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Notas de Aula da Professora Denise Pinto

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Academic year: 2021

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(1)

FUNC

¸ ˜

OES VETORIAIS

1.1 Introdu¸c˜

ao

Em C´alculo 1, trabalhamos com fun¸c˜oes reais de uma vari´avel real, i.e. fun¸c˜oes da forma

f : Dom(f ) ⊆ R → R

x 7→ y = f (x).

Como exemplo de fun¸c˜oes reais de uma vari´avel real, podemos citar f (x) = x2, x ∈ R

e g(x) =√x, x ≥ 0.

Em C´alculo 2B trabalharemos com fun¸c˜oes mais gerais, que s˜ao as fun¸c˜oes vetoriais

de v´arias vari´aveis reais, as quais est˜ao definidas na pr´oxima se¸c˜ao.

1.2 Fun¸c˜

oes Vetoriais

DEFINIC¸ ˜AO 1.2.1: Dado um conjunto Dom(F ) ⊆ Rn, uma fun¸c˜ao vetorial F de

n vari´aveis reais ´e uma correspondˆencia, F : Dom(F ) ⊆ Rn → Rm, que a cada ponto

X = (x1, x2, ..., xn) ∈ Dom(F ), associa um e apenas um Y = (y1, y2, ..., yn) ∈ Rm.

Como de costume, o conjunto Dom(F ) ´e chamado de dom´ınio da fun¸c˜ao F .

No caso de fun¸c˜oes vetoriais F : Dom(F ) ⊆ Rn → Rm, temos que existem, e s˜ao

´unicas, m fun¸c˜oes reais de n vari´aveis reais, fi : Dom(F ) ⊆ Rn → R, i = 1, ..., n, tais

que para todo X ∈ Dom(F ),

F (X) = (f1(X), f2(X), ..., fm(X)).

Estas fun¸c˜oes s˜ao chamadas de fun¸c˜oes coordenadas de F ou fun¸c˜oes componentes de

F . Desta forma, representamos a fun¸c˜ao F como

F : Dom(F ) ⊆ Rn Rm

X = (x1, x2, ..., xn) 7→ F (X) = (f1(X), f2(X), ..., fm(X)).

(2)

Como exemplo de fun¸c˜ao vetorial de uma vari´avel real podemos citar F (t) = (cos t , sen t),

t ∈ R e como exemplo de fun¸c˜ao vetorial de v´arias vari´aveis reais, podemos citar F (x, y) =³px2+ y2, xy , x + y

´

, (x, y) ∈ R2.

Observa¸c˜ao 1.2.1: Um ponto ou vetor X ∈ Rn pode ser representado tanto na

hori-zontal quanto na vertical. Isto ´e, X = (x1, x2, ..., xn) ou X =

    x1 x2 : xn    .

Em rela¸c˜ao ao dom´ınio da fun¸c˜ao F temos um importante coment´ario a fazer. Conti-nuaremos aqui abusando da linguagem, tal como fizemos em C´alculo 1. Isto ´e, quando a fun¸c˜ao F for dada por sua express˜ao e fizermos a pergunta: “qual ´e o dom´ınio da

fun¸c˜ao F ?” Estaremos de fato perguntando: “qual ´e o maior subconjunto de Rn no

qual F est´a bem definida?”, ou seja, “qual ´e o maior subconjunto de Rn no qual todas

as m express˜oes dadas por fi(X), i = 1, ..., m, est˜ao bem definidas?” Desta forma,

podemos ver que chamando de Di o maior subconjunto de Rnno qual a express˜ao dada

por fi(X) est´a bem definida, o dom´ınio da fun¸c˜ao F ´e a interse¸c˜ao de todos os Di,

i = 1, ..., m, i.e. Dom(F ) =Tmi=1Di. Confira os exemplos abaixo.

Exemplo 1.2.1: Determine e esboce o dom´ınio da fun¸c˜ao

F (x, y) = µ 1 y, 1 −x.

Solu¸c˜ao: Neste caso, temos que f1(x, y) =

1 y e f2(x, y) = 1 −x. Portanto, D1 = {(x, y) ∈ R 2| y > 0} e D2 = {(x, y) ∈ R2| x < 0}, de modo que Dom(F ) = {(x, y) ∈ R2| x2+ y2 < 1, y > 0 e x < 0}.

Na figura ao lado temos um esbo¸co de Dom(F ) (em amarelo).

y

x

Exemplo 1.2.2: Determine e esboce o dom´ınio da fun¸c˜ao

F (x, y) = Ã 1 p 1 − (x2+ y2), x y, y x ! .

(3)

Solu¸c˜ao: Neste caso, temos que f1(x, y) = 1 p 1 − (x2+ y2), f2(x, y) = x y e f3(x, y) = y x. Portanto, D1 = {(x, y) ∈ R2| x2+y2 < 1}, D2 = {(x, y) ∈ R2| y 6= 0} e D3 = {(x, y) ∈ R2| x 6= 0}, de modo que Dom(F ) = {(x, y) ∈ R2| x2+ y2 < 1, y 6= 0 e x 6= 0}.

Na figura ao lado temos um esbo¸co de Dom(F ) (em verde). 1 –1 y x

A seguir apresentamos os conceitos de imagem, gr´afico e conjunto de n´ıvel de fun¸c˜oes vetoriais de v´arias vari´aveis reais.

Dada a fun¸c˜ao F : Dom(F ) ⊆ Rn → Rm, definimos os seguintes conjuntos

• Imagem de F : Im(F ) = {F (X) ∈ Rm| X ∈ Dom(F )}.

• Gr´afico de F : G(F ) = {(X, F (X)) ∈ Rn+m| X ∈ Dom(F )}.

• Conjunto de N´ıvel K de F : dado K ∈ Im(F ), CK(F ) = {X ∈ Dom(F ) | F (X) = K}.

Observa¸c˜ao 1.2.2: Em C´alculo I, a visualiza¸c˜ao dos gr´aficos ajudavam em muito a compreens˜ao das fun¸c˜oes reais de uma vari´avel real, que eram nossa mat´eria prima. Em tempo, lembre-se que dada uma fun¸c˜ao f : Dom(f ) ⊆ R → R, seu gr´afico ´e o subconjunto de R2 dado por G(f ) = {(x, f (x)) ∈ R2| x ∈ Dom(f )}. Aqui em C´alculo

2, a visualiza¸c˜ao deste conjunto de pares ordenados (X, F (X)), X ∈ Dom(F ), que constituem o gr´afico da fun¸c˜ao F , continuar˜ao de grande valia para um melhor en-tendimento das fun¸c˜oes. Entretanto, vale a pena ressaltar que tal visualiza¸c˜ao apenas ser´a poss´ıvel se n + m ≤ 3.

Observa¸c˜ao 1.2.3: Em C´alculo I, n˜ao fazia sentido esbo¸car nem dom´ınio, nem ima-gem de fun¸c˜ao reais de uma vari´avel real, pois tais conjuntos seriam simplesmente subconjuntos da reta. Aqui em C´alculo 2B, al´em de esbo¸car o dom´ınio (nos casos em que n ≥ 2, como nos Exemplos 1.2.1 e 1.2.2 anteriores), vamos ter interesse em esbo¸car imagens (nos casos em que m ≥ 2, como nos Exemplos 1.2.3 e 1.2.6 a seguir) e conjuntos de n´ıvel (nos casos em que n ≥ 2, como no Exemplo 1.2.5 a seguir).

(4)

Exemplo 1.2.3: Determine e esboce a imagem da fun¸c˜ao F (t) = (t, t2), t ≥ 0.

Solu¸c˜ao: Temos que a imagem de F ´e o conjunto

Im(F ) = {(t, t2) ∈ R2| t ≥ 0}.

Observe que x = t e y = t2, de modo que a imagem

da fun¸c˜ao F ´e a parte da par´abola y = x2, com x ≥ 0

(figura ao lado).

y

x

Exemplo 1.2.4: Determine e esboce o gr´afico da fun¸c˜ao f (x, y) =px2+ y2, (x, y) ∈

R2.

Solu¸c˜ao: Temos que o gr´afico de f ´e o conjunto

G(f ) = {(x, y,px2+ y2) ∈ R3| (x, y) ∈ R2}.

Observe que z = px2+ y2, de modo que o gr´afico da

fun¸c˜ao f ´e o semicone z =px2+ y2, com z ≥ 0 (figura

ao lado).

x

y z

Exemplo 1.2.5: Determine e esboce o conjunto de n´ıvel (1,0) da fun¸c˜ao F (x, y, z) = (x + y + z , z), (x, y, z) ∈ R3.

Solu¸c˜ao: Temos que conjunto de n´ıvel (1,0) de F ´e o conjunto

C(1,0)(F ) = {(x, y, z) ∈ R3| x+y+z = 1 e z = 0},

que consiste da interse¸c˜ao do plano x + y + z = 1, com o plano z = 0, o que fornece a reta x + y = 1 no plano xy. o conjunto de n´ıvel (1, 0) de F est´a

esbo¸cado na figura ao lado. x

y z

(5)

Solu¸c˜ao: Temos que o gr´afico de F ´e o conjunto

G(F ) = {(t, t, t2) ∈ R3| ∈ R}.

Observe que x = t, y = t e z = t2, de modo que o gr´afico

da fun¸c˜ao F ´e a interse¸c˜ao do plano x = y com o cilindro

z = y2 (ou z = x2) (figura ao lado). x y

z

Exemplo 1.2.7: Determine e esboce a imagem da fun¸c˜ao F (t) = (cos t, sen t),

t ∈ [0, 2π].

Solu¸c˜ao: Temos que a imagem de F ´e o conjunto dado por

Im(F ) = {(cos t, sen t) ∈ R2| t ∈ [0, 2π]}.

Para esbo¸car este conjunto, observe inicialmente que como x(t) = cos t e y(t) = sen t, temos que x2(t) + y2(t) = 1. Portanto, todos os pontos da imagem desta fun¸c˜ao est˜ao

contidos na circunferˆencia x2 + y2 = 1. Agora veremos que as equa¸c˜oes acima

repre-sentam n˜ao apenas alguns pontos da circunferˆencia, mas sim todos os pontos da mesma. De fato, considere a circunferˆencia de raio 1 e centro na

origem esbo¸cada ao lado. Neste caso, ´e f´acil ver que    x = x(t) = cos t, t ∈ [0, 2π], y = y(t) = sen t,

onde t ´e o ˆangulo central indicado. Observe que quando

t varia de 0 a 2π, o ponto P = (x, y) parte do ponto

(1, 0) e completa a volta ao longo da circunferˆencia no sentido anti-hor´ario. y x P=(x,y) y(t) x(t) t 0

Concluimos portanto que a imagem desta fun¸c˜ao ´e pre-cisamente a circunferˆencia x2+ y2 = 1 (figura ao lado).

1 –1 1 –1 y x

(6)

Solu¸c˜ao: Temos que o gr´afico de F ´e o conjunto dado por

Im(F ) = {(t, cos t, sen t) ∈ R3| t ∈ R}.

Para esbo¸car este conjunto, observe inicialmente que sendo y(t) = cos t e

z(t) = sen t, temos do Exemplo 1.2.6 acima, que y2(t) + z2(t) = 1. Ou seja, a

proje¸c˜ao do gr´afico de F , no plano yz, ´e a circunferˆencia de raio 1 e centro na origem (figura abaixo `a esquerda). Desta forma, temos que as coordenadas y e z do gr´afico da fun¸c˜ao F est˜ao contidas no cilindro circular reto y2 + z2 = 1 (figura

abaixo `a direita). 1 –1 1 –1 y x x y z

Al´em disto, a vari´avel x vai aumentando conforme o valor de t vai crescendo, pois x = t. Desta forma, temos como gr´afico desta fun¸c˜ao, uma curva que faz uma espiral para frente, conforme o valor de t aumenta. Esta curva, semelhante a uma mola espiral, ´e chamada

de h´elice. x

y z

Veremos agora exemplos que mostram que um mesmo conjunto pode ser apresentado como imagem de uma fun¸c˜ao, ou como gr´afico de outra fun¸c˜ao, ou ainda, como con-junto de n´ıvel de uma terceira fun¸c˜ao.

Exemplo 1.2.9: Determine o gr´afico da fun¸c˜ao

f : R2 R

(x, y) 7→ f (x, y) = x2+ y2.

Solu¸c˜ao: Temos que o gr´afico de f ´e o conjunto

G(f ) = {(x, y, x2+ y2) ∈ R3| (x, y) ∈ R2}.

Note que z = x2+ y2, de modo que o gr´afico da fun¸c˜ao f ´e o parabol´oide z = x2+ y2.

Exemplo 1.2.10: Determine a imagem da fun¸c˜ao

H : R2 R3

(7)

Solu¸c˜ao: Temos que a imagem de H ´e o conjunto

Im(H) = {(x, y, x2+ y2) ∈ R3| (x, y) ∈ R2}.

Novamente vemos que z = x2+y2, de modo que a imagem da fun¸c˜ao H ´e o parabol´oide z = x2+ y2.

Exemplo 1.2.11: Determine o conjunto de n´ıvel 0 da fun¸c˜ao

g : R3 R

(x, y, z) 7→ g(x, y, z) = z − (x2+ y2).

Solu¸c˜ao: Temos que conjunto de n´ıvel 0 de g ´e o conjunto

C0(g) = {(x, y, z) ∈ R3| (x, y) ∈ R2 e z = x2+ y2},

que equivale a

C0(g) = {(x, y, x2+ y2) ∈ R3| (x, y) ∈ R2},

que tamb´em fornece o parabol´oide z = x2+ y2.

Observe que nos trˆes exemplos acima, o conjunto pedido era dado pelo parabol´oide z = x2+y2, esbo¸cado ao lado.

Compare esta observa¸c˜ao com as defini¸c˜oes apresentadas abaixo.

x y

z

DEFINIC¸ ˜AO 1.2.2:

• Diz-se que um conjunto S ⊂ Rn+m est´a definido explicitamente se S ´e o gr´afico

em Rn+m de uma fun¸c˜ao F : Dom(F ) ⊆ Rn→ Rm.

• Diz-se que um conjunto S ⊂ Rm est´a definido parametricamente se S ´e a imagem em

Rm de uma fun¸c˜ao H : Dom(H) ⊆ Rn → Rm.

• Diz-se que um conjunto S ⊂ Rn+m est´a definido implicitamente se S ´e o conjunto de

n´ıvel em Rn+m de uma fun¸c˜ao G : Dom(G) ⊆ Rn+m → Rm.

Na pr´oxima aula, vamos falar de fun¸c˜oes vetoriais de uma vari´avel real e veremos mais exemplos de identifica¸c˜ao e esbo¸co de imagens. J´a na terceira aula, vamos falar de fun¸c˜oes reais de v´arias vari´aveis reais, de modo que veremos mais exemplos de identi-fica¸c˜ao e esbo¸co de dom´ınios, conjuntos de n´ıvel e gr´aficos.

(8)

1.3 Exerc´ıcios

Exerc´ıcio 1.3.1: Descreva o conjunto S, onde S ´e a par´abola y = x2, x ∈ R de forma

expl´ıcita, impl´ıcita e param´etrica.

Resposta: Forma expl´ıcita: S ´e o gr´afico da fun¸c˜ao f

f : R → R

x 7→ f (x) = x2,

isto ´e,

S = G(f ) = {(x, x2) ∈ R2| x ∈ R}.

Forma impl´ıcita: S ´e o conjunto de n´ıvel zero da fun¸c˜ao g

g : R2 R

(x, y) 7→ g(x, y) = y − x2,

isto ´e,

S = C0(g) = {(x, y) ∈ R2| y − x2 = 0}.

Forma param´etrica: S ´e a imagem da fun¸c˜ao F

F : R → R

t 7→ F (t) = (t, t2),

isto ´e,

S = Im(F ) = {(t, t2) ∈ R2| t ∈ R}.

Exerc´ıcio 1.3.2: Responda cada um dos itens a seguir.

a) Defina uma fun¸c˜ao f1 cujo conjunto de n´ıvel 0 ´e a par´abola y = x2 em R2.

b) Defina uma fun¸c˜ao f2 cujo conjunto de n´ıvel 0 ´e o cilindro parab´olico y = x2 em

R3.

c) Determine e esboce o dom´ınio e a imagem da fun¸c˜ao f3(x, y) =

³

x, y,p1 − (x2+ y2)´.

d) Determine uma fun¸c˜ao f4 tal que seu gr´afico ´e a imagem da fun¸c˜ao f3 do item (c).

Resposta: a) f1 : R2 R (x, y) 7→ f (x, y) = y − x2, b) f2 : R3 R (x, y, z) 7→ f (x, y, z) = y − x2,

(9)

c) Temos que o dom´ınio de f3 ´e o conjunto

Dom(f3) = {(x, y) ∈ R2| 1 − (x2+ y2) ≥ 0}

= {(x, y) ∈ R2| x2+ y2 ≤ 1}.

O dom´ınio de f3 ´e portanto a circunferˆencia de centro na origem e raio igual a 1 e seu

interior (figura abaixo `a esquerda). A imagem de f3 ´e o conjunto

Im(f3) = n³ x, y,p1 − (x2+ y2) ´ ∈ R3| (x, y) ∈ R2 o .

A imagem de f3 ´e portanto a semi-esfera de centro na origem e raio igual a 1, com z ≥ 0 (figura abaixo `a direita).

1 –1 y x

x

y

z

d) f4 : Dom(f4) ⊆ R2 R (x, y) 7→ f (x, y) =p1 − (x2+ y2),

onde Dom(f4) = {(x, y) ∈ R2| x2 + y2 ≤ 1}. Observe que de fato, G(f4) = { ³ x, y,p1 − (x2+ y2) ´ ∈ R3| x ∈ R}.

(10)

FUNC

¸ ˜

OES VETORIAIS DE UMA

VARI ´

AVEL REAL

2.1 Fun¸c˜

oes Vetoriais de Uma Vari´

avel Real

Vamos agora tratar de um caso particular de fun¸c˜oes vetoriais F : Dom(f ) ⊆ Rn→ Rm,

que s˜ao as fun¸c˜oes vetoriais de uma vari´avel real. Neste caso, temos que n = 1, i.e. o dom´ınio ´e um subconjunto de R.

DEFINIC¸ ˜AO 2.1.1: Dado um conjunto Dom(F ) ⊆ R, uma fun¸c˜ao vetorial F de

uma vari´avel real ´e uma correspondˆencia, F : Dom(F ) ⊆ R → Rm, que a cada ponto

t ∈ Dom(F ), associa um e apenas um Y = (y1, y2, ..., yn) ∈ Rm.

Exemplo 2.1.1: Abaixo temos exemplos de fun¸c˜oes vetoriais de uma vari´avel real, com m = 2 ((a) e (c)) e m = 3 ((b) e (d)).

a) F1(t) = (2t, 4t), t ≥ 0.

b) F2(t) = (t, 2t, 4t), t ≥ 0.

c) F3(t) = (2 cos t, 3 sen t), t ∈ [0, 2π].

d) F4(t) = (cos t, sen t, t), t ≥ 0.

2.2 Opera¸c˜

oes com Fun¸c˜

oes Vetoriais de Uma

Vari-´

avel Real

Definiremos a seguir as usuais opera¸c˜oes de soma, diferen¸ca, e produto por escalar entre fun¸c˜oes vetoriais, da mesma forma que fizemos para fun¸c˜oes reais. Al´em disso, definiremos novas opera¸c˜oes, conforme pode ser visto na defini¸c˜ao a seguir.

(11)

DEFINIC¸ ˜AO 2.2.1: Considere as fun¸c˜oes F, G : D ⊆ R → Rm e f : D ⊆ R → R e

a constante k ∈ R. Neste caso, definimos as seguintes fun¸c˜oes:

a) a fun¸c˜ao F + G : D ⊆ R → Rm, chamada de soma de F e G, dada por

(F + G)(t) = F (t) + G(t), ∀ t ∈ D;

b) a fun¸c˜ao F − G : D ⊆ R → Rm, chamada de diferen¸ca entre F e G, dada por

(F − G)(t) = F (t) − G(t), ∀ t ∈ D;

c) a fun¸c˜ao kF : D ⊆ R → Rm, chamada de produto de F pela constante k, dada por

(kF )(t) = kF (t), ∀ t ∈ D;

d) a fun¸c˜ao f F : D ⊆ R → Rm, chamada de produto de F pela fun¸c˜ao escalar f , dada

por

(f F )(t) = f (t)F (t), ∀ t ∈ D; e) se f (t) 6= 0, ∀t ∈ D, a fun¸c˜ao F

f : D ⊆ R → R

m, chamada de quociente de F pela

fun¸c˜ao escalar f , dada por

µ F f(t) = F (t) f (t), ∀ t ∈ D;

f) a fun¸c˜ao F.G : D ⊆ R → R, chamada de produto escalar de F e G, dada por (F.G)(t) = F (t).G(t), ∀ t ∈ D;

g) se m = 3, a fun¸c˜ao F × G : D ⊆ R → R3, chamada de produto vetorial de F e G,

dada por

(F × G)(t) = F (t) × G(t), ∀ t ∈ D.

Exemplo 2.2.1: Sabendo que f (t) = sen t, F (t) = (t, et, t2) e G(t) = (t, 1, t3), calcule:

(a) F + G (b) 2F (c) f F (d) F.G (e) F × G. Solu¸c˜ao:

a) (F + G)(t) = F (t) + G(t) = (t, et, t2) + (t, 1, t3) = (2t, 1 + et, t2+ t3);

b) (2F )(t) = 2F (t) = 2(t, et, t2) = (2t, 2et, 2t2);

c) (f F )(t) = f (t)F (t) = sen t (t, et, t2) = (t sen t, et sen t, t2 sen t);

d) (F.G)(t) = F (t).G(t) = (t, et, t2).(t, 1, t3) = t2+ et+ t5; e) (F × G)(t) = F (t) × G(t) = ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ~i ~j ~k t et t2 t 1 t3 ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯= (t 3et− t2, t3 − t4, t − tet).

(12)

2.3 C´

alculo com Fun¸c˜

oes Vetoriais de Uma Vari´

avel

Real

Veremos agora os conceito de limite, continuidade e derivada de fun¸c˜oes vetoriais de uma vari´avel real. Iniciaremos com a defini¸c˜ao de limite. A no¸c˜ao limite de fun¸c˜oes vetoriais de uma vari´avel real naturalmente conserva a id´eia de limite vista em C´alculo 1, onde apenas ´e preciso fazer o devido ajuste das distˆancias envolvidas. Lembre-se que se ~v = (v1, v2, ..., vm) e ~u = (u1, u2, ..., um) s˜ao dois vetores em Rm, a distˆancia entre ~v

e ~u ´e dada por

||~v − ~u|| =p(v1− u1)2+ (v2− u2)2+ ... + (vm− um)2,

onde a fun¸c˜ao || . || : Rm → R ´e chamada de norma. Observe ainda que

||~v|| = q v2 1 + v22+ ... + v2m = ~v.~v.

No que se segue, vamos supor que D ´e um intervalo ou uma uni˜ao finita de intervalos.

DEFINIC¸ ˜AO 2.3.1: (Limite) Seja F a fun¸c˜ao vetorial F : D ⊆ R → Rm. Suponha

que F est´a definida em um intervalo aberto contendo o ponto t0 (exceto possivelmente

no pr´oprio ponto t = t0). Dizemos que F (t) tende a L, L ∈ R, quando t tende a t0,

cuja nota¸c˜ao ´e lim

t→t0

F (t) = L, se para todo ε > 0 dado, existe δ > 0 tal que,

0 < |t − t0| < δ ⇒ ||F (t) − L|| < ε.

Observe que para F (t) = (f1(t), f2(t), ..., fm(t)) e L = (l1, ..., lm), temos que

||F (t) − L|| =p(f1(t) − l1)2+ (f2(t) − l2)2+ ... + (fm(t) − lm)2.

Sendo assim, ´e f´acil verificar que lim

t→t0

F (t) = L se e somente se lim

t→t0

fi(t) = li, para todo

i = 1, ..., m. Confira o teorema a seguir.

TEOREMA 2.3.1: Seja F a fun¸c˜ao vetorial

F : D ⊆ R → Rm

t 7→ F (t) = (f1(t), f2(t), ..., fm(t)).

e seja L = (l1, l2, ..., lm). Suponha que F est´a definida em um intervalo aberto contendo

o ponto t0 (exceto possivelmente no pr´oprio ponto t = t0). Ent˜ao, temos que

lim

t→t0

F (t) = L ⇐⇒ lim

t→t0

(13)

Portanto, pelo teorema acima, temos que

“ O limite de F , quando t tende a t0, existe e ´e igual a L = (l1, l2, . . . , lm) se e

somente se o limite de todas as suas fun¸c˜oes coordenadas fi, i = 1, ...m, quando t

tende a t0, existem e s˜ao iguais a li, i = 1, ...m, respectivamente.”

Exemplo 2.3.1: Calcule lim

t→0 µ sen t t , 1 − cos t t ¶ . Solu¸c˜ao: De acordo com o teorema anterior, como lim

t→0 sen t t = 1 e limt→0 1 − cos t t = 0, temos que lim t→0 µ sen t t , 1 − cos t t ¶ = µ lim t→0 sen t t , limt→0 1 − cos t t= (1, 0) .

As propriedades de limite conhecidas continuam v´alidas, acrescidas agora de pro-priedades envolvendo os produtos escalar e vetorial e a norma em Rm (em lugar do

m´odulo).

TEOREMA 2.3.2: (Propriedades de Limite) Considere as fun¸c˜oes F, G : D ⊆ R → Rm e f : D ⊆ R → R, tais que lim

t→t0F (t) = L, limt→t0G(t) = M e

limt→t0f (t) = k. Neste caso, temos que

a) limt→t0(F ± G)(t) = L ± M b) limt→t0(f F )(t) = kL c) limt→t0 µ F f(t) = L k, se k 6= 0 d) limt→t0||F (t)|| = ||L|| e) limt→t0(F.G)(t) = L.M f) caso m = 3, limt→t0(F × G)(t) = L × M

Observa¸c˜ao 2.3.1: Caso o ponto t0 ∈ D seja um extremo de intervalo, temos os

con-ceitos de limites laterais, cujas defini¸c˜oes s˜ao adapta¸c˜oes naturais da Defini¸c˜ao 2.3.1 e cujas nota¸c˜oes s˜ao as usuais. Al´em disso, os Teoremas 2.3.1 e 2.3.2 permanecem v´alidos se t0 ∈ D for um extremo de intervalo.

(14)

DEFINIC¸ ˜AO 2.3.2: (Continuidade) Seja F a fun¸c˜ao vetorial F : D ⊆ R → Rm e

seja t0 ∈ I(aberto) ⊆ D. Dizemos que F ´e cont´ınua no ponto t0, se

lim

t→t0

F (t) = F (t0).

Observa¸c˜ao 2.3.2: Caso o ponto t0 ∈ D seja um extremo de intervalo, o limite

uti-lizado ´e um limite lateral apropriado.

Observe que de acordo com o Teorema 2.3.1, temos que lim

t→t0

F (t) = F (t0) ⇐⇒ lim

t→t0

fi(t) = fi(t0), i = 1, ..., m.

Sendo assim, temos que

“ F ´e cont´ınua em t0 se e somente se todas as suas fun¸c˜oes coordenadas s˜ao cont´ınuas em t0.”

Dizemos ainda que F ´e cont´ınua em um intervalo B ⊂ D se F ´e cont´ınua para todo

t ∈ B e dizemos simplesmente que F ´e cont´ınua se F ´e cont´ınua para todo t em seu

dom´ınio.

Podemos agora definir formalmente o que se entende em matem´atica por uma curva, que, de uma certa forma, reflete a nossa no¸c˜ao intuitiva. Confira a defini¸c˜ao abaixo.

DEFINIC¸ ˜AO 2.3.3: (Curva) Considere a fun¸c˜ao vetorial F : I ⊆ R → Rm, onde I

´e um intervalo da reta. Se F ´e uma fun¸c˜ao cont´ınua, chamamos sua imagem de curva.

Em outras palavras, temos que

“ curva ´e a imagem de uma fun¸c˜ao vetorial cont´ınua definida em um intervalo.”

Observa¸c˜ao 2.3.3: Quando estivermos nos referindo a uma curva C em Rm, imagem

da fun¸c˜ao (cont´ınua) F : I ⊂ R → Rm, diremos que C ´e uma curva parametrizada pela

fun¸c˜ao F ou que F ´e uma parametriza¸c˜ao para C.

Observa¸c˜ao 2.3.4: Nem todo autor define curva da forma que fizemos. Em alguns livros, curva ´e definida como a pr´opria fun¸c˜ao vetorial cont´ınua F : I ⊂ R → Rm e sua

(15)

para o conceito coincidir com nossa no¸c˜ao intuitiva.

Vamos agora passar ao conceito de derivada.

DEFINIC¸ ˜AO 2.3.4: (Derivada) Considere a fun¸c˜ao F : D ⊆ R → Rm e seja

t0 ∈ I(aberto) ⊆ D. Dizemos que F ´e deriv´avel em t0, se

lim

h→0

F (t0 + h) − F (t0) h

existe. Neste caso, definimos a derivada de F em t0, denotada por F0(t0) ou dF dt (t0),

como sendo o valor deste limite.

Observe que, pelo Teorema 2.3.1, temos que

“ F ´e deriv´avel em t0 se e somente se suas fun¸c˜oes coordenadas s˜ao deriv´aveis em t0 e, neste caso,

F0(t

0) = (f10(t0), ..., fm0 (t0)).”

Exemplo 2.3.2: Calcule a derivada de F em t0 = 1, onde F (t) = (3t2, sen t3, et

2

). Solu¸c˜ao: Conforme observado acima, como todas as trˆes fun¸c˜oes coordenadas de F s˜ao deriv´aveis para todo t ∈ R, temos que

F 0(1) = ³(3t2)0¯¯ 1, ( sen t 3)0¯¯ 1, (e t2 )0¯¯¯ 1 ´ = ³ 6t|1, 3t2cos t¯ 1, 2t e t2¯¯ ¯ 1 ´ = (6 , 3 cos 1 , 2e) .

Vamos agora `as propriedades da derivada.

TEOREMA 2.3.3: (Propriedades da Derivada) Considere as fun¸c˜oes F, G : D ⊆ R → Rm e f : D ⊆ R → R, todas diferenci´aveis em t

0 ∈ I(aberto) ⊆ D. Neste caso,

temos que a) (aF ± bG)0(t 0) = aF0(t0) ± bG0(t0), a, b ∈ R b) (f F )0(t 0) = f0(t0)F (t0) + f (t0)F0(t0) c) (F.G)0(t 0) = F0(t0).G(t0) + F (t0).G0(t0) d) caso m = 3, (F × G)0(t 0) = F0(t0) × G(t0) + F (t0) × G0(t0)

(16)

e) ||F (t0)||0 = ³p F (t0).F (t0) ´0 = F (t0).F0(t0) ||F (t0)||

Observa¸c˜ao 2.3.6: Caso o ponto t0 ∈ D seja um extremo de intervalo, temos os

conceitos de derivadas laterais, cujas defini¸c˜oes s˜ao adapta¸c˜oes naturais da Defini¸c˜ao 2.3.4 e cujas nota¸c˜oes s˜ao as usuais. Al´em disso, o Teorema 2.3.3 permanece v´alido se

t0 ∈ D for um extremo de intervalo.

Dizemos ainda que a fun¸c˜ao F : D ⊆ R → Rm ´e diferenci´avel ou deriv´avel se F ´e

diferenci´avel para todo t0 ∈ D.

2.4 Interpreta¸c˜

ao Geom´

etrica da Derivada

Considere o intervalo I ⊂ R e um ponto t0 pertence ao interior do intervalo I. Seja C

uma curva no plano parametrizada pela fun¸c˜ao cont´ınua e injetora ~r : I ⊂ R → R2,

diferenci´avel em t0. Em outras palavras, C ´e a curva imagem da fun¸c˜ao ~r, onde ~r ´e

diferenci´avel em t0. Considere agora dois pontos P e Q em C, cujos vetores posi¸c˜ao s˜ao,

respectivamente, ~r (t0) e ~r (t0+ h). Neste caso,

−→

P Q representa o vetor ~r (t0+ h) −~r (t0),

que ´e um vetor sobre a reta secante `a curva C que cont´em os pontos P e Q (figura abaixo). Observe que se h > 0, o vetor ~r (t0+ h) − ~r (t0)

h , que ´e um m´ultiplo escalar

do vetor ~r (t0+ h) − ~r (t0), possui a mesma dire¸c˜ao e sentido deste vetor. Ao fazermos h → 0, observamos que este vetor se aproxima de um vetor sobre a reta tangente `a

curva C no ponto P . Por esta raz˜ao, ~r 0(t

0) ´e chamado de vetor tangente `a curva C,

(17)

DEFINIC¸ ˜AO 2.4.1: (Vetor tangente unit´ario) Seja ~r ´e uma fun¸c˜ao cont´ınua e injetora. Dado um ponto ~r (t0) ∈ C, se ~r0(t0) existe e ´e n˜ao-nulo, definimos o vetor ~t,

dado por ~t(t0) = ~r

0(t

0) ||~r 0(t

0)||

, como o vetor unit´ario tangente `a curva C, parametrizada por ~r, no ponto ~r (t0).

DEFINIC¸ ˜AO 2.4.2: (Reta tangente) Seja ~r ´e uma fun¸c˜ao cont´ınua e injetora. Dado um ponto ~r (t0) ∈ C, se ~r0(t0) existe e ´e n˜ao-nulo, a equa¸c˜ao param´etrica da reta

tangente `a curva C no ponto ~r (t0) ´e dada por

(x, y) = ~r (t0) + λ~r 0(t0), λ ∈ R.

Exemplo 2.4.1: Determine a reta tangente `a curva C parametrizada por ~r, onde

~r (t) = (cos t, sen t), t ∈ [0, 2π], no ponto (0,1).

Solu¸c˜ao: Conforme visto, a reta tangente `a curva C parametrizada pela fun¸c˜ao ~r, no ponto ~r (t0), ´e dada por

(x, y) = ~r (t0) + λ~r 0(t0), λ ∈ R,

se ~r 0(t

0) n˜ao ´e nulo. No caso, temos que ~r 0(t) = (− sen t, cos t), de modo que ||~r 0(t)|| 6=

0 para todo t ∈ [0, 2π]. Al´em disso, temos que o ponto (0,1) corresponde a ~r³π 2

´ . De fato, resolver a igualdade ~r (t0) = (0, 1), corresponde a resolver o sistema

   x(t0) = cos t0 = 0 t0 ∈ [0, 2π], y(t0) = sen t0 = 1

cuja solu¸c˜ao ´e t0 = π

2. Sendo assim, temos que

~r 0(t 0) = ~r 0 ³π 2 ´ = ³ − senπ 2, cos π 2 ´ = (−1, 0). Portanto, a equa¸c˜ao da reta tangente pedida ´e dada por

(x, y) = (0, 1) + λ(−1, 0), λ ∈ R, isto ´e,

(x, y) = (−λ, 1), λ ∈ R, o que corresponde `a reta

y = 1.

Observe que ~r s´o deixa de ser injetora nos pontos t0 = 0 e t1 = 2π, pois ~r(0) = ~r(2π) =

(1, 0), que n˜ao ´e o ponto em quest˜ao no problema. Entretanto, s´o por curiosidade, observe que a derivada `a direita de ~r no ponto t0 = 0 e a derivada `a esquerda de ~r no

(18)

ponto t1 = 2π s˜ao ambas iguais a (0, 1).

Observa¸c˜ao 2.4.1: Nas defini¸c˜oes anteriores, pedimos que a parametriza¸c˜ao ~r fosse injetora, pois, caso contr´ario, um ponto P na curva C poderia corresponder a dois pontos t1 e t2 distintos, o que poderia gerar inconsistˆencia, como por exemplo, dois

vetores tangentes de dire¸c˜oes diferentes. Com a exigˆencia da injetividade de ~r, dado um ponto P na curva C, temos que a equa¸c˜ao ~r(t0) = P fornece uma ´unica solu¸c˜ao

para t0.

Observa¸c˜ao 2.4.2: Se C ´e uma curva no espa¸co parametrizada pela fun¸c˜ao ~r : I ⊂ R → R3, tanto a interpreta¸c˜ao geom´etrica como as defini¸c˜oes anteriores continuam

procedentes, apenas com a altera¸c˜ao de que na equa¸c˜ao da reta tangente deve-se incluir a coordenada z, i.e.

(x, y, z) = ~r (t0) + λ~r 0(t0), λ ∈ R.

2.5 Interpreta¸c˜

ao F´ısica da Derivada

Uma raz˜ao para escolher especificamente ~r 0(t) como o vetor tangente, ao inv´es de um

m´ultiplo dele, ´e que muitas vezes vamos considerar o parˆametro t como a vari´avel tempo e ~r (t) como sendo a representa¸c˜ao da trajet´oria de uma part´ıcula que se desloca no espa¸co ou no plano. Com esta interpreta¸c˜ao, ||~r 0(t)|| ´e a defini¸c˜ao natural de velocidade

do movimento ao longo da trajet´oria C descrita por ~r (t) quando t varia. O termo “velocidade” se deve ao fato de que, para h pequeno, tem-se que ||~r (t) − ~r (t + h)||

|h| ´e

(19)

(figura abaixo). Al´em do mais, ´e f´acil mostrar que se ~r 0(t) existe, lim h→0 ||~r (t + h) − ~r (t)|| |h| = ||~r 0(t)||.

Sendo assim, ||~r 0(t)|| ´e o limite das taxas m´edias sobre intervalos de tempo

arbitraria-mente pequenos. Desta forma, a fun¸c˜ao real v definida por v(t) = ||~r 0(t)|| ´e chamada

de velocidade escalar, e o vetor ~v, definido por ~v (t) = ~r 0(t), ´e chamado de vetor

ve-locidade no ponto ~r (t).

Da mesma forma, se ~v (t) ´e deriv´avel, definimos ~a (t) = ~v 0(t) como o vetor acelera¸c˜ao

do movimento e a(t) = ||~a (t)|| como a intensidade da acelera¸c˜ao. Quando ~r (t) descreve a trajet´oria de uma part´ıcula de massa constante m, ent˜ao m~a (t) ´e o vetor for¸ca que atua sobre a part´ıcula e ma(t) ´e a intensidade da for¸ca que age na part´ıcula.

2.6 Exerc´ıcios

Exerc´ıcio 2.6.1: Considere as fun¸c˜oes do Exemplo 2.1.1. Determine e esboce (se poss´ıvel) as imagens e os gr´aficos destas fun¸c˜oes.

(20)

a) Temos que a imagem de F1 ´e o conjunto Im(F1) = {(2t, 4t) ∈ R2| t ≥ 0}.

Observe que como x = 2t e y = 4t, temos que y(t) = 2x(t), t ≥ 0. Portanto, a imagem desta fun¸c˜ao ´e a semi-reta (em R2) y = 2x, x ≥ 0. Uma outra forma de

verificar que trata-se de uma semi-reta, ´e observar que

F1(t) = (2t, 4t) = t(2, 4), t ≥ 0. Portanto, a imagem

desta fun¸c˜ao ´e a semi-reta (em R2) que cont´em a origem

e ´e paralela ao vetor (2, 4) (apenas m´ultiplos positivos deste vetor). A imagem de F1 est´a esbo¸cada ao lado.

y

x

O gr´afico de F1 ´e o conjunto

G(F1) = {(t, 2t, 4t) ∈ R2| t ≥ 0}.

Conforme observado no item anterior, podemos escrever o conjunto de pontos (t, 2t, 4t), t ≥ 0, como (t, 2t, 4t) =

t(1, 2, 4), t ≥ 0. Portanto, a imagem desta fun¸c˜ao ´e a

semi-reta (em R3) que cont´em a origem e ´e paralela ao

vetor (1, 2, 4) (apenas m´ultiplos positivos deste vetor). O gr´afico de F1 est´a esbo¸cado ao lado.

x y

z

b) Temos que a imagem de F2 ´e o conjunto Im(F2) = {(t, 2t, 4t) ∈ R3| t ≥ 0}.

Observe que a imagem de F2 coincide com o gr´afico de F1 (figura ao lado).

O gr´afico de F2 ´e o conjunto

G(F2) = {(t, t, 2t, 4t) ∈ R4| t ≥ 0}.

Como o gr´afico de F2 est´a em R4, n˜ao podemos

esbo¸c´a-lo.

x y

z

c) Temos que a imagem de F3 ´e o conjunto

Im(F3) = {(2 cos t, 3 sen t) ∈ R2| t ∈ [0, 2π]}.

Observe que como x(t) = 2 cos t e y(t) = 3 sen t, t ∈ [0, 2π], temos que x

2(t)

4 +

y2(t)

9 = 1. Portanto, todos os pontos da imagem da fun¸c˜ao F3 est˜ao contidos na elipse

x2(t)

4 +

y2(t)

9 = 1. N˜ao faremos aqui, mas ´e poss´ıvel mostrar qua as equa¸c˜oes acima representam n˜ao apenas alguns pontos desta elipse, mas sim, todos os pontos da mesma (figura ao lado).

–3 3 2 –2 y x

(21)

O gr´afico de F3 ´e o conjunto

G(F3) = {(t, 2 cos t, 3 sen t) ∈ R2| t ≥ 0}.

Para esbo¸car este conjunto, observe inicialmente que sendo y(t) = 2 cos t e z(t) = 3 sen t, temos, conforme visto acima, que x2(t)

4 +

y2(t)

9 = 1. Ou seja, a proje¸c˜ao do gr´afico de F3, no plano yz, ´e uma elipse. Desta forma,

temos que as coordenadas y e z do gr´afico da fun¸c˜ao F3

est˜ao contidas no cilindro eliptico reto x

2(t)

4 +

y2(t)

9 = 1,

x ≥ 0, pois x = t ≥ 0. Para finalizar, observe que

a vari´avel x vai aumentando conforme o valor de t vai crescendo (x = t). Desta forma, temos como gr´afico da fun¸c˜ao F3 ´e uma curva que faz uma espiral para frente,

conforme o valor de t aumenta. Este exemplo ´e seme-lhante ao Exemplo 1.2.8, onde a circunferˆencia ´e substi-tuida por uma elipse. O gr´afico de F3 est´a esbo¸cado na

figura ao lado.

x

y z

d) Temos que a imagem de F4 ´e o conjunto Im(F4) = {(cos t, sen t, t) ∈ Rt| t ≥ 0}.

Para esbo¸car a imagem da fun¸c˜ao F4, observe que ela ´e

muito semelhante ao gr´afico da fun¸c˜ao do Exemplo 1.2.8, onde os pontos da imagem agora pertencem ao cilindro, no plano xy, x2(t) + y2(t) = 1, z ≥ 0, pois z = t ≥ 0..

Portanto, a proje¸c˜ao da imagem da fun¸c˜ao F4, no plano xy, ´e a circuferˆencia de centro na origem e raio igual a

um. Al´em disto, quando o valor de t vai aumentando, a vari´avel z tamb´em vai aumentando (z = t). Desta forma, temos como imagem da fun¸c˜ao F4, uma mola ou

h´elice na vertical (figura ao lado). O gr´afico de F4 ´e o

conjunto

G(F4) = {(t, cos t, sen t, t) ∈ R4| t ≥ 0}.

Como o gr´afico de F4 est´a em R4, n˜ao podemos

esbo¸c´a-lo.

x y

z

Exerc´ıcio 2.6.2: Obtenha a equa¸c˜ao da reta tangente `a imagem da fun¸c˜ao F (t) = (cos t, sen t, t), t ∈ R, no ponto de sua imagem que corresponde a t = π

(22)

Solu¸c˜ao: Observe que quando t = π 2, temos que F³π 2 ´ = ³ cos³π 2 ´ , sen ³π 2 ´ 2 ´ = ³ 0, 1,π 2 ´ .

Portanto a equa¸c˜ao da reta tangente pedida ´e igual a (x, y, z) = F ³π 2 ´ + λF 0³π 2 ´ , λ ∈ R = ³ 0, 1,π 2 ´ + λF 0³π 2 ´ , λ ∈ R.

Desta forma, devemos encontrar F0³π

2 ´

. Derivando ent˜ao F e calculando F0³π

2 ´ , encontramos F 0(t) =    x(t) = − sen t y(t) = cos t z(t) = 1 ⇒ F 0³π 2 ´ = (−1, 0, 1)

A equa¸c˜ao desejada ´e ent˜ao

(x, y, z) = ³ 1, 0,π 2 ´ + λ (−1, 0, 1) , λ ∈ R.

2.7 Apˆ

endice: Uma Observa¸c˜

ao Interessante Sobre a

Derivada

Lembre-se que para uma fun¸c˜ao f : Dom(f ) ⊆ R → R, sua derivada em um ponto x0

pertencente a um intervalo aberto contido ne dom´ınio de f , se existir, fornece o coefi-ciente linear da reta tangente ao gr´afico de f no ponto (x0, f (x0). Portanto, em C´alculo 1, associ´avamos a diferenciabilidade de uma fun¸c˜ao f `a suavidade do seu gr´afico. O que fizemos agora, n˜ao foi trabalhar com o gr´afico da fun¸c˜oes vetoriais de uma vari´avel e sim com sua imagem. Vimos uma interpreta¸c˜ao geom´etrica diferente para a derivada de fun¸c˜oes vetoriais de uma vari´avel, que ´e relacionada `a sua imagem. Portanto, o fato de uma curva, imagem de uma fun¸c˜ao vetorial F , apresentar ou n˜ao “bicos”, nada mais tem a ver com a diferenciabilidade da fun¸cao vetorial F . Nos dois exemplos abaixo, ilustraremos situa¸c˜oes que mostram que n˜ao h´a rela¸c˜ao entre a diferenciabilidade de uma fun¸c˜ao vetorial e sua imagem possuir ou n˜ao “bicos”. No primeiro exemplo temos um caso em que uma curva suave pode tanto ser imagem de uma fun¸c˜ao diferenci´avel ou n˜ao e, no segundo exemplo, vemos um caso em que uma fun¸c˜ao diferenci´avel possui uma imagem com “bicos”.

(23)

Exemplo 2.7.1: Considere as trˆes fun¸c˜oes vetoriais abaixo.

F1(t) = (t, t2), F2(t) = (t3, t6) e F3 =

½

(t, t2), se t ≥ 0

(t3, t6), se t < 0 .

Determine e esboce a imagem destas fun¸c˜oes e verifique que F1 e F2 s˜ao diferenci´aveis

na origem, enquanto que F3 n˜ao ´e diferenci´avel na origem.

Solu¸c˜ao: Nos trˆes casos acima temos que y(t) = (x(t))2,

de modo que a imagem das trˆes fun¸c˜oes ´e a par´abola y =

x2, x ∈ R (figura ao lado). Quanto `a diferenciabilidade

destas fun¸c˜oes, ´e f´acil ver que

F10(t) = (1, 2t) e F2(t) = (3t2, 6t5), de modo que F0 1(0) = (1, 0) e F20(0) = (0, 0). y x 0

Observe ainda que tanto F1 como F2 s˜ao diferenci´aveis na origem, mas que s´o F1 possui

reta tangente na origem (a reta y = 0), uma vez que F0

2(0) = (0, 0). J´a em rela¸c˜ao `a

fun¸c˜ao F3, temos que

F0 3(t) =    (1, 2t), se t < 0 6 ∃, se t = 0 (3t2, 6t5), se t < 0 ,

pois, o limite lim

h→0

F3(h) − F3(0)

h n˜ao existe, uma vez que os limites laterais s˜ao

diferen-tes. De fato, lim h→0+ F3(h) − F3(0) h = h→0lim+ µ h h, h2 h ¶ = lim h→0+(1, h) = (1, 0) e lim h→0− F3(h) − F3(0) h = h→0lim µ h3 h, h6 h ¶ = lim h→0− ¡ h2, h= (0, 0).

Exemplo 2.7.2: Considere as fun¸c˜oes vetoriais

G1(t) = (t, |t|) e G2(t) = (t|t|, t2), t ∈ R.

Determine e esboce a imagem destas fun¸c˜oes e verifique que G1 n˜ao ´e diferenci´avel na

(24)

Solu¸c˜ao: Observe que

G2(t) =

½

(−t2, t2), se t < 0

(t2, t2), se t ≥ 0 .

Deste modo, temos que

y(t) = ½ −x(t), se x < 0 x(t), se x ≥ 0 . y x 0

Portanto, a imagem de G2 ´e dada por y = |x|, x ∈ R. Da mesma forma, como G1(t) = (t, |t|), ∀x ∈ R, tamb´em temos que y = |x|, x ∈ R, de modo que a imagem

das duas fun¸c˜oes ´e igual a y = |x|, x ∈ R (figura ao lado). vamos agora estudar a diferenciabilidade destas fun¸c˜oes na origem. Quanto `a diferenciabilidade da fun¸c˜ao G1,

observe que G0 1(t) =    (1, −1), se t < 0 6 ∃, se t = 0 (1, 1), se t < 0 , pois, lim h→0+ G1(h) − G1(0) h = h→0lim+ µ h h, h h ¶ = lim h→0+(1, 1) = (1, 1) e lim h→0− G1(h) − G1(0) h = h→0lim µ h h, −h h ¶ = lim h→0−(1, −1) = (1, −1). Como lim h→0− G1(h) − G1(0) h 6= limh→0+ G1(h) − G1(0)

h , temos que n˜ao existe limh→0

G1(h) − G1(0)

h ,

o que significa que G1 n˜ao ´e diferenci´avel na origem.

Quanto `a diferenciabilidade da fun¸c˜ao G2, observe que G0 2(t) =    (−2t, 2t), se t < 0 (0, 0), se t = 0 (2t, 2t), se t < 0 , pois, lim h→0+ G2(h) − G2(0) h = h→0lim+ µ h2 h, h2 h ¶ = lim h→0+(h, h) = (0, 0)

(25)

e lim h→0− G2(h) − G2(0) h = h→0lim µ −h2 h, h2 h ¶ = lim h→0−(−h, h) = (0, 0). Como lim h→0− G2(h) − G2(0) h = (0, 0) = limh→0+ G1(h) − G1(0)

h , temos que limh→0

G1(h) − G1(0)

h =

(0, 0), o que significa que G0

1(0) = (0, 0).

(26)

FUNC

¸ ˜

OES REAIS DE V ´

ARIAS

VARI ´

AVEIS REAIS

3.1 Fun¸c˜

oes Reais de V´

arias Vari´

aveis Reais

Vamos agora tratar do segundo caso particular de fun¸c˜oes vetoriais de v´arias vari´aveis reais, F : Dom(F ) ⊆ Rn → Rm, que s˜ao as fun¸c˜oes reais de v´arias vari´aveis reais.

Neste caso, temos que m = 1 e n ≥ 2, i.e. o dom´ınio ´e um subconjunto de Rn, n ≥ 2,

enquanto que a imagem ´e um subconjunto da reta .

DEFINIC¸ ˜AO 3.1.1: Dado Dom(f ) ⊆ Rn, uma fun¸c˜ao real f de v´arias vari´aveis reais

´e uma correspondˆencia, f : Dom(f ) ⊆ Rn → R, que a cada ponto X = (x

1, x2, ..., xn) ∈

Dom(f ), associa um e apenas um y = f (X) ∈ R.

Exemplo 3.1.1: Abaixo temos alguns exemplos de fun¸c˜oes reais de v´arias vari´aveis, com n = 2 ((a) e (b)) e n = 3 ((c) e (d)). a) f (x, y) = 4 − (x2+ y2), (x, y) ∈ R2. b) g(x, y) = xy, (x, y) ∈ R2. c) h(x, y, z) = x + y + z, (x, y, z) ∈ R3. d) w(x, y, z) = 1 x2+ y2+ z2, (x, y, z) ∈ R3\{(0, 0, 0)}.

Conforme j´a mencionado, o conjunto Dom(f ) ´e chamado de dom´ınio da fun¸c˜ao f . Al´em disso, continuaremos abusando da linguagem, conforme mencionado nas aulas anteriores. Isto ´e, quando a fun¸c˜ao f for dada por sua express˜ao e fizermos a pergunta:

“qual ´e o dom´ınio da fun¸c˜ao f ?” Estaremos de fato perguntando: “qual ´e o maior subconjunto de Rn no qual f est´a bem definida?”, ou seja, “qual ´e o maior subconjunto

de Rn no qual a express˜ao dada por f (X) est´a bem definida?”

(27)

3.2 Opera¸c˜

oes com Fun¸c˜

oes Reais de V´

arias Vari´

a-veis Reais

Definiremos a seguir as usuais opera¸c˜oes de soma, diferen¸ca, produto e quociente, da mesma forma que fizemos para fun¸c˜oes reais de uma vari´avel.

DEFINIC¸ ˜AO 3.2.1: Considere as fun¸c˜oes f, g : D ⊆ Rn → R e a constante k ∈ R.

Neste caso, definimos as seguintes fun¸c˜oes:

a) a fun¸c˜ao f + g : D ⊆ Rn → R, chamada de soma de f e g, dada por

(f + g)(X) = f (X) + g(X), ∀ X ∈ D;

b) a fun¸c˜ao f − g : D ⊆ Rn → R, chamada de diferen¸ca entre f e g, dada por

(f − g)(X) = f (X) − g(X), ∀ X ∈ D;

c) a fun¸c˜ao kf : D ⊆ Rn → R, chamada de produto de f pela constante k, dada por

(kf )(X) = kf (X), ∀ X ∈ D;

d) a fun¸c˜ao f g : D ⊆ Rn→ R, chamada de produto de f pela fun¸c˜ao g, dada por

(f g)(X) = f (X)g(X), ∀ X ∈ D; e) se g(X) 6= 0, ∀X ∈ D, a fun¸c˜ao f

g : D ⊆ R

n→ R, chamada de quociente de f pela

fun¸c˜ao g, dada por µ

f g

(X) = f (X)

g(X), ∀ X ∈ D.

Vamos agora nos concentrar em fun¸c˜oes reais de apenas duas vari´aveis reais.

3.3 Fun¸c˜

oes Reais de Duas Vari´

aveis Reais

Vamos trabalhar agora apenas com fun¸c˜oes reais de duas vari´aveis reais. Isto ´e, vamos trabalhar com fun¸c˜oes f da forma

f : Dom(f ) ⊆ R2 R

(x, y) 7→ f (x, y).

Vamos iniciar identificando e esbo¸cando o dom´ınio de algumas fun¸c˜oes de duas vari´aveis reais.

(28)

Exemplo 3.3.1: Determine e esboce o dom´ınio das fun¸c˜oes definidas pelas express˜oes abaixo. a) f1(x, y) = x + y x − y. b) f2(x, y) = y − x +√1 − y. c) f3(x, y) = 1 p x2− y2. d) f4(x, y) = p x2 − y2− 1. e) f5(x, y) = y x − 1. f) f6(x, y) = ln(xy − 1). Solu¸c˜ao:

a) Neste caso, como o termo x − y aparece no denomi-nador da express˜ao de f1, devemos ter x − y 6= 0. Desta

forma, segue que

Dom(f1) = {(x, y) ∈ R2| y 6= x}.

Temos portanto que o dom´ınio da fun¸c˜ao ´e todo plano

xy, excetuando a reta y = x (figura ao lado).

y

x

b) Neste caso, para podermos tirar as duas raizes que aparecem na express˜ao de f2, devemos ter y − x ≥ 0 e

1 − y ≥ 0. Portanto, segue que

Dom(f2) = {(x, y) ∈ R2| y ≥ x e y ≤ 1}.

Ao lado temos um esbo¸co da regi˜ao determinada pelas retas y = x e y = 1.

y

x 1

c) Neste caso, para podermos tirar a raiz que aparece na express˜ao de f3, devemos ter x2 − y2 ≥ 0. Al´em disso,

como o termo px2 − y2 est´a no denominador da fun¸c˜ao f3, ´e necess´ario ter x2− y2 6= 0. Portanto, segue que

Dom(f3) = {(x, y) ∈ R2| x2− y2 > 0}.

Como x2− y2 > 0 ⇔ y2 < x2 ⇔ |y| < |x| ⇔ −|x| < y < |x|, temos que

Dom(f3) = {(x, y) ∈ R2| − |x| < y < |x|}.

Ao lado temos um esbo¸co do dom´ınio da fun¸c˜ao f .

y

(29)

d) Neste caso, para podermos tirar a raiz que aparece na express˜ao de f4, devemos ter x2− y2− 1 ≥ 0. Portanto,

segue que

Dom(f4) = {(x, y) ∈ R2| x2− y2 ≥ 1}.

Ao lado temos um esbo¸co da regi˜ao determinada pela hip´erbole x2− y2 = 1.

y

x

1 –1

e) Neste caso, como o termo x − 1 aparece no denomi-nador da express˜ao de f5, devemos ter x − 1 6= 0. Desta

forma, segue que

Dom(f5) = {(x, y) ∈ R2| x 6= 1}.

Temos portanto que o dom´ınio da fun¸c˜ao ´e todo plano

xy, excetuando a reta x = 1 (figura ao lado).

y

x 1

f) Neste caso, como o termo xy − 1 aparece como argu-mento do logaritmo natural na express˜ao de f6, devemos

ter xy − 1 > 0. Desta forma, segue que

Dom(f6) = {(x, y) ∈ R2| xy > 1}.

Ao lado temos um esbo¸co da regi˜ao determinada pela hip´erbole xy = 1. (figura ao lado).

y

x

3.4 Exemplos de Fun¸c˜

oes Reais de Duas Vari´

aveis

Reais

Veremos a seguir exemplos de alguns tipos de fun¸c˜oes reais de duas vari´aveis reais.

Exemplo 3.4.1: (Fun¸c˜ao Polinomial) Uma fun¸c˜ao polinomial de duas vari´aveis reais a valores reais ´e uma fun¸c˜ao f : R2 → R dada por

f (x, y) = X

m+n≤p

amnxnym,

(30)

estendida a todas solu¸c˜oes (m, n), m e n naturais, da inequa¸c˜ao m + n ≤ p. Exemplo: f (x, y) = 2x5y2+ x2y3.

Exemplo 3.4.2: (Fun¸c˜ao Afim) Uma fun¸c˜ao afim de duas vari´aveis reais a valores reais ´e uma fun¸c˜ao f : R2 → R dada por

f (x, y) = ax + by + c,

onde a, b e c s˜ao n´umeros reais dados. A fun¸c˜ao afim ´e um caso particular de uma fun¸c˜ao polinomial.

Exemplo: f (x, y) = 2x + 7y +√6.

Exemplo 3.4.3: (Fun¸c˜ao Linear) Uma fun¸c˜ao linear de duas vari´aveis reais a valores reais ´e uma fun¸c˜ao f : R2 → R dada por

f (x, y) = ax + by,

onde a e b s˜ao n´umeros reais dados. A fun¸c˜ao linear ´e um caso particular de uma fun¸c˜ao afim.

Exemplo: f (x, y) = 2x + 2

3y.

Exemplo 3.4.4: (Fun¸c˜ao Racional) Uma fun¸c˜ao racional de duas vari´aveis reais a valores reais ´e uma fun¸c˜ao f : Dom(f ) ⊆ R2 → R dada por

f (x, y) = p(x, y) q(x, y),

onde p e q s˜ao fun¸c˜oes polinomiais dadas. Temos, neste caso, que Dom(f ) = {(x, y) ∈ R3| q(x, y) 6= 0}. Exemplo: f (x, y) = x 2y2+ 7y3 xy + x . Observe que Dom(f ) = {(x, y) ∈ R2| x(y + 1) 6= 0} = {(x, y) ∈ R2| x 6= 0 e y 6= −1}

Temos portanto que o dom´ınio da fun¸c˜ao ´e todo plano

xy, excetuando as retas x = 0 e y = −1 (figura ao lado).

y

x 1

(31)

Seja f : Dom(f ) ⊆ R2 → R. Conforme j´a sabemos, dado k ∈ Im(f ), temos que o

conjunto de n´ıvel da fun¸c˜ao f correspondente ao n´ıvel k ´e o subconjunto do dom´ınio dado por

Ck(f ) = {(x, y) ∈ Dom(f ) | f (x, y) = k}.

No caso em quest˜ao, que ´e o das fun¸c˜oes reais de duas vari´aveis reais, os conjuntos de n´ıvel de f s˜ao de fato curvas, as quais s˜ao portanto chamadas de curvas de n´ıvel de

f . Conforme mencionado, as curvas de n´ıvel s˜ao muito ´uteis para se ter uma vis˜ao do

comportamento da fun¸c˜ao. Isto porque elas nos fornecem todos os pontos do dom´ınio tais que o valor da fun¸c˜ao ´e constante. Desta forma, se tiv´essemos todas as curvas de n´ıvel k poder´ıamos construir o gr´afico de f “pegando”cada curva de n´ıvel de f e colocando na altura z = k.

Observa¸c˜ao 3.5.1: Como sabemos que f ´e constante ao longo das curvas de n´ıvel, observe que duas curvas de n´ıvel de uma fun¸c˜ao f correspondentes aos n´ıveis k1 e k2,

onde k1 6= k2, n˜ao podem se interceptar.

Vamos agora fazer alguns exemplos.

Exemplo 3.5.1: Determine e esboce as curvas de n´ıvel das fun¸c˜oes dadas abaixo. a) f1(x, y) = x + y. b) f2(x, y) = x2+ y2. c) f3(x, y) = y x − 1. d) f4(x, y) = ln(xy − 1). e) f5(x, y) = y2− x2. f) f6(x, y) = xy2 x2+ y4. Solu¸c˜ao:

a) Neste caso, observe que Dom(f1) = R2 e que Im(f1) = R. Desta forma, temos que

para todo k real, o conjunto de n´ıvel k de f1 ´e dado por Ck(f1) = {(x, y) ∈ R2| x + y = k},

ou seja, as curvas de n´ıvel k de f1 s˜ao retas x + y = k. Por exemplo,

para k = 0, temos a reta y = −x; para k = 1, temos a reta y = −x + 1; para k = 2, temos a reta y = −x + 2; para k = −1, temos a reta y = −x − 1; para k = −2, temos a reta y = −x − 2.

(32)

esbo¸cada em azul, as curvas de n´ıvel k > 0 est˜ao esbo¸cadas em verde e as curvas de n´ıvel k < 0 est˜ao esbo¸cadas em rosa.

y

x

b) Neste caso, observe que Dom(f2) = R2 e que Im(f2) = {z ∈ R | z ≥ 0}. Desta

forma, temos que para todo k ≥ 0 real, o conjunto de n´ıvel k de f2 ´e dado por Ck(f2) = {(x, y) ∈ R2| x2+ y2 = k}.

Observe que para k = 0, temos apenas o ponto (0, 0), i.e. C0(f2) = {(0, 0)}. J´a para k > 0, temos que as curvas de n´ıvel k > 0 de f2 s˜ao circunferˆencias x2 + y2 = k, i. e.

circunferˆencias de raio √k e centro na origem. Por exemplo,

para k = 1, temos a circunferˆencia x2+ y2 = 1;

para k = 2, temos a circunferˆencia x2+ y2 = 2;

para k = 3, temos a circunferˆencia x2+ y2 = 3;

para k = 4, temos a circunferˆencia x2+ y2 = 4.

As curvas de n´ıvel de f2 encontram-se esbo¸cadas abaixo. A curva de n´ıvel k = 0 (a

origem) est´a esbo¸cada em azul e as curvas de n´ıvel k > 0 est˜ao esbo¸cadas em verde. y

x

c) Neste caso, observe que

Dom(f3) = {(x, y) ∈ R2| x 6= 1}

e que Im(f3) = R. Desta forma, temos que para todo k real, o conjunto de n´ıvel k de f3 ´e dado por

Ck(f3) = {(x, y) ∈ Dom(f3) | y = k(x − 1)},

ou seja, as curvas de n´ıvel k de f3 s˜ao retas y = k(x − 1). Por exemplo,

para k = 0, temos a reta y = 0; para k = 1, temos a reta y = x − 1;

(33)

para k = 2, temos a reta y = 2x − 2; para k = −1, temos a reta y = −x + 1; para k = −2, temos a reta y = −2x + 2.

As curvas de n´ıvel de f3 encontram-se esbo¸cadas abaixo. As curvas de n´ıvel k = 0

(semi-retas) est˜ao esbo¸cadas em azul, as curvas de n´ıvel k > 0 (semi-retas) est˜ao esbo¸cadas em verde e as curvas de n´ıvel k < 0 (semi-retas) est˜ao esbo¸cadas em rosa.

y

x

d) Neste caso, observe que

Dom(f4) = {(x, y) ∈ R2| xy > 1}

e que Im(f4) = R. Desta forma, temos que para todo k real, o conjunto de n´ıvel k de f4 ´e dado por

Ck(f4) = {(x, y) ∈ Dom(f4) | ln(xy − 1) = k}.

Como ln(xy − 1) = k ⇔ xy − 1 = ek ⇔ xy = 1 + ek, temos que as curvas de n´ıvel k de

f s˜ao hip´erboles xy = 1 + ek. Por exemplo,

para k = 0, temos a hip´erbole xy = 2; para k = 1, temos a hip´erbole xy = 1 + e; para k = 2, temos a hip´erbole xy = 1 + e2;

para k = −1, temos a hip´erbole y = xy = 1 + 1

e;

para k = −2, temos a hip´erbole y = xy = 1 + 1

e2.

As curvas de n´ıvel de f4 encontram-se esbo¸cadas abaixo. As curvas de n´ıvel k = 0

est˜ao esbo¸cadas em azul, as curvas de n´ıvel k > 0 est˜ao esbo¸cadas em verde e as curvas de n´ıvel k < 0 est˜ao esbo¸cadas em rosa.

y

x

(34)

para todo k real, o conjunto de n´ıvel k de f5 ´e dado por Ck(f5) = {(x, y) ∈ R2| y2 − x2 = k}.

Observe que para k = 0, temos que y2 − x2 = 0 ⇔ y2 = x2 ⇔ |y| = |x| ⇔ y = ±x,

i.e. as curvas de n´ıvel zero s˜ao as retas y = x e y = −x. J´a para k > 0, temos que as curvas de n´ıvel k > 0 de f5 s˜ao hip´erboles y2− x2 = k > 0, i. e. hip´erboles cujos focos

est˜ao no eixo y. Contudo, para k < 0, temos que as curvas de n´ıvel k < 0 de f5 s˜ao

hip´erboles y2− x2 = k < 0, i. e. hip´erboles cujos focos est˜ao no eixo x. Por exemplo,

para k = 0, temos as retas y = x e y = −x; para k = 1, temos a hip´erbole y2− x2 = 1;

para k = 2, temos a hip´erbole y2− x2 = 2;

para k = −1, temos a hip´erbole x2− y2 = 1;

para k = −2, temos a hip´erbole x2− y2 = 2.

As curvas de n´ıvel de f5 encontram-se esbo¸cadas abaixo. As curvas de n´ıvel k = 0

(retas) est˜ao esbo¸cadas em azul, as curvas de n´ıvel k > 0 est˜ao esbo¸cadas em verde e as curvas de n´ıvel k < 0 est˜ao esbo¸cadas em rosa.

y

x

f) Neste caso, observe que Dom(f6) = R2\{(0, 0)}. J´a a imagem de f6, vamos

deter-minar mais tarde. Desta forma, temos que para todo k ∈ Im(f6), o conjunto de n´ıvel k de f6 ´e dado por

Ck(f6) = ½ (x, y) ∈ Dom(f6) ¯ ¯ ¯ xy 2 x2+ y4 = k ¾ .

Observe que k = 0 ∈ Im(f6), e que o conjunto de n´ıvel 0 de f6 ´e dado por C0(f6) = {(x, y) ∈ Dom(f6) | x = 0 ou y = 0}.

Desenvolvendo ent˜ao a igualdade xy2

x2+ y4 = k, para k 6= 0, temos que xy2

x2+ y4 = k ⇔ xy

2 = kx2+ ky4 ⇔ kx2− y2x + ky4 = 0.

Resolvendo a equa¸c˜ao acima em x, segue que

x = y

2± y21 − 4k2

(35)

De posse deste resultado, fica claro que Im(f6) = · 1 2, 1 2 ¸

. Sendo assim, para k ∈ · 1 2, 1 2 ¸

, k 6= 0, temos que o conjunto de n´ıvel k de f6 ´e dado por

Ck(f6) = ½ (x, y) ∈ Dom(f6) ¯ ¯ ¯ x = y2 µ 1 ± 1√1 − 4k2 2k ¶¾ ,

ou seja, as curvas de n´ıvel k(k 6= 0) de f6 s˜ao as par´abolas x = y2

µ

1 ± 1√1 − 4k2

2k

¶ , com (x, y) 6= (0, 0). Por exemplo,

para k = 1/2, temos a par´abola x = y2;

para k = 1/3, temos as par´abolas x = y2

à 3 +5 2 ! e x = y2 à 3 −√5 2 ! ; para k = 1/4, temos as par´abolas x = y2

à 4 +12 2 ! e x = y2 à 4 −√12 2 ! ; para k = −1/2, temos a par´abola x = −y2;

para k = −1/3, temos as par´abolas x = −y2

à 3 +5 2 ! e x = −y2 à 3 −√5 2 ! ; para k = −1/4, temos as par´abolas x = −y2

à 4 +12 2 ! e x = −y2 à 4 −√12 2 ! ; As curvas de n´ıvel de f6 encontram-se esbo¸cadas abaixo.

y

x

Vamos agora passar aos gr´aficos de fun¸c˜oes reais de duas vari´aveis. Portanto, ´e inter-essante que vocˆe fa¸ca uma revis˜ao de planos, cilindros, esferas, superf´ıcies de revolu¸c˜ao e superf´ıcies qu´adricas em geral. Na Parte 4, temos uma revis˜ao destes t´opicos. N˜ao deixe de estud´a-los.

3.6 Gr´

aficos de Fun¸c˜

oes Reais de Duas Vari´

aveis

Seja f : Dom(f ) ⊆ R2 → R. Conforme j´a sabemos, temos que o gr´afico da fun¸c˜ao f ´e

(36)

G(f ) = {(x, y, f (x, y)) ∈ R3| (x, y) ∈ Dom(f )}.

No caso em quest˜ao, que ´e o das fun¸c˜oes reais de duas vari´aveis reais, atente para o fato de que os gr´aficos destas fun¸c˜oes est˜ao em R3.

A representa¸c˜ao geom´etrica do gr´afico de uma fun¸c˜ao de duas vari´aveis ´e uma tarefa dif´ıcil. Por isto, em alguns casos nos contentamos com as curvas de n´ıvel. Vamos agora fazer alguns exemplos que n˜ao est˜ao entre os mais dif´ıceis.

Exemplo 3.6.1: Determine e esboce os gr´aficos das fun¸c˜oes dadas abaixo. Use as curvas de n´ıvel encontradas no Exemplo 3.5.1, se achar necess´ario.

a) h1(x, y) = x + y. b) h2(x, y) = x2+ y2. c) h3(x, y) = y2− x2. d) h4(x, y) = e−(x 2+y2) . e) h5(x, y) = 1 − y2. f) h6(x, y) = y x − 1. g) h7(x, y) = ln(xy − 1). Solu¸c˜ao:

a) Temos que o gr´afico de h1 ´e dado por

G(h1) = {(x, y, x + y) ∈ R3| (x, y) ∈ R2}.

Temos portanto que o gr´afico da fun¸c˜ao ´e o plano

z = x + y,

que ´e o plano que cont´em a origem e ´e perpendicular aos

vetores (1, 1, −1) e (−1, −1, 1) (figura ao lado). x

y z

b) Temos que o gr´afico de h2 ´e dado por

G(h2) = {(x, y, x2+ y2) ∈ R3| (x, y) ∈ R2}.

Temos portanto que o gr´afico da fun¸c˜ao ´e o parabol´oide

z = x2+ y2 (figura ao lado).

x

y z

(37)

c) Temos que o gr´afico de h3 ´e dado por

G(h3) = {(x, y, y2− x2) ∈ R3| (x, y) ∈ R2}.

Temos portanto que o gr´afico da fun¸c˜ao ´e o parabol´oide hiperb´olico z = y2− x2 (figura ao lado).

x y

z

d) Temos que o gr´afico de h4 ´e dado por G(h4) =

x, y, e−(x2+y2)´

∈ R3| (x, y) ∈ R2o.

Neste caso, observe que, as vari´aveis x e y s´o aparece na forma (px2 + y2)2. Estamos portanto diante de uma

superf´ıcie de revolu¸c˜ao. Desta forma, para descobrir a fun¸c˜ao z = f (y) (ou z = f (x)), cuja rota¸c˜ao do gr´afico resultou na superf´ıcie em quest˜ao, vamos substituir o termo (x2 + y2) na express˜ao de h

4 por y2 (ou por x2).

Encontramos assim, a fun¸c˜ao z2 = f (y) = e−y2

. Temos ent˜ao, que o gr´afico de h4 ´e a superf´ıcie gerada pela

rota¸c˜ao da curva z2 = e−y2

, no plano yz, em torno do eixo z (ou, o que d´a no mesmo, a rota¸c˜ao da curva z2 = e−x2

, no plano xz, em torno do eixo z) (figura ao lado).

x y

z

d) Temos que o gr´afico de h5 ´e dado por G(h5) =

©¡

x, y, 1 − y∈ R3| (x, y) ∈ R.

Neste caso, observe que, no plano yz, a equa¸c˜ao z = 1 − y2, ´e a equa¸c˜ao de uma par´abola. Portanto, em R3,

a equa¸c˜ao z = 1 − y2 ´e a equa¸c˜ao de um cilindro cuja

diretriz ´e a par´abola z = 1 − y2, no plano yz, e cuja

geratriz ´e paralela ao eixo x. Este cilindro ´e chamado de cilindro parab´olico (figura ao lado).

x y

Referências

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