PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA –
DECRETO 10.470, 24/08/2020
DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃOPublicado em: 24/08/2020 | Edição: 162-A | Seção: 1 – Extra | Página: 1
Órgão: Atos do Poder Executivo
DECRETO Nº 10.470, DE 24 DE AGOSTO DE 2020
Prorroga os prazos para celebrar acordos de redução proporcional de jornada de trabalho e de salário e de suspensão temporária de contrato de trabalho e para efetuar o pagamento dos benefícios emergenciais de que trata a Lei nº 14.020, de 6 de julho de 2020.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84,caput, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei nº 14.020, de 6 de julho de 2020, DECRETA:
Art. 1º Este Decreto prorroga os prazos para celebrar os acordos de redução proporcional de jornada de trabalho e de salário e de suspensão temporária de contrato de trabalho e para efetuar o pagamento dos benefícios emergenciais de que tratam a Lei nº 14.020, de 6 de julho de 2020, e o Decreto nº 10.422, de 13 de julho de 2020.
Art. 2º Os prazos máximos para celebrar acordo de redução proporcional da jornada de trabalho e de salário e de suspensão temporária de contrato de trabalho, de que tratam, respectivamente, o caput do art. 7º e o caput do art. 8º da Lei nº 14.020, de 2020, consideradas as prorrogações do Decreto nº 10.422, de 2020, ficam acrescidos de sessenta dias, de modo a completar o total de cento e oitenta dias, limitados
à duração do estado de calamidade pública a que se refere o art. 1º da Lei nº 14.020, de 2020.
Art. 3º Os prazos máximos para celebrar acordo de redução proporcional de jornada de trabalho e de salário e de suspensão temporária de contrato de trabalho ainda que em períodos sucessivos ou intercalados, de que trata o art. 16 da Lei nº 14.020, de 2020, consideradas as prorrogações do Decreto nº 10.422, de 2020, ficam acrescidos de sessenta dias, de modo a completar o total de cento e oitenta dias, limitados à duração do estado de calamidade pública a que se refere o art. 1º da Lei nº 14.020, de 2020.
Art. 4º Os períodos de redução proporcional de jornada de trabalho e de salário e de suspensão temporária de contrato de trabalho utilizados até a data de publicação deste Decreto serão computados para fins de contagem dos limites máximos resultantes dos acréscimos de prazos de que tratam o art. 2º e o art. 3º e o Decreto nº 10.422, de 2020, limitados à duração do estado de calamidade pública a que se refere o art. 1º da Lei nº 14.020, de 2020.
Art. 5º O empregado com contrato de trabalho intermitente, nos termos do disposto no § 3º do art. 443 da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, formalizado até 1º de abril de 2020 fará jus ao benefício emergencial mensal no valor de R$ 600,00 (seiscentos reais), pelo período adicional de dois meses, contado da data de encerramento do período total de quatro meses de que tratam o art. 18 da Lei nº 14.020, de 2020, e o art. 6º do Decreto nº 10.422, de 2020.
Art. 6º A concessão e o pagamento do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda e do benefício emergencial mensal de que tratam, respectivamente, o art. 5º e o art. 18 da Lei nº 14.020, de 2020, observadas as prorrogações de prazos previstas no Decreto nº 10.422, de 2020, e neste Decreto, ficam condicionados às disponibilidades orçamentárias
e à duração do estado de calamidade pública a que se refere o art. 1º da Lei nº 14.020, de 2020.
Art. 7º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 24 de agosto de 2020; 199º da Independência e 132º da República.
JAIR MESSIAS BOLSONARO
Paulo Guedes
CONFENEN
–
COVID-19
–
CONTRATOS EDUCACIONAIS – E.
SUPERIOR E E. BÁSICA
Brasília, 22 de julho de 2020.
Às Federações, Sindicatos e Escolas Privadas,
P A N D E M I A D E C O V I D - 1 9 – C O N T R A T O S E D U C A C I O N A I S . ENSINO SUPERIOR. ADEQUAÇÕES – EDUCAÇÃO BÁSICA. CRIAÇÃO DE NORMAS INTERNAS
A CONFENEN – Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino, ouvida a sua
Câmara de Ensino Superior e o Conselho de Advogados, e considerando:
as recomendações do Ministério da Saúde, em razão da 1.
pandemia provocada pelo Covid-19;
o Decreto Legislativo nº 6/2020, que reconhece, para os 2.
fins do art. 65 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, a ocorrência do estado de calamidade pública, nos termos da solicitação do Presidente da República encaminhada por meio da Mensagem nº 93, de 18 de março de 2020;
o Parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) de 3.
número 05/2020, ao dispor sobre a reorganização do Calendário Escolar e da possibilidade de cômputo de atividades não presenciais para fins de cumprimento da carga horária mínima anual, em razão da Pandemia da COVID-19, apresenta uma série de obrigações e adaptações para as atividades acadêmicas, sejam elas pedagógicas ou administrativas;
a Portaria do Ministério da Educação nº 544, de 16 de 4.
junho de 2020, que dispõe sobre a substituição das aulas presenciais por aulas em meios digitais, enquanto durar a situação de pandemia do novo coronavírus – Covid-19 […] e, dessa forma, requer alterações nos projetos pedagógicos a fim de letimar outras formas de atividades práticas de estágio e de laboratórios;
a Portaria do Ministério da Educação nº 572, de 1º de 5.
julho de 2020, ao rezar que “As instituições integrantes do sistema federal de ensino deverão integrar esforços para o desenvolvimento de ações destinadas a retomar suas atividades com segurança, respeito à vida e às comunidades, […]” estabelece novas dinâmicas para a comunidade acadêmica em geral;
o Parecer CNE nº 11/2020, que apresenta orientações 6.
Educacionais para a Realização de Aulas e Atividades Pedagógicas Presenciais e Não Presenciais no contexto da Pandemia, requer reorganização de processos e procedimentos acadêmicos;
as diversas Leis e Normativas Estaduais, Municipais e do 7.
Distrito Federal que regulamentam questões sanitárias locais e regionais;
Concluiu que o Contrato de Prestação de Serviços Educacionais adotado pelas Instituição de Ensino Superior e Ensino Técnico, com regime de matrícula semestral ou modular, pode ser ajustado para o especial contexto da pandemia de Covid-19, de modo a especificar a forma de prestação de serviços e as obrigações de alunos e contratantes.
Dessa forma, foi elaborada a proposta/sugestão constante do Anexo a este informativo, a qual tem caráter de orientação. Ressalta-se que a adoção do texto sugerido, total ou parcial, deve ser avaliada e decidida pela instituição, em conformidade com sua realidade.
Fundamental registrar que as instituições adotam contratação de todo o curso (com aditamento semestral apenas do valor da semestralidade) bem como as instituições de Educação Básica que adotem regime anual de matrícula poderão incorporar as cláusulas sugeridas em normas internas ou no seu plano de contingências ou protocolo de retorno às atividades presenciais.
Qualquer que seja a situação, indispensável que a alteração no contrato ou edição de norma interna, plano de contingência ou protocolo de retorno às atividades presenciais seja amplamente informada aos pais, alunos e/ou contratantes, atendendo-se, assim, ao dever de informação previsto no Código de Defesa do Consumidor.
A CONFENEN, através das suas câmaras de Educação Básica e Ensino Superior, bem como do Conselho de Advogados e de sua Assessoria Jurídica, estão à disposição dos associados para quaisquer esclarecimentos pertinentes.
ANEXO
Sugestões para Adequação de Contrato Educacional e/ou inclusão em norma interna da escola
Cláusula – Durante a vigência do ESTADO DE CALAMIDADE PÚBLICA decretado, por motivo de saúde ou qualquer outro, as atividades presenciais (aulas, estágios, avaliações e outras) poderão, a critério da Contratada, ser substituídas pelo Regime Especial de Aulas Não Presenciais, por meio de tecnologia de informação e metodologias próprias.
1º – O Regime Especial de Aulas Não Presenciais consiste em um conjunto de metodologias mediadas por professores que, através do uso da tecnologia (e-mail, plataforma digital e chat) promovem a interação com a turma, observando o horário estabelecido para as aulas, a carga horária e o calendário acadêmico.
2º – O Regime Especial de Aulas Não Presenciais, já definido no presente instrumento, poderá ser alterado, segundo orientação do Poder Público e após decisão da Contratada.
Cláusula – Retornando as aulas presenciais, ainda que parcialmente, fica f acultada a presença do Contratante que
não se sentir seguro para frequentá-las ou que pertença a grupo de risco.
1º – O Contratante que optar por não participar das aulas ou atividades presenciais, nos termos do caput, será inserido no Regime Especial de Aulas Não Presenciais, porém, nesse caso, não serão utilizadas videoconferência, videoaula, retransmissão ou transmissão de aulas presenciais.
2º – A Contratada, facultando ao Contratante não frequentar as aulas ou atividades presenciais (substituindo-as pelo Regime Especial de Aulas Não Presenciais), fica desobrigada de quaisquer obrigações referentes a eventual contaminação do Contratante ou seus familiares pela Covid-19 e seus reflexos.
Cláusula – É de inteira responsabilidade do Contratante a aquisição de tecnologia e também de internet para ter acesso às aulas não presenciais.
Cláusula – O Contratante deverá seguir todas as normas do Poder Público e ainda os Protocolos para retorno às aulas, não podendo frequentar as instalações físicas da Contratada se estiver com qualquer dos sintomas da Covid-19, ou entrado em contato com pessoa infectada pela Covid-19 ou com suspeita de estar infectada, nos termos estabelecidos nos referidos Protocolos. Nesse caso será inserido no Regime de Aulas Não Presenciais.
1º – Caso o Contratante infrinja a norma acima, inclusive os Protocolos de retorno às aulas, terá o seu contrato de matrícula suspenso e deverá indenizar a Contratada, os demais estudantes, docentes, técnicos-administrativos e terceiros pelos danos materiais e morais que forem ocasionados.
2º – O Contratante deverá adquirir todos os equipamentos de proteção de uso individual referente ao enfrentamento da Covid-19, como máscaras e outros estabelecidos no Protocolo.
Cláusula – Os Protocolos de retorno às aulas consistem em um conjunto de normas de conduta, que visam proteger a saúde e a integridade física e mental da comunidade acadêmica, elaborados pelo Poder Público e também pela Contratada.
Parágrafo único. Os protocolos poderão ser alterados a qualquer tempo, segundo novas orientações do poder público e estudos realizados e/ou observados pela Contratada.
Cláusula – A Contratada poderá, a seu critério, adotar regime híbrido de ensino.
Parágrafo único. No ensino híbrido parte do conteúdo e carga horária serão trabalhados por meio do Regime Especial de Aulas Não Presenciais e parte no regime presencial, observado o disposto na Cláusula ……..
ANDRADE SANTOS – PARECER
INTERMITENTE NAS ESCOLAS
PARECER JURÍDICOEMPRESA CONSULENTE: Federação dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado de Sergipe (FENEN/SE).
TEMA: O Contrato de Trabalho Intermitente previsto Reforma Trabalhista – possibilidades e limites de aplicação nas relações trabalhistas no âmbito escolar.
EMENTA: CONTRATO DE TRABALHO INTERMITENTE. POSSIBILIDADES E LIMITES DE APLICAÇÃO NAS RELAÇÕES TRABALHISTAS NO ÂMBITO ESCOLAR
RELATÓRIO:
T r a t a - s e d e c o n s u l t a f o r m u l a d a p e l a F e d e r a ç ã o d o s Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado de Sergipe (FENEN/SE), acerca da possibilidade e limites de aplicação do Contrato de Trabalho Intermitente no âmbito escolar.
O Contrato de Trabalho Intermitente apresenta-se como mais uma modalidade de contratação do trabalhador advinda com a Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467/2017).
A referida reforma acrescentou ao artigo 443, da CLT, o parágrafo 3º, trazendo, assim, um modelo contratual com disciplina jurídica própria até então sem precedentes na seara trabalhista.
O parágrafo 3º, do artigo 443, da CLT, guarda a seguinte redação:
Art. 443. O contrato individual de trabalho poderá ser acordado tácita ou expressamente, verbalmente ou por escrito, por prazo determinado ou indeterminado, ou para prestação de trabalho intermitente.
3º Considera-se como intermitente o contrato de trabalho no qual a prestação de serviços, com subordinação, não é contínua, ocorrendo com alternância de períodos de prestação de serviços e de inatividade, determinados em horas, dias ou meses, independentemente do tipo de atividade do empregado e do empregador, exceto para os aeronautas, regidos por legislação própria.
De acordo com o novo dispositivo legal, considera-se como intermitente o contrato de trabalho no qual a prestação de serviços não é contínua, ocorrendo com alternância de períodos
de produção e inatividade, que poderão ser determinados em horas, dias ou meses, exceto para os aeronautas, regidos por legislação própria.
Valeu-se o legislador da Reforma Trabalhista do termo
“alternância de períodos de prestação de serviços e de inatividade” para particularizá-lo, uma vez que contempla
características inerentes ao contrato por prazo determinado e indeterminado.
Quanto às regras e especificidades dessa modalidade contratual, a Medida Provisória 808/2017 alterou o artigo 452-A, da CLT, assim estabelecendo:
Art. 452-A. O contrato de trabalho intermitente deve ser celebrado por escrito e deve conter especificamente o valor da hora de trabalho, que não pode ser inferior ao valor horário do salário mínimo ou àquele devido aos demais empregados do estabelecimento que exerçam a mesma função em contrato intermitente ou não.
1º O empregador convocará, por qualquer meio de comunicação eficaz, para a prestação de serviços, informando qual será a jornada, com, pelo menos, três dias corridos de antecedência.
2º Recebida a convocação, o empregado terá o prazo de um dia útil para responder ao chamado, presumindo-se, no silêncio, a recusa.
3º A recusa da oferta não descaracteriza a subordinação para fins do contrato de trabalho intermitente.
4º Aceita a oferta para o comparecimento ao trabalho, a parte que descumprir, sem justo motivo, pagará à outra parte, no prazo de trinta dias, multa de 50% (cinquenta por cento) da remuneração que seria devida, permitida a compensação em igual prazo.
5º O período de inatividade não será considerado tempo à disposição do empregador, podendo o trabalhador prestar serviços a outros contratantes.
6º Ao final de cada período de prestação de serviço, o empregado receberá o pagamento imediato das seguintes parcelas:
– remuneração;
– férias proporcionais com acréscimo de um terço; III – décimo terceiro salário proporcional;
IV – repouso semanal remunerado; e V – adicionais legais.
7º O recibo de pagamento deverá conter a discriminação dos valores pagos relativos a cada uma das parcelas referidas no §6º deste artigo.
8º O empregador efetuará o recolhimento da contribuição previdenciária e o depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, na forma da lei, com base nos valores pagos no período mensal e fornecerá ao empregado comprovante do cumprimento dessas obrigações.
9º A cada doze meses, o empregado adquire direito a usufruir, nos doze meses subsequentes, um mês de
férias, período no qual não poderá ser convocado para prestar serviços pelo mesmo empregador.
Ainda que a MP 808/2017 tenha perdido a validade a partir de 23/04/2018, a Portaria 349/2018 do Ministério do Trabalho e Emprego manteve a exigência de se fazer constar no contrato intermitente tais informações, visando garantir direitos e obrigações para ambas as partes.
Com a previsão do contrato intermitente, houve a legalização da jornada de trabalho variável ou móvel, que consiste no reconhecimento da jornada por hora, dias ou meses de trabalho, com o pagamento apenas do período efetivamente trabalhado.
Assim, a depender da necessidade da empregadora, poderá o empregado ser chamado para trabalhar com jornada de durações diferentes a cada dia.
A exemplo, tem-se o popular “bico”, onde o trabalhador é contratado para a prestação de determinação serviço por um
período determinado, não ensejando, assim, vínculo empregatício.
Em outras palavras, o empregado será convocado quando a empresa tiver alguma demanda a ser suprida.
Tal modalidade ainda propicia um possível aumento da contratação formal, com maior número de trabalhadores registrados, afastando, assim, a informalidade.
No entanto, a discussão quanto à precariedade ou efetividade dessa forma de contratação permanece impetuosa.
O Tribunal Superior do Trabalho, a princípio, se manifestou pela sua inconstitucionalidade, por entender violar princípios como a dignidade da pessoa humana, valorização social do trabalho e pleno emprego, bem como a justiça social.
Todavia, em seus recentes julgados, tem admitido a introdução do trabalho intermitente em nosso ordenamento jurídico em virtude da necessidade de se conferir direitos básicos a uma i n f i n i d a d e d e t r a b a l h a d o r e s q u e s e e n c o n t r a v a m n a informalidade, sem carteira assinada e sem garantia de direitos trabalhistas fundamentais.
(…) In casu, o 3º Regional reformou a sentença, que havia julgado improcedente a reclamatória, por entender que o trabalho intermitente “deve ser feito somente em caráter excepcional, ante a precarização dos direitos do trabalhador, e para atender demanda intermitente em pequenas empresas” e que “não é cabível ainda a utilização de contrato intermitente para atender posto de trabalho efetivo dentro da empresa”. Pelo prisma da doutrina pátria, excessos exegéticos assomam tanto nas fileiras dos que pretendem restringir o âmbito de aplicação da nova modalidade contratual, como nas dos que defendem sua generalização e maior flexibilidade, indo mais além do que a própria lei prevê.
Numa hermenêutica estrita, levando em conta a literalidade dos arts. 443, § 3º, e 452-A da CLT, que introduziram a normatização do trabalho intermitente no Brasil, tem-se como “intermitente o contrato de trabalho no qual a prestação de serviços, com subordinação, não é contínua, ocorrendo com alternância de períodos de prestação de serviços e de inatividade, determinados em horas, dias ou meses, independentemente do tipo de atividade do empregado e do empregador, exceto para os aeronautas, regidos por legislação própria” (§ 3º). Ou seja, não se limita a determinadas atividades ou empresas, nem a casos excepcionais. Ademais, fala-se em valor horário do salário mínimo ou daquele pago a empregados contratados sob modalidade distinta de contratação (CLT, art. 452-A).
Contrastando a decisão regional com os comandos legais supracitados, não poderia ser mais patente o desrespeito ao princípio da legalidade. O 3º Regional, refratário, como se percebe, à reforma trabalhista, cria mais parâmetros e limitações do que aqueles impostos pelo legislador ao trabalho intermitente, malferindo o princípio da legalidade, erigido pelo art. 5º, II, da CF como baluarte da segurança jurídica. Ora, a introdução de regramento para o trabalho intermitente em nosso ordenamento jurídico deveu-se
à necessidade de se conferir direitos básicos a uma infinidade de trabalhadores que se encontravam na informalidade (quase 50% da força de trabalho do país), vivendo de “bicos”, sem carteira assinada e sem garantia de direitos trabalhistas fundamentais. Trata- se de uma das novas modalidades contratuais existentes no mundo, flexibilizando a forma de contratação e remuneração, de modo a combater o desemprego. Não gera precarização, mas segurança jurídica a trabalhadores e empregadores, com regras claras, que estimulam a criação de novos postos de trabalho. 9. Nesses termos, é de se acolher o apelo patronal, para restabelecer a sentença de improcedência da reclamatória trabalhista. Recurso de revista conhecido e provido. (PROCESSO Nº TST-RR- 10454-06.2018.5.03.0097; Recorrente: MAGAZINE LUIZA S.A.; Recorrido: MARCOS TEIXEIRA OLEGÁRIO; 07 de agosto de 2019; Ministro Relator: IVES GANDRA DA SILVA MARTINS FILHO)
Apontam os defensores diversos aspectos positivos como a criação em massa de postos de trabalho; ampliação das possibilidades de obtenção do primeiro emprego, especialmente para os estudantes, que poderão adequar as respectivas jornadas de trabalho e de estudo da forma que lhes for mais favorável; redução dos altos índices de rotatividade, entre outros.
Discorrem, ainda, sobre a possibilidade de o trabalhador manter vários contratos de trabalho intermitentes, já que poderia aceitar a oferta de trabalho que melhor se adequasse aos seus horários e necessidades.
Por outro lado, há quem defenda que o trabalho intermitente eleva a angústia do empregado que não tem condições de saber se terá trabalho e renda suficiente para arcar com suas despesas básicas, criando um cenário imprevisível que pode ser agravado em momentos de crises econômicas.
Nesse cenário tem-se como exemplo o Sindicato do Professores do Estado de Minas Gerais (SINPRO/MG), o qual defende que a contratação de docentes por meio de jornada intermitente diminuiria o vínculo pedagógico do profissional com a escola.
Assim aduz a sua presidente: “no sistema de jornada
intermitente o professor receberia apenas pelas aulas que ministraria, perdendo benefícios como o adicional de atividade extraclasse, o que inviabilizaria o trabalho da categoria”.
O Sindicato dos Trabalhadores em Instituições de Ensino Particular do Norte do Estado de Santa Catarina (SINPRONORTE) t a m b é m s e p o s i c i o n a d e f o r m a c o n t r á r i a a s u a constitucionalidade:
“ (…) o contrato intermitente não poderá ser aplicado de forma indiscriminada, independentemente do tipo de atividade do empregado e do empregador, conforme expresso na Lei nº 13.456/2017.
Como visto, referida modalidade de contrato tem como característica a ausência de jornada pré-fixada, sendo que, o trabalhador é convocado pelo empregador, e poderá, no prazo de 24h, aceitar ou recusar a convocação.
Desse modo, resta evidente que não há compatibilidade entre a profissão do professor e o contrato intermitente, em razão da jornada do professor ser pré-fixada quando da contratação.
Os estabelecimentos de ensino, obrigatoriamente, devem obedecer a grade curricular e o calendário escolar ou acadêmico aprovados previamente, portanto, desse modo, a regra geral, para a profissão do professor é a contratação com jornada fixa, sendo nula a contratação na modalidade intermitente.”
A bem da verdade, mesmo após a publicação da Lei nº 13.467/2017, ainda paira uma nuvem de incerteza sobre a temática por ora abordada, Em que pese a pontualidade e clareza dessa inovação contratual, a aplicação ao caso concreto vai muito além da interpretação literal da norma.
Como visto, dita modalidade vem encontrando resistência por parte de entidades sindicais, que buscam, no STF, a declaração de inconstitucionalidade dos dispositivos que a introduziram na legislação trabalhista.
A Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADIN – 6154, movida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria – CNTI, contesta a referida modalidade de contrato sob o argumento de ter sido concebido “para a precarização dos meios
de contratação de trabalhadores com intento estatístico de propagandear um falso incremento do emprego no Brasil’’.
Enquanto o STF não realizar o julgamento dessa e outras ADIN’s (tombadas sob os nºs 5.806, 5.815 e 5.829), que tratam do tema, o recente entendimento do TST segue hígido no sentido de declarar válida a contratação sob a modalidade do regime intermitente.
CONCLUSÃO:
Da análise acima, é possível concluir que muito embora exista previsão legal sobre o tema, bem como decisão do TST, ambas favoráveis à sua aplicabilidade, é certo que o referido i n s t i t u t o a i n d a s e r á s u b m e t i d o a o e x a m e d e s u a constitucionalidade no âmbito do STF, por meio de diversas Ações Diretas de Inconstitucionalidade, que se encontram pendentes de julgamento.
Por fim, afirmamos a nossa disposição para prestar-lhe o competente auxílio jurídico e, de igual modo, para esclarecer-lhe as dúvidas que porventura exsurjam.
Eis o parecer.
MINISTÉRIO
PÚBLICO
–
RECOMENDAÇÃO 005, DE 04 DE
MAIO DE 2020
6ª PROMOTORIA DE JUSTIÇA DOS DIREITOS DO CIDADÃO – ESPECIALIZADA NA DEFESA DOS DIREITOS À EDUCAÇÃO –
CENTRO DE APOIO OPERACIONAL DE DEFESA DOS DIREITOS À EDUCAÇÃO RECOMENDAÇÃO Nº 005, DE 04 DE MAIO DE 2020.
Recomenda à Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura; à Secretaria Municipal de Educação de Aracaju/SE; ao Conselho Estadual de Educação e ao Conselho Municipal de Educação de
Aracaju/SE, com fulcro na Lei Federal nº. 13.979, de 06 de fevereiro de 2020, Decreto Estadual nº. 40.567, de 24 de março de 2020 e Decreto Municipal nº 6.128/2020; e no Parecer do Conselho Nacional de Educação-CNE
sobre a reorganização dos Calendários Escolares e realização de atividades pedagógicas não presenciais durante o período de Pandemia do COVID-19, em razão da situação nacional de emergência pública, que adotem medidas administrativas no sentido de garantir a
consulta a Sindicatos, Diretores, Conselhos Escolares, Associação de Pais e/ou Grêmios Estudantis, quando inaugurado o planejamento do Processo de
Reposição/Ajuste do Calendário Escolar desse ano, bem como por ocasião da elaboração de Plano de Atuação Inerente à Retomada das Atividades Públicas
Educacionais, quando do retorno gradativo das atividades escolares presenciais.
seus
Representantes in fine firmado, legitimado pelo art. 129, II, III e IX, e, art. 127, da
Constituição da República Federativa do Brasil; art. 118, II, III e XI, e § 1º alínea “c”,
da Constituição Estadual; art. 26, e art. 27, da Lei Federal nº. 8.625/93; bem como pelo
art. 4º e 201, da Lei nº. 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente), e art. 4º, II e
III, e, art. 38, V, da Lei Complementar Estadual nº. 02/90, e: CONSIDERANDO que, incumbe ao Ministério Público a defesa da ordem jurídica, do
regime democrático, dos interesses sociais e individuais indisponíveis, na forma do art.
127, caput, da Constituição da República;
CONSIDERANDO ser função institucional do Ministério Público zelar pelo efetivo
respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos
assegurados na Lei Maior, promovendo as medidas necessárias à sua garantia, nos
exatos termos do art. 129, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil;
CONSIDERANDO que é dever do Poder Público assegurar às crianças e adolescentes,
com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à
a l i m e n t a ç ã o , à e d u c a ç ã o , a o e s p o r t e , a o l a z e r , à profissionalização, à cultura, à
dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária, nos termos do art. 227 da
Constituição da República Federativa do Brasil;
CONSIDERANDO que, nos termos do parágrafo único do art. 4º da Lei nº. 8.069/90, a
garantia da Prioridade Absoluta, compreende: a) primazia de receber proteção e socorro
em quaisquer circunstâncias; b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de
relevância pública; c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais
públicas; d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a
proteção à infância e à juventude;
CONSIDERANDO que o inciso III, do art. 12, da Lei nº. 9.394, de 20 de dezembro de
1996, Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional, dispõe, que os estabelecimentos
de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a
incumbência de assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas;
CONSIDERANDO que, o inciso V, do art. 13, da Lei nº. 9.394, de 20 de dezembro de
1996, Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional, assevera que, os docentes
incumbir-se-ão de ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar
integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao
desenvolvimento profissional;
CONSIDERANDO que o inciso I, do art. 24, da Lei nº. 9.394, de 20 de dezembro de
1996, Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional, determina que a educação básica,
nos níveis fundamental e médio, será organizada de forma que a carga horária mínima
anual será de 800 (oitocentas) horas para o ensino fundamental e para o ensino médio,
distribuídas por um mínimo de 200 (duzentos) dias de efetivo trabalho escolar, excluído
o tempo reservado aos exames finais, quando houver;
CONSIDERANDO que o inciso II, do art. 31, da Lei nº. 9394, de 20 de dezembro de
1996, Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional, firma que a educação infantil será
organizada de forma a possibilitar a carga horária mínima anual de 800 (oitocentas)
horas, distribuída por um mínimo de 200 (duzentos) dias de trabalho educacional;
CONSIDERANDO que em 14 de fevereiro de 2020 o Ministério da Saúde divulgou
Protocolo de Manejo Clínico e Protocolo de Tratamento, bem como o Plano de
Contingência Nacional para Infecção Humana pelo novo Coronavírus, que adota três
níveis de resposta (Alerta, Perigo Iminente e Emergência em Saúde Pública), definidas
de acordo com a avaliação do risco do novo Coronavírus afetar o Brasil e seu impacto
para a saúde pública, e destinado a orientar não apenas as Secretarias de Saúde dos
Municípios, Estados e Distrito Federal, bem como serviços de saúde pública ou privada,
e agências, mas também a outros órgãos, instituições e empresas na elaboração de seus
planos de contingência e implementação de medidas de resposta; CONSIDERANDO que o art. 1º, do Decreto Legislativo Federal nº. 06, de 20 de março
de 2020, reconheceu o estado de calamidade pública, nos seguintes termos: “Fica
reconhecida, exclusivamente para os fins do art. 65 da Lei Complementar nº 101, de 4
de maio de 2000, notadamente para as dispensas do atingimento dos resultados fiscais
previstos no art. 2º da Lei nº 13.898, de 11 de novembro de 2019, e da limitação de
empenho de que trata o art. 9º da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, a
ocorrência do estado de calamidade pública, com efeitos até 31 de dezembro de 2020,
nos termos da solicitação do Presidente da República encaminhada por meio da
Mensagem nº 93, de 18 de março de 2020.”;
CONSIDERANDO que a Medida Provisória nº 927, de 22 de março de 2020, a qual
trata das medidas trabalhistas para enfrentamento do estado de calamidade pública
reconhecido pelo Decreto Legislativo nº 6, de 20 de março de 2020, e da emergência de
saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (covid-19), dispõe
que: “Art. 3º – Para enfrentamento dos efeitos econômicos decorrentes do estado de
calamidade pública e para preservação do emprego e da renda, poderão ser adotadas
pelos empregadores, dentre outras, as seguintes medidas: I – o teletrabalho; II – a
antecipação de férias individuais; III – a concessão de férias coletivas; IV – o
aproveitamento e a antecipação de feriados; V – o banco de horas; VI – a suspensão de
exigências administrativas em segurança e saúde no trabalho; VII – o direcionamento do
trabalhador para qualificação; e VIII – o diferimento do recolhimento do Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço – FGTS.”;
CONSIDERANDO o Parecer do Conselho Nacional de Educação-CNE, Parecer
CNE/CP Nº: 5/2020, sobre a reorganização do Calendário Escolar e da possibilidade de
cômputo de atividades não presenciais para fins de cumprimento da carga horária
mínima anual, em razão da Pandemia da COVID-19;
CONSIDERANDO que, em 28 de abril de 2020, o Decreto Municipal nº 6.128/2020,
dispôs sobre medidas temporárias de prevenção ao contágio e de enfrentamento da
Emergência em Saúde Pública de Importância Internacional, decorrente do novo
coronavírus (COVID-19), no âmbito do Município de Aracaju e determinou a suspensão
das seguintes atividades: “Art.4º, § 2º – Ficam suspensas, no âmbito do Município de
Aracaju, as atividades educacionais em todas as escolas, universidades e faculdades, das
redes de ensino pública e privada, até o dia 31 de maio de 2020.”;
CONSIDERANDO que em 27 de abril de 2020, foi publicado o Decreto Estadual nº.
40.588, que alterou o caput do Art. 4º do Dec. Estadual nº 40.576, disciplinando: “Art.
4º – As atividades educacionais em todas as escolas, universidades e faculdades, das
redes de ensino pública e privada, permanecem suspensas até o dia 31 de maio de
2020.”;
CONSIDERANDO que, somadas a probabilidade de que o Município de Aracaju e o
Estado de Sergipe venham a prorrogar as medidas temporárias de restrição de
mobilidade dirigidas à prevenção e ao contágio pelo COVID-19 para além dos prazos
inicialmente determinados, sendo suficientes a fazer compreender a todos de que a
situação enfrentada impõe a busca urgente por soluções que efetivamente assegurem a
saúde e a segurança dos estudantes, servidores, professores e funcionários do Sistema
Estadual e Municipal de Educação;
CONSIDERANDO a possibilidade de longa duração da suspensão das atividades
escolares presenciais por conta da pandemia da COVID-19, que poderá acarretar:
integralidade das aulas suspensas ao
final do período de emergência, com o possível comprometimento também do
calendário escolar de 2021, e, eventualmente, também de 2022; Retrocessos do processo educacional e da aprendizagem dos estudantes submetidos a
longo período sem atividades educacionais regulares, tendo em vista a indefinição do
tempo de isolamento;
Danos estruturais e sociais para estudantes e famílias de baixa renda, como stress
familiar e aumento da violência doméstica para as famílias de modo geral; e,
Abandono e aumento da evasão escolar;
CONSIDERANDO que a Medida Provisória nº 934/2020 flexibilizou, excepcionalmente, a exigência do cumprimento do calendário escolar ao dispensar os
estabelecimentos de ensino da obrigatoriedade de observância ao mínimo de dias de
efetivo trabalho escolar, desde que cumprida a carga horária mínima anual, observadas
as normas a serem editadas pelos respectivos sistemas de ensino;
CONSIDERANDO que algumas possibilidades de cumprimento da carga horária
mínima seriam a:
Reposição da carga horária de forma presencial ao fim do período de emergência;
Realização de atividades pedagógicas não presenciais (mediadas ou não por tecnologias
digitais de informação e comunicação) enquanto persistirem restrições sanitárias para
presença dos estudantes nos ambientes escolares, garantindo ainda os demais dias
l e t i v o s q u e p r e v i s t o s n o d e c u r s o d o s m í n i m o s anuais/semestrais;
atividades pedagógicas
não presenciais (mediadas ou não por tecnologias digitais de informação e
comunicação) concomitante ao período das aulas presenciais, quando do retorno
às atividades;
CONSIDERANDO a Reordenação do Calendário Escolar, bem como a necessidade
futura de elaboração do Plano de Atuação Inerente a Retomada das Atividades Públicas
e Educacionais, quando se fizer possível o retorno gradual e seguro destas, garantindo o
pleno acesso à educação, sem descurar das medidas de segurança para preservação da
vida e da saúde;
CONSIDERANDO que a situação de Pandemia declarada pela Organização Mundial
de Saúde – OMS, reconhecida pelo Estado de Sergipe (Decreto nº 40.560/2020) e pelo
Município de Aracaju (Decreto nº 6.098/2020), os quais reconhecem o estado de
Emergência e de Calamidade Pública, evidenciando hipótese excepcional ao que
preconiza o Art. 73, § 10, da Lei 9.504/97 (Lei das Eleições); CONSIDERANDO a existência dos Procedimentos nº. 16.20.01.0078 (Rede Pública
Estadual de Ensino de Aracaju) e nº. 16.20.01.0092 (Rede Pública de Ensino Municipal
de Aracaju), nos quais há relatos de servidores, funcionários e professores, que estão
trabalhando normalmente durante o Estado de Emergência e Calamidade Pública, sem
ter o gozo de férias deferido, inclusive, aqueles considerados do Grupo de Risco para
contágio do covid-19; RESOLVE RECOMENDAR:
Rede de Ensino de
Aracaju; à Secretaria Municipal de Educação de Aracaju/SE; ao Conselho Estadual de
Educação, Rede de Ensino de Aracaju, e ao Conselho Municipal de Educação de
Aracaju/SE que, no âmbito de suas atribuições e/ou competências:
I. Durante o Processo de Reposição/Ajuste do Calendário Escolar desse ano, observe o
Regramento Geral editado pelo Conselho Nacional de Educação-CNE;
II. Se avizinhando a possibilidade de retorno às aulas presenciais, com a necessidade de
Elaborar o Plano de Atuação Inerente à Retomada das Atividades Públicas
Educacionais, para retorno gradativo das atividades escolares, participem da sua
elaboração os Sindicatos, Diretores, Conselhos Escolares, Associação de Pais e/ou
Grêmios Estudantis, dando-se ciência imediata do Plano de Atuação traçado ao
Ministério Público Estadual;
III. Após o cumprimento desta Recomendação, que remeta à 6ª Promotoria de Justiça
dos Direitos do Cidadão, Especializada na Defesa dos Direitos à Educação, as
informações sobre as medidas efetivadas, em relatório circunstanciado;
IV. Que o presente período de afastamento seja considerado, formalmente, como
período de férias de alunos, professores, servidores e colaboradores, ressalvadas
situações excepcionais e justificadas, relativas à guarda e manutenção de prédios.
Por fim, encaminhe-se cópia da presente Recomendação à Coordenadoria-Geral,
do MP SE.
REGISTRE-SE e CUMPRA‐SE.
Aracaju/SE, 04 de maio de 2020.
ORLANDO ROCHADEL MOREIRA ALEXANDRO SAMPAIO SANTANA -Promotor de -Promotor de
Justiça-6
MINISTÉRIO PÚBLICO – REUNIÃO
PROCONS – SERVIÇOS ESCOLARES
ESTADO DE SERGIPEMINISTÉRIO PÚBLICO
Promotoria dos Direitos do Consumidor
GABINETE DE ACOMPANHAMENTO DE CRISE COVID/19
Aos vinte e nove dias do mês de abril do ano de 2020, utilizando aplicativo de WhatsApp foi realizada Reunião
Extrajudicial, em chamada de vídeo , presente a Promotora de Justiça EUZA MARIA GENTILMISSANO COSTA, Promotoria de Defesa do Consumidor do Ministério Público de Sergipe, também
presente IGOR LOPES, Diretor do PROCON DE ARACAJU e TEREZA RAQUEL FONTES MARTINS, DIRETORA DO PROCON DE SERGIPE. Aberta a reunião foi analisado o Ajuste de Conduta, firmado em Reunião virtual, com a FENEN – SE – FEDERAÇÃO DOS ESTABELECIMENTOS PARTICULARES DE ENSINO e o CONSELHO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO, nos autos de Inquérito Civil nº 10.20.01.0166, que versa sobre as condições de prestação dos serviços educacionais, em contratos firmados e os pagamentos das mensalidades. Ficou definido que os Órgãos de Defesa do Consumidor deverão adotar todas as providências pertinentes à transparência dos contratos firmados entre os responsáveis financeiros e as Escolas
privadas. Diante da publicação do Decreto 40.588/20,
estendendo o período de isolamento social seletivo até o dia 31/05/2020 com suspensão das atividades das Escolas Privadas na cidade de Aracaju, os estabelecimentos deverão, para
equilíbrio do contrato, apresentar aos pais de alunos ou
responsáveis financeiros, o realinhamento do planejamento das atividades pedagógicas e a forma de reposição das aulas, se presencial ou não,
nesta hipótese com divulgação de toda programação e novo método adotado, devendo considerar a condição socioeconômica do aluno e condições de acompanhamento regular da programação virtual. As Escolas deverão também apesentar planilha de
custos, de forma imediata, aos pais de alunos ou responsáveis financeiros, indigitando a variação de custos a título de pessoal e de custeio, diante da modificação do processo didático pedagógico em face da reposição de aulas, na
modalidade não presencial, sendo necessária, consequentemente, a revisão do contrato anteriormente firmado. Fica esclarecido que o prazo de 10 dias úteis, quando do retorno às aulas, para apresentação de planilha, ajustado nos autos de IC, é
pertinente ao balanço anual, para definição dos custos globais e nova apresentação ao responsável financeiro, considerando a modificação real das condições contratuais. Para a educação Infantil, considerando que não existe possibilidade de
reposição de aulas, através do ensino não presencial, as
escolas deverão apresentar proposta de reposição presencial e, na impossibilidade de ser empreendida a reposição informada pelo tempo de paralisação das atividades, seja apresentada proposta de suspensão imediata do pagamento das mensalidades, com revisão dos contratos firmados. Para as escolas que
estabelecem o ensino integral ou semiintegral, deverá ser apresentada proposta de suspensão do pagamento das
atividades extracurriculares, com recomposição do pagamento, na hipótese de retorno às aulas de forma presencial.
Os Berçários deverão adotar o mesmo posicionamento, apresentando proposta para suspensão do pagamento das mensalidades, pelo período de não prestação de serviços,
restabelecendo os pagamentos com o retorno das atividades. Na hipótese de rescisão contratual, a pedido dos responsáveis financeiros ou pais de alunos, para o ensino infantil, fundamental e médio, as escolas não deverão cobrar multa compensatória correspondente, em razão da força maior da pandemia do COVID-19.
Os Órgãos que integram o sistema de defesa do consumidor, para solução dos casos concretos sempre tentará adotar solução
conciliatória, evitando hipótese de rescisão. As Reclamações dos responsáveis financeiros poderão ser formalizadas através do Procon Municipal, Procon Estadual e Ministério Público. Encerrada a presente reunião, segue o Termo por todos
assinado.
EUZA MARIA GENTIL MISSANO COSTA Promotora de Justiça
Promotoria de Defesa do Consumidor
Integrante do Gabinete de Gerenciamento de Crise do MPSE TEREZA RAQUEL FONTES MARTINS
PROCON SERGIPE
RECOMENDAÇÃO Nº 003 / M
PÚBLICO
/
DIREITOS
DA
EDUCAÇÃO
ABRIL DE 2020.
Recomenda ao Município de Aracaju, na pessoa do Excelentíssimo Senhor Prefeito e do(a) Secretário(a) Municipal da Educação; ao Estado de Sergipe, na pessoa do Excelentíssimo Senhor Governador, e do(a) Secretário(a) Estadual da Educação; e, a Federação dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado de Sergipe – FENEN; com fulcro na Lei Federal n. 13.979, de 06 de fevereiro de 2020; Decreto Estadual n. 40.560, de 16 de março de 2020; e Decreto Municipal nº 6.098/2020 e os que o sucederam; e, em razão da situação nacional de emergência e de calamidade pública; que adotem providências para antecipar o gozo das férias, para o período de suspensão das aulas em razão da Situação de Emergência, dos profissionais da educação, servidores e funcionários atuantes na Rede de Ensino Estadual e Municipal de Aracaju, quer pública, quer privada e/ou que sejam priorizados aqueles que se encontram no grupo de risco.
O MINISTÉRIO PÚBLICO DO
ESTADO DE SERGIPE,
por conduto do(s) seu(s) Presentante(s) in fine firmados, legitimado pelo art. 129, II, III e IX, e art. 127, da Constituição da República Federativa do Brasil; art. 118, II, III e XI e § 1º alínea “c” da Constituição Estadual; art. 26, e art. 27, da Lei Federal n. 8.625/93; art. 6º, VII e IX, da Lei Complementar Federal n. 75/93, bem como pelo art. 4º e 2 0 1 , d a L e i n . 8 . 0 6 9 / 9 0 ( E s t a t u t o d a C r i a n ç a e d o
Adolescente), e art. 4º, II e III, e, art. 38, V, da Lei Estadual n. 02/90, e:
CONSIDERANDO que, incumbe ao Ministério Público a defesa da ordem jurídica, do regime democrático, dos interesses sociais e individuais indisponíveis, na forma do art. 127, caput, da Constituição da República.
CONSIDERANDO ser função institucional do Ministério Público zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados na Constituição, promovendo as medidas necessárias à sua garantia, nos exatos termos do art. 129, II, da Constituição da República Federativa do Brasil.
CONSIDERANDO que, é dever do Poder Público assegurar às crianças e adolescentes, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária, nos termos do art. 227 da Constituição da República Federativa do Brasil.
CONSIDERANDO que, nos termos do art. 4º, da Lei n. 8.069/90, a garantia da Prioridade Absoluta, compreende: a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias; b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública; c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas; d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude.
CONSIDERANDO que, o inciso III, do art. 12, da Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional, dispõe, que os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas.
CONSIDERANDO que, o inciso V, do art. 13, da Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional, assevera que, os docentes incumbir-se-ão de ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional.
CONSIDERANDO que, o inciso I, do art. 24, da Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional, determina que a educação básica, nos níveis fundamental e médio, será organizada de forma que a carga horária mínima anual será de 800 (oitocentas)horas para o ensino fundamental e para o ensino médio, distribuídas por um mínimo de 200 (duzentos) dias de efetivo trabalho escolar, excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver.
CONSIDERANDO que, o inciso II, do art. 31, da Lei n. 9394, de 20 de dezembro de 1996, Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional, firma que a educação infantil será organizada de forma a possibilitar a carga horária mínima anual de 800
(oitocentas) horas, distribuída por um mínimo de 200 (duzentos) dias de trabalho educacional.
CONSIDERANDO que, em 14 de fevereiro de 2020 o Ministério da Saúde divulgou os Protocolo de Manejo Clínico e Protocolo de Tratamento, bem como o Plano de Contingência Nacional para Infecção Humana pelo novo Coronavírus, que adota três níveis de resposta (Alerta, Perigo Iminente e Emergência em Saúde Pública), definidas de acordo com a avaliação do risco do novo Coronavírus afetar o Brasil e seu impacto para a saúde pública, e destinado a orientar não apenas as Secretarias de Saúde dos Municípios, Estados e Distrito Federal, bem como serviços de saúde pública ou privada, e agências, mas também a outros órgãos, instituições e empresas na elaboração de seus planos de contingência e implementação de medidas de resposta.
CONSIDERANDO que, o art. 1º, do Decreto Legislativo Federal n. 06, de 20 de março de 2020, reconheceu o estado de calamidade p ú b l i c a , n o s s e g u i n t e s t e r m o s “ F i c a r e c o n h e c i d a , exclusivamente para os fins do art. 65 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, notadamente para as dispensas do atingimento dos resultados fiscais previstos no art. 2º da Lei nº 13.898, de 11 de novembro de 2019, e da limitação de empenho de que trata o art. 9º da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, a ocorrência do estado de calamidade pública, com efeitos até 31 de dezembro de 2020, nos termos da solicitação do Presidente da República encaminhada por meio da Mensagem nº 93, de 18 de março de 2020.”
CONSIDERANDO que, a Medida Provisória nº 927, de 22 de março de 2020, a qual trata das medidas trabalhistas para enfrentamento do estado de calamidade pública reconhecido pelo Decreto Legislativo nº 6, de 20 de março de 2020, e da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (covid-19), dispõe que: Art. 3º Para enfrentamento dos efeitos econômicos decorrentes do estado de calamidade pública e para preservação do emprego e da renda, poderão ser adotadas pelos empregadores, dentre outras, as seguintes medidas: “I – o teletrabalho; II – a antecipação de férias individuais; III – a concessão de férias coletivas; IV – o aproveitamento e a antecipação de feriados; V – o banco de horas; VI – a suspensão de exigências administrativas em segurança e saúde no trabalho; VII – o direcionamento do trabalhador para qualificação; e VIII – o diferimento do recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS.”
CONSIDERANDO que, em 18 de março de 2020 o Decreto Municipal nº 6.098/2020, publicado em edição especial, dispôs sobre m e d i d a s t e m p o r á r i a s d e p r e v e n ç ã o a o c o n t á g i o e d e enfrentamento da Emergência em Saúde Pública de Importância Internacional, decorrente do novo coronavírus, (COVID-19), no âmbito do Município de Aracaju e determinou a suspensão das seguintes atividades: “Art.4º, § 2º – Ficam suspensas, no âmbito do Município de Aracaju, as atividades educacionais em todas as escolas, universidades e faculdades, das redes de ensino pública e privada, pelos próximos 15 dias.”
CONSIDERANDO que, em 16 de abril de 2020, foi publicado o Decreto Estadual n. 40.576, o qual regula no art. 4º, que “Ficam alterados os art. 3º, 4º e 19 do Decreto n.º 40.567, de 24 de março de 2020, que passam a constar com a seguinte
redação: “Art. 3º … ………. Parágrafo único. (REVOGADO)” “Art. 4º As atividades
educacionais em todas as escolas, universidades e faculdades, das redes de ensino pública e privada, permanecem suspensas até o dia 30 de abril de 2020.”
CONSIDERANDO que, somadas a probabilidade de que o Município de Aracaju e o Estado de Sergipe venham a prorrogar as medidas temporárias de restrição de mobilidade dirigidas à prevenção ao contágio pelo COVID-19 para além dos prazos inicialmente determinados, sendo suficientes a fazer compreender a todos de que a situação enfrentada impõe a busca urgente por soluções que efetivamente assegurem a saúde e a segurança dos estudantes, servidores, professores e funcionários do Sistema Estadual e Municipal de Educação.
CONSIDERANDO que, a situação de Pandemia declarada pela Organização Mundial de Saúde – OMS, reconhecida pelo Estado de Sergipe (Decreto nº 40.560/2020) e pelo Município de Aracaju (Decreto nº 6.098/2020), os quais reconhecem o Estado de Emergência e de Calamidade Pública, evidenciando hipótese excepcional ao que preconiza o Art. 73, § 10º da Lei 9.504/97 (Código Eleitoral).
CONSIDERANDO a existência dos Procedimentos n. 16.20.01.0078 – Rede Estadual – e 16.20.01.0092 – Rede de Ensino Municipal de Aracaju, os quais relatam que há servidores, funcionários e professores, que estão trabalhando normalmente durante o
Estado de Emergência e Calamidade Pública, sem ter o gozo de férias deferido, inclusive, aqueles considerados do Grupo de Risco para contágio do covid-19.
RESOLVE RECOMENDAR:
Ao Município de Aracaju, ao Estado de Sergipe, e a Federação dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado de Sergipe – FENEN, que:
Antecipem o gozo das férias, para o período de suspensão 1.
das aulas, em razão da Situação de Emergência e de Calamidade Pública, dos profissionais da educação, servidores e funcionários atuantes na Rede de Ensino Estadual e Municipal de Aracaju, quer pública, quer privada.
E/OU
Priorize o gozo de férias o gozo das férias, para o 1.
período de suspensão das aulas, em razão da Situação de Emergência e de Calamidade Pública, dos profissionais da educação, servidores e funcionários atuantes na Rede de Ensino Estadual e Municipal de Aracaju, quer pública, quer
Realize a publicidade das medidas por intermédio dos 1.
meios
de comunicação de massa.
Após o cumprimento desta Recomendação, que remeta à 6ª Promotoria de Justiça dos Direitos do Cidadão, as informações sobre as medidas efetivadas, em relatório circunstanciado.
Por fim, encaminhe-se cópia da presente Recomendação à Coordenadoria-Geral, bem como ao Gabinete de Crise-Coronavírus.
CUMPRA‐SE.
Aracaju/SE, 20 de abril de 2020.
ROSANE GONÇALVES DOS SANTOS Promotora de Justiça
6ª Promotoria dos Direitos do Cidadão – Direitos da Educação
O
Assinado de forma digital por ROSANE GONCALVES DOS SANTOS:33985901104 Dados: 2020.04.20 09:13:56 -03’00’
COMUNICADO DA FENEN/SE –
FLEXIBILIZAÇÃO DE DESCONTOS
Aracaju, 22 de abril de 2020 C O M U N I C A D OPrezados Colegas Diretores,
Por meio do presente, gostaríamos de ressaltar as orientações às Escolas Privadas do nosso estado no tocante à concessão de descontos aos pais e/ ou responsáveis no período em que perdurarem as determinações das autoridades de isolamento social provocado pela crise do COVID-19.
Antes mesmo do encontro que tivemos na última sexta-feira, dia 10, com o Ministério Público e Procon Estadual, mas também reforçado por ele, temos reiterado que cada Instituição deve engendrar todos os esforços para atender sua clientela de modo individual ou coletivo, dentro de suas reais possibilidades.
Em função de inúmeras demandas de colegas Diretores por maiores esclarecimentos a esse respeito, entendemos que cabe a cada Escola optar por conceder um desconto linear, assim entendido como um valor percentual fixo para todos os pais/responsáveis, ou abrir um canal de comunicação com estes para tratar do assunto em questão.
Sabemos que existem diferentes realidades econômicas no universo das escolas Privadas de Sergipe e, portanto, não caberia à Fenen-Se determinar ou mesmo sugerir um único procedimento para toda a nossa categoria.
Sempre nos colocando ao inteiro dispor dos colegas para todos e quaisquer assuntos inerentes à nossa atividade educacional, renovamos os votos de apreço à nossa coletividade.
Um cordial abraço,
Professor Renir Silva Lima Damasceno Presidente da FENEN/SE
COMUNICADO DA FENEN/SE –
RECOMENDAÇÃO 003 M PÚBLICO
Aracaju, 22 de abril de 2020Prezados Colegas Diretores,
Servimo-nos deste para informar a todos que o Ministério Público do Estado de Sergipe, por meio da 6ª Promotoria dos Direitos do Cidadão de Aracaju/Direitos da Educação, emitiu Recomendação Nº 003 de 20 de abril de 2020, que segue em anexo, orientando as Instituições de Ensino do Município de Aracaju a anteciparem as férias e/ou a priorizarem o gozo de férias dos profissionais da educação docentes e não docentes para o período de suspensão das aulas em razão da situação de Emergência e de Calamidade Pública.
Em resposta ao ofício encaminhado à Fenen-Se, esclarecemos que as férias dos professores já foram antecipadas na sua quase totalidade e que estaríamos repassando para todas as Escolas tal orientação para os demais funcionários não docentes.
Um cordial abraço
Professor Renir Silva Lima Damasceno Presidente da FENEN/SE
MINISTÉRIO PÚBLICO – TERMO DE
AUDIÊNCIA EXTRAJUDICIAL –
SUSPENSÃO
DAS
AULAS
PRESENCIAIS EM RAZÃO DA
PANDEMIA DE COVID-19
TERMO DE AUDIÊNCIA EXTRAJUDICIAL
N a d a t a c o n s i g n a d a n o p r e s e n t e T e r m o d e A u d i ê n c i a Extrajudicial, realizada de forma virtual, em razão das disposições dos Decretos Estadual nº 40.567/20 e Municipal nº 6.111/20, presente a Promotora de Justiça de EUZA MARIA GENTIL MISSANO COSTA, Promotora de Defesa do Consumidor de Aracaju e integrante do Gabinete de Acompanhamento de Crise do MP/SE, presente o Diretor do PROCON MUNICIPAL Igor Lopes, presente a Diretora do PROCON SERGIPE, Tereza Raquel Fontes Martins, presente o PRESIDENTE DO CONSELHO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO, Professor José Sebastião dos Santos Filho, acompanhado pelo Chefe da Assessoria de Legislação e Normas do Conselho Estadual de Educação, Hudson César Veiga Feitosa e o Presidente da FENEN – FEDERAÇÃO DOS ESTABELECIMENTOS PARTICULARES DE ENSINO DO ESTADO DE SERGIPE, Professor Renir Damasceno, companhado dos Assessores jurídicos, Gustavo Andrade Santos e Wilson Macedo Siqueira e a Assessora de Comunicação Cristina Rochadel. Aberta a reunião extrajudicial, a Promotora de Justiça esclareceu o objetivo do encontro virtual, agradecendo a participação dos interessados, aduzindo que foi Instaurado Inquérito Civil, tombado sob o número 10.20.01.0169, na Promotoria de Defesa do Consumidor de Aracaju, diante do conflito existente na relação de consumo entre as Escolas da rede privada de ensino e os responsáveis financeiros pelos contratos, em face da suspensão das aulas
presenciais em razão da pandemia de COVID-19. Debatidos os pontos em dúvida foi apresentado à FENEN e ao Conselho Estadual de Educação entendimento do Ministério Público Estadual e Procons Estadual e Municipal, com fuste na Orientação firmada pelo MPCON – Associação Nacional do Ministério Público do Consumidor e, ainda, com base nas Notas Técnicas nº 12020/GAB-DPDC/SENACON/MJ PROCESSO Nº
08012.000728/2020-66,
expedidas pela Secretaria Nacional do Consumidor e Nota Técnica Conjunta nº 002/20 dos Procon de Aracaju e Procon Sergipe, com condições a seguir firmadas e acatadas pelos interessados:
Considerando que a Portaria do Ministério da Saúde, nº 188/20 declarou Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional(ESPIN), em decorrência do coronavírus a ainda a Lei Federal 13.979/20 que dispõe sobre as medidas de enfrentamento da emergência em saúde pública de importância internacional; Considerando que, o Estado de Sergipe editou o Decreto nº 40.567/20 e o Município de Aracaju, o Decreto 6.111/20, com recomendações restritivas quanto à mobilidade, trânsito e convívio social, para que fosse evitado o contato físico, em prevenção a proliferação do coronavírus; Considerando que, foram suspensas as aulas presenciais nos estabelecimentos privados de ensino, porque o ambiente escolar pressupõe, por suas características, convívio e partilha de objeto entre alunos, professores e funcionários; Considerando que, a educação é um direito social, previsto no artigo 6º da Constituição Federal, com garantia de padrão de qualidade para o ensino, podendo ser prestado por empresa privada, mas sem perder a natureza de serviço público, devendo obedecer, portanto, as condições de prestabilidade nos moldes determinados pelo Poder Público; Considerando que, o ensino a distância é reconhecido pelo artigo 32, §4º da Lei 9394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), quando utilizado para
complementar a aprendizagem ou aplicação em situação de emergência; Considerando que, o Ministério da Educação publicou Portaria nº 343/20, autorizando a alteração do ensino para a distância nos cursos superiores e a Resolução 04/20 do Conselho Estadual de Educação, definiu, no artigo 3º que as Instituições educacionais que ofertam o ensino fundamental e médio poderão, excepcionalmente, incluir nos calendários escolares do ano letivo de 2020 formas de adoção de estudos escolares à distância, enquanto houver o isolamento social provocado pela pandemia do COVID-19, podendo chegar ao máximo de 25% da carga hora anual; Considerando que, houve edição da Medida Provisória 934/20 que estabelece normas excepcionais sobre o ano letivo da educação básica e do ensino superior decorrentes das medidas para enfrentamento da emergência em saúde pública; Considerando que, as normas de defesa do consumidor são de ordem pública e interesse social e o consumidor é a parte vulnerável em qualquer relação de consumo; Considerando que, a proteção da dignidade, da saúde e segurança dos interesses econômicos do consumidor, constituem objetivos específicos da Política Nacional das Relações de Consumo; Considerando que, há necessidade de harmonização dos interesses dos participantes da relação de consumo, sempre com base na boa fé e equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores(arts 4º, I, III e 6º, II e VIII da
Lei 8.078/90 – CDC); Considerando que, constitui direito básico do consumidor a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, especialmente quanto ao elemento essencial do preço e mudanças e alterações necessárias à viabilidade da prestação do serviço educacional, ficam ajustadas as seguintes considerações, à luz da legislação consumerista:
ENSINO DO ESTADO DE SERGIPE, deverá no prazo de 48(quarenta) e oito horas, informar a todas os Estabelecimentos de Ensino Privado, integrante da Federação, o inteiro teor do Ajuste firmado na presente audiência, direcionado às instituições da rede privada, servindo de orientação, enquanto perdurar a situação de calamidade em saúde, em razão da disseminação do coronavírus, a saber:
As instituições educacionais privadas, vinculadas ao 1.
Sistema de Ensino do Estado de Sergipe, deverão reestruturar o planejamento pedagógico e seus calendários escolares para o ano letivo de 2020, devendo assegurar o cumprimento do estabelecido na LDBEN e normas vigentes, garantindo a carga horária letiva por meio de reposição de aulas na forma presencial, preferencialmente, promovendo a divulgação do calendário reestruturado, notadamente em seu site – sítio e l e t r ô n i c o e r e d e s s o c i a i s à d i s p o s i ç ã o d o s interessados;
As instituições educacionais privadas, de ensino 1.
fundamental e médio que adotarem estudos escolares não presenciais, de forma excepcional, em seu calendário escolar, conforme Resolução 04/20 do CEE, deverão observar a realidade socioeconômica e educacional dos estudantes, de modo que as práticas pedagógicas não e x c l u a m o s a l u n o s d e a c e s s o a o c o n h e c i m e n t o , especialmente aqueles com deficiência;
As instituições educacionais privadas que adotarem o 1.
sistema de reposição não presencial deverão observar as regras da Resolução 04/20 do CEE, com duração atrelada ao período de isolamento social, não podendo ultrapassar
o m á x i m o d e 2 5 % d a c a r g a t o t a l d e h o r a a n u a l estabelecida na legislação vigente, se outra não for a orientação posterior do CNE e/ou CEE, devendo apresentar aos alunos a metodologia que será
aplicada e a forma de execução do conteúdo, com antecedência, para livre opção na manutenção ou não do contrato e forma de ajustes;
Na necessidade de ser promovida qualquer alteração no 1.
contrato padrão firmado entre a instituição de ensino e o responsável financeiro pelo aluno, especialmente no que pertine aos prazos e condições para cumprimento das obrigações financeiras e da prestação do serviço educacional, deverão ser preservadas as cláusulas que puderem subsistir, com o objetivo de ser mantido o máximo das características originais da contratação;
As Instituições de Ensino Privado deverão cumprir com o 1.
dever de informação, disponibilizando aos alunos ou responsáveis financeiros a planilha de custos referente a o s m e s e s v e n c i d o s n o a n o d e 2 0 2 0 , b e m c o m o o planejamento de custo referente ao ano letivo, no prazo de 10(dez) dias úteis, contados do retorno às aulas presenciais, esclarecendo sobre eventual diminuição nos valores da prestação dos serviços educacionais(redução das mensalidades), decorrente da suspensão das aulas presenciais;
As Instituições de Ensino privado deverão esclarecer aos 1.
alunos sobre eventual realização de aulas presenciais em período posterior, com a consequente modificação do