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A Indústria de Alimentação

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Academic year: 2021

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expansão das exportações e a melhoria do poder aquisitivo foram os fatores que contribuíram para o bom desempenho da indústria da alimentação em 2004. O crescimento de 2,6% em valor das exportações em alimentos processados, atingindo a cifra de US$ 1 bilhões, mostrou a dinâmica e força do setor, que representou 1,% das exportações totais do país e cerca de 2,4% de participação no total das vendas reais anuais da indústria.

Em 2001, esse indicador estava em 21,2%, o que mostra um esforço grande da indústria de alimentos em alavancar novos mercados para o alimento brasileiro.

O alimento processado brasileiro tem qualidade e padrão internacionais, mesmo porque grandes empresas transnacionais do setor produzem no Brasil para atender um dinâmico mercado interno.

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No âmbito interno, a dinâmica de crescimento de todos os setores da economia alavancado pelo vetor exportações, que melhorou o nível de rendimento da população ocupada e o nível de emprego formal, gerou aumento da massa salarial, além da expansão do crédito e a expansão das vendas a prazo, fatores que contribuiram para o crescimento também do consumo de alimentos.

Os principais indicadores da indústria da alimentação em 2004, abaixo relacionados, mostram que o faturamento anual atingiu US$ 60,1 bilhões, sendo que desse total % corresponde ao faturamento em alimentos e o restante em bebidas.

A indústria da alimentação experimentou um crescimento de 4,1% no volume de produção e de 4,2% nas vendas reais (exclusive inflação setorial).

O fato de as vendas reais terem se comportado abaixo do crescimento da produção decorre da conjugação da valorização do real, dos juros elevados na economia e da força negocial do varejo na interação com a indústria.

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A indústria da alimentação está inserida na cadeia do agronegócio, que movimentou em 2004, segundo a Confederação Nacional da Agricultura, R$ 534 bilhões (30,2% do PIB). A indústria da alimentação propriamente dita representou 1,6 do PIB do agronegócio em valor agregado, o equivalente a R$ 64,2 bilhões.

Em valor agregado a indústria da alimentação representa 50,% do processamento agroindustrial e 41,% da produção agrícola e pecuária. A indústria brasileira da alimentação, que a ABIA representa, é uma indústria extremamente dinâmica.

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O faturamento em 2004 foi de R$ 16,1 bilhões, sendo R$ 152,5 bilhões em produtos alimentares e R$ 23,6 bilhões em bebidas, participando em 10% no PIB brasileiro e 1% na indústria de transformação; emprega 1.066 mil trabalhadores, cerca de 1,2% do total de empregos na indústria da transformação, segundo o MTE.

O setor tem 40, mil estabelecimentos em operação, segundo a mesma fonte: 5,6% de microempresas, 10,5% de pequenas empresas, 3,0% de médias empresas e 0,% de grandes empresas, critério em que grandes empresas empregam mais que 500 empregados, médias entre 100 e 500, pequenas entre 20 e  empregados e micros em até 1 empregados.

Em termos de valor da produção, segundo o critério BNDES de faturamento anual, os números se apresentam como segue: Grandes 43%, Médias 36%, Pequenas 14% e Micro %.

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Segundo levantamento da revista Exame sobre as 500 maiores empresas no Brasil, 40 são empresas da indústria de produtos alimentares e  da indústria de bebidas. Nessas maiores, a participação do capital externo na indústria de produtos alimentares está em 5% no total das vendas das maiores por setor e na indústria de bebidas em 1%.

Os principais segmentos da indústria alimentícia são:

Segmentos Faturamento Var% 2003 (R$ bilhões) 2004 R$ Bilhões Derivados de carne 2, 32,6 1,6

Beneficiamento de Café, chá e cereais 20,4 22,0 ,

Óleos e gorduras 20, 23, 15,

Laticínios 1,5 1,4 5,3

Derivados do trigo 12, 13,4 6,1

Açúcares 12,6 14, 16,

Derivados de frutas e vegetais , ,6 ,1

Chocolate, cacau e balas 4,5 5,1 14,1

Desidratados e supergelados 2, 3,2 ,

Conservas de pescados 1,4 1,5 5,

Diversos ,6 , 1,3

Total 13,0 152,5 11,3

Fonte: ABIA

O setor é bastante competitivo, pois o Brasil é o 1º produtor e exportador mundial de açúcar e álcool, 1º exportador de carnes, suco de laranja e café solúvel, 2º produtor mundial de óleo de soja e balas e confeitos, 3º produtor mundial de carne suína, 5º produtor mundial de chocolate, 6º produtor mundial de leite e 15º produtor mundial de vinhos.

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Ao lado da utilização da matéria prima agropecuária, a indústria da alimentação utiliza em grande escala material industrial referente à embalagem dos alimentos e bebidas, a saber: plásticos duros e materiais flexíveis, produtos metálicos como alumínio, folhas de flandres e aço, material celulósicos como papel kraft, papel duplex, papelão ondulado e produtos do vidro.

Além disso, a indústria da alimentação utiliza maquinário nacional e importado para linhas de produção, refrigeração e embalamento dos alimentos.

A indústria da alimentação concentra-se basicamente na região sudeste em termos de número de estabelecimentos (46,4%), sendo que o Estado de São Paulo sozinho representa 22,% do número de estabelecimentos produtores no país. A seguir vem a região sul com 24,2% e, em 3º lugar, a região nordeste com 1,%. A região centro-oeste representa ,0% e os 3,% restantes correspondem à região norte. Em termos de valor adicionado, o Estado de São Paulo, exclu-sivamente, responde por 35,3% da produção de alimentos do país.A região sudeste compreende 4,% dessa produção, a região sul 25,% e a região nordeste 10,%, conforme mostra a planilha 2 “Distribuição Regional” a seguir.

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O setor da indústria da alimentação em 2004 exportou R$ 50,0 bilhões, representando 2% do faturamento total, com um acréscimo substancial sobre idêntico indicador em 2000, cujo valor exportado representou 14% sobre o faturamento anual.

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Em termos de exportação em dólares os alimentos industrializados atingiram US$ 1,0 bilhões, representando 1,% do total das exportações brasileiras e 61,5% do total das exportações do agronegócio.

O direcionamento das exportações de alimentos industrializados engloba praticamente todos os grandes mercados mundiais, a saber:

- União Européia 31,4% - Europa Oriental 3,0% - Federação Russa ,6% - Oriente Médio 12,6% - Nafta 6,0% - Japão 4,1% - China 3,4% - Mercosul 2,0% - India 1,% A indústria de alimentos brasileira tem contratos de exportação com importadores, distribuidores e redes de varejo nesses mercados.

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Na jusante da indústria da alimentação, encontra-se o setor de distribuição para os mercados interno e externo, incluindo indústrias reprocessadoras adquirentes de grãos e commodities, atacadistas e distribuidores, importadores, distribuidores internacionais, cadeias de varejo e segmentos da cadeia de refeições fora do lar (“food service”) nacionais e internacionais, compreendendo cadeias de “fast food”, restaurantes, hotelaria, etc.

As vendas do setor, excluindo variação de estoques, atingiram em 2004 R$ 16,1 bilhões que diminuído das exportações e agregado das importações significaram um consumo de R$ 12,5 bilhões. Este circulou na cadeia de distribuição em R$ 5,5 bilhões via varejo alimentício e

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R$ 34,0 bilhões através dos segmentos de refeições fora do lar, como: restaurantes comerciais, padarias e bares, fast food, cozinhas industriais, hotelaria, “catering”, lojas de conveniência e “deliveries”.

Edmundo Klotz

Presidente da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA)

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