Top PDF O negro na literatura infantil: de Lobato a Ana Maria Machado

O negro na literatura infantil: de Lobato a Ana Maria Machado

O negro na literatura infantil: de Lobato a Ana Maria Machado

Este trabalho tem como objetivo realizar uma reflexão crítica sobre como o negro é representado em duas obras da literatura infantil. Para tanto, serão analisadas as narrativas Histórias de tia Nastácia (1937), de Monteiro Lobato e Menina bonita do laço de fita (1996), de Ana Maria Machado, obras destinadas ao público infantil em que o negro figura como um dos temas centrais. Em Histórias de tia Nastácia, conforme sugere o próprio título, temos a personagem tia Nastácia, que é uma fiel representante do povo ignorante e sem cultura, sujeita aos domínios dos brancos, tidos como superiores à época em que o livro foi publicado. O tratamento dispensado à negra é negativo, pois a tia Nastácia se refere a personagem com os designativos ―negra beiçuda‖, ―ignorante‖, ―sem cultura‖. Já em Menina bonita do laço de fita, por sua vez, a autora nos apresenta a beleza de uma menina negra que é comparada a uma ―fada do reino do luar‖, e, portanto, exalta a beleza do negro com carinho e admiração. A análise se deterá na observação dessas duas personagens femininas e buscará mostrar o tratamento que é dispensado ao negro nessas narrativas. Para tanto recorremos aos estudos de Cademartori (2004), Cândido (2005), Cunha (2004), dentre outros.
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O negro na literatura infantil: leitura de Menina bonita do laço de fita, de Ana Maria Machado

O negro na literatura infantil: leitura de Menina bonita do laço de fita, de Ana Maria Machado

Esta pesquisa objetiva analisar a narrativa Menina bonita do laço de fita, (1986), de Ana Maria Machado, procurando mostrar de que maneira o negro é representado nessa obra, que encanta pela musicalidade de sua linguagem simples e ao mesmo tempo poética. Tal proposta se justifica na medida em que a autora cria uma protagonista que é comparada a uma “fada do reino do luar”. A comparação já aponta para uma mudança de paradigma que se instaura na atual Literatura Infantil, uma vez que o comum em narrativas para crianças é que as fadas sejam loiras e de olhos azuis. Mas a menina de Ana Maria Machado nesse livro é negra e sua pele é escura, “que nem o pelo da pantera negra quando pula na chuva”. Essas comparações, por sua vez, demonstram a valorização que assumirá no enredo dessa narrativa, a qual coloca o negro num lugar de prestígio, contrariando, assim, a lógica preconceituosa com que a sociedade ainda encara este segmento da sociedade. Nesse sentido, cabe uma leitura da obra que discuta e reflita o lugar do negro na literatura destinada ao público infantil e, por extensão, na sociedade atual.
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Ana Maria Machado: os meninos que moram em suas histórias.

Ana Maria Machado: os meninos que moram em suas histórias.

Esse começo, confesso, me trouxe dificuldades. A minha itinerância pelas Bibliotecas Anísio Teixeira - Faculdade de Educação desta Universidade, Biblioteca Central - Barris; Biblioteca Monteiro Lobato - Nazaré; Biblioteca Juracy Magalhães Júnior - Rio Vermelho; pelos sebos que conheço foi quase sempre frustrante; pois encontrei somente algumas obras de Ana Maria, aquelas mais conhecidas e divulgadas, porém as que eu procurava especificamente para a construção da pesquisa, onde os meninos fossem protagonistas, foi muito difícil. Esse dado me fez também pensar sobre a desatenção dada à obra de uma escritora premiada, primeira representação de escritora de literatura infantil na Academia Brasileira de Letras, e à criança, sua leitora principal. Por fim, somente recorrendo à biblioteca particular de minha orientadora, tive acesso ao acervo que permitiria a realização do procedimento referido.
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Formação de leitores e literatura infantil: a importância do trabalho com a obra de Ana Maria Machado

Formação de leitores e literatura infantil: a importância do trabalho com a obra de Ana Maria Machado

Através das comparações e outras imagens poéticas, a maneira positiva com que Ana Maria Machado retrata a menina negra em sua narrativa, demonstra uma clara de mudança de paradigma em relação ao modo como o negro comparece na história. A valorização da figura negra é percebida do início ao fim do enredo e se instaura a partir do momento em que nos apresenta uma protagonista negra, cuja beleza é almejada pelo “coelho branco” que se encanta por sua beleza de tal modo que tenta há todo custo ficar com a mesma cor negra da menina.
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Um mergulho na Hélade :: mitologia e civilização grega na literatura infantil de Monteiro Lobato

Um mergulho na Hélade :: mitologia e civilização grega na literatura infantil de Monteiro Lobato

Significativamente, por meio de um molecote negro, de uma perna só, desprezado pelas elites e até então esquecido por estudiosos, Monteiro Lobato questiona o conceito de civilização à la francesa, que a burguesia brasileira insistia em copiar. 35 Como já relatamos, em 28 de janeiro de 1917, Lobato anuncia, na edição vespertina do Estado de S. Paulo, o Inquérito sobre o Saci, sob o título de Mitologia Brasílica, lançando três questões sobre o saci a serem respondidas pelos leitores. Dois meses depois o jornal anuncia um concurso de arte sobre o saci, também organizado por Lobato. Embora a mostra dos trabalhos, ocorrida em outubro, tenha contado com pouca participação de artistas brasileiros, a repercussão do inquérito e do concurso foi suficiente para que centenas de cartas chegassem à redação do jornal. Em cada uma delas, os leitores contavam histórias sobre o saci e faziam descrições, mostrando que, embora existissem diferenças regionais sobre os hábitos e aparências da criatura, Lobato estava certo em considerá-lo como um mito autêntico, disseminado por grande parte da população. No início de 1918, ele reúne o material da mostra e do inquérito e publica o livro O Sacy Pererê: resultado de um inquérito, que, de acordo com Míriam Stella Blonski, além de ter popularizado a figura do saci, acabou se tornando uma obra de referência sobre o assunto, reconhecida por folcloristas de renome, como Câmara Cascudo e Artur Ramos, pela inovadora metodologia empregada. 36 Além de selecionar as cartas com depoimentos e imagens das obras de arte que constariam no volume, Lobato também inclui alguns textos de sua autoria. Em carta de dezembro de 1917 a Godofredo Rangel, afirma que:
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A REPRESENTAÇÃO DO NEGRO NA LITERATURA INFANTIL

A REPRESENTAÇÃO DO NEGRO NA LITERATURA INFANTIL

A leitura dos textos supracitados é, realmente, proveitosa. Com efeito, toda obra literária apresenta seus elementos principais que são personagem, ação, espaço, tempo e foco narrativo. Nos exemplos supracitados vimos as ações, principalmente. Mas e quanto às personagens? No processo de sua construção, elas são escritas e/ou desenhadas a partir de determinado estereótipo. Noutro ponto, as obras são traduzidas. Pode ser que uma personagem idealizada, a partir do biotipo de determinado povo não esteja em acordo com o biotipo de outro povo que recebeu a tradução. Logo mais acima, dissemos que Monteiro Lobato deu uma ajustadinha na “A Cigarra e a Formiga” de La Fontaine, e não foi sem razão. Debaixo da linha do equador, as estações, mais tropicais, deixam-nos mais livres para a amenização do trabalho, para ajustar trabalho e prazer, caso contrário ao que ocorre na Europa de La Fontaine. Tais personagens ganham vida e, portanto, são boas ou más, superiores e inferiores, dominantes e dominadas, heroicas e vilãs. Como nossos textos infantis, tradicionais, sempre foram importados da Europa, tivemos um sério problema de identificação. Crianças negras, afrodescendentes, indígenas e mestiças não tinham um seu semelhante para se identificar. Restavam-lhes duas alternativas: ou se identificavam com a Branca de Neve e, neste caso, acabavam se invisibilizando, nutrindo adoração pelo que se não era, ou repeliam a Branca de Neve por não se verem nela, mas, sem saber onde se ver. Já fomos crianças e sabemos que a primeira alternativa ganhou e continua ganhando de 10 a 0. Qual criança, normal, não se apaixonaria
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Quebrando estereótipos: o papel do mediador na valorização do negro na literatura infantil

Quebrando estereótipos: o papel do mediador na valorização do negro na literatura infantil

Somente a partir de 1975, o negro começa aparecer numa perspectiva romper com o preconceito e a discriminação racial, embora, de acordo com Jovino (2006), as obras ainda se repetiam imagens com as quais se tinham por objetivo romper. Na década de 1980, o cenário começa a mudar, surgem autores com novas propostas para o livro infantil com imagens construídas na perspectiva de desconstruir estereótipos que ainda existiam por meio da representação . Ana Maria Machado, por exemplo, produz Menina Bonita do Laço de Fita (1986). O texto retrata a história de uma menina protagonista negra e um coelho branco que o tempo todo admira sua cor.
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Ana Maria Machado em sala de aula: leitura literária e formação do leitor

Ana Maria Machado em sala de aula: leitura literária e formação do leitor

Ana Maria Machado é carioca, do bairro de Santa Tereza. Na infância, passava os verões na praia de Manguinhos, no Espírito Santo, rodeada de carinho, sol e de histórias fantásticas ouvidas à noite. Criada numa família de leitores, aprendeu a ler sozinha, antes dos cinco anos. O Almanaque Tico-Tico e os livros de Monteiro Lobato foram suas primeiras leituras. Na adolescência descobriu os contistas, cronistas e romancistas brasileiros. No colegial começou a estudar pintura. Primeiro, na Escolinha de Arte do Brasil, depois no Atelier Livre do Museu de Arte Moderna. Pretendendo ser pintora, Ana se dedicou-se por doze anos às telas e tintas, estudando e expondo seus trabalhos. Formou-se em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fez pós-graduação em Linguística na École Pratique des Hautes Études, em Paris. Antes de iniciar sua carreira literária, foi pintora, jornalista, professora universitária. Teve uma livraria, trabalhou em biblioteca, em rádio e fez até dublagem de documentários. Fez doutorado em Linguística sob a orientação de Roland Barthes. Sua tese sobre a obra de Guimarães Rosa resultou no livro Recado do Nome. Escreveu vários romances e sua paixão pela leitura está evidenciada na obra Como e por que ler os clássicos universais desde cedo. Em 1969 começou a publicar histórias para crianças na revista Recreio, dirigida por Sônia Robatto. Escreveu para o público infantojuvenil mais de cem livros, lançados no Brasil e em 17 países com cerca de 18 milhões de exemplares vendidos. Seus livros foram traduzidos para muitas línguas e ditados pelas mais importantes editoras europeias e latino-americanas. Ganhou em 2000, a medalha Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infantil. Em 2001, recebeu o mais importante prêmio literário nacional, o Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra como ensaísta, romancista e autora de livros infantis e juvenis. Nesse mesmo ano, recebeu a Medalha Tiradentes, da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e a Ordem do Mérito Cultural, da Presidência da República. Em 2003, foi eleita para ocupar a vaga nº 1 a Academia Brasileira de Letras.
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A(s) metáfora(s) de leitura no texto de prefácio "Bom de Ouvido" de Ana Maria Machado

A(s) metáfora(s) de leitura no texto de prefácio "Bom de Ouvido" de Ana Maria Machado

Ao pensar em leitura, pensamos em experiências vivenciadas por todo leitor, principalmente quando criança, pois é nessa fase da vida que os livros de literatura passam a fazer parte do mundo do leitor. Conosco não foi diferente, nosso primeiro contato com leitura deu-se a partir de histórias em quadrinho lidas pelos pais. A partir de então, passávamos a ler o livro inventando nossas próprias histórias. Quando aprendemos a ler sozinhos, trocamos os gibis por livros da biblioteca da escola. Autores como Antoine de Saint-Exupéry, Hans Christian Andersen, Irmãos Grimm, Lewis Carroll, Cora Coralina, Monteiro Lobato, Ruth Rocha, Chico Buarque e Ana Maria Machado começaram a fazer parte desse novo mundo. Nos anos seguintes, os livros lidos eram de Pedro Bandeira e autores da coleção Vagalume, já nos anos finais do Ensino Fundamental. Autores como José de Alencar, Graciliano Ramos, Machado de Assis, dentre outros, fizeram parte das leituras do Ensino Médio. Ainda nessa fase, a história da Literatura Brasileira e da Literatura Portuguesa fez parte do nosso currículo escolar. O Curso de Magistério, para nossa surpresa, nos apresentou novamente as histórias de literatura que fizeram parte de nossa infância, e esse momento tornou-se decisivo para que pudéssemos dar continuidade à trajetória pelo mundo da leitura, porém, no curso de Letras.
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As marcas da poesia na prosa de Ana Maria Machado: leitura de Menina bonita do laço de fita

As marcas da poesia na prosa de Ana Maria Machado: leitura de Menina bonita do laço de fita

Desse modo, podemos afirmar que o livro infantil é fundamental na formação de leitores, tendo em vista que a infância é o melhor momento para o indivíduo iniciar sua emancipação mediante a função liberatória da palavra. Percebe-se que, a literatura infantil oferece aos leitores uma linguagem de fácil compreensão, traços muito presentes na Obra de Menina Bonita do laço de Fita, a autora busca dar ao leitor o caráter imaginário descrito com beleza poética e ilustrações, por meio de linguagens visuais e verbais.
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As palavras, as palavrinhas e os palavrões na obra de Ana Maria Machado.

As palavras, as palavrinhas e os palavrões na obra de Ana Maria Machado.

A presente monografia tem como objetivo responder questões pessoais minhas e fornecer a leitores, principalmente professores e futuros professores, conhecimentos sobre aspectos semânticos da literatura infantil, representada pela obra de Ana Maria Machado. Para tanto, tomei a leitura como procedimento principal da pesquisa que tem caráter tanto bibliográfico quanto prático. Do ponto de vista bibliográfico, percorro as teorias da palavra, o estudo da linguagem que produz a literatura infantil e a semântica, até chegar à linguagem nas obras de Ana Maria Machado, análise das obras da autora e, por fim, a contribuição desses estudos para a educação. Todo esse percurso foi embasado por autores como Eni Orlandi, Michel Bréal, Bakhtin, Beth Brait, Ana Maria Machado, Nelly Novaes Coelho, Marisa Lajolo, Domício Proença Filho, Edgar Morin, Maria José Palo, Maria Rosa D. Oliveira e outros, que foram necessários para a constituição dos capítulos que compõem a monografia. Do ponto de vista prático, é feita análise de três livros da obra de Ana Maria Machado, intencionalmente escolhidos: Camilão, o comilão, Beto, o carneiro e Dorotéia, a centopeia. Na continuidade, debato sobre a contribuição desses estudos para a educação. Os resultados mostraram que Ana Maria Machado escreve uma literatura infantil que considera a “língua brasileira, com sua flexibilidade, sua variedade, seu ritmo e sua dança, sua ginga inventiva, seu jogo de cintura, sua irrelevância” e que esse modo de escrever pode favorecer a educação das crianças que forem suas leitoras.
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Traços pós-modernos em Ana Maria Machado: uma vertente infantil do questionamento do poder

Traços pós-modernos em Ana Maria Machado: uma vertente infantil do questionamento do poder

Não há uma resposta definida para o fato de a menina ser negra e nem uma preocupação nesse sentido. O coelhinho, com o intuito de realizar seu desejo de ter uma filha pretinha e linda como a menina, descobre que é só arrumar uma parceira preta. Com a associação do branco com o negro, revela-se a mestiçagem, pois nascem filhotes brancos, cinza, negros e mesclados. A idéia da mescla e da heterogeneidade típicas das tendências pós-modernas simbolicamente revelam-se nessa união, sem que haja qualquer natureza de oposição ou exclusão dos elementos. O que é o diferente? Quem define o igual para que se possa constituir, em oposição a ele, o que é diferente? Na história em questão, revela-se a diluição dessas diferenças através do nascimento dos filhotes, ainda que o destaque seja dado à coelhinha negra no final.
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ANA MARIA MACHADO: DA CRIAÇÃO FICCIONAL À CRÍTICA – O VALOR DA LEITURA LITERÁRIA

ANA MARIA MACHADO: DA CRIAÇÃO FICCIONAL À CRÍTICA – O VALOR DA LEITURA LITERÁRIA

68 Nesse primeiro capítulo, Machado ainda faz mais algumas observações e uma delas consiste na crítica que direciona à escola e aos pais que obrigam crianças e jovens a lerem somente para fazer prova. Cita Monteiro Lobato, para quem obrigar alguém a ler um livro, mesmo que seja pelas melhores razões do mundo, só serve para vacinar o indivíduo para sempre contra a leitura; e Oscar Wilde, para quem os acadêmicos e aqueles que se acham donos da literatura muitas vezes empregam os clássicos ao modo do guarda com seu cassetete, para dar com eles à cabeça dos outros, principalmente dos inovadores que querem sair da linha e se afastar do que presumem ser a legalidade literária. Para a autora, a leitura dos clássicos para crianças e jovens não consiste no contato forçado com Machado de Assis, Raul Pompéia ou José de Alencar para efeito de fazer prova ou de cobrança valendo nota. Ela defende a ideia de que se o leitor travar conhecimento com um bom número de narrativas clássicas desde pequeno, mesmo se esse contato for feito por meio de boas adaptações, esses eventuais encontros com nossos mestres da literatura virão a acontecer naturalmente no final da adolescência. E frisa, ainda, que as adaptações dirigidas ao público infanto-juvenil servem para estimular a curiosidade e funcionam como um “trailer”, mostrando em que consiste a obra, para que, posteriormente, esse jovem possa buscar tal narrativa em sua íntegra.
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O IMAGINÁRIO NA LITERATURA INFANTIL E JUVENIL E A FORMAÇÃO DO LEITOR: um estudo do simbolismo na obra de Ana Maria Machado

O IMAGINÁRIO NA LITERATURA INFANTIL E JUVENIL E A FORMAÇÃO DO LEITOR: um estudo do simbolismo na obra de Ana Maria Machado

A Psicologia Experimental também contribuiu significativamente para inserir a literatura infantil e juvenil como princípio relevante na formação do sujeito, haja vista que as características que envolvem a literatura também tiveram por base o princípio das estruturas mentais - a inteligência - e os aspectos psíquicos e cognitivos, construídos internamente e individualmente a partir dos diferentes estágios de desenvolvimento das fases da infância, da adolescência, e a fase adulta. Acreditamos que, quanto mais cedo o sujeito mantiver contato com a linguagem da literatura, esta pode influenciar significativamente para a formação da sua personalidade, pois linguagem e realidade relacionam-se intrinsecamente. As teorias cognitivistas, psicossocial do desenvolvimento da mente humana que têm seus fundamentos no entendimento da relação do homem com o meio, podem contribuir para a elucidação dessa interação.
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A literatura infantil como processo emancipatório na obra Abrindo Caminhos, de Ana Maria Machado

A literatura infantil como processo emancipatório na obra Abrindo Caminhos, de Ana Maria Machado

Os livros em série de ficção científica, como mistério policial, eram os gêneros que circulavam no país. Podemos observar algumas características importantes para a época: distanciamento do recorte didático e pedagógico, rompimento com o mundo fantástico tradicional, ou seja, a utilização de personagens tradicionais, tais como reis, fadas, rainhas e princesas serviram, para alguns autores, para a desmistificação – ou quebra do maniqueísmo tradicional dessas figuras. Pode-se exemplificar por meio de escritores como Marina Colassanti (Uma ideia toda Azul – 1979); Fernanda Lopes de Almeida (A fada que tinha ideias e Soprinho); Eliane Ganem (A fada desencantada); Ana Maria Machado (História meio ao contrário – 1979) e Bartolomeu Campos Queirós (Onde tem bruxa tem fada).
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A menina na literatura infantil: leitura de bem do seu tamanho, de Ana Maria Machado

A menina na literatura infantil: leitura de bem do seu tamanho, de Ana Maria Machado

Essas histórias de cavalaria e aventura, ainda conforme Cunha, constituirão posteriormente a gênese de uma literatura para crianças e jovens. A autora explica, ainda, que a procura de uma literatura adequada para a infância e juventude proporcionou o surgimento de duas tendências, a partir das que já formavam as leituras das crianças: “[...] dos clássicos, fizeram-se adaptações. Do folclore, houve a apropriação dos contos de fadas” (CUNHA, 1986, p. 20), entre as quais se destacam aquelas recolhidas por Charles Perrault e pelos Irmãos Grimm, colecionadores dessas histórias e que estão ligados à gênese da Literatura Infantil. Nesse contexto, Aguiar (2001) observa que a partir dessa época os pontos de concentrações e as recentes instituições, como a escola moderna, divulgavam as ideias em vigor, impondo condições para a criança exercer a sua função diante da sociedade. Nesse aspecto, a Literatura Infantil apareceu e serviu à proposição burguesa, formando mentalidades e estabelecendo o conjunto de convicções que dirigem as ações em uma sociedade.
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O trançar de uma trajetória : o feminino em Bisa Bia, Bisa Bel, de Ana Maria Machado

O trançar de uma trajetória : o feminino em Bisa Bia, Bisa Bel, de Ana Maria Machado

Essas "manias de arrumação" podem ser entendidas como disponibilidade de tempo, o que não se aplica à personagem, que aparenta ter um ritmo de vida bastante intenso. Isso se deduz também a partir da observação que Isabel faz no seguinte trecho da história: "Saí do box do chuveiro. Mamãe não estava no banheiro. Uma das distrações dela é essa mania de sair e deixar a gente falando sozinha. Depois ela fica perguntando tudo outra vez" (MACHADO, 2001, p. 22). Essa observação pode significar, em princípio, uma mera distração da personagem. Mas, associando-a às questões relacionadas ao feminino, pode-se dizer que essa característica representa a dificuldade de a mulher atual conciliar seus afazeres domésticos à sua condição autônoma. Num outro momento, quando Isabel tenta explicar para a mãe o que acontecera com a foto de Bisa Bia que levara para a escola, a "distração" da personagem é evidenciada. Isabel, sem coragem de dizer que havia perdido o retrato, diz que a bisavó estava morando dentro dela. Mas, o que ouve da mãe é "alguma coisa parecida com ann... ramm..., meio distraída" (MACHADO, 2001, p. 21).
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Sincronicidades: história, memória e ficção em Ana Maria Machado e Griselda Gambaro.

Sincronicidades: história, memória e ficção em Ana Maria Machado e Griselda Gambaro.

Em O mar nunca transborda e El mar que nos trajo, Machado e Gambaro privilegiam a herança multiétnica e multicultural de seus países e reescrevem a narrativa nacional através de “narrativas menores”, de pouca importância para a historiografia oficial, histórias de indivíduos e comunidades que viveram nos bastidores da história, ou seja, através das micro-histórias de segmentos da sociedade geralmente ausentes do quadro da história nacional, já que nesse quadro, em grande escala, privilegiam-se os nomes de heróis e generais, das grandes batalhas e acordos firmados, enquanto que a experiência dos “pequeninos” permanece irrelevante. Ao valorizar micro-histórias ocorridas à margem dos grandes eventos da história oficial, O mar nunca transborda e El mar que nos trajo caracterizam-se como exemplos da narrativa neo-historicista não incomum na virada do século XXI. Os personagens desse tipo de narrativa em geral não ocupam o papel de protagonistas da historiografia oficial, mas colocam-se “em relação dialética com situações políticas macro-históricas” (López Badano, 2006, p. 23, tradução nossa). Além disso, em O mar nunca transborda e El mar que nos trajo a história nacional é representada como um processo em andamento, como “história no processo mesmo do fazer histórico”, nas palavras de Homi Bhabha (1990, p. 3, tradução nossa) – ou a história como cotidiano que se está vivendo. Entretanto, o processo histórico assim retratado só é concluído provisoriamente, através da leitura que cada nova geração de leitores faz do passado, das experiências, memórias e pós-memórias das gerações anteriores.
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O feminino em Bisa Bel, Bisa Bel, de Ana Maria Machado : o trançar de uma trajetória

O feminino em Bisa Bel, Bisa Bel, de Ana Maria Machado : o trançar de uma trajetória

Fiz uma longa análise da situação da mulher na área de Letras (Estudos de Literatura) no contexto capixaba, apresentada como con- ferência de encerramento durante o VII Seminário sobre o Autor Capixaba “Bravos Companheiros e Fantasmas”, ocorrido em Vitória, em 2016. Elenquei e correlacionei dados sobre o percentual de mu- lheres que ingressam nos cursos de graduação e que saem tituladas doutoras da Universidade (presença majoritária de mulheres no início do percurso, redução drástica ao longo da formação acadêmica…), sobre a presença crescente de mulheres nas bancas de concurso pú- blico e o aumento progressivo de professoras no corpo docente da pós-graduação, sobre a dedicação maciça ao estudo das obras de au- tores homens nas teses de doutorado orientadas por professores do sexo masculino (e, claro, sobre o fato de os estudos dedicados às obras de mulheres serem majoritariamente realizados por mulheres e sob orientação de mulheres). Poderia ser tudo isso que trouxemos à luz uma coincidência ou, ainda, uma questão sem qualquer importância? Talvez pudesse, se nós não fôssemos mulheres que decidimos pôr o dedo nas feridas que (nos) doem.
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Metamorfoses Lobateanas: um olhar sobre a proposta sóciopedagógica da literatura infantil de Monteiro Lobato

Metamorfoses Lobateanas: um olhar sobre a proposta sóciopedagógica da literatura infantil de Monteiro Lobato

À minha orientadora, Prof.ª. Fernanda Maria Abreu Coutinho, por acreditar em meu sonho e não cortar minhas asas, possibilitando o vôo imaginário que nos conduziu à construção deste trabalho. À Professora Vera Moraes, pelo estímulo e confiança que antecedeu este trabalho, bem como pela indicação de uma linha de pesquisa e, conseqüentemente, a indicação de uma orientadora. Ao amigo professor António Manuel de Andrade Moniz, por ter aberto o coração, dispondo-se a uma leitura atenta, competente, generosa da presente dissertação e, por ter aceito o convite para participar da banca, estando presente de corpo e alma, mesmo morando em terras lusitanas. Aos professores do programa de Pós-Graduação da UFC, pela relevância das disciplinas ministradas durante o curso, em especial por terem feito valer a pena a complexa relação de pesquisa, efetuada com poucos recursos materiais em uma universidade pública sucateada. Aos demais professores e funcionários do centro de Humanidade. À minha querida amiga, Viviane Pinto Moreira, que compartilhou de tantos momentos difíceis e que sempre esteve disposta a me oferecer uma palavra de incentivo, motivando-me a continuar. Também agradeço por sua ajuda na difícil tarefa de correção do presente trabalho.
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