Top PDF Eutanásia : o direito de dispor da vida?

Eutanásia : o direito de dispor da vida?

Eutanásia : o direito de dispor da vida?

Percorrido este caminho, cabe extrair conclusões. Em primeiro lugar, daremos notícia da nossa posição no plano do direito constituído ou, se se preferir, de iure constituto. Perante o direito constituído, são permitidas a eutanásia indirecta e a eutanásia passiva. Pelo menos à vista desarmada, a eutanásia activa (de 1º e de 2ºtipo) não é consentida. A eutanásia indirecta, que, como referimos a seu tempo, se dá quando ao doente em fase terminal se administram medicamentos, como a morfina, para mitigar as suas dores, apesar de se ter a consciência absoluta de que isso apressará a sua morte, é permitida quer no sistema jurídico alemão, como demos nota, quer no sistema jurídico português. A favor deste entendimento depõem o artigo 150º,nº1 do Código Penal e, bem assim, as leges artis da medicina. Certo, quando se administram grandes doses de morfina no paciente, isso acabará por matá-lo. Mas, se tal não fosse consentido, o doente passaria por um sofrimento atroz, o que violaria, queiramo-lo ou não, o princípio da dignidade da pessoa humana, que surge consagrado no artigo 1º da Constituição da República Portuguesa. Por conseguinte, a eutanásia indirecta não se subsume, nem poderia subsumir-se nos artigos 131º, 132º, 133º, 134º e 135º do Código Penal. O dolo poderá ser eventual ou directo. No caso de o médico estar seguro de que, ao administrar opiáceos no paciente, lhe provocará, por essa via, a morte, então falar-se-á de dolo directo. No caso de ele apenas admitir que isso possa acontecer, será mais correcto falar-se de dolo eventual. Como dissemos a seu tempo, mesmo que o paciente ainda não esteja moribundo – por hipótese, o paciente tem um tumor cerebral mas a morte não acontecerá logo, mas só daí a um ano -, se ele for acometido por enormes dores, o doente deve ser autorizado a administrar-lhe opiáceos, mesmo sabendo que, com isso, o paciente morrerá numa questão de dias. Quando o paciente esteja moribundo e sinta enormes dores, não restam dúvidas de que o médico pode administrar-lhe opiáceos. Podemos perguntar-nos o que sucede quando o paciente não tenha manifestado a sua vontade. Então deverá tomar-se em consideração a sua vontade presumida, como demos notícia antes.
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Eutanásia: crime contra a vida ou direito fundamental? O direito de escolher

Eutanásia: crime contra a vida ou direito fundamental? O direito de escolher

Discute a adequação ou não, de acordo com os princípios constitucionais pátrios, do enquadramento da prática da eutanásia como crime contra a vida - mais precisamente, como homicídio privilegiado - segundo o Direito Penal Brasileiro. Ressaltando a importância da interdisciplinaridade inerente ao tema, foram buscados conceitos indispensáveis ao entendimento da matéria (como os de distanásia, ortotanásia, suicídio assistido e, principalmente, o da própria conduta eutanásica, objeto central do estudo) junto a outras áreas do conhecimento, como a Biologia, a Medicina, a Bioética e o Biodireito, entre outras, a fim de bem fundamentar a discussão. Nesse diapasão, o estudo também enfrenta a problemática da determinação do momento da morte, segundo critérios médicos e culturais. Fez-se uma análise da eutanásia sob o enfoque mais específico do Direito nacional. Em primeiro lugar, examina-se o tratamento dado, historicamente, à morte encefálica pela legislação brasileira. Após isso, são abordadas algumas teorias sobre a possível regulamentação legal da eutanásia pelo Código Penal pátrio. Como consequência, o trabalho se defronta com o embate que é, de fato, a pedra de toque de toda a discussão proposta: o direito à vida versus o direito à liberdade de autodeterminação, como corolário do princípio da dignidade da pessoa humana. Questiona-se, então, a possibilidade de disposição do direito à vida, em determinadas circunstâncias - bem delimitadas no decorrer da análise realizada - onde a dignidade da pessoa humana esteja ameaçada. Outrossim, discorre-se, embora brevemente, sobre o tratamento jurídico dado à eutanásia em alguns outros países, observando-se que, no geral, a eutanásia vem obtendo mais atenção no panorama internacional e, por conseguinte, uma regulamentação legal específica. Em seguida, faz-se um exame da eutanásia sob o ponto
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Legitimidade da pratica de eutanásia x direito a vida / Legitimacy of eutanasia x right to life practice

Legitimidade da pratica de eutanásia x direito a vida / Legitimacy of eutanasia x right to life practice

O direito a vida é um direito garantido pelo ordenamento jurídico. A eutanásia é a prática de abreviar a vida de um paciente acometido por uma doença incurável. Sendo está profundamente discutida devido a sua complexidade e as diversas vertentes ideológicas, filosóficas e cientificas que acercam. Este trabalho consiste em revisão sistemática de literatura, através de busca online nos bancos de dados SciELO, PubMed e Google Acadêmico. No Brasil ela não é legalizada mesmo não sendo mencionada no Código Penal brasileiro é considerada como um ato ilícito penal, podendo ser classificado como homicídio. No Código de Ética Médica  não cita especificadamente a eutanásia em seu texto, mas proíbe o médico de abreviar a vida do paciente, mesmo que a pedido deste ou de seu representante legal. A dignidade da pessoa humana e o direito à vida são fundamentos básicos da Constituição Federal do Brasil de 1988 e são a partir deles que emanam os demais direitos. Deixando claro que é dever da República Federativa do Brasil zelar pela vida humana. Está disposição em lei confere uma legalidade ímpar e de irrestrita obediência, trazendo em pauta o questionamento: a vida é um direito ou dever a ser cumprido? Com base nisso entende-se que é por meio de questionamentos éticos, pautados nestes princípios que se permite a interpretação de normas, leis e princípios com o objetivo de pensar sobre a prática da eutanásia.
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“HOMICÍDIO PIEDOSO” – O DIREITO A UMA MORTE DIGNA: ANÁLISE DA LEGALIDADE DA EUTANÁSIA FRENTE À JUNÇÃO DO DIREITO À VIDA COM O PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA

“HOMICÍDIO PIEDOSO” – O DIREITO A UMA MORTE DIGNA: ANÁLISE DA LEGALIDADE DA EUTANÁSIA FRENTE À JUNÇÃO DO DIREITO À VIDA COM O PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA

A eutanásia é um procedimento através do qual o médico, baseado na vontade do doente, põe fim à sua vida. No brasil, é considerada um atentado ao direito à vida. Tomou-se, nesta pesquisa, direção contrária à atualmente seguida no País, analisando-se a eutanásia não como instrumento utilizado para retirar a vida do ser humano, mas sim como meio de defesa da dignidade da pessoa em fim de vida, que tem a morte como efeito secundário. Diante da união do direito à vida com o princípio da dignidade humana, entendeu-se que o indivíduo em situação terminal, que sofre de maneira a considerar que sua dignidade em vida está sendo violada, tem a autonomia de decidir sobre sua morte, optando por um fim de vida rápido e sem dor.
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DIREITOS FUNDAMENTAIS E DILEMAS DE BIOÉTICA: O DIREITO À VIDA VERSUS A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA NA EUTANÁSIA

DIREITOS FUNDAMENTAIS E DILEMAS DE BIOÉTICA: O DIREITO À VIDA VERSUS A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA NA EUTANÁSIA

O presente estudo consiste em uma análise do conflito deflagrado entre o direito à vida e a dignidade da pessoa humana diante do dilema que envolve um caso de eutanásia, o que perpassa uma discussão bastante atual e polêmica dos paradoxos que envolvem os direitos fundamentais quando aplicados a questões inerentes à bioética e ao biodireito. O estudo possui caráter qualitativo e a metodologia adotada consiste fundamentalmente em pesquisa bibliográfica e jurisprudencial. Através desta abordagem, a pesquisa contextualizará o prin- cípio da dignidade e o direito à vida, discutirá os principais dilemas da eutanásia e analisará o conflito entre o direito à vida e a dignidade da pessoa humana, ao final concluindo pela urgência de se buscar uma alternativa entre estes dois direitos essenciais, de não escolher pela vida ou pela dignidade em detrimento de uma ou de outra; de prezar pela vida, mas por uma vida com dignidade.
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Eutanásia: A fronteira entre o direito à vida e o, eventual, direito a morrer

Eutanásia: A fronteira entre o direito à vida e o, eventual, direito a morrer

O Oncologista Jorge Espirito Santo entende que todos temos o Direito à liberdade individual e às escolhas informadas, assim, os cidadãos devem poder escolher entre a eutanásia e a manutenção da vida. Este médico assume que ocasionalmente lhe solicitam a eutanásia, sentindo-se incomodado quando alguém em sofrimento profundo lho solicita, afirmando, ainda, que não sabe se conseguiria praticá-la, mas que na sua opinião trata-se de respeitar a área de liberdade de cada um, admitindo, ainda, que «se fosse confrontado com situações intoleráveis pediria para que essa minha situação fosse resolvida.» 259 .Relativamente à sua posição quanto à eutanásia, António Arnaut, fundador do Sistema Nacional de Saúde português, manifestou-se, recentemente, da seguinte forma: «Estou de acordo com a eutanásia e com a morte assistida. Um dos valores da humanidade, talvez o culminante no vértice dos direitos humanos, é a dignidade. E a dignidade não é apenas a dignidade da vida, mas a dignidade de morrer. Nessas circunstâncias extremas, só a eutanásia e a morte assistida garantem a dignidade de morte. E não estar a definhar gradualmente, o que constitui um sofrimento para o próprio mas também para familiares e amigos.(…) Claro que os cuidados paliativos são importantes, mas isso é para alguém lúcido em que se pode prolongar a vida sem sofrimento excruciante. (…)Um sujeito que se transforma num farrapo humano é cruel deixá-lo estar ali a sofrer. Nessas circunstâncias extremas, considero que não há incompatibilidade, antes pelo contrário.» 260
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Eutanásia: a relativização da  do direito à vida à luz do princípio da dignidade humana e da liberdade

Eutanásia: a relativização da do direito à vida à luz do princípio da dignidade humana e da liberdade

Assim, busca-se mostrar que a eutanásia pode ser vista como um direito fundamental a ser exercido pelos enfermos terminais, portadores de doenças incuráveis, que almejem pôr fim ao seu sofrimento e angústia, abreviando a vida. Tudo isso deve ser possível a partir de um consentimento válido e mediante ato médico, a fim de atribuir ao paciente terminal a dignidade a ele conferida pela legislação pátria. Tudo isso seria possível a partir do metaprincípio norteador do sistema legal brasileiro, que é a dignidade da pessoa humana. Dessa forma, reconhecer-se-ia categoricamente que o Estado existe em função da pessoa humana, caracterizada como a finalidade precípua e não o meio da atividade estatal. A pesquisa do assunto em questão baseia-se em livros especializados, artigos científicos, revistas e periódicos, além de trabalhos monográficos, dissertações de mestrado e teses de doutorado. Ademais, no que concerne à legislação, utiliza-se desde a Constituição Federal, passando pelos Códigos Penal e Civil brasileiros, além de outras leis esparsas e estrangeiras e algumas Resoluções do Conselho Federal de Medicina.
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O direito à vida implica o direito a morrer? Pessoa e eutanásia

O direito à vida implica o direito a morrer? Pessoa e eutanásia

no primeiro desses dois casos, o sr. Haas era um doente bipolar severo que não se sentia capaz de continuar a suportar o sofrimento e a quem foi negado um pedido de assistência ao suicídio por causa da sua condição psiquiátrica. Invocou o art. 8.º da CeDH interpretado no sentido de que o direito lá consagrado compreende o de escolher a forma e momento de morrer. Argumentação com a qual o teDH concordou, muito embora tenha entendido que a suíça, ao exigir parecer e prescrição médica para a prática de suicídio assistido, está a cumprir com as obrigações de proteção do individuo contra ele próprio que lhe impõe o art. 2.º e que agiu bem no confronto entre os vários interesses e direitos do sr. Haas, bem como no equilíbrio entre os interesses individuais e os da comunidade( 51 ).
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A  da eutanásia em face do direito à vida e do princípio da dignidade da pessoa humana

A da eutanásia em face do direito à vida e do princípio da dignidade da pessoa humana

59 ocasionando fortes dores e precisando de intervenções cirúrgicas para a recolocação dos sistemas de neuromodulação nos locais de implante original. - Em 13 de março deste ano a autora foi internada, novamente, em razão de fortes dores nos locais onde os sistemas foram implantados, tendo sido requerido pelo médico que a assiste a substituição dos geradores atualmente implantados por um sistema de gerador único (RESTORE ADVANCED), composto de material derivado de polímero com cerâmica, e não de liga de metal, o que diminui o risco de rejeição constantemente sofrido pela autora, bem como a substituição dos parâmetros de estimulação com freqüência do gerador implantado na região lombar da autora, para modulação dos membros inferiores. - Há nos autos prova inequívoca do estado de saúde da autora e sua alegação é verossimilhante. A autora sofre com dores insuportáveis, tendo que, esporadicamente, fazer cirurgias para reposicionamento dos geradores do sistema de neuroestimulação, consoante atesta o médico Dr. Eduardo Carlos Barreto, afirmando ainda que é necessária a substituição do aparelho por um que lhe garanta uma melhor qualidade de vida (RESTORE), quadro que é confirmado pelo Dr. José Ricardo Carvalho Poubel (CRM 5.248.276-7) acrescentando este que o gerador de estimulação utilizado pela parte autora encontra-se com funcionamento inadequado - Ademais, sem embargo dos fundamentos esposados ao longo das razões recursais, o douto magistrado de primeiro grau, enquanto presidente do processo, e por estar mais próximo da realidade versada nos autos, detém, a princípio, melhores condições para avaliar a presença, ou não, dos requisitos autorizadores da antecipação de tutela. Em outros termos, a concessão de medidas liminares ou de índole antecipatória deve, em princípio, ser deixada ao prudente arbítrio do juiz, não cabendo a esta Corte, por isso mesmo, imiscuir-se em tal seara, salvo em hipóteses excepcionais, que se revelarem muito peculiares (cf. AG n.º 148.493, Rel. Des. Federal VERA LÚCIA LIMA, decisão monocrática, DJ de 16.10.2006 e AGV nº 135.487/RJ, Rel. Des. Federal POUL ERIK DYRLUND, 8ª Turma Especializada, unân., DJ de 07.06.2005, p. 251). - Por fim, não há que se falar em violação ao art. 100 da CF, porquanto não há imposição de pagar quantia pecuniária à autora. Em verdade, discute-se na ação originária o cumprimento de obrigações assumidas em instrumento contratual. - Agravo de instrumento desprovido.
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Eutanásia no Direito Penal: os aspectos jurídicos do homicídio piedoso

Eutanásia no Direito Penal: os aspectos jurídicos do homicídio piedoso

A evolução tecnológica com relação aos cuidados com a saúde trouxe avanço nas técnicas de manutenção e prolongamento da vida, levantando o debate e trazendo questões completamente novas sobre a eutanásia e o suicídio assistido. Na prática, como podemos observar na sociedade brasileira, os efeitos dessa evolução levam ao envelhecimento gradativo da população, permitindo que um maior número de pessoas atinja a senilidade, de modo que todos são passíveis de enfermidades crô- nicas e degenerativas. Essa perspectiva nos mostra um quadro pessimista no que diz respeito à saúde pública, quanto ao uso de recursos no trata- mento desses enfermos e, principalmente, no que se relaciona ao fato de que a tecnologia pode aumentar a expectativa de vida, mas também pode ser responsável por prolongar um sofrimento evitável (PESSINI, 2004).
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O poder de dispor da própria vida | Julgar

O poder de dispor da própria vida | Julgar

«Um dos (testemunhos) mais marcantes é o de uma médica que trabalhou dois anos num centro de tratamento anticanceroso da região parisiense e que confia ao órgão de comunicação social La Croix a carta que projecta enviar à direcção antes de abandonar o centro: “A eutanásia continua a ser um acto corrente no vosso estabelecimento. Faz-se a maior parte das vezes com cokctail lítico, mas também com o recurso aos cocktails analgésicos pesados, com esse intuito ou, ainda, como vi num caso de coma excedido, pelo emprego de barbitúricos e curare. Este acto é agravado pelas circunstâncias nas quais é praticado: quase sempre sem o conhecimento do doente, mesmo quando este está em condições de ter uma vontade e de a dar a conhecer, frequentemente sem o conhecimento da família, ou, o que não é melhor, a pedido desta, decisão individual de um médico e não após uma madura reflexão colectiva da equipa….A execução, essa, é delegada nas enfermeiras, cuja profunda confusão pude constatar.”» (Hennezel)
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EUTANÁSIA

EUTANÁSIA

Ao findar o presente artigo, é de suma importância refletirmos acerca do ponto de vista humano da eutanásia, questionando-se quanto a esse ato ser um crime ou um ato de piedade? Nesse ínterim, há diversos posicionamentos baseados em princípios básicos, no entanto, majoritariamente, a sociedade vê a vida como algo intocável, haja vista que a religião exerce um grande papel na sociedade. O principal ponto em objeção é que a eutanásia prega que a vida é um bem dado por Deus e que somente ele teria o direito de tirá-la. Os princípios e argumentos contra a prática da eutanásia são os mesmo argumentos em favor de sua prática, o que os diferencia é o contexto no qual são discutidos. Visto isso, é importante salientar que o debates acerca da eutanásia estão longe de se pacificar, tendo em vista que há inúmeros argumentos contra e a favor a prática da eutanásia. Ao analisar um tema desses, é preciso levar em conta todos os aspectos, sejam eles sociais, religiosos ou até mesmo da localidade. A eutanásia lida com a vida humana e é fato que esse assunto é muito sensível. Outrossim, há de se questionar, “será mesmo que as leis são feitas por humanos, para proteger as leis? Talvez fosse melhor mudarmos para “dignidade da lei”. Assim, assumiríamos de uma vez por todas que a sociedade serve a lei e não o inverso.
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DIREITO À MORTE (EUTANÁSIA) NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL: UMA VISÃO SEMIÓTICO-BIOÉTICA

DIREITO À MORTE (EUTANÁSIA) NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL: UMA VISÃO SEMIÓTICO-BIOÉTICA

Depois, não tarda que conveniência e interesse econômico, isolados ou conjuntamente, assumam a posição de árbitro, a ideia de vida se torne um cálculo, e todo o nosso destino fique a depender de um jogo custo-benefício, no qual ganha quem pagar mais. A instituição, o Estado, a família, o médico, o amigo e o indivíduo são centro de interesses no qual a vida de cada um vale quanto pesa. O preço da conta do hospital, a despesa do plano de saúde, o gasto social, a brevidade da herança, o incômodo pessoal, a perda da paz, são juízos que motivam as decisões. Aqueles que se encontram em situações desfavoráveis tendem a ser vítimas, os que detêm mais vantagens parecem ter mais vitalidade. Muitos não são tratados, são abandonados; outros são tratados contra a própria vontade em troca de honorários. E quando se esvaem os últimos centavos da família, por coincidência, o paciente deixa a vida que já não tinha e leva a vida dos que ficaram.
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EUTANÁSIA NO DIREITO PENAL: os aspectos jurídicos do homicídio piedoso

EUTANÁSIA NO DIREITO PENAL: os aspectos jurídicos do homicídio piedoso

Já a eutanásia passiva – ortotanásia – consiste em uma omissão. Nesse segundo tipo, os meios que sustentam a vida do paciente são retirados, privando- -o de um tratamento que já não fazia tanto efeito as- sim. Dessa forma, o médico apenas regulará aspectos naturais e deixará que a vida do paciente se estenda pelo tempo que seu corpo aguentar, sem utilização de aparelhos ou mecanismos que prolonguem sua vida. Se o tratamento se prolongar sem obtenção de resul- tados, havendo também uma extensão do sofrimento do paciente, estamos frente à distanásia. É desse tipo de procedimento que surge a ideia de vida vegetativa: o paciente não responde aos estímulos, mas sua vida continua sendo prolongada, utilizando-se de meio ar- tificiais. (GONÇALVES, 2012)
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Suicídio Ajudado e Eutanásia

Suicídio Ajudado e Eutanásia

A discussão sobre o conceito de “inviolabilidade” da vida permite cenários tão díspares como (a) a vida humana não deve ser violada num sentido de “permanecer íntegra” por se impedirem quaisquer forças ou agentes para lá dos naturais sobre a mesma; (b) a vida humana não deve ser violada mas sê-lo-á pela natureza de viver pois é exposta a vários agentes naturais pelo que respeitar a integridade da vida humana será, neste sentido, permitir a intervenção médica de forma a que não se perpetue esta violação (por exemplo, permitir o abandono da pessoa a um sofrimento intolerável e incontrolável) e (c) a vida humana não deve ser violada e inclui-se como “parte do inviolável” os direitos de cada um, isto é, não é apenas o corpo que deve ser mantido íntegro mas também, por exemplo, a autonomia do sujeito para decidir sobre si mesmo. A inviolabilidade da vida lida como “o direito à vida” no contexto dos limites da vida parece potenciar uma leitura simplista que pode transformar-se na obrigação de viver (independentemente da sua situação atual).
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Eutanásia e o Princípio de Justiça

Eutanásia e o Princípio de Justiça

internacionais e abolir a pena de morte. A legislação da eutanásia caminha na direção oposta, acrescentando uma nova forma de homicídio legal; ao fazer isso, também acrescenta às muitas funções e poderes da profissão médica a autoridade para matar. É essencial considerar se tamanha extensão de poder sobre a vida e a morte humana, mesmo a pedido do indivíduo em questão, é algo que nossas sociedades desejam sancionar. Isto representa uma grande mudança nos valores morais, mas que pode passar despercebida em meio à retórica da defesa da eutanásia - na qual o fato de matar é ocultado por circunlóquios. Grisez e Boyle apresentam a questão da imparcialidade à suscetibilidade moral da seguinte forma: "Como pode uma política ser considerada liberal, se facilita a liberdade de alguns cidadãos para matarem e serem mortos, envolvendo em atividades repugnantes para muitos cidadãos os processos legais e as instituições nas quais todos participam, quer queiram quer não?"(6) Este não é certamente um argumento conclusivo, visto que em uma democracia com valores pluralistas sempre existirão leis que ofendem a suscetibilidade moral de alguns - leis que permitem o aborto e atos homossexuais entre adultos são exemplos óbvios disso. Minha opinião, no entanto, é que essa questão precisa ser amplamente discutida em debates e não ocultada pelas insinuações de que nada mais está em jogo do que o direito ao suicídio.
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Aborto e eutanásia: dilemas contemporâneos sobre os limites da vida.

Aborto e eutanásia: dilemas contemporâneos sobre os limites da vida.

do corpo. Dois meses após a aprovação desta lei, Fonteles, então Procurador-geral da República, impetrou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal, contra o uso dessas células embrionárias em pesquisa e terapia. Ressalte-se que a ação é apoiada pela Confederação Nacional de Bispos do Brasil. Esta ação foi aceita em 2006 por Carlos Britto, Ministro do Supremo Tribunal Federal, que convocou uma audiência pública – a primeira na história desse tribunal – com exposição de cientistas, pesquisadores e médicos, com amplo conhecimento sobre o tema, para apresentar suas posições. Estava em debate se o quinto artigo dessa lei seria inconstitucional, por atentar contra a vida. Os especialistas – favoráveis e contrários à lei – dividiam-se entre a defesa dos valores religiosos (pautados na santidade e defesa da vida desde a fertilização) e dos laicos (direitos humanos, em especial, o direito de autonomia individual).
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A eutanásia e os paradoxos da autonomia .

A eutanásia e os paradoxos da autonomia .

que seja respeitada a liberdade de escolha do ho- mem que padece, isto é, sua competência em deci- dir, autonomamente, aquilo que considera im- portante para viver sua vida, incluindo nesta vi- vência o processo de morrer, de acordo com seus valores e interesses legítimos. Deste modo, com raízes fincadas na Antigüidade — espírito helêni- co e cristianismo — e pleno florescimento na Au- fklärung, o respeito à autonomia pressupõe que cada indivíduo tem o direito de dispor de sua vida da maneira que melhor lhe aprouver, optando pela eutanásia no exaurir de suas forças, quando sua própria existência se tornar subjetivamente insuportável:
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Reflexões sobre a eutanásia no direito penal brasileiro

Reflexões sobre a eutanásia no direito penal brasileiro

sofrimento desnecessário que seria causado em prolongar a vida. Também não aceita a argumentação de que ao deixar o paciente morrer ninguém faz realmente nada e o paciente morre de causas “naturais”. Insiste ele em que, mesmo ao deixar alguém morrer, o médico está fazendo algo, o médico deixa o paciente morrer. Isto também deve ser considerado, juntamente com o não administrar uma terapia, na descrição total do que está acontecendo no atendimento ao moribundo. Ele reforça esta posição ao atacar o medo de ser a “causa” da morte de alguém. Pensamos ser um mal causar a morte de alguém porque pensamos que a morte é um mal. Uma vez decidido que a morte não é, para o paciente, o mal maior que a própria existência continuada, então, consequentemente, causar a morte seria uma coisa boa.
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A EUTANÁSIA E O DIREITO: A EXPERIÊNCIA DA BÉLGICA NA APLICAÇÃO DA EUTANÁSIA AOS PACIENTES TERMINAIS DE DOENÇAS GRAVES

A EUTANÁSIA E O DIREITO: A EXPERIÊNCIA DA BÉLGICA NA APLICAÇÃO DA EUTANÁSIA AOS PACIENTES TERMINAIS DE DOENÇAS GRAVES

É um assunto que possui dois lados, mas não é possível dizer qual lado é o correto. Do ponto de vista a favor, a eutanásia é uma forma de aliviar a dor e o sofrimento de uma pessoa que se encontra num estado muito crítico e sem perspectiva de melhora. O ponto de vista contra está ligado ao ferimento dos direitos humanos, à fé e à religião. A eutanásia é o direito ao suicídio e, por tanto, concede ao paciente de doença terminal o direito de dar fim a sua vida para aliviar a sua dor e sofrimento e isso seria rejeitar os princípios de Deus.
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