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Absenteísmo odontológico e médico no serviço público e privado

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Ronald Jefferson Martins

Absenteísmo Odontológico e

Médico no Serviço Público e

(2)

Ronald Jefferson Martins

Absenteísmo Odontológico e

Médico no Serviço Público e Privado

Dissertação apresentada à Faculdade de Odontologia de Araçatuba, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, para obtenção do título de Mestre em Odontologia (Área de Concentração Odontologia Preventiva e Social).

Orientadora: Profa. Dra. Cléa Adas Saliba Garbin

Araçatuba 2002

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Ronald Jefferson Martins

Absenteísmo Odontológico e Médico

no Serviço Público e Privado

COMISSÃO JULGADORA

DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE

Presidente e Orientadora: Profa. Dr.a Cléa Adas Saliba Garbin 2º Examinador: Prof. Dr. Eduardo Daruge Júnior

3º Examinador: Prof. Dr. Rogério Nogueira de Oliveira

(4)

Dados Curriculares

Ronald Jefferson Martins

Nascimento: 26 de abril de 1968 – Bilac-SP - Brasil

Filiação: Antônio Rodrigues Martins Netto

Gláucia Urbano Pontes Martins

1988 – 1992 Curso de Graduação em Odontologia

Faculdade de Odontologia do “Campus

de Araçatuba” – Universidade Estadual

Paulista

1999 – 2000 Curso de Especialização em Odontologia

em Saúde Coletiva – Faculdade de

Odontologia do “Campus de Araçatuba”

(5)

DEDICATÓRIA

Ao meu querido e amado pai Antônio Rodrigo Martins Netto, que muitas saudades me traz e de onde estiver sei que esta olhando por mim;

À minha querida e amada mãe, Gláucia Urbano Pontes Martins, que sempre me apóia em tudo e que eu espero algum dia poder retribuir;

À minha querida e amada esposa, Edivete Aparecida Silva Martins, que participa diariamente da minha vida;

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AGRADECIMENTOS

A Deus, por possibilitar o convívio e amizade com pessoas tão especiais; como:

A professora e amiga Cléa Adas Saliba Garbin, que brilhante e pacienciosamente me orientou neste trabalho;

A coordenadora de curso Suzely Adas Saliba Moimáz, pelo esforço, empenho e sapiência com que conduz o programa de pós-graduação;

A Dr. Nemre Adas Saliba, ícone na Odontologia Preventiva e Social, que como mãe consolou e me guiou nos momentos mais difíceis;

A professora Lúcia Sundfield, que me orientou na tabulação dos dados e aos demais professores do Departamento: Orlando Saliba, Artênio José

Ísper Garbin, Renato Moreira Arcieri, Eliel Soares Orenha, que apesar

de não participarem diretamente do trabalho, sempre propiciaram novos conhecimentos;

Aos funcionários do Departamento de Odontologia Infantil e Social, Sônia

Maria Batista Costa, Nilton César Souza, Valderez Freitas Rosa, Neusa Martins Antunes, Ilídio Teodoro Filho, Iole Sbizero Javarez,

(7)

Aos meus colegas de pós-graduação, Alessandro, Andréia, Eduardo,

Mirna, Natanael (Mestrado); Eneide, Franklin, José Luiz, Michel, Regina e Rosani (Doutorado), pela amizade e experiências trocadas e

vividas;

Os funcionários da biblioteca Isabel, Cláudio, Izamar, Ivone, Fátima,

Helena, Cláudia, Luzia, Marina, Alexandra, Maria Cláudia, Ana, pela

forma prazeirosa e competência com que conduzem seus trabalhos;

Os funcionários da Pós-Graduação Adélia, Marina, Francisco, pelo atendimento sempre prestimoso, eficiente e bem humorado;

Ao Dr. Amadeu Vuolo Neto (Médico do Trabalho), pelas importantes informações e ajuda na seleção das empresas;

Aos funcionários da Secretaria de Governo e Gestão Estratégica (SGGE) da Prefeitura Municipal de Araçatuba, em especial Sr. Celso Mendes

Gardinal (diretor), Wilson Célio Maioli (Chefe do Serviço de Segurança

e Medicina do Trabalho), Marcos de Moura Barbosa (Técnico de Segurança do Trabalho), Selma de Branco Pandim (Auxiliar de Enfermagem) e Eliene Passos de Sousa (Enfermeira do Trabalho), pela grandiosa ajuda que me deram durante toda a minha coleta de dados;

Aos diretores e funcionários da Indústria Color-Visão do Brasil - Indústria Acrílica Ltda, em especial ao Sr. Carlos Pereira da Silva (Diretor-Presidente), Ademir Aparecido Manoel (Analista de Recursos Humanos), Francisco Carlos Lopes (Auxiliar de Enfermagem do Trabalho) e Aniele Belmonte Bonfim (Auxiliar de Escritório), que permitiram a realização deste trabalho e pacientemente me recepcionaram;

(8)

Enfim, agradeço a todos que direta ou indiretamente me ajudaram neste trabalho, pedindo perdão aos que lendo estas linhas não encontraram seus nomes, não por terem sido menos importantes, mas sim por puro “lapso de minha memória”.

(9)

“Por mais humilde que seja, um bom trabalho inspira uma sensação de vitória”.

(10)

“Pode-se viver no mundo uma vida magnífica, quando se sabe trabalhar e amar, trabalhar pelo que se ama e amar aquilo que se trabalha”.

(11)

SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS...12 LISTA DE QUADROS...13 LISTA DE ABREVIATURAS...15 1 INTRODUÇÃO ...16 2 REVISÃO DA LITERATURA...26 3 PROPOSIÇÃO ...56 4 MATERIAL E MÉTODO ...58 4.1 População estudada 4.2 Variáveis estudadas 4.3 Método de coleta dos dados 4.4 Classificação e critérios usados 4.5 Análise estatística dos dados 5 RESULTADO...63

5.1 Caracterização da amostra estudada 5.2 Distribuição da amostra estudada quanto ao absenteísmo 5.3 Características do absenteísmo segundo as causas 6 DISCUSSÃO...77

(12)

8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...88 9 ANEXOS...98 10 RESUMO...113 11 ABSTRACT...115 12 RESUMEN...117

(13)

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Funcionária registrando o cartão no relógio de ponto...29

Figura 2 - Funcionários em seu labor...29

Figura 3 - Linha de produção...30

Figura 4 - Ambulatório da indústria...31

Figura 5 - CID-10...40

Figura 6 - Proporção entre número de atestados e número de empre- gados nas empresas privada e pública...66

Figura 7 - Porcentagem de atestados médicos e odontológicos nas empresas privada e pública...67

Figura 8 - Porcentagem de atestados quanto ao sexo nas empresas privada e pública...68

Figura 9 - Porcentagem dos atestados odontológicos e médicos se- gundo a faixa etária, nas empresas privada e pública...70

Figura 10 - Número de atestados segundo o tipo de doença na em- presa privada...71

Figura 11 - Ocorrência das doenças segundo o sexo na empresa privada...71

Figura 12 - Número de atestados segundo o tipo de doença na em- presa pública...72

Figura 13 - Ocorrência das doenças segundo o sexo na empresa pública...73

(14)

LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Fatores ligados ao absenteísmo...25

Quadro 2 - Porte da empresa segundo o número de empregados...33

Quadro 3 - Porte da empresa segundo o faturamento anual...34

Quadro 4 - Dimensionamento da SESMT segundo o grau de risco da atividade e o número de empregados no estabelecimento...36

Quadro 5 - Número de empregados conforme o sexo, nas empresas privada e pública...64

Quadro 6 - Número de atestados conforme o tipo de empresa...64

Quadro 7 - Índice de gravidade...65

Quadro 8 - Índice de freqüência...65

Quadro 9 - Duração média das ausências...66

Quadro 10 - Proporção de absenteísmo...66

Quadro 11 - Número e porcentagem dos atestados segundo o tipo, nas empresas privada e pública...67

Quadro 12 - Porcentagem de atestados médicos e odontológicos quanto ao sexo na empresa privada...68

Quadro 13 - Porcentagem de atestados médicos e odontológicos quanto ao sexo na empresa pública...68

Quadro 14 - Porcentagem de atestados odontológicos quanto ao sexo na empresa privada...69

Quadro 15 - Porcentagem de atestados odontológicos quanto ao sexo na empresa pública...69

Quadro 16 - Número e porcentagem dos atestados odontológicos e médicos segundo faixa etária, nas empresas privada e pública...69

Quadro 17 - Duração do afastamento segundo o tipo de atestado...74

Quadro 18 - Relação entre o número de atestados e de empregados, segundo a função, na empresa privada...75

(15)

Quadro 19 - Relação entre o número de atestados e de empregados, segundo a função, na empresa pública...75

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LISTA DE ABREVIATURAS

Art = artigo.

CAT = Comunicação de Acidente do Trabalho. CID = Código internacional de Doenças.

CIPA = Comissão Interna de Prevenção de Acidentes. CLT = Consolidação das Leis do Trabalho.

CPD = Centro de Processamento de Dados.

DORT = Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho. DOU = Diário Oficial da União.

EPI = Equipamento de Proteção Individual. INPS = Instituto da Previdência Social. LEM = Laudo de Exame Médico. LER = Lesão por Esforço Repetitivo.

NR = Norma Regulamentar de Segurança e Medicina do Trabalho. OMS = Organização Mundial da Saúde.

PCMSO = Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional. PPRA = Programa de Prevenção de Riscos Ambientais

PT SSST = Portaria da Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho. SEBRAE = Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequena Empresa. SESC = Serviço Social do Comércio.

SESI = Serviço Social da Indústria.

SESMT = Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho.

SIME = Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico e Afins da Região de Araçatuba.

SUS = Sistema Único de Saúde. TST = Tribunal Superior do Trabalho.

(17)
(18)

1 INTRODUÇÃO

A classe trabalhadora desempenha importante papel no avanço econômico e tecnológico de todos os países, pois depende dela a parcela produtiva. Devemos colocar a sua saúde no contexto do bem estar físico e mental, a fim de alcançar escalas maiores de eficiência industrial e melhores desempenhos dos funcionários em seus labores.15

Nos dias atuais, o conceito de saúde corresponde ao equilíbrio entre o homem e o ambiente que o cerca. Adaptando-se esse conceito à mentalidade empresarial, conclui-se que para se obter a saúde do trabalhador é necessária a busca pelo equilíbrio no ambiente de trabalho. Os funcionários de qualquer empresa são um dos seus maiores patrimônios.21

Segundo Lima (2001)30 o máximo da capacidade produtiva do trabalhador somente tornar-se-á plena quando a população trabalhadora estiver satisfeita em suas necessidades básicas de saúde.

A empresa deve procurar satisfazer as necessidades humanas, mas o empregado também tem a obrigação de tentar satisfazer as necessidades da organização. É importante que o empregado não seja apenas capaz de trabalhar, mas apresente também boa vontade em fazê-lo. Esta boa vontade, muitas vezes, sustenta-se na habilidade da administração em integrar interesses e necessidades de seus empregados, com os objetivos da empresa.18

(19)

Duas razões levam a implantação de serviços de saúde especificamente para o grupo de trabalhadores: a melhora ou manutenção das condições de saúde e o controle do absenteísmo.46

Parece lógico existirem interesses opostos na visão do problema. A prioridade do empresário é assegurar ou aumentar a presença do trabalhador em seu posto de trabalho, para os sindicatos a prioridade é garantir a proteção à saúde dos trabalhadores.39 Os sindicatos são entidades através das quais a classe trabalhadora pode reivindicar melhores situações de trabalho e de remuneração.20

A palavra “absenteísmo” era aplicada aos proprietários rurais que abandonavam o campo e tendiam a viver nas cidades, sendo que com o advento da revolução industrial o termo passou a ser aplicado aos trabalhadores com tendência a faltar ao serviço.47

No dicionário nós encontramos três definições para o termo:16

1. Sistema de explorar a terra, em que o proprietário confia a administração desta a intermediários, rendeiros, etc.;

2. Ausência habitual do emprego;

3. Falta de assiduidade, sobretudo ao trabalho.

Na literatura também podem ser encontrados os termos “Absentismo” e “Ausentismo”, utilizados no mesmo sentido.2,14,24,37,48,60

Sob o ponto de vista empresarial, o absenteísmo influi negativamente no balanço econômico.37 Segundo Allen (1983),1 à

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primeira vista, o impacto do absenteísmo sobre os custos globais de produção está representado simplesmente pelos bens e serviços que deixaram de ser efetivados devido à ausência do empregado, podendo a empresa minimizar pelo menos parcialmente suas perdas, fazendo alguns operários trabalharem algum tempo a mais, redistribuindo a carga de trabalho ou contratando substitutos a custos mais baixos.

Para Munõz (1997)39 o absenteísmo ao trabalho é um problema, tanto do ponto de vista econômico quanto social, trazendo preocupação às empresas pela necessidade de suprir os trabalhadores ausentes, além de levar a diminuição da produção e qualidade, enquanto que os gastos de pessoal são iguais ou superiores. Por outro lado provoca um incremento nos gastos da Previdência Social, através do pagamento de seguro devido à incapacidade temporária causada por doença ou acidente de trabalho, aumentando também a utilização dos serviços assistenciais públicos, principalmente a atenção primária, pois estes serviços determinam ou justificam se a doença incapacita o trabalhador para seu labor.

O quadro é agravado nas organizações de pequeno porte, pois estas empresas têm orçamentos apertados que não possibilitam investimentos vultosos em melhorias, assim como os empresários não tem acesso a um conhecimento técnico que lhes chame a atenção para a manutenção de postos de trabalho saudáveis em suas organizações.51

(21)

No atual contexto econômico de competitividade, o absenteísmo é um motivo de interesse crescente, pois quanto menor for sua ocorrência, maior será a capacidade das empresas de aumentarem sua rentabilidade e conseguirem um crescimento sustentado.39

Os problemas de saúde são o principal motivo da falta do trabalhador ao serviço,28,39 também podendo ser oriunda das condições de trabalho. Embora muitas vezes as causas e motivações não são fáceis de identificar, para a administração e para o empresário o resultado final é sempre o mesmo: ausência imprevista do trabalhador, levando ao aumento dos custos e serviços.39

No ponto de vista médico o estudo do absenteísmo-doença deve representar importante tarefa de um serviço de medicina do trabalho, considerando-se que seu conhecimento pode definir e conduzir a uma política essencialmente prevencionista e de alto significado social.37

Já a Odontologia do Trabalho deverá, visando o estudo, compreensão e solução dos problemas de saúde bucal dos trabalhadores, atuar de forma preventiva e curativa, binômio indivisível para que a saúde seja alcançada.5

A ausência ou precariedade das ações de prevenção pode conspirar contra a saúde financeira e sobrevivência das firmas, em médio e longo prazo. A OIT (Organização Internacional do Trabalho) apontou em boletim veiculado em abril de 1999, com bases nas estatísticas de

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indenizações pagas, que aproximadamente 4% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial são gastos com o custeio de doenças. Isso representa, segundo cálculo da própria OIT, mais que o PIB da África, das nações árabes e da Ásia meridional juntos. E ainda mais do que toda a ajuda oficial dos países desenvolvidos aos em desenvolvimento.57

Midorikawa (2000)38 descreve dois tipos de absenteísmo: o absenteísmo pela falta ao trabalho e o absenteísmo de “corpo presente”.

O absenteísmo chamado tipo I (pela falta ao trabalho) é representado pela falta pura e simples do empregado ao trabalho, sendo de fácil mensuração e custo calculado. Leva a perda de produção das horas não trabalhadas.

O absenteísmo tipo II (de corpo presente) é aquele onde apesar do trabalhador não faltar ao trabalho, o mesmo não desenvolve o seu melhor desempenho, levando a diminuição na sua produtividade. Isto ocorre devido o mesmo apresentar algum problema de saúde. Estudos comprovaram que a cárie e outras complicações bucais são responsáveis por 20% da falta ao serviço e diminuição da produtividade.17

As odontalgias são causadas por cárie dental ou por doença da gengiva, sendo que a dor normalmente se inicia na madrugada levando a pessoa a dormir mal, indo no dia seguinte ao trabalho fatigada e irritada, incapaz de concentrar-se e com isto predisposta a sofrer acidentes.8 Posteriormente, o trabalhador desesperado falta ao trabalho, extrai o dente e recebe licença de um dia. Outros dentes que por ventura

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estão sofrendo do mesmo processo evolutivo não são tocados, o que mais dia, menos dia levará novamente o trabalhador faltar ao trabalho para providenciar a extração.5, 45

Quick & Lapertosa (1982)47 dividem o absenteísmo tipo I em cinco classes, cada uma merecendo tratamento e considerações diferentes:

1. Absenteísmo voluntário: é a ausência voluntária do trabalho por razões particulares, não justificadas por doença e sem amparo legal.

2. Absenteísmo compulsório: é o impedimento ao trabalho mesmo que o trabalhador não deseje, por suspensão imposta pelo patrão, por prisão, ou outro impedimento que não lhe permita chegar ao local do trabalho. 3. Absenteísmo legal: compreende aquelas faltas ao serviço amparadas por lei, como licença maternidade, nojo, gala, doação de sangue, serviço militar, etc. São as chamadas faltas justificadas.

4. Absenteísmo por patologia profissional: Compreende as ausências por doenças profissionais (LER/DORT), ou ausências por acidente do trabalho (infortúnios profissionais).

5. Absenteísmo por doença: inclui todas as ausências por doença ou procedimento médico.

Para Taylor (1983)62 somente é considerado absenteísmo as ausências que determinam perdas para a empresa devido à ausência de um empregado que deveria ter ido trabalhar.

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Sempre que possível é necessário conhecer como se distribui o absenteísmo conforme a idade, sexo e ocupação ou cargo dos trabalhadores. A disponibilidade destas informações é muito importante a fim de facilitar a tomada de decisões das distintas estratégias para sua prevenção.19,39 Posteriormente deverá ser realizada uma abordagem qualitativa do problema.28

Num desses estudos, Valtorta et al. (1985)64 analisaram o absenteísmo num hospital de grande porte levando em consideração o indivíduo sob os pontos de vista médico, psicológico e social, verificando que muitas vezes a licença médica era utilizada como forma de agressão à chefia e à instituição, representando uma forma legal do trabalhador se ausentar do trabalho.

Jorge (1995)28 defende a abordagem qualitativa, podendo ser associado ao método quantitativo. Diz que se quisermos intervir na questão de forma efetiva, deveremos compreender os problemas sócio-econômico-culturais que provocam uma falta ou uma licença prolongada, pois o trabalhador não é somente aquela pessoa que se apresenta uniformizada ao trabalho, executa sua parcela de trabalho e retorna no dia seguinte e faz tudo igual novamente. Ele tem vínculos fora da instituição e vive num universo às vezes problemático. Aconselha um tratamento individual para questões individuais.

Igualmente é necessário distinguir entre o absenteísmo de curta e longa duração. As ausências prolongadas se devem geralmente a

(25)

enfermidades, já as de curta duração, que são predominantes, podem ser atribuídas a diversas causas mais ou menos relacionadas entre si (enfermidades, dificuldades de adaptação psicológica, condições sociais).19

O absenteísmo por doença varia notadamente entre os diversos grupos de idades, sendo que, entre as pessoas de idade avançada se observa freqüentemente uma menor freqüência, contudo, a duração dos períodos de afastamento são maiores, ao contrário do que acontece com os trabalhadores jovens.19,39

Acredita-se que as mulheres faltem mais ao trabalho que os homens e que a duração das faltas seja menor nas trabalhadoras de idade mais avançada, devido à menor necessidade de cuidar dos filhos e da casa.19

De acordo com Meira (1982)37 são vários os fatores intervenientes no absenteísmo, podendo ser agrupados em naturais, sócio-econômicos e ligados à própria empresa (Quadro 1).

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Quadro 1 – Fatores ligados ao absenteísmo Fatores naturais Fatores sócio-econômicos Fatores ligados à própria empresa - condições climáticas - condições epidemio-lógicas - conjuntura econômica - sexo - idade - estado civil - categoria - tempo na empresa - condições de trabalho - nível salarial - política da empresa - porte - efetivo - supervisão e chefia - benefícios (transporte, assistência médica, restaurante)

Constatado as inúmeras variáveis envolvidas na ocorrência do absenteísmo, procurou-se analisar o impacto do absenteísmo por razões médicas e odontológicas, verificando a interferência de fatores como a idade, sexo e função do trabalhador, além do regime empregatício, na sua ocorrência.

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2 REVISÃO DA LITERATURA

Segundo o artigo 473, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), falta justificada é aquela onde “o empregado poderá deixar de comparecer ao serviço sem prejuízo do salário”.12,31 É o classificado por Quick & Lapertosa (1982)47 de Absenteísmo Legal; incluem-se nesta categoria:

- Nojo: no caso do falecimento do cônjuge, ascendente, descendente, irmão ou pessoa que viva sob sua dependência econômica, o trabalhador poderá faltar dois dias consecutivos.

- Gala: é o casamento da pessoa, sendo que o obreiro poderá faltar até três dias consecutivos.

Em ambos os casos, a lei nada fala sobre a falta no dia do ocorrido (falecimento ou casamento), sendo normalmente abonada a falta do empregado do próprio dia do acontecimento.

- Licença-paternidade: o prazo da licença-paternidade é de cinco dias. - Doação de sangue: o obreiro poderá faltar um dia, a cada 12 meses de trabalho, em caso de doação voluntária de sangue, desde que devidamente comprovada.

- Alistamento eleitoral: quando o empregado vai se alistar para efeitos eleitorais, são consideradas faltas abonadas até dois dias consecutivos

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ou não, sendo que o empregado poderá ir num dia para se alistar e noutro para buscar o título de eleitor.

- Obrigações de reservista: o período em que o empregado tiver de cumprir as obrigações de reservista não será considerado falta ao serviço. É a apresentação dos reservistas, anualmente, no local e data que forem fixados, para fins de exercício ou cerimônia cívica do “Dia do Reservista”. - Prestação de vestibular: o empregado poderá faltar nos dias necessários para a realização das provas de exame vestibular, somente para o ingresso em estabelecimento de ensino superior.

- Testemunhas: as testemunhas não sofrerão desconto em seus salários em razão das faltas ao labor no período em que comparecerem para depor na Justiça do Trabalho.

- Ajuizamento de ação: o empregado pode deixar de comparecer ao serviço, sem prejuízo do salário, pelo tempo que se fizer necessário quando comparecer a juízo.

- Conselhos: o representante dos trabalhadores em atividade terá sua ausência justificada para participação nas reuniões do Conselho Nacional de Previdência Social.12,31,52

A mulher tem direito a licença gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com duração de 120 dias.11 De certo modo, este direito acaba contribuindo para seu maior “stress”, principalmente para aquelas que desejam ter uma profissão sem renunciar à maternidade,

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pois devido às empresas terem maiores obrigações em relação à mulher, muitas só aceitam mulheres solteiras.20

A fim de interpretar ou criar novas normas jurídicas ou condições de trabalho, ao regime de trabalho celetista, são estabelecidos anualmente pela categoria profissional acordos entre empregados e empregadores, os chamados Dissídios Coletivos.31

O regime estatutário apresenta diferentes normas do regime celetista, sendo estabelecido como direito do trabalhador às chamadas “Faltas Abonadas”. O número das mesmas varia de Estatuto para Estatuto, exemplificando temos que pelo estatuto da Prefeitura Municipal de Araçatuba, no seu art. 174: “o funcionário ou servidor terá direito a (6) seis faltas abonadas no ano, não excedendo (1) uma por mês, sem prejuízo de vencimentos, direitos ou vantagens”.3

Não havia preocupação com a saúde do trabalhador até o início do século XVIII. O advento da Revolução Industrial e os novos processos industriais (modernização das máquinas), levaram ao

FIGURA 1 - Funcionária registran- do o cartão no relógio de ponto.

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surgimento de doenças ou acidentes decorrentes do trabalho. A partir desse momento houve a necessidade da elaboração de normas para melhorar o ambiente do trabalho em seus mais diversos aspectos, de modo que o trabalhador não possa ser prejudicado com agentes nocivos a sua saúde. O direito passou, então, a determinar certas condições mínimas que deveriam ser observadas pelo empregador, aplicando sanções e realizando fiscalização sobre as regras determinadas.31

A promulgação da Constituição Federal em 1988 e conseqüente criação do Sistema Único de Saúde (SUS), levou a criação de um capítulo específico com as diretrizes para atender a saúde do trabalhador brasileiro.4 Surgiu então a Segurança e medicina do trabalho que é o segmento do Direito do Trabalho incumbido de oferecer condições de proteção à saúde do trabalhador no local de trabalho, e de

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sua recuperação quando não se encontrar em condições de prestar serviços ao empregador.31

Nas empresas os serviços de saúde são realizados pelos chamados SESMTs (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho), através da elaboração e implementação do PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional). Como medidas preventivas de medicina do trabalho, estão as consultas, orientação e palestras no interior da estrutura da empresa e os exames médicos obrigatórios, que devem ser sempre por conta do empregador. São eles:12,31,57

(a) Exame pré-admissional ou admissional: Será realizado antes que o trabalhador assuma suas atividades.

Segundo Medeiros (1965)32; Medeiros & Bijella (1971)36 o exame odontológico pré-admissional realizado pela empresa traria como vantagens à eliminação dos fatores causais de emergências, contribuindo

(33)

para o aumento da produtividade, para a segurança do trabalho e diminuição do absenteísmo.

Medeiros (1966)33 diz que o exame pré-admissional deveria ter como critério mínimo a exigência de eliminar os dentes com extração indicada e profilaxia simples de indutos e cálculos, sendo óbvio enumerar os benefícios advindos desta medida.

(b) Exame periódico: Deverá ser realizado nos trabalhadores anualmente, quando menores de 18 anos e maiores de 45 anos de idade e a cada dois anos, na faixa etária entre 18 e 45 anos de idade. No caso de trabalhadores expostos a riscos ou situações de trabalho que impliquem no desencadeamento de doença ocupacional, ou trabalhadores portadores de doenças crônicas, deverá ser realizado a cada ano ou a intervalos menores, a critério do médico encarregado, ou ainda como resultado de negociação coletiva de trabalho. Para trabalhadores expostos a condições hiperbáricas, o exame terá a periodicidade especificada no Anexo nº 6 da Norma Regulamentadora 15 do Ministério do Trabalho.

As Normas Regulamentadoras – NR, relativas à segurança e medicina do trabalho, são de observância obrigatória pelas empresas privadas e órgãos públicos da administração direta e indireta, bem como pelos órgãos dos poderes legislativo e judiciário, que possuam empregados regidos pela CLT.27

(34)

O PCMSO deve estar articulado com o disposto nas demais Normas Regulamentadoras, especialmente com o PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais).27,57

(c) Exame demissional: Será realizado no momento da saída do empregado da empresa.

As microempresas estão dispensadas da obrigatoriedade de realização de exames médicos, conforme Decreto nº 90.880/85.12,31

A classificação do porte das empresas é realizada de duas maneiras:

(1) Classificação feita pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE):55 utiliza como critério o número de empregados (Quadro 2).

Quadro 2 – Porte da empresa segundo o número de empregados

PORTE EMPREGADOS

Microempresa De 01 a 19;

Pequena empresa De 20 a 99;

Média empresa De 100 a 499;

Grande empresa Acima de 500

Fonte: SEBRAE, 200255

(2) Classificação conforme o Estatuto da Micro e Pequena Empresa (Lei Federal Nº 9.841): o porte é estabelecido pelo critério do faturamento (Quadro 3).6,9

(35)

Quadro 3 – Porte da empresa segundo o faturamento anual

PORTE FATURAMENTO BRUTO ANUAL

Microempresa Até R$ 244 mil

Empresa de Pequeno Porte Acima de R$ 244 mil e igual ou abaixo de R$ 1.200 mil Média Empresa Acima de R$ 1.200 mil e igual ou

abaixo de R$ 13 milhões Grande Empresa Acima de R$ 13 milhões

Fonte: Lei Federal nº 9.841, de 05/10/1999 (Estatuto da Micro e pequena empresa), Banco de Desenvolvimento de Minas gerais, 20029

As empresas estão obrigadas a manter serviços especializados em segurança e em medicina do trabalho, são os chamados Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT). Os profissionais que deverão compor o SESMT são:27,31

a) Engenheiro de Segurança do Trabalho; b) Médico do Trabalho;

c) Enfermeiro do Trabalho;

d) Auxiliar de Enfermagem do trabalho; e) Técnico de Segurança do Trabalho.

Pimentel (1976)45 relata a necessidade da odontologia nessa equipe de profissionais, dizendo que o dentista dentro da indústria seria a única maneira realista de equilibrar dois interesses: o bem estar do funcionário e o desenvolvimento normal da produção da indústria. No momento não existe qualquer referência legal do Cirurgião-Dentista do trabalho dentro da equipe do SESMT.4 Na realidade muitos médicos de boa vontade ao examinarem um candidato “estendem-se” aos dentes, e

(36)

sempre que encontram raízes residuais exigem ou recomendam sua eliminação.32

A inclusão da odontologia no Programa de controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), normatizada pela Norma Regulamentadora 7 (NR 7) do Ministério do Trabalho, além de atestar a saúde oral dentro do sistema de saúde ocupacional, criaria um banco de dados para a área odontológica. No exame clínico rotineiro e obrigatório do PCMSO, deveria ser incluso o exame odontológico, utilizando-se inicialmente uma ficha simplificada da Organização Mundial da Saúde (OMS), apresentada por Pinto (1992),46 onde constam exames de dentes, mucosa e articulações, além da possibilidade da utilização do Código Internacional de Doenças (CID).4

O dimensionamento do SESMT depende da gradação do risco da atividade principal e do número total de empregados existentes no estabelecimento (Quadro 4).

(37)

Quadro 4 – Dimensionamento da SESMT segundo o grau de risco da atividade e o número de empregados no estabelecimento Grau de Risco Número de Empregados no estabelecimento Técnicos 50 a 100 101 a 250 251 a 500 501 a 1.000 1.001 a 2.000 2.001 a 3.500 3.501 a 5.000

Acima de 5000 para cada grupo de 4000 ou fração acima de 2000**

1

Técnico seg. trabalho engenheiro seg. trabalho aux. enfermagem do trabalho enfermeiro do trabalho médico do trabalho 1 1 1* 1 1* 1 1* 2 1 1 1* 1 1 1* 1 1* 2

Técnico seg. trabalho engenheiro seg. trabalho aux. enfermagem do trabalho enfermeiro do trabalho médico do trabalho 1 1 1* 1 1* 2 1 1 1 5 1 1 1 1 1 1* 1 1 3

Técnico seg. trabalho engenheiro seg. trabalho aux. enfermagem do trabalho enfermeiro do trabalho médico do trabalho 1 2 3 1* 1* 4 1 1 1 6 1 2 1 8 2 1 1 2 3 1 1 1 4

Técnico seg. trabalho engenheiro seg. trabalho aux. enfermagem do trabalho enfermeiro do trabalho médico do trabalho 1 2 1* 1* 3 1* 1* 4 1 1 1 5 1 1 1 8 2 2 2 10 3 1 1 3 3 1 1 1 Fonte: IOB, 1993271* 2**

Segundo a redação da PT DSST nº 04, a gradação do risco das empresas vai de 1 a 4, dependendo da atividade desenvolvida na mesma.27

Siebeneider (1999)57 verificou uma redução considerável na taxa de absenteísmo imediatamente após a instalação do SESMT, a adoção de medidas de controle e prevenção de acidentes de trabalho e utilização dos EPIs, em uma indústria de portas e janelas da cidade de

* Tempo parcial (mínimo de três horas)

** O dimensionamento total deverá ser feito levando-se em consideração o dimensionamento da faixa de 3.501 a 5.000 mais o dimensionamento do(s) grupo(s) ou fração acima de 2.000.

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União da Vitória, no Paraná. A fim de proteger a saúde e a integridade física do trabalhador, toda empresa deverá fornecer gratuitamente, equipamento de proteção individual (EPI), adequado ao risco e em perfeito estado de conservação e funcionamento.12,27

De acordo com o art. 163 da CLT, é obrigatória a constituição por todas as empresas da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), que tem por objetivo observar e relatar as condições de risco nos ambientes de trabalho e solicitar medidas a fim de reduzir até eliminá-los e/ou neutralizá-los, discutindo os acidentes ocorridos e solicitando medidas que os previnam, assim como orientando os trabalhadores quanto a sua prevenção. A CIPA será composta por representantes da empresa e dos empregados, sendo que os representantes do empregador serão por ele designados anualmente, entre os quais o presidente da CIPA. Dentre os representantes dos empregados estará o vice-presidente da CIPA.31

O acidente de trabalho é aquele que ocorre com o trabalhador no exercício do trabalho ou no percurso (ida e volta do labor), provocando lesão corporal, perturbação funcional ou doença que cause morte, ou redução permanente ou temporária da capacidade para o trabalho.12

O dia em que ocorreu o acidente e os 15 dias seguintes serão remunerados pelo empregador, sendo o auxílio-doença acidentário

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devido pela Previdência Social a contar do 16º dia seguinte ao do afastamento do trabalho em conseqüência do acidente.11

Na maioria das vezes, as causas dos acidentes podem ser separadas em duas categorias: técnicas e humanas. As humanas ocorrem em número maior, na proporção de 4 para 1 e são atribuídas às deficiências do indivíduo, portanto falta de cuidado, agitação, inabilidade.18

Os acidentes relacionados ao setor buco-facial, relacionam-se quase invariavelmente a fraturas únicas ou múltiplas dos ossos da face, incluindo cortes, hemorragias e contusões, causadas pela explosão de motores, caldeiras ou outros equipamentos no rosto do indivíduo. Nestes casos os equipamentos de proteção individual (EPIs) exigidos pelo Ministério de Trabalho muitas vezes não servem como anteparo para a forte agressão.5

Segundo Guimarães & Rocha (1979),23 num levantamento estatístico realizado numa empresa de porte médio, constatou-se que entre os trabalhadores envolvidos em acidentes do trabalho no ano de 1975, 77% apresentavam problemas dentários graves, passíveis de dor.

No caso de acidente de trabalho, cabe ao profissional de saúde (médico) estabelecer o nexo causal entre a lesão e o acidente, atuando como o primeiro mediador do acesso do trabalhador aos direitos sociais. Será dada a resposta afirmativa ou negativa do Laudo de Exame

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Médico (LEM), constante no verso da CAT (Comunicação de Acidente do trabalho).11,12,52

Infelizmente são comuns casos nos quais o profissional que atende o acidentado recusa-se a certificar seu ato, por desconhecimento, temores injustificados ou razões menos nobres. Esta recusa leva a implicações éticas, sociais, econômicas, trabalhistas e de prevenção de novos casos, uma vez que a omissão do registro desses eventos deixará de acionar ações de vigilância. A subnotificação que ocorre principalmente no caso dos acidentes leves e doenças profissionais faz com que as informações acabem não chegando à Previdência Social. Apesar da estrutura de controle das CATs no país ser ruim, este é o melhor referencial para avaliação de desempenho do setor no Brasil.57

A falta ao trabalho por motivo de doença ou também chamado absenteísmo doença, acarreta o rompimento ou deslocamento do equilíbrio formado entre a saúde do trabalhador e produtividade, sendo a presença do binômio saúde-produtividade um dos fatores necessários ao desenvolvimento tecnológico.15,30

Evidentemente a produtividade dos indivíduos encarregados da execução de qualquer trabalho depende do seu estado salutar.34 Os progressos sociais e os benefícios nos contratos de trabalho, evidenciam a consciência pública com respeito ao papel que as

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enfermidades têm, provocando incapacidade e afastamentos, com evidente implicação sócio-econômica para a indústria.35

O absenteísmo-doença traz, tanto nos países em desenvolvimento, como nos considerados altamente industrializados, além de um aumento direto dos custos pela concessão de auxílio-doença e um aumento indireto nos custos pela diminuição da produtividade e eficiência, um maior desperdício e aumento dos problemas administrativos com sucessivas substituições dos faltosos.15

Os atestados médicos e odontológicos servem para abonar as faltas ao trabalho por motivo de doença e assegurar o pagamento dos respectivos salários, desde que apresentem a codificação da enfermidade (CID)43, conforme especificado na CLT, dissídio da categoria e estatuto.3,11,59

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Sob o ponto de vista legal, a lei 5.081 de 24 de agosto de 1966, que regula o exercício profissional, prevê no seu artigo 6º, parágrafo III, como de competência do Cirurgião-Dentista, “atestar, no setor de sua atividade profissional, estados mórbidos e outros”. Porém, somente em 30 de junho de 1975 que a lei número 6.215 alterou esse item para a seguinte redação: artigo 6º, parágrafo III- “Atestar no setor de sua atividade profissional, estados mórbidos e outros, inclusive para justificação de faltas no emprego. Esta alteração reconhece a importância do estado mórbido de competência odontológica como fator de absenteísmo.15,53,58

Segundo o parágrafo 4º do artigo 60 de Lei nº 8.213/91 e enunciados 15 e 282 do TST, será considerada falta abonada a justificada por atestado médico da empresa, de convênio médico firmado pela empresa ou de médico da Previdência Social, exigindo-se essa ordem para a validade do referido atestado.31

Esta ordem preferencial de atestados vem a ferir o Código de Ética Médica, onde no parecer nº 547-104/69 lê-se: “E nem ético também nos parece que outro médico, em atitude de mera e indevida fiscalização vise atestados firmados por colegas”, pela possível infringência do artigo 8 e parágrafo 1º do referido Código.22

Além disso a Resolução nº 872/78 dispõe: “Firmar o entendimento de que a livre escolha é o direito do doente de escolher o

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médico de sua confiança ou o sistema de assistência médica de sua preferência, que funcione dentro de princípios éticos e dos preceitos técnico-científicos”. Guilherme & Silva (1983)22 concluem seu estudo dizendo que: “Não podemos entender que o médico do trabalho deva continuar a ser juiz e/ou fiscal dos atestados emitidos por médicos e dentistas devidamente habilitados para o exercício profissional”.

A empresa que dispuser do serviço médico próprio ou em convênio caberá o exame e abono das faltas correspondentes ao citado período, somente encaminhando o segurado ao serviço médico do INPS quando a incapacidade ultrapassar 15 dias.12

No Brasil, Amaral & Róscoe (1970)2 verificaram o número de atestados emitidos em decorrência de afecções dentais no período de três meses de atendimento em serviços dentários da Previdência. Encontraram que de 290 pacientes atendidos, foram fornecidos 42 atestados.

Todos os autores concordam com a etiologia multifatorial do absenteísmo-doença.14

Meira (1982)37 diz que nem sempre os fatores estão determinados no próprio empregado, mas pela organização, pela supervisão ineficaz, pela falta de motivação e estímulo, pelos ambientes e condições de trabalho, pela integração do empregado à empresa, e até mesmo decorrente de uma direção deficiente.

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do empregado causada muitas vezes pela não percepção dos critérios para sua promoção, pode levá-lo a achar que existe protecionismo, fazendo com que o trabalhador se acomode de várias maneiras: aceitando a situação e produzindo o mínimo necessário para manter seu emprego, criando expectativas e mudança da instituição ou criticando-a violentamente. Sugerem um curso de chefia para as chefias, a fim de conhecerem seus direitos e obrigações, saberem resolver, contornar e comportar-se em certas situações e deixarem de descarregar problemas administrativos através do serviço médico.

Recomendam também a transferência de um funcionário que esteja insatisfeito com seu ambiente de trabalho, o que permitiria reduzir os níveis de insatisfação e de desmotivação, antes que se avolumassem contra o servidor comentários desfavoráveis a sua pessoa ou seu trabalho.

Schmidt (1986)54 afirma que as longas jornadas de trabalho, condições de insalubridade do ambiente de trabalho, baixa remuneração, duplo emprego e tensão emocional são razões que acarretam o absenteísmo em larga escala.

A alimentação do trabalhador também pode levar a ausência do mesmo ao trabalho, como explica Kablukow (2002)29 dizendo que embora o tipo de alimentação brasileira seja a mais nutritiva e completa possível, ocorrem sempre problemas digestivos devido à má informação de como nos servimos dela.

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Lembra que como é muito freqüente o tempo hábil para refeição ser escasso, vemos o trabalhador ingerindo feroz e velozmente todo aquele volume sem se preocupar com a fase mais importante da digestão que é a mastigação. Além disso, a grande maioria dos brasileiros trabalhadores é, por falta de condições financeiras e educacionais, praticamente desdentada. A OMS aponta o Brasil como o País dos desdentados.5

No Levantamento Epidemiológico em Saúde Bucal, realizado no Brasil em 1986, foi verificado que 72% da população urbana na faixa de 50/59 anos já tinha extraído todos os dentes de pelo menos um maxilar.5

A conseqüência mais comum é a má digestão, com desconforto pós prandial, dores de estômago, sensação de mal estar, levando-o quase diariamente ao ambulatório da empresa para, na maioria das vezes, tomar um antiácido, que por não resolver seu problema faz com que recorra a um serviço médico externo, para exames e tratamentos mais severos e sofisticados e conseqüentemente mais dispendiosos, provocando grande aumento do absenteísmo. Pequenas palestras informativas sobre o assunto levam, em pouco tempo, o trabalhador a se alimentar sem exagero fazendo o período de labor pós-refeição muito mais produtivo.29

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O absenteísmo-doença na mulher é determinado pelas peculiaridades da mão-de-obra feminina. Pelloso (1979)44 divide-as em dois grupos:

- sociais: a mulher tradicionalmente é esposa e mãe, sendo suas tarefas profissionais sobrepostas pelas múltiplas ocupações domésticas;

- físicas: suas características anatômicas, biológicas, fisiológicas e psicológicas, influenciam o trabalho levando-a a riscos em razão dessas diferenças não serem consideradas.

Carne (1969)10 verificou que algumas variáveis do absenteísmo apresentam superioridade no sexo masculino, mas que no consenso geral é superior no sexo feminino.

Thompson (1972)63 num estudo na Grã-Bretanha verificou que durante o período de 1967 a 1969, ocorreram 5 milhões de licenças que implicaram na perda de 4 milhões de dias de trabalho. Desse total 76,2% correspondiam às mulheres.

Bews (1972)7 verificou que a relação das ausências no trabalho por doença distribuía-se entre os dois sexos na proporção de 192 por 104, predominantemente nas mulheres.

Nogueira & Laurenti (1975)42 ao pesquisarem uma indústria têxtil da cidade de São Paulo, no período de três anos, verificaram que o absenteísmo por doença em mulheres era pouquíssimo maior que o de homens e a duração média das ausências ao trabalho era inferior no sexo feminino. Dizem que apesar das faltas no trabalho

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causadas pelas ginecopatias serem pequenas, elas devem merecer atenção médica, devido à duração média das ausências ser apreciavelmente elevada. Reiteram que a utilização de mão-de-obra feminina não implica num maior risco de faltas ao trabalho por motivo de doença.

Para Nogueira & Azevedo (1982)41 o problema está no grande número de atribuições que a mulher passou a assumir quando se dedicou ao trabalho fora de casa, assumindo além das responsabilidades inerentes ao próprio trabalho, ainda a responsabilidade da casa e da sua família. Cartaxo (1982)13 verificou no seu trabalho existir um maior percentual de trabalhadores faltosos do sexo feminino.

Gomes (1986)20 diz que as mulheres que trabalham fora do lar enfrentam uma jornada dupla, chegando ao serviço cansadas pela fadiga residual e pelo que já fizeram antes de sair de casa. É comum a mulher durante seu turno de trabalho, estar preocupada com os problemas que aconteceram ou podem estar acontecendo no lar e, quando em casa, já em família, não conseguir tirar de sua mente os problemas profissionais que a esperam no outro dia.

Além disso, as mulheres são mais sujeitas que os homens a resfriados, nevralgias, também a dismenorréia, além de responsabilidade com filhos e também com a empregada.44

Souza et al. (2002)61 constataram em um estudo numa unidade de terapia intensiva de adulto, que a doença em familiares,

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principalmente esposo e filhos, são de fato as causas que mais contribuem para que o profissional não cumpra seu dever de assiduidade, seguido por problemas de coluna, característicos da profissão e em terceiro lugar por problema ginecológico. Dizem que é de grande importância que a instituição estimule os trabalhadores na busca por uma formação superior, como também favorecer a aplicação dos novos conhecimentos no seu cotidiano.

Entretanto, em relação à produtividade, está claro que com as transformações tecnológicas, a mulher se equipara pouco a pouco ao homem perante a máquina, compensando com sua maior atenção, destreza e precisão, a sua capacidade muscular inferior.20

No campo da odontologia, a atenção à saúde bucal do trabalhador teve ênfase e desenvolvimento a partir da 2a Guerra Mundial, de 1939 a 1945, devido à necessidade de aumentar e acelerar a produção de material bélico, obrigando as indústrias a considerarem todos os fatores que poderiam perturbar ou retardar a produção. Nos anos 80/90, o início do processo de competitividade forçou as empresas de todos os segmentos a se realinharem ao mercado, começando a se preocupar com a prevenção da saúde dos trabalhadores.5,35

Atualmente, com a finalidade de possibilitar um maior controle sobre as condições de trabalho, evitando com isto o absenteísmo e não propriamente visando a melhoria das condições de saúde dos trabalhadores, têm sido implantados serviços de assistência dentária em

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empresas e fábricas. As modalidades de prestação de serviços odontológicos nas empresas privadas ou públicas podem ser de três tipos: serviços próprios, instalados em suas dependências e operados por pessoal assalariado; serviços contratados externamente, com encaminhamento do empregado que necessitar de atendimento, geralmente restrito a extrações e emergências e os serviços proporcionados por instituições para-oficiais como SESC e SESI.46

Guimarães & Rocha (1979)23 definem a Odontologia do Trabalho como sendo “a parte da Odontologia que trata de promover, preservar e reparar a saúde do trabalhador, conseqüente dos agravos, afecções ou doenças advindas do exercício profissional e que se manifestam na boca”, diferindo das demais especialidades por ter a sua ação diretamente dirigida e voltada para a prevenção de todos os agravos laborais, objetivando a prevenção de doenças conseqüentes da atuação profissional e dos acidentes do trabalho.

Gomes & Magalhães (1980)21 sugerem a realização do Censo Bucal na empresa como recurso para aplicação de uma odontologia preventiva. Consiste no exame coletivo dos empregados, cujo objetivo é pesquisar manifestações orais das moléstias profissionais, focos de etiologia dentária, exame da prevalência de cáries e periodontopatias, além de planejamento da terapêutica de maneira racional, sob o prisma que o serviço odontológico da empresa deve visar por um lado à saúde oral do empregado e seu bem-estar e por outro

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representar o interesse econômico da empresa, mantendo o empregado são, apto a produzir mais e melhor, sem absenteísmo e obtendo com isto o retorno dos gastos com ele feitos na assistência prestada. Com o benefício da assistência odontológica o trabalhador não se ausentará da empresa, eliminando-se o problema do atestado, a procura pelo serviço público e do consultório particular.5

A odontologia do trabalho é hoje simplesmente curativa, sem preocupação com a identificação epidemiológica, catalogação ou prevenção das doenças.4 Ao longo dos anos, os autores utilizaram várias denominações para designar a odontologia praticada no ambiente laboral; são elas: Odontologia Industrial, Odontologia do Trabalho, Odontologia Ocupacional e Odontologia em Saúde do Trabalhador.38

As fábricas tem a tendência de instalarem-se fora do perímetro urbano, fazendo com que os problemas com locomoção absorvam horas adicionais além da jornada de trabalho. A oportunidade de atendimento por um serviço instalado na fábrica reduziria ao mínimo as perdas de mão-de-obra, pois reintegraria o operário o mais rápido possível em suas atividades.36 O serviço odontológico deverá estar, se possível, junto ao ambulatório médico, de modo a poder contribuir com exames solicitados, bem como, servir-se do mesmo nos casos de emergências.35

Medeiros & Bijela (1970)35 estabelecem uma relação mínima de 500 operários para a instalação de um serviço odontológico;

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sugerindo que um cirurgião-dentista em tempo parcial (4 horas/dia), seria suficiente para atender a demanda espontânea e as emergências de um grupo de 1.500 operários. No caso de um maior numero de operários seria aconselhável dois profissionais em tempo parcial. Esse limite é fixado considerando-se que um bom programa de assistência dental, de 12 a 18 meses, atenderá as necessidades com um custo razoável para a indústria e trabalhador, embora no primeiro ano o serviço praticamente ficará ocupado a dar atenção às necessidades acumuladas do grupo e mais às emergências.

A comunicação quase permanente da cavidade oral com o meio externo, torna-a altamente vulnerável a ação de agentes mecânicos, físicos e principalmente químicos.40 O trabalho de Nogueira (1972)40 mostra várias doenças oriundas destes três fatores.

O cirurgião-dentista deverá ter preparo suficiente para reconhecer e tratar lesões da boca oriundas da exposição a substâncias utilizadas na indústria, auxiliar o serviço médico na pesquisa de doenças profissionais, bem como dar atendimento aos acidentes que originam fraturas da mandíbula e dentes, comuns em certos tipos de indústria.35 Esse preparo não pode ser obtido nos ambulatórios dentários gerais ou na clínica particular, mas unicamente através do contato diário com os trabalhadores, especialmente num gabinete instalado dentro de um serviço médico fabril.40

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Determinados produtos químicos quando inalados ou absorvidos em doses elevadas, provocam modificações na quantidade do fluxo salivar e mesmo na quantidade da composição bioquímica da saliva. O chumbo, por exemplo, além de sérios danos hepáticos, renais e neurológicos, causa o chamado saturnismo que apresenta como sinais a pigmentação da gengiva marginal, salivação abundante e tumefação das glândulas salivares. Na década de 80, na cidade paulista de Franca, houve 84 internações hospitalares de sapateiros por saturnismo. Estes trabalhadores colocavam na boca tachas com o propósito de aumentar a sua produtividade.5

Hooper (1942)26 afirma que pelo menos 25% do absenteísmo por doença não ocupacionais está diretamente relacionado às condições orais.

Heacock (1943)25 relatou que o serviço médico de uma indústria de mais de 500 mil trabalhadores em 1942 informou-lhe que o absenteísmo por doenças dos dentes e gengivas em homens foi da ordem de 0,8 pessoas por 1000 empregados, com duração de 27 dias.

Guzmán (1977)24 afirma que apesar de não serem conhecidas com exatidão as cifras, pode presumir-se que diariamente 4000 trabalhadores no México deixam de comparecer ao serviço por causa de problemas buco-dentais, sendo perdidos nada menos que 1.514.216 dias (jornadas de 8 horas) de atividades produtivas a cada ano, afetando a economia do país de forma estratosférica.

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Amaral & Róscoe (1970)2 concluíram que devido ao grande número de fábricas e respectivos empregados, devemos nos atentar para a magnitude do problema odontológico nesse setor de atividade humana. O povo brasileiro paga um terrível tributo resultante do problema do absenteísmo na indústria causado exclusivamente pelas moléstias dos dentes e da boca.

A cárie dentária pelo seu aspecto de ataque universal, natureza insidiosa e devido sua ação deletéria, pode ocasionar síndromes agudas ou crônicas ou eliminação do dente, sendo responsável pela perda de milhares de dias de trabalho/ano.34,35

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou estatística apontando que 98% dos brasileiros são afetados pela cárie dentária, quadro que mostra a total contradição de um país onde existem 150 mil profissionais que representa 12% da população mundial dos dentistas.5

Rocha (1981)50 concluiu, ao analisar uma população de operários de uma indústria metalúrgica de Canoas, no Rio Grande do Sul, que “a falta por motivos odontológicos situa-se como a contribuição menos relevante para o absenteísmo“, sendo superada em termos de duração média e total dos afastamentos tanto pelos acidentes de trabalho quanto pelas causas médicas, essas as mais comuns.

Cartaxo (1982),13 num estudo com trabalhadores de empresas de pequeno, médio e grande porte da cidade de Campina

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Grande, na Paraíba, chegou a conclusão que entre as causas que provocam o absenteísmo ao trabalho, os problemas odontológicos são os que menos contribuem para isso, ocorrendo com maior freqüência as causas médicas.

Reisine (1984)49 a partir de entrevistas pessoais, verificou que 1/4 dos empregados na área de Hatford, nos Estados Unidos, haviam perdido cada um em média 6,2 horas no ano por problemas de saúde bucal.

Borrás & Sanfilippo (1988)8 afirmam que a dor de dentes ocupa o 3º lugar entre as causas de faltas ao trabalho, perdendo apenas para a dor de estômago e a dor de cabeça.5

Já Pinto (1992)46 afirma que as ausências do trabalho por causas odontológicas, parecem ter reduzido peso sobre o total de faltas em função de dois aspectos:

a-) o exame de saúde prévio ao ingresso na empresa, que constitui um importante filtro seletor onde algumas só aceitam candidatos que não tiverem problemas dentários.

b-) as extrações são o único motivo normalmente aceito como justificativa, dificilmente provocando mais que um dia de afastamento do serviço.

A magnitude desse fator permanece obscura, pela falta da guarda dos documentos pertinentes, seja em nível municipal, estadual ou nacional, acarretando a quase não existência de valores palpáveis para a aferição das causas do absenteísmo-doença em Odontologia e

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conseqüentemente, ausência total de informações sobre o ônus econômico que tais faltas possam ocasionar.15

Em pesquisa realizada pelo Ministério do Trabalho na indústria da Inglaterra foi verificado que de cada 1 milhão de dias de trabalho perdidos por motivos de saúde, 527 mil foram decorrentes de problemas odontológicos.5,32

Diferentemente de outros acontecimentos pontuais na vida das pessoas, como nascimento, morte, etc.; o absenteísmo é um fenômeno repetitivo, com duração variável, sendo necessários indicadores para sua análise. 39

Para o cálculo do absenteísmo, o “Subcomitê de Absenteísmo”, da Sociedade Internacional de Saúde Ocupacional indica como mínimo a obtenção de dois índices essenciais, semelhantes ao de acidente do trabalho, cujas fórmulas são:47

Índice de freqüência = Nº de períodos de afastamento Nº de Empregados

Índice de gravidade = Nº de dias perdidos Nº de empregados

(56)

Cada ausência se constitui num “período de afastamento”, com um número variável de dias. Quick & Lapertosa (1982)47 acrescentam a duração média dos períodos, pela sua importância:

Souza et al. (1982)60 sugerem o uso do método de tábuas de vida para o estudo da percentagem de trabalhadores que não têm nenhuma falta ao trabalho por motivo de doença até “x” unidades de tempo (mês, ano) após sua admissão; o tempo mediano para o trabalhador ter sua primeira falta após sua admissão, ou este tempo mediano para uma segunda falta a partir da primeira. É um método de uso conhecido daqueles que fazem observações sobre sobrevivência ou outro tipo de prognóstico em estudos de seguimento de doenças crônicas ou mesmo agudas.

Duração média dos períodos = Nº de dias perdidos Nº de períodos

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(58)

3 PROPOSIÇÃO

Realizou-se esta pesquisa com o propósito de analisar o absenteísmo odontológico e médico no âmbito público e privado. Verificou-se a interferência de fatores ligados à própria empresa, como regime empregatício e ao trabalhador, como sexo, idade e função.

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4 MATERIAL E MÉTODO

4.1 POPULAÇÃO ESTUDADA

A população deste estudo foi constituída por todos os atestados médicos e odontológicos e declarações de comparecimento, devidamente homologados, emitidos no período de janeiro de 2002 até junho de 2002 e que deram entrada no Departamento Pessoal da Prefeitura Municipal de Araçatuba e da Indústria Color Visão – Indústria Acrílica, cuja finalidade era abonar faltas no serviço de até 15 dias.

Foram analisados no total 1642 atestados entre médicos e odontológicos, sendo 1311 da Prefeitura Municipal de Araçatuba e 331 da Indústria Color Visão.

4.2 VARIÁVEIS ESTUDADAS

4.2.1 Com relação a empresa:

4.2.1.1 Categoria da empresa 4.2.1.2 Regime empregatício

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4.2.2 Com relação ao empregado: 4.2.2.1 Idade

4.2.2.2 Sexo

4.2.2.3 Função

4.2.3 Com relação ao absenteísmo: 4.2.3.1 Tipo de atestado

4.2.3.2 Causas do absenteísmo (CID) 4.2.3.3 Duração do absenteísmo (em dias)

4.2.3.4 Data (dia e mês) em que se verificou a falta.

4.3 MÉTODO DA COLETA DE DADOS

Inicialmente obteve-se o parecer favorável do comitê de ética em pesquisa em seres humanos da Faculdade de Odontologia de Araçatuba-UNESP, processo nº2002/01650. Posteriormente o pesquisador dirigiu-se ao Departamento Pessoal das duas empresas com a finalidade de explicitar a finalidade da pesquisa e posterior uso dos dados coletados. Esperava-se com isto obter o consentimento favorável dos diretores/ responsáveis pelas empresas, a fim de se ter acesso aos atestados e listagem de trabalhadores. Em cada empresa foram analisados todos os atestados médicos e odontológicos devidamente homologados, no período de janeiro a junho de 2002 e que serviram para

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abonar a falta do trabalhador. Destes atestados foram coletados dados referentes à data, duração e motivo da falta, baseado no Código Internacional de Doenças (CID-10). Das listagens de trabalhadores, coletaram-se dados como sexo, idade e função do trabalhador.

4.4 CLASSIFICAÇÃO E CRITERIOS USADOS PARA PREENCHIMENTO DA FICHA

Para o preenchimento da ficha de coleta de dados foram utilizados as seguintes classificações e critérios:

4.4.1 CATEGORIA DA EMPRESA PRIVADA PÚBLICA 4.4.2 REGIME EMPREGATÍCIO CLT ESTATUTÁRIO 4.4.3 SEXO M - Masculino F - Feminino 4.4.4 IDADE DATA DE NASCIMENTO 4.4.5 FUNÇÃO

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4.4.6 ATESTADO MÉDICO. CID:

ODONTOLÓGICO. CID: 4.4.7 DATA E PERÍODO

4.5 ANÁLISE ESTATÍSTICA

Os dados coletados foram tabulados através do programa Epi 2000, versão 1.1 e analisados estatisticamente através da análise quantitativa (comparação entre proporções) e apresentados em freqüências absolutas e percentuais.

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RONALD JEFFERSON MARTINS

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RONALD JEFFERSON MARTINS

5 RESULTADO

5.1 Caracterização da amostra estudada

No período pesquisado a empresa privada apresentava no total 656 empregados, sendo 97 do sexo feminino e 559 do sexo masculino. A empresa pública apresentava 3490 funcionários, sendo 2034 do sexo feminino e 1456 do sexo masculino (Quadro 5).

EMPRESA SEXO MASCULINO SEXO FEMININO TOTAL DE EMPREGADOS/ FUNCIONÁRIOS PRIVADA 559 97 656 PÚBLICA 1456 2034 3490

Fonte: Listagens de empregados

No total foram analisados, no período de janeiro a junho de 2002, 1642 atestados entre médicos e odontológicos, nas empresas privada (indústria) e pública (prefeitura). Destes atestados, 331 deram entrada na indústria e 1311 na prefeitura (Quadro 6).

Quadro 6 – Número de atestados conforme o tipo de empresa, Araçatuba, 2002

EMPRESA PRIVADA PÚBLICA TOTAL NÚMERO DE

ATESTADOS 331 1311 1642

Quadro 5 – Número de empregados conforme o sexo, nas empresas privada e pública, Araçatuba, 2002

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RONALD JEFFERSON MARTINS

5.2 Distribuição da amostra estudada quanto ao absenteísmo

A relação entre o número de dias perdidos e o número de empregados (Índice de gravidade),47 na empresa privada foi de 1,07 e na empresa pública de 1,43 (Quadro 7).

EMPRESA DIAS PERDIDOS NÚMERO DE EMPREGADOS ÍNDICE PRIVADA 704 656 1,07 PÚBLICA 5002 3490 1,43

A relação entre o número de períodos de afastamento e o número de empregados (Índice de freqüência),47 na empresa privada foi de 0,50 e na empresa pública de 0,38 (Quadro 8).

EMPRESA PERÍODOS DE AFASTAMENTO NÚMERO DE EMPREGADOS ÍNDICE PRIVADA 331 656 0,50 PÚBLICA 1311 3490 0,38

A relação entre o número de dias perdidos e o número de períodos de afastamento (Duração média das ausências),47 na empresa privada foi de 2,13 e na empresa pública de 3,82 (Quadro 9).

Quadro 8 – Índice de freqüência, Araçatuba, 2002 Quadro 7 – Índice de gravidade, Araçatuba, 2002

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RONALD JEFFERSON MARTINS

EMPRESA NÚMERO DE DIAS PERDIDOS

NÚMERO DE

PERÍODOS MÉDIA PRIVADA 704 331 2,13

PÚBLICA 5002 1311 3,82 A proporção de absenteísmo foi maior na empresa privada que na pública, estatisticamente significativo através do teste de proporção, com qui-quad = 38,38 e p valor <0,0001 (Quadro 10 e Figura 6).

EMPRESA NÚMERO DE ATESTADOS NÚMERO DE EMPREGADOS PROPORÇÃO PRIVADA 331 656 50,46 PÚBLICA 1311 3490 37,56

Quadro 9 – Duração média das ausências, Araçatuba, 2002

Quadro 10 – Proporção de absenteísmo, Araçatuba, 2002

FIGURA 6 – Proporção entre número de atestados e número de empregados nas empresas privada e pública,

Araçatuba, 2002. 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 EMPRESA PRIVADA EMPRESA PÚBLICA NÚMERO DE EMPREGADOS NÚMERO DE ATESTADOS

(68)

RONALD JEFFERSON MARTINS

5.3 Características do absenteísmo segundo as causas 5.3.1 Atestados Médicos e Odontológicos

Os atestados odontológicos tiveram pouco peso sobre o total de atestados, tanto na empresa privada como na pública (Quadro 11 e Figura 7). EMPRESA ATESTADO MÉDICO ATESTADO ODONTOLÓGICO PRIVADA 310 (93,7%) 21 (6,3%) PÚBLICA 1268 (96,7%) 43 (3,3%) Quadro 11 – Número e porcentagem dos atestados segundo o tipo, nas

empresas privada e pública, Araçatuba, 2002

FIGURA 7 – Porcentagem de atestados médicos e odontológicos nas empresas privada e pública, Araçatuba, 2002.

0 20 40 60 80 100 ATESTADO MÉDICO ATESTADO ODONTOL. EMPRESA PRIVADA EMPRESA PÚBLICA

(69)

RONALD JEFFERSON MARTINS

5.3.2 Atestados quanto ao sexo

Houve uma predominância do sexo feminino tanto na empresa privada, quanto na empresa pública (Quadros 12 e 13 e Figura 8).

EMPRESA PRIVADA SEXO FEMININO SEXO MASCULINO TOTAL DE

EMPREGADOS 97 559 ATESTADOS 54 277

PORCENTAGEM 55,67 49,55

EMPRESA PÚBLICA SEXO FEMININO SEXO MASCULINO TOTAL DE

EMPREGADOS 2034 1456 ATESTADOS 817 494

PORCENTAGEM 40,17 33,93 Quadro 12 – Porcentagem de atestados médicos e odontológicos quanto ao

sexo na empresa privada, Araçatuba, 2002

Quadro 13 – Porcentagem de atestados médicos e odontológicos quanto ao sexo na empresa pública, Araçatuba, 2002

0 10 20 30 40 50 60 EMPRESA PRIVADA EMPRESA PÚBLICA SEXO FEMININO SEXO MASCULINO

FIGURA 8 - Porcentagem de atestados quanto ao sexo nas empresas privada e pública, Araçatuba, 2002.

(70)

RONALD JEFFERSON MARTINS

No serviço privado a maior prevalência dos atestados odontológicos ocorreu no sexo feminino. Já no serviço público ocorreu o inverso (Quadros 14 e 15).

EMPRESA PRIVADA SEXO FEMININO SEXO MASCULINO TOTAL DE

EMPREGADOS

97

559

ATESTADOS

8

13

PORCENTAGEM

8,24

2,32

Quadro 15 – Porcentagem de atestados odontológicos quanto ao sexo na empresa pública, Araçatuba, 2002

EMPRESA PÚBLICA SEXO FEMININO SEXO MASCULINO TOTAL DE

EMPREGADOS

2034

1456

ATESTADOS

23

20

PORCENTAGEM

1,13

1,37

5.3.3 Atestados quanto à faixa etária

Dividiu-se a população estudada em faixas etárias de 10 anos, obtendo-se o seguinte resultado (Quadro 16 e Figura 9):

FAIXA ETÁRIA NÚMERO DE ATESTADOS EMPRESA PRIVADA NÚMERO DE ATESTADOS EMPRESA PÚBLICA MENOR QUE 20 ANOS 30 (9,1%) 10 (0,8%)

DE 20 A 29 ANOS 197 (59,5%) 270 (20,6%)

DE 30 A 39 ANOS 53 (16%) 432 (33%)

DE 40 A 49 ANOS 46 (13,9%) 394 (30,1%)

DE 50 A 59 ANOS 5 (1,5%) 176 (13,4%)

60 OU MAIS 0 29 (2,2%) Quadro 16 – Número e porcentagem dos atestados odontológicos e médicos

segundo a faixa etária, nas empresas privada e pública, Araçatuba, 2002

Quadro 14 – Porcentagem de atestados odontológicos quanto ao sexo na empresa privada, Araçatuba, 2002

Referências

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