Lei Maria da Penha

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Várias Marias: efeitos da Lei Maria da Penha nas delegacias.

Várias Marias: efeitos da Lei Maria da Penha nas delegacias.

Essa foi a análise, fundamentados nas ideias de René Lourau, que fizemos da inviabilidade de realização das entrevistas com as mulheres que sofrem em seu cotidia- no episódios de violência doméstica, em nossa pesquisa. Ao final, ainda temos questões. Ao se afastarem da dele- gacia, ao não fazerem denúncias, o que essas mulheres estão falando ao instituído? À lei que já foi sancionada? Certamente na maioria dessas situações podem estar re- produzindo relações de poder, de gênero e de submissão, mas, até que ponto, em algumas circunstâncias elas não podem estar trazendo algo novo, instituinte, criando ou- tra forma de lidar com a lei e com a violência que vivem? Com certeza, a lei Maria da Penha opera para o fim da impunidade aos crimes de violência doméstica e fa- miliar. Em casos específicos, de fato, é preciso aplicar penalidades mais rígidas e, nesse contexto, essa legisla- ção possui vários ganhos para as mulheres, como ates- ta Cortizo e Goyeneche (2010). Todavia, nos efeitos de sua institucionalização percebemos que esse dispositivo também impossibilita outros tipos de intervenção, tais como a mediação de conflitos, a escuta e o acolhimento e até mesmo as possibilidades de advertência do agressor somente, muitas vezes demandada pelas vítimas. Nesse viés, a lei Maria da Penha contraditoriamente enfraque- ce as ações da Polícia, com restrições e impedimentos ao trabalho que vinha sendo realizado pelas delegacias, no atendimento a demandas das mulheres que contavam com a intermediação da autoridade policial, como ressal- tam Nobre e Barreira (2008).
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CRÍTICA A APLICAÇÃO DA LEI 11.340 DE 2006: UM ESTUDO SOBRE A EFICÁCIA DA LEI MARIA DA PENHA SOBRE O PRISMA DA PESQUISA ELABORADA PELO INSTITUTO DE POLÍTICAS ECONÔMICAS APLICADAS

CRÍTICA A APLICAÇÃO DA LEI 11.340 DE 2006: UM ESTUDO SOBRE A EFICÁCIA DA LEI MARIA DA PENHA SOBRE O PRISMA DA PESQUISA ELABORADA PELO INSTITUTO DE POLÍTICAS ECONÔMICAS APLICADAS

Resumo: O Instituto de Políticas Econômicas Aplicadas (IPEA) publicou, este ano, um estudo, sobre a eficácia ou não da Lei Maria da Penha, através de estatísticas sobre os casos de feminicídios (quando uma mulher é assassinada em decorrência da violência de gênero, ou seja, pelo simples fato de ser mulher) ocorridos no Brasil e, consequentemente em seus Estados-Membros, por meio se uma sequência temporal desde 2001 até 2011, antes e depois da promulgação da Lei n°11.304/2006 (Lei Maria da Penha). As estatísticas demonstraram que os casos de feminicídio não diminuíram após a promulgação da Lei Maria da Penha, portanto, lhe falta efetivação plena. Conclui-se que a falha está na falta de prevenção da violência de gênero, prevenção esta que deveria ocorrer por medias publicas socioeducativas, com o fim de modificar a acultura patriarcal. Tais medidas têm sua diretriz estabelecida no artigo 8°, incisos V, VIII e IX da Lei n°11.340/2006, mas não foram instituídas nas escolas, conforme pesquisado. Ressalta-se que não é interesse deste artigo esgotar o assunto, bem como adentrar-se no aspecto histórico da violência de gênero.
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FEMINISMO, GÊNERO E OS ALCANCES DA LEI MARIA DA PENHA  Marcela Dias Barbosa, Paulo César Corrêa Borges

FEMINISMO, GÊNERO E OS ALCANCES DA LEI MARIA DA PENHA Marcela Dias Barbosa, Paulo César Corrêa Borges

O alargamento do sistema penal de medidas alternativas se dá pela ampliação das formas de suspensão condicional da pena e de liberdade condicional, pela introdução de execução da pena detentiva em regime de semiliberdade, em outras palavras, uma total reavaliação do trabalho carcerário (BARATTA, 2002, p.203). A Lei Maria da Penha, neste contexto, apresentou medidas específicas que apesar de significar um endurecimento penal em alguns aspectos, trouxeram inovações que se encaixam na linha de pensamento crítica e feminista do direito. Houve um tratamento especial, interdisciplinar e em rede, pela primeira vez abordando a violência doméstica. Foram apresentadas diversas formas de superação desta situação por meio de trabalhos com os agressores e agredidas, bem como através do uso das medidas protetivas as mulheres em situação de vulnerabilidade.
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do masculino após o advento da lei “Maria da Penha”

do masculino após o advento da lei “Maria da Penha”

Visamos analisar a trajetória comum de um homem preso pela LeiMaria da Penha”, que vai desde a prisão pela polícia militar até a saída dele dos presídios, que são atreladas a participações compulsórias (por determinação da juíza titular do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher da Comarca de Fortaleza) em projetos de “ressocialização”. Portanto, a pesquisa teve cunho etnográico, pois percorremos as diversas instituições nas quais eles passam: Delegacia de Defesa da Mulher, Juizado da Mulher, Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor José Jucá Neto – CPPL III e Núcleo de Atendimento ao Homem Autor de Violência Contra a Mulher – NUAH, todas essas instituições localizadas em Fortaleza ou na Região Metropolitana de Fortaleza. No NUAH, pudemos realizar 12 (doze) entrevistas com roteiro semiestruturado aos egressos do sistema penitenciário que respondiam à LeiMaria da Penha”; e no Juizado da Mulher, foi possível aplicar 100 (cem) questionários com o ito de identiicar um peril social mais recorrente desses homens.
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Desafios políticos em tempos de Lei Maria da Penha,.

Desafios políticos em tempos de Lei Maria da Penha,.

Não obstante argumentos dessa natureza, ainda comparecem com força no conjunto dos entes da rede de atendimento, renovando tendências de patologização da violência de gênero como se fosse uma relação anacrônica de pessoas destemperadas. Em muitas situações a mulher acaba sendo revitimizada, considerada fraca, irresponsável, pro- vocadora e resistente às funções e aos papéis soci- ais destinados ao seu gênero e classe. O grande de- safio que se coloca é a instauração de práticas interdisciplinares, nas quais a intervenção seja orgâ- nica ao projeto da sociedade que se deseja, situação possível com base na elaboração e desenvolvimento de um plano teórico-político consistente. As bases estão dadas com a larga experiência no campo do enfrentamento da violência contra a mulher e tam- bém previstas no texto da Lei Maria da Penha, espe- cialmente nos Art. 9 e 29, “Da assistência à mulher em situação de violência doméstica” e “Da equipe de atendimento multidisciplinar”.
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LEI MARIA DA PENHA E VIOLÊNCIA DE GÊNERO CONTRA MULHER

LEI MARIA DA PENHA E VIOLÊNCIA DE GÊNERO CONTRA MULHER

Desde as primeiras civilizações a mulher sofre graves violações em seus direitos mais básicos, como direito a vida e a liberdade em razão da sua vulnerabilidade. Agressões físicas, psicológicas, sexuais e morais fizerem e ainda fazem parte da vida de muitas mulheres. A discriminação e violência praticadas pelas mais variadas formas contra as mulheres são manifestações de desigualdade de poder estabelecida ao longo da história entre homens e mulheres, essa desigualdade é fruto da cultura patriarcal e machista dominante na sociedade. Impõem-se nos costumes uma falsa ideia de superioridade dos homens e de inferioridade e subordinação das mulheres. A Lei Maria da Penha foi, com certeza, a maior conquista para as mulheres no Brasil, com sua promulgação a sociedade deparou-se com um novo mecanismo de proteção à mulher. No entanto, ainda há muito o que se fazer para que haja plena igualdade e respeito entre gêneros, as questões morais, históricas e culturais atrapalham a aplicação e eficácia total da legislação, o que dificulta o alcance de igualdade em nossa sociedade.
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A lei e as leis: cenários e cenas na aplicação da lei Maria da Penha

A lei e as leis: cenários e cenas na aplicação da lei Maria da Penha

Este artigo é uma versão revista e ampliada de um trabalho originalmente veiculado por nós quando da realização do 3o Encontro Nacional do Corpo Freudiano Escola de Psicanálise, que teve por tema “A psicanálise e Lei”. Nele, pretendemos nos debruçar sobre a interface entre Psicanálise e Direito, mais especiicamente nos ocuparemos de cenários e cenas que dizem respeito a aplicação da Lei 11. 340/06, que leva o nome de Lei Maria da Penha. Isso nos levará a uma discussão mais ampla acerca da própria feitura das Leis. O referencial teórico e metodológico do qual nos utilizamos para esse im tem por base as contribuições de Freud, Lacan, bem como de psicanalistas contemporâneos que tratam mais de perto das relações entre o Direito e a Psicanálise e entre a Lei e as leis.
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Do Acesso à Justiça na Lei Maria da Penha  Marcus Guimaraes Petean

Do Acesso à Justiça na Lei Maria da Penha Marcus Guimaraes Petean

14- Mais uma vez, saindo do âmbito do processo civil, o artigo “DO ACESSO À JUSTIÇA NA LEI MARIA DA PENHA”, de Marcus Guimarães Petean, analisa a aplicação do princípio do acesso à Justiça no âmbito penal, em especial nos processos que envolvem a aplicação da Lei Maria da Penha. Além disso, o artigo trata da isonomia que deve ser observada nos processos que envolvem a violência doméstica, o que permitiria que a lei fosse aplicada não apenas às mulheres mas, também, às pessoas que se identificam com o gênero feminino, como lésbicas e transexuais.
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Os sujeitos ativo e passivo na Lei Maria da Penha

Os sujeitos ativo e passivo na Lei Maria da Penha

DENEGADOS, SEJA PORQUE OS ATOS DA PACIENTE SÃO REPROVÁVEIS, POIS QUE CONTRÁRIOS AO ORDENAMENTO JURÍDICO, SEJA POR AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA. ORDEM DENEGADA. DECISÃO EM CONSONÂNCIA COM O PARECER MINISTERIAL. Louve-se a coragem cívica do autor da representação, em procurar resolver a questão que lhe aflige, na justiça; louve-se o nobre advogado que teve o necessário discernimento para buscar na Lei Maria da penha, arrimado no princípio da analogia, a proteção de seu constituinte, mesmo quando todas as evidências indicavam que a referida Lei não poderia ser invocada para proteger o homem, haja vista que esta norma veio e em boa hora, para a proteção da mulher; louve-se, por fim, o diligente e probo magistrado que ousou desafiar a Lei. Com sua atitude, o magistrado apontado como autoridade coatora, não só pôs fim às agruras do ex-companheiro da paciente, como, de resto e reflexamente, acabou por aplicar a Lei em favor da mesma. O raciocínio tem sua lógica, levando-se em conta que, em um dado momento, cansado das investidas, o autor da representação poderia revidar e, em assim agindo, poderia colocar em risco a incolumidade física da paciente. Da análise de todo o processado, não vislumbrei possibilidade de atender aos reclamos dos impetrantes, em favor da paciente, seja para afastar as medidas protetivas em favor do seu ex- companheiro, (afinal as atitudes da beneficiária do HC são reprováveis, posto que contra o ordenamento jurídico); seja para determinar o trancamento da ação penal. (lembremos que ao tempo da impetração não havia ação penal instaurada e mesmo que houvesse, não foi demonstrada a justa causa para tal). (TJMT; HC 6313/2008; Segunda Turma Recursal; Rel. Des. Sebastião Barbosa Farias; Julg. 09/06/2009; DJMT 24/06/2009; Pág. 35) .
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O dogma da formalidade visível e inoperante ante a constatação necessária de medidas reais ao combate da violência contra a mulher: Lei Maria da Penha (da igualdade formal à igualdade real-material)

O dogma da formalidade visível e inoperante ante a constatação necessária de medidas reais ao combate da violência contra a mulher: Lei Maria da Penha (da igualdade formal à igualdade real-material)

A violência contra a mulher no Brasil é um mal que atravessa os séculos. Está enraizada em uma retrógrada imagem em que a mulher era fantoche do homem, e, mesmo com a Declaração dos Direitos Humanos, o advento da Constituição Federal de 1988 e com tantos Tratados e Convenções In- ternacionais ratificados pelo Brasil, o quadro continua inerte. No intuito de inibir a violência afetiva, familiar e doméstica contra a mulher, foi promul- gada, em 2006, a Lei Maria da Penha, caracterizada, principalmente, pela sua dúplice função proteção/coibição. Todavia, como se trata de uma lei amparada em uma ação afirmativa que impõe medidas de diferenciação, muito se tem discutido a respeito de sua constitucionalidade. Portanto, o presente estudo propõe-se a construir uma reflexão, analisando os meca- nismos de proteção à mulher inseridos no corpo da Lei Maria da Penha, como institutos reais de combate ao dogma da igualdade formal visível (existente e inoperante), possibilitando alcançar à mulher um esboço da igualdade real-material.
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Centros de educação e reabilitação de agressores na lei Maria da Penha

Centros de educação e reabilitação de agressores na lei Maria da Penha

No terceiro capítulo, discute-se a prisão preventiva na Lei Maria da Penha, em caso de desobediência de medidas protetivas, correlacionando-a ao princípio da dignidade da pessoa humana. Para discutir a eficiência de uma política criminal penalizante e em prol da segregação do indivíduo, realizou-se uma breve análise criminal de ocorrências policiais registradas na Delegacia de Polícia Especializada no Atendimento à Mulher de Novo Hamburgo, no período de 01 de janeiro de 2011 a 31 de dezembro de 2012.

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OBRIGATORIEDADE DA AUDIÊNCIA DE RETRATAÇÃO PREVISTA NA LEI MARIA DA PENHA

OBRIGATORIEDADE DA AUDIÊNCIA DE RETRATAÇÃO PREVISTA NA LEI MARIA DA PENHA

Manifestação por escrito – invalidade: “A mens legis da norma expressa no art. 16 da Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha) é difi cultar a retratação (renúncia) da representação, a fi m de garanti r a completa independência da decisão da víti ma, ou seja, a retratação da representação foi dotada da máxima formalidade, somente podendo ser realizada perante o Juiz, em audiência designada especialmente para essa fi nalidade, após a ouvida do Ministério Público, a fi m de preservar a veracidade e a espontaneidade da manifestação de vontade da víti ma, impedindo que esta exerça a retratação em virtude de coação do ofensor. Assim, considerando que no presente caso a víti ma manifestou não possuir interesse no prosseguimento do feito através de declaração escrita, inadequada a decisão que exti nguiu a punibilidade do suposto agressor, porquanto impossível averiguar em que condições a ofendida expressou sua vontade, sendo imprescindível a realização de audiência preliminar” (TJRS, SER 70039511530, Comarca de Santa Maria, J. 17.03.2011, rel. Odone Sanguiné).
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A Lei Maria da Penha:

A Lei Maria da Penha:

O presente trabalho realizará uma análise crítica da Lei Maria da Penha demonstrando a ineficácia da prisão do ofensor em face da violência doméstica contra a mulher. O objetivo central deste artigo é comprovar que, embora a legislação tenha trazido alguns institutos importantes para o combate à violência doméstica contra a mulher (a concessão de medidas protetivas, formas de prevenção à violência doméstica e a possibilidade de criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher), o endurecimento legislativo não reduziu as agressões. Em combate a esse punitivismo, procura-se demonstrar alternativas ao encarceramento do agressor que podem auxiliar no fim da violência, já que a restrição de liberdade dos ofensores é extremamente ineficiente. Dessa forma, valendo-nos de dados estatísticos, exposição doutrinária e estudos de casos com a Justiça Restaurativa, foi possível concluir que o procedimento restaurativo pode ser uma solução ao combate da violência doméstica contra a mulher.
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Punir, Proteger, Prevenir? : a Lei Maria da Penha e as limitações da administração dos conflitos conjugais violentos através da utilização do direito penal

Punir, Proteger, Prevenir? : a Lei Maria da Penha e as limitações da administração dos conflitos conjugais violentos através da utilização do direito penal

Partindo-se da premissa de que não existe um conceito fechado e estanque de família, pode-se afirmar que esta categoria pode ser concebida de diversas formas. Assim, a ideia de “conflito violento familiar” pode ser compreendida de diferentes maneiras pelos operadores jurídicos responsáveis pela administração deste tipo de conflito, uma vez que a interpretação da categoria “familiar” irá variar de acordo com as diferentes concepções jurídicas e sociais internalizadas que irão dar conta da compreensão do fenômeno. Isto quer dizer que, excetuando-se aqueles casos em que a violência contra a mulher ocorreu em uma relação de conjugalidade heteronormativa, a vinculação do conflito com a Lei Maria da Penha irá depender de critérios variáveis, sendo possível a alegação de “conflito de competências” para os demais casos (em que uma irmão agrediu a irmã, entre um filho que agrediu a mãe, entre um casal homoafetivo, dentre outros). A alegação de “conflito de competências” diz respeito aqui à justificativa utilizada pelos magistrados quando acreditam ser necessária a redistribuição de processos judiciais recebidos na vara em que atuam para outra vara, que acreditam ter atribuição própria para a administração.
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ASPECTOS DIFICULTADORES DA APLICAÇÃO DA LEI MARIA DA PENHA

ASPECTOS DIFICULTADORES DA APLICAÇÃO DA LEI MARIA DA PENHA

No Brasil especificamente a realidade não era diferente e apenas em 2006 o Estado desenvolveu uma legislação especial para proteção das mulheres, a Lei 11.340/06, intitulada de Lei Maria da Penha, a qual é em homenagem a Maria da Penha - mulher que quase foi morta pelo marido e ficou com sequelas permanentes após as agressões. Apesar da criação de uma legislação especial para amparo de vítimas de violência doméstica, nota-se uma grande disparidade entre a letra da Lei e sua efetivação, seja por falta de estrutura para aplicação das previsões legais em sua integralidade (incentivo estatal insuficiente) ou e em razão de concepções sociais, pois, apesar de ter sido um imenso avanço feminino, ainda se percebe a hesitação da sociedade em aceitar a igualdade de gênero (razões culturais e históricas de preconceito).
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A VIOLÊNCIA SIMBÓLICA SOB A PERSPECTIVA DE PIERRE BOURDIEU E SUA APLICABILIDADE NO BRASIL QUANTO À ANÁLISE PROCEDIMENTAL DA LEI MARIA DA PENHA

A VIOLÊNCIA SIMBÓLICA SOB A PERSPECTIVA DE PIERRE BOURDIEU E SUA APLICABILIDADE NO BRASIL QUANTO À ANÁLISE PROCEDIMENTAL DA LEI MARIA DA PENHA

A Lei Maria da Penha surge em 2006 como um grande e importantíssimo instrumento para prevenir e combater os casos de violência doméstica que eram tratados por meio da entrega de cestas básicas pelos agressores, deixando a vítima da violência em total situação de vulnerabilidade. Os casos eram processados em Juizados Especiais Criminais, como crimes considerados de menor potencial ofensivo, o que culminava geralmente no arquivamento dos processos face ao agressor. Todavia, mesmo diante dos instrumentos disponibilizados pelo Estado para fins de proteção e repressão dessa forma de violência, das pesquisas realizadas nesse sentido, das propagandas divulgadas, enfim, das políticas públicas implementadas (que não diferem de outras no tocante ao pouco investimento público), não houve uma retração dos índices de violência contra a mulher, nem avanços na aplicação da Lei Maria da Penha.
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O princípio  da igualdade e a lei Maria da Penha

O princípio da igualdade e a lei Maria da Penha

52 A farmacêutica cearense Maria da Penha Maia Fernandes, após sofrer inúmeras agressões, acabou sendo vítima de duas tentativas de homicídio praticadas por seu marido, tendo, em face disso, ficado paraplégica. Embora as investigações tenham começado em 1983, tendo a denúncia sido oferecida em 1984, o réu respondeu a todo o processo em liberdade, e somente 19 (dezenove) anos e 6 (seis) meses após os fatos, em 2002, é que o mesmo foi preso, e embora tendo sido condenado a 10 (dez) anos e 6 (seis) meses de reclusão, ficou efetivamente preso por apenas 2 (dois) anos (DIAS, 2007, p. 13). O caso, todavia, ganhou repercussão internacional e chegou ao conhecimento da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos por meio de denúncia apresentada pela própria Maria da Penha, bem como pelo Centro pela Justiça e o Direito Internacional e pelo Comitê Latino-Americano e do Caribe para a defesa dos Direitos da Mulher. Em relatório sobre o caso, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA apontou que a ineficácia judicial, a impunidade e a impossibilidade de a vítima obter uma reparação mostram a falta de cumprimento do compromisso aceito pelo Brasil em tratados internacionais de reagir adequadamente ante a violência doméstica. A Comissão, por fim, recomendou ao Brasil uma reparação pronta e efetiva da vítima e a adoção de medidas, no âmbito nacional, para eliminar essa tolerância estatal em face da violência doméstica contra as mulheres (CUNHA, Rogério Sanches; PINTO, Ronaldo Batista. Violência doméstica: Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) comentada artigo por artigo. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2007.p. 12-14).
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Desafios na implementação da Lei Maria da Penha.

Desafios na implementação da Lei Maria da Penha.

Embora a Lei Maria da Penha estabeleça a competência civil e criminal para os Juizados Especializados de Violência Doméstica e Familiar, a grande maioria deles atua apenas na esfera criminal, obrigando as mulheres a ingressarem nas varas de família para os procedimentos de natureza não criminal. Com isso, inviabiliza-se a dupla jurisdição e rompe-se com a lógica da Lei Maria da Penha de evitar a peregrinação das mulheres em busca de justiça. A alegação para o descumprimento da lei é a de que os juizados e varas não possuem estrutura para atender a essa dupla demanda, já que as medidas pro- tetivas são inúmeras e abarrotam os juizados (BRASIL, 2013).
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Os homens no cenário da Lei Maria da Penha

Os homens no cenário da Lei Maria da Penha

Um reflexo dessa necessidade se verifica na inclusão de dois itens voltados para o atendimento aos homens na Lei Maria Penha. Além das punições mais rigorosas ao homem processado por cometer atos violentos contra a mulher (como a possibilidade de prisão e a proibição da doação de cestas básicas como pena), no último item do artigo 35 das disposições finais (Título VII), diz que o Estado Brasileiro poderá criar e promover, entre outras coisas, “centros de educação e de reabilitação para os agressores”. Há ainda a inclusão do parágrafo único ao artigo 152 da Lei de Execução Penal (Lei nº. 7210 de 11 de julho de 1984) no qual diz que “o juiz poderá determinar o comparecimento obrigatório do agressor a programas de recuperação e reeducação”. Vale ressaltar que não há nenhuma indicação ou explicação do que sejam esses “centros de reeducação”. Pode-se, inclusive, remeter essa “reeducação” à prisão, posto que, teoricamente, a cadeia tem como objetivo fazer com que o condenado restaure as normas sociais e se reabilite ao convívio social.
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Repercussões da Lei Maria da Penha no enfrentamento da violência de gênero.

Repercussões da Lei Maria da Penha no enfrentamento da violência de gênero.

Nos diferentes serviços, não havia protocolos de atendimento, registros dos casos atendidos para notificação dos casos e avaliação das medi- das adotadas. Também não encontramos descri- ção de planos terapêuticos e de cuidado e dos en- caminhamentos efetuados. Observamos aborda- gens díspares no que se refere à fundamentação teórica, que serve de subsídio às condutas práti- cas realizadas nas diversas instituições que pres- tam atendimento, encontrando-se desde os pro- fissionais ou operadores que acham que a culpa é da mulher até os que entendem a violência como uma doença a ser tratada. O processo de psicolo- gização e a assistencialização das mulheres em si- tuação de violência que ocorreu após a Lei Maria da Penha incentiva o encaminhamento de mulhe- res e agressores para atividades de apoio clínico, que pretendem tratar, e por vezes até curar, as sequelas individuais das violências 18,29 .
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