Top PDF Gênero e sexualidade: práticas pedagógicas na escola

Gênero e sexualidade: práticas pedagógicas na escola

Gênero e sexualidade: práticas pedagógicas na escola

Neste trabalho pretende-se veriguar como a Escola Estadual de Ensino Fundamental Albert Einstein tem exercido seu papel em Orientação Sexual, se esta concedeu aos alunos o subsídio necessário para o desenvolvimento de uma consciência crítica e tomada de decisões responsáveis a respeito de sua sexualidade, enfim, como a escola vem trabalhando este tema Para a consecução deste trabalho promoveu-se debates em rodas de conversa sobre gênero e sexualidade com alunos e professores com a finalidade de sensibilizá-los antes de responderem um questionário relativo à pesquisa. Os estudos estão fundamentados em Guacira Lopes Louro (2000), Moreira e Pitanguy (2003), Rios (2009), dentre outros autores que estudam esse tema. Os questionários foram respondidos por alunos e professores da Escola E.E.E.F. Albert Einstein no município de Araçagi – PB. A partir das respostas, foi possível sugerir que a escola/o professor (a) incorpore o debate das questões de gênero e sexualidade, fazendo leituras criticas dos livros didáticos, refletindo sobre a prática escolar na perspectiva de gênero e sexualidade, desenvolvendo trabalhos que abordem gênero e sexualidade ou ainda debatendo sobre textos sexistas e preconceituosos. Acredita-se que uma melhor organização teórica desses conceitos ajudará a diminuir preconceitos recíprocos entre diferentes áreas ou linhas de pensamentos e possibilitará avanços mais direcionados em relação às principais dúvidas teóricas sobre essas questões. Em relação à Educação, percebe-se a inclusão desses temas nos currículos, principalmente a partir da década de 1990, quando as escolas são “convocadas” a tratar das relações que envolvem a sexualidade e gênero. Entende-se que a escola é um espaço que deve oportunizar discussões e reflexões relativas às questões de gênero e sexualidade nas práticas interdisciplinares na Educação, pensadas, aqui, como construções culturais, sociais e políticas. Acredita-se que é urgente a necessidade de estudos e reflexões sobre esses temas, sobretudo calcados no princípio de que os corpos são continuamente produzidos, significados e ressignificados na sociedade e pela cultura, e que a escola se constitui como uma instituição importante dessas produções.
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A didática do gênero e da sexualidade na escola: reflexões a partir do livro Sociologia Hoje

A didática do gênero e da sexualidade na escola: reflexões a partir do livro Sociologia Hoje

Este trabalho propõe uma reflexão que se articula no campo dos estudos de gênero, sexualidade e educação. Por meio de embates políticos que envolvem essa articulação e impactam diretamente sobre as formas de tratamento e abordagem das questões de gênero e sexualidade nos recursos didáticos e pedagógicos “acionados” para utilização em sala de aula e no ambiente escolar, o referencial analítico que compreende a escola como reprodutora de violências e discriminações aos que escapam às normas curriculares e pedagógicas (Louro, 1997; Diniz e Lionço, 2008; Bento, 2011) envolve a discussão aqui proposta de análise do livro didático Sociologia Hoje, de Igor José de Renó Machado, Henrique Amorim e Celso Rocha de Barros (2013), e abre espaço para reflexão acerca do lugar contingente da disciplina de Sociologia no Ensino Médio e da discussão sobre essa temática na escola.
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“Somos todos e todas diferentes numa sociedade de iguais”: um estado de caso sobre práticas pedagógicas de gênero e sexualidade em uma escola pública de Pernambuco

“Somos todos e todas diferentes numa sociedade de iguais”: um estado de caso sobre práticas pedagógicas de gênero e sexualidade em uma escola pública de Pernambuco

Gênero? Que gênero? Literário, musical, alimentício? Ou seria gênero feminino e masculino? Nesse caso, gênero seria a mesma coisa do que sexo? Ou podemos usar a palavra como sinônimo de “mulher”? Dá para explicar melhor? De fato, essa polissemia gera certa confusão e, para que a palavra gênero faça sentido, é preciso situar o contexto em que ela aparece para que fique claro de qual gênero estamos falando e como estamos falando. Basicamente, podemos classificar, de acordo com a literatura acadêmica, a abordagem sobre gênero, entendido no contexto definido nesta dissertação, na perspectiva biológico-essencialista (ou determinista), que não referenda a nossa pesquisa, na perspectiva construcionista social, e ainda sob a ótica desconstrutivista e pós-identitária da teoria queer. Consideramos as duas últimas abordagens oportunas para serem incorporadas às práticas pedagógicas sobre a construção das identidades de gênero e as suas várias expressões para além do caráter binário. Essa escolha nos parece um caminho promissor para ampliar as possibilidades de subversão da lógica da naturalização e da biologização das diferenças de gênero e de sexualidade em favor de relações humanas mais justas e respeitosas. É sob essa ótica que guiaremos o nosso olhar nas observações do nosso objeto de pesquisa.
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Sexualidade e Relações de Gênero na Escola: uma cartografia dos saberes, práticas e discursos dosdas docentes

Sexualidade e Relações de Gênero na Escola: uma cartografia dos saberes, práticas e discursos dosdas docentes

O presente trabalho se propôs cartografar a sexualidade e as relações de gênero na escola a partir dos dispositivos de enunciação presentes nos saberes, práticas e discursos docentes. Optou-se pela pesquisa qualitativa com abordagem cartográfica amparando-se na produção teórica de Michel Foucault e de outros/as autores/as provenientes da mesma matriz teórica. A pesquisa ocorreu numa escola pública da rede estadual do município de Fortaleza-Ceará. No trabalho de campo foram utilizados os instrumentos de coleta de dados, a observação, o diário de campo e entrevistas abertas junto aos professores/as no ano de 2007. Assim, os saberes autorizados foram: saber científico materializado através dos dispositivos pedagógicos de disciplinamento dos corpos e pela educação sexista, o saber cultural que situa as relações de gênero pelas oposições, sendo a família o lugar onde essas oposições se produzem pelo modelo patriarcal e o saber religioso que opera como tática confessional. No entanto, as práticas cartografadas foram as pedagógicas, sendo aquelas que espacializam os sujeitos e modelam os corpos, atuam como estratégias confessionais, trabalham a estética dos sujeitos e a modulação do silêncio. Os discursos, contudo, foram nomeados pelas amarras culturais com forte influência da educação patriarcal. Indicaram que a homossexualidade masculina assusta, mas ao mesmo tempo é a mais visível na escola, embora essa rostização seja uma tática discursiva no intuito de capturá-la pelos agenciamentos disciplinares. E outras identidades sexuais e de gênero foram apontadas como menos visíveis e negadas, como exemplo a homossexualidade feminina e as travestis. Concluímos, portanto, que o estudo possibilitou a compreensão dos engendramentos produzidos nos dispositivos de enunciação dos/as professores/as sobre a sexualidade e as relações de gênero, ao identificar como os saberes privilegiam o disciplinamento do corpo e seu funcionamento. E ao levantar que práticas são exercidas sobre os corpos, a sexualidade e as relações de gênero, bem como de investigar as formações discursivas que nomeiam os sujeitos através de agenciamentos que delineiam como eles/elas devem e podem ser, agir e viver na escola.
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Questões de Gênero e Sexualidade em Xeque e Famílias em Choque. O que a Escola tem a Ver com Isso?

Questões de Gênero e Sexualidade em Xeque e Famílias em Choque. O que a Escola tem a Ver com Isso?

Esta pesquisa ainda mostra que os métodos de ensino usados no ensino fundamental das instituições escolares sobre as questões sexuais não são esclarecedores o suficiente, nem explicativos a ponto de possibilitar o conhecimento adequado, culminando na busca de informações entre os alunos e seus pares, deixando muitas vezes de lado as orientações adquiridas na escola e na família. A postura do professor é fundamental, e faz-se necessário que seja cautelosa, uma vez que ele transmite, em vários momentos, os seus próprios valores em relação à sexualidade dentro da sala de aula. Na questão de gênero, por exemplo, ao tratar de questões relativas à população brasileira e suas desigualdades, espera-se que o professor transmita, mediante sua conduta, a equidade entre os gêneros e a dignidade de cada um individualmente. Ao orientar todas as discussões, deve, ele próprio, respeitar a opinião de cada aluno e ao mesmo tempo garantir o respeito e a participação de todos, considerando o “mundo” de cada um desses jovens em sua diversidade e conflitos.
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Minicurso: a cultura [?] do estupro - reflexões a partir do Projeto Gênero e Sexualidade na Escola

Minicurso: a cultura [?] do estupro - reflexões a partir do Projeto Gênero e Sexualidade na Escola

RESUMO: Ao educador deste século, urge pluralizar conhecimentos e pensar a escola além da sala de aula, pois é neste espaço que as diferenças e dificuldades se manifestam. O espaço educativo necessita de sujeitos da experiência, que tenham coragem para a tomada de decisões em busca da ruptura de paradigmas. Neste cenário, este estudo tem por objetivo problematizar os reflexos da cultura patriarcal, que em muito contribui para a construção de um tipo de masculinidade sustentada por uma autoridade violenta e opressora, na nossa sociedade atual. Diante disso, buscando problematizar a ideia de “cultura do estupro” presente nas diversas sociedades, propõe-se este minicurso promovendo uma discussão que estimule um entendimento mais profundo da questão abordada ao mesmo tempo em que se atua na desconstrução dos estereótipos heteronormativos. Como processo metodológico, o minicurso utilizará de dinâmicas de grupo que estimulem a participação e a reflexão sobre as concepções de gênero e sexualidade. O Projeto Gênero e Sexualidade na Escola está presente desde 2015 nos ambientes escolares desenvolvendo ações com docentes e discentes das escolas da região da Serra Gaúcha buscando problematizar como se estabelecem as relações de gênero e sexualidade no ambiente escolar. É desta escuta reflexiva das vozes de educadores/as e educandos/as que emerge a inquietação para este minicurso, pois, afinal, o que é a cultura do estupro?
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ESTRATÉGIAS DE RESISTÊNCIA POSSIBILITANDO O DEBATE DE GÊNERO E SEXUALIDADE NA ESCOLA

ESTRATÉGIAS DE RESISTÊNCIA POSSIBILITANDO O DEBATE DE GÊNERO E SEXUALIDADE NA ESCOLA

A narrativa da professora Amanda expressa esse amedrontamento, juntamente com um conjunto de informações distorcidas tal qual nos elucida Paraíso na citação an- terior, quando narra a ideia deturpada deste pai de que, ao problematizar gênero e se- xualidade na escola, seu filho estaria sendo influenciando em relação aos seus desejos sexuais. É neste ponto que o movimento “antigênero” manifesta-se em busca de um silenciamento “em nome do ‘direito a uma escola não ideológica’ ou a uma ‘escola sem gênero’” (JUNQUEIRA, 2017, p. 44), entendendo que possibilitar informações, no que tange às múltiplas formas de viver o gênero e a sexualidade, poderá induzir as crianças e adolescentes a vivenciar outras expressões de gênero e de sexualidade que fujam à heteronormatividade. Nesse sentido, Castro afirma que “ao formularem-se as questões concernentes à escola e às relações pedagógicas, parece haver uma recusa ou uma re- sistência às narrativas sobre as sexualidades e relações de gênero. Embora sejam par- te desses currículos, exatamente porque constituem os sujeitos e suas experiências” (2014, p. 68). Assim, estes movimentos, com um discurso de proteção às crianças e ado- lescentes, incentivam que as famílias interfiram na condução dos currículos das escolas, que as famílias digam o que pode ou não ser dito e trabalhado nas salas de aula e com isso o que é ou não função da escola.
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Memórias de infância na escola pelo avesso do tracejado das normativas de gênero, sexualidade e desenvolvimento

Memórias de infância na escola pelo avesso do tracejado das normativas de gênero, sexualidade e desenvolvimento

plantando um sentido único para a vida, em que o passado é o germe do futuro promissor. Trata-se de uma infância simbolizada como modelar, encarnada em uma criança imaginária arrancada da história, das condições e das relações sociais. Essa infância prototípica é investida simbolicamente pelo atributo da inocência, que fundamenta e requer a proteção dos adultos, prática social que se desdobra e perpassa diferentes instituições sociais, como a família, a escola e o Estado. A produção dessa criança ideal-típica mobiliza em torno de si um conjunto de ações e relações afetivas e culturais, das quais são obliteradas as condições das crianças, em seus mundos de vida, nos modos como as suas pertenças raciais, étnicas, de classe social, territoriais e as suas experiências de gênero e sexualidade marcam as suas existências (BURMAN, 2008). Por ser assumida como infância genuína, as crianças que não se alinham a esse ideal são marcadas, desde muito cedo, como aberrações, portadoras de desvios comportamentais que denunciam falhas no desenvolvimento, já que a sua trajetória em direção à perfeição passa a ser interrompida. As diferenças e dissonâncias são, assim, definidas como patologias, em função de suas fugas ao curso regular do desenvolvimento regido pela norma da vida.
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Gênero e Sexualidade na Escola: Percepções de Estudantes do Ensino Médio

Gênero e Sexualidade na Escola: Percepções de Estudantes do Ensino Médio

O presente trabalho é o resultado da pesquisa realizada para a conclusão do Curso de Especialização em Gênero e Diversidade na Escola, do Instituto de Estudos de Gênero da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Possui como objetivo geral analisar as percepções dos estudantes de ensino médio sobre os projetos envolvendo gênero e sexualidade na Escola de Educação Básica Coronel Antônio Lehmkuhl. Quanto à metodologia utilizada, foram realizadas quatro entrevistas individuais semiestruturadas com estudantes do ensino médio que participaram do projeto durante três anos. Os principais resultados apontam que mesmo não conseguindo atingir a todas/os, o projeto provocou transformações efetivas nas ações e falas de alunos e alunas, de modo que a consciência sobre a necessidade de respeito e aceitação do/a outro/a é consenso. Ressaltou também que a escola não é a única responsável pelas percepções sobre gênero e sexualidade de alunas e alunos, sendo estas resultados de processos, experiências e vivências históricas, sociais e culturais.
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Relações de gênero e sexualidade na escola: uma investigação na prática docente

Relações de gênero e sexualidade na escola: uma investigação na prática docente

O presente trabalho, titulado por “Relações de Gênero e Sexualidade na Escola: Uma Investigação na Prática Docente” intencionou, de maneira geral, investigar como os (as) professores (as) trabalham, em sala de aula, as relações de gênero e as manifestações da sexualidade infantil. Esta pesquisa foi desenvolvida em uma instituição privada localizada na zona urbana do município de Remígio – PB. Os dados foram constituídos por cinco professoras com formação diferenciadas, inicialmente, por meio de observações na escola, em seguida aplicamos questionários com as professoras, posteriormente, realizamos uma roda de diálogo com as docentes sobre as expressões de gênero e sexualidade infantil e a relevância de se trabalhar esses temas em sala de aula, por fim desenvolvemos uma ação lúdica com as crianças sobre a descoberta do corpo e questões de gênero. Baseadas em expressivos referenciais teóricos como os PCN’s (2001), Vigotski (2001), Souza e Carvalho (2003), Felipe (2001) entre outros, constatamos através dos dados obtidos, que as professoras não apresentam atitudes voltadas para gênero e sexualidade no cotidiano escolar, no fazer pedagógico, verificando nitidamente insegurança e tabus sobre o tema, deixando em algumas ocasiões ausência, por parte das educadoras, de alguns valores e conhecimentos em proporcionar para os/as alunos (as) respostas referentes a algumas indagações em sala de aula quando questionadas sobre o corpo. A falta de conhecimento sobre aspectos da sexualidade infantil leva a ausência de compreensão sobre as relações de gênero o que pode proporcionar a propagação do preconceito de gênero. Foi possível considerar que as crianças estão sendo moldadas de acordo com as crenças que tem a família e os (as) educadores (as) que ao invés de tentar eliminar certos estereótipos contribuem ainda mais para sua fixação, através de uma educação ainda conteudista, e muitas vezes, sexista e sem real compreensão sobre a diversidade.
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Formação em gênero e educação para a sexualidade: considerações acerca do papel da escola

Formação em gênero e educação para a sexualidade: considerações acerca do papel da escola

Resumo: Este artigo, por meio de uma pesquisa bibliográfica, propõe uma discussão acerca da formação em gênero e da educação para a sexualidade, na tentativa de compreender como a igreja, a família e a escola têm, historicamente, contribuído para a Educação, principalmente de crianças e jovens em idade escolar, de acordo com seus preceitos. Assim, defendemos que a família e a igreja podem contribuir na formação dos indivíduos – com afeto, carinho, costumes –, porém, à escola cabe disseminar conhecimentos científicos, de modo a mostrar as várias formas de vivenciar e construir as identidades pessoais, sempre com caráter emancipatório, para a convivência e o reconhecimento das diferenças, além do respeito entre os sujeitos.
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Gênero, sexualidade e idade: tramas heteronormativas nas práticas pedagógicas da educação física escolar.

Gênero, sexualidade e idade: tramas heteronormativas nas práticas pedagógicas da educação física escolar.

Nas análises realizadas na pesquisa que mencionamos neste artigo (DORNELLES, 2013), as fases infância, puberdade e adolescência são tomadas como referência legitimadora para a construção de práticas pedagógicas voltadas ao trato com a sexualidade na educação física escolar. Quando ações de aproximação ao tema sexualidade são mobilizadas por estudantes adolescentes, há a eleição e a proposição inquestionável de metodologias para trabalhar o conteúdo sexualidade, tais como a escolha de vídeos e a organização de debates em torno da temática na escola. A proposição de seminários e feiras interdisciplinares centradas na abordagem dos métodos contraceptivos e doenças sexualmente transmissíveis, por exemplo, é indicada como estratégia relevante para o ensino médio, em função dos riscos naturalizados para essa população escolar (nessa faixa etária correspondente ao ensino médio). Pressupõe-se que a vida sexual ativa é uma ‘realidade’ nessa etapa. Para alguns/algumas colaboradores/as, os anos finais do ensino fundamental também já ocupam esse lugar:
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Sexualidade e relações de gênero na escola: um diálogo com a orientação à queixa escolar

Sexualidade e relações de gênero na escola: um diálogo com a orientação à queixa escolar

As representações das relações de gênero e da sexualidade em nossa cul- tura interceptam a escola enquanto ins- tituição, constituindo uma significação característica sobre gênero e sexualida- de no contexto institucional escolar. Assim, a escola tem uma história com o controle dos corpos e a sexualidade que precisa ser levada em conta em suas interfaces sociais e políticas, para a aná- lise no que tange as queixas escolares. A aluna e o aluno também têm uma his- tória escolar, produzida na intercepção com os diversos funcionamentos insti- tucionais. Ainda, ocupam lugares espe- cíficos e tecem relações singulares que se estabelecem no contexto da queixa em questão, produzindo situações úni- cas. A queixa escolar emerge, então, em determinado contexto, e é possível que haja uma dimensão no âmbito da sexua- lidade e do gênero a ser compreendida. Assim, ao compreender as dimen- sões individuais, sociais e políticas da queixa, o psicólogo pode atuar no sen- tido de fortalecer as potencialidades do indivíduo e de sua rede de relações frente às situações adversas. Além dis- so, a clínica pode ser um lugar de aco- lhimento para a dor do preconceito e expressividade de identidades margina- lizadas em outros espaços. Na institui- ção escolar, é possível que o psicólogo contribua na discussão sobre homofobia e sexismo, preconceitos que, mesmo em suas manifestações mais sutis, têm sido relevantes nas histórias escolares de diversas crianças e jovens.
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Gênero, sexualidade e currículo: percepções e proposições a partir de vivências em uma escola médica

Gênero, sexualidade e currículo: percepções e proposições a partir de vivências em uma escola médica

Com relação aos julgamentos de ordem religiosa, há de se encontrar resquícios do que foi explorado na História da Sexualidade de Foucault, conforme amplamente debatido no início deste trabalho e, considerando também o fato de que parcela importante da população trabalhadora da atenção primária vem de um estrato social cada vez mais capturado por movimentos neopentecostais, haverá, sempre que não se faça qualquer contraponto, um juízo moral em que, conforme observam Martins e colaboradores (2014), tudo o que não se enquadra na cisgeneridade e na heterossexualidade é entendido como “algo incorreto”, em função de um ordenamento divino para a divisão binária de gênero, sendo a qual, o homem e a mulher são feitos um para o outro. A patologização, o anormal, seja biológico ou psicológico, fica por conta não de uma ciência, mas um outro tipo de poder, legitimado por uma moral hegemônica de cunho religioso.
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Gênero e sexualidade na escola

Gênero e sexualidade na escola

Nesse entendimento, há uma ligação direta entre a quantidade de parceiros sexuais que uma mulher teve/tem na sua vida e o seu caráter, em uma escala inversamente proporcional. Em outras palavras, a inexperiência sexual das mulheres funciona como um “atestado” de bom caráter. Assim, quanto maior a quantidade de parceiros sexuais ela tiver, menos prestígio ela terá perante a sociedade. As mulheres que assumem a sua sexualidade e vivenciam os seus desejos são, geralmente, subjugadas,consideradas putas, impudicas, piriguetes e sem valor. Por outro lado, há um discurso de que o homem pode transar indiscriminadamente. Outra fala do estudante Leandro traz outros elementos importantes de serem refletidos:
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UMA ETNOGRAFIA NA ESCOLA: GÊNERO E SEXUALIDADE ENTRE JOVENS EM FLORIANÓPOLIS

UMA ETNOGRAFIA NA ESCOLA: GÊNERO E SEXUALIDADE ENTRE JOVENS EM FLORIANÓPOLIS

combate a homofobia, machismo, transfobia. Falei que esta temática era muito importante na minha vida e formação e que iríamos discutir bas- tante ela nas aulas, não somente nos tópicos do conteúdo programático. Após isso, falei um pouco sobre como entendia o ato de educar e o que representava para mim estar na sala de aula como professor, que só con- seguia imaginar uma relação frutífera se houvesse respeito, interesse de ambas as partes em nos conhecer e aprender. Tentei mostrar que, apesar das diferenças de lugares e de geração – catorze anos de diferença em média -, tínhamos bastante proximidade e que podíamos estabelecer um diálogo que não se desse a partir das hierarquias. Depois pedi que eles se apresentassem, dissessem seus nomes e idades, que dessem uma caracte- rística sua que achassem importante sobre si e, por fim, que falassem se gostavam de sociologia e o que esperavam das nossas aulas. Expliquei, também, que estava fazendo uma pesquisa sobre como se dão as rela- ções de gênero e sexualidades nas escolas, como se identifica e como a homofobia se dá na escola e que faria observações na escola.
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Gênero e sexualidade na escola

Gênero e sexualidade na escola

Os trabalhos desenvolvidos a partir da segunda metade dos anos de 1980 são fortemente impactados pela epidemia do HIV-Aids e pelos altos índices de gravidez entre adolescentes. Assim, longe de retomarem as propostas inovadoras do final da década de 1960, a maioria deles tem foco nas informações sobre o desenvolvimento biológico e na prevenção de doenças. O controle da sexualidade adolescente também era enfatizado, baseado no argumento de se evitar uma iniciação sexual precoce e posterior gravidez. Ou seja, retornamos às práticas do início do século XX. As campanhas de prevenção ao HIV-Aids e outras DST acabavam por criminalizar as práticas e relacionamentos homossexuais, culpabilizando essas pessoas e suas práticas pelos avanços da epidemia. Naquele momento, o movimento LGBT, que vinha se organizando desde o final da década de 1970, passa a ter um papel fundamental, realizando ações de combate ao preconceito e estimulando a solidariedade com pessoas soropositivas e doentes.
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Gênero e sexualidade na atualidade

Gênero e sexualidade na atualidade

Quinto: toda e qualquer ação nas escolas e universidades que vise o respeito à diversidade sexual e de gênero teria como o objetivo de ensinar os estudantes a serem homossexuais. Na verdade, o que os movimentos sociais e educadores defendem é que a escola seja um local que ensine o respeito à diversidade (LOURO, 2003). Os estudos acadêmicos, já desenvolvidos em vários lugares do mundo e que, nos últimos anos, têm crescido muito nas universidades brasileiras, mesmo com perspectivas metodológicas e teóricas distintas, são enfáticos ao defender que todas as orientações sexuais e todos os gêneros são legítimos. O simples fato de promover estudos como esses e incentivar o debate para o respeito à diversidade é entendido como proselitismo gay. Historicamente, o que ocorreu e ainda ocorre é que as famílias, as escolas e a sociedade em geral ensinam, de forma coercitiva e autoritária, que todos sejam heterossexuais. Se existe alguma promoção em curso, há séculos, é em relação à heterossexualidade e não em relação à homossexualidade.
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Práticas sociais contemporâneas: gênero e sexualidade, poder e reconhecimento

Práticas sociais contemporâneas: gênero e sexualidade, poder e reconhecimento

Essas regras só demonstram o quanto às relações humanas são construídos de acordo como o tempo e espaço que os sujeitos sociais se encontram imersos. Os processos de transformação, sejam subjetivos (ou da ordem do sociologicamente invisível) ou nas relações sociais macro, caracterizam-se por disputas mais ou menos intensas, derivando daí a necessidade de se pensar os limites mesmo da ideia de liberdade. Os meios de liberdade que os sujeitos deveriam se deleitar são castrados desde a infância, através dos meios socia- lizadores 7 como a família, escola, religião dentre outros mecanismos, os quais inculcam maneiras de ser que são encaradas como normais e naturais, impossibilitando uma agência subversiva. Todavia não se pode delegar essa ideia a todos os atores sociais, haja vista que as ações dos sujeitos estão amparadas por normas que deixam em suas bases fissuras, onde se podem elaborar formas de ser e de agir diante do que é exposto como verdade (GOMES; ALMEIDA; BENTO, 2001, p. 134). Diante das ideias apresentadas acima, compreende-se que há instituições e agências que regulam os corpos na tenta- tiva de padronizar e, sobretudo, normatizar os indivíduos para que eles correspondam as normas impostas socialmente. No caso dos homossexuais, o primeiro passo foi conferir o caráter de doença, nesse sentido oferecendo o controle dos “corpos doentios” a “cura” do discurso e regulação do saber médico e
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A saúde vai à escola: a promoção da saúde em práticas pedagógicas.

A saúde vai à escola: a promoção da saúde em práticas pedagógicas.

As ações de saúde podem ser uma palestra descompromissada com a realidade que cerca a escola e de vida dos alunos ou conversas nas quais seja estabelecida uma parceria com os alunos, de modo que o tema encontre relevância para estes. Segundo P1, no primeiro momento, a profissional buscou a familiarização entre ela e os sujeitos que seriam beneficiários de sua atuação. Num segundo momento, ela abordou a questão da sexualidade. Assim, não houve imposição dela e nem resistência dos alunos, já que foi caracterizada uma troca entre a profissional, com seu saber especializado, e os estudantes, com seu saber baseado nas suas vivências. Essa ação de saúde, na avaliação dos envolvidos, obteve êxito, e houve grande satisfação por parte das profissionais da escola já que os alunos, que anteriormente se mostravam relutantes em aceitar qualquer atividade diferente, participaram efetivamente. Assim, a forma como se deu a entrada da profissional de saúde fez toda a diferença. Sujeitos e coletividades ainda são tratados como objetos de ações isoladas e fragmentadas. O discurso dos usuários é ignorado pelo saber médico; sua subjetividade, tratada por um especialista; e seus hábitos ou modo de vida são frequentemente submetidos à ordem médico-sanitária de regras uniformes (COSTA; PONTES; ROCHA, 2006).
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