OS SIMULACROS PASSIONAIS DESENVOL VIDOS NO CONTO A ESBOFETEADA DE NELSON RODRIGUES E A SUA RELACAO COM A
AXIOLOGIA SUBJACENTE
ABSTRACT: This paper to take aim to approach the values system based in the brazilian culture, concerning to the passionate structures perceived on one tale of Nelson Rodrigues. The dialetic relations of deep semantic permited to detect the oppositions:to be x to seem, domineering x dominated and acceptance x rebelliouness.
Segundo a filosofia Aristotelica, as paixOes (paqod) "pathos" refletem 0
softer do sujeito passivo, ou seja, daquele que recebe a a9ao;0que Platiio considera a
expressiio dos conflitos capaz de colocar 0sujeito diante do confronto RAZAO x
EMOCAO, promovendo, assim, a desestrutura~o, a perturba~o racional que conduz o ser para sua propria ruina.
Se0sentido patologico desta ordem vai de encontro ao rompimento das leis mantenedoras de urn nucleo social,0controle das em090es torna-se fundamental para a
manuten~o dos modelos de comportamento pre- estabelecidos, sutentando, portanto, urn "modus vivendi" ao nivel do parecer. Por este motivo, Greirnas e Fontanille distinguem 0 fazer do percurso passional intemo do extemo, definindo-os como
percursos paralelos, cujo fazer e caracterizado ora pelo cognitivo ora pelo pragmatico. Logicamente, se a sociedade tern por objeto de valor 0controle das em090es
do tipo passional e acredita que estas rela~s devem ser marcadas pela primazia do sexo masculino,0serna for~ prevalece e se esta for~ bruta representa 0querer-fazer e
o poder-fazer do sujeito ativo, a mulher, cujo dever-fazer se fundamenta na pro~o e na preferencia, tern como crer 0 dever-fazer aceitar 0 querer-fazer e 0 pode-fazer do
outro, obtendo, desta forma, 0prestigio social. Entende-se, assim, que 0
crer-dever-fazer feminino gera a atra~o e nao a repulsa, pois0querer-nao-fazer resultaria na nao
aceita9ao social,0que, conseqiientemente, refor~ 0 dever-fazer masculino, estando os
dois sujeitos colocados como duas faces de uma mesma moeda.
Oconto A Esbofeteada de Nelson Rodrigues (1995: 80 a 84) narra a historia de Silene (S3) e de Sinval (S2). Inicialmente, Ismenia (Sl) conta para as amigas que fora esbofeteada pelo namorado Sinval (S2): as amigas emudecem e silo tornadas por urn arrepio de inveja; dentre elas, encontra-se Silene (S3) que repudia a possibilidade de acontecer-lhe algo semelhante, porem, 0asco transforma-se em fascinio e, por fim,
Sinval, porem, relaciona-se de maneira diferente com Silene, controlando suas pr6prias atitudes ao nuiximo, desagradando Silene, pois esta MO aceita 0tratamento
recebido: "- Voce MO e homem! Se fosse homem eu MO faria de voce gato e sapato!". Urn dia, Sinval vem a saber que a namorada havia beijado urn outro rapaz e, para a satisfa~o de Silene, Sinval da-Ihe uma bofetada. Com0decorrer do tempo, nos
momentos de carinho, Silene pedia mais bofetadas: "Me bate, anda! Me bate!". Assim, a felicidade do casal foi duradoura.
Tendo-se como base, como porto seguro, a instancia da enuncia~o, a estrutura do conto coloca em evidencia, na aruilise da semantica profunda, a paixao nurn percurso paralelo ao da satisfa~ao e ao da con:fian~, pois a dor, reflexo do querer, da posse, possibilita, ao modo do parecer, a conjun~o do sujeito Silene com 0 seu
objeto de valor fundamental e, ainda, auxilia Sinval a manter0seu papel.
Compreende-se, pois, que os dois sujeitos MO s6 obtem seus objetos de valor, como 0 contrato fiduciario e fortalecido e , posteriormente, caraeterizado como
durativo, logo, os sujeitos confiantes sao, por fim, sancionados positivamente, 0 que
justifica a afirma~ao de Nelson Rodrigues: "S6 as normais gostam de apanhar". Deve-se ter em conta que Nelson Rodrigues retrata as rela~Oes passionais tendo como referencia a sociedade carioca dos anos cinqiienta, pressup5e-se, assim, que esta manife~ao recortada do ser representa as pre-eondi~s para a constru~o dos simulacros, e, entre os elementos que regem 0 percurso intersubjetivo, 0
catolicismo, religiao oficial do Brasil, inscreve-se como uma das citadas pre-eondi~Oes configuradoras da veridic~o discursiva, cujos conceitos pregarn a inferioridade feminina.
Pode-se concluir que os rigidos modelos de conduta que colocam 0 sexo
masculino na condi~o de sexo dominante ampliam 0car.iter destas rela~s, tornando
esta "visao de mundo", orientada pelo parecer, e""1ensiva
a
sociedade brasileira da epoca.Segue-se a apresenta~o do oet6gono formalizado, onde a sociedade brasileira e representada pelo nivel do parecer:
/
VERDADE / " PARECERX
"MENTIRA. Sociedade/
Nlo. '-PARECER "No conto em estudo, Silene encontra-se na situa~o Mulher, logo, Dominada, deixis positiva, ja que se propOe a ser dominada por Sinval, 0 que, na
verdade, mantem0Sistema de Domina~o.
Entende-se, portanto, que tal sistema se sustenta porque0dominado admite a
domina~o, 0que na con~o de Silene significa estar em conjun~o com seu objeto de valor principal.
Sinval encontra-se na deixis negativa, pois como Homem tern0privilegio de ser considerado pela sociedade0elemento Dominante.
/
MuIher Sn.ENE Nlo- , Dominante " ~NAO-DominadoDe acordo com 0 conto em quesmo, compreende-se que a tensao dialetica
representa0objeto de valor principal de Silene; 0percurso de Silene, inicialmente, e
marcado pela Rebeldia, ja que repudia a ideia de ser esbofeteada como Ismenia, seguidamente acredita encontrar-se na deixis negativa, pois Sinval com ela comporta-se de forma diferente, 0que a faz entrar em Conflito e, por tim, a Harmonia, deixis
positiva, se instala como produto do fazer de Sinval, isto e, da retomada do antigo modele de comportamento, sendo Silene conduzida it tensao dialetica, obtendo seu objeto de valor,0Prestigio Social.
Sinval, por sua vez, inicialmente, encontra-se na deixis positiva, Harmonia, pois aceita as exigencias de seu proprio papel na companhia de Ismenia, porem, ao alterar seu comportamento, ouve da namorada Silene que esta postura MO e caraeteristica de urn homem, 0 que 0 coloca na deixis negativa, Desrespeito. Apes
passar pelo conflito, situa~o de auto-controle, Sinval coloca-se na deixis positiva, Harmonia, novamente, pois aceita reviver 0 antigo papel, obtendo tambem0 Prestigio
/
Prestigio Social SILENE5 '\.. Rebeldia '\.. SILENE I1Xl"~
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Acei~io / HannoDia SILENE4 N.4.0-Rebeldia " / A~~~O COD1Iito SILENE3 Prestigio Social SINVAL5 Ac~o / "=:1Vl
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Desrespeito SINVAL2/.
N.4.0-Rebeldia / NAO-Ac:eital'ioRESUMO: Este trabalho tem por objeto obter a axiologia que sustenta a cultura brasileira no que tange as estruturas passionais percebidas em um conto de Nelson Rodrigues. As relafoes diaJeticas da semantica profunda permitiram detectar as seguintes oposifoes: ser x parecer, dominante x dominado e aceita<;t2ox rebeldia.
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