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Academic year: 2021

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(1)DANILO MICHAEL HADEK. REDES PARA ALÉM DO BEM E DO MAL Uma análise da comunicação em rede da sociedade civil e do crime organizado. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO Escola de Comunicações e Artes Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo Curso de Pós-Graduação Lato Sensu de Especialização em Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas. São Paulo, 2006..

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(3) DANILO MICHAEL HADEK. REDES PARA ALÉM DO BEM E DO MAL Uma análise da comunicação em rede da sociedade civil e do crime organizado. Monografia apresentada ao Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, em cumprimento parcial às exigências do Curso de Pós-Graduação LatoSensu, para obtenção do título de Especialista em Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, sob a orientação da Profª. Mestra Mariângela Haswani.. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO Escola de Comunicações e Artes São Paulo, 2006.

(4) _______________________________ Orientadora. _______________________________ Examinador I _______________________________ Examinador II.

(5) Este trabalho é dedicado à memória de meu papai, Boris Michael Hadek. Minha maravilhosa mãezinha, Sandra Maria Fernandes. Aos irmãos, Sabrina, Bruno, Pedro e Carlos. Vovó Lola e vovô Luiz. Com Amor. A todas comunidades deste mundo que acreditam na possibilidade de reencantá-lo com graus generosos de bondades e amorosidades, transformá-lo continente dos sentimentos em extinção, do rico arco-íris da diversidade e da criatividade como ato fundador da vida, dos fios invisíveis que juntam olhares convergentes e mutantes, do dar sem receber e das cosmogonias que encantam o gesto intransferível de maravilhar-se. (Leonardo Brant). Com Fé..

(6) A AG GR RA AD DE EC CIIM ME EN NTTO OS S. De maneira especial a Professora Mariângela Haswani, minha orientadora, por seu apoio, contribuições, conselhos, correções, idéias, compreensão e amizade. Notadamente aos mestres e doutores da ECA que despertaram novas perspectivas à minha formação pessoal, profissional e acadêmica, Mauro Wilton de Sousa, Heloiza Helena G. de Matos, Roberto Coda, Reinaldo Polito, Marlene Teodoro, Arlindo Ornelas Figueira Neto, Heliodoro Teixeira Bastos, João Carrascoza e Mitsuru Higuchi Yanaze. Agradeço à secretaria do GESTCORP pela atenção dada ao longo do curso, e amizade que construímos, Rosângela, Sueli e Daniel. E à coordenadora do GESTCORP, unanimidade na área de Relações Públicas, Margarida Maria K. Kunsch. Agradeço aos colaboradores da Rede Vila Albertina, em especial Daniel Ciasca, Olga Lembo, Dora Alice Gisondi, Eva Ern, Jailde Teixeira e Ana Maria Vealnzuela. Aos amigos que fiz no curso GESTCORP, que proporcionaram momentos de reflexão, amizade e conhecimento, Leandro Tavares, Anderson Dalcin, Leandro Ramos, Marcelo Sacoda, Luiz Montoya, Gabriela Gama, Renata Grecco, Dayse Souza, Ludmila Frateschi, Andreza Nitão, Maria Puebla, Valeska Batista, Laurye Nunes, Lívia Holanda, Juliana Pasqualini, Débora Barbezani, Caroline D´Angelo, Rubens Leonese, Nara Leite, Cleide Santos, Ana Paula, Nara Leite e Mônica Camargo. Agradeço à contribuição artística de Cassiano Frazão Takahashi; Leandro Tavares pela edição gráfica; Maria Aparecida Calil e Sandra Maria Fernandes pela revisão gramatical..

(7) TECENDO O AMANHÃ Uma organização sozinha não tece um amanhã: ela precisará sempre de outras e outras... De uma que apanhe a missão que Deus nos deu, de crescermos e multiplicarmo-nos, e a lance a outra e outras; De uma outra que apanhe o grito dos excluídos que a sociedade gerou e a lance aos ouvidos do poder público; E de outras, que com muitas outras comunidades se cruzem os fios de sol de suas ações sociais de seus gritos de solidariedade e cidadania, para que o amanhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todas as comunidades. E se encorpando em tela, entre todos, se erguendo tenda, onde entrem todos, se entretendendo para todos, no toldo (o amanhã) que plana livre longe da dor. O amanhã, toldo de um tecido tão aéreo que, tecido, se eleva por si: luz esplendor.. Paráfrase de “Tecendo a manhã”, de João Cabral de Melo Neto..

(8) RESUMO “Redes para Além do Bem e do Mal” é uma pesquisa científica fundamentada na temática da sociedade em rede – sociedade que mostra uma multiplicidade de facetas ao passo que proporciona novas formas de interação e abrangência, percepções de tempo e espaço, hibridização de culturas, meios de comunicação e relacionamento, além do lado sombrio da exclusão, violência e criminalidade. Ao longo da pesquisa, investigamos a utilização da rede como nova unidade de organização humana. Conjeturamos esta formatação como livre e espontânea de uma sociedade em transformação, seja na articulação das redes da informalidade, encapuzadas na criminalidade, mas especialmente a partir da adoção deste modelo de trabalho pelas organizações do Terceiro Setor. Desse modo, refletimos conceitualmente sobre o caráter ambíguo da globalização; debatemos o uso (e abuso) das redes comunicacionais por parte de grupos humanos, conduzidos para o bem ou para o mal; analisamos aspectos da comunicação e articulação da Rede Vila Albertina (RVA), evidenciando sua importância na região norte de São Paulo. Três partes compõem o trabalho: um levantamento teórico sobre os conceitos envolvidos, como globalização, criminalidade, sociedade civil organizada e processos comunicacionais em rede; um estudo de observação e análise qualitativa dos processos que envolvem a Rede Vila Albertina; e a criação do “Jogo da Rede”, um jogo de tabuleiro que proporciona um caráter didático e lúdico ao estudo e reforça a identidade da própria RVA. Sob uma perspectiva geral, notamos que a sociedade passa assumir autonomia diante das questões sociais, e que somente com a articulação de diferentes segmentos da sociedade será possível consolidar a justiça social e o bem-estar da humanidade, visto que as ações criminosas são impiedosas e tão eficazes, senão mais que qualquer outra organização.. Palavras-Chaves: comunicação, globalização, crime organizado, terceiro setor, sociedade em rede, redes, rede social, Rede Vila Albertina..

(9) ABSTRACT “Network Beyond Good and the Evil” is a scientific research based on the society network thematic – society that shows a multiplicity of facets whereas it gives new interaction and accomplishment ways, timing and space perceptions, mix of cultures, means of communications and relations besides the dark side of the exclusion, the violence and the criminality. Along the research we investigate the use of network as a new way of human organization. We supposed this format as free and spontaneous of a society in transformation, be it in the articulation of the informality network within the criminality but especially from the adoption by the Third Sector Organizations of this work model. From this point of view we made some reflections about the globalization ambiguous character; we discussed about the use and misuse of network communications on behalf of human groups being conducted to the good or evil; we analyzed the communication and articulation aspects of Vila Albertina Network (VAN) showing its value to the north region of Sao Paulo with the objective of elaborate actions for its consolidation as a reference in the reality transformation of the involved communities. This work consists of three parts: a theoretical search about the involved concepts such as globalization, criminality, civil organized society and network communication processes, a study of observation and qualitative analysis of the processes that involve Vila Albertina Network; the creation of “Network Game”, a tray game that it gives a didactic character to the work and it reinforces the VAN identity itself. Under a general perspective we noted that the society starts to assume autonomy in front the social questions and that only with the articulation of different segments of the society it will be possible to consolidate the social justice and the humanity well fare, once that the criminal actions are cruel and very powerful if not more than any other organization.. Key-Words: Communication, globalization, organized crime, third sector, network society, network, social network, Vila Albertina Network..

(10) RESUMEN “Rede para Además Del Bien y Del Mal” es una pesquisa científica fundamentada en la temática de la sociedad en rede, sociedad que muestra una multiplicidad de facetas mientras proporciona nuevas formas de interacción y abarcamiento, percepción de tiempo y espacio, mezcla de culturas, medios de comunicaciones y relaciones, además el lado oscuro de la exclusión, violencia y criminalidad. Durante la pesquisa investigamos la utilización de la rede como una nueva unidad de organización humana. Conjeturamos esta forma como libre y espontánea de una sociedad en transformación, sea en la articulación de las redes de la informalidad, cubiertas en la criminalidad, pero especialmente a partir de la adopción de este modelo de trabajo por las organizaciones del Tercer Sector. De este modo, nosotros reflexionamos conceptualmente sobre el carácter ambiguo de la globalización, debatimos el uso y abuso de las redes de comunicaciones por parte de grupos humanos conduciendo para el bien o para el mal; analizamos aspectos de la comunicación y articulación de la Rede Vila Albertina (RVA) evidenciando su importancia en la región norte de la ciudad de San Pablo con el propósito de pensar en acciones para la consolidación como una referencia en la transformación de la realidad de las comunidades arrolladas. Tres partes componen el trabajo: un levantamiento teórico sobre los conceptos arrollados, como globalización, criminalidad, sociedad civil organizada y procesos de comunicaciones en rede, un estudio de observación y análisis cualitativas de los procesos que arrollan la Rede Vila Albertina, y la creación del “Juego de la Rede”, un juego de tablero que proporciona un carácter didáctico al trabajo y refuerza la identidad de la RVA. Bajo una perspectiva general, notamos que la sociedad pasa asumir autonomía delante de las cuestiones sociales y que solamente con la articulación de diferentes segmentos de la sociedad será posible consolidar la justicia social y el bien estar de la humanidad, visto que las acciones criminales son crueles y muy eficaces, si no más que cualquier otra organización.. Palabras-Llaves: comunicación, globalización, crimen organizado, tercer sector, sociedad en rede, redes, rede social, Rede Vila Albertina..

(11) SUMÁRIO. Introdução.............................................................................................................14. PRIMEIRA PARTE Globalização: aspectos de uma sociedade multifacetada e contraditória......18. Capítulo 1 – A organização humana...................................................................18 1.1 Comunidade e Sociedade.................................................................................18 1.2 Sociedade global..............................................................................................21 1.2.1 Globalização..................................................................................................21 1.3 Sociedade brasileira: São Paulo – SP..............................................................26 1.3.1 O refugo da globalização: exclusão social e violência.................................. 29 1.4 Crise global.......................................................................................................32 Capítulo 2 – Organizações em rede....................................................................34 2.1 A sociedade civil e os movimentos sociais: O terceiro setor no Brasil.............34 2.2 A organização da sociedade do crime: O “quarto setor”..................................37 2.2.1 O Primeiro Comando da Capital (PCC).........................................................41 2.2.2 Origens da facção..........................................................................................48 2.2.3 Como funciona...............................................................................................52 Capítulo 3 – Sociedade em rede: perspectivas de comunicação....................56 3.1 Breve histórico das relações públicas...............................................................56 3.2 Relações públicas: política e social..................................................................58 3.3 Redes sociais: uma nova configuração para comunidade...............................60 3.4 Processos comunicacionais para formação de redes......................................65. SEGUNDA PARTE Pesquisa e Estudo de Observação: nódulos de uma rede...............................74. Capítulo 4 – Distrito Tremembé Jaçanã e a Rede Vila Albertina......................74 4.1 Metodologia aplicada........................................................................................75 4.2 Pesquisa e construção do diagnóstico estratégico...........................................75 4.2.1 Análise do ambiente externo e setorial..........................................................76 4.3 A Rede Vila Albertina (RVA).............................................................................89 4.3.1 Breve relato histórico.....................................................................................89 4.3.2 Misão, Visão e Valores..................................................................................91 4.4 Perfil das organizações.....................................................................................92 4.4.1 Fundação Gol de Letra..................................................................................92.

(12) 4.4.2 Promove Ação Sócio-Cultural........................................................................94 4.4.3 Projeto Reciclação.........................................................................................96 4.4.4 Lar Creche Bibi Monteiro.............................................................................101 4.4.5 Obra Social André Marcel............................................................................101 4.4.6 Associação Mutirão do Pobre......................................................................102 4.4.7 Associação Jardim Flor de Maio..................................................................104 4.4.8 U.B.S. Jardim Joamar..................................................................................105 4.4.9 U.B.S. Vila Albertina....................................................................................105 4.4.10 Edificando..................................................................................................106 4.5 Análise das observações e entrevistas...........................................................106 4.5.1 Rede Vila Albertina: um olhar......................................................................106 4.5.2 Principais desafios do trabalho em rede......................................................114 4.5.3 Principais benefícios do trabalho em rede...................................................115 4.6 Plano de comunicação organizacional...........................................................116 Considerações finais..........................................................................................120 Referências bibliográficas.................................................................................123 Anexos.................................................................................................................128 Apêndices............................................................................................................134.

(13) LISTA DE ILUSTRAÇÕES. Ilustração 1 – Mapa da exclusão social no Brasil...................................................27 Ilustração 2 – Índice de pobreza.............................................................................28 Ilustração 3 – Índice de violência............................................................................28 Ilustração 4 – Índice de exclusão social.................................................................29 Ilustração 5 – Índice de desigualdade social..........................................................29 Quadro 1 – População carcerária Estado de S. Paulo...........................................43 Quadro 2 – Percentual de presos que passou pela FEBEM..................................44 Quadro 3 – Evolução das ocorrências registradas mais freqüentes......................45 Quadro 4 – Noções associadas ao conceito de rede.............................................55 Diagrama 1 – Economia do terceiro setor..............................................................72.

(14) 14. Introdução. Vivemos em um momento singular na história da organização e comunicação humana. O desenvolvimento das novas tecnologias transforma radicalmente as interações entre os indivíduos, que ramificam suas relações para além de espaços geográficos determinados pela presença física. Na era da informação a rede assume a unidade de organização econômica, política e social. Rede deve ser entendida como a possibilidade da construção de um imenso entrelaçamento de pontos, sujeitos ou instituições, em relação recíproca, que se modificam conforme as necessidades do ambiente em um processo autopoiético.. A rede é considerada um sistema aberto constituída por nódulos e em constante interação com o seu contexto. Sendo as mudanças no ambiente um dos principais problemas enfrentados pelas organizações modernas, a rede coloca-se como estrutura viável para a sobrevivência destas dado seu modelo dinâmico de interações entre sujeitos, organizações e o próprio ambiente. Destaque do modelo é a autonomia entre os elos, sua dialética e auto-referência que cria as condições necessárias para o autodesenvolvimento.. O conceito não é novo, advém da física e da biologia, mas cada vez mais passa a ser encarado como possibilidade emergente de organização e comunicação entre sujeitos e organizações na sociedade em transformação.. Aspecto interessante da rede é que esta proporciona uma sociedade de produtores-receptores de comunicação, transformando o paradigma clássico da comunicação da unilateralidade emissor-receptor. Conforme afirma o professor Adilson Cabral, em artigo apresentado no INTERCOM de 1999, “a massa passa a interagir e se reconfigura como rede”..

(15) 15. No que se refere à comunicação organizacional, o conceito de redes começou a ser introduzido somente nas últimas décadas, mas tem se apresentado como importante ferramenta organizacional através das possibilidades criadas pela interconexão, fazendo da comunicação uma inteligência de relacionamento e fonte de parcerias, articulação e transformação.. No presente trabalho, partiremos de algumas evidências observadas em nossa época, marcada pelo avanço do processo de globalização e uso da tecnologia nos processos comunicacionais, que ao mesmo tempo integra e desintegra, para desabrocharmos em perspectivas de atuação da comunicação em rede no Terceiro Setor, mais especificamente na Rede Vila Albertina, foco central da pesquisa.. A idéia inicial do trabalho seria analisar como se dá o processo de comunicação da Rede Vila Albertina, processo iniciado por volta do ano de 2000, que reúne organizações não-governamentais e governamentais do distrito Tremembé/ Jaçanã no município de São Paulo.. A partir do conceito de redes sociais, estas organizações perceberam a necessidade de colaboração mútua a fim de potencializarem recursos e alcance de suas missões organizacionais de prestação de serviços sociais para as comunidades entornadas.. A falta de equipamentos públicos de educação, lazer, cultura e saúde nas comunidades desfavorecidas do distrito, destaca a Rede como uma realidade de transformação de vontade em oportunidade na vida do público atendido.. A violência também é um grave problema social na região, especialmente nas periferias dos bairros da Vila Albertina, Jardim Fontális, Jardim Joamar, Jardim Filhos da Terra, Vila Zilda e Jaçanã. E, com a onda de violência instaurada pelo.

(16) 16 crime organizado, principalmente a partir de maio deste ano, sabendo que este também se articula em rede, resolvemos investigar suas origens e modelo.. Assim, a pesquisa se iniciou com um artigo publicado pelo cientista Gaudêncio Torquato no jornal O Estado de S. Paulo, logo após os primeiros ataques da facção criminosa que influencia todo o sistema penitenciário do Estado com seu poder de aglutinação e organização.. No artigo, Torquato coloca o crime como uma organização fora da esfera do Estado, que por meio da informalidade formam o “quarto setor” com objetivo de enfraquecer e corromper a sociedade democrática. Logo, observamos que a criminalidade organizada é beneficiada da mesma forma que as demais instituições formais pelas redes comunicacionais.. Por outro lado, o terceiro setor tende a ganhar força com este novo padrão de organização que visa uma estratégia de conciliação da missão comum, inerente às organizações da sociedade civil em contribuir na colaboração participativa de sujeitos e instituições em função de uma sociedade mais justa e democrática.. A pertinência da análise paralela, além de estar relacionada à nova realidade urbana dos cidadãos paulistanos está no fato de que ambos os “setores” atuam junto ao mesmo público-alvo, ou seja, as comunidades carentes, o gueto, os indivíduos marginalizados do processo da globalização por falta de políticas públicas, e também a falta de políticas de direito.. Enquanto as organizações da sociedade civil prezam pela integridade do sujeito, e concentram esforços para a transformação social pela cultura da solidariedade e do autodesenvolvimento, os bandos criminosos constituem uma cultura de violência, corrompida e autodestrutiva..

(17) 17 Contudo, a pesquisa está concentrada em favor dos processos comunicacionais em rede do terceiro setor, em particular da Rede Vila Albertina a fim de propor uma perspectiva de gestão organizacional para esta rede, que busca a solidificação de sua identidade junto aos públicos estratégicos (comunidade, poder público, empresas, etc.).. Neste sentido, o objetivo geral do estudo é compreender o processo da globalização sob o aspecto contundente de geração de exclusão social e violência, mas também da construção de tecnologias sociais e aumento do poder da sociedade civil na consecução da cidadania às parcelas marginalizadas da sociedade.. Já o objetivo específico do estudo é analisar as perspectivas de alguns atores da Rede, e por meio de um diagnóstico de seus processos, levantar uma discussão em torno de sua identidade organizacional com um olhar de gestão estratégica da comunicação organizacional, inclusive para que esta possa contribuir ainda mais na transformação da realidade das comunidades atendidas e ser considerada como referência para crianças e jovens em detrimento da condição marginal. No que se refere à metodologia de trabalho, dividimos o projeto em duas partes: um levantamento teórico sobre os conceitos pertinentes ao tema, e uma análise qualitativa, feita a partir da participação voluntária e colaborativa na Rede Vila Albertina.. Considerando a complexidade cerceada em torno da pesquisa em comunicação social, buscaremos desenvolver um olhar multidisciplinar ao estudo como uma reflexão das principais e mais relevantes abordagens a fim de atingir os objetivos propostos, sem jamais ter a pretensão de findar em uma absoluta conclusão ao tema, visto que a ação social em rede não se esvai num único ato, ao contrário, se multiplica. Aqui a amostra..

(18) 18 PRIMEIRA PARTE Globalização: aspectos de uma sociedade multifacetada e contraditória Apresentamos a seguir conceituações e reflexões consideradas essenciais para a compreensão do pensamento defendido pelo presente trabalho. Abordamos os elementos que envolvem os homens como capazes de formarem nós que unem e separam.. CAPÍTULO 1 – A organização humana. Voltemos agora, em tempos primitivos quando o homem ainda lutava frente a frente com outros animais. Para sobreviver, este sujeito tendeu para a sociabilidade junto aos demais de sua espécie para formar a raça humana. Dominada a natureza, o homem sente-se supremo e começa a lutar contra si. Este é o universo que envolve a presente pesquisa. Um sistema formado pela interação e interferência entre grupos de organismos vivos, comunidades e organizações.. 1.1 Comunidade e sociedade. Quando vivia seu Estado de Natureza (HOBBES apud CHAUÍ, 1998, p. 399), em constante guerra de todos contra todos sob a lei da força, o homem era predador e presa. Preso contra si mesmo. A terra cercada, essencial para o desenvolvimento frente à natureza, era sempre ocupada pelo homem mais forte, líder do agrupamento melhor organizado que por meio da força, violência conquistavam o espaço, e em cooperação entre si mantinham o território. Mas logo vinha outro grupo mais forte e organizado. Sempre haveria algum que pelo menos desafiasse seu poder. A barbárie prevaleceu durante muito tempo..

(19) 19 A fim de superar o convívio com o medo constante, os homens passam a confiar a vida ao divino. Organizam-se, então, em comunidade com a abdicação da liberdade individual e do bem particular. Tenta-se estabelecer o consenso da organização sem divisão interna.. O principal objetivo é a construção de uma comunidade que compartilhe valores centrais como identidade comum, solidariedade, participação e integração, sendo um dever de todos proteger esta contra inimigos externos.. O indivíduo da comunidade comove-se com o bem comum, deixando de lado o bem individual. A fim de libertar-se da barbárie volta-se para sua comunidade com comunhão de destino, idéias, crenças, e valores. “A comunidade é uma realidade orgânica, divinizada, naturalizada e praticamente imóvel ou imutável, dirigida por forças que lhe são transcendentes, não havendo distinção entre público e privado” (CHAUÍ, M., 1998, p. 16).. Para viver em comunidade, o homem é convencionado a sentir “medo da existência de forças maléficas, teme o tirano e o diabo [considerados sinônimos], os poderes perversos, e claro, medo de Deus, a força que criou e que conserva a comunidade e os próprios homens” (CHAUÍ, M., 1998, p. 16). É a sociedade primitiva, dominada pelo medo teológico-político.. Com o passar do tempo e o desenvolvimento do pensamento humano com novas teorias evolutivas e sociais, rompe-se a visão religiosa da submissão a uma divindade que atuava na história das sociedades humanas, e o homem desliga-se do convívio radicado pela força do hábito, costumes e tradições.. Percebe que pode mudar o rumo de sua vida, pode ascender socialmente. Começa a se entender como agente social. E como agende social inicia um processo de união a favor de suas necessidades coletivas, oprimidas ora pelo imperador ora pelas instituições..

(20) 20. O Iluminismo acendeu a idéia de que “os homens podem organizar o Estado e a sociedade de acordo com sua vontade e razão” (VIEIRA, L. 2000, p.19). A modernidade “desloca o medo fundamental para o interior da própria, e faz com que nasça, simultaneamente, o pensamento moderno sobre os direitos do homem” (CHAUÍ, M. 1999, p.18). Vigora o espírito cidadão, ou seja, o sujeito com direito a ter direitos, sejam civis – direitos individuais de liberdade, igualdade, propriedade, de ir e vir, direito à vida, segurança, etc.; e políticos – liberdade de associação e reunião, de organização política e sindical, etc.. Assim, com as transformações ocorridas no pensamento humano, e em sua organização social durante os séculos XVIII e XIX, evidencia-se uma nova configuração de sociedade, a sociedade moderna.. Neste momento, a organização dos indivíduos passa de simples agrupamento para uma estrutura sócio-político. O povo adquire caráter de sociedade civil, que fora da esfera do Estado e do mercado pretende sua autonomia, participação na vida social, liberdade e igualdade de direitos.. A sociedade civil articula-se agora independentemente do apoio e aprovação do Estado para atingir seus objetivos. O Estado por sua vez, que promulgou os direitos do cidadão apresenta-se como “máquina repressiva e violenta, fazendo medo aos sem poder, uma vez que o Estado e o direito constituem-se no poderio particular da classe dominante sobre as demais classes sociais”. O medo passa a ter um caráter sócio-político, se “manifesta como medo da violência dos indivíduos contra os indivíduos, medo do poder e medo do tempo” (CHAUÍ, M. 1989, p.18).. Presenciamos hoje o período de transformação mais dinâmico de rompimento da organização humana junto a todos seus pressupostos e paradigmas clássicos. O ser humano parece ter alcançado uma autonomia diante das forças naturais e sociais, especialmente pelo incremento da variável tecnológica. Entretanto, a.

(21) 21 complexidade de tais mudanças passa a prendê-lo ao desconhecido e mutável que agrega ao mesmo tempo condições para a constituição de uma comunidade global, mas também característica de uma sociedade cada vez mais individualista com a segregação dos pobres desconectados.. 1.2 Sociedade global. 1.2.1 Globalização. Hoje, no início do século XXI, as nações ampliam seu grau de interdependência umas com as outras. As sociedades nacionais mergulham em problemas não mais locais, e sim de esfera global, pois a globalização provoca a “intensificação de relações sociais em escala mundial que ligam localidades distintas” (GIDDENS apud VIEIRA, 2000, p. 73).. A globalização deve ser entendida além dos parâmetros ideológicos como forma de organização humana contemporânea. Devemos deixar de lado o pensamento simplista de que é ou “o que devemos fazer se quisermos ser felizes, ou ainda, de que é a causa da nossa infelicidade” (BAUMAN, 1999, p. 07).. O termo refere-se a “um processo real, de caráter multifacetado e contraditório” (VIEIRA, 2000, p. 133), espelho de uma época de profundas mudanças políticas, econômicas, sócio-culturais, ambientais, dentre outras. Devemos, entendê-la como conjectura de uma sociedade em transição, a fim de nos reeducarmos em termos de valores e paradigmas e nos compreendermos melhor como agentes neste novo cenário, palco de profundas transformações.. Estamos muito próximos de vivermos a aldeia global preconizada por McLuhan, ao passo do avanço para uma “consciência coletiva” do planeta, onde “triunfos e.

(22) 22 mutilações de uns e outros” equipara a todos como um só, pois a “densa sinfonia eletrônica estabelecida pela tecnologia tece uma teia de sinestesia espontânea total e abrangente” (MCLUHAN apud IANNI, 2000, p. 17).. É pertinente pensar que a globalização, em seu mais profundo significado, possui um caráter indeterminado, indisciplinado e de autopropulsão dos assuntos mundiais. A sociedade que sempre esteve apoiada em referências, tradições, costumes e centrada em uma organização estabelecida, parece agora desprendida de um centro único, de uma comissão diretora, de um gabinete administrativo.. Assim, “a sociedade global se constitui desde o início como uma totalidade problemática, complexa e contraditória, aberta e em movimento” (BAUMAN, 1999, p. 67). Não acreditamos que seja a instauração do caos, mas sim de um inexplorado de possibilidades e oportunidades, contando com progressões para a existência de uma sociedade igualitária. Afinal, Normalmente associada a processos econômicos, como a circulação de capitais, a ampliação dos mercados ou a integração produtiva em escala mundial, a globalização descreve também fenômenos da esfera social, como [...] o equacionamento de questões concernentes à totalidade do planeta – meio ambiente, desarmamento nuclear, crescimento populacional, direitos humanos, etc. (VIEIRA, 2000, p. 72-73).. Se por um lado, uma das facetas da globalização é o desenvolvimento de tecnologias que facilitarão a comunicação, a transmissão de dados, e a melhoria das condições para a concepção da sociedade global, outra, porém, é agente de crises sociais ao passo que acentua as escalas de desigualdade – “aumento do desemprego, queda dos níveis salariais, aumento da pobreza e da concentração de renda, conflitos sociais, degradação dos serviços públicos, deterioração da qualidade de vida, destruição ambiental”. (VIEIRA, 2000, p. 84)..

(23) 23 Destacamos a ambigüidade do processo, pois: A globalização tanto une como divide; divide enquanto une – e as causas da divisão são idênticas às que promovem a uniformidade do globo. [...] Conjuntamente, os dois processos intimamente relacionados diferenciam nitidamente as condições existenciais de populações inteiras e de vários segmentos de cada população. O que para alguns parece globalização, para outros significa localização; o que para alguns é sinalização de liberdade, para muitos outros é um destino indesejável e cruel. (BAUMAN, 1999, p. 08).. Sob a perspectiva do autor, é perceptível que a globalização descaracteriza-se como um fenômeno unilateral. Nesse sentido, não é viável pensá-la somente como fenômeno positivo, causado pelo frenético desenvolvimento tecnológico, que possibilita cada vez mais fluidez de capital, informação, conhecimento, cultura e solidariedade pelo mundo afora. Ou seja, olhar o processo apenas sob a ótica da integração do planeta, com melhor interatividade e integração intercultural.. Ou ainda, sob um aspecto meramente negativo, causador da crise social, da proliferação da criminalidade, da ruptura das solidariedades e do aniquilamento dos valores tradicionais.. É certo que a o processo de reestruturação econômica mundial confluiu para o empobrecimento de parcelas da população ao passo da exploração por parte de corporações transnacionais do trabalhador. É fato que todo este desenvolvimento é marcado por grandes problemas sociais, afinal a globalização representa a possibilidade de viver este mundo global, mas não a certeza de que este mundo pode ser vivido por todo e qualquer homem.. A globalização pode ser considerada como um estado do capitalismo: este sistema econômico, para sobreviver às crises, teve que se adaptar à conjectura da escassez de recursos, exacerbada mão-de-obra e limites dos mercados locais.. Desse modo, sendo a globalização “a etapa atual de uma era planetária que se inaugurou no século XVI com a conquista das Américas e a expansão das.

(24) 24 potências ocidentais da Europa sobre o mundo” (MORIN, 1997, p. 349), parece natural que o momento presente esteja também marcado pela “predação”, como já o foi anteriormente em tempos de escravidão e colonização.. Quando “o planeta inteiro torna-se assim um gigantesco mercado no qual os povos, as classes sociais e os países entram em competição” (RICARDO apud ZIEGLER, 2003, p. 35), economistas alemães forjam ironicamente o conceito Killerkapitalismus 1 , eis o seu funcionamento: 1. Os Estados do terceiro mundo disputam entre si para atrair investimentos produtivos efetuados por indústrias e empresas de serviços estrangeiras. Para ganhar esta batalha, não hesitam em reduzir ainda mais as já fracas proteções sociais, as liberdades sindicais, o poder de negociação dos assalariados locais. 2. Na Europa, as empresas industriais, de gestão etc. promovem cada vez mais a transferência para fora das fronteiras nacionais de suas instalações de produção e – há alguns anos – também de seus laboratórios e centros de pesquisas. [...] a simples ameaça de uma dessas transferências induz o Estado a ceder cada vez mais às exigências do capital, a aceitar a redução da proteção social [demissões, desregulamentações etc.], em suma, a precarizar, a ‘fluidificar´ o mercado local de trabalho. 3. Os trabalhadores de todos os países subitamente entram em competição uns com os outros. Cada um deles precisa garantir um emprego, uma renda para sua família. Esta situação provoca a dessolidarização entre as categorias de trabalhadores, a desmobilização do espírito de luta, a morte do sindicalismo [...]. 4. No interior das democracias européias cria-se um vácuo: os que têm trabalho tentam por todos os meios preservá-lo e engajam-se contra os que não o têm mais e provavelmente nunca mais voltarão a tê-lo. A solidariedade salarial é rompida. Outro fenômeno: cria-se uma antinomia entre função pública e o setor privado [...]. (ZIEGLER, 2003, p. 36).. Se Malthus 2 preconizava que o crescimento populacional tende sempre a superar o crescimento da produção de alimentos, a capacidade técnica do homem mostrou que não, pois hoje “a capacidade produtiva da economia global é imensa: 1. Literalmente “capitalismo de assassinos”, o conceito aborda um sistema de intensa exploração econômica e social dos países ricos em detrimento da cultura e das condições de vida de países emergentes e pobres. 2 Thomas Malthus defendia o controle de natalidade, pois sua tese era de que enquanto a população cresce em progressão geométrica, a produção de alimentos aumenta em progressão aritmética..

(25) 25 as inovações de alta tecnologia conduzem ao aumento da produção”. Desse modo, “o aumento dos níveis de pobreza em todas as regiões do mundo não se deve à escassez de recursos econômicos” (VIEIRA, 2000, p. 87), mas sim a questão do desemprego “estrutural”, visto que o avanço tecnológico breca significativamente a contratação de mão-de-obra, seja na indústria, na agricultura e até mesmo nos escritórios que informatizados dispensam, inclusive supervisores e gerentes.. Sem dúvida, muitas empresas transnacionais enxergam a globalização apenas sob o aspecto de exploração da mão-de-obra e matéria-prima barata, vantagens competitivas, isenção de taxas e impostos, etc. para seus próprios interesses (industrial e financeiro). Porém, é importante enxergarmos aspectos mais profundos deste processo, “que expressam necessidades irreversíveis do gênero humano, como democratização e universalização dos direitos humanos, solidariedade internacional dos movimentos sociais, novas necessidades de desenvolvimento, na maior cooperação e regulação mundial” (VIEIRA, 2000, p. 104).. Por um lado, temos a globalização da pobreza, por outro, temos um progresso tecnológico na área de telecomunicações e computadores que nos proporcionam uma real articulação da sociedade global. A “multiplicação dos contatos e das redes de comunicação, [...] o número crescente de redes de organizações não-governamentais, difusão de novas tecnologias, internacionalização do conhecimento social e novas formas de interdependência mundial” (VIEIRA, 2000, p. 74) são outros aspectos da globalização.. O presente trabalho trata justamente deste aspecto. Debateremos em detalhes a organização da sociedade civil para os problemas locais e globais, em colaboração mútua e articulada em rede..

(26) 26 Partindo desta análise, “a globalização constitui a precondição objetiva das transformações futuras em direção a um mundo solidário e pacífico, uma vez que os povos consignam superar a atual forma antagônica do processo, imposta pela dominação do capital e das grandes potências” (DABAT apud VIEIRA, 2000, p. 105).. Porém, consideramos também o contexto de aumento das desigualdades sociais, isolamento espacial que os excluídos sentem muito mais na sociedade em rede, e constatamos, em uma análise paralela, que existem outras vias para se viver na sociedade global – é a informalidade, a criminalidade.. Na sociedade global, ocorre uma nova configuração na polarização do poder, dominado pelas grandes potências, porém estas não estão limitadas a territórios físicos, podem ser tanto um Estado nacional, um conglomerado de países, corporações transnacionais, organizações sociais mundiais, como a ONU, e inclusive, os cartéis do crime organizado.. É nesse contexto que se desenvolvem as redes sociais e das redes do crime organizado, frutos do dinâmico processo do capitalismo avançado, atores da vida contemporânea. Antes, uma elucidação do contexto de desigualdades e violência no município de São Paulo.. 1.3 Sociedade brasileira: São Paulo – SP. A sociedade brasileira sempre foi marcada por grandes contrastes sociais. Afinal, a desigualdade social em países em desenvolvimento tende a ser mais acentuada do que em países desenvolvidos.. Se no mundo, há uma nítida geografia da concentração entre pobres e ricos, com os países ricos localizados, em sua maioria, no hemisfério norte e, os pobres, no.

(27) 27 hemisfério sul. No Brasil, esta geografia parece ser definida entre norte e sul também – acima do trópico de Capricórnio um mar extenso, abaixo pequenas ilhas em menor quantidade, conforme a ilustração abaixo (CAMPOS, 2003): Ilustração 1. Segundo Campos (2003), desde 1960 houve uma melhora nas taxas de analfabetismo e de escolaridade, no entanto, outros índices pioraram a partir da década de 1980, como o emprego formal e a violência, atestando assim, uma piora na situação da exclusão social nas duas últimas décadas do século XX. Estes três últimos indicadores possuem uma relação estreita entre si..

(28) 28 Debater a questão e determinar as causas para os indicadores em diferentes cidades do país, por si só, constituiria uma tese e demandaria uma análise aprofundada dos dados levantados.. No presente trabalho, queremos elencar estes dados com a finalidade de constatar a realidade das comunidades que não possuem o aparato eficaz do governo para sua dignidade e cidadania, por isso se encontram entre o bem e o mal, ou seja, ora suas necessidades são acolhidas pelas organizações não governamentais, ora encontram-se à mercê do crime organizado. Este é o retrato.. A metrópole de São Paulo é, sem dúvida, o mais importante pólo econômico, político e cultural do Brasil, porém não deixa de ser um grande centro de exclusão social e violência. Entre os extremos do município, a exemplo do nosso planeta, concentram-se riqueza e pobreza, alta e baixa escolaridade, bairros com população envelhecida e periferias repletas de crianças. Não há como esconder, a miséria está em toda parte.. Abaixo seguem ilustrações (CAMPOS, 2003) do município de São Paulo que facilitam a dimensão da questão: Ilustração 2 – Índice de Pobreza. Ilustração 3: Índice de Violência.

(29) 29 Ilustração 4: Índice de Exclusão Social. Ilustração 5: Índice de Desigualdade Social. Podemos observar, que, “embora não se sobreponha, o Índice de Violência acompanha, em direção, a dispersão de valores e cores expostos pelo Índice de Exclusão Social” (CAMPOS, 2003, p. 100).. 1.3.1 O Refugo da globalização: exclusão social e violência. Muito se discute sobre o processo da globalização, pois é, sem dúvida, um movimento contraditório no sentido de proporcionar inúmeras possibilidades para o avanço e desenvolvimento da sociedade, mas também diante da crise inerente à sociedade contemporânea de desemprego, falta de habitação, problemas na educação e formação, etc. nem todos cidadãos podem usufruir as maravilhas do mundo..

(30) 30 Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), parcela significativa da população vive em condições de miséria absoluta, não tem acesso a saneamento básico, educação, informação, etc. Mais de um bilhão de pessoas no mundo vivem com menos de um dólar por dia. Outros 2.7 bilhões lutam para sobreviver com menos de dois dólares por dia. A pobreza nos países em desenvolvimento, no entanto, vai muito além da pobreza de renda. Significa ter de caminhar mais de 1,5 quilômetros todos os dias, apenas para ir buscar água e lenha; significa sofrer de doenças que, nos países ricos, foram erradicadas há décadas. Todos os anos, morrem onze milhões de crianças , a maioria das quais com menos de cinco anos; e mais de seis milhões morrem devido a causas totalmente evitáveis como a malária, a diarréia e a pneumonia.. Ou seja, para essas pessoas não adianta apontarmos um mundo de grandes novidades, sendo que o essencial não é oferecido. Ora, “as ações humanas são determinadas por dois elementos: o desejo e o poder” (MORAIS, 1985, p. 32). Conforme apontam os dados acima, metade da população mundial vislumbra apenas uma vida digna e sem poder algum.. A conseqüência do cenário é a brutalização da humanidade, gerada pela falta de sensibilidade e egoísmo de uma pequena parcela desta. Pois, conforme Morais: [...] se desejo e poder se vêem descombinados, as coisas se complicam [...] o indivíduo se vê submergir na abulia [...]. De outra parte, mantendose o desejo e havendo um colapso do poder, a pessoa se vê tomada pela ansiedade e pelo medo. [...] A ansiedade e o medo resultam do sentimento de impotência, de fragilidade. Ora, o ser humano cheio de aspirações e sem nenhum poder de realizá-las, torna-se, de uma ou de outra forma, violento. Torna-se hostil. E, quanto mais impotente maior será a brutalidade da sua violência. (MORAIS,1985, p. 32-33).. A partir daí, a frustração se torna causa da violência doméstica, urbana e cotidiana. Bem afirma o ditado popular que “violência gera violência”, afinal essa parcela da população sofre violência e reage, obviamente, de modo agressivo..

(31) 31 Lembramos que a violência não é apenas dano na integridade física, posse, mas também na integridade moral ou em participações simbólicas e culturais. A violência advém da interação de um ou vários atores que passam a agir de maneira direta, maciça ou esparsa, causando danos a uma ou várias pessoas em graus variáveis (MICHAUD apud FERREIRA DIAS, 1996, p. 102).. Para refletir a questão, é inevitável relacioná-la às situações de dominação social e política, observando-as sob a ótica do poder, já que “numa sociedade com antagonismos sociais, a violência reveste-se de um caráter de classes” (FERREIRA DIAS, 1996, p. 102).. Em seu livro “O Discurso da Violência”, Ferreira Dias (1996) elucida a perspectiva de Maffesoli (1987), que: Preocupado em compreender a dinâmica da violência e sua constância nas histórias humanas, vê a violência como estruturante coletivo, como a ação da diferença, da heterogeneidade que promove o dinamismo das sociedades. Apoiado em Max Weber, o autor refere-se à luta como o fundamento de qualquer relação social e propõe considerar o termo violência uma maneira cômoda de reunir tudo o que se refere à luta, ao conflito, ao combate, ou seja, à parte sombria que sempre atormenta o corpo individual ou social (FERREIRA DIAS, 1996, p. 102, grifo do autor).. Desse modo, o homem apesar de seu desenvolvimento social, político e tecnológico não escapa da condição determinante do instinto animal que o mantém prisioneiro de suas próprias ideologias e perversidades. E, na sociedade global enfrenta uma crise que pode colocar em cheque a sustentabilidade do planeta..

(32) 32 1.4 A crise global. Os adeptos das políticas neoliberais defendem que a recessão dos países em desenvolvimento representa uma curva cíclica e temporária, e que o mecanismo de livre mercado assegurará a recuperação econômica. Ou seja, a exclusão e violência são naturalmente concebidas como fase inerente ao desenvolvimento destas nações pobres. Nenhuma conexão é feita entre o colapso das economias nacionais e o subjacente processo de reestruturação global (VIEIRA, 2000).. No entanto, fica evidente que uma das facetas da globalização é justamente a “concentração e centralização do capital, articulando empresas e mercados, forças produtivas e centros decisórios, alianças estratégicas e planejamentos de corporações, tecendo províncias, nações e continentes, ilhas e arquipélagos, mares e oceanos” (IANNI, 2000, p. 19).. Nesta geografia arquitetada, a globalização manifesta seu caráter desigual e segregador, pois não tende à “homogeneização, devendo ser entendida mais propriamente como uma nova estrutura de diferenciação” (VIEIRA, 2000, p. 133). Afinal, “a sociedade global é o cenário mais amplo do desenvolvimento desigual, combinado e contraditório. A dinâmica do todo não se distribui similarmente pelas partes” (IANNI, 2000, p. 254).. Isto porque a tecnologia propicia aos extremamente ricos ganhar dinheiro de forma cada vez mais rápido. As oportunidades de especular para estes no mundo global são inúmeras e com eficiência cada vez maior (BAUMAN, 1999). Por outro lado, esta mesma tecnologia não modifica a vida dos mais pobres. “De fato, a globalização é um paradoxo – é muito benéfica para muito poucos, mas deixa de fora ou marginaliza dois terços da população mundial” (BALLS apud BAUMAN, 1999, p. 79)..

(33) 33 Ou seja, se a globalização é um novo paradigma de espaço/ tempo com a redução de limites, fronteiras, enfim de um globo terrestre em milésimos de segundos, esta oportunidade não é concedida à humanidade como um todo, pois a maioria da população mundial encontra-se submetida ao destino cruel de afogamento nos oceanos da nova configuração planetária, sabendo que a “progressiva segregação espacial, a progressiva separação e exclusão são parte integrante dos processos de globalização” (BAUMAN, 1999, p. 09).. Em contrapartida, o lado solidário, esperança da vida harmônica no planeta nunca foi desfeita. A organização da sociedade civil, a partir da constatação de que nem tão somente o Estado, nem o Mercado serão capazes de aliviar as tensões da modernidade contemporânea, tendem a assumir um papel de responsabilidade por alternativas e projetos a atender as demandas de serviços sociais, garantia da cidadania e diminuição das desigualdades, agravadas pela crise global.. Diante deste cenário, onde o Estado já não é capaz de gerenciar todos os problemas da sociedade, o setor privado faz acordo com o governo em detrimento de benefícios ao trabalhador, a sociedade civil desenvolve o Terceiro Setor pensando no bem-estar da civilização. “A mesma crise que enfraquece o Estado nacional tende a fortalecer as organizações da sociedade civil” (VIEIRA, 2000, p. 112).. A organização da sociedade civil diante à crise global parece ser o horizonte imaginado para o alcance da justiça social e da cidadania como essência da organização humana. O terceiro setor ainda é frágil sob muitos aspectos, porém a sociedade global apresenta novas perspectivas de atuação para este, como é o caso das redes sociais, que elencaremos a seguir..

(34) 34 CAPÍTULO 2 – Organizações em rede. O capítulo pretende abordar como o contexto global tece uma sociedade autônoma do Estado, destacando a organização da sociedade civil diante das questões sociais, ambientais, culturais e políticas e a ferida exposta pela exclusão e desigualdade de onde pulsa grupos infratores e contraventores.. Reservamos este capítulo para abordar a criminalidade organizada, deixando para o capítulo seguinte uma abordagem mais ampla e profunda da articulação em rede do terceiro setor.. 2.1. A sociedade civil e os movimentos sociais: O terceiro setor no Brasil. Em nosso país, a organização da sociedade civil ganhou forças a partir dos anos de repressão da ditadura militar. A sociedade, impedida pela força do Estado de expressar-se e participar da vida pública, inicia um processo de articulação e luta pela defesa de direitos e conquista à democracia.. A história tem demonstrado que a convivência humana é perturbada por diferenças, construídas e pragmatizadas pelo próprio homem, não sendo simples a consecução de uma vida harmoniosa. Aliás, como desperta o pensamento de Hannah Arendt: O mundo não é humano só por ser feito de seres humanos, nem se torna assim somente porque a voz humana nele ressoa, mas apenas quando se transforma em objeto do discurso [...]. Nós humanizamos o que se passa no mundo e em nós mesmos apenas falando sobre isso, e no curso desse ato aprendemos a ser humanos. Esse humanitarismo a que se alega o discurso de amizade chamado pelos gregos de filantropia, o ‘amor do homem’, já que se manifesta na presteza em compartilhar o mundo com outros homens. (BAUMAN, 2004, p. 177)..

(35) 35 A partir daí os homens comuns, inspirados pelo espírito da filantropia, passam a se agrupar para reivindicar direitos e necessidades que alegam necessários à vida digna e cidadã. Desprovidos de um poder institucional, realizam a ação por meio da cooperação e mobilização, se organizam e se articulam em parcerias.. A expressão ONG foi utilizada pela primeira vez em 1945, em documento das Nações Unidas. Define um tipo especial de organização que não depende nem econômica nem institucionalmente do Estado e se dedica a tarefas de promoção social, educação, comunicação, pesquisa e experimentação, sem fins lucrativos, e cujo objetivo maior é a melhoria da qualidade de vida dos setores menos favorecidos da população (SOUZA, H., 1996).. No Brasil, o setor tem ganhado força com o passar dos anos. Segundo o Centro de Estudos do Terceiro Setor (CETS) da FGV, há atualmente no país “mais de 250 mil entidades, que empregam mais ou menos dois milhões de pessoas, tendo movimentado em 1998 recursos em torno de 1,2% do PIB, o que representa aproximadamente 12 bilhões de reais”.. Dada a evidência de sua força de mobilização e resultados que têm alcançado nas últimas décadas, com certeza estes números são maiores, porém há poucos estudos voltados para o setor, o que dificulta colocarmos dados mais atualizados. Fato é que hoje, a sociedade civil organizada assume cada vez mais novas responsabilidades pela proteção e defesa dos direitos do cidadão, antes confluídas exclusivamente como dever do Estado..

(36) 36 As teses neoliberais dos anos 1980 “haviam definido o Estado como intrinsecamente ineficaz, moralmente incapaz e totalmente dispensável para definir ações públicas eficazes” (DUPAS, 2005, p. 180). Com isso, as organizações da nova sociedade civil contemporânea foram ocupando os enormes espaços vazios deixados pelo Estado e incorporando à vida pública uma infinidade de associações civis autônomas e uma visão midiática para as atividades sociais, econômicas e políticas de grupos particulares, mas que passaram a reivindicar o caráter público de seus interesses [...]. (DUPAS, 2005, p. 180).. Observamos que a sociedade global adotou o terceiro setor como possibilidade de resolver as diversas questões contemporâneas que o capitalismo agravou ao longo de séculos. Logo, com as possibilidades das novas tecnologias, a articulação da sociedade civil assume caráter transnacional sendo uma “das poucas formas de resistência aos desequilíbrios gerados pela globalização, pois seus princípios éticos apontam para a instituição de direitos a serem universalmente reconhecidos” (VIEIRA, 2000, p. 112).. Engajado na luta pela igualdade, o terceiro setor no Brasil é a via que alimenta esperanças de comunidades carentes, excluídas e marginalizadas. As crianças, adolescentes e jovens que vivem em situação de risco social no país contam com a assistência deste setor para a conquista de uma vida digna.. A par de seus direitos, estes jovens são defrontados em uma encruzilhada muitas vezes sem saída – o mundo de miséria, fome e falta de perspectivas da vida cotidiana de sua realidade, ou o mundo do crime, do tráfico de drogas e da violência.. O crime fascina esses jovens porque eles se sentem respeitados, conforme elucida José de Jesus 3 – “Numa sociedade em que a família o desrespeita, a polícia o agride, o juiz o humilha, a igreja não o quer, a facção o acolhe. Nela, o 3. Advogado da Pastoral Carcerária de São Paulo..

(37) 37 garoto passa a ter função e poder. Pertence a um grupo temido” (BARROS, 2006, p. 07). No tráfico de drogas, as crianças e adolescentes viram “aviõezinhos” 4 , com a possibilidade de arrecadar até R$ 300,00 por semana – quantia que, muitas vezes, toda a família não ganha em um mês. “O rendimento lhe dá súbita projeção e ele passa a comprar tudo [...]. Antes, ele tinha o crime como opção. Agora, sua opção é o crime” (BARROS, 2006, p. 07).. As ONGs buscam justamente tirar o jovem deste caminho quase sem volta. Porém, o trabalho que realizam é cerceado de dificuldades. A ação deve envolver a família, a escola, a igreja e nem sempre o jovem aceita os desafios impostos pela dura realidade do cotidiano.. Ao contrário do crime organizado, as ONGs não movimentam bilhões ao ano, nem fornecem ao jovem a possibilidade de ter um tênis “bacana”, nem um relógio caro em pouco tempo. A missão das ONGs é para que estes possam ter autonomia de seguirem suas vidas de forma honesta e digna, não seduzem, e sim tentam transformar.. 2.2 A organização da sociedade do crime: o “quarto setor” 5. A sociedade mundial transformou-se num imenso sistema, onde se movimentam todos os tipos de atores sociais, Estados nacionais, empresas transnacionais, organizações bilaterais e multilaterais, ONU, FMI, BIRD, FAO, OIT, AIEA e muitos outros,. compreendendo. naturalmente. também. as. organizações. não-. governamentais, o narcotráfico e o terrorismo (IANNI, 2000).. 4. Denominação dada às crianças e adolescentes que trabalham no tráfico de drogas. São elas quem distribui as drogas da boca-de-fumo pelas ruas da periferia. 5 Cf. ANEXO I, p. 129..

(38) 38 São grupos e bandos que “se organizam fora da esfera do estado, fixando-se na informalidade ou se abrigando no esconderijo da bandidagem. Formam o ‘quarto setor’ e lutam para enguiçar o eixo central da roda” (TORQUATO, 2006). Sob a perspectiva de Schwerdtfegher, diretor da polícia judiciária da Alemanha, “a criminalidade organizada é o capitalismo agravado” 6 . (Apud ZIEGLER, 2003, p. 54).. Ora, a sociedade civil está organizada a fim de superar a ineficácia do Welfare State, porém não é capaz, ainda, de sustentar a moralidade do homem. Longe de alcançarmos os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, a maleabilidade humana impera, como afirma Kant: Existe a grandeza inesquecível do signo histórico que revela a disposição moral da humanidade. Mas existe também este mal radical como inclinação da natureza humana, inclinação não extirpável e insondável abismo de um poder originário capaz de voltar-se para o bem ou para o mal... [...]. Na medida em que não se volta por natureza para fins estáveis, o homem é maleável [...]. A espécie humana é o que dela queremos fazer (ZIEGLER, 2003, p. 27).. Como observa Morais (1985, p. 79), “a violência é típica do ser humano. Ao longo de toda a história ela se tem feito presente. [...]. Todos percebem, porém, que jamais esta coisa do homem atingiu limites tão desumanos quanto agora – e marcadamente nas cidades grandes”.. Parece que as conseqüências humanas para o atual estágio do sistema econômico mundial estão na superfície da realidade das cidades onde moramos, das ruas por onde transitamos e dos espaços públicos e privados em que ocupamos.. Vemos todos os dias a cidade transformar-se em muros. Como analisa Caldeira (2001) em sua pesquisa sobre o aumento da violência na cidade de São Paulo 6. Em alemão: verschäfer Kapitalismus..

(39) 39 que provoca um novo padrão de segregação espacial. Fica cada vez mais explícito que “o medo é o pão cotidiano dos cidadãos. As casas não mais expõem suas fachadas românticas, pois cercam-nas muros muito altos para dentro dos quais ainda triangulam cães de guarda” (MORAIS, 1985, p.12).. Sobre uma análise da prisão, no contexto da crise global e da luta por espaços na sociedade global, compartilhamos da visão de que esta é: [...] forma última e mais radical de confinamento espacial. [...]. O confinamento espacial, o encarceramento sob variados graus de severidade e rigor, tem sido em todas as épocas o método primordial de lidar com setores inassimiláveis e problemáticos da população, difíceis de controlar. (BAUMAN, 1999, p. 114).. Na visão do antropólogo Ralph Linton (apud MORAIS, 1985, p. 18) “aquele que não sabe se poderá ser feliz amanhã, começa a ser infeliz hoje”. Esta é uma das facetas da sociedade global, isto porque apesar de ser uma atividade informal (ou até mesmo por esse motivo), o tráfico de drogas e de armas são os dois mercados que mais movimentam capital financeiro ao ano 7 .. Ora, toda organização criminosa “é para começar uma organização econômica, financeira, de tipo capitalista, estruturada de acordo com os mesmos parâmetros de maximização do lucro, controle vertical e produtividade que qualquer empresa multinacional industrial, comercial ou bancária legal”. (ZIEGLER, 2003, p. 26).. A população global, em sua maioria, marginalizada do processo de globalização das telecomunicações, do ensino e da cidadania são levadas ao crime por causas naturais, seduzidas por esta oportunidade, mesmo que saiba dos perigos que virão, é o retrato de sua comunidade.. 7. Segundo a ONU, o narcotráfico movimenta cerca de 400 bilhões de dólares por ano em todo o mundo. Fonte: Caros Amigos..

(40) 40 A maioria dos criminosos carrega algo de Mefistófeles 8 , pois sabem perfeitamente, por intuição ou experiência, que trabalham uma matéria maleável (ZIEGLER, 2003, p.27).. Pesquisa da Unesco – setor da Organização das Nações Unidas (ONU) para assuntos de Educação, Ciência e Cultura – realizada em 14 capitais brasileiras descobriu que o traficante é o modelo de realização para adolescentes, assim como a violência é a causa determinante de evasão escolar. (SOUZA, 2002, p. 63).. Conforme Ziegler (2003, p. 56), “nenhum cartel do crime organizado cai do céu. Cada cartel tem sua história, uma sociogênese, valores que o legitimam e comportamentos coletivos recorrentes que lhe fornecem sua estrutura”.. Para Souza (2002, p. 24): O crime organizado tem uma classificação que já diz tudo. Possui estrutura, hierarquia, vozes de comando, infiltração nos Poderes públicos. São tentáculos fortes e de longo alcance, asfixiantes e corruptores, com fantástico poder de intimidação. O tráfico de drogas é um de seus ramos. Negócio excelente, clientela farta, lucros com a venda do produto, [...]. Devedor é sempre cobrado a tiros e facadas, nem sempre com aviso prévio. Os traficantes fazem de tudo para o negócio se desenrolar sempre de maneira segura.. Se a globalização aumenta as discrepâncias entre ricos e pobres, marginalizando cada vez mais comunidades do mundo inteiro, as novas tecnologias proporcionam ao crime ferramentas para competir, senão em igualdade, dada seu caráter informal e ilegal, mas proporciona a este uma capacidade assustadora de se organizar, articular e realizar suas malfeitorias.. 8. Mefistófeles é a personificação do demônio na obra de Goethe. É o acompanhante de Fausto quando este vende sua alma e perde o contato com a espiritualidade. O romance mostra os diversos nuances da personalidade humana, seus conflitos etc..

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