IDÉIAS
Os Limites da Intervenção do Estado
O Estado Brasileiro
de Cabral a Sarney
II —
A avaliação das tentativas realizadas até 1967 dem onstra a insuficiência dos processos de Reforma Administrativa, pe lo menos em term os de m elhoria de efi ciência da ação pública. Houve, isto sim, em todo o período um a transform ação profunda na A dm inistração Pública bra sileira, inclusive gerando novos instrumen tos para alguns setores da ação pública, sem que para este fato houvesse maiores contribuições dos órgãos responsáveis pe la Reforma Administrativa. Consideram- se, nesse caso, por exemplo, as m edidas adotadas pelo Governo Federal em rela ção à intervenção na área econômica e que determ inaram a criação da PETRO- BRÁS, ELETROBRÁS, TELEB RÁ S e um a série de em presas públicas e socie dades de econom ia mista, instrum entos estes que, de um m odo geral, se têm m os trado adequados na consecução dos o b jetivos a eles atribuídos.
Verificou-se, pois, nesse período de 1967 até hoje, um processo de m udança adm inistrativa bastante intenso, mas que ocorreu de form a mais ou menos espon tânea, promovendo-se a descentralização de atividades através da criação de enti dades da A dm inistração Indireta como sociedades de economia mista, fundações e empresas públicas, buscando-se uma efi cácia m aior da ação governam ental, com reduzida orientação em um contexto mais am plo de desenvolvimento geral da A d ministração Federal. O problema é que es te processo não-dirigido tendeu a gerar distorções em termos de com patibilização setorial, além de nem sempre atender aos
* Secretário-G eral da SE D A P e Professor da Facul d ad e de E conom ia e A dm inistração da USP.
Breve avaliação da situação
Gileno Fernandes Marcelino*
aspectos de eficiência/custos.
Portanto, as Reformas Administrativas oficiais promovidas até 1967 apresentam grandes inadequações em face da realida de, hoje em dia já bem diagnosticadas em pesquisa que realizamos em 1979 e que poderiam ser resumidas em três aspectos: • elaboração segundo modelos ou con cepções de racionalidade não-ajustá- veis à realidade brasileira;
• atuação preferencial sobre os meios, não estando direcionadas para o ob jetivo de instrum entação das políticas do setor público; e
• falta de um a concepção de estratégia que permitisse a viabilidade de proje tos de acordo com políticas de supe ração de resistências, acom odação de conflitos, adequação aos recursos dis poníveis e determ inação de finalidade no tempo.
Este era o cenário em março de 85, quando assum iu o Governo da Nova Re pública. Um am biente em que se podiam pinçar também algumas disfunções gerais da máquina administrativa, entre as quais, certamente, a ineficácia do planejam en to governamental. Desde 1979, relegou-se a um a atividade marginal o planejam en to, até então baseado em um tripé: a fun ção planejam ento, através do Instituto de Planejam ento — IPLA N; a função orça mento, através da Secretaria de Orçam en to e Finanças; e a função m odernização, através da Secretaria de M odernização e Reforma A dm inistrativa — SEM OR, to dos esses órgãos integrantes da estrutura da Secretaria de P lanejam ento da Presi dência da República.
atual
Havia, claramente, um a deficiência de mecanismos de im plem entação, coorde nação e avaliação dos processos de m o dernização na m áquina estatal e por isso mesmo foi ela ficando absolutam ente de fasada e m arginalizada. Era evidente a dissociação entre planejam ento, m oder nização e recursos hum anos no Governo. Até por estarem sob com andos diferentes, ministérios diferentes, os órgãos eram pouco integrados. A falta de coordenação entre a SEM OR, que estava na SEPLAN, o DASP e o Program a N acional de Des- brurocratização, experiênica iniciada em 1979 por Helio Beltrão, com nível minis terial, era manifesta. E havia m uito p o u ca prioridade para a área de recursos hu manos no plano da Adm inistração Públi ca Federal.
Nessa rápida avaliação da função da adm inistração no Governo, ressalta cla ram ente o caráter cartorial do DASP nos últim os anos, ainda no período prévio à Nova República. O DASP tornou-se efe tivamente um grande cartório de movi m entação de papéis, remoções de funcio nários, transferências, eventual promoção ou mesmo realização de alguns concur sos públicos para adm issão de novos ser vidores.
Carecia, ainda, o DASP, de políticas e diretrizes na área de recursos hum anos. Nele predom inava a gestão rotineira de pessoal e m uito pouca preocupação com o desenvolvimento de recursos hum anos no Serviço Público Federal. Existiam dis funções m uito graves em relação a cargos e salários; o E statuto já tinha mais de 25 anos e estava absolutam ente ultrapassa do; o Plano de Classificação de Cargos era da década de 70 e tam bém se
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trava defasado; cargos e salários e plano de carreira já não orientavam a política de pessoal destroçados já há muitos anos. N ada se fazia, a não ser form al e buror craticamente. N ão havia avaliação de de sem penho dos servidores públicos e po u co se proporcionava em term os de treina mento e desenvolvimento, embora surgisse a iniciativa salutar de criação da F unda ção Centro de Form ação do Servidor P ú blico — FUN CEP. O processo de recru tam ento e seleção era absolutam ente des ligado de qualquer outro processo de ava liação e desenvolvimento ou de plano de carreira.
Do ponto de vista ainda da m oderni zação administrativa, registrava-se o aban dono do planejam ento adm inistrativo e da função organização a médio e longo prazos. Também a SEM OR se tornara uma espécie de cartório, que simplesmente ratificava, da m aneira mais form al possí vel, os regimentos internos de novos ó r gãos criados nos últim os anos. Também ela não soube utilizar os recursos tecno lógicos e o próprio Cadastro da A dm inis tração Federal, experiência vitoriosa de al guns anos atrás. O C adastro, que chega ra a contar com cerca de 12.000 órgãos nos seus bancos de dados, estava reduzi do a cerca de 2.000, absolutam ente defa sado e desatualizado.
Em 1985, ao assum irm os a SEM OR, conseguim os recompor, através da orga nização intensiva e de novos recursos tec nológicos, o C adastro da A dm inistração Federal que hoje se encontra com regis tro de cerca de 20.600 unidades da A dm i nistração Direta e Indireta. Na época, não havia qualquer integração entre a SE M OR, o Program a Nacional de Desburo- cratização e o DASP. O contato existente decorria do relacionam ento pessoal do M inistro da A dm inistração e o então Se cretário da SEM OR. Registrava-se até 1985, por isso mesmo, um a atuação ine ficaz da SEM OR do ponto de vista de acom panham ento da evolução da m áqui na estatal e um a total falta de políticas e diretrizes sobre m odernização do a p a ra to governam ental e sobre a função orga nização no Governo Federal.
Em face a todas a essas distorções e disfunções, era natural o escapismo, a fu ga até de órgãos da A dm inistração Dire ta para entidades da A dm inistração Indi reta. Com o já mencionamos anteriorm en te, era m uito mais fácil recrutar, selecio nar, rem unerar pessoal e captar recursos ou até m esm o gerir entidades, no âm bito da A dm inistração Indireta. Registrava-se total marginalização do funcionalismo, ig
norado e despreparado nos últimos anos, porque já não havia mais carreira, crité rios para sua admissão, remuneração, pro m oção ou até aposentadoria. Havia um a total descontinuidade administrativa, ape sar da retórica ideológica de continuida de do ponto de vista dos governos revo lucionários com absoluto enfraquecim en to da imagem do DASP, que só voltou a mostrar presença a partir da gestão do
mi-Vimos que o diagnóstico organizacio nal evidenciou graves disfunções na A d ministração Pública Federal, geradoras de conseqüências nocivas à ação
administra-nistro Aluízio Alves. Esse fato gerou uma perda de poderes de todos os órgãos vol tados para a função de adm inistração de recursos humanos, m odernização e orga nização do Governo Federal.
O quadro 10 retrata esse diagnóstico das disfunções de recursos humanos e m o dernização que predominavam até os pri meiros meses da implantação da Nova Re pública.
tiva, com o o escapismo, a proliferação de órgãos, a perda de poder e “ status” pelo DASP e outras distorções, sintetizadas no quadro 11.
QUADRO 11
DISFUNÇÕES GERAIS
• IN EFIC Á C IA DO PLA N EJA M EN TO GOVERNAM ENTAL
• D EFIC IÊ N C IA DE M ECANISM OS DE IMPLEMENTAÇÃO, C O O R D E NAÇÃO E AVALIAÇÃO DAS AÇÕES DE REFORM A /M OD ERNIZAÇÃO DOS ÓRGÃOS
• DISSOCIAÇÃO EN TR E PLA N EJA M EN TO , M O D ERN IZA ÇÃ O E RE CURSOS H U M AN O S
• ATUAÇÃO PO U C O INTEGRA DA E C O O RD EN AD A DE ÓRGÃOS L I GADOS À Á REA
• PO U C A PR IO R ID A D E À Á REA DE RECURSOS HU M AN O S
CONSEQÜÊNCIAS
• ESC A PISM O : M U LTIPLICAÇÃO DE ÓRGÃOS E ENTID ADES • M A RG IN A LIZA Ç Ã O DO FU N C IO N A LISM O
• D ESC O N TIN U ID A D E ADMINISTRATIVA • EN FR A Q U EC IM EN TO DA IM AGEM DO DASP • PER D A DE PO D ER E “ STATUS”
QUADRO 10
DIAGNÓSTICO ORGANIZACIONAL
Á REA DE RECURSOS HU M ANOS
• ATUAÇÃO CARTORIAL DO EXTINTO DASP • A USÊNCIA DE PO L ÍT IC A S E D IR ETR IZES • D ISFU N ÇÕES EM ATIVIDADES ESPEC ÍFIC A S
— CARGOS E SALÁRIOS — PLA N O DE C A R R EIR A
— AVALIAÇÃO DE D ESEM PEN H O E MÉRITO — TR EIN A M EN TO E DESENVOLVIMENTO — RECRUTAM ENTO E SELEÇÃO
Á REA DE M O DERNIZAÇÃO
• ABANDON O DO PLA N EJA M EN TO A M ÉD IO E LONGO PRAZOS • USO IN EFIC A Z DE RECURSOS TECN O LÓ G ICO S
• AÇÃO NÃO INTEGRADA EN TR E S E M O R /P rN D /D A S P • FALTA DE P O L ÍT IC A E D IR ETR IZES
• ATUAÇÃO IN E FIC A Z DA SEM OR
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C om o conseqüência dessa avaliação, a nova equipe que assum iu o DASP, lide rada pelo M inistro E xtraordinário para
Reforma na Nova República
Foi a partir dessa avaliação que se co meçou a pensar, seriamente, em um a re versão desse quadro, através da tentativa de se im plantar em definitivo o planeja m ento adm inistrativo no âm bito do G o verno.
A Reform a A dm inistrativa é um pro cesso criativo, mas lento e complexo, por que gerador de m udanças na adm inistra ção. As etapas já cum pridas, desde 1936, podem ser consideradas fases de um pro cesso dinâm ico e que, por isso mesmo, não se esgotará em qualquer ciclo dito fi nal.
A partir de 1985, o processo de Refor m a foi retom ado com especial ênfase
pe-A ssuntos de pe-A dministração, decidiu im plantar as linhas de ação, sintetizadas no q uadro 12.
Io Governo da Nova República, tendo o Presidente Sarney aprovado as diretrizes básicas para a m odernização do setor p ú blico mais anacrônico — a A dm inistra ção Direta.
Em 31 de julh o de 1985, foi instalada, no Palácio do Planalto, a Com issão Ge ral do P lano de Reforma Adm inistrativa, essa Com issão reunia-se mensalm ente e era subdividida em Câm aras, que passa ram a atu ar em projetos específicos, ba sicamente de avaliação da A dministração Pública Federal e de definição de diretri zes para áreas prioritárias, com o a pró pria organização da Administração Fede ral, a área de recursos hum anos, ou, ain da, a inform atização do setor público.
No discurso em que instalou a Com is são Geral da Reforma da A dm inistração Pública Federal, o Presidente José Sarney enfatizou alguns pontos que merecem des taque:
“O Brasil não pode sobreviver com a m áquina governam ental desarticulada, anacrônica e desestim ulada. É preciso, com humildade e ousadia, percorrer os ca m inhos da m udança, transform ando a Administração Pública num agente do de senvolvimento nacional”.
E dando ênfase ao momento democrá tico e à necessidade da colaboração do Poder Executivo com o Legislativo, disse:
“A dem ocratização do País, com o com ponente novo no meu governo, em presta à Reforma o dimensionamento pró prio, que não é som ente técnico, mas vir tualm ente político”.
O Presidente Sarney foi bem claro quando falou sobre o que pretendia o atual processo de Reform a A dm inistrati va:
“O objetivo é resgatar, na prática, a função social da A dm inistração Pública, diante da qual o usuário se põe com o ci dadão com direito aos serviços que cus teia com o pagam ento de tributos .
A Com issão da Reforma A dm inistra tiva trabalhou norm alm ente de agosto de 1985 a fevereiro de 1987. Em 28 de feve reiro, porém, data de lançam ento do P la no Cruzado, o G overno tom ou consciên cia de que precisaria, de certa form a, dar m aior velocidade e antecipar os seus tra balhos. Foi a partir de m arço de 1986, quando assumimos a Secretaria-Geral do então M inistério da Adm inistração, que se com eçou a pensar num m odelo de coordenação do processo de Reforma Ad m inistrativa a ser feita tam bém nos pró- prios órgãos que a apoiariam e a execu tariam .
A prim eira tentativa de reform ulação do papel do antigo DASP, fortalecendo ou integrando órgãos, foi a de colocar sob o com ando único do ministro Aluízio Al ves o P rogram a Nacional de Desburocra- tização, antes ligado diretam ente à Presi dência da República, e a SEM OR — Se cretaria de M odernização e R eform a A d m inistrativa, que estava na SEPLA N. Decidiu-se, ainda, dar prioridade a novas políticas de recursos hum anos e à im plan tação de sistemas de inform ações geren ciais.
Um d ado im portante é que o próprio DASP levou cerca de 1 ano para desco brir que havia na A dm inistração Direta e autarquias 520 mil servidores. A SEST, da SEPLA N , levou também idêntico tem
QUADRO 13
4.“ FASE — 1985/1987
H ISTÓ RICO
• COM ISSÃO G E R A L DA REFORM A
— CRIAÇÃO DA COM ISSÃO G ER A L DA REFO RM A DA A D M IN IS TRAÇÃ O PÚ B LIC A FED ERA L
D ECRETO S N?s 91.309 (4.6.85) e 91.501 (31.7.85) — DIVISÃO EM CÂ M A RA S E COM ISSÕES E SPEC IA IS — ELABORAÇÃO DE DIAG N ÓSTICOS E D IR ETR IZES
QUADRO 12
LINHAS DE AÇÃO/PROPOSTAS
• REFORM ULAÇÃO
— FORTALECER E IN TEG R A R ÓRGÃOS
— D E FIN IR P O LÍTIC A S E D IR ETR IZES PARA RH
— IM PLA N TAR SISTEM AS DE INFO RM AÇÕ ES G ER EN C IA IS — D ISTIN G U IR VERTENTES DE RH:
A DM IN ISTRA ÇÃO E DESENVOLVIMENTO — REESTR U TU R AR O ÓRGÃO:
. EX TIN ÇÃ O DO DASP
. TRA N SFORM AÇÃO EM SECRETARIA DA PR . CO N STITU IÇ Ã O DE SISTEM AS
• RA CIO N ALIZA ÇÃ O DA ESTRUTURA DA ADM INISTRA ÇÃO FED E RAL E DOS_ M ECA N ISM O S DE T U TELA ADMINISTRATIVA • INSTITU IÇÃ O DE NOVOS ÓRGÃOS, SE NECESSÁRIOS
• INCLUSÃO DAS FUNDAÇÕES NA ADM IN ISTRAÇÃO INDIRETA • NOVA D IS C IPL IN A LEGAL PARA LICITAÇÕES
• DESBUROCRATIZAÇÃO
• D E SE M PE N H O E PRO DU TIVID A DE DAS ESTATAIS • FISCA LIZA ÇÃ O PELA SOCIED A DE
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po para chegar à conclusão de que havia um milhão e 300 mil servidores na A dm i nistração Indireta, ou seja, nas entidades estatais. Essas informações básicas, neces sárias para a gestão do sistema de recur sos hum anos, só ficaram disponíveis pra ticam ente a partir de janeiro de 1986. Na época, propunham -se as várias linhas de ação, principalm ente na área de recursos hum anos e de desenvolvimento desses re cursos, para que se desse prosseguim ento à Reforma.
Na mesma ocasião, estudava-se a pro posta de se reestruturar o Ministério, transform ando-o na Secretaria de A dm i nistração Pública da Presidência da Re pública — o que ocorreu mais tarde — p a ra que pudesse atu ar em toda a A dm inis tração Pública Federal e não apenas na A dm inistração Direta e autarquias,
con-Do ponto de vista de estrutura havia um claro objetivo de fortalecer e m oder nizar a A dm inistração Direta, a partir do diagnóstico de que houve uma fuga ou es capism o para a cham ada A dm inistração Indireta, por motivos justificados ou não. Tentou-se, mais um a vez, fortalecê-la, de certa form a voltando-se às raízes do m o delo “clássico” de adm inistração. Partiu- se, com o conseqüência, para a tentativa de se reverter o processo de crescim ento da A dm inistração Indireta e de se redu zir o núm ero de órgãos e entidades super postos ou duplicados.
A elim inação de redundâncias ou su perposições de funções governam entais continua sendo um objetivo perm anente de todos os estudos que estão sendo fei tos pelo atual G rupo Executivo de Refor m a Adm inistrativa — GERAP, integrado pelos M inistros da Adm inistração, que o preside, da Fazenda, do Trabalho, do P la nejam ento e do G abinete Civil. Esses es tudos têm o objetivo de institucionalizar o cham ado planejam ento adm inistrativo
tando com o respaldo e “ status” da Pre sidência da República.
Por isso mesmo, criou-se um grupo de trabalho interm inisterial que, de abril até agosto de 1986, tentou resolver as diferen ças naturais de opinião e de percepção en tre os diversos ministérios nela represen tados, chegando a um consenso em rela ção aos objetivos e estratégias da Refor ma e ao que cham am os de “ produtos da Reforma Adm inistrativa”. Q uais são ou quais foram os objetivos desse processo, às vezes exaustivo, de discussão entre os Ministérios da Adm inistração, P laneja mento, Fazenda e Trabalho, G abinete C i vil e C onsultoria-G eral da República?
O quadro 14 dem onstra essa alteração de estratégia do processo de Reforma A d ministrativa.
que, desde a década de 40, praticam ente não teve vez neste País, enquanto se avan çou m uito na área do planejam ento eco nômico, através da criação de instrum en tos, com o o Plano Nacional de Desenvol vim ento — PND, e de mecanismos com o a própria SEPLA N e o 1PEA. Na área de planejamento administrativo, pelo contrá rio, até pelo fato do DASP ter sido pro duto de um regime autoritário, sentiu-se um a total decadência do sistema e um a tentativa de fuga das suas norm as e p rin cípios básicos.
Do ponto de vista de pessoal, há um claro objetivo de valorização da função pública e de renovação dos quadros. A SEDAP participará, através da instituição de um a nova Secretaria de Recursos H u m anos voltada fundam entalm ente para o desenvolvimento de pessoal do setor pú blico, além da FU N CEP e do CEDAM — C entro de Desenvolvimento da A dm inis tração Pública —, que vão promover trei nam ento e reciclagem dos servidores pú blicos a serem eventualm ente rem
aneja-dos. A EN AP — Escola N acional de Ad m inistração Pública — por sua vez se en carregará de form ar quadros de carreira e novos quadros de dirigentes do setor pú blico.
Existe, ainda, o objetivo de se prom o ver a avaliação do desem penho do servi dor, através da perm anente instituciona lização do sistema do mérito, graças ao novo regime e Estatuto do Funcionalismo Público e de um Plano de Cargos e Salá rios.
Essa etapa inicial do processo de Re form a Adm inistrativa tem com o marco significativo a Exposição de Motivos de 3 de setembro de 1986, assinada pelos mi nistros Aluízio Alves, da Administração, Dilson Funaro, da Fazenda, e João Sayad, do Planejam ento, além de Saulo Ramos, Consultor-Geral da República. Essa E.M., aprovada pelo Presidente José Sarney, de lineou as diretrizes básicas e os princípios e critérios norteadores da im plantação da reform a/m odernização, especialmente os transcritos a seguir:
1. Racionalização e contenção de gastos públicos
— A sistem atização e o controle do p a gam ento de servidores civis da Admi nistração Federal, dos inativos e pen sionistas do Tesouro Nacional, bem co mo das remunerações de técnicos, con sultores e especialistas — STN — Se cretaria do Tesouro Nacional. — A revisão e o aprim oram ento das ati
vidades de auditoria do Sistema de Pessoal Civil da A dm inistração Fede ral — SIPEC.
— O disciplinam ento da contratação de inativos pelos órgãos e entes da Admi nistração Federal.
— A regulação da rem uneração de servi dores que participem de órgãos cole- giados.
— A revisão dos critérios regedores da concessão, aos servidores, de vantagens pecuniárias indiretas.
— A fixação de limites à contribuição de órgãos e entidades para a form ação e a m anutenção de fundos fechados de previdência privada ou pecúlio de qualquer natureza.
— A padronização de especificações do m aterial utilizado pelo setor público. — A inclusão, na A dm inistração Indire ta, das fundações sob supervisão m i nisterial, bem com o de outras perso nificações que se fizerem necessárias ou convenientes.
QUADRO 14
4? FASE
• ADVENTO DO PLA N O CRU ZAD O: 28.02.86
• TRA N SFO RM AÇÃO DO DASP EM SEDAP
• CRIAÇÃO DO G E R A P — G RU PO EX ECUTIV O DE REFORM A
DA ADM IN ISTRAÇÃO PÚB LIC A
• D E C R ETO S/PR O JETO S DE LEIS/D EC R ETO S-LEIS
• ESTRATÉGIA GRADUALISTA
• REFO RM A INSTRUM ENTAL
IDÉIAS
— A criação de cadastro nacional de m a terial perm anente e cadastro nacional de bens imóveis, da Administração Fe deral.
— A definição de critérios a serem obser vados nas relações entre órgãos e en tidades da adm inistração e as pessoas jurídicas por uns e outras criadas.
2. Formulação de nova política de recur sos humanos
— A instituição de cadastro em que se rão registrados todos os servidores da A dm inistração Federal, os inativos e pensionistas do Tesouro Nacional — C N PC.
— A criação de escola e centro de form a ção e treinam ento m odernos e ajusta dos à realidade do País e às necessida des da adm inistração.
— A im plantação de novo regime ju ríd i co dos servidores da A dm inistração Direta e autárquica.
— O estabelecim ento de Planos de C ar gos e Salários para esses servidores. — O disciplinam ento das requisições de
pessoal no âm bito da A dm inistração Federal.
3. Racionalização da estrutura da admi nistração federal
— A instituição, na A dm inistração Dire ta, de novas espécies de órgãos d o ta dos de autonom ia adm inistrativa e fi nanceira, com adequada flexibilidade de ação gerencial.
— A fixação de nova disciplina legal à realização, pela A dm inistração Fede ral, de com pras, obras, serviços, alie nação e negócios jurídicos outros e dos concernentes procedim entos licitató- rios.
— A adoção de providências voltadas à desburocratização dos serviços e pro cedim entos do setor público.
— A im plantação de novos mecanismos de acom panham ento e controle do de sem penho e produtividade das em pre sas estatais.
— A criação de mecanismos de fiscaliza ção, pela sociedade, dos atos e proce dim entos do setor público.
A prim eira diretriz atende àquela d e m anda social, àquela pressão da socieda de por contenção dos gastos governamen tais e visa, ao mesmo tempo, criar m eca nismos e instrumentos que permitam uma gestão eficaz e eficiente dos recursos p ú blicos. O cadastro dos servidores é, sem dúvida, um instrum ento fundam ental pa
ra que não se repita a situação em que o Governo que assumiu em março de 85 en controu o setor público. À época, não se sabia sequer quantos funcionários estatu tários e quantos servidores celetistas h a via no Serviço Público Federal. E essa si tuação perdurou por quase um ano, até janeiro de 1986.
A sistem atização e o controle de p a gam ento através de um sistema a ser im plantado pela Secretaria do Tesouro N a cional pretendem evitar eventuais dupli cações de rem uneração no setor público. Por outro lado, a auditoria do sistema de pessoal civil da U nião é fundam ental para identificar eventuais excessos e ocio- sidades setoriais dos servidores. N orm as que disciplinem a contratação de inativos e a rem uneração em colegiados são tam bém instrum entos básicos, medidas fun damentais, para se evitar desperdício e até o clientelismo no setor público. A revisão de vantagens das entidades da A dm inis tração Indireta, hoje absolutam ente dis- crepante em relação à rem uneração dos servidores da Administração Direta, tam bém será procedida para se evitar exata m ente essa situação de dicotom ia entre um setor tecnocrático m oderno e bem- rem unerado e um setor burocrático, for mal e pessim am ente rem unerado.
A lim itação da contribuição para fun dos fechados de previdência social é tam bém um a m edida de contenção, um a vez que em alguns fundos de seguridade a U nião entra com a m aior parte: 2/3 ou 3 /4 do total.
O estabelecim ento de norm as de p a dronização em materiais e cadastro nacio nal de material permanente e de bens imó veis e relacionam entos mais bem -defini- dos entre os órgãos da Administração Di reta e entidades da Indireta serão outras m edidas de contenção dos gastos públi cos, além de um a tentativa de racionali zação no setor público, nessa 1 ? fase da Reforma.
A segunda diretriz é voltada para um a área p rioritária, a de recursos hum anos, área vital, pois sem o servidor, sem o fun cionário, não se im plantará nenhum pro cesso de reform a. Daí porque se criaram dois instrum entos básicos para se fazer a reciclagem e o recrutamento desse pessoal e até a form ação de novos quadros diri gentes: o CEDAM — Centro de Desen volvim ento e a E N A P — Escola de A d ministração, duas unidades agregadas sob a tutela da FUNCEP. Além disso, o regi me jurídico será fundam ental e surgirá o novo E statuto de pessoal que está em fa se de discussão.
Entre as m edidas com plem entares ao novo E statuto está, finalmente, um P la no de Cargos e Salários. O Estatuto, re novado, atualizado e integrado com esse novo regime jurídico, estará brevemente sendo discutido no grupo interministerial (GER A P). O projeto encontra-se na Se cretaria de Administração Pública, em fa se final de discussão interna. A Reforma disciplinará, ainda, a ciranda de requisi ções que afeta o Serviço Público Federal, um a vez que é necessário criar-se laços en tre o servidor e seu ministério ou entida de ao qual ele presta seus serviços.
O utra m edida im portante era a inclu são das fundações na A dm inistração In direta, um a vez que, até então, elas eram consideradas entidades regidas basica m ente pela legislação de direito privado. O Decreto-lei n? 2.299, de 21 de novem bro de 1986, promoveu essa inclusão e a Lei n? 7.596, de 10 de abril de 1987, criou um a nova figura jurídica, a da fundação pública.
No contexto da terceira diretriz um no vo disciplinam ento legal para licitações, de certa form a, viabilizou o processo li- citatório. Essa foi um a das razões por que os órgãos fugiram tanto aos institutos da A dm inistração Direta, buscando novas form as jurídicas na A dm inistração Indi reta.
Várias medidas de desburocratização, algum as já, em princípio, subm etidas ao G E R A P e apresentadas ao Presidente da República, agilizarão a m áquina adm inis trativa federal e perm itirão que o Serviço Público passe a prestar melhores serviços ao usuário final.
N orm as específicas para as estatais, para acom panham ento de seus desem pe nhos e suas atividades, foram também aprovadas através do Decreto n? 93.216, de 3 de setem bro de 1986. H á que se re gistrar, ainda, m edidas visando à m aior fiscalização por parte da sociedade, exa tamente de acordo com a filosofia da N o va República, de m aior participação e de m ocratização da ação pública.
Os “ Produtos” da Reforma
Em consonância com essas diretrizes da Reforma A dm inistrativa vários decre tos de fundam ental im portância foram baixados pelo Presidente José Sarney. O primeiro, de n? 93.211, de 3 de setem bro de 1986, criou a Secretaria de A dm inis tração Pública da Presidência da Repú blica — SEDAP e extinguiu o DASP. O DASP teve um papel histórico relevante nas prim eiras duas décadas de sua cria
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ção. A partir da década de 60, porém, per deu poder e “status”. A SEDAP hoje é um m ecanism o fundam ental para institucio nalizar, de um a vez por todas, o cham a do planejamento administrativo a nível de Governo.
Um segundo Decreto, de n? 93.212, de 3 de setembro de 1986, criou o G rupo Exe cutivo de Reforma da A dm inistração P ú blica — G ERA P, form ado pelo ministro da A dm inistração com o seu presidente e pelos M inistros do Planejam ento, G abi nete Civil, Trabalho e Fazenda, m inisté rios básicos para a implementação do pro cesso de Reforma, seja porque coordenam os sistemas adm inistrativos do Governo ou porque controlam os recursos orça mentários, ou ainda porque cuidam do re lacionam ento entre os servidores e as em presas estatais.
Outros atos da m aior im portância para o desenvolvimento do processo de Refor ma foram expedidos pelo Presidente da República:
• Decreto n? 93.213, de 3.9.86, que ins titui o cadastro nacional do pessoal ci vil, já em pleno desenvolvimento, atin gindo, em sua prim eira etapa de im plantação, a A dm inistração D ireta e autárquica e, até o final deste ano, tam bém as entidades da Administração In direta;
• Decreto n? 93.214, de 3.9.86, que o r ganiza o sistema de gerenciamento das contas e pagam ento de pessoal, a tra vés da Secretaria do Tesouro Nacional, para evitar, como já mencionamos, d u plicações nas rem unerações dos servi dores;
• Decreto n “ 93.215, de 3.9.86, que de fine os procedimentos de auditoria do pesoal civil para evitar exatamente dis funções e excessos ou ociosidade de pessoal no setor público;
• Decreto n? 93.216; de 3.9.86, que es tabelece novos m ecanism os de acom panham ento e controle da gestão das estatais para evitar que, mais um a vez, escapem ao controle do próprio G o verno e da sociedade brasileira; • Decreto n? 93.237, de 8.9.86, que sis
tem atiza as atividades de advocacia consultiva da União, com o propósito de aperfeiçoar os mecanismos de con- troíe interno da legalidade da ação do Estado;
• Decreto n? 93.277, de 19.9.86, que cria a Escola N acional de A dm inistração Pública — ENAP, voltada para as ati vidades de form ação, aperfeiçoam en to e profissionalização do pessoal ci
vil de nível superior, e o Centro de De senvolvimento da A dm inistração P ú blica — CEDAM , voltado para as ati vidades de treinam ento dos servidores civis federais.
Com os atos expedidos em princípios de setem bro de 1986, pode-se dizer que a tão esperada Reforma Adm inistrativa te ve início, não obstante tenha o Governo, anteriorm ente, prom ovido algum as m o dificações no funcionamento da Adminis tração Pública. Em sendo um processo di nâmico e complexo, a Reforma carecia de um órgão com com petência para traçar a orientação técnica a ser seguida e com capacidade para promover as medidas ne cessárias à sua im plantação gradual, bem com o lhes coordenar a execução.
Com a instituição do G ERA P e do res pectivo Com itê Técnico, integrado por es pecialistas sob a coordenação do Secretá- rio-Geral da SEDAP, e dado o caráter prioritário conferido pelo Decreto n “ 93.212/86 às recomendações e decisões do GERA P, foram criadas as condições b á sicas para o desenvolvimento do proces so de Reforma.
Dois meses após outro grupo de me didas veio à luz, editadas em novembro de 1986:
• Decretos n?s 93.599 e 93.600, am bos de 11.11.86, o prim eiro dando nova es trutura organizacional à Fundação IB GE e o segundo, aprovando o novo Es tatuto da Caixa Econôm ica Federal — CEF;
• Decretos n?s 93.603 e 93.608, am bos de 21.11.86, extinguindo várias entida des estatais e sociedades mercantis sob controle indireto da U nião — COAL- BRA, ALUNE, CO N ESG e CRN, dentro do espírito da Reforma A dm i nistrativa de “enxugar” a adm inistra ção descentralizada;
• Decretos n?s 93.609 e 93.610, ambos de 21.11.86, dispondo sobre a incorpora ção, pela PETROBRÁS, INFRAERO e Cia. N acional de Álcalis das em pre sas públicas PETR ASA , ARSA e AL- C A NORTE;
• Decreto n? 93.611, de 21.11.86, que au toriza a absorção, pelos Estados e M u nicípios, das atividades das CEASAs, m ediante transferência do controle acionário da União, m edida tipica m ente descentralizadora;
• Decretos n?s 93.612 a 93.614, todos de 21.11.86, extinguindo nada menos do que 37 órgãos dos M inistérios da Fa zenda, Educação, A gricultura, Indús tria e Comércio, Minas e Energia e SE
PLAN, em sua m aioria colegiados, por desnecessários ou perda de sua fi nalidade;
• Decreto n “ 93.616, de 21.11.86, extin guindo os escritórios de representação ou departamentos similares dos órgãos e entidades da A dministração Federal, exceto aqueles que, desenvolvendo ati- vidades-fim, como tal sejam reconhe cidos pelo G rupo Executivo de Refor ma da A dm inistração Pública — G E RAP;
• Decreto-lei n “ 2.291, de 21.11.86, que extinguiu o BNH, por incorporação à Caixa Econôm ica Federal. Na condi ção de sucessora, a C EF passou a ge rir o FGTS e a coordenar a execução dos Planos Nacional de H abitação Po pular — P LA N H A P e de Saneam en to Básico — PLANASA. Ao C onse lho M onetário Nacional foram trans feridas as atribuições de órgão central do Sistema Financeiro de H abitação. A form ulação das políticas habitacio nal e de desenvolvimento urbano pas sou para a com petência do Ministério do Desenvolvimento U rbano e Meio Ambiente;
• Decreto-lei n “ 2.292, de 21.11.86, que alterou o Decreto-lei n? 200/67 na par te referente à organização federal, com o propósito de incluir as fundações dentre as categorias integrantes da Ad ministração Indireta para os efeitos de subordinação às norm as de fiscaliza ção, controle e gestão financeira e de inclusão dos cargos, em pregos e fun ções e respectivos servidores no Plano de Classificação da Lei n? 5.645/70; • Decreto-lei n? 2.300, de 21.11.86, que
disciplinou as licitações e contratos no âm bito da A dm inistração Federal, fi xando os lineam entos da atividade do Poder Público no plano da adm inis tração financeira e da gestão patrim o nial. C om o inovação im portante so bressai a extensão, às em presas públi cas, sociedades de econom ia mista, fundações e às entidades controladas, diretam ente ou indiretam ente, pela União, das regras do procedim ento li- citatório no que concerne à realização de suas compras, obras, serviços e alie nações, até que editem norm as pró prias.
O processo de Reforma teve seguimen to durante 1987. No primeiro quadrim es- tre, foram prom ovidas alterações nos sis temas adm inistrativos, afinadas com o propósito de tornar mais eficaz a gestão pública e mais eficiente a m áquina esta
IDÉIAS
tal. No período considerado, o processo de Reforma se exteriorizou através de vá rios atos de caráter forma-legal: • Decreto n? 94.159, de 31.3.87, que al
terou a denom inação, a estrutura b á sica e a com petência da SEPLA N . Além de extinguir a SUBIN, as Dele gacias Regionais e os Escritórios de Re presentação, o citado Decreto transfe riu órgãos (SEST, CISE) e com petên cias da SEPLA N para os M inistérios da Fazenda, das Relações Exteriores, M inas e Energia e Interior;
• Lei n? 7.596, de 10.4.87, que instituiu a isonomia salarial nas fundações e au tarquias de ensino superior e deu no va conceituação às fundações públicas, consideradas entidades da Administra ção Federal Indireta;
• Decreto n? 94.234, de 15.4.87, que al terou a estrutura orgânica do Minis tério da Saúde, extinguindo Coordena- dorias Regionais de Saúde;
• Decreto n? 94.236, de 15.4.87, que transferiu para o M inistério da Ciên cia e Tecnologia o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Com o sta-
tus de órgão autônom o, o 1NPA reu
nirá melhores condições para prom o ver as atividades de pesquisa científi ca e desenvolvimento tecnológico da Região A m azônica;
• Decreto n? 2.328, de 5.5.87, que extin- guiu o G rupo Executivo das Terras do Araguaia-Tocantins — GETAT, trans ferindo todos os seus direitos e obri gações para o INCRA;
• Decreto n? 94.327, de 13.5.87, que aprovou a nova estrutura básica do Mi nistério das Relações Exteriores e ex- tinguiu consulados no exterior e uni dades na Secretaria de Estado.
À Guisa de conclusões...
O entendim ento de Reforma Adminis trativa não é o de um processo isolado, mas de um fato relacionado com os o b jetivos da sociedade, no sentido de p ro mover o desenvolvimento econômico e so cial. Nesse sentido, a refo rm a/m o d ern i zação adm inistrativa pode ser considera da um conceito típico de países em pro cesso de desenvolvimento, à m edida em que, neste tipo de sociedade, ocore um a profunda defasagem entre os objetivos do G overno de desenvolvimento e o instru m ental adm inistrativo necessário à sua consecução.
O Governo do Presidente Sarney é her deiro de um aparato adm inistrativo caó
tico. Nossas principais instituições adm i nistrativas estão organizadas em bases e pressupostos conceituais que rem ontam , ainda, à Revolução de 1930. A partir dos anos 60, temos assistido a um a expansão desordenada do setor público em todos os setores da vida nacional. A im plem enta ção das decisões políticas do Governo en contra resistências de toda ordem ao ní vel da m áquina adm inistrativa, dom ina da pelos vícios e procedim entos do for malismo, do centralismo adm inistrativo e mecanism os de controle de eficácia sem pre duvidosa.
Não podem os deixar de salientar o fa to de que os m om entos mais significati vos de organização do E stado brasileiro ocorreram sempre sob o patrocínio de sis temas autoritários de governo, por isso mesmo, distantes da participação e do controle da própria sociedade. Foi assim nos prim órdios de nossa organização co mo Nação, sob a tutela do sistema adm i nistrativo português e tem continuado as sim no período mais m oderno de nossa história: a Reforma Administrativa do Es tado Novo e a do Decreto-lei n? 200, ao final do G overno Castello Branco.
A R eform a de 1936, aprovada pelo Congresso N acional, surgiu sob a égide da C onstituição de 1934, elaborada no G overno Provisório de G etúlio Vargas (que convocara a Assembléia Constituinte em nom e da “ordem revolucionária”. À é p o c a , o q u a d r o in s titu c io n a l caracterizava-se pelo conflito entre o Exe cutivo e o Legislativo e pela ausência de partidos nacionais e de forças sociais o r ganizadas. O agravam ento das tensões eclodiu um ano depois, com o golpe que im plantou no País o Estado Novo. Assim, o placet do Congresso Nacional não reti rou da R eform a de 1936 o estilo au to ri tário, já que exprimiu, na verdade, a von tade do G overno Provisório.
A Reform a de 1967 teve caráter niti dam ente impositivo. Valendo-se dos p o deres extraordinários conferidos pelo Ato
Institucional n? 4/66, o e n tâ o Presidente Castello Branco editou o Decreto-lei n? 200, em 25 de fevereiro daquele ano. C u riosamente, naquela data o Congresso N a cional já havia prom ulgado a nova C ons tituição (24.1.67), que pôs term o aos p o deres extraordinários originários da Re volução de 1964. Mas a C arta só entrou em vigor a 15 de março seguinte.
Em bora produto do autoritarism o dos governos militares que cobriram o perío do revolucionário (1964/79), a Reforma de 67 representou um grande avanço no sentido de aperfeiçoamento, de m oderni
zação do serviço público em nosso País. Na observação do Prof. Cretella Junior, “a Reforma A dm inistrativa, visando, ad
litteram, atingir de im ediato a órbita fe
deral, acabou influindo sobre as demais esferas da Federação, sendo com o que um a verdadeira constituição federal, em m atéria adm inistrativa. Daí sua progres siva extensão ao âm bito os Estados, dos M unicípios e do D istrito Federal”.
É im portante ressaltar que, o Gover no do Presidente Sarney altera fundamen talm ente essa tradição. Pela prim eira vez na H istória brasileira estam os conduzin do um vigoroso processo de m udança e de Reform a Adm inistrativa, com am plos espaços para participação e discussão por todos os segmentos da sociedade.
O m om ento em que se realiza esta Re form a é de transição. Exige a reconside ração de toda a herança histórica, políti ca e cultural, representada pelo atual qua dro da A dm inistração Pública. Sua rea valiação diante das necessidades que de vam ser satisfeitas se impõe, com o form a de não se perder de vista os propósitos de bem servir ao cidadão e executar eficien tem ente os planos de Governo.
Além dos obstáculos de natureza ge rencial, temos que enfrentar o desafio maior de ajustar nossa Administração P ú blica às exigências de um a nova ordem so cial, política e econôm ica, que vai em er gir da Assembléia N acional C onstituin te, que se quer dem ocrática tanto em sua essência quanto no exercício diário do G o verno.
A m udança ansiosamente desejada dos padrões de funcionam ento de nossos sis temas adm inistrativos extravasa o tem po m eram ente técnico e transform a-se em am bicioso projeto de m udança cultural e política, que interessa a toda a sociedade e assume im portância fundam ental q uan do se propõe, inclusive, a mudanças no re gime político.
É chegado o m om ento em que pode mos som ar o Poder Executivo e o Poder Legislativo para, na elaboração da nova Carta, responder às urgentes reformas que garantam , sob inspiração dem ocrática, mais equilíbrio na distribuição dos bene fícios sociais, m aior justiça e mais liber dade para form ação e exercício de um a consciência política da nacionalidade e m elhor prestação de serviços ao cidadão e a sociedade.
Para isso, um a única e fundam ental prem issa orienta o nosso trabalho: a de que o serviço público federal não existe por si e para si, mas é legitim ado pelo atendim ento às necessidades dos cida
IDÉIAS
dãos. Tais necessidades, escalonadas e o r denadas juridicamente, e apenas elas, de vem legitim ar os direitos e deveres dos ci dadãos, quanto aos bens e serviços a que têm direito.
A reorganização do Governo, entendi da com o um dos principais instrum entos de resgate de compromissos assumidos pe la Nova República, há de conter alguns
indicadores que irão se constituir no es teio dessa reconstrução no que concerne à A dm inistração Pública.
Com o resultado do processo de Refor m a Administrativa, espera-se, pois, gerar um a cultura de organização adm inistra tiva, fecunda, em função dos valores, princípios e objetivos com o os da justiça e bem com um.
Esse esforço precisará reverter a atual ênfase na uniform idade e no uniform is- mo, e, em seu lugar, procurar desenvolver e incentivar soluções diferenciadas e até mesmo aparentem ente incoerentes ou competitivas, se se quiser incorporar o Brasil real dos Estados e M unicípios ao Brasil Federal de Brasília.
LEGISLAÇÃO DA REFORMA
A relação de to d o s o s atos legais da R eform a A dm inistrativa desde se tembro de 1986, até a presente data (m aio de 1987), está transcrita a seguir: DECRETO 93.211 93.212 93.213 93.214 93.215 93.216 93.237 93.277 93.597 9 3.599 9 3.600 94.603 93.608 93.609 93 .6 1 0 DATA
3.9 .8 6 Cria a Secretaria de A dm inistração P úb li ca da Presidência da República — S E D A P e extingue o D A S P .
3 .9 .8 6 Cria o Grupo Executivo de Reform a da A d m inistração P úb lica — G E R A P . 3 .9 .8 6 Institui o Cadastro N acional do Pessoal C i
vil — C N P C .
3 .9 .8 6 Organiza o sistem a de gerenciam ento das fontes de pagam ento de pessoal da A d m i nistração P ública.
3 .9 .8 6 E stabelece n ovos p rocedim entos de au d i toria de pessoal civil da A dm inistração D i reta e autárquica.
3 .9 .8 6 Estabelece mecanism os de acom panham en to e con trole das entidades estatais. 8 .9 .8 6 Sistem atiza as atividades de advocacia con
sultiva da U n ião.
19.9.86 Cria a E scola N acion al de A dm inistração P ública — E N A P e o C entro de D esen v o l vim ento da A dm inistração P ública — C E D A M .
2 1 .1 1 .8 6 D isciplina as con trib uições para form ação e m anutenção de entidades fechadas de pre vidência privada, instituídas por órgãos da A dm inistração Indireta.
2 1 .1 1 .8 6 R eorganiza a Fundação IBG E.
21 .1 1 .8 6 A p rova o n o v o E statu to da C aixa E c o n ô m ica Federal.
21 .1 1 .8 6 Extingue a S .A . C oque e Á lco o l da M adei ra — C O A L B R A .
2 1 .1 1 .8 6 D ispõe sobre a extinção de sociedades mer cantis so b con trole indireto da U n iã o — A L U N E , C O N E SG e C R N .
2 1 .1 1 .8 6 D isp õe sobre a incorporação das em presas públicas P E T R A S A e A R S A à P E T R O - B R Á S e à IN F R A E R O .
2 1 .1 1 .8 6 D isp õe sobre a incorporação da em presa pública A L C A N O R T E pela C om panhia N a cio n a l de Á lcalis. 93.611 93.612 93.613 93.614 93.616 93.655 94.006 94.159 94.234 94.236 94.237 D E C .-L E I 2.291 2.299 2 .300 2.328 LEI 7.596 2 1.11.86 21.11.86 2 1.11.86 2 1.11.86 2 1 . 11.86 5 .1 2 .8 6 9 .2 .8 7 31.3.87 15.4.87 15.4.87 13.5.87 D A T A 2 1.11.86 21.11.86 2 1.11.86 5 .5 .8 7 D A T A 10.4.87
D isp õe sobre a transferência das C entrais de A b astecim en to — C E A SA s para o s E s tados e os M unicípios.
Extingue órgãos do M inistério da Fazenda. E x tin g u e ó r g ã o s d o M in is t é r io da E ducação.
Extingue órgãos d o M A , M IC , M M E e S E P L A N .
Extingue escritórios de representação dos órgãos e entidades da A dm inistração Federal.
Dá n ovas atribuições à Secretaria do T e souro N acion al — STN .
D isciplina o pagam ento de servidores re distribuídos em decorrência da R eform a A dm inistrativa.
A ltera a estrutura básica e a com petência da S E P L A N .
R eorganiza o M inistério da Saúde e extin gue as Coordenadorias Regionais de Saúde. T ransform a o Instituto N acion al de P es quisas da A m azônia — IN P A em órgão au tô n o m o e o transfere para o M inistério da C iência e T ecn ologia.
A p rova a nova estrutura básica d o M R E , extingue con su lad os e unidades na Secre taria de E stad o.
Extingue o B anco N acion al de H ab itação — B N H .
Altera o D ecreto-lei n? 2 0 0 /6 7 na parte re ferente à organ ização da A dm inistração Federal.
D isp õe sobre licitações e contratos da A d m inistração Federal.
Extingue o G rupo Executivo das Terras do Araguaia- Tocantins — G E T A T e transfere to d o s o s seus direitos e ob rigações para o IN C R A .
Institui a iso n o m ia salarial nas fun d ações e autarquias de ensino superior e altera o D ecreto-lei n? 2 0 0 /6 7 , com in clu são das fu n d a çõ es públicas na A d m in istração Indireta.