Top PDF Aharon Appelfeld: língua e identidade.

Aharon Appelfeld: língua e identidade.

Aharon Appelfeld: língua e identidade.

O tempo passado no serviço militar é um momento de revi- ravolta em sua vida; durante esse período ele vive a revelação de que não precisa fazer esforço para esquecer ou para lembrar. O que está destinado a ficar na memória e a constituir uma base para o futuro perdurará. O que está destinado ao esquecimento desapa- recerá para sempre. O esquecimento e a lembrança só podem se manifestar espontaneamente, sendo qualquer tentativa de mani- pulação um fator de inibição. A emoção (positiva ou negativa) é espontânea, é uma forma de dominar de uma maneira profunda os sentidos do mundo: “pela palavra, as emoções e as percepções se tornam as conotações e denotações das significações linguísticas e assim começa a compreensão do mundo e sua apreciação”.* A palavra é ao mesmo tempo concreta e abstrata. É por essa razão que a aproximação com a nova língua em um contexto cultural, e não estritamente técnico, é a única durável e credível, pois “somente os sentimentos e as ideias originadas a partir de algo concreto têm o direito de existir”.* Ou: “O destino do abstrato é ficar colado a nós em um primeiro momento, para desaparecer em seguida. Somente as palavras que criam imagens ficam em nossa memória. Todo o resto não tem nenhuma importância”.* Teorias antagônicas em relação à função da palavra, como o platonismo e o empirismo, se encontram na ideia wittgensteiniana sobre a interiorização da lin- guagem tanto na experiência individual quanto na maneira pessoal de usar as palavras. As línguas faladas anteriormente ao hebraico são lugares simbólicos da consciência, da coagulação de um “eu” nas- cente, de uma identidade não unitária, porém não ausente, e for- temente personalizada, o que constitui um benefício para o artista.
Mostrar mais

8 Ler mais

O homem na língua: o dialeto como índice de subjetividade e identidade cultural

O homem na língua: o dialeto como índice de subjetividade e identidade cultural

A teoria traçada neste trabalho gira em torno do axioma enunciativo de Benveniste (2005, 2006, 2014): enun- ciação é o colocar em funcionamento a língua por um ato individual de utilização. Com base em uma pesqui- sa qualitativa do tipo estudo de caso, realizada em duas capitais nordesti- nas, Recife e Salvador, baseada nas orientações de Cardoso (2010) e nos estudos de Benveniste (2005, 2006), identificamos nuances que permeiam a fala de dois espaços próximos, mas, ao mesmo tempo, com características socioculturais distintas. Nosso obje- tivo é revelar que a enunciação tem valores semióticos e semânticos, que marcam o sujeito no discurso, desta- cando o dialeto não apenas como traço linguístico de uma comunidade, mas carregado de sentido para os usuários da língua, que, ao mesmo tempo, rea- firma a sua identidade cultural.
Mostrar mais

19 Ler mais

CONEXÕES ENTRE LÍNGUA E IDENTIDADE: UM OLHAR ACERCA DOS ESTUDOS DE LABOV EM MARTHA´S VINEYARD, E A RELAÇÃO ENTRE O NEGRO E A LINGUAGEM EM FRANTZ FANON

CONEXÕES ENTRE LÍNGUA E IDENTIDADE: UM OLHAR ACERCA DOS ESTUDOS DE LABOV EM MARTHA´S VINEYARD, E A RELAÇÃO ENTRE O NEGRO E A LINGUAGEM EM FRANTZ FANON

Resumo: Considerando ser o fenômeno da linguagem um repositório de valores e significados culturais conforme pontua Stuart Hall (2016), o presente estudo tem por objetivo demonstrar a existência de uma relação íntima entre língua e identidade, partindo para isso dos trabalhos de Labov (2008) desenvolvido no período de 1991/1992 na ilha de Martha´s Vineyard, e Frantz Fanon (2008) acerca da relação entre o negro e a linguagem abordada em um dos capítulos da obra Pele negra, mascara branca. Toma-se como aporte para as discussões os estudos de Bauman (2005), Fanon (2008), Gusdorf (1976), Hall (2006) (2016), Labov (2008) e Lott (2013). De modo, que pôde-se, portanto perceber que as fronteiras que segregam o estudo da língua e da identidade são consideravelmente tênues, tendo em vista que também as marcas identitárias encontram-se abrigadas/resguardadas na língua. Sendo assim, tornou-se possível constatar que de fato há uma relação íntima entre língua e identidade evidenciada tanto em Labov (2008), quanto em Fanon (2008), aonde respectivamente, o processo de centralização dos ditongos /ay/ e /aw/ representa um movimento de resistência e preservação de uma identidade linguística, e a apropriação da língua francesa por parte do negro antilhano muito mais que a tomada de um novo código linguístico, representa a tentativa de ocupar uma cultura e identidade privilegiada.
Mostrar mais

14 Ler mais

Língua e identidade portiguara

Língua e identidade portiguara

Ficou claro também que o Tupi não tem usos para fins comunicacionais dentro da aldeia, seu estatuto é de língua simbólica, meio pelo qual se pretende fortalecer a indianidade. Assim, o ensino da língua Tupi mostra-se sem bases comunicacionais, pragmáticas e interativas, haja vista que a comunidade de Monte-Mór não pratica mais sua língua nativa. É uma língua ensinada porque se acredita que ela está estritamente ligada à identidade indígena e como, atualmente, o discurso do resgate da cultura e dos costumes Potiguara está em pleno vigor, a língua Tupi passa a ser vista por muitos como elemento fundamental para esse objetivo.
Mostrar mais

22 Ler mais

PO-ÉTICAS. O CULTIVO DA LÍNGUA COMO IDENTIDADE EM 5 PROPOSIÇÕES

PO-ÉTICAS. O CULTIVO DA LÍNGUA COMO IDENTIDADE EM 5 PROPOSIÇÕES

Marquemos então, ainda que em velocidade meteórica, o duplo gesto de ruptura de que estes versos poderiam constituir ilustração, senão legenda. Ruptura que, no reduto próprio de todo e qualquer poema, reengendra tempo e espaço, na imensurabilidade deslocalizada que é toda a língua no poema. A acutilância leitora de Eduardo Lourenço assinala justamente o reequacionar de uma certa portugalidade, de uma certa cultura portuguesa, no tempo novo afirmado em A Mensagem, rasurando “todas as nostalgias épicas” para afirmar o devir em “epopeia futura” (LOURENÇO, 2004, p. 162-163). O mar pessoano ultrapassa o passado, até aí guarida de uma identidade construída em torno de um olhar para trás, para troar como “promessa, desafio e dúvida” (LOURENÇO, 2004, p. 165), tendo por azimute a palavra e a experiência poética.
Mostrar mais

15 Ler mais

A imigração e a língua de acolhimento em Portugal: questões de identidade e integração

A imigração e a língua de acolhimento em Portugal: questões de identidade e integração

Além de todas as adaptações a que está sujeito e de todas as mudanças com que se depara à chegada ao país de acolhimento, o imigrante tem, ao mesmo tempo, de lidar com sentimentos de afastamento em relação ao seu país e à sua cultura de origem, que se aliam à tentativa (ou não) de preservar a ligação ao país de origem, parte da sua identidade. Concordaremos, portanto, que se trata de um enorme desafio este ato de sair em direção ao mundo, deixando para trás tudo aquilo que se conhece e que era familiar. Como me dizia um imigrante, com quem conversava sobre este projeto, imigrar é voltar a ser criança, é ter que aprender tudo de novo, aprender a falar uma nova língua, aprender a andar na nova cidade/ localidade, aprender a comer, porque a comida é diferente, aprender a estar e a conhecer as pessoas, aprender e perceber como as coisas funcionam, aprender sobretudo a respeitar e a ser respeitado. Ser imigrante é quase como nascer de novo, tudo é novidade tudo tem que ser aprendido. Mas, essa nova aprendizagem não passa, nem deve passar, por cima daquilo que até então construiu o sujeito, enquanto pessoa e que faz parte da sua identidade, enquanto ser humano e enquanto indivíduo pertencente a uma determinada comunidade. A verdade é que tudo o que fazemos e vivenciamos nos constrói enquanto pessoas. Tudo aquilo que aprendemos, tudo aquilo em que acreditamos e tudo aquilo que vivemos no dia-a-dia, faz de nós quem somos e marca a nossa identidade. Enquanto seres humanos, construímo-nos através uns dos outros, construímo-nos no contacto diário com aqueles que nos rodeiam. Somos seres sociais e é através do contacto social que nos vamos formando enquanto pessoas sociais que somos. A nossa identidade está em nós e nos outros, está no modo como nos vemos e pensamos, no modo como vemos e pensamos o mundo, mas também no modo como o resto do mundo nos vê. Não somos seres isolados e é pelo contacto, pelo discurso, pelas vivências, que nos construímos e somos construídos.
Mostrar mais

153 Ler mais

Ao som de identidades : a voz do aprendiz sobre sua(s) identidade(s) no contexto da sala de aula de língua inglesa

Ao som de identidades : a voz do aprendiz sobre sua(s) identidade(s) no contexto da sala de aula de língua inglesa

Esta dissertação relata uma pesquisa que teve como foco as interpretações dos alunos acerca de suas identidades de aprendizes de Língua Inglesa durante o tempo de estudo desse idioma e a maneira que essas interpretações influenciam ou são influenciadas no engajamento do aluno no curso. Para realização desta pesquisa foram convidados quatro aprendizes, os quais estavam no nível intermediário para adolescentes e adultos. Este nível intitula-se I4 e foi realizado no 1º semestre de 2013. A pesquisa, com base qualitativa (HARTMUT, 2006; NUNAN,1992; MOURA FILHO, 2005; CHIZZOTTI, 2006) configurando-se em estudo de caso (MOURA FILHO, 2005), em que foi utilizada a metodologia história de vida tópica (PALILO, 1999, MARRE,1991; DENZIN,1994) por se tratar de um recorte, de uma etapa da trajetória de vida dos participantes. Para a coleta de dados, foram utilizados observação, notas de campo, gravação em áudio e vídeo, narrativa escrita, questionários estruturados e semiestruturados (VIEIRA-ABRAHÃO, 2006). A triangulação dos dados originários da observação, entrevista, questionários, notas de campo, narrativa escrita, foi a alternativa utilizada para a análise de dados (BOGDAN & BIKLEN,1998 ). Os participantes da pesquisa são quatro alunos da rede pública de ensino, matriculados no Centro Interescolar de Línguas (CIL). Os dados foram gerados ao longo do primeiro semestre letivo de 2013: triangulados e analisados na perspectiva interpretativista (MERRIAM apud MOURA FILHO, 2005). Eles mostram que as interpretações que os alunos fazem de sua(s) identidade(s) enquanto aprendizes tem estreita relação com os construtos subjetividade, discurso, interação, autonomia, motivação, afetividade e autoestima. De acordo com os dados, as ações, atitudes, o discurso sobre si mesmo são algumas dos meios que os alunos se utilizam para interpretarem suas identidades de aprendizes. Os dados também demonstram que as interpretações que os aprendizes fazem de sua(s) identidade(s) influenciam de diversas formas ao longo do curso.
Mostrar mais

184 Ler mais

ENSINO DE LÍNGUA ESTRANGEIRA: CONCEPÇÕES DE LÍNGUA, CULTURA E IDENTIDADE NO CONTEXTO ENSINO/APRENDIZAGEM

ENSINO DE LÍNGUA ESTRANGEIRA: CONCEPÇÕES DE LÍNGUA, CULTURA E IDENTIDADE NO CONTEXTO ENSINO/APRENDIZAGEM

Assim, é preciso que as propostas apresentadas na sala de aula entendam a linguagem como uma forma de ação interpessoal orientada por uma finalidade específica, um processo que se realiza nas práticas existentes nos diferentes grupos de uma sociedade, nos distintos momentos da sua história. O objetivo do ensino de línguas, tanto a materna como a estrangeira, não pode se resumir a aprender nomenclaturas, e sim, a proporcionar ao aluno uma aprendizagem que leve em consideração o desenvolvimento individual e social, tanto em termos profissionais quanto culturais. Sendo assim, qual a relevância que se pode dar à cultura no ensino de língua estrangeira? Será vista, então, algumas concepções sobre a mesma. No sentido antropológico, de acordo com Scollon & Scollon (apud HINOSOJA & LIMA, 2010) a cultura pode ser definida como o conjunto de costumes, ideias, organização social e histórica comum a um grupo de pessoas, que lhes concede uma identidade particular. Santos (2009, p. 44- 45), com sua visão antropológica da cultura, diz que,
Mostrar mais

13 Ler mais

Open Desvelando identidades: a identidade profissional dos professores de língua portuguesa pertencentes ao programa de educação integral da rede pública estadual de Pernambuco

Open Desvelando identidades: a identidade profissional dos professores de língua portuguesa pertencentes ao programa de educação integral da rede pública estadual de Pernambuco

Essa pesquisa tem como finalidade analisar os discursos dos professores de Língua Portuguesa pertencentes ao Programa de Educação Integral da Rede Pública Estadual de Pernambuco, sobre a luz da Análise do Discurso de tradição francesa (AD). Inicialmente discutimos sobre a história do trabalho docente no Brasil, onde tentamos de forma breve entender as continuidades e rupturas da atuação e profissionalização docente no Brasil. Em seguida colocamos nossa concepção de identidade e identidade docente, determinando os aspectos teóricos que basearam nossos estudos. Também ressaltamos o processo de formação profissional docente que consideramos essencial para entender o processo de formação da identidade dos professores. Buscamos ainda, estabelecer nosso entendimento sobre educação integral e a implementação do Programa de Educação Integral da Rede Pública Estadual de Pernambuco. Em seguida estabelecemos nossos pressupostos metodológicos, explicando nossa escolha por uma abordagem qualitativa, nosso posicionamento sobre pesquisa-ação e a necessidade de uma proposta interventiva, nossa opção pela abordagem arqueológica foucaultiana e nossa preferência pelas rodas de conversa. Por fim, descrevemos nossos encontros através das rodas de conversa a fim de garantir espaços de diálogo, dando vez e voz aos docentes. Ao analisar os discursos docentes presentes em nossas rodadas, buscamos identificar os elementos e características responsáveis pela construção de suas identidades enquanto professores. Assim, nosso trabalho busca contribuir com o conjunto de conhecimentos e estratégias que garantam reconhecimento e empoderamento como sujeito e como profissional docente.
Mostrar mais

90 Ler mais

IDENTIDADE LINGUÍSTICA – QUESTÃO DE REVITALIZAÇÃO DA LÍNGUA TAPAYUNA

IDENTIDADE LINGUÍSTICA – QUESTÃO DE REVITALIZAÇÃO DA LÍNGUA TAPAYUNA

Para responder a estas perguntas lembramos, primeiramente, do que Maher (1996) afirma sobre as L1. Ela diz que nossa língua materna é prova irrefutável e cabal da capacidade intelectual do homem, constitui peça importante no acervo cultural da humanidade. Ao discorrer sobre a função de uma língua indígena, a autora afirma que a língua materna nesse contexto tem um papel importantíssimo na produção e reprodução da identidade do índio, pois ela contribui para a produção e reprodução da identidade indígena em sua dimensão comunicativa, simbólica e referencial. Quando pensamos em identidade de um povo devemos pensar na linguagem como uma prática social (a linguagem em uso/discurso) e enquanto sistemas de signos (lín- gua). A representação social, política e cultural de um povo indígena tem a língua como o diferencial dentre eles, pois é esta língua que os identifica e os diferencia pe- rante seus parentes 3 (outros índios) e os brancos (não índios).
Mostrar mais

17 Ler mais

Lima Barreto: língua, identidade e cidadania

Lima Barreto: língua, identidade e cidadania

Este trabalho tem como objetivo geral analisar a manifestação lingüístico-discursiva a respeito de língua, identidade lingüística e cidadania presente na obra de Lima Barreto, literato que viveu no Rio de Janeiro entre os anos de 1881 e 1922. De maneira específica, examina o significado da literatura militante do autor, sua crítica ao purismo lingüístico e sua manifestação crítica nas crônicas jornalísticas e ficcionais. Para isso, baseamo-nos nos pressupostos teóricos da História das Idéias Lingüísticas, os quais dizem que o estudo de uma língua vincula-se a assuntos relevantes da história e da constituição de determinada sociedade na tentativa de compreender o imaginário social que se constitui ao longo dessa história, chegando à identificação lingüístico-cultural de um povo. Isso é possível, porque uma produção literária sempre está associada a um tempo e, portanto, reflete as angústias e os sonhos a ela contemporâneos, transformando-se em relato de determinado contato sócio-histórico. Nesse sentido, analisar a obra limana possibilita a aquisição de um conhecimento sobre a história da língua portuguesa do Brasil.
Mostrar mais

166 Ler mais

Língua e alimentação: dois elementos da identidade italiana em Pedrinhas Paulist...

Língua e alimentação: dois elementos da identidade italiana em Pedrinhas Paulist...

Se, como ressalta o autor, a cozinha italiana sofreu, ao longo dos séculos, variadas influências estrangeiras dos povos que dominaram o território italiano, sendo, portanto, fruto de variadas culturas, que ainda se fazem sentir de maneira marcante nas profundas diferenciações regionais e locais, como se dará a aculturação no contato com outra cultura, quando os italianos chegam, como imigrantes, em novas terras? Se para o italiano comer é tão importante, a ponto de ser - como de resto acontece com muitas culturas - um dos aspectos fundamentais ligados à própria identidade, como terá sido o trauma vivido pelos que emigraram, arrancados fora de suas origens e do seu meio, ao perderem contato com aqueles alimentos a que estavam acostumados? De que maneira superaram (os que superaram, pois muitos abandonaram a colônia Pedrinhas ainda no início, como bem relata o trabalho de João Baptista) a forte “saudade” causada pela ausência, não só das paisagens costumeiras, mas também da comida cotidiana, ao chegarem num país com características físico-climáticas e gêneros alimentícios totalmente diferentes daqueles deixados na terra natal? Sendo os imigrantes de Pedrinhas provenientes de diversas regiões da Itália (e portadores, portanto de significativas diferenças regionais) teria acontecido, como aconteceu com a língua, uma generalizada ‘uniformização’ entre os italianos das mais variadas procedências, a ser contraposta aos padrões alimentares do local a que chegavam, tendo que recorrer forçosamente aos alimentos que tinham à disposição? Essas são algumas das questões que serão levantadas ao se enfrentar este estudo sobre a influência italiana na alimentação em Pedrinhas, questões que acompanham a mesma problemática da língua falada.
Mostrar mais

165 Ler mais

Questões de língua, identidade e poder: hibridismos em Timor Leste.

Questões de língua, identidade e poder: hibridismos em Timor Leste.

As hibridações de vozes sociais podem também ser identificadas nas resistências políticas, religiosas e, até certo ponto, populares à oficialização das línguas indonésia e inglesa. A motivação ideológica materializa-se nas misturas linguísticas, religiosas (catolicismo) e políticas entre as línguas e culturas portuguesa e tétum. Se durante a colonização indonésia falar português seria sinônimo de morte, essa mesma língua passou a assumir uma força revolucionária e de resistência ao colonizador indonésio, não apenas pelos seus aspectos linguísticos, mas, sobretudo, pelas vozes e avaliações sociais que ressoavam no uso da língua portuguesa e pela identidade social, étnica e cultural que se desejava marcar em oposição ao inimigo. Ademais, em época de guerra e de resistência, a língua portuguesa, além de operar como marca de identidade, também passou a assumir uma marca ideológica de “solidariedade” em relação aos demais países lusófonos: se, por um lado, o Timor Leste lutou por sua autonomia e independência, por outro, se aliou a uma outra campanha de “unificação” (ortográfica) dos países lusófonos, o que lhe conferiu uma certa visibilidade nas políticas internacionais e também uma certa “proteção” diante da colonização dos países de língua inglesa.
Mostrar mais

19 Ler mais

Aharon Appelfeld: uma língua materna em exílio

Aharon Appelfeld: uma língua materna em exílio

A imigração para outros países não era necessariamente algo que fizeram com alegria. Ir embora significava mais uma derrota para quem já tinha perdido tudo. Significava a perda de suas raízes, de sua cultura, de sua língua, além do profundo abalo que mais uma vez marca a identidade judaica como uma cultura de exílio, motivada por perseguições e massacres ao longo de milênios. Tudo naquele sujeito, naquela cultura, naquela língua precisava ser restaurado. Mas como? E a que preço? Caterine Koltai afirma que paira sobre o imigrante um terror subjetivo quanto à sua liberdade. “Os humanos atravessam fronteiras reais ou imaginárias, fugindo dos avatares da história, à procura de melhores condições de existência para si próprio e seus descendentes”. 7 Muitos foram aqueles que viram sua língua materna alemã
Mostrar mais

20 Ler mais

UNIDADE 2 Identidade, Cultura e Língua de Sinais: O Mundo do Surdo

UNIDADE 2 Identidade, Cultura e Língua de Sinais: O Mundo do Surdo

Esta unidade introduzimos trazendo os estudos e conceitos sobre Cultura Surda. Partimos então pra relação das identidades identificando cada identidade adquirida pelos Surdos. Detalhamos as peculiaridades da cultura dos Surdos a partir de seus artefatos: o artefato experiências visuais (expressões faciais/corporais e percepções visuais); linguístico (LIBRAS, sinais caseiros, Sign Writing ou Escrita de Língua de Sinais); familiar (conflitos e barreiras de comunicação ou relações de troca e diálogo em LIBRAS em família); literatura Surda (registros em Língua Portuguesa como livros, artigos, teses, dissertações, etc. e em LIBRAS através de CD ROOM, DVD, etc.); vida social e esportiva (eventos, festas, encontros, competições esportivas); artes visuais (expressões artísticas de Surdos evidenciadas pelas percepções visuais: desenhos, pinturas, esculturas e também teatro, poema, contações de história, dança, cinema); política (associações de Surdos, FENEIS, Dia do Surdo, movimentos, protestos, legislações, propostas educacionais); e materiais (objetos de acessibilidade). Para concluir este estudo levantamos as principais questões que mostram a importância da LIBRAS na vida dos Surdos.
Mostrar mais

23 Ler mais

Regionalismo e identidade cultural: o inglês como língua internacional

Regionalismo e identidade cultural: o inglês como língua internacional

Para estudantes brasileiros interessados em aprender uma segunda língua com menos sotaque de estrangeiro, com uma pronúncia mais nativa do inglês, qual pronúncia regional esses alunos deveriam buscar? Essa questão de regionalismo e dialeto no inglês, para um aluno que está trabalhando com a validade do modelo do senso comum, apresenta um problema com que estudantes de outras línguas não necessariamente precisam se preocupar com o mesmo grau de afinco. É um objetivo comumente verbalizado por parte de alunos de línguas que eles adorariam ser fluentes na língua- alvo, e uma das estratégias para se aproximar de tão imponente realização é buscar uma pronúncia aceita como “correta”, ou padrão, ou o que alguns alunos erroneamente acreditam ser uma pronúncia sem sotaque. Isso pode dar bons resultados para algumas línguas que tendem a ser localizadas: o dialeto parisiense, por exemplo, se francês for a língua, ou talvez o dialeto do alto alemão para estudantes de alemão. Para muitas línguas que uma pessoa possa estudar, há um dialeto regional que serve de modelo para pronúncia. Eu ousaria dizer, no entanto, que o inglês se encontra no extremo oposto: o inglês é uma língua altamente regionalizada na forma de diversas pronúncias identificáveis no mundo todo; ao buscar uma fluência nativa, qual pronúncia de inglês esse estudante deveria escolher? No Reino Unido, o “inglês padrão” é referido como RP,
Mostrar mais

18 Ler mais

Língua(gem) e identidade: a estranha-familiar língua da escola.

Língua(gem) e identidade: a estranha-familiar língua da escola.

Percebemos, ao longo de todo o recorte, pausas curtas (/), pausas longas (///), retomadas e vacilações do/no dizer (um // um // uma certa / como eu posso dizer //). Um dos possíveis sentidos para esse funcionamento é o da hesitação. Hesita porque, de algum modo, toca o sujeito - ‘foi muito difícil eu tirar à força /// tanto que o alemão eu tive que esquecer’; ‘como eu posso dizer // uma marca // / negativa né’ (grifos nossos) – que deixa escapar, na materialidade linguística, representações de si, traços de identificação, tais como, a filiação em uma pertença fortemente marcada pela manutenção de traços da língua alemã; a resistência à língua portuguesa, que o inscreve em outra filiação, a da brasilidade. Ele está e não está inscrito na pertença “sou alemão”; está e não está inscrito na pertença “sou brasileiro”. As (não) fronteiras se esboroam: “ora, jamais esta língua, a única que estou votado a falar, enquanto falar me for possível, e em vida e na morte, jamais esta língua única, estás a ver, virá a ser minha. Nunca na verdade o foi” (DERRIDA, 2001, p. 14).
Mostrar mais

14 Ler mais

JOÃO DO RIO LÍNGUA, SOCIEDADE E IDENTIDADE NACIONAL DOUTORADO EM LÍNGUA PORTUGUESA

JOÃO DO RIO LÍNGUA, SOCIEDADE E IDENTIDADE NACIONAL DOUTORADO EM LÍNGUA PORTUGUESA

corresponderia sempre ao que o leitor comum espera dele, em termos de uma linguagem apurada nos melhores modelos cultos? São perguntas difíceis de responder, tomando posições definitivas, porque a literatura, numa perspectiva diacrônica, tem demonstrado grande variedades de soluções propostas pelos escritores em todas as épocas (em especial os prosadores). A verdade é que o artista tem de servir- se do mesmo instrumento lingüístico de que a sociedade se utiliza como meio de comunicação, a mesma língua. E raras são as culturas, como a árabe, por exemplo, que possuem um dialeto literário, distinto da língua falada. Teoricamente, o escritor (e aqui trataremos especificamente do romancista, do prosador, enfim) é o representante de uma camada cultural superior (pelo menos em termos essencialmente culturais – não econômicos, porque ele pode vir de uma origem muito modesta e nesse nível permanecer). O leitor comum, em tese, procura no escritor esse conceito. Para ele, escritor é “o que escreve bem”, melhor do que se faz comumente na sociedade. Em princípio, portanto, essa posição cultural privilegiada do escritor colocaria a obra literária em relação direta com o que podemos chamar de linguagem-padrão, uma “norma culta”, um ideal lingüístico consagrado pela p´ropria comunidade.
Mostrar mais

227 Ler mais

EDUCAÇÃO DE IMIGRANTES ALEMÃES EM CURITIBA

EDUCAÇÃO DE IMIGRANTES ALEMÃES EM CURITIBA

Para este estudo, analisamos duas fontes documentais básicas: o jor- nal Der Kompass (A Bússola), publicado em língua alemã gótica, desde 1902 até 1941, pelos Padres Franciscanos de Curitiba e com o apoio de Professores do Colégio Bom Jesus e o Diário da Tarde, que circularam durante todo o período em estudo e também as Leis Educacionais desde 1900 até 1938. O Diário da Tarde foi selecionado por ter tido uma existência que cobre todo o período em estudo, pois nesta época muitos outros periódicos iniciaram e saíram de a circulação. Quando analisamos as relações interétnicas, ressalta- mos que é importante observar como os valores culturais significativos para os alemães foram preservados por um longo tempo, como a língua alemã, a religião católica e o associativismo, que são identificadores da cultura deste grupo étnico. A língua representou para os imigrantes alemães no Brasil o elemento mais marcante da identidade étnica. Ela era considerada como “a expressão por excelência do sangue e do espírito comuns (...). A língua huma- na significa muito mais do que uma mera forma de expressão. Ela brotou do sangue e da índole de um povo” (RAMBO, 1994, p. 45). No caso da língua alemã, ela assumiu a expressão da nacionalidade (Volkstum), ou seja, a perda da língua significa a perda desta identidade com os valores culturais da Pátria- mãe, pois a nacionalidade alemã não se define pelo território.
Mostrar mais

11 Ler mais

Exílios, diásporas e seus desdobramentos imprescindíveis  na pesquisa literária

Exílios, diásporas e seus desdobramentos imprescindíveis na pesquisa literária

Na mobilidade, seja ela diaspórica ou exílica, a cultura e as trocas culturais, o poder e a política são parte de um conjunto de experiências que afetam todas as questões que aqui comentamos brevemente, a título de exemplificação. Somados, nação, nacionalismo, identidade, etnicidade e língua espelham a consciência exílica e diaspórica dos indivíduos e povos moventes, cuja experiência de mobilidade enseja os chamados traumas do deslocamento. Por estarem localizados no cerne das literaturas diaspóricas e exílicas, observamos que sua leitura e discussão estão longe de serem encerradas. Pelo contrário, tornam-se cada vez mais prementes, não somente por parte dos leitores e pesquisadores, que, após uma experiência pessoal de mobilidade, se identificam com elas, mas também por aqueles que desejam apreender o olhar diferenciado dos escritores diaspóricos e exilados, um olhar capaz de surpreender pela agudeza com que constroem suas representações de mundo. Por meio dessas representações e de sua pesquisa, pensamos a partir de detalhes particulares que impactam o todo; pensamos as grandes questões humanas, em busca de melhor entendimento do mundo, do ser humano e dos rumos da humanidade no século XXI.
Mostrar mais

7 Ler mais

Show all 10000 documents...

temas relacionados