Top PDF A entrevista clínica no contexto do risco de suicídio

A entrevista clínica no contexto do risco de suicídio

A entrevista clínica no contexto do risco de suicídio

Em todas as três tentativas, Clóvis apresentou um alto grau de impulsividade, pois aproveitava o método disponível no local: “É no momento mesmo, só na hora. Eu vou lá e caço um jeito”. Apesar disso, apresentava ideação e vontade de morrer há muito tempo, desde seus 13 anos de idade: “Eu já tinha vontade de morrer para ver se os problemas acabavam. Eu não dava conta de conviver comigo mesmo”. Desde então, Clóvis frequentemente planejava, pensando em várias maneiras de morrer, como saltar de um prédio ou se jogar na frente de um carro, principalmente quando via uma oportunidade de fazê-lo. Alguns dias antes de sua primeira tentativa, buscou comprar veneno de rato em uma loja próxima, mas os donos do estabelecimento o conheciam e não quiseram vender para ele. Nessa época, Clóvis chegou a deixar cartas para a mãe pedindo perdão, agradecendo e despedindo-se daqueles que o haviam ajudado. Ele relata que um pouco antes da segunda tentativa de suicídio seu irmão achou as cartas, mas nada fez para ajudá- lo ou impedi-lo: “Ele só olhou e riu. Ele não deu muita importância e disse que eu estava ficando louco e que eu não era capaz de tentar”. Clóvis lembra de ter conversado com a ex- namorada sobre os pensamentos de morte e que ela teria dito que só Deus o salvaria. Apesar de perceber-se arrependido de ter conversado com eles, pensou em falar com outras pessoas também, mas não se sentia à vontade para isso.
Mostrar mais

176 Ler mais

A HISTÓRIA DA MORTE NO OCIDENTE E O CONTEXTO SOCIAL COMO FATOR DE RISCO PARA O SUICÍDIO

A HISTÓRIA DA MORTE NO OCIDENTE E O CONTEXTO SOCIAL COMO FATOR DE RISCO PARA O SUICÍDIO

Etimologicamente, o termo suicídio tem origem no latim, sui significa si mesmo e caedes se refere à ação de matar. Esse conceito foi publicado na Inglaterra no século XVII no livro “ReligioMedicin” por Sir Thomas Browne. Para Ferreira (1989) a palavra suicídio é descrita “como dar a morte a si mesmo”, ou ainda, “causar a própria ruína”. Embora existam várias termologias para definir o suicídio, é importante destacar que tais conceitos não são suficientes para elucidar os fatores etiológicos desse ato. Algumas definições, por exemplo, expõem o suicida como o único responsável pelos atos autodestrutivos, esquecendo, muitas vezes, de considerar os aspectos biopsicossociais, pois uma única definição para o ato cria uma concepção reducionista que limita os outros elementos que motivam a execução (MELEIRO et al., 2004)
Mostrar mais

17 Ler mais

A CONTRIBUIÇÃO DA ESCOLA PARA A PREVENÇÃO DO SUICÍDIO: UM ENFOQUE NOS FATORES DE RISCO

A CONTRIBUIÇÃO DA ESCOLA PARA A PREVENÇÃO DO SUICÍDIO: UM ENFOQUE NOS FATORES DE RISCO

A prevenção do suicídio requer a participação de diversos atores: família, comunidade e do Estado em seus diferentes equipamentos, principalmente de saúde e de educação. Neste trabalho em rede, a escola se destaca pela sua função formadora e pelo potencial do desenvolvimento de ações específicas neste contexto voltadas aos profissionais da escola, aos responsáveis e aos estudantes. Destacam-se aqui aquelas voltadas à promoção de saúde mental como estratégia universal e à prevenção dos fatores de risco e identificação de sinais de alerta para uma intervenção oportuna. Para tanto, é necessário que a comunidade escolar tenha informação e formação adequada no que se refere ao tema, a fim de que o tabu e o preconceito não se sobreponham à atenção e ao tratamento adequado e efetivo que as pessoas em risco necessitam.
Mostrar mais

19 Ler mais

FATORES DE RISCO PARA TENTATIVA DE SUICÍDIO: PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO BRASIL

FATORES DE RISCO PARA TENTATIVA DE SUICÍDIO: PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO BRASIL

O suicídio consiste num fenômeno único desde a motivação até o óbito, sendo a Tentativa de Suicídio (TS) o momento mais propício a intervenções em saúde. O artigo tem como objetivo evidenciar os fatores de risco para a TS revisando as produções publicadas no Brasil em 10 anos. Identificou-se prevalência de TS em mulheres, jovens, que vivem sozinhos, desempregados e com baixa escolaridade, fortemente relacionada a um contexto psicossocial de adoecimento e ao uso de drogas psicoativas. Entre os fatores de risco estão a falta de apoio social e espiritual, restrição de lazer e eventos estressantes. Os resultados indicam que a prevenção do suicídio deve ser mais valorizada do que o diagnóstico e o tratamento.
Mostrar mais

13 Ler mais

Avaliação do risco como estratégia de prevenção do suicídio :

Avaliação do risco como estratégia de prevenção do suicídio :

No começo, empenhei-me em questões abertas e pouco invasivas para a utente expressar espontaneamente os seus sentimentos e eu compreender a sua situação, deste modo questionei, “Como é que as coisas têm sido para si ultimamente?”. Quando abordada a tentativa de suicídio, debrucei-me em questões mais direcionadas, como “Tem pensamentos sobre acabar com a sua vida?”. Quando realizei estas perguntas, confesso que senti receio e alguma insegurança com a resposta que iria ouvir e com o que iria dizer a seguir. O meu receio tinha a ver com a sensação que a minha interpelação direta pudesse, ela mesma, despoletar o desejo de suicídio. Embora já detivesse os conhecimentos teóricos sobre a abordagem à pessoa com conduta suicida, nesse momento do meu percurso apercebi-me que eu própria mantinha ideias pré-concebidas sobre o direto questionamento da ideação suicida. Senti que tinha que clarificar o “suicídio” no meu mais íntimo, atribuindo ênfase as minhas emoções, valores e crenças. Contudo, a história de vida que ouvi, que incluía abandono, maus tratos, violações, sensibilizou-me, pois eu estava a escutar uma história de vida real e no contexto da conversa, que já ia longa, não estava a espera de ouvir aquela partilha. Suscitou-me alguma repugnância, raiva e revolta, no entanto consegui perceber que a senhora se sentia sem valor e com toda a sua história de vida percebi o seu sofrimento atroz com o qual ela não era capaz de lidar. No momento, tentei-me focar no seu contexto de vida e que eu estava ali para ajuda-la a ver os aspetos positivos/novas perspetivas e estratégias para conseguir superar as adversidades da vida. É de evidenciar os contributos do referencial teórico de Betty Neuman, que promove a perceção da pessoa cuidada como um parceiro ativo do plano de cuidados, detentor da sua singularidade, de forma a identificar os agentes de stress geradores de instabilidade com o intuito de potenciar os recursos internos da pessoa e restabelecer a adaptação e estabilidade. Numa abordagem gradual, através de questões neutras e pouco invasivas e progressivamente avançar para perguntas mais específicas e dirigidas.
Mostrar mais

99 Ler mais

Depressão e risco de suicídio entre profissionais de Enfermagem: revisão integrativa.

Depressão e risco de suicídio entre profissionais de Enfermagem: revisão integrativa.

Ao identiicar os estudos que se referem aos fatores que contribuem para acometimento da depressão e do risco para o suicídio entre os proissionais de enfermagem, eviden- ciou-se nesta revisão integrativa que a maioria 10 (50%) foi divulgado entre os anos de 2012 e 2014, que o país de maior publicação foi o Brasil, 11 (55%), seguido dos países Espanha 2 (10%), Taiwan 2 (10%), sendo a Austrália, Ca- nadá, Coreia do Sul, Estados Unidos da América e Turquia com 1 (5%) cada um, sugerindo que os pesquisadores no Brasil começam a apresentar interesse em compreender as implicações desses dois fenômenos no contexto de trabalho dos proissionais da enfermagem.
Mostrar mais

10 Ler mais

Fatores de risco para tentativa de suicídio : produção de conhecimento no Brasil

Fatores de risco para tentativa de suicídio : produção de conhecimento no Brasil

O suicídio consiste num fenômeno único desde a motivação até o óbito, sendo a Tentativa de Suicídio (TS) o momento mais propício a intervenções em saúde. O artigo tem como objetivo evidenciar os fatores de risco para a TS revisando as produções publicadas no Brasil em 10 anos. Identificou-se prevalência de TS em mulheres, jovens, que vivem sozinhos, desempregados e com baixa escolaridade, fortemente relacionada a um contexto psicossocial de adoecimento e ao uso de drogas psicoativas. Entre os fatores de risco estão a falta de apoio social e espiritual, restrição de lazer e eventos estressantes. Os resultados indicam que a prevenção do suicídio deve ser mais valorizada do que o diagnóstico e o tratamento.
Mostrar mais

13 Ler mais

Entrevista clínica com crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual.

Entrevista clínica com crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual.

espontâneas, que só ocorrem quando algum adulto suspeita e lhe faz perguntas. Embora, na maioria dos casos, haja forte tendência para negação, a vítima acaba revelando os abusos sofridos quando questionada algumas vezes, em geral porque não vê mais possibilidade de continuar negando. Também é comum que a criança oscile entre a negação e a reafirmação do abuso (Duarte & Arboleda, 2005; Furniss, 1993), o que provavelmente seja ainda maior gerador de ansiedade e sofrimento. No contexto de avaliação, no entanto, este comportamento pode ser repetido. Mesmo tendo sido encaminhada por suspeita ou por denúncia de abuso sexual, diante de uma pessoa desconhecida, a criança ou adolescente vítima pode inicialmente negar, não querer falar no assunto ou oscilar na apresentação de suas informações. Esta é uma atitude previsível, porque não está ainda vinculada ao profissional, precisa entender exatamente o que está ocorrendo e as conseqüências de suas declarações. Um aspecto emocional importante não pode ser esquecido quando do atendimento destes casos, ou seja, o perpetrador de violência é em geral alguém próximo com quem a vítima tem laços de afeto e confiança que foram rompidos ou pelo menos abalados. O(a) entrevistador(a) não pode exigir que em um primeiro contato seja instaurada uma relação de confiança consigo que é desconhecido(a). Um estudo que testou um método de avaliação em casos de suspeita de abuso sexual identificou que entre os 56 casos avaliados, 44 fizeram a revelação na entrevista inicial, enquanto que os demais só o fizeram na segunda entrevista ou mais (até seis entrevistas; DeVoe & Faller, 1999). Também meninos e meninas não diferiram na quantidade e no tipo de informação prestada sobre a violência sofrida. Tais resultados apóiam a noção de que crianças sexualmente abusadas podem requerer mais de uma oportunidade para revelarem a experiência de abuso sexual. Portanto, um modelo de avaliação baseado em apenas uma entrevista manteria algumas crianças em situação de risco (DeVoe & Faller). Portanto, a formação do vínculo de confiança com as crianças está relacionada com o tempo necessário para revelar o abuso aos entrevistadores. A vítima precisa sentir-se segura e confortável na presença da pessoa que irá entrevistá- la, para poder compartilhar situações que geram ansiedade e sofrimento.
Mostrar mais

8 Ler mais

FATORES DE RISCO E PROTEÇÃO PARA O SUICÍDIO NA ADOLESCÊNCIA: uma revisão de literatura

FATORES DE RISCO E PROTEÇÃO PARA O SUICÍDIO NA ADOLESCÊNCIA: uma revisão de literatura

Resumo: ​Este estudo pretende analisar os fatores de risco e proteção relacionados ao suicídio na adolescência. A revisão de literatura utilizou as bases de dados da Biblioteca Virtual da Saúde, Biblioteca Eletrônica Científica Online (Scielo) e Lilacs, envolvendo artigos dos últimos dez anos (2009-2019), no idioma português. Dentre os 186 artigos encontrados, foram utilizados 18 artigos, selecionados a partir dos critérios para inclusão neste estudo.A adolescência é uma fase na qual ocorrem diversas mudanças, entre alterações físicas e psicológicas. Nesta passagem do ciclo vital, o adolescente está redescobrindo sua sexualidade e se reafirmando como jovem, desenvolvendo novos vínculos sociais, estando, assim, mais suscetível para se expor a comportamentos de risco. Destaca-se aqui neste estudo os fatores de risco relacionados ao suicídio na adolescência, dentre eles, características de personalidade, transtornos mentais, doenças físicas orgânicas, estressores familiares, violência intrafamiliar, estressores escolares, comportamentos de risco, estressores psicossociais, fatores psicológicos e estressores sócio econômicos. Dentre os fatores de proteção, destaca-se características individuais, apoio familiar e apoio social.Os resultados deste trabalho indicam a importância de fortalecer o papel da família e da escola, principalmente em relação ao estabelecimento de vínculos com os adolescentes, pois observa-se que o contexto familiar e escolar podem atuar como risco ou proteção, dependendo da qualidade das relações estabelecidas nestes ambientes.
Mostrar mais

16 Ler mais

Detecção do risco de suicídio nos serviços de emergência psiquiátrica.

Detecção do risco de suicídio nos serviços de emergência psiquiátrica.

Objetivo: Auxiliar o proissional de saúde na identiicação dos fatores de risco e de proteção, e no manejo de pacientes com risco de suicídio, por meio de entrevista clinica, no contexto de emergência médica. Método: Revisão seletiva da literatura para identiicar achados clínicos relevantes e ilustrativos. Resultado: A entrevista clinica é o melhor método para avaliar o risco suicida e tem dois objetivos: 1) apoio emocional e de estabelecimento de vínculo; 2) coleta de informações. Existe um número considerável de informações a serem coletadas durante a entrevista: fatores de risco e proteção (predisponentes e precipitantes), dados epidemiológicos, caracterização do ato, aspectos psicodinâmicos, antecedentes pessoais e familiares, modelos de identiicação, dados sobre saúde física e rede de apoio social. Diiculdades ao longo da entrevista serão encontradas, mas com conhecimento e treinamento adequado, o proissional poderá abordar e ajudar adequadamente o paciente. Embora várias escalas tenham sido propostas, nenhuma delas demonstrou eiciência para a detecção de risco de suicídio. Conclusão: Não há como prever quem cometerá suicídio, mas é possível avaliar o risco individual que cada paciente apresenta, tendo em vista a investigação detalhada e empática da entrevista clinica. Impedir que o paciente venha a se matar é regra preliminar e fundamental.
Mostrar mais

9 Ler mais

Detecção do risco de suicídio nos serviços de emergência psiquiátrica

Detecção do risco de suicídio nos serviços de emergência psiquiátrica

Objetivo: Auxiliar o proissional de saúde na identiicação dos fatores de risco e de proteção, e no manejo de pacientes com risco de suicídio, por meio de entrevista clinica, no contexto de emergência médica. Método: Revisão seletiva da literatura para identiicar achados clínicos relevantes e ilustrativos. Resultados: A entrevista clinica é o melhor método para avaliar o risco suicida e tem dois objetivos: 1) apoio emocional e de estabelecimento de vínculo; 2) coleta de informações. Existe um número considerável de informações a serem coletadas durante a entrevista: fatores de risco e proteção (predisponentes e precipitantes), dados epidemiológicos, caracterização do ato, aspectos psicodinâmicos, antecedentes pessoais e familiares, modelos de identiicação, dados sobre saúde física e rede de apoio social. Diiculdades ao longo da entrevista serão encontradas, mas com conhecimento e treinamento adequado, o proissional poderá abordar e ajudar adequadamente o paciente. Embora várias escalas tenham sido propostas, nenhuma delas demonstrou eiciência para a detecção de risco de suicídio. Conclusão: Não há como prever quem cometerá suicídio, mas é possível avaliar o risco individual que cada paciente apresenta, tendo em vista a investigação detalhada e empática da entrevista clinica. Impedir que o paciente venha a se matar é regra preliminar e fundamental.
Mostrar mais

9 Ler mais

Os direitos humanos de pacientes em risco de suicídio no Brasil

Os direitos humanos de pacientes em risco de suicídio no Brasil

elementos interligados aos direitos humanos, merecem especial atenção. Verificam-se, cotidianamente, no contexto dos cuidados ao paciente, variadas violações de direitos humanos. Tais abusos, consubstanciados na ofensa ao direito à privacidade, à confidencialidade de informações pessoais, na prática de atos discriminatórios, no tratamento desumano ou degradante, no desrespeito à autodeterminação e à escolha esclarecida, dentre outros, não apenas violam os direitos, como também impactam negativamente nos resultados do tratamento (9). Nessa linha, cumpre assinalar que os direitos humanos dos pacientes compreendem direitos previstos em normas internacionais que se conectam diretamente com o contexto dos cuidados em saúde dos pacientes: direito à vida; direito a não ser submetido à tortura, ou a tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes; direito à liberdade e segurança pessoal; direito ao respeito à vida privada; direito à informação; direito de não ser discriminado; e direito à saúde.
Mostrar mais

10 Ler mais

Preferência musical e risco de suicídio entre jovens.

Preferência musical e risco de suicídio entre jovens.

Como contribuições da presente pesquisa, pode-se des- tacar que foi empiricamente verificado que: (a) a preferência musical relacionou-se ao risco de suicídio; b) a preferência musical agiu como um preditor para o risco de suicídio; (c) verificando-se estas relações, enunciadas nas letras (a) e (b), especificamente em uma amostra do contexto do Nordeste brasileiro, de jovens que têm como referência principal de comunicação a língua portuguesa. Neste sentido, possivel- mente, ter verificado relações entre preferência musical e risco de suicídio nesse contexto seja o principal contributo deste estudo. Neste marco, corroborou-se a correlação po- sitiva entre preferência por rock e heavy metal e risco de sui- cídio, observada nos estudos prévios 1,2,9,12 e que obviamente
Mostrar mais

8 Ler mais

Risco de suicídio em idosos: estudo comparativo entre o Alentejo e o Algarve

Risco de suicídio em idosos: estudo comparativo entre o Alentejo e o Algarve

O estudo de Vieira (1996) sustenta que a institucionalização é vivenciada como stressante, podendo contribuir para o desenvolvimento de sintomatologia depressiva, uma vez que, o idoso experiencia alterações no seu meio social e na sua vida. Contudo, esta hipótese apenas se verifica quando os idosos se encontram em situação permanente na instituição, apresentando níveis de sintomatologia depressiva mais elevados do que aqueles que apenas se encontram em centro de dia. Considera-se que a permanência íntegra na instituição pode sugerir alguma predisposição para o desenvolvimento da perturbação, uma vez que se encontram afastados das suas casas, numa rotina própria do lar e consideravelmente diferente do contexto familiar (Salgueiro, 2007).
Mostrar mais

141 Ler mais

Necessidades interpessoais e risco de suicídio numa amostra clínica de idosos

Necessidades interpessoais e risco de suicídio numa amostra clínica de idosos

O envelhecimento acarreta mudanças no padrão das doenças e na frequência das incapacidades. A auto-suficiência no cuidado de si próprio e em atividades realizadas no contexto do domicílio, ou em outras que envolvam deslocação é muito importante para o idoso. O índice de dependência dos idosos é, em Portugal, de 19,26%, atingindo no sul do país (Algarve e Alentejo) os 27,17%, zona onde o índice de envelhecimento também é superior à restante população portuguesa (Almeida, & Quintão, 2012). Segundo Sequeira (2010), entende-se dependência como a incapacidade do indivíduo para alcançar um nível de satisfação aceitável relativamente às suas necessidades, pelo facto de se encontrar impossibilitado de adotar comportamentos ou realizar tarefas sem a ajuda de outros (Drago, & Martins, 2012). Esta limitação em atividades quotidianas foi significativamente associada com a ideação suicida em idosos, pelo que a dependência funcional pode ser considera um fator de risco para ideação suicida nesta faixa etária (Park, 2014). Esta dependência contribui para a perceção do idoso de ser um fardo, com falta de autonomia e de controlo pessoal (Van Orden, & Conwell, 2011). Em contraste, a presença de autonomia percebida parece ser um fator protetor contra o desenvolvimento de ideação suicida na presença de deficiências funcionais. Por outro lado, o estudo sugere que, a presença de ligações sociais parece funcionar como um “amortecedor” contra os efeitos da dependência funcional no risco de suicídio (Van Orden, & Conwell, 2011).
Mostrar mais

61 Ler mais

Suicídio de mulheres em um contexto psicossocial

Suicídio de mulheres em um contexto psicossocial

Introdução: O suicídio é um ato intencional e deliberado de pôr fim a própria vida. Diversos fatores estão relacionados a este tipo de morte autoprovocada, incluindo os fatores biológicos, psicológicos e sociais, configurando-se como grave problema de saúde pública, no Brasil e no mundo, destacando-se o suicídio feminino como interface ainda pouco explorada. Objetivo: conhecer o contexto psicossocial de mulheres que cometeram suicídio na cidade de Caicó estado do Rio Grande do Norte (RN). Método: Tratou-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa, ancorada no método da autópsia psicossocial, buscando singularidades das dimensões femininas frente ao suicídio. Para tanto, foram entrevistados seis familiares de mulheres que cometeram suicídio no período de 2011 a 2016. Utilizou-se como técnica de coleta de dados a entrevista em profundidade com roteiro semiestruturado. A análise do material coletado se deu através da análise temática de conteúdo. Resultados: a análise dos dados resultou em três categorias temáticas: 1) Comportamento suicida na trajetória de vida das mulheres; 2) Transtornos mentais e suas relações sociais com o suicídio; 3) Conflitos familiares e questões de gênero instituídas. Considerações finais: Na trajetória de vida das mulheres que se suicidaram, identificou-se presença de ideação suicida e tentativa prévia ao ato, transtorno mental como depressão e esquizofrenia, além de situações conflitantes no seio familiar aliados a desigualdades de gênero e violência intrafamiliar. Evidenciou-se a necessidade de repensar políticas públicas de prevenção do suicídio em um plano coletivo e abrangente que possa atender especificidades de mulheres inclusive em áreas interioranas, bem como potencializar os dispositivos de saúde já existentes, ampliando à Atenção Básica em Saúde como norteadora de ações nos planos de identificação do risco suicida e de intervenções planejadas.
Mostrar mais

78 Ler mais

Risco de suicídio em gestantes de alto risco: um estudo exploratório.

Risco de suicídio em gestantes de alto risco: um estudo exploratório.

As gestantes foram inicialmente esclarecidas sobre o propósito do estudo e consentiram em participar. Os critérios de inclusão adotados foram: gestações únicas; membranas íntegras; ausência de anormalidades fetais congênitas ou cromossômicas; e gestação de alto risco, isto é, complicada por intercorrência clínica e/ou obs- tétrica. Os critérios de exclusão foram malformação ou anomalia fetal diagnosticada após o nascimento. Os dados foram coletados por meio de entrevistas se- miestruturadas conduzidas com as gestantes enquanto aguardavam pela consulta no ambulatório de pré-natal. A entrevista teve duração aproximada de trinta minutos.
Mostrar mais

5 Ler mais

Prevenção do suicídio em contexto comunitário e em contexto hospitalar

Prevenção do suicídio em contexto comunitário e em contexto hospitalar

Segui uma sequência de apresentação de acordo com a Metodologia de Projeto, e suas diferentes fases em cada contexto onde realizei o estágio, desde a análise de ambos os contextos, conceção e fundamentação das estratégias de aquisição de competências, definição de objetivos, planeamento, implementação, avaliação e controlo, apresentação e divulgação de resultados. Está dividido em 10 grandes capítulos, iniciando com a Análise do Contexto (capítulo 1), com a identificação e caracterização dos locais de estágio e da população alvo. Seguido da Descrição e Fundamentação do Processo de Aquisição de Competências (capítulo 2), onde se descreve como foi estruturado o estágio de forma a adquirir as competências a que me propus. No capítulo 3, far-se-á um Enquadramento Teórico e Conceptual sobre a temática do Suicídio, sua Prevenção e seu enquadramento nas teorias de enfermagem e atitudes dos enfermeiros perante este fenómeno. Os capítulos 4 e 5 correspondem, respetivamente, ao Planeamento e Implementação das Estratégias de Intervenção Terapêuticas utilizadas durante o estágio do Ensino Clínico em ambos os contextos, seguindo-se uma descrição do processo de Avaliação e Controlo (capítulo 6), da implementação dessas estratégias e dos Resultados desses Intervenções (capítulo 7). As Questões Éticas que foram surgindo serão apresentadas no capítulo 8 e no capítulo 9, destaco a Análise das Competências Adquiridas, como ponto primordial deste relatório, pois é todo o processo de aquisição dessas competências, que ele traduz. Finalizo com uma Conclusão (capítulo 10), que será uma reflexão geral sobre todo este processo, que culmina com este RELATÓRIO, mas não estará jamais finalizado, pois a aprendizagem e aquisição de competências, FOI, É e SERÁ uma continuidade de vivências e experiências que espero continuar a abraçar ao longo da minha vida, pessoal e profissional.
Mostrar mais

225 Ler mais

Jurupari se suicidou?: notas para investigação do suicídio no contexto indígena.

Jurupari se suicidou?: notas para investigação do suicídio no contexto indígena.

Considerando que Jurupari agiu de modo a promover a sua morte, ao revelar a forma como po- deria ser morto, foram outros que efetivamente lhe jogaram na fogueira. Aqui, parece estar implícito um aspecto importante da perspectiva sociocósmi- ca de diferentes povos indígenas sobre o processo saúde-doença e morte. Mesmo que a pessoa possa ser responsabilizada em algum grau pelo seu infor- túnio quando, por exemplo, desrespeita normas que regulam sua relação com os outros seres que habi- tam o mundo – humanos ou não –, nas terras baixas sul-americanas, a doença e a morte são em última instância fruto da agência exercida por outros – sejam eles seres espirituais que habitam o cosmos, sejam feiticeiros de outros grupos (Buchillet, 2004). A ideia que o suicídio seria fruto da ação de um terceiro e não exclusivamente da pessoa que morreu é recorrente nos estudos etnográficos que se debru- çam sobre os sistemas sociocósmicos dos povos indígenas. Entre os Tikuna do Alto Solimões, por exemplo, os afins (sogros, cunhados, etc.) emergem como um outro perigoso. Esse perigo é expresso in- clusive por meio de um mito que narra a história de um sogro que devorava os candidatos a seus genros.
Mostrar mais

13 Ler mais

Risco de suicídio e comportamentos de risco à saúde em jovens de 18 a 24 anos: um estudo descritivo.

Risco de suicídio e comportamentos de risco à saúde em jovens de 18 a 24 anos: um estudo descritivo.

um estudo longitudinal com 1.200 jovens adul- tos examinou a associação entre o tabagismo e risco de suicídio, e como resultado, foi verificado que fumar diariamente foi relacionado ao risco de suicídio independentemente de transtornos mentais 20 . Outro estudo, realizado na Suíça, in- vestigou a associação entre tabagismo e história de tentativas de suicídio em uma amostra de 180 adultos hospitalizados. O tabagismo foi signifi- cativamente associado com história de tentati- vas de suicídio 21 . Há uma escassez de dados na literatura que relacione risco de suicídio a outras drogas. Neste estudo estiveram associados ao ris- co de suicídio o abuso ou a dependência de taba- co (15,4%), álcool (13,4%), cocaína (30,3%), crack (37,5%), maconha (26%), anfetamina (40%) e se- dativos (34,4%). Estudos retrospectivos relatam não somente a presença de abuso ou dependência de álcool e outras drogas antes do incidente sui- cida, como também o aumento do consumo por ocasião do incidente 22 . Foi observado que entre os jovens com risco de suicídio, é alto o índice dos que faziam uso de crack e de anfetaminas. Tal dado é preocupante visto que o uso dessas subs- tâncias vem aumentando nos últimos tempos, a primeira de forma ilícita e a segunda, lícita, na venda de medicamentos.
Mostrar mais

8 Ler mais

Show all 10000 documents...