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O Papel dos Psicólogos no Envelhecimento

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Academic year: 2021

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CATEGORIA AUTORIA JUNHO ’15

Revisão de Dados Gabinete de Estudos e Literatura Científica Técnicos

O Papel dos Psicólogos no

Envelhecimento

Sugestão de Citação

Ordem dos Psicólogos Portugueses (2015). O Papel dos Psicólogos no Envelhecimento. Lisboa.

Para mais esclarecimentos contacte o Gabinete de Estudos Técnicos: recursos.ordemdospsicologos.pt

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2/6 REVISÃO DE DADOS E LITERATURA CIENTÍFICA

ÍNDICE

Dados de Enquadramento

O Papel dos Psicólogos no Envelhecimento

Saúde Psicológica e Saúde Física na Velhice

Recomendações Internacionais

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3/6 REVISÃO DE DADOS E LITERATURA CIENTÍFICA

O Papel dos Psicólogos no Envelhecimento

Dados de Enquadramento

A população mundial está a envelhecer. A melhoria da alimentação, das condições sanitárias, dos avanços médicos e tecnológicos e a diminuição da taxa de natalidade são responsáveis por este

envelhecimento global. Estima-se que a rápida progressão destas alterações demográficas fará com que os países desenvolvidos passem a ser o lar de 8 em 10 idosos. Actualmente, em Portugal, 26,6% da população tem mais de 65 anos, mas até 2050 esse valor deverá ultrapassar os 40%, razão pela qual aparece na 34ª posição no “Índice Global de Envelhecimento 2013”.

O aumento da esperança média de vida e do número de anos que vivemos já está a transformar as sociedades e as economias, levantando diversas questões que vão desde o financiamento de cuidados de saúde, a medidas de protecção social ou às dimensões que é necessário promover para que para que a qualidade de vida e o bem-estar acompanhem o prolongamento da vida.

A dor e as doenças crónicas, que em 2020 serão responsáveis por 75% das mortes em todo o mundo, e que afectam não só os indivíduos como as suas famílias, constituem problemas para os quais é necessário encontrar respostas. Estima-se que pelo menos 10%-15% dos idosos com mais de 65 anos têm Depressão – o que representa um factor de risco para a incapacidade funcional e aumenta a mortalidade prematura. Cada vez mais a velhice traz também sintomas de Demência.

O Papel dos Psicólogos no Envelhecimento

Como tem evoluído o papel dos Psicólogos na área do envelhecimento?

Os Psicólogos podem contribuir para responder adequadamente aos desafios que o envelhecimento da população coloca. Tendo em conta a sua formação e conhecimento científico teórico-prático sobre o comportamento ao longo do ciclo vital, os aspectos cognitivos do envelhecimento e o impacto psicológico e social do processo de envelhecer, os Psicólogos são profissionais preparados para desempenhar um conjunto diverso de papéis em diferentes contextos de vida dos idosos (privados, hospitalares e comunitários).

À medida que a população idosa cresce, as oportunidades de intervenção psicológica aumentam também dramaticamente. As evidências científicas demonstram a custo-efectividade da intervenção psicológica com idosos. Estudos indicam que os idosos preferem intervenções psicológicas a medicação, até porque muitas vezes já tomam medicação para várias doenças físicas e estão mais propensos aos efeitos adversos da medicação.

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4/6 Por um lado, podem contribuir para um envelhecimento activo, ou seja, para rentabilizar o potencial desta fase da vida e promover um estilo de vida activo, saudável e em que haja envolvimento social com a comunidade e que permita manter e melhorar a qualidade de vida:

 Informar a população acerca dos processos de envelhecimento e das suas consequências;  Desmistificar crenças e mitos sobre a velhice e o envelhecimento, promovendo uma visão

mais realista, activa e positiva do processo de envelhecimento;  Facilitar a participação dos idosos na vida colectiva da sociedade;

 Desenvolver programas que estimulam o envelhecimento activo e o atingir do potencial máximo de cada pessoa durante a velhice;

 Desenvolver programas de prevenção e promoção da Saúde Psicológica na velhice.

Por outro lado, podem ajudar a compreender e a intervir nos problemas que a solidão, o isolamento, a demência e a depressão causam aos idosos. Assim como envolver-se no desenho e implementação de sistemas de gestão e monitorização da saúde que permitam prevenir e tratar a dor e a doença:

 Intervenção nos Problemas de Saúde Psicológica na Velhice como a Depressão e a Ansiedade;

 Intervenção nos processos demenciais e nas mudanças do estilo de vida e do comportamento a eles associadas. Os Psicólogos podem ajudar os idosos em fases iniciais de um processo demencial a construir estratégias e capacidades de coping que lhes permitam reduzir o stresse, assim como optimizar as capacidades cognitivas remanescentes. Os Psicólogos podem ainda trabalhar com os cuidadores, ensinando-lhes estratégias para lidarem com os comportamentos de quem cuidam e com o seu próprio sofrimento emocional;

 Gestão das doenças crónicas;

 Adesão à medicação. Muitos problemas de saúde característicos da velhice – como a hipertensão arterial, a diabetes ou a dor crónica – envolvem tomar medicamentos, fazer uma dieta alimentar específica ou exercitar-se com regularidade. Os Psicólogos podem ajudar a integrar estes comportamentos num estilo de vida saudável quotidiano;

 Processos de Perda e luto;

 Ajustamento e adaptação a mudanças e factores de stresse relacionados com a idade (incluindo a reforma, o conflito familiar/marital ou mudança de papéis na velhice);

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5/6 Os Psicólogos que intervêm no Envelhecimento possuem competências para realizar:

Avaliação. Entrevista clínica; observação do comportamento; testes psicológicos para avaliação do funcionamento mental e cognitivo; avaliação das capacidades funcionais e de tomada de decisão; avaliação do risco (ex. abuso de idosos, ideação suicida);

Intervenção. Psicoterapia individual, familiar ou de grupo; prevenção e promoção da Saúde Psicológica; intervenção em diversos contextos;

Consultoria. Com famílias, profissionais, agências de serviços, comunidades, sistema legal; formação de outros profissionais; participação em equipas interdisciplinares; desenvolvimento e avaliação de programas;

Investigação sobre os processos, factores e resultados do envelhecimento.

Saúde Psicológica e Saúde Física na Velhice

Como se eliminam estereótipos e se equipara a importância da Saúde Psicológica à Saúde Física ao longo do ciclo de vida?

A saúde mental está subjacente à saúde física. Se, por um lado, a doença mental está associada a um aumento do risco de doença física (devido a estilos de vida pouco saudáveis e a mais comportamentos de risco para a saúde), por outro lado, a doença física aumenta o risco da doença mental.

Em termos gerais, as evidências que existem indicam que as pessoas com doenças crónicas apresentam uma probabilidade duas a três vezes superior de sofrer de uma doença mental do que a população geral. De acordo com o Inquérito Nacional de Saúde (2005/2006), 20% dos portugueses sofre de Hipertensão, 6,5% de Diabetes, 16,3% de Dor Crónica e 24,4% de outras Doenças Crónicas. A percentagem estimada de população portuguesa com uma ou mais doenças crónicas é de 52,3%. Frequentemente as pessoas com doenças crónicas experienciam problemas de saúde mental como a depressão, a ansiedade ou a demência, no caso dos idosos. A associação também parece ser particularmente forte no caso das doenças cardiovasculares, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crónica e doenças músculo-esqueléticas. Por exemplo, a depressão é duas a três vezes mais comum em pessoas com doença cardiovascular.

Para além da associação entre doença física e problemas de saúde mental específicos, existe ainda uma associação com o sofrimento emocional. Estudos indicam que cerca de 50%-70% das consultas nos CSP estão relacionadas com factores psicológicos, como a ansiedade, a depressão e o stresse. A integração e coordenação dos cuidados entre Psicólogos e Médicos nos CSP mostra uma diminuição da frequência das consultas médicas dos idosos e o seu uso de medicação.

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Campanha OPP

Recomendações Internacionais

Presentemente, será que existe formação suficiente para a intervenção na idade maior e será que o número de profissionais é também suficiente para fazer face às necessidades? E a longo prazo?

Aumentar as oportunidades de formação em Psicologia do Envelhecimento (a nível graduado e pós-graduado) de modo a fazer face ao envelhecimento da pirâmide etária e à necessidade de serviços de Saúde Psicológica na velhice;

Expandir a investigação que existe na área do bem-estar e da Saúde Psicológica na velhice, nomeadamente no que diz respeito a estratégias que permitam aumentar e prolongar a qualidade de vida;

Aumentar o diagnóstico e o tratamento precoce de idosos com problemas de Saúde Psicológica;

Aumentar o acesso a serviços eficazes de Saúde Psicológica para idosos.

Referências

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