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OS POBRES CEGOS BRASILEIROS

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Academic year: 2021

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OS POBRES CEGOS BRASILEIROS

PATRÍCIA DE PAULA ANICETO

RESUMO:

Este ensaio aborda o olhar do eu-poético que está direcionado para o contexto político e social, no poema “Sobre a atual vergonha de ser brasileiro”, de Affonso Romano de Sant’Anna. No qual se comprova que a pobreza é conseqüência da omissão e da “cegueira social” do povo deste país.

ABSTRACT:

This paper examines the look of the poetic self that is aimed at the poli-tical and social context in the poem by Affonso Romano de Sant’Anna “Sobre a atual vergonha de ser brasileiro”, in which can be proven that poverty is a consequence of the omission and of the “social blindness” of the people from this country.

 

OS POBRES CEGOS BRASILEIROS

No livro O cosmopolitismo do pobre, Silviano Santiago questiona o problema da falta de escritores engajados, no Brasil. Segundo este autor:

A inusitada situação da cena brasileira como que isentou os cultores da última flor do Lácio de responsabilidade lingüística na relação com a atualidade. A omissão ética e política, por sua vez, relegou ao segundo plano a pertinência e a perspicácia do brasileiro letrado no manejo contemporâneo do instrumental de trabalho. Atenção. Não são os falantes e os escritores que foram obrigados a manter o horizonte geográfico e histórico restrito, como durante o nacionalismo estridente e repressor da ditadura militar de 1964. A própria língua portuguesa é que, por falta de flexibilidade intelectual dos letrados, se tornou tacanha. (2004, p. 78 ) 

Em contradição a esta postura crítica de Silviano Santiago, na obra Cul-tura e Política, Roberto Schwartz ao comentar sobre a situação culCul-tural neste mesmo período político de 1964, declara que: “para surpresa de todos, a presença cultural da esquerda não foi liquidada naquela data, e mais, de lá para cá não parou de crescer. A sua produção é de qualidade notável nalguns campos, e é dominante. Apesar da

ditadura da direita há relativa hegemonia cultural da esquerda no país” (2005, p. 7-8).

Além disso, Schwartz identifica “os grupos diretamente ligados à produção ideológica, tais como estudantes, artistas, jornalistas, parte dos sociólogos e economistas, a

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par-te raciocinanpar-te do clero, arquipar-tetos etc” (Ibid., p. 8).

Neste ensaio analisaremos o poema “Sobre a atual vergonha de ser brasileiro” que faz parte da obra Política e Paixão (1984), de Affonso Romano de Sant’Anna:

Sobre a atual vergonha de ser brasileiro

Projeto de Constituição atribuído a Capistrano de Abreu: Art. 1º - Todo brasileiro deve ter vergonha na cara. Parágrafo único: Revogam-se as disposições em contrário.

Que vergonha, meu Deus! ser brasileiro e estar crucificado num cruzeiro

erguido num monte de corrupção. Antes nos matavam de porrada e choque nas celas da subversão. Agora

nos matam de vergonha e fome exibindo estatísticas na mão.

Estão zombando de mim. Não acredito. Debocham a viva voz e por escrito. É abrir jornal, lá vem desgosto. Cada notícia

- é um vídeo-tapa no rosto. Cada vez é mais difícil ser brasileiro. Cada vez é mais difícil ser cavalo desse Exu perverso

- nesse desgovernado terreiro. Nunca vi tamanho abuso.

Estou confuso, obtuso, com a razão em parafuso: a honestidade saiu de moda, a honra caiu de uso.

De hora em hora a coisa piora:

arruinado o passado, comprometido o presente, vai-se o futuro à penhora. Me lembra antiga história daquele índio Atahualpa ante Pizarro - o invasor,

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enchendo de ouro a balança com a ilusão de o seduzir e conquistar seu amor. Este é um país esquisito: onde o ministro se demite negando a demissão e os discursos são inflados pelos ventos da inflação. Valei-nos Santo Cabral nessa avessa calmaria em forma de recessão e na tempestade da fome ensinai-me

- a navegação.

Este é o país do diz e do desdiz, onde o dito é desmentido

no mesmo instante em que é dito. Não há lingüista e erudito

que apure o sentido inscrito nesse discurso invertido. Aqui o dito é o não-dito e já ninguém pergunta se será o Benedito. Aqui o discurso se trunca: o sim é não, o não, talvez, o talvez - nunca.

Eis o sinal dos tempos: este é o país produtor que tanto mais produz tanto mais é devedor. Um país exportador que quanto mais exporta mais importante se torna como país

- mau pagador.

E, no entanto, há quem julgue que somos um bloco alegre

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do “Comigo Ninguém Pode”,

quando somos um país de cornos mansos cuja história vai dar bode.

Dar bode, já que nunca deu bolo, tão prometido pros pobres em meio a festas e alarde, onde quem partiu, repartiu, ficou com a maior parte deixando pobre o Brasil. Eis uma situação

totalmente pervertida: - uma nação que é rica consegue ficar falida,

- o ouro brota em nosso peito, mas mendigamos com a mão, - uma nação encarcerada doa a chave ao carcereiro para ficar na prisão.

Cada povo tem o governo que merece? Ou cada povo

tem os ladrões que a enriquece?

Cada povo tem os ricos que o enobrecem? Ou cada povo tem os pulhas

que o empobrecem? O fato é que cada vez mais mais se entristece esse povo

num rosário de contas e promessas, num sobe e desce

- de pranto e preces.

Ce n’est pas un pays sérieux!

já dizia o general. O que somos afinal?

Um país pererê? folclórico? tropical? misturando morte e carnaval?

- Um povo de degradados? - FIlhos de degredados largados no litoral? - Um povo-macunaíma sem caráter nacional?

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um engano fabuloso

narrado a um menino bobo, - história de chapeuzinho já na barriga do lobo?

Por que só nos contos de fada

os pobres fracos vencem os ricos ogres? Por que os ricos dos países pobres são pobres perto dos ricos

dos países ricos? Por que

os pobres ricos dos países pobres

não se aliam aos pobres dos países pobres para enfrentar os ricos dos países ricos, cada vez mais ricos,

mesmo quando investem nos países pobres? Espelho, espelho meu!

há um país mais perdido que o meu? Espelho, espelho meu!

há um governo mais omisso que o meu? Espelho, espelho meu!

há um povo mais passivo que o meu? E o espelho respondeu

algo que se perdeu

entre o inferno que padeço

e o desencanto do céu (2004, p. 30-33).

Apesar de haver o traço de nacionalidade no próprio título do poema, ele apresenta-se longe de ser um poema saudosista como aqueles produzidos pelos poetas românticos brasileiros. Em relação a esta possível comparação que podemos estabelecer entre a poesia social do Romantismo e o poema de Affonso Romano de Sant’Anna, Felipe Fortuna , no ensaio “A construção política (sobre a poesia de Affon-so Romano de Sant’Anna)”, observa que:

Se a poesia romântica era declamada nas praças públicas, nos salões e nos teatros, e investia na grande eclosão da imprensa escrita, a poesia de Affonso espalha-se hoje pelos jornais e muitas vezes pela televisão - quase sempre escrita no calor da hora. E, como toda poesia de cunho político, a sua tem uma intenção (acesso em 19/04/2007). Além disso, o índice de nacionalidade apresentado no título, vem marcado pelo compromisso com a atualidade: “Sobre a atual vergonha de ser brasileiro”. Segundo Benoît Denis, “a literatura engajada está assim condenada a uma obsolescência rápida: a atualidade, o tempo que passa e o mundo que muda limitam de alguma forma a esperança de vida dessa literatura, que escolheu ligar-se estreitamente à temporalidade do mundo dos homens” (2002, p. 41).

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eu-po-ético sendo engajado assume a responsabilidade com o social e com o literário. Aqui, a análise que faz da sociedade brasileira é impiedo-sa quando diz: “Que vergonha, meu Deus! ser brasileiro e estar crucificado num cruzeiro erguido num monte de corrupção (2004, p. 30). “

Neste cenário político, sobressai o olhar engajado do eu-poético que busca focalizar, denunciar e ao mesmo tempo indagar o momento que vive. Desta forma, vai demonstrando a postura de um eu consciente do contexto histórico através do espaço em que habita.

Curiosamente, o eu-poético traça um perfil crítico de percepção da so-ciedade, através do seu olhar. A partir daí, a análise que podemos fazer da sua visão é de desconstrução. Pois, segundo Affonso Romano de Sant’Anna, “é preciso depois de ver, ‘desver’ para que o real se realize” (2006, p. 12). A partir desta forma de refletir sobre seu país, o eu -poético tece suas críticas sobre a sociedade brasileira explicita-mente em seus versos. Na verdade, o que ele faz é mostrar o avesso da situação que vemos e que vivemos em nosso país. É como se fosse capaz de descortinar as falsas ilusões, ou seja, a “cegueira social” ao lado da omissão do povo brasileiro:

E, no entanto, há quem julgue que somos um bloco alegre do “Comigo Ninguém Pode”, quando somos um país de cornos mansos cuja história vai dar bode (2004, p.32).

Ao revelar ironicamente a identidade do povo brasileiro, ou seja, “cornos mansos”, o eu-poético continua sua manifestação evidenciando e justificando nossa condição social:

Dar bode, já que nunca deu bolo, tão prometido pros pobres em meio a festas e alarde, onde quem partiu, repartiu, ficou com a maior parte deixando pobre o Brasil (Ibid.).

Simbolicamente, a pobreza representa o desprendimento (CHEVALIER, Jean e GHEERBRANT, Alain. 2001, p. 726). Esta imagem da abnegação também está presente na personalidade dos brasileiros, como constata o eu-poético:

Eis uma situação totalmente pervertida: - uma nação que é rica consegue ficar falida,

- o ouro brota em nosso peito, mas mendigamos com a mão, - uma nação encarcerada doa a chave ao carcereiro para ficar na prisão (2004, p.32).

Com o intuito de revelar a imagem de carência, de dependência, de abnegação e de omissão, o eu-poético, em outras palavras, justifica nossa condição de país subdesenvolvido. Sobre esta impressão que caracteriza nosso país, Eduardo Portella declara que:

Todos nós sabemos – nós mais do que ninguém - que o subdesenvolvimento é um agente obstinado da desumanização. Ser subdesenvolvido é habitar perifericamente a condição humana sem

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possuir, em nenhum instante, os meios de acesso a ela. O prisioneiro do subdesenvolvimento não vive; sobrevive. Toda a sua luta tem como finalidade a mera e exclusiva subsistência (1975, p. 69).

Nesta luta pela sobrevivência, o eu-poético abandona a postura indivi-dual e passa a representar o povo através de interesses comuns. Sobre este posicio-namento social do eu, Portella declara que: “No país subdesenvolvido o intelectual (o autêntico, não alienado) é um ser coletivo. Por um normal processo de inserção autô-noma é ele menos individualista. Precisamente porque está sempre mais pressionado pelo contexto” (Ibid., p. 71).

Longe de ser um alienado, o eu-poético demonstra interesse por aqueles que habitam a condição periférica na sociedade brasileira, ou seja, ele toma partido das vítimas desse espaço político e opressor, e, ao mesmo tempo, estabelece uma comparação entre o ter e o ser ao questionar os valores do povo e do governo:

Cada povo tem o governo que merece? Ou cada povo

tem os ladrões que a enriquece?

Cada povo tem os ricos que o enobrecem? Ou cada povo tem os pulhas

que o empobrecem? (2004, p. 32).

Ao se apresentar como um representante do povo, podemos constatar que o eu-poético abraça os interesses coletivos da sociedade. Sobre este comporta-mento, Portella justifica que:

O intelectual deve interferir ativamente no processo de emancipação nacional. Todos nós somos peças de uma mesma engrenagem. O outro faz parte do nosso eu. Não existe drama alheio. Somos um ser-no-mundo-para-o-outro. Não nos podemos encerrar num monologo porque somos completamente diálogo. Fora do diálogo o que existe é o precipício. Engajamo-nos politicamente porque é esta a única forma que encontramos para não ser um demissionário neste país. (1975, p. 77).

Num país condenado à cegueira social, ou seja, à alienação, o eu-poéti-co torna-se delator do povo e do governo. E, se por um lado o eu-poétieu-poéti-co apresenta os interesses do povo, por outro lado, ele não deixa de tecer críticas ao posicionamento e a identidade desse mesmo brasileiro, tais como: obediência, resignação, alienação, unanimidade e passividade. Tudo isso contribui para a condição de sermos pobres num país subdesenvolvido. Estes elementos que caracterizam o povo, segundo o eu-poético, podem ser percebidos em outro questionamento que ele faz:

Por que só nos contos de fada

os pobres fracos vencem os ricos ogres? Por que os ricos dos países pobres

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são pobres perto dos ricos dos países ricos? Por que

os pobres ricos dos países pobres

não se aliam aos pobres dos países pobres para enfrentar os ricos dos países ricos, cada vez mais ricos,

mesmo quando investem nos países pobres? (2004, p. 33).

Como podemos perceber, “basta não confundir poesia e obra de ciência, e não ser pedante, para dar-se conta do óbvio: que poetas sabem muito sobre muita coisa, inclusive, por exemplo, sobre a pobreza” (PORTELLA, 1975, p. 7).

A ironia apresentada neste poema é colocada intertextualmente e inten-cionalmente. Ironicamente, o eu-poético inseguro intertextualiza sua indagação ao consultar o espelho, como num conto infantil dos Irmãos Grimm:

Espelho, espelho meu!

há um país mais perdido que o meu? Espelho, espelho meu!

há um governo mais omisso que o meu? Espelho, espelho meu!

há um povo mais passivo que o meu? (2004, p. 33).

Neste instante de introspecção, o eu-poético interessado em desfazer a “cegueira social” questiona ao símbolo da verdade suas dúvidas. Aqui, a metáfora do espelho funciona como uma busca da consciência da realidade. É como se o eu-po-ético tentasse desvelar a imagem que o povo tem de seu país. Curiosamente, longe de ocultar qualquer mentira, o espelho respondeu ao eu-poético: “algo que se perdeu/ entre o inferno que padeço/e o desencanto do céu” (Ibid.). Sem qualquer chance de alimentar a ilusão e a “cegueira coletiva”, o espelho reflete, então, a atual situação que o eu-poético está vivendo.

Entre questionamentos, denúncias e desilusões das ideologias, aos poucos, num tom confessional, o eu-poético apresenta críticas em relação à política, à economia e ao seu próprio país. No entanto, ao mesmo tempo que faz estas denún-cias, com seriedade e com veracidade diante dos fatos imbuídos de realidade, deixa explícita nelas a ironia intencional.

Voltando à crítica inicial de Silviano Santiago, percebemos que ele preci-pitou-se ao generalizar a omissão de alguns escritores em relação ao período de opres-são no Brasil. Quanto a isso não se pode negar que Affonso Romano de Sant’Anna é uma exceção, pois sempre se preocupou com o contemporâneo em sua poesia. Isso equivale dizer, como afirmou Wilson Martins, que Affonso é o poeta do nosso tempo. Para o crítico, Affonso Romano de Sant’Anna é mais do que isso:

Ele é não só um poeta do nosso tempo, integrado nos seus problemas e perplexidades, nas incertezas sucessivas em que as certezas se resolvem, mas é também o grande poeta brasileiro que obscuramente esperávamos para a sucessão de Carlos Drummond de Andrade” (acesso em 19/04/2007).

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Como podemos perceber, a partir do poema analisado, Affonso Romano de Sant’Anna deixa-nos transparecer que é um dos escritores que não se submete-ram ao silêncio e à censura proposta pelo momento histórico.

Nesta tentativa de analisar a poesia “Sobre a atual vergonha de ser bra-sileiro” de Affonso Romano de Sant’Anna, aqui não pretendemos esgotar todas as possibilidades de leitura, pois como toda obra artística, ela é aberta a várias interpre-tações.

REFERÊNCIAS

CHEVALIER, Jean e GHEERBRANT, Alain. Dicionário de símbolos. 16. edição. Rio de Janeiro: José Olympio. 2001.2001.

DENIS, Benoît. Literatura e engajamento: de Pascal a Sartre. São Paulo: EDUSC, 2002.

FORTUNA, Felipe. A construção política (sobre a poesia de Affonso Romano de Sant’Anna). In: www.felipefortuna.com

MARTINS, Wilson. Affonso Romano de Sant’Anna: poeta do nosso tempo. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 04 de out. de 1980 – Caderno B.

PORTELLA, Eduardo. Literatura e realidade nacional. Rio de Janeiro: Tempo Bra-sileiro, 1975.

SANT’ANNA, Affonso Romano de. Poesia reunida: 1965-1999. Porto Alegre: L&PM, 2004. 2v.

_____ . SANT’ANNA, Affonso Romano de. A cegueira e o saber. Rio de Janeiro: Rocco, 2006.

SANTIAGO, Silviano. O cosmopolitismo do pobre: crítica literária e crítica cultural. Belo Horizonte: UFMG, 2004.

SCHWARTZ, Roberto. Cultura e Política. São Paulo: Paz e Terra, 2005.

Patrícia de Paula Aniceto nasceu em Santos Dumont, MG. É mestra em Literatura Brasileira, pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora. Publicou o artigo periódico O aprendizado da leitura, por meio eletrônico. Apresentou as conferências: “O aprendizado da leitura”, “Mulheres amadas e rejeitas”, “Pedro Nava: um olhar sobre o passado mineiro”. Publicou o seguinte capítulo: Carlos Drummond de Andrade: um olhar crepuscular sobre o tempo. In:Carlos Drummond de Andrade: um poeta e seus enigmas. Org. Thereza da Conceição Apparecida Domingues. Rio de Janeiro: Papel Virtual, 2005, p. 75-83. Foi premiada pela classificação em alguns concursos literários, tendo seus textos publicados em coletâneas.

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