Organizações criminosas

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A EFICÁCIA DA COLABORAÇÃO PREMIADA NO COMBATE ÀS ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS
							| Anais do Congresso Rondoniense de Carreiras Jurídicas - ISSN 2526-8678

A EFICÁCIA DA COLABORAÇÃO PREMIADA NO COMBATE ÀS ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS | Anais do Congresso Rondoniense de Carreiras Jurídicas - ISSN 2526-8678

O Brasil passou assumir de forma lenta as organizações criminosas em seu território, pois isso era visto como uma coisa distante da realidade brasileira, porém, só com o surgimento de notícias sobre casos de tráficos de pessoas e drogas, execuções, corrupções e movimentações ilícitas de capitais cometidos por grupos de pessoas, onde se tornava visível até mesmo as pessoas mais simples que estas se organizavam com estrutura ordenada, divisão de tarefas e com finalidade de obter vantagens de qualquer natureza. Daí surge o clamor público, no sentido de forçar o legislador a criar novas formas de combate a estas práticas, surgindo às pressas a Lei 9.034/95, que veio com o objetivo de denominar esta forma de organização criminosa, porém, esta nasceu de forma muito tímida, não trazendo um conceito definido de Crime Organizado e não definindo os dispositivos, (ação controlada, infiltração, colaboração premiada, etc). Gomes (2009, s.p.), afirmou à época da vigência da lei que não tinha, no Brasil, uma lei que definia (texto lei explicativo) o conceito (a ideia) de crime organizado .
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Limites da produção da prova: a infiltração dos agentes policiais nas organizações criminosas

Limites da produção da prova: a infiltração dos agentes policiais nas organizações criminosas

Antes a redação do artigo 10, §3º, da Lei nº 12.850/13, que faz referência expressa ao prazo de até 6 (seis) meses, sem prejuízo de eventuais renovações, parece não haver dúvidas de que o prazo da infiltração pode ser renovado indefinidamente, desde que comprovada a indispensabilidade do meio de prova. Com a crescente profissionalização das organizações criminosas em nosso país, é no mínimo ingênuo acreditar que uma infiltração pelo prazo de 6 (seis) meses possa levar ao esclarecimento dos diversos crimes por ela praticados e à identificação de todos os seus integrantes. A depender da extensão, intensidade e complexidade das condutas delitivas investigadas, e desde que demonstrada a razoabilidade da medida, o prazo para a renovação da infiltração pode ser prorrogado enquanto persistir a necessidade da captação das comunicações telefônicas. De qualquer sorte, é no mínimo desaconselhável admitir infiltrações tão longas. A imersão pessoal do agente infiltrado dentro da organização criminosa e o nível de intimidade que se pode esperar de períodos tão extensos podem vir a fragilizar as investigações, expondo o infiltrado a toda sorte de cooptação. ” 72
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“Okaida” e “Estados Unidos”, organizações criminosas: a nova face da criminalidade na cidade de João Pessoa, Paraíba

“Okaida” e “Estados Unidos”, organizações criminosas: a nova face da criminalidade na cidade de João Pessoa, Paraíba

Ressaltando-se, porém, que as organizações criminosas contemporâneas se apresentam mais rigorosas, eficientes e com maior amplitude de ações, conforme entendimento de Carvalho (1994), de Souza (2006) e de Amorim (2010), em comparação à forma como atuavam as organizações de esquerda, pois o que se vê, atualmente, é, por vezes, as organizações criminosas substituindo o Estado em determinadas situações, cooptando o apoio das comunidades para suas ações, o que, historicamente, observa-se que superou os anseios dos que se contrapunham ao Regime Militar do Pós-Golpe de 64, no que tange o apoio e a arregimentação popular. Diante das controvérsias existentes entre os autores, compreende-se que, proposital ou não, o modus operandi dos criminosos comuns sofreu uma mutação e que essa mudança comportamental e nas suas ações coincidem com a reclusão dos presos políticos nas penitenciárias brasileiras durante o Regime Militar.
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As organizações criminosas: combate e repressão à luz da Constituição Federal Brasileira de 1988 MESTRADO EM DIREITO DAS RELAÇÕES SOCIAIS

As organizações criminosas: combate e repressão à luz da Constituição Federal Brasileira de 1988 MESTRADO EM DIREITO DAS RELAÇÕES SOCIAIS

Neste acordo, os países obrigam-se a realizar um intercâmbio de informações e dados, bem como tomar medidas conjuntas com vistas ao combate às seguintes atividades ilícitas: (i) contrabando de armas, munições e explosivos, (ii) falsificação e contrabando de produtos informáticos de todo tipo, (iii) atividades comerciais ilícitas por meios eletrônicos (transferências ilícitas de numerário, invasão de bancos de dados, pedofilia e outros), (iv) contrabando de bens culturais e históricos, bem como de pedras e metais À guisa de explificação, em 21 de agosto de 2001, o Brasil firmou acordo de cooperação com a República do Panamá, para combater organizações criminosas, em conformidade com os propósitos da Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional (Convenção de Palermo, de 2000), que veio a ser promulgado através do Decreto n° 5.814, de 26 de junho de 2006.
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Organizações criminosas e corrupção administrativa: a expressão do crime organizado endógeno ( um estudo de caso no município de Itaporanga, estado da Paraíba).

Organizações criminosas e corrupção administrativa: a expressão do crime organizado endógeno ( um estudo de caso no município de Itaporanga, estado da Paraíba).

O crime organizado compõe a nova face da criminalidade, apresentando-se as organizações criminosas como verdadeiras empresas, à medida que adotam métodos empresariais objetivando a maximização dos benefícios e a redução dos riscos das práticas delitivas, cujos agentes são criminosos profissionais, que atuam silenciosamente através da execução de fraudes diversas. Diante desta configuração recente, a compreensão do fenômeno criminológico organizado passa pela observação do lugar ocupado pelo Estado nas relações criminosas, o qual pode servir de facilitador para a execução dos esquemas ilícitos, ou ainda como nascedouro das organizações criminosas. Nesta esteira, partindo-se da análise das tipologias do crime organizado, a presente dissertação tem por escopo demonstrar a configuração de um crime organizado endógeno por meio do estabelecimento de organizações criminosas no aparelho administrativo estatal, de modo a ampliar a visão da criminalidade organizada, ainda predominantemente restrita ao modelo mafioso de organização criminosa. Para tanto, aborda-se a manifestação da corrupção administrativa por constituir elemento indissociável do crime organizado endógeno, perfazendo a atuação concertada de agentes públicos e privados. Identifica-se o setor das licitações públicas como ambiente favorável à atuação das organizações criminosas endógenas, porquanto possibilita a formação de uma rede de trocas de benefícios e de proteção entre agentes públicos e privados através das práticas de corrupção. A fim de comprovar empiricamente a manifestação da criminalidade organizada endógena, estuda-se caso ocorrido no setor das licitações públicas do município Itaporanga/PB, reproduzido em diversos outros municípios paraibanos, extraído de processos cível e criminal em tramitação na 14ª Vara da Justiça Federal em Patos/PB. Os resultados da pesquisa apontam para a existência de um crime organizado endógeno revelado na atuação concertada de mais de um agente público, geralmente em unidade de desígnios com agentes privados, e na presença da corrupção administrativa.
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A CORRUPÇÃO NO BRASIL E AS ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS ESPECIALIZADAS QUE DELA RESULTAM: Análise social e técnico-jurídica da ação de organizações criminosas na esfera licitatória brasileira

A CORRUPÇÃO NO BRASIL E AS ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS ESPECIALIZADAS QUE DELA RESULTAM: Análise social e técnico-jurídica da ação de organizações criminosas na esfera licitatória brasileira

Posta esta inexistência, o presente trabalho fixou como elo necessário a atuação do judiciário e sua força policial que tem ganhado autonomia operacional como forma de se construir um modelo de operação que consiga não apenas desbaratar as organizações criminosas que atuam na seara licitatória - observando que estas integram uma organização maior que atua na seara da corrupção organizada, enquanto um núcleo - mas para angariar as provas e indícios necessários de tal forma que a atuação dos Promotores do Ministério público seja voltada não somente à punição de determinados agentes da organização criminosa, mas que se oriente a auxiliar o Magistrado na configuração de uma fórmula jurisprudencial capaz de modular a incidência das normas viciadas postas pelo Legislativo de tal maneira a cobrir as lacunas normativas que causam as falhas sistêmicas pelo qual a corrupção se organiza.
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FATORES DE RISCO PARA O ENVOLVIMENTO  DE JOVENS COM ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS

FATORES DE RISCO PARA O ENVOLVIMENTO DE JOVENS COM ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS

Este artigo irá discutir os fatores de risco para o recrutamento de jovens por gangues e outras organizações criminosas, a partir das evidências encontradas por duas recentes Revisões Sistemáticas (Systematic Reviews) 4 . A definição de “gangue” nas Ciências Sociais não é pacífica, mas, na literatura especializada, tornou-se comum definir esse tipo de associação como grupos de jovens, entre 15 e 100 membros, na faixa dos 12 aos 24 anos, que compartilham elementos identitários como símbolos, tatuagens, cores ou territórios, com algum grau de organização e condensada performance criminal (Decker, Curry & Pyrooz, 2013). No caso brasileiro, a definição caracteriza tipicamente os grupos de jovens das periferias associados às facções criminosas que disputam posições no mercado ilegal da venda de drogas.
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Da lei 12.85013 e de suas inovações no combate às organizações criminosas

Da lei 12.85013 e de suas inovações no combate às organizações criminosas

Nesse sentido, no caso concreto em que dois indivíduos foram denunciados pelo crime de lavagem de dinheiro, tendo a denúncia descrito que existia uma organização criminosa que se valeria de uma estrutura de entidade religiosa e de empresas ligadas a esta para arrecadar grande quantidade de dinheiro, ludibriando fiéis mediante fraudes, desviando numerários oferecidos para finalidades ligadas à Igreja, a 1ª Turma do Supremo considerou que a conduta é atípica, devido a inexistência de conceito legal de organizações criminosas à época. O Supremo Tribunal Federal concluiu que o referido conceito não poderia ser extraído da Convenção de Palermo (Decreto nº 5.015/2004), pois estar-se-ia violando à premissa de não existir crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal (CF, art. 5º, XXXIX) 31
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Exclusão, ilegalidades e organizações criminosas no Brasil.

Exclusão, ilegalidades e organizações criminosas no Brasil.

e) Diferentemente do que Luhmann identifica em sociedades funcional- mente diferenciadas, no Brasil, o pertencimento à organização (criminal) não pressupõe como pré-condição, a capacitação escolar e a livre escolha de uma profissão. Por conseguinte, pode-se inferir que o recrutamento de novos membros pelas organizações criminosas surgidas dentro de um contexto de exclusão (como na América Latina) representa uma oportu- nidade de ganho monetário e de prestígio para a população socialmente destituída. Neste contexto específico, o critério de capacitação escolar e profissional é menos determinante para o ingresso dos novos membros. Traduzindo-se as indicações de Luhmann para uma abordagem empírica, seria oportuno apreender qual o código binário constitutivo das organizações do crime organizado que estabelece quem está incluído e excluído e garante a motivação individual e a seleção, bem como mapear os seus demais mecanismos estruturadores, que fecham e abrem fronteiras e interfaces com os outros sistemas sociais e o ambiente, quais sejam: as linkagens e a circulação entre o mundo lícito e ilícito, as decisões inter e intra-organizacionais (racionais ou não), as inovações requeridas pelo ambi- ente circundante, a existência de planificação das atividades.
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9133

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Faz-se, portanto, necessário, estudar a viabilidade e pos- sibilidade de legalização e utilização desses novos métodos de investigação que podem vir a ser utilizados no âmbito dos deli- tos econômicos. É o que se fará nos tópicos seguintes em rela- ção aos métodos previstos na lei brasileira de “combate às ações praticadas por organizações criminosas”, que são: o agente infiltrado, a ação controlada, a quebra de sigilo bancário e fiscal e a interceptação ambiental, sempre os confrontando com o núcleo dos direitos fundamentais, sem cujo respeito não há devido processo legal.
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De perto e de dentro: Globalização, violência e o poder das Facções Criminosas no Brasil

De perto e de dentro: Globalização, violência e o poder das Facções Criminosas no Brasil

O Brasil, por ser um país continental, enfrenta grandes dificuldades geográficas para controlar a criminalidade e, para, além disto, temos uma corrupção sistêmica estabelecida tanto nas instituições públicas como nas privadas, um problema que precisa ser veementemente combatido, pois o mesmo acaba por influenciar e colaborar no crime organizado e na criminalidade como um todo. Acima de tudo é necessário analisar o problema de uma forma mais ampla, procurando perceber o que influência o surgimento de novas facções criminosas, compreender como elas atuam e se relacionam entre si. Essas organizações criminosas são bem estruturadas, surgem em uma situação de total ausência estatal e atuam em diversas frentes criminosas, como o tráfico internacional de drogas e de armas, que são sua maior fonte de renda. Elas fornecem uma estrutura para que outros crimes sejam cometidos, tais como homicídios, assaltos, extorsões e sequestros, entre outros crimes, gerando quadrilhas especializadas em diversas áreas, o que contribui significativamente para o aumento da violência. Os números de mortes violentas intencionais no Brasil são números de guerra.
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Tal cenário alterou-se, parcialmente, com a edição da Lei nº 12.694, de 24 de julho de 2012, 4 que dispôs sobre o pro- cesso e o julgamento colegiado em primeiro grau de jurisdição de crimes praticados por organizações criminosas. Embora não trazendo uma norma incriminadora, nem definindo o tipo penal de organização criminosa, referida lei definiu, para os fins da decisão judicial objetivando instaurar um colegiado de primei- ro grau, que “para os efeitos desta Lei, considera-se organiza- ção criminosa a associação, de 3 (três) ou mais pessoas, estru- turalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou in- diretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prá- tica de crimes cuja pena máxima seja igual ou superior a 4 (quatro) anos ou que sejam de caráter transnacional” (art. 2.º). Todavia, a grande e mais significativa mudança ocorreu recentemente, com a Lei nº 12.850, de 2 de agosto de 2013, 5 que estabeleceu um conceito legal de organização criminosa, bem como tipificou o crime de organanização criminosa. Res- salte-se que na referida lei, embora haja, do ponto de vista ma- terial, a definição (art. 1º) e a tipificação (art. 2º) de organiza- ção criminosa, há um claro predomínio de aspectos processuais sobre os substanciais.
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XXVII ENCONTRO NACIONAL DO CONPEDI SALVADOR – BA

XXVII ENCONTRO NACIONAL DO CONPEDI SALVADOR – BA

Entra aqui outro debate que igualmente não cabe aprofundar neste trabalho, mas que é determinante para a percepção mais completa das organizações criminosas, que é a sua potência de influência na seara política, tamanha vem se configurando a sua organização, complexidade e força econômica. Portanto, é possível afirmar-se que além da atuação no sistema carcerário, nos espaços urbanos, também na esfera política pode se falar em alcance das organizações criminosas, o que, em termos práticos, só faz aumentar a zona de influência e a possibilidade de desenvolvimento dos negócios ilícitos.
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PRINCIPAIS MUDANÇAS NO ORDENAMENTO JURÍDICO  Elisa Nazareth Marques, Rafael Barreira Alves

PRINCIPAIS MUDANÇAS NO ORDENAMENTO JURÍDICO Elisa Nazareth Marques, Rafael Barreira Alves

Além disso, em seu art. 2º a nova lei traz à tipificação legal de Organizações Criminosas, tutelando em seu caput a paz pública. No entanto, no que tange a este bem jurídico tutelado alguns autores, assim como Bitencourt (2014, p. 99), defendem que o bem jurídico protegido não seria a “paz pública”, e sim o sentimento coletivo de segurança e de confiança na ordem e proteção jurídica, os quais são abalados pela conduta de associar-se de forma organizada para obter vantagem de qualquer natureza mediante prática de crimes, vez que segundo o mesmo:
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A VIOLÊNCIA EM INFÂNCIA DOS MORTOS DE JOSÉ LOUZEIRO

A VIOLÊNCIA EM INFÂNCIA DOS MORTOS DE JOSÉ LOUZEIRO

Nesses fragmentos, os perigos – como embarques clandestinos, tráfico de drogas, envolvimento com organizações criminosas e milícias – a princípio encarados como aventuras pelas crianças abandonadas, no romance, vão desencadeando prisões, torturas, sequestros, tiroteios e violências as mais variadas, que os jovens suportam e depois passam a praticar. Vítimas de violência simbólica, moral, psicológica, física e social, os meninos em situação de rua são constantemente contrapostos aos demais cidadãos, como ocorre no seguinte trecho: [...] nos seus onze anos de vida e pelo menos três de delinquência, Pixote pôs- se a pular [...], a rir das caras sérias, dos olhares raivosos. [...] Os sapatos de pano que calçava estavam se rasgando, a calça mostrava-lhe boa parte das canelas muito finas. Estendeu a mão amarela e suja, o homem gordo empurrou- o com indiferença (LOUZEIRO, 1977, p. 9).
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Atrás das grades: redes sociais, habitus e interação social no sistema carcerário do RN

Atrás das grades: redes sociais, habitus e interação social no sistema carcerário do RN

A presente tese procura discutir e compreender os diversos tipos de redes sociais e as formas de interação social presentes no sistema prisional do Rio Grande do Norte. Nossa problemática pautou-se no aumento significativo das taxas de encarceramento e de aprisionamento no Brasil e no mundo nos últimos dez anos. Também o surgimento de organizações criminosas que passaram, em certa medida, a controlar as prisões brasileiras, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), reflexo direto das péssimas condições das prisões brasileiras e do aumento da violência e criminalidade em nosso país. Para dar conta do problema, optou-se por utilizar as categorias analíticas de Michel Foucault (prisão e disciplina), Pierre Bourdieu (Habitus e Campo), Ervirng Goffman (Instituição Total, Interação, Fachada e Equipe) e de Mark Granovetter, Ricardo Abramovay e João Peixoto, entre outros, da Nova Sociologia Econômica (Redes, Nós e Laços) como principal suporte. Construiu-se também uma recapitulação histórica da prisão no Brasil e no Rio Grande do Norte até chegar ao nosso objeto. Este, em termos de pesquisa, qualitativa, mergulhou no universo da Penitenciária Dr. Francisco Nogueira Fernandes, conhecida como Penitenciária de Alcaçuz, localizada no município de Nísia Floresta, Rio Grande do Norte. Principal penitenciária do estado, Alcaçuz abriga seiscentos e quarenta e três apenados, divididos em cinco pavilhões, perfazendo o total de cento e quarenta e sete celas. Utilizando observação sistemática e entrevista s qualitativas semi-estruturadas como principais fontes de coleta de informações, buscou-se dar conta deste universo tão pouco analisado pelas Ciências Sociais. Percebemos que, indo ao encontro do cenário nacional, Alcaçuz descumpre flagrantemente o que está preconizado na Constituição Federal de 1988 e na LEP (Lei de Execuções Penais), desrespeitando os direitos dos indivíduos a um cumprimento de pena com um mínimo de dignidade. Mostrou-se que os indivíduos que perpassam pelo universo prisional advêm de um ambiente de sociabilidade violenta, sedo também possuidores de um habitus precarizado. A prisão, sendo espaço disciplinar e de um tipo específico de interação social marcado pelo controle, contribui para o aprofundamento desses habitus, mas mostrando que a mesma constitui-se também não como um espaço fechado em absoluto, mas um lugar onde perpassam redes e dinâmicas sociais próprias. Ao mesmo tempo, constatou-se que mais do que a presença de “grupos organizados” a prisão é espaço de interação social e de redes sociais que passam por dentro e for a de seu espaço.
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O crime organizado em perspectiva mundial.

O crime organizado em perspectiva mundial.

As razões para o crescimento do crime organizado são várias; por exemplo, a impunidade e a ineficácia da justiça criminal em coibir os cri- mes de elite, focando mais os crimes praticados por grupos desfavorecidos social e economicamente; o encurtamento da distância (espacial, social, cultural) entre os países, decorrente do fim da Guerra Fria e da globalização; a transnacionalização das organizações criminosas e a crescente demanda nas sociedades pelos produtos e serviços providos pelos grupos criminosos. [...] o crime organizado providencia produtos e serviços que têm frequentemente grande demanda a despeito das proi- bições legais. O fato de ele ocorrer em todas as sociedades por grupos de todos os tipos comprova que o mesmo não é estranho e não é uma conspiração contra o tecido social. Ele é, de fato, grande parte deste tecido. (Potter, 1994 apud Albanese; Das, 2003, p. 15, tradução nossa) 6 .
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Combate ao crime organizado: um estudo do PCC e das instituições do sistema de justiça criminal

Combate ao crime organizado: um estudo do PCC e das instituições do sistema de justiça criminal

Maltz acredita que os atributos de corrupção, violência, continuidade e envolvimento em múltiplos empreendimentos são características presentes em todas as organizações criminosas. Tod[r]

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Aquisição de medicamentos no setor público: o binômio qualidade - custo.

Aquisição de medicamentos no setor público: o binômio qualidade - custo.

O quadro é deveras desfavorável ao serviço público: de um lado fornecedores bem equipa- dos; de outro, uma organização constituída de servidores mal treinados e freqüentemente des- motivados, atendendo não aos interesses de seus clientes/usuários, mas sim exclusivamen- te a interpretações da legislação. Muito possi- velmente, um dos motivos que têm levado ao surgimento de alternativas administrativas, co- mo fundações de apoio, organizações sociais, cooperativas de gestão, entre outras, é a baixa resolutividade das atividades meio. Nas orga- nizações de saúde, pela natureza do objeto de trabalho, as contradições e o distanciamento entre o desejo do gestor e a realidade institu- cional são capazes de produzir malefícios in- calculáveis à saúde dos clientes/usuários do sistema. Quantos pacientes deixam de ser ade- quadamente tratados ou diagnosticados por falta de produtos indicados para tal finalidade?
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