Uma aventura na Amareleja 1º Capítulo
Era uma vez uma rapariga chamada Teresa que adorava ir ao facebook, adorava falar com os amigos e ver as fotos e os comentários sobre eles.
A Teresa morava no Montijo, mas tinha raízes no Alentejo, mais propriamente no Redondo e na Amareleja e as suas férias de verão eram sempre passadas por lá. Teresa adorava a paisagem alentejana e nas suas viagens de carro até ao Redondo e à Amareleja adorava ver os sobreiros, as oliveiras, as vacas, os cavalos, as ovelhas e os porcos pretos, principalmente a caminho do Redondo. Ela adorava os animais e a natureza e sonhava um dia ter uma profissão ligada à ecologia e à protecção dos animais.
Um dia, Teresa estava a falar com a Conceição, a sua melhor amiga que tal como ela, adorava a natureza e os animais. Elas estavam a falar através do facebook:
- Lembras-te do Néné, que mora no Alentejo numa terra que eu agora não me consigo lembrar do nome? - perguntou a Conceição.
- Sim, claro! É aquele meu primo preferido, aquele que eu te apresentei na minha festa de anos! Eu já não o vejo há bué tempo mas sabes, parece que adivinhaste! Recebi uma mensagem dele ontem à noite. - acrescentou a Teresa.
- E o que é que ele queria?
- Queria convidar-nos para a festa de anos dele e saber como te poderia contactar. Posso dar-lhe o teu número de telemóvel?
- Ok!
Passado um bocadinho o telemóvel toca e Conceição atende: - Estou?
- Olá Conceição, é o António Mataloto! - Desculpa, quem?
-Ah! Oi, tudo bem?
-Sim, sim… - e assim continuaram a falar.
Já era tarde e a mãe da Conceição entrou no quarto com uma cara um pouco aborrecida.
Conceição disse adeus ao Néné e a mãe perguntou-lhe:
-O que é que ainda estas a fazer acordada? Já são onze da noite e amanhã tens aulas às oito e quinze!
- Estava a falar com um primo da Teresa que nos convidou para a festa de anos dele.
- E quando é essa festa? - No próximo fim -de semana.
- Bom, amanhã falamos disso porque já é muito tarde. – respondeu a mãe de Conceição.
Então, entretanto a Conceição foi deitar-se.
No dia seguinte, uma Terça-feira, Conceição já estava na escola às oito horas e ela e a Teresa só falavam da festa de anos do Néné:
- Então Conceição os teus pais deixam-te ir à festa? – Perguntou a Teresa.
-Ainda não sei bem porque ontem já era tarde de mais e não deu para falar sobre o assunto. Hoje falo com os meus pais e depois digo-te qualquer coisa.
-Gostava tanto que fosses, iria ser muita fixe! – exclamou a Teresa.
Entretanto tocou e elas foram para as aulas. Passado algum tempo, já na hora de almoço a Conceição aproveitou para falar com os seus pais:
-Mãe, a Teresa hoje perguntou-me se posso ir com ela à festa do Néné. Posso mãe? -Então e, quando é a festa?
- No próximo fim-de-semana. -Aonde é a festa?
- É na Amareleja.
-Na Amareleja! Fica muito longe do Montijo! -Então mãe, posso ir ou não?
-Podes, mas temos de comprar uma prenda.
Então como a Conceição tinha tarde livre, foram comprar a prenda para oferecer ao Néné. Entraram numa loja de brinquedos e a mãe perguntou:
-Parece-me uma boa ideia!
A Conceição e a mãe acabaram por comprar uma bola de futebol.
Depressa o fim-de-semana chegou. Conceição estava a preparar-se e entretanto toca a campainha. Era a Teresa e os pais que a vinham buscar e tinham que se despachar porque ainda tinham um longo caminho a percorrer. A festa era às quatro e eles abalaram do Montijo ao Meio-Dia.
Quando se sentaram no carro já com os cintos postos, a Conceição e a Teresa começaram a falar como seria a festa e a Conceição estava bastante curiosa porque ela nunca tinha ido à Amareleja. A entrar nas portagens da auto-estrada a Teresa perguntou à Conceição o que ela tinha comprado para oferecer ao Néné. A Conceição respondeu-lhe que tinha comprado uma bola de futebol e a Teresa com as mãos na cabeça disse:
-Oh não! Eu também comprei uma bola de futebol!...
A Teresa e Conceição já estavam a ficar com fome, então os pais da Teresa decidiram parar a meio do caminho para comerem qualquer coisa. Pararam no parque de Vendas-Novas e comeram uma canja de galinha e uma bifana acompanhada de uma Coca-cola. Desejosas de chegar, assim que acabaram de comer, meteram-se logo no carro para continuar a viagem. Já a andar começaram a perguntar uma à outra como eram as bolas que tinham comprado. Conversa puxa conversa, acabaram por descobrir que as bolas eram exactamente iguais! Ficaram um pouco chateadas.
Às quatro da tarde a Conceição, a Teresa e os seus pais chegaram a casa do Néné. Estavam todos um pouco cansados da viagem mas assim que estacionaram, Teresa e Conceição saíram a correr do carro e foram logo cumprimentar o Néné que as esperava. Deram -lhe os parabéns com muito entusiasmo!
-Esta prenda é para ti! - disse a Teresa.
-E esta é para ti! – disse logo de seguida a Conceição. -Muito obrigado! – disse o Néné
Depois Néné abriu as prendas e viu que eram bolas de futebol exactamente iguais. -Olha são iguais! Não faz mal, o que conta é a intenção e poder estar aqui com vocês!
-Pois é, pedimos desculpa. – respondeu a Teresa
-Querem dar um passeio para conhecerem melhor a quinta? – perguntou o Néné
-Sim, vamos! – Responderam elas.
E lá foram eles, todos animados dar uma volta à quinta. Viram muitas árvores, sobretudo sobreiros e azinheiras e muitos animais e ficaram encantadas com tudo. Jogaram à bola, à cabra-cega, cantaram e contaram anedotas.
A certa altura a Conceição afirmou:
-Nunca estive numa quinta como esta. É enorme estou a adorar esta paisagem, nunca vi um sobreiro deste tamanho!
-Uau é enorme!
-Sabes, este sobreiro já tem à volta de cento e cinquenta anos! – disse o Néné
-E pá isso é bué! – disse a Conceição -Este sobreiro é do tempo do meu bisavô!
-Sabes Néné eu adoro a Natureza, e o que mais me encanta aqui é o montado de sobro.
Depois de terem dado mais uma volta pela quinta o Néné apresentou mais uns amigos seus que estavam a lanchar à sombra do enorme sobreiro centenário.
Ao ar livre estava montada uma enorme mesa cheia de uma grande variedade de bolos, bombons, sandes, sumos, gomas e chocolates e como estavam no Alentejo, não faltavam os doces típicos do Alentejo e a Teresa deitou logo o olho à sericaia que ela adorava e sabia que era especial, porque era feita pela tia Alice.
Após o lanche foram todos andar de cavalo pela quinta. Conceição e Teresa estavam a adorar e sobretudo a Conceição perguntava sobre tudo o que via:
-O que é aquilo ali? – perguntou a Conceição ao Néné. -Então não sabes?....