Turma e Ano: Regular/2015 Matéria / Aula: Direito Empresarial Professora: Carolina Lima
Monitor: André Manso
A
ULA21
Da subsidiariedade integral (art. 251 da Lei 6404/76)
Art. 251. A companhia pode ser constituída, mediante escritura pública, tendo como único acionista sociedade brasileira.
Subsidiária depende da outra, fica em 2º plano, é totalmente dependente da outra, não se aceita sociedade com 1 componente, salvo:
Quanto às empresas públicas (capital é 100% público, desde que tenha apenas 1 ente);
Sociedade que esteja passando por transformação social. Temporariamente ela fica com 1 único sócio, seja porque os demais morreram, seja porque resolveram sair. Prazo: 180 dias.
Subsidiária integral – é uma sociedade em que todo o seu capital pertencerá a uma única sociedade brasileira.
Há 1 acionista que tem que ser uma sociedade brasileira. Não exige que o dono necessariamente seja sociedade anônima.
Subsidiária integral tem como tipo societário obrigatoriamente sociedade anônima.
Todo capital e ação estão concentrados em uma só pessoa – pessoa jurídica do tipo sociedade, nada impede que essa pessoa jurídica seja uma limitada.
A subsidiária integral poderá nascer da seguinte forma:
Diretamente, através de sua criadora, por escritura pública;
Por transformação do tipo societário, devendo ocorrer à concentração de todas as ações nas mãos de uma única sociedade brasileira.
É considerada brasileira a sociedade quando a sua sede seja no Brasil e seja constituída de acordo com as normas brasileiras.
Está no Código Civil e na Lei da S/A.
Trata-se de sociedade híbrida – cunho contratual, mas também cunho de sociedade estatutária.
Faz uso de forma subsidiária das regras da S/A.
Só 3 casos da Lei da S/A não podem ser aplicadas a sociedade comandita por ações:
Não há Conselho de Administração;
Tampouco pode haver autorização para aumento de capital;
Não tem a possibilidade de emitir bônus de subscrição.
Será regida por estatuto.
O seu capital é dividido por ações.
Essa sociedade tem 2 tipos de sócios: acionista e diretor.
O diretor é o administrador da sociedade, pessoa física, serão nomeados pelo estatuto e só podem ser destituídos por 2/3 do capital social, a responsabilidade é ilimitada.
O acionista não administra a sociedade, pode ser pessoa física ou jurídica, a responsabilidade é limitada (ao máximo do que tiver investido) e sempre será subsidiária.
É uma sociedade empresária.
O sócio diretor permanecerá respondendo por todos os atos praticados enquanto ainda era diretor, por até 2 anos, a contar da sua saída (com a publicidade necessária).
Devem ser constituída na Junta Comercial, pode aparecer no Registro Público de Empresas Mercantis.
Essa sociedade comandita por ações é uma mini S/A, logo terá assembleia. Todos participam da assembleia.
A assembleia não poderá mudar o objeto da sociedade, prorrogar seu prazo de validade, aumentar seu capital, criar debêntures ou partes beneficiárias sem o consentimento da maioria dos sócios diretores.
Teoria da desconsideração da personalidade jurídica
Disregard doctrine
O princípio da autonomia patrimonial das pessoas jurídicas tem como fim garantir à sociedade o reconhecimento de sua personalidade jurídica. Os particulares são estimulados ao desenvolvimento da atividade econômica.
A personalidade jurídica é para tentar proteger o patrimônio da pessoa física. Só para o caso de a responsabilidade do sócio ser limitada.
Finalidade da desconsideração da personalidade jurídica
Proteção ao princípio da autonomia patrimonial.
Fundamentos da desconsideração da personalidade jurídica (art. 50 do CC)
Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do
Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica.
O abuso da personalidade ocorrerá quando houver desvio de finalidade ou confusão patrimonial (não são requisitos cumulativos e sim alternativos). Junto a isso, o autor deve demonstrar a insolvência do devedor.
Desvio de finalidade exemplo:
Fernanda é dona de salão de belezas, mas usa o CNPJ para comprar roupas perto de casa.
Confusão patrimonial exemplo:
Fernanda usa carro da empresa para levar os filhos para a escola; usa o cartão pessoal para comprar produtos para o salão.
Teoria adotada
Subjetivista
Há necessidade de se demonstrar a fraude (demonstração de fraude);
São atos praticados que tem como fim causar prejuízos aos credores.
Objetivista
É a teoria adotada pelo Brasil.
Basta a presença da insolvência e do abuso da personalidade;
Quando houver desvio de finalidade ou confusão patrimonial.
O Código Civil revogou as demais normas ou elas continuam existindo?
O Código Civil não revogou as demais normas, trata-se de norma geral. As demais são normas especiais. Só podem ser revogados por norma especial.
Da desconsideração da personalidade jurídica em favor do consumidor (art. 28, caput e §5º do CDC)
Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada
quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração.
§ 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for, de alguma forma, obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores.
Fundamentos:
Abuso de direito;
Excesso de poder;
Infração à lei;
Violação ao contrato social ou estatuto;
Falência;
Insolvência;
Encerramento das atividades por má administração;
Quando a personalidade for obstáculo ao ressarcimento.
Das críticas ao CDC, quanto à desconsideração da personalidade jurídica:
O CDC prevê situações que o ordenamento jurídico já pontua consequência bastante eficaz, como, por exemplo, o excesso praticado pelo administrador.
Da desconsideração da personalidade jurídica e infrações à ordem econômica (Lei 8884/94)
Art. 18. A personalidade jurídica do responsável por infração da ordem econômica poderá ser desconsiderada quando houver da parte deste abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. (Revogado pela Lei nº 12.529, de 2011).
Fundamentos:
Abuso de direito;
Excesso de poder;
Infração à lei;
Violação ao contrato social ou estatuto;
Falência;
Encerramento ou inatividade por má administração;
Em suma, basta à insolvência.
Da desconsideração da personalidade jurídica e dos crimes ambientais (Lei 9605/98)
Art. 4º Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente.
Fundamento:
A desconsideração da personalidade jurídica ocorrerá quando a personalidade gerar obstáculo ao ressarcimento dos prejuízos causados ao meio ambiente.
Da teoria maior e da teoria menor
Teoria maior
A quem se aplica: credores negociais;
Fundamento: insolvência +abuso da personalidade;
Provocação: só por provocação do interessado (prejudicado) ou MP
Teoria menor
A quem se aplica: relações de consumo; crimes contra a economia; direito ambiental e direito do trabalho;
Fundamento: basta a insolvência;
Provocação: pode ser de ofício ou por provocação do interessado (prejudicado) ou MP.
Dos efeitos da decretação da desconsideração da personalidade jurídica nas pessoas jurídicas
Ocorrerá a suspensão temporária no caso específico, tratado judicialmente.
Do alcance dos efeitos subjetivos ativos da desconsideração da personalidade jurídica:
Somente aquele que se socorreu ao poder judiciário usufruirá dos efeitos da desconsideração.
Do alcance dos efeitos subjetivos passivos da desconsideração da personalidade jurídica:
Os efeitos só atingem os administradores e sócios que se beneficiaram ou praticaram o abuso de personalidade (aplica-se a teoria maior).
Da desconsideração inversa
Nesse caso, a desconsideração inversa tem como efeitos:
Buscar-se na pessoa jurídica bens que, ao final das contas, pertencem aos sócios. Desvio de finalidade ou com o fim de fraudar credores pessoais.
Da teoria da desconsideração da personalidade jurídica nos casos de prática de atos ilícitos ou violação ao estatuto ou contrato social:
Sua prática gera responsabilidade direta e imediata, desde que comprovado o dolo ou a culpa do agente (subjetividade). Assim, nesses casos, não haveria necessidade da
desconsideração da personalidade jurídica (poderia ser pedida se a parte não comprovar quando conseguir comprovar dolo ou culpa).