEIDA, 2006).
Ficou evidenciado que os atendimentos de enfermagem ocorrem em 66,66% nas unidades como uma orientação comunitária aos pacientes, observou-se que esta orientação é realizada nos dias de caminhada que é voltada para os idosos onde o convite é estendido aos hipertensos e diabéticos. E em 33,33% há inexistência do atendimento do profissional da enfermagem, o paciente tem somente consulta com o médico o que deixa os pacientes sem assistência individualizada na suas necessidades particulares.
3.3. Visita do Agente Comunitário de Saúde (ACS)
Os agentes de saúde têm como obrigações esclarecer a comunidade sobre os fatores de risco para as doenças cardiovasculares; orientar sobre as medidas de prevenção, rastrear a hipertensão arterial, em indivíduos com mais de 20 anos pelo menos uma vez ao ano, mesmo naqueles sem queixa; encaminhar para consulta de enfermagem os indivíduos rastreados como suspeitos de ser portadores de hipertensão; verificar o comparecimento dos pacientes às consultas agendadas na Unidade de Saúde; perguntar, sempre, ao paciente se o mesmo está tomando com regularidade os medicamentos e se está cumprindo as orientações de dieta, atividades físicas, controle de peso, abandono do hábito de fumar e do consumo de bebidas alcoólicas (confirmar tais informações com outros membros da família); registrar na sua ficha de acompanhamento, o diagnóstico de hipertensão de cada membro da família com idade superior a 20 anos (ALMEIDA, 2006).
Das visitas realizadas pelos ACS nas casas das pessoas que são assistidas pela USF, em todas as unidades observou-se que essas não têm nenhuma distinção para as outras visitas, salvo pelo preenchimento da ficha de acompanhamento do hipertenso, em 66,66% das unidades os ACS são orientados a pelo menos passarem nas casas de pacientes que não têm a pressão controlada mesmo tomando os medicamentos e também daqueles que se tem conhecimento da falta de adesão ao tratamento farmacológico.
Durante a realização da pesquisa foi descoberto que as anotações feitas pelos agentes de saúde são realizadas com base na última verificação da pressão arterial, sendo assim não retratam o estado do paciente no momento da visita. Houve também a dificuldade de acesso a estas anotações, pois os agentes comunitários de saúde precisavam sair para a visita domiciliar levando consigo a folha de anotação, impossibilitando assim a pesquisa com as mesmas. Acabaram acontecendo problemas políticos na saúde na cidade de Tangará da Serra, alguns funcionários acabaram saindo dos seus empregos, e com a saída de agentes de saúde das unidades, as microáreas ficaram descobertas e os pacientes dessas áreas sem ter
anotações, motivo pelo qual foi descartada a análise dos registros dos agentes comunitários de saúde.
3.4. Cadastros no HIPERDIA
O SIAB é um método, desenvolvido pelo Ministério da Saúde, que permite o registro de diversas informações de interesse das equipes e do gestor local, relativas à saúde da população coberta e ao andamento das atividades das equipes. Permite ainda que sejam feitas avaliações do trabalho realizado e de seu impacto na organização do sistema e na saúde da população. Sistematiza os dados coletados, possibilita a sua informatização (uso de computador) e gera relatórios de acompanhamento e avaliação. A partir da leitura do banco de dados do cadastro dos usuários, é possível obter relatórios que vão mostrar como está a situação de vida e saúde dessa população (BRASIL, 2000).
Segundo o Ministério da Saúde o programa HiperDia é destinado ao cadastramento e acompanhamento de portadores de hipertensão arterial e/ou diabetes mellitus atendidos na rede ambulatorial do Sistema Único de Saúde – SUS. Este programa tem como objetivo monitorar os pacientes cadastrados e gerar informações para aquisição, dispensação e distribuição de forma regular e sistemática a todos os pacientes cadastrados pelo HiperDia.
No município de Tangará da Serra – MT, os pacientes hipertensos são cadastrados pelo SIAB onde são cadastrados todos os pacientes das USFs , pois o programa HiperDia não é implantado, sendo que no banco de dados do HiperDia não foram encontrados os dados de hipertensos e diabéticos da cidade, assim como de outras cidades de Mato Grosso, o programa ainda não existe na cidade por falta de computador nas unidades e em outras unidades por falta da internet, mas existem unidades que por possuírem computador fazem o cadastro dentro do programa onde fica salvo tendo os dados já em mãos para a possível implantação do programa.
3.5. Distribuição dos medicamentos
Segundo o Ministério da Saúde (2006) o sistema Hiperdia tem como principais objetivos permitir o monitoramento dos pacientes cadastrados e gerar informações para a aquisição, distribuição e dispensação de medicamentos de forma regular e sistemática a todos os pacientes cadastrados no HiperDia, sendo assim os municípios, por sua vez, tem a
responsabilidade de alimentar o sistema com as informações de utilização dos medicamentos pelos seus usuários.
Por ser medicamento de uso controlado, em 100% USFs é exigida a receita ou o cartão do hipertenso quando o mesmo procura a unidade de saúde pra buscar mensalmente seus medicamentos, sendo que a quantidade de medicamento ofertada é para o uso mensal. Não houve relato de um livro de controle da saída dos medicamentos para hipertensos, sendo assim não é feito o controle do uso do medicamento pelos pacientes.
4. CONCLUSÃO
A presente pesquisa apresentou um panorama do atendimento e acompanhamento prestado aos pacientes hipertensos. Observou-se a importância do programa Hiperdia para o acesso aos dados da condição dos pacientes hipertensos e diabéticos no país, pois através destes dados os gestores do SUS podem planejar meios para a prevenção destas patologias assim como, a prevenção dos agravos e morte dos pacientes por elas acometidos. Também observou-se que o atendimento e acompanhamento preconizado pelo Ministério da Saúde podem ser executados pelas USFs, sem sobrecarregar os profissionais envolvidos.
Apesar deste atendimento e acompanhamento serem de execução simples, existe a dificuldade, de algumas unidades de saúde em implementar o atendimento do enfermeiro a estes pacientes, devido a uma sobrecarga de funções sofrida dentro da unidade de saúde da família. Diante disso vale destacar que se as atribuições cabíveis ao enfermeiro nas USFs como: o cumprimento de metas estabelecidas pela Secretaria de Saúde, a responsabilidade pela equipe, os atendimentos de rotina do enfermeiro dentro da unidade, podem estar levando a enfermagem a deixar de lado o atendimento individualizado aos pacientes hipertensos, tornando o acompanhamento superficial, o que pode prejudicar os pacientes por não estar sendo realizada a prevenção das complicações da hipertensão bem como os hipertensos podem ser julgados por não aderirem ao tratamento, sendo que não se sabe que tipo de acompanhamento estes pacientes tem tendo dentro das USFs.
5. REFERENCIAIS BIBLIOGRÁFICOS
ALMEIDA, V. Secretária de Saúde do Estado de Minas Gerais. Atenção a Saúde do Adulto Hipertensão e Diabetes. Colaboradores: Luciana Barroso Goulart... (et al). Belo Horizonte, 2006. Disponível em <http://www.saude.mg.gov.br/publicacoes/linha-guia/linhas-guia/LinhaGuiaHiperdia.pdf>. Acesso em Fevereiro de 2010.
BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de Informática. Manual de Operação. HiperDia – Sistema de Cadastramento e Acompanhamento de Hipertensos e Diabéticos. Rio de Janeiro: Ministério da Saúde, 2002. Disponível em <
http://www.saude.sp.gov.br/resources/gestor/acesso_rapido/auditoria/manual-HIPERDIA_1.5_M_02.pdf> Acesso em Fevereiro 2009.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Hipertensão arterial sistêmica para o Sistema Único de Saúde. – Brasília : Ministério da Saúde, 2006. Disponível em < http://dab.saude.gov.br/cnhd/publicacoes.php> Acesso em Setembro de 2009.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretária de Assistência à Saúde, Coordenação de Saúde na Comunidade. SIAB: manual do sistema de informação de atenção básica. – Brasília:
Ministério da Saúde, 2000. Disponível em <
http://dtr2001.saude.gov.br/editora/produtos/livros/genero/livros.htm#s> Acesso em Junho de 2010.
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde. Sistema de Cadastramento e Acompanhamento de Hipertensos e Diabetes – DATASUS.
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Cadastramento e Acompanhamento de Hipertensos e Diabéticos SISHIPERDIA. Disponível em <http://hiperdia.datasus.gov.br>. Acesso em Maio de 2010.
BRUNNER & SUDDARTH, S. S. C. Tratado de Enfermagem Médico Cirúrgico. 10ªed. Editora Guanabara Koogan. Rio de Janeiro - RJ, 2005.
FIGUEIREDO, N. M. A. Práticas de Enfermagem Ensinando a Cuidar em Saúde Pública. 1ª ed. Editora Yendis. São Caetano do Sul-SP, 2008.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Disponível em
<http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/perfilmunic/2009/default.shtm>. Acesso em Junho de 2010.
KOHLMANN JR, O. III Consenso Brasileiro de Hipertensão Arterial. Colaboradores: Armênio Costa Guimarães... (et al). - Arq. Bras. Endocrinol Metab vol 43 n° 4 Agosto 1999. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0004-27301999000400002&script=sci_arttext>. Acesso em Setembro de 2009.
LUNA, R. L. História da Cardiologia. Aspectos Históricos da Hipertensão no
Brasil. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Rio de Janeiro, 2006. Disponível em <http://publicacoes.cardiol.br/caminhos/03/>. Acesso em Junho 2010.
MION JR, D. V Consenso Brasileiro de Hipertensão Arterial. Colaboradores: Oswaldo Kohlmann Jr... (et al). – Sociedade Brasileira de Cardiologia – SBC, Sociedade Brasileira de Hipertensão – SBH, Sociedade Brasileira de Nefrologia. São Paulo, 2006. Disponível em <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/v_diretrizes_brasileira_hipertensao_arterial_2006 .pdf> Acesso em Fevereiro de 2010.
OLIVEIRA, C. E. de. Famílias e natureza: as relações entre famílias e ambiente na colonização de Tangará da Serra – MT. Tangará da Serra: Gráfica e Editora Sanches Ltda, 2004.
PREFEITURA MUNICIPAL DE TANGARÁ DA SERRA. Disponível em: <http://www.tangaradaserra.mt.gov.br/cidades.asp>. Acesso em: 17 Setembro 2009.
RICHARDSON, R. J. Pesquisa social: métodos e técnicas. colaboradores: José Augusto de Souza Peres... (et al). – São Paulo: Atlas, 1999.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. -22.ed. rev. e ampl. de acordo com a ABNT – São Paulo: Cortez, 2002.
ANEXOS
ATENDIMENTO MÉDICO
“[...] geralmente o paciente passa mal agente afere a pressão ela ta um pouco alta automaticamente agente passa pra doutora a médica ela tenta controlar a pressão naquele exato momento.” (enfermeiro 1)
“[...] agente pega o cartãozinho de controle de hipertensão dele, agente orienta ele pra saber se está verificando a pressão regularmente e dependendo o caso já agendada a consulta com o médico.” (enfermeiro 2)
“[...] o paciente chega com sintomas de pressão alta, é aferida a pressão e caso ela esteja alta já é conduzido ao médico para o controle da pressão no momento.” (enfermeiro 3)
ATENDIMENTO DO ENFERMEIRO
“[...] todos os pacientes que já está em acompanhamento com a médica e que precisa de uma orientação é realizada uma vez por semana, toda sexta das sete as nove, só pros hipertensos e diabéticos.” (enfermeiro 1)
“[...] não, consulta mesmo é com o médico. Tem um dia na semana que é só pra hipertenso então toda quinta feira a tarde, é só pra hipertenso, ai quem tem agente de saúde, agente pede pro agente de saúde ta passando, porque eles tem a visita uma vez por mês, e ver se tem alguém que tem a necessidade da consulta, já agenda pra eles e tem alguns que vem aqui procurar por atendimento, as vezes estão vindo verificar a pressão e vê que a pressão ta alta agente agenda uma consulta também.” (enfermeira 2)
“[...] depois da primeira consulta passa pela enfermeira para fazer o cadastro (hiperdia) entregar o cartão para o controle da pressão e orientações de alimentação e a importância de tomar a medicação.” (enfermeira 3)
VISITAS DOS AGENTES COMUNITRIOS DE SAÚDE
“[...] todo paciente não só hipertenso, quanto diabético, hanseniaco, tuberculose, gestantes, crianças tem um formulário pra ser preenchido de visita esse formulário abrange desde alimentação dele se está sendo correta ou não se ele ta tomando a medicação no horário certo o supervisionamento dessas medicações se realmente ta sobrando comprimido na cartela ou não agente faz um controle e este controle é feito pelos ACS através deste formulário. Depende de cada caso, cada caso é um caso, exitem pacientes nossos que pode-se passar tranquilamente uma vez por mês que tem uma pressão controlada tem uma educação alimentar boa, agora agente já tem outros pacientes que além de leigos , agente considera
como pessoas meio um pouco rebeldes adoram comer comidas muito salgadas tem q ficar de olho sempre orientando sempre supervisionando.” (enfermeiro 1)
“[...] A parte deles é só orientação. Os que já trabalham a algum tempo já sabem quem são os hipertensos. Ta tomando a medicação deixa eu dá uma olhada ta faltando alguma coisa, ta com receita. Ta com alguma queixa as vezes dor de cabeça, tontura, alguma mais especifica e mais questão de orientação de alimentação e medicação né, que a maioria abusam um pouco do sal e não tomam a medicação correta esse é os dois problemas que tem, não tomam o remédio porque a hoje eu to bem não to sentindo nada. Visitas mensais mais assim tem alguns casos dependendo do problemas daquela pessoa q o ACS vão estar retornando um vez por semana, agora se for uma pessoa que é hipertenso mais está bem com a PA controlada em dia passa só uma vez por mês.” (enfermeira 2).
“[...] As visitas acontecem uma vez por mês para fazer o cadastro (hiperdia) entrega do cartão para controle da pressão e orientações de alimentação e a importância de tomar a medicação.” (enfermeira 3).
CADASTRO NO HIPERDIA
“[...] na verdade não funcionava já faz seis anos que estou aqui agente tentou trabalhar em 2004 um pouco mais foi sem sucesso e agora tem alguns meses que agente voltou a cadastrar esses hipertensos, e agora agente espera que o programa vá funcionar mesmo.” (enfermeiro 1) “[...] só dos agentes de saúde que eles têm uma fichinha como nome endereço ai todo mês eles passa daí vem se ta fazendo o controle da pressão se ta seguindo a dieta algum tipo de atividade. Ai todo final do mês eu olho esse controle deles o nome das medicações q eles tomam.” (enfermeiro 2)
“[...] é feito o cadastro do HiperDia. Apesar de não funcionar na cidade é por meio desse programa que os pacientes são cadastrados aqui na unidade.” (enfermeiro 3)
DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTO
“[...] livre demanda de acordo com a necessidade de cada paciente, agente não tem um dia igual tem outras unidades que eles padronizam um dia da semana, nós não, é de prioridade sexta feira de manhã pra entregar as medicações dos pacientes e controla a pressão mas automaticamente se eles chegarem ou a medicação acabar antes ou porque viajaram ou outro motivo agente deixa pra entregar medicação por livre demanda. Precisa de receita, todo paciente passa uma vez por mês com o médico e a cada seis meses essa receita é trocada o medicamento é fornecido pra 30 dias.” (enfermeira 1)
“[...] a maioria não pega medicamento, o grande problema nosso é eles não tomarem o medicamento corretamente. Então ta eles consultam pegam a receita bonitinha dos
medicamento que eles tem que tomar quantos comprimidos por dia é orientado daí eles vão tomando, e quando eles percebem que estão bem ne que não tem nenhum sintoma ai eles deixam de toma, ai tem vez que agente passa na casa deles tem aquela sacola de medicamento, porque as vezes eles até vem pegar meio que por costume vem pegar medicação, então assim é um problema na verdade agente ter o controle, porque tem muitos que não vem, falta medicação chega no final do mês, é difícil dizer que eu tenho captopril 30 dias do mês tem sempre um dia que falta que a medicação que mais sai é capopril e hidroclorotiazida e as vezes eles vem buscar não tem eles ficam sem tomar, agente exige a receita,mas tem uns pacientes que agente já conhece como agente já ta aqui a alguns anos, agente já sabe quem é qual medicação que toma e as vezes não trás a receita no dia e agente sabe que não vai voltar daí agente fornece sim, e a quantidade fornecida é pro mês.” (enfermeira 2)
“[...] como o paciente da unidade tem o cartão não há necessidade da recita, a não ser que o médico troque o medicamento, eles pegam pro mês inteiro.” (enfermeira 3)
Segundo Brasil (2006) objetivo primordial do tratamento da hipertensão arterial é a redução da morbidade e da mortalidade cardiovascular do paciente hipertenso, aumentadas em decorrência dos altos níveis tensionais e de outros fatores agravantes.