pessoa/população em situação de rua

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Pés excluídos: o imaginário religioso da população em situação de rua em João Pessoa-PB

Pés excluídos: o imaginário religioso da população em situação de rua em João Pessoa-PB

O imaginário organiza as imagens produzidas pelo homo sapiens em seu trajeto antropológico. Esse processo ocorre em nível psicofisiológico em interação com o meio cósmico e cultural, ou vice-versa. Nesse processo, a imaginação tem a função de eufemização, por isso o homem cria imagens e símbolos para mediar a dura realidade do tempo e da inexorabilidade da morte. Quanto ao fenômeno “população em situação de rua”, compreende-se como sendo um grupo de pessoas que mora na rua e vive dela, geralmente, por vontade própria ou por razões alheias a sua vontade. Entrecruzando esses dois conceitos, este estudo teve como objetivo analisar as imagens simbólicas produzidas por pessoas em situação de rua para identificar seu imaginário religioso. Os sujeitos da pesquisa são os albergados da Casa de Acolhida da Prefeitura Municipal de João Pessoa e as pessoas que vivem em situação de rua no Mercado do Peixe de Tambaú, em João Pessoa-PB. Como aporte teórico, fizemos uso da Teoria Geral do Imaginário (TGI) elaborada por Durand (2002), que deu suporte à análise das imagens. Buscamos também o aporte da Análise do Discurso (AD) de linha francesa, com os conceitos defendidos por Foucault. O estudo foi desenvolvido a partir da pesquisa de campo, que é um dos delineamentos do método qualitativo. Os instrumentos da pesquisa foram a História de Vida dos depoentes e a aplicação de uma entrevista semiestruturada, os quais possibilitaram a coleta de dados referentes ao imaginário religioso das pessoas em situação de rua. No desenvolvimento da pesquisa, pudemos compreender a formação das imagens religiosas a partir da reflexologia e da arquetipologia; compreendemos ainda que o homem contemporâneo tem a necessidade de um (re)encontro com o sagrado, porque a espiritualidade faz parte de sua constituição. O resultado do estudo indicou que o imaginário religioso da população em situação de rua em João Pessoa-PB apresenta uma convergência das imagens diurnas e noturnas, uma vez que essas imagens apontaram para o alto, para a luz e, ao mesmo tempo, indicaram queda. Essas imagens são próprias do regime antitético – Regime Diurno. Por outro lado, as imagens convergiram para o centro, para a intimidade da moradia e da taça, que são a expressão da eufemização de imagens negativas da vivência nas ruas, próprias do Regime Noturno. O imaginário religioso das pessoas em situação de rua aqui analisado desvelou a religião sob um prisma prospectivo no que tange à busca por dias melhores e uma resignação quanto ao seu destino. Nessa relação entre os enunciados, encontramos o discurso religioso atravessado pelo sincretismo e pelo pluralismo com ênfase maior nas imagens do cristianismo.
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Experiência dos profissionais de saúde no cuidado da pessoa com tuberculose em situação de rua.

Experiência dos profissionais de saúde no cuidado da pessoa com tuberculose em situação de rua.

mulher com tuberculose instiga a reletir sobre a estigmatiza- ção e a rotulação do sujeito doente enquanto mulher e mais, mulher em situação de rua e portadora de TB. Nesse con- texto, a complexidade da situação de rua para as mulheres impõe ampliar o próprio conceito de cuidado, incorporando em sua essência a interdisciplinaridade, intersetorialidade e a questão de gênero. A situação de rua abre as portas para miséria da condição humana somada ao adoecimento por TB, esta tem sido uma questão complexa tanto para prois- sionais de saúde quanto para gestores. As ações de saúde do Estado e da sociedade civil, para esta população, geralmente ocorrem sob uma ótica assistencialista ou de políticas higie- nistas. Atuar nesse cenário desaiador, muitas vezes, pode não ser uma escolha proissional, mas um acontecimento. O desaio em conversar sobre saúde em meio à cena de drogas, encontrar-se com histórias de vida de/em contextos angus- tiantes são acontecimentos que exigem um exercício singu- lar marcado pela construção e desconstrução de valores (17) .
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Interfaces entre redução de danos e educação popular em uma instituição voltada para população em situação de rua em Sorocaba.

Interfaces entre redução de danos e educação popular em uma instituição voltada para população em situação de rua em Sorocaba.

Nessa reunião, também existe a “discussão de casos”, momento em que semanalmente pensam e discutem intervenções para/com pessoas em maior vulnerabilidade social e riscos. Podemos compreender essa prática pensando-a como uma intervenção articulada ao Projeto Terapêutico Singular (acima descrito) a partir de uma noção de Clínica Ampliada, uma visão de clínica não pensada a partir da racionalidade biomédica e baseada nos pressupostos: compromisso radical com o sujeito doente (que é visto de modo singular, como nas “discussões de casos” e no acompanhamento diário dos frequentadores); autorresponsabilização sobre os usuários dos serviços de saúde (na Associação, é um aspecto que é compartilhado com a própria pessoa, ela também se responsabiliza pelo seu cuidado); busca de ajuda em outros setores - intersetorialidade (tentativa de trabalho em rede foi percebida em diversos momentos); reconhecimento dos limites dos conhecimentos dos profissionais de saúde e das tecnologias por eles empregadas e busca de outros conhecimentos em diferentes setores (na própria reunião de equipe ou em momentos externos, a equipe discute sobre redução de danos e sobre o trabalho realizado); compromisso ético profundo que se faz na relação com o próprio frequentador do espaço quando é humanizado (BRASIL, 2007).
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UMA PROPOST A DE EQUIP AMENT OP ARA ATENDIMENT O À POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA NO CENTRO DE FOR TALEZA

UMA PROPOST A DE EQUIP AMENT OP ARA ATENDIMENT O À POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA NO CENTRO DE FOR TALEZA

Entretanto, se para os habitantes da cidade, as ruas podem evocar diversos significados, dentre os quais a austeridade do concreto, presente nos pisos e nas edificações. O mesmo é especialmente verdade para o desabrigado, que desenvolve uma sensibilidade ainda maior ante estes materiais. Material que pode traduzir-se na inércia e na impessoalidade do ambiente da urbe, também traz um potencial plástico, diferente da aparente imagem “inerte”. Tal “ambiguidade” estética, que combina sobriedade e potencialidade, oriunda da prevalência de material pesado e de tom frio (blocos de concreto e cobogós), pode ressoar com a proposta de transformação do próprio equipamento. Uma vez que a ambiência mais austera e “silenciosa”, onde predomina o cinza do concreto, em geral, associado às duras provações na vida na/da rua, pode ser retraduzida a partir de novos tipos de experiências. Até mesmo trazer tranquilidade e intimidade, dado que a habitação, concebida no CIANO, retoma a ideia de abrigo como lugar de repouso e intimidade. Sendo a socialização entre usuários, servidores e comunidade a tônica e o propósito do equipamento. A vivência em meio a essas ambiências em um contexto de respeito à pessoa pode ocasionar mudanças na perspectiva tanto do desabrigado, em relação à sua autoimagem, quanto dos signos que compõem o espaço urbano.
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POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA E QUESTÃO SOCIAL NO CENÁRIO BRASILEIRO

POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA E QUESTÃO SOCIAL NO CENÁRIO BRASILEIRO

Então, o segundo meio de executar o trabalho de inclusão social dessa população se dá a partir de uma relação de igualdade, onde o profissional se posiciona de forma acessível ao usuário, fazendo com que ele o perceba como um ser humano igual a ele, sem o peso da instituição. Além disso, com essa estratégia o profissional conquista a confiança do usuário fazendo-o perceber que ele está recebendo um direito, não uma ajuda concedida por piedade ou benevolência, aumentando as chances de estimular no usuário um sentimento de pertencimento e autonomia na sociedade. Tratando-o como uma pessoa que está passando por uma situação temporária e reparável, o usuário se livra dos estigmas e se predispõe mais facilmente a receber o atendimento de suas demandas. Mas, para isso, é necessário superar as relações de desigualdade contidas em muitos profissionais despreparados que atendem essas pessoas com humilhação e superioridade.
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A rua em movimento - experiências urbanas e jogos sociais em torno da população de...

A rua em movimento - experiências urbanas e jogos sociais em torno da população de...

Finalmente o desfile chega à Praça Patriarca, em frente à sede da Prefeitura. Só que isto não estabiliza a manifestação, o alvoroço permanece. É solicitada a entrada de uma comissão de seis pessoas para falar com o prefeito Kassab (vice-prefeito de José Serra, que assumiu a gestão quando o último tornou-se governador do Estado de São Paulo) e entregar uma lista de reivindicações. Tal audiência já havia sido solicitada com meses de antecedência pelo MNPR e era de grande importância. O vereador Paulo Teixeira (PT) havia apresentado um projeto de lei, proposto por alguns integrantes do MNPR, no qual estabelece que as empresas prestadoras de serviço para a Prefeitura ficam obrigadas a contratar 2% de pessoas em situação de rua para a execução das tarefas que exigem qualificação básica. O projeto, que tinha sido aprovado pela Câmara Municipal no dia anterior, dependia agora só da sanção do prefeito. Outra questão é que se pretendia dar uma edição do Dossiê Fórum Centro Vivo pessoalmente ao prefeito e fazê-lo da maneira formal. Daí a importância do encontro. Lá na porta de entrada da Prefeitura, um punhado de indivíduos reúnem-se para decidir quem vai integrar a comissão. E na confusão daquele instante, quase sai briga. Parece que uma pessoa queria falar com o prefeito “nem que fosse na força”. Integram a comitiva, então, quatro representantes da população de rua, um representante dos catadores de materiais recicláveis e o Padre Júlio Lancelotti, que só neste momento aparece como uma personagem mais ativa no cenário.
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Bioética e diversidade : condições de saúde da população adulta em situação de rua do Distrito Federal

Bioética e diversidade : condições de saúde da população adulta em situação de rua do Distrito Federal

No tecido social difuso que é a sociedade brasileira com suas grandes diferenças, particularidades culturais e riquezas inerentes ao seu povo e território, enredam-se desigualdades na sua estrutura econômico-social, providas por uma dinâmica de auto sustentação que se perpetua desde os tempos do Brasil Colônia. Nesse sentido, a pobreza, situações de miséria e exclusão persistentes são condições requeridas pelos processos ligados ao desenvolvimento socioeconômico que mantém certo grupo ou classe social conduzindo uma coletividade homogeneizada. Mas essa homogeneização é aparente, ou relativa a um momento histórico, pois, mesmo os segmentos sociais invisibilizados conduzem sua história, embora de forma marginal (no sentido etimológico da palavra: à margem), transformando a tessitura social com seus saberes e micro poderes, os quais consagram sua sobrevivência cotidianamente. Nesse contexto, a população em situação de rua é parte constitutiva da pobreza, da histórica exclusão social – ou da ordem econômica e social macro estruturada – e das condições de vulnerabilidade persistentes. Tais pessoas e grupo são vulnerados por sua própria condição e vulneráveis a todo e qualquer risco à sua saúde e integridade de pessoa, enquanto ser físico, emocional, social e dotado de inteligência (1). Em verdade, as capacidades humanas estão diretamente ligadas às oportunidades, e estas às condições socioeconômicas de indivíduos e grupos populacionais inteiros.
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Políticas para a população adulta em situação de rua: questões para debate.

Políticas para a população adulta em situação de rua: questões para debate.

serviço de Ouvidoria, onde o cidadão pode informar sobre acontecimentos, denunciar situações e propor atividades. No entanto, são muitas as críticas ao serviço de Ouvidoria por parte de alguns técnicos que com frequência veem nesse serviço uma forma de controle e ação destinada a pessoas incomodadas com a presença das pessoas em situação de rua. O CREAS Simone de Beauvoir é responsável por desenvolver ações de abordagem na área central da cidade (AP1) que é composta por quinze bairros. A equipe aborda mais de trezentas pessoas por mês. Em 2010 técnicos relataram que haviam abordado sete mil pessoas, porém os dados não são precisos quanto a quantas pessoas foram identificadas pela primeira vez e quantas eram já conhecidas do serviço. O serviço de abordagem é realizado cinco dias por semana nas ruas do Centro e costuma ser dividido em duas saídas por dia. O contato da equipe com uma pessoa começa com um diálogo, para preenchimento de um breve formulário sobre as características do lugar onde a pessoa foi encontrada e o modo como foi encontrada. Essas informações servem de base para o encaminhamento das pessoas encontradas aos outros serviços, conforme as necessidades e as demandas postas. Durante as saídas com a equipe do CREAS Simone de Beauvoir identificamos quatro tipos de encaminhamento para outros serviços: para o CRAF, ao serviço de saúde ESF POP RUA (Estratégia Saúde da Família para População em Situação de Rua), para o CREAS POP (CREAS População de rua), e para o DETRAN para providências de documentos. Há também encaminhamentos para projetos de acompanhamento para o pro- cesso de emancipação associando a frequência a vários cursos à estada em abrigos: cursos profissionalizantes, inserção no mercado de trabalho, cuidados de saúde e educação à convivência. Porém, conforme os entre- vistados, esses objetivos não são alcançáveis e, com frequência, para poder entrar em um programa existen- te é necessário possuir nível médio de estudo, situação rara entre a população em situação de rua do Rio de Janeiro.
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Imagens da população em situação de rua: 	A teologia pública na construção da cidadania

Imagens da população em situação de rua: A teologia pública na construção da cidadania

1RVVRREMHWLYRpDERUGDUD7HRORJLD3~EOLFDQXPDSHUVSHFWLYDGD construção da cidadania com a População em Situação de Rua em João Pessoa/PB. Tendo em vista a sociedade vigente ser plural, globalizada e secularizada, consideramos o papel da teologia na esfera pública para interagir com outros setores da sociedade visando romper as barreiras FRQIHVVLRQDLVSDUDFRQWULEXLUFRPDMXVWLoDVRFLDOHRVGLUHLWRVKXPD- nos. A pesquisa é descritiva e de campo; o instrumento foi a história de YLGDGRVVXMHLWRVHDDQiOLVHGDVLPDJHQVHGRGLVFXUVRIXQGDPHQWDGDQD Teoria Geral do Imaginário de G. Durand.
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DIREITOS HUMANOS DA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA? PARADOXOS E APROXIMAÇÕES A UMA VIDA DIGNA

DIREITOS HUMANOS DA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA? PARADOXOS E APROXIMAÇÕES A UMA VIDA DIGNA

de rua, declina de uma interrogação fundamental: O que leva uma pessoa à rua? Ao invisibilizar as causas estruturais e, estruturantes da situação de rua, o texto abraça uma concepção liberal e individualizante que culpa o sujeito pela situação em que se encontra. Vale ressaltar, ainda, que o texto é responsável por um deslocamento bastante raro no campo legal: quando não é a situação de rua que é tema da política, mas os seus supostos bene- ficiários. Legislando sobre pessoas e não sobre situações concretas, as posições de sujeito e identidades adquirem centralidade em todo o texto. Manejando, paradoxalmente, categorias flexíveis e dinâmicas tornadas estáveis, mas que ao mesmo tempo são possíveis de serem esgarçadas até o limite para incluir cada brasileiro, brasileira ou cidadão e cidadã estran- geiro no país que não tenha família, casa e trabalho, não é difícil perceber os limites e disputas com os quais a definição legal se depara no dia a dia.
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A VOZ DA SITUAÇÃO DE RUA NA AGENDA DE MUDANÇA SOCIAL NO BRASIL: UM ESTUDO DISCURSIVO CRÍTICO SOBRE O MOVIMENTO NACIONAL DA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA (MNPR)

A VOZ DA SITUAÇÃO DE RUA NA AGENDA DE MUDANÇA SOCIAL NO BRASIL: UM ESTUDO DISCURSIVO CRÍTICO SOBRE O MOVIMENTO NACIONAL DA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA (MNPR)

foco tratar-se de uma época inicial, da qual ela não fazia parte 18 . A categoria de Falante- Protagonista concentra o centro da narrativa, que nos mostra como a gênese da coordenação tem a ver com o trabalho de uma assistente social engajada, mas que representou então uma oportunidade para dar início à mobilização social; essa pessoa não é nomeada, mas caracterizada por funcionalização (VAN LEEUWEN, 2008), ou seja, quando a identificação é feita a partir de dada atividade social, o que nos aponta, por meio do discurso, tratar-se de uma força com a qual a luta do Movimento pode contar. Analisando os nexos de valor referentes, é possível notar a narrativização construída, na qual nos são oferecidos quadros temporais em que a assistente social acaba por assumir todo o protagonismo da formação da coordenação, com base em sua ‘busca’ (em “começou a ir”) e em seu interesse (“começou a se interessar”). Não nos é oferecida a oportunidade de saber como se deu a recepção e quem da situação de rua se destacou no período em que a assistente social ‘construiu’ o Movimento do Espírito Santo – pois essa é a percepção que podemos depreender após observar como as ações relativas ao MNPR, em sua origem, não se deram por meio do próprio grupo (ou de representantes) em situação de rua, mas sim de uma pessoa (a assistente social) engajada na causa do enfrentamento da situação de rua. No Brasil, a heterogeneidade que caracteriza a situação de rua – um “espaço social ocupado por aqueles que, em virtude de constrangimentos diversos, foram perdendo as condições de obter acesso a bens e referenciais sociais” (MELO, 2016, p 12) – oferece-nos uma pista para compreendermos as razões pelas quais, muitas vezes, a dianteira de algumas ações são tomadas por colaboradores (como no caso de Ee2). Como o discutido em trabalhos como Santos (2013) e Moraes (2016), a população em situação de rua está, em geral, cercada de pessoas alienígenas à condição de rua e que se envolvem com o discurso da mudança de realidade – seja por assistencialismo, seja por razões cidadãs – atuando diretamente na vida desse contingente populacional; ao mesmo tempo, como nos aponta Melo (2011), os trabalhos em parceria acabam, recorrentemente, não chegando a um nível satisfatório, uma vez que – como no caso com a relação com o Estado – da “mesma maneira que reconhecem determinadas necessidades, outras delas não são consideradas. (...) Características [que] criam uma ambiguidade.” (MELO, 2011, p. 168). Então, a participação de setores, como a universidade, na luta contra a progressão da situação de rua estabelece uma força complementar para essa intervenção junto à luta
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O processo saúde-doença-cuidado e a população em situação de rua

O processo saúde-doença-cuidado e a população em situação de rua

Se a ex clu são e o desam par o os igu alam frente aos olhares da sociedade de um a form a geral, algu n s f at or es os dif er en ciam : os m ot iv os qu e os levaram para a rua, o t em po de perm anência nela e o grau de vínculos fam iliares exist ent es. A int erface desses cont ribui para classificar o “ povo de rua” em t r ê s si t u a çõ e s d i st i n t a s: f i ca r n a r u a ( cir cunst ancialm ent e) , est ar na r ua ( r ecent em ent e) e ser d a r u a ( p er m an en t em en t e) . “ Ficar n a r u a” caracteriza transitoriedade, a pessoa possui ainda um proj et o de vida e m ant ém fort es vínculos fam iliares; “ est ar na rua” im plica na dim inuição do cont at o com a fam ília e o est abelecim ent o de novos vínculos na rua; “ ser da rua” traz em si a identidade e identificação co m a p r ó p r i a r u a , q u e p a ssa a ser o l u g a r d e referência e espaço de relações - o corpo se m odifica, bem com o as form as de conviver e ver o m undo ( 5) .
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População em vulnerabilidade, intersetorialidade e cidadania: articulando saberes e ações.

População em vulnerabilidade, intersetorialidade e cidadania: articulando saberes e ações.

rua e em extrema pobreza. Nessa perspectiva, as propostas focalizaram a criação de uma rede para articulação de setores da administração pública, organizações não governamentais e clubes ou associações de serviços. Foram propostas ações integradas entre as áreas de saúde, educação, esporte, cultura, meio ambiente e jurídica envol- vendo o poder executivo nas esferas municipal e estadual, além de clubes/associações, serviços. • GT 2 – Políticas assistenciais e dispositivos para a autodeterminação: as propostas abordaram a criação de serviços para o acolhimento humani- zado à pessoa em situação de rua (semelhante ao Programa Humaniza SUS); a criação de abrigos noturnos e de moradias temporárias ou de mé- dia/longa permanência; criação de programas para a promoção de capacitação profissional e atividades de geração de renda; a implantação de ações articuladas com o setor educacional, ampliando a alfabetização e educação de adultos para atender essa população; ações culturais e esportivas nos espaços urbanos; a criação e ma- nutenção de serviços de atenção à população em situação de rua em locais de fácil acesso, tal como a região central da cidade; e acesso universal aos serviços públicos.
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Cidade, População em Situação de Rua e Estudos Organizacionais

Cidade, População em Situação de Rua e Estudos Organizacionais

Uma segunda característica da estratégia pode ser pensada como a capacidade de estabelecer uma hierarquia. A estratégia visa a organizar. Logo, depende de um mando, seja de uma pessoa ou de um grupo de pes- soas. Sua característica precisa de uma noção de poder enquanto forma de exercer comando sobre o outro. Nas palavras de Mendonça (2012, p. 345) “a estratégia é o lugar do poder estabelecido, que estabelece as regras do jogo e delineia o desenho das interações”. Isso não indica que, na criação de uma estratégia, haja apenas uma pessoa ou um grupo sempre domi- nante. Como as estratégias são situacionais, o núcleo de dominantes pode mudar. Outra característica importante das estratégias é que objetivam sua automanutenção. Isto é, enquanto organizam e hierarquizam, buscam uma estabilidade de posições. O ponto forte, ou dominante da organização, deseja permanecer onde está. Para isso, omite fugas em seu sistema para manter seu lugar de poder e constroi formas de controle para que seja o tempo todo bem-sucedida em suas funções. Quanto mais formalizado o controle, mais a estratégia ganha força de permanência, e mais fomenta sua adesão.
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SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA INSTITUTO DE PSICOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA

SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA INSTITUTO DE PSICOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA

Há um número, cada vez mais considerável, de produções acadêmicas, jornais, documentários e outros múltiplos discursos tentando compreender a situação de rua, os motivos que levam até ela, e o que esta experiência acarreta. Cabe realçar, que durante a investigação dos referenciais teóricos, pude perceber que a maioria dos temas relacionados à população de rua tinha como motriz os processos de exclusão e inclusão e tratava da rua como um lugar indigno, violento e inconcebível para que uma pessoa habite. Portanto, tais questões encontradas na literatura especializada sobre o tema, implicitamente carrega um pedido de retirada dessas pessoas da rua, recorrendo muitas vezes à justificativa de que todos temos os direitos básicos assegurados pela Lei, e principalmente o direito à moradia. 4
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População em situação de rua: direitos humanos, políticas públicas e programas de housing first

População em situação de rua: direitos humanos, políticas públicas e programas de housing first

A segregação humana pautada em desigualdade socioeconômica prati- cada pela população da cidade é tão acentuada que a alocação de uma pes- soa em situação de rua em uma vida comunitária média pode contribuir para acentuar os traumas dessa pessoa quanto à exclusão. Assim, residências em áreas pobres de favela, ou mais heterogêneas como a Lapa, estão em teste. Até mesmo porque é onde é possível alugar apartamentos sem exigências formais de garantias legais. A metodologia original do projeto RUAS foi pautada, basi- camente, em torno de dois eixos centrais, quais sejam: (i) abordagem assisten- cial; e (ii) serviços sociais assistenciais — as rondas. A abordagem assistencial gera aproximação dos voluntários do projeto com pessoas em vulnerabilidade e risco. Nas rondas, acontece a aproximação, construção de banco e identifi- cação de potenciais participantes do Housing First. Em função da escassez de recursos, o projeto RUAS buscou candidatos menos disfuncionais. Entre os cri- térios: pessoas em condição de rua há mais de um ano, solteiro(a) e não apre- sentando nenhum sinal de dependência química ou deficiência. Essa triagem, na prática, revelou que não é garantia alguma de sucesso a escolha de pessoas menos disfuncionais. Após verificar a experiência internacional, o paradigma de seleção dos moradores mudou: pessoas que apresentam problemas men- tais, deficiência e dependência química. Nesse sentido, o projeto RUAS está, efetivamente agora, testando os critérios de seleção de candidatos conforme o modelo original.
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Health practices in contexts of vulnerability and neglect of diseases, people and territories: potentialities and contradictions in health care for homeless people

Health practices in contexts of vulnerability and neglect of diseases, people and territories: potentialities and contradictions in health care for homeless people

caminhar no sentido de consolidação, fortalecimento e inclusão de pessoas em situação de rua no rol efetivo das políticas de saúde, como também no seu oposto, ou seja, na reificação de sujeitos segmentados, cuja inclusão ocorre conjuntural e temporariamente, pois que induzida por incentivos financeiros a projetos específicos que sustentam serviços e profissionais especificamente a eles destinados. Os contornos, caminhos e sentidos assumidos pela política dependem da complexidade dos agenciamentos – técnicos, políticos e sociais, e da amplitude das conexões, em que um conjunto de elementos e atores desempenha papel de destaque na luta política, principalmente o dos movimentos sociais.
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População em situação de rua: como é retratada pela política social e pela sociedade e os impactos na sua participação

População em situação de rua: como é retratada pela política social e pela sociedade e os impactos na sua participação

A partir dos jornais publicados em 2007, ano da realização da 7ª Conferencia Municipal de Assistência Social, identifica-se 3 matérias relevantes para o estudo. Destas, duas estão relacionadas à denúncia e uma à identidade do morador de rua. Na matéria “Fecharam as Pontes. E Aí?” a população em situação de rua retrata as dificuldades de viver nas ruas, tentando dialogar com a sociedade e principalmente com o poder público. A partir do fechamento das pontes, muitos migraram para as praças, onde são vistos como incômodos pela sociedade em geral. A partir desta matéria, fazem propostas de soluções como: criação de programas para inclusão produtiva; cursos de capacitação profissional; a utilização de prédios e terrenos vazios como moradia e local de venda de artesanato; ampliação da rede de serviços e flexibilização nas regras de acesso; e mais respeito e diálogo por parte das autoridades. As sugestões mostram a importância dada ao trabalho como forma de solução e de acesso. Além dessas sugestões, a matéria ainda traz análises sobre o crescimento da população em situação de rua na cidade e a ocupação das praças por diversos grupos. Pede que a sociedade e principalmente as forças policiais atuem de forma a manter o respeito e o diálogo, criticando posturas imediatistas:
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Significados e práticas de saúde e doença entre a população em situação de rua em Salvador, Bahia, Brasil.

Significados e práticas de saúde e doença entre a população em situação de rua em Salvador, Bahia, Brasil.

Entre abrigados e não abrigados, a possibi- lidade garantida das três refeições entre os pri- meiros se diferencia da busca sempre constante por alimentação por aqueles que estão nas ruas. Como afirmam Ghirardi et al. 3 , o cotidiano da população em situação de rua está circunscrito a dois eixos, sendo o primeiro a busca por ali- mentos, meios para os cuidados com a higiene pessoal e lugares seguros para o descanso. O segundo eixo diz respeito à busca por trabalhos temporários ou atividades econômicas formais ou informais que propiciam a arrecadação de uma quantia pecuniária em troca de serviços prestados. Especialmente entre a população não abrigada, foram descritas diversas formas e es- tratégias para se conseguir alimentos entre as quais, doações de variadas origens (instituições de caridade, particulares ou restos de restauran- tes) que nem sempre disponibilizam comida em condições adequadas de consumo; o permane- cer próximo a locais que facilitem o acesso às doações; o restaurante popular (embora nem sempre tenham disponível R$ 1,00 para pagar) e a busca de alimentos no lixo ou em outros locais insalubres. Apesar das possibilidades descritas, alguns indivíduos relataram ter passado fome, especialmente quando recém chegados à situ- ação de rua ou quando não dispunham de re- cursos para se deslocar até locais onde poderiam conseguir alimento.
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Ordem e subversão nas cidades: um estudo sobre a população em situação de rua de Belo Horizonte

Ordem e subversão nas cidades: um estudo sobre a população em situação de rua de Belo Horizonte

Para estudar a população em situação de Rua em Belo Horizonte, utilizo os estudos sobre cidade a fim de captar as construções que cada elemento citadino tem sobre[r]

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