Top PDF José Cardoso Pires - O Delfim (PDF)(Rev)

José Cardoso Pires - O Delfim (PDF)(Rev)

José Cardoso Pires - O Delfim (PDF)(Rev)

 E um nome, em primeiro lugar, um nome apropriado que se torna próprio e emblema de um sentido natural da propriedade: o Delfim como herdeiro do poder numa linha de soberania, mas também o delfim como ave prenunciadora de desgraças e catástrofes. Mas é sobretudo o nome como emanação de um lugar: a lagoa. Porque é da lagoa, esse corpo de água e incessante respiração, essa voragem significante, porque é da lagoa que tudo parte, «Lagoa, para a gente daqui quer dizer coração, refúgio de abundância. Odre. Ilha. Ilha de água cercada de terra por todos os lados e por espingardas da lei. Mas ilha, odre, coroa de fumos ou constelação de aves, é a partir dela que uma comunidade de camponeses-operários mede o universo [...]. E, veja-se, é igualmente a lagoa (ou a nuvem em sua representação) que me chamou aqui e me tem entre quatro  paredes, à espera e a recordar.» Há assim um fio enigmático que nos une: todos nós, de José Cardoso Pires, escritor, até aos narradores em que o escritor se representa, dos tipógrafos aos capistas, dos editores aos livreiros, dos críticos aos leitores, dos professores aos estudantes, todos continuamos a ser, de certo modo, súbditos dessa lagoa que o texto de Cardoso Pires inventa para passar a ser apenas a sombra da sua  própria invenção. Há, portanto, uma circularidade que se alarga , é ela que nos envolve, e é para ela
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O discurso não confiável em O Delfim, de José Cardoso Pires

O discurso não confiável em O Delfim, de José Cardoso Pires

Poder-se-ia objetar, porém, que o motivo da divergência interpretativa em relação aos autores citados acima seria a nossa ignorância da história recente de Portugal. Não é uma objeção totalmente injusta. Cabe, em nossa defesa, contudo, retomar a pergunta que abre esse artigo: Que interesse o leitor brasileiro pode ter pelo romance de José Cardoso Pires? E, especificando mais os termos, referimo-nos ao leitor medianamente informado dos últimos episódios da política portuguesa. Terá ele que ler alguma obra historiográfica de referência, antes de iniciar a leitura dO Delfim? Esta última pergunta não deve ser entendida como simples provocação, mas como decorrente das sugestões dos textos interpretativos comentados mais acima. Ora, se a trama de Cardoso Pires é elíptica, fragmentada e obscura por ser uma representação dos “tempos sombrios da ditadura de Salazar”, não seria praticamente impossível a um leitor não- português caminhar pelo livro? 14 Cremos que, se assim o fosse, não haveria razão que justificasse o comentário, com o qual estamos de acordo, de Franklin de Oliveira na orelha da edição comemorativa: “Incorporá-lo [O Delfim] ao universo literário do leitor brasileiro, tão distanciado da nova ficção portuguesa, é ato de lucidez intelectual”.
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Visualização de CONVERGÊNCIAS ESTÉTICAS ENTRE O RENDER DOS HERÓIS E O DELFIM, DE JOSÉ CARDOSO PIRES

Visualização de CONVERGÊNCIAS ESTÉTICAS ENTRE O RENDER DOS HERÓIS E O DELFIM, DE JOSÉ CARDOSO PIRES

Oito anos depois da publicação de O Render dos Heróis, Cardoso Pires torna-se também o autor responsável por inaugurar o Pós- -Modernismo – ou Post-Modernismo, como quer Arnaut (2002) – no romance português com a publicação de O Delfi m, obra que “re-inventa” as tradições estéticas e “verdadeiramente inicia os novos rumos fi ccionais, os da fi cção portuguesa post-modernista, norteados pelos ventos que, por terras norte-americanas, se faziam já sentir desde o fi nal da Segunda Grande Guerra” (Arnaut, 2002: 79-82). Entre essas duas obras de Cardoso Pires, está a publicação do romance O Hóspede de Job (1963) que em certa medida “antecipa alguma coisa do que virá a ser, posteriormente, o apanágio da estética post-modernista que percorrerá a tessitura romanesca de O Delfi m” (Arnaut, 2002: 84), de modo que dentro do conjunto de obras do mesmo autor, ainda que em diferentes gêneros, a expressão estética vai sendo delineada a partir de recursos literários por ele aproveitados anteriormente.
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José Cardoso Pires: um delfim da escrita dialéctica e transparente

José Cardoso Pires: um delfim da escrita dialéctica e transparente

Este primeiro ângulo do romance, a sua hiper-verosimilhança, intersecta-se com um segundo ângulo: o lado parapolicial. O Delfim reflecte com precisão os novos caminhos do romance policial contemporâneo, na medida em que herda deste género a construção urdida pelo pormenor e pela sugestão, a capacidade de prender o leitor e a edificação textual centrada no testemunho, na interrogação, na dúvida, na esteira de um inquérito. Como afirma Eduardo Lourenço, "Uma das singularidades de Cardoso Pires foi a de conciliar a visão descontraída e ao pouco complacente das coisas e da vida tanto como uma espontânea sedução por certa tradição satírico-picaresca, com o paradigma do romance policial, apto como nenhum outro para dar corpo ao suspense necessariamente dramático, próprio de um inquérito e da solução do enigma que é simultaneamente, «caça ao homem» ((Jornal de Letras, 4/11/98).
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As margens no centro : lugares de desatenção na obra de José Cardoso Pires

As margens no centro : lugares de desatenção na obra de José Cardoso Pires

episódio de A Cidade da Confusão, ou o mundo às avessas, inserido em Aventuras Maravi- lhosas de João sem Medo (1963), de José Gomes Ferreira. Diria que, das vertentes metafísica e política da história de Sábato (no tratamento da paranóia e da vigilância), Cardoso Pires retém sobretudo a dimensão político-cultural, pois nos coloca perante uma seita de «cegos eruditos» que se dedicam ao culto da erudição pela erudição, da pureza da língua, da ordem, da disciplina, da «Regra», em suma. Em sintonia com o conteúdo, a história é narrada em forma de relatório e de requerimento, concluindo com a fraseologia burocrá- tica e típica do regime fascista: «Em nome da Pátria e da Cultura». Neste conto, é também de sublinhar o modo como Cardoso Pires continua o exercício de transmutação dos animais em seres humanos e de animalização destes últimos, criando a imagem de um universo zoomórfico, que, tal como o de Dinossauro Excelentíssimo, facilmente identifi- camos com o de Portugal do Estado Novo. Os cegos desta estranha estranha seita não parecem aqui distinguir-se dos cães que os conduzem e, no conto «Lulu» (também nesta colectânea), há mesmo uma permutação cão-homem levado ao extremo, na sexualidade aberrante da protagonista. Há, aliás, em toda a obra ficcional de Cardoso Pires, uma pro- fusão de cães, cujo significado se torna claro em O Delfim: o cão-servo, submisso e obe- diente, é simultaneamente cão-lobo, predador e polícia, extensão do marialva e da socie- dade marialvista. E, se dúvidas ainda restassem quanto à intencionalidade do privilégio dado aos cães na sua obra, e a sua plurifuncionalidade, elas seriam facilmente dissipadas pelo próprio Cardoso Pires em E agora, José? Nesse livro de difícil catalogação há um verda- deiro tratado sobre cães, na evocação de lendas e mitos em que eles figuram, a par das muitas remissões para a Bíblia e para Heródoto, entre outros livros e nomes aí referidos. Cardoso Pires não só acentua o facto de o cão encarnar, tradicionalmente, o sentido de propriedade, como o de «ocupa[r] um lugar obrigatório de encenação paternalista» 31 . E, mais relevante ainda, ao relembrar-nos como a história do Cristianismo é abundante em cinocéfalos, Cardoso Pires articula de forma não panfletária, nem explicitamente moralista (e moralizante), a ideia de obscurantismo e atraso social com os aspectos mais negativos e irracionais da religião cristã e de mitos que com ela tenham afinidades 32 .
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Balada na praia dos cães de José Cardoso Pires: construção e desconstrução paradigmáticas em um romance de investigação

Balada na praia dos cães de José Cardoso Pires: construção e desconstrução paradigmáticas em um romance de investigação

Ironicamente, no entanto, grande parte da magia do autor de obras como O Delfim (1968) e Dinossauro Excelentíssimo (1972), está em sua capacidade de manter o mote, ou “plot” como preferem os anglo-saxãos, oculto, debalde todos os esforços de seus leitores. De qualquer modo, desde, principalmente, a última década do século XX, suas “Gafeiras”, “Lisboas”, “Palma-Bravos”, “Elias” e “Furões” têm sido cada vez mais conhecidos e, o que é mais importante, reconhecidos mundo a fora. Segundo, mais uma vez, SARAIVA; LOPES (2005, p. 1092), com “(...) o romance também aparentemente policial de inspiração histórica, Balada na Praia dos Cães (...), ergue-se ao nível dos melhores narradores portugueses, aquele
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Delfins, corvos e dinossauros: interseções discursivas em José Cardoso Pires

Delfins, corvos e dinossauros: interseções discursivas em José Cardoso Pires

Em O delfim, a freqüência de interseções complexifica absolutamente o discurso e nos conduz não apenas a permanentes recontextualizações, como a consciencializar um processo importante na produção de sentido para a escrita cardosiana: refiro-me ao processo de renovação de horizontes de indagação e de entendimento. De cada vez que varia o intertexto, e com ele o contexto, somos obrigados a reajustar o olhar e, com ele, os componentes do sentido. Para além de retomadas dos tipos de discursos cuja presença já assinalei em outros livros, a personagem que n’O delfim se denomina “Escritor” cria duas grandes fontes es- critas de interseções: os seus próprios “apontamentos”, redigidos por ocasião da anterior viagem à Gafeira, e uma Monografia do século XVIII, cujo autor o Es- critor considera “Mestre”. 4 Enquanto isso, na extraordinária seqüência do Bode-
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A narrativa de José Cardoso Pires: personagem, tempo e memória

A narrativa de José Cardoso Pires: personagem, tempo e memória

A emergência da importância da personagem acompanha o regresso do autor. Assim se justifica o segundo tópico, “O caminheiro de uma nova prosa”. Refiro-me às novas pro- postas de Cardoso Pires, escritor em transição, saído do neorrealismo, mas com um pro- cesso maturacional que lhe permitiu escrever O delfim, romance que, na opinião de vários críticos, assinala o início do pós-modernismo em Portugal. O “caminheiro”, palavra cara ao autor, associa-se ao seu trajeto e metaforiza a sua atitude diligente, o desejo que nele existe de atingir a perfeição formal.
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Inventário do romance Alexandra Alpha de José Cardoso Pires

Inventário do romance Alexandra Alpha de José Cardoso Pires

José Augusto Neves Cardoso Pires nasceu a 2 de Outubro de 1925, na aldeia de São João do Peso, no distrito de Castelo Branco e faleceu a 26 de Outubro de 1998 em Lisboa, cidade para onde veio com poucos meses de idade. Entre 1935 e 1944 frequentou o Liceu Camões, onde foi aluno de Rómulo de Carvalho e Delfim Santos e após este período ingressou em Matemáticas Superiores na Faculdade de Ciências de Lisboa, não chegando porém a terminar a licenciatura. Em 1945 alistou-se na Marinha Mercante como praticante de piloto, atividade que também abandonou constantemente. Entre 1960 e 1961 esteve exilado no Brasil e em Paris e durante este último ano foi eleito membro da direcção da Sociedade Portuguesa de Escritores. Entre 1969 e 1971 leccionou Literatura Portuguesa e Brasileira no King’s College da Universidade de Londres e em 1974 foi nomeado Vereador do Pelouro da Cultura e Presidente da Comissão da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa. Em 1985 foi feito Comendador da Ordem da Liberdade e em 1989 recebeu a Grã-Cruz da Ordem do Mérito. Em 1995 sofreu um acidente vascular cerebral e a partir de Julho de 1998 entrou em coma profundo. O seu corpo foi velado no Palácio Galveias e as suas cinzas foram depositadas no Mausoléu dos Escritores no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa. A Câmara Municipal de Lisboa perpetuou a sua memória ao atribuir em 1999 o seu nome a uma rua na Freguesia do Lumiar e ao produzir em 2008 uma curta-metragem intitulada Fotogramas Soltos das Lisboas de Cardoso Pires, realizada por António Cunha.
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Agrupamento de Escolas General Humberto Delgado Sede na Escola Secundária/3 José Cardoso Pires Santo António dos Cavaleiros

Agrupamento de Escolas General Humberto Delgado Sede na Escola Secundária/3 José Cardoso Pires Santo António dos Cavaleiros

Reconhecer o papel de diferentes suportes (papel, digital, visual) e espaços de circulação (jornal, internet…) na estruturação, receção e impacto dos textos. Ler textos narrativos, dram[r]

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O CANTO DO CISNE NO RETORNO DO EU AO ATO DA ESCRITA Estudo comparativo dos testemunhos de José Cardoso Pires e de José Luis Sampedro

O CANTO DO CISNE NO RETORNO DO EU AO ATO DA ESCRITA Estudo comparativo dos testemunhos de José Cardoso Pires e de José Luis Sampedro

De forma convicta e a propósito do assunto referido, o autor desta carta levanta a questão do papel do escritor escolhido como porta-voz da humanidade, pela sua missão testemunhal e natural agudeza de espírito. Afirma que no mundo há quem esteja nas mesmas circunstâncias e não lhes é permitido o mesmo: sobreviver e ter oportunidade e discernimento para dar o seu testemunho. Está implícita essa ideia de um estatuto especial atribuído a José Cardoso Pires escritor, que pôde testemunhar na sua obra De Profundis, Valsa Lenta o homem novo renascido da quase-morte, à maneira dos alquimistas, porque “talvez não seja tão ateísta como julga ser”. Ainda numa perspetiva alquimista, mas também segundo o próprio Nietzsche preconiza, é a mensagem da inevitabilidade de apodrecer aquilo que em nós nos paralisa, para fazer renascer e sublimar uma nova ação. Este Zé, visto pelo olhar de um anónimo insuspeito, era um escolhido por Deus. Não há dúvida que, antes de mais, para este escritor, tal como para o próprio filósofo Nietzsche, era urgente redimir o ser humano da sua moral, libertando- o dos valores decadentes.
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Agrupamento de Escolas General Humberto Delgado Sede na Escola Secundária/3 José Cardoso Pires Santo António dos Cavaleiros

Agrupamento de Escolas General Humberto Delgado Sede na Escola Secundária/3 José Cardoso Pires Santo António dos Cavaleiros

Escrever textos informativos contemplando: uma introdução, dando a visão geral do tópico; o desenvolvimento do tópico, com informação agrupada logicamente em parágrafos e secções (inclu[r]

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José Cardoso Pires, O Anjo Ancorado e o Portugal dos anos 50: uma viagem entre estruturas e registos linguísticos

José Cardoso Pires, O Anjo Ancorado e o Portugal dos anos 50: uma viagem entre estruturas e registos linguísticos

4. Mas o romance surge constelado predominantemente pelas conversas entre os dois elementos do casal. Em contraposição à linguagem extremamente po- bre das mulheres a propósito do pequeno melro surge o discurso excessivo, petu- lante, exuberante, de Guida, que interroga insistentemente o seu companheiro de viagem acerca de tudo, utilizando expressões complexas, recorrendo a numerosas subordinadas com verbos no imperfeito do conjuntivo e a um léxico por vezes deli- beradamente ousado. A rapariga, com uma experiência de vida em ambiente estu- dantil, forjada na academia, ainda que responda a instâncias culturais, apresentando uma maior riqueza de adjetivos e uma articulação verbal rica e variada, exprime o seu pensamento de uma forma tortuosa e com sobreposição de elementos. A sua linguagem peca por vezes por falta de espontaneidade, por tentativas falhadas de au- tobiografismo, por um formalismo que vai construindo uma barreira linguística que a separa do seu companheiro. A tentativa que a rapariga faz de superar as distâncias acaba por ser inviabilizada pelas intervenções da personagem masculina que, com constantes referências sarcásticas e com uma linguagem enxuta, por vezes agressiva e conflituosa, desmistifica e ridiculariza a linguagem por ela utilizada. Repare-se, por exemplo, no momento em que Guida tenta, sem obter resposta, acariciar João; ou em que este, mostrando o enorme peixe que acaba de pescar, corrige Guida, de forma irónica e irritante, quando esta pronuncia mergo em vez de mero : “ Mero . Ao menos respeite os pergaminhos dos bons peixes. Mero , me-ro. ” (para melhor reproduzir o registo oral, Cardoso Pires recorre aqui ao hífen a dividir as sílabas). O escritor subli- nha também assim, com extrema severidade, outras palavras e frases, verbos e formas de entoação utilizados pela professora licenciada que, numa equação de opostos, é exposta a um encontro/confronto com João, o seu companheiro de viagem, burguês como ela, frequentador das mesmas festas e dos mesmos ambientes. A frase “[e]sta gente tem personalidade” 23 , por exemplo, referindo-se a alguns rostos dispersos em
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Agrupamento de Escolas General Humberto Delgado Sede na Escola Secundária/3 José Cardoso Pires Santo António dos Cavaleiros

Agrupamento de Escolas General Humberto Delgado Sede na Escola Secundária/3 José Cardoso Pires Santo António dos Cavaleiros

Ler textos narrativos, descritivos, retratos, cartas, textos de enciclopédias e de dicionários, notícias, entrevistas, roteiros, sumários e texto publicitário.. COMPREENDER O SENTIDO DO[r]

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Agrupamento de Escolas General Humberto Delgado Sede na Escola Secundária/3 José Cardoso Pires Santo António dos Cavaleiros

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Descritor 2: Reconhecer, dados dois números inteiros de sinal contrário não simétricos, que a respetiva soma é igual ao número inteiro de sinal igual ao da parcela com maior [r]

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Agrupamento de Escolas General Humberto Delgado Sede na Escola Secundária/3 José Cardoso Pires Santo António dos Cavaleiros

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O contributo do Auxiliar de Saúde, na equipa multidisciplinar, para a satisfação das necessidades humanas básicas do utente: higiene e conforto; alimentação; hidrat[r]

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O IMPERADOR DINOSSAURO E MAIS DOIS REIS MORTOS: PARÓDIA E IRONIA EM “DINOSSAURO EXCELENTÍSSIMO” DE JOSÉ CARDOSO PIRES

O IMPERADOR DINOSSAURO E MAIS DOIS REIS MORTOS: PARÓDIA E IRONIA EM “DINOSSAURO EXCELENTÍSSIMO” DE JOSÉ CARDOSO PIRES

RESUMO: Em “Dinossauro Excelentíssimo”, de José Cardoso Pires, há um protagonista de origem humilde que se aproximanão só com o que se conhece a respeito da vida de Salazar, como também permite a recuperação de um modelo mítico de líder político que seu governo propagava. O ditador se utilizou da crença no retorno do rei salvador, fincada no sebastianismo, a fim de justificar sua forma de governar. A aproximação daquele com a figura do messias, seja um personagem da história portuguesa ou um bíblico, adquire diferentes configurações em “Dinossauro Excelentíssimo”: ela é construída pelo entrelaçamento que se tece, já a partir da infância, entre a vida daquele que viria a ser o futuro imperador do Reino dos Mexilhões e Jesus. Tudo isso se faz de maneira paródica, pois, as aproximações entre as diferentes personagens, são trazidas e quase imediatamente subvertidas. Nosso trabalho investiga de que maneira o uso da paródia à vida de Jesus problematiza a imagem de líder político ideal, propagada no governo de Antônio de Oliveira Salazar. Para isso nos utilizamos das reflexões de Hutcheon (1985, 1991, 2000) e Lourenço (2010) e chegamos à conclusão de que o uso da paródia permitiu a problematização da ideologia salazarista.
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Agrupamento de Escolas General Humberto Delgado Sede na Escola Secundária/3 José Cardoso Pires Santo António dos Cavaleiros

Agrupamento de Escolas General Humberto Delgado Sede na Escola Secundária/3 José Cardoso Pires Santo António dos Cavaleiros

Desenvolver boas práticas num sistema preventivo de segurança alimentar, através da análise dos perigos e do controlo dos pontos críticos do processo. Desenvolver procedimentos para o[r]

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E SCOLA SECUNDÁRIA COM 3.º C ICLO JOSÉ CARDOSO PIRES S ANTO ANTÓNIO DOS CAVALEIROS

E SCOLA SECUNDÁRIA COM 3.º C ICLO JOSÉ CARDOSO PIRES S ANTO ANTÓNIO DOS CAVALEIROS

A ESJCP tem vindo a valorizar e a estimular as aprendizagens educativas do corpo discente, como se pode constatar pela implementação de várias medidas e pela adesão a diferentes iniciat[r]

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A retórica do poder em Dinossauro Excelentíssimo de José Cardoso Pires e El otoño del patriarca de Gabriel Garcia Márquez

A retórica do poder em Dinossauro Excelentíssimo de José Cardoso Pires e El otoño del patriarca de Gabriel Garcia Márquez

A necessidade, mencionada há algumas páginas, que recai sobre a imposição do silêncio como apanágio do “bem maior para a nação”, era utilizada pela retórica de Salazar, assim como a anulação do indivíduo, ou a “invisibilidade sacrificial do indivíduo [que] garantirá o surgimento da nova presença da Nação” (Gil, 1995: 32). José Gil apõe que a ideia de sacrifício se coaduna com uma assimilação da Paixão de Cristo à narrativa subjacente no nacionalismo português, embora não seja evidente. No entanto, os temas discursivos da retórica de Salazar “mantêm-se sempre presentes: o sacrifício e a salvação, as três etapas lógicas da salvação – desordem, negação da desordem através do sacrifício e do sofrimento, redenção e renascimento, nova ordem nacional” (Gil, 1995: 29). Contudo, o ditador recusa peremptoriamente a morte como saída possível, ao contrário da Paixão de Cristo (Gil, 1995: 30), e, diz-nos o filósofo, que tal “está de acordo com a sua declarada recusa da violência como forma de repressão política” (idem, ibidem). Disto discordamos. É certo que Salazar não se manifestava sobre as técnicas que deveriam ser, ou eram, usadas pelos agentes da polícia política, mas é bem conhecida a sua declaração à pergunta de António Ferro sobre os métodos de tortura da PIDE: “E eu pergunto a mim próprio, continuando a reprimir tais abusos, se a vida de algumas crianças e de algumas pessoas indefesas não vale bem, não justifica largamente, meia dúzia de safanões a tempo nessas criaturas sinistras...” 85 Não é uma
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