Top PDF O PROJETO DA MODERNIDADE SEGUNDO HABERMAS

O PROJETO DA MODERNIDADE SEGUNDO HABERMAS

O PROJETO DA MODERNIDADE SEGUNDO HABERMAS

por Kohlberg, que traz seis estágios separados em três níveis: (1) o pré- convencional (ações pragmáticas), na qual “a criança é capaz de responder a regras culturais e às noções de bom e de mau, do justo e errado, mas interpretando tais noções nos termos das consequências ou físicas ou hedonísticas da ação, ou ainda nos termos do poder dos que enunciam regras e noções” (HABERMAS, 1983, p. 60), 1º estágio: orientação por punição e obediência, 2º estágio: orientação instrumental-relativista; (2) o convencional (ações éticas), já que “o fato de satisfazer as expectativas da família, do grupo ou da nação a que um indivíduo pertence é percebido como algo avaliável pelo seu direito intrínseco, prescindindo-se das consequências óbvias e imediatas. É uma aptidão não só de conformar-se às expectativas pessoais e à ordem social, mas de lealdade em face dela, uma aptidão dirigida no sentido de manter ativamente, de apoiar e justificar essa ordem e de identificar-se com as pessoas ou o grupo nela envolvidos” (HABERMAS, 1983, p. 60), 3º estágio: concordância interpessoal, na qual um bom comportamento é o que satisfaz, agrada, ajuda ou auxilia os demais, além de ser apoiado pelos mesmos, 4º estágio: orientação “lei e ordem”, ou seja, orientação no sentido de autoridade e manutenção da ordem social, já que o comportamento justo seria cumprir o próprio dever, mostrar o respeito pela autoridade e manter a ordem social; e (3) o pós- convencional (ações morais), na qual “há um claro esforço no sentido de definir os valores e princípios morais que têm validade e aplicação independentemente da autoridade dos grupos ou das pessoas que os sustentam e do fato de que o próprio indivíduo se identifique ou não com tais grupos” (HABERMAS, 1983, p. 61), 5º estágio: orientação legislativa social contratual, a ação justa é entendida em termos de direitos individuais gerais que foram criticamente analisados pela sociedade e encontram aprovação da mesma sociedade, 6º estágio: orientação no sentido princípios éticos universais, ou seja, a definição de justo é tomada pela consciência, através de princípios éticos escolhidos de maneira autônoma, que recorrem à compreensão lógica, universal e consistente. Habermas acaba acrescentando um 7º estágio, na qual “o princípio que justifica as normas não é mais o princípio monologicamente aplicável da capacidade de generalização das mesmas, mas o procedimento comunitariamente seguido para emprestar realização discursiva às pretensões de validade normativa” (HABERMAS, 1983, p. 69).
Mostrar mais

16 Ler mais

Tecnização da natureza humana e possibilidades de autocompreensão ética da espécie segundo Habermas

Tecnização da natureza humana e possibilidades de autocompreensão ética da espécie segundo Habermas

Tomando como ponto de partida o que Habermas denomina “cientificação da técnica”, procuramos analisar sua interpretação acerca da intensa atividade científica e da produção de novas tecnologias e suas implicações na autocompreensão da espécie. Muito embora o lucro seja também o gerador das pesquisas científicas (por exemplo, o investimento em novos medicamentos), o teor social de seus fins fica em aberto, pois os meios pelos quais podem ocorrer as descobertas científicas se perdem no caminho da pesquisa quando ela mesma não passa de uma peça de um projeto histórico de domínio técnico-científico da sociedade. Os fins a serem atingidos com o acontecimento científico carecem de justificativas na medida em que se perdem no processo no qual a ciência deve percorrer até chegar às aplicações sociais, ou então eles não se perdem, mas a aplicação, a execução dos resultados científicos, pode representar um risco para a própria autocompreensão normativa da espécie, como é o caso da eugenia e da clonagem. No final, desde a ótica habermasiana, de um ou outro modo, em um ou outro caminho, verifica-se que a finalidade iluminista da ciência não se cumpre. Mas isso não se deve especificamente por ser a ciência parte do sistema e não do mundo da vida, e sim, porque seu eco ressoa em um mundo da vida com massas despolitizadas e cidadãos transformados em consumidores de produtos da tecnologia. A pesquisa trata dessa problemática focando a interpretação de Jürgen Habermas desde a relação entre natureza humana e moral no primeiro capítulo; do papel da religião diante da secularização e levando em conta a teoria da verdade habermasiana no segundo capítulo, e, por fim, no terceiro capítulo, do papel da ciência, do seu estatuto de objetividade e da sua relação com a filosofia. Com isso procurou-se reconstruir a interpretação de Habermas sobre um problema concreto que envolve a espécie humana e avaliar as possibilidades de tratá-lo desde a perspectiva ético-filosófica apontada por ele.
Mostrar mais

104 Ler mais

A CONSTRUÇÃO DE UMA NOVA ÉTICA SEGUNDO O DISCURSO DA MODERNIDADE REFLEXIVA E GLOBALIZADA

A CONSTRUÇÃO DE UMA NOVA ÉTICA SEGUNDO O DISCURSO DA MODERNIDADE REFLEXIVA E GLOBALIZADA

Ao surgir o novo, a modernidade por assim dizer implica no abandono de certas tradições até então válidas para recepcionar um pensamento que melhor se apresente. O Bauman define Modernidade como um período histórico que começou na Europa Ocidental no século XVII com uma série de transformações sócio-estruturais e intelectuais profundas e atingiu sua maturidade primeiramente como projeto cultural, com o avanço do Iluminismo e depois como forma de vida socialmente consumada, com o desenvolvimento da sociedade industrial. 26 (BAUMAN, 1999b, p. 299-300)
Mostrar mais

20 Ler mais

O pragmatismo de Nietzsche e o seu desdobramento estético segundo Habermas.

O pragmatismo de Nietzsche e o seu desdobramento estético segundo Habermas.

Nietzsche distancia-se do uso romântico dessas idéias e proclama uma versão mais radical de sua filosofia dionisíaca. Em 1886, no prefácio tardio ao NT, como enfatiza Habermas, ele apresenta as razões filosóficas que o le- varam a se afastar do mundo da ópera wagneriana, indagando: “Como de- veria ser composta uma música que não tivesse mais uma origem românti- ca, igual à alemã –, senão dionisíaca?” (Nietzsche, 1988, p 20, v.I). O que diferenciaria o dionisíaco de Nietzsche dos românticos? Para Habermas, Nietzsche não é tão original em sua consideração dionisíaca da história, ele apenas radicalizou a posição dos românticos que após a queda da unidade a qual a religião garantia viam no mito, como os gregos, a unidade com o todo. O que Nietzsche denomina de fenômeno estético, manifesta-se no re- lacionamento concentrado que mantém consigo mesmo uma objetividade descentrada e liberada das convenções cotidianas da percepção e da ação. Nietzsche, para Habermas, prossegue a purificação romântica do fenômeno estético em relação todo acréscimo teórico e moral. Influenciado por Scho- penhauer, 22 vê na experiência estética, a realidade dionisíaca ser isolada por um abismo do esquecimento contra o mundo do conhecimento teórico e da ação moral, contra o cotidiano. Por isso, a arte permite o acesso ao dio- nisíaco somente ao preço do êxtase, ao preço da desdiferenciação dolorosa, da perda dos limites do indivíduo, da fusão com a natureza amorfa, tanto interior quanto exterior (cf. Habermas, 1985, p.117). Essa versão scho- penhauriana do princípio dionisíaco, segundo Habermas, dá ao programa da nova mitologia uma guinada, alheia ao messianismo romântico, pois tra- ta-se agora de um abandono da modernidade esvaziada pelo niilismo. Com isso, Habermas, mais uma vez, como nos estudos dos anos 60, é implacável contra Nietzsche, devido a sua filosofia apresentar riscos ao programa iluminista o qual o filósofo frankfurtiano se vê vinculado. Afirma ele: “Com Nietzsche, a crítica da modernidade renuncia, pela primeira vez, a reter o seu conteúdo emancipatório. A Razão centrada no sujeito é confrontada com o absolutamente outro da razão” (idem, ibidem). Lançando a filosofia de Nietzsche na irracionalidade metafisicamente desfigurada.
Mostrar mais

23 Ler mais

A racionalização das tradições na modernidade: o diálogo entre Anthony Giddens e Jürgen Habermas.

A racionalização das tradições na modernidade: o diálogo entre Anthony Giddens e Jürgen Habermas.

Habermas ressalta o que ele chama de projeto da modernidade e que tem sido discutido nos dias de hoje. Segundo Harvey, mesmo sendo o termo moderno utilizado há tempos, o que Habermas chama de projeto da modernidade começou a vigorar durante o século XVIII. Harvey salienta que esse projeto corresponde a um grande esforço intelectual dos pensadores iluministas “[...] para desenvolver a ciência objetiva, a moralidade e a lei universais, a arte autônoma nos termos da própria lógica interna destas”, objetivando a emancipação humana a partir do acúmulo de conhecimento gerado por muitas pessoas trabalhando livre e criativamente (HARVEY, 1992, p. 23).
Mostrar mais

14 Ler mais

Fetichismo e fantasmagorias da modernidade capitalista: Walter Benjamin leitor de Marx — Outubro Revista

Fetichismo e fantasmagorias da modernidade capitalista: Walter Benjamin leitor de Marx — Outubro Revista

Resumo: O objetivo mais geral deste artigo é analisar, de modo introdutório, os vínculos entre a noção benjaminiana de fantasmagoria, desenvolvida no projeto das Passagens (1927-1940), e a teorização marxiana do fetichismo da mercadoria n’O Capital – relação que passa pela incorporação da análise da reificação contida em HCC, do jovem Lukács. A fim de destacar tanto as afi- nidades quando as especificidades da abordagem de Benjamin em relação à análise marxista “clássica” do fenômeno do fetichismo, toma-se como media- ção a perspectiva, elaborada pelo ensaísta alemão, de uma nova forma de “re- presentação” (crítico-alegórica) do capitalismo moderno. Tão-somente esta forma subversiva de representação da modernidade, esboçada nos poemas de Baudelaire ou nas empreitadas surrealistas, seria capaz, segundo Benjamin, de “desmascarar” (sem recorrer a uma totalidade alternativa pressuposta) a “totalidade formal” imposta pelas fantasmagorias do capital-dinheiro. Palavras-chave: Fetichismo; Walter Benjamin; Georg Lukács
Mostrar mais

22 Ler mais

AS IMAGENS DA MODERNIDADE NO PROJETO DAS PASSAGENS DE WALTER BENJAMIN

AS IMAGENS DA MODERNIDADE NO PROJETO DAS PASSAGENS DE WALTER BENJAMIN

Tal inclusão, como a própria citação revela, contribui para a imagem negativa que os teóricos da época teciam sobre a mulher inserida no processo da produção material, a imagem de que a mulher não somente perderia os seus traços femininos distintos, como também assumiria para si o costume dos modos desacertados e detestáveis do operário industrial, constituindo-se apenas como uma imitação da alma masculina. Contudo, para o poeta da modernidade, a inclusão no processo de produção, responsável pela modificação da imagem da mulher na sociedade, tornara-se matéria fértil para a sua fantasia, tanto que esses traços de masculinização assumem um caráter erótico. Indo mais além, assumem um caráter de resistência à modernidade. Resistência em dois sentidos: a) primeiramente, no sentido de encontrar mecanismos de resistir à temporalidade destrutiva da produção mercadológica, isto é, a imagem masculinizada da mulher evoca a dureza das heroínas da Grécia antiga – Amazonas – a fim de sobreviver a um ambiente extremamente inóspito, como é o caso do trabalho industrial. Para o poeta, esse caráter de sobrevivência à industrialização pode ser entendido como um caráter de sobrevivência à própria sociedade moderna, visto que as mulheres também são tidas como excluídas, em um lugar subalterno na organização social. Nesse contexto, Baudelaire confere a essa resistência, em um segundo momento, b) um acento puramente sexual, ou seja, uma resistência em todos os sentidos, inclusive à dominação que o homem visa exercer sobre o corpo feminino e, consequentemente, ao habitual destino de ser mãe. As palavras de Claire Demar, citadas por Benjamin (1989, p. 89), revelam, ipsis litteris, esse ma nifesto de resistência heróica, a saber: “Abaixo a maternidade! Abaixo a lei do sangue! Digo: abaixo a maternidade! Se algum dia a mulher se libertar do homem que lhe paga o preço do seu corpo... então deverá sua existência exclusivamente à sua própria cri atividade.” Ademais, segundo o filósofo, é essa a “estampa em sua versão original” da “imagem da mulher heróica recolhida por Baudelaire” (DEMAR apud BENJAMIN, 1989, p. 89), uma imagem heróica que revela os esforços de resistência para sobreviver em uma sociedade na qual a mulher não possui nenhum lugar, a não ser o local de mãe e esposa, subalterna ao homem.
Mostrar mais

116 Ler mais

Habermas: da análise da Öffentlichkeit ao projeto de uma "teoria do agir comunicativo".

Habermas: da análise da Öffentlichkeit ao projeto de uma "teoria do agir comunicativo".

posições. Nesse sentido, a “esfera pública” adquire um status normativo no seio do século XVIII. Essa inter-relação, Habermas a aponta mesmo na atividade literária. Ele menciona, por exemplo, os saraus literários, um típico fenômeno burguês. Neles, o sujeito revelava sua subjetividade diante do outro. Esse seria, segundo Habermas, um exemplo do privado ganhando publicidade. Isso representaria um aprendizado para que o indivíduo se tornasse capaz de expressar, agora publicamente, suas perspectivas particulares. Tal elemento exigiu igualmente o advento de normas discursivas, as quais passaram a determinar um novo tipo de sujeito (em uma nova concepção normativa de sujeito), um sujeito capaz de usar publicamente sua voz (com vistas à manifestação de seus pensamentos, sentimentos privados etc.). Aqui passa a viger, pois, uma nova forma persuasiva, não mais a tradição ou a autoridade, mas a racionalidade. Desse modo, os mais variados temas passam a ser possíveis objetos de crítica. Mesmo assuntos delicados, envolvendo a autoridade da Igreja ou do Estado, por exemplo, passaram a ser tematizados: a esfera pública (burguesa) pôde colocar em debate temas até então inquestionáveis. E todos deveriam poder participar do debate. Com isso, Habermas chega, em sua abordagem da gênese da Öffentlichkeit, à conclusão de que esta se tornou um novo princípio normativo. Assim, com o passar do tempo a Öffentlichkeit tornou-se fonte de legitimidade em assuntos de interesse público. Conforme Habermas, o debate público deveria poder fazer com que a voluntas pudesse tornar-se ratio: o debate lograria alcançar o consenso (objetivo) a respeito daquilo que seria objeto de interesse de todos os cidadãos (subjetividades).
Mostrar mais

30 Ler mais

Entre direito e democracia : os limites da racionalidade para um projeto de direito inclusivo em Habermas

Entre direito e democracia : os limites da racionalidade para um projeto de direito inclusivo em Habermas

Sintomática dessa compressão do filósofo é a observação na obra já citada, Modernidade: um projeto inacabado, de que até mesmo sujeitos não especialistas do mundo estético podem se apropriar de problemas específicos, que no mais das vezes são assuntos de peritos, e assimilá- los ao mundo vivido, o que possibilitaria uma crítica que pode orientar a própria ação. Ele ilustra esse argumento recorrendo à obra de Peter Weiss para demonstrar que seu protagonista que retornava da Guerra Civil Espanhola estava ávido para contemplar no Louvre O Naufrágio da Medusa, de Géricault e analisa o que poderia resultar desse encontro, ou outra obra do mesmo autor, Estética da Resistência, em que trabalhadores politicame nte motivados na Berlim de 1937, após assistirem aulas noturnas, podem se apropriar da história, adquirindo meios de entender inclusive a história social da pintura europeia. Habermas afirma que se trata de uma apropriação da cultura de especialistas pelo mundo da vida que poderia prover reflexões de modo que fizessem sentido para um grupo tão afastado da tradição cultura l, e que algo semelhante poderia acontecer com as esferas da ciência ou da moralidade quando consideramos que o comportamento humano, social e das ciências nunca foram inteirame nte divorciados das estruturas praticamente orientadas do conhecimento (HABERMAS, 1997, p. 52).
Mostrar mais

135 Ler mais

A modernidade brasileira segundo Buarque de Holanda

A modernidade brasileira segundo Buarque de Holanda

O modernismo, por outro lado, se caracteriza como um conjunto de movimentos culturais, escolas e estilos que permearam as artes, o design e a análise sociológica da primeira metade do século XX. Baseado fundamentalmente na necessidade de criação de novas formas culturais, estéticas e de organização social, pode-se dizer que o modernismo em geral é um movimento de afirmação da modernidade, destacando-lhe o caráter progressista de sua concepção histórica e ligado a seu projeto de emancipação. Em termos mais amplos, define Marshall Berman como modernismo “[...] qualquer tentativa feita por homens e mulheres modernos no sentido de se tornarem não apenas objetos, mas também sujeitos da modernização, de apreenderem o mundo moderno e de se sentirem em casa nele” (BERMAN, 2007: 11). 4 No Brasil, o movimento apresentou caráter popular e
Mostrar mais

16 Ler mais

Do Evangelho segundo Lutero em A reforma religiosa: paradoxos e origens da modernidade

Do Evangelho segundo Lutero em A reforma religiosa: paradoxos e origens da modernidade

Por outro lado, contudo, com Calvino (Jean Calvin) Genebra conseguiu realizar o sonho derrotado de Zwingli tornando-se uma cidade de forte atração para os refugiados por causa de religião: estes enfim, olhando para além dos muros da cidade, pensaram à Igreja como a uma organização independente dos condicionamentos locais. Logo, Calvino conseguiu realizar a emancipação das burguesias urbanas da Igreja institucional, recuperando uma ideologia republicana (característica das “cidades livres” do território suíço) sob as vestes de sua específica reforma religiosa: nesta direção, as “Ordonnances de 1541” instituíram os quatro corpos – dos Pastores, dos Doutores, dos Anciãos e dos Diáconos – da organização da nova Igreja que, finalmente, alcançou sua revolucionária organização na instituição do Concistório (neste sentido, afirmou-se que o projeto institucional calvinista se destinava, em seus pressupostos, a fazer de Genebra uma “cidade de santos”). Nesta base, enfim, o calvinismo se tornou um movimento “internacional” e, em muitos casos, “revolucionário” graças, também, aos seus ordenamentos eclesiásticos, que podiam ser aplicados no mundo inteiro. Na esteira das diretrizes postas por Lutero – mas, também, em oposição a ele (no fundo, precisamos destacar que Lutero queria reformar a Igreja católica, enquanto Calvino, convencido de que a degeneração dessa não permitia cultivar a esperança de podê-la reformar, se propunha justamente de organizar uma nova Igreja) –, a doutrina da predestinação tornou-se, com o calvinismo, uma força de coesão e de resistência para todos aqueles que na Europa e não por último na América constituíram igrejas de perseguidos.
Mostrar mais

36 Ler mais

HABERMAS E LYOTARD: UM DEBATE SOBRE A PÓS-MODERNIDADE

HABERMAS E LYOTARD: UM DEBATE SOBRE A PÓS-MODERNIDADE

Como pudemos notar, tanto Lyotard quanto Habermas identificam uma série de mudanças que se operam ainda na estrutura sócio-política contemporânea. No que diz respeito ao estatuto do saber, da pesquisa e da produção científica, bem como da forma com que se legitima tal produção e sua objetivação no mundo da vida, isto é, no mundo das relações sociais comuns, ambos os filósofos reconhecem que certos (grandes) ideais da modernidade não exercem mais o mesmo impacto, de modo que o “projeto” da modernidade, que se considerava potencialmente emancipador, parece ter se dissolvido. Na visão de Lyotard, o ambiente “paralógico” no qual nos encontramos não nos dá qualquer sinal de estabilidade, mas unicamente continua seu funcionamento tendo como parâmetro a otimização dos resultados e a busca por uma crescente eficiência na produção distribuição e aplicação do saber. Além do que, a pragmática social seria composta por um emaranhado heteromorfo de jogos de linguagem, o que impossibilitaria o alcance de um consenso universalmente válido. Já Habermas insiste na defesa de uma emancipação nos moldes modernos através da razão comunicativa, dado que para ele a modernidade é um projeto ainda em vias de efetivação.
Mostrar mais

10 Ler mais

CONSEQUÊNCIAS DA GLOBALIZAÇÃO, ALTERIDADE E DESAFIOS DA FUNDAMENTAÇÃO DO DIREITO NA RAZÃO COMUNICATIVA  João André Alves Lança, Deivide Júlio Ribeiro

CONSEQUÊNCIAS DA GLOBALIZAÇÃO, ALTERIDADE E DESAFIOS DA FUNDAMENTAÇÃO DO DIREITO NA RAZÃO COMUNICATIVA João André Alves Lança, Deivide Júlio Ribeiro

O presente trabalho busca tecer considerações sobre os efeitos do processo de globalização e a introdução do elemento mobilidade na determinação das relações sociais contemporâneas, no que se refere à percepção de uma tendência de morte das experiências de alteridade e sua relação com a viabilidade da teoria da razão comunicativa para fundamentação do direito. A partir de uma abordagem do deslocamento do pensamento da modernidade sugerido por Habermas de uma razão focada no sujeito para uma racionalidade comunicacional, são feitas reflexões sobre como a morte da alteridade nas vivências sociais impõem desafios ao projeto habermasiano de crença na razão comunicativa como possibilidade de instauração de consensos e conhecimentos comuns, capazes de justificar e legitimar os processos de normalização social, entre eles o direito.
Mostrar mais

30 Ler mais

A CIÊNCIA NA MODERNIDADE PARA JÜRGEM HABERMAS

A CIÊNCIA NA MODERNIDADE PARA JÜRGEM HABERMAS

• A racionalidade que se incorpora nas estruturas de personalidades Em conjunto essas formas de racionalidade formam a racionalidade moderna, segundo o autor. Contudo considerou que há forças que a raciona- lidade não controla. As forças do acaso. Um exemplo é a força que responde por atos na vida, que escapam do domínio do consciente, podendo trazer ao seu destino coisas inesperadas. Ainda seguindo essa idéia, tudo que acontece de trágico na vida escapa da ciência, e a ciência não tem nada a dizer sobre isso. Portanto o querer humano, segundo Weber, é disciplinado por regras, condutas e reflexões racionais, esse é o tipo ideal de ação humana. Mas ao mesmo tempo, insiste no parâmetro que o agir humano sempre estará circun- cidado pelo agir não racional.
Mostrar mais

12 Ler mais

A construção do eu na modernidade: do projeto romântico ao impressionismo em Freud.

A construção do eu na modernidade: do projeto romântico ao impressionismo em Freud.

A produção poética ocidental está marcada, segundo Friedrich (1978), por duas obras do século XVIII, anunciando questões que não mais deixarão de ser retomadas. Os autores são Denis Diderot e Jean-Jacques Rousseau. Em comum, eles também possuem uma história de amizade e influências mútuas. Quando o jovem Diderot é preso por escrever uma irônica “Carta sobre os cegos para uso daqueles que veem”, seu amigo Rousseau vai visitá-lo na prisão. No trajeto, acidentalmente, lê o anúncio de um prêmio a ser concedido a quem respondesse se a restauração das artes e das ciências purificava a moral. Rousseau escreve o ensaio Discurso sobre as ciências e as artes e ganha o prêmio, tornando-se um escritor célebre. Sua tese acusa a civilização de corromper o homem através das ciências e das artes, e prega a volta à natureza. Uma indiferenciação proposital entre fantasia e realidade marca em Rousseau uma ruptura com a tradição literária. A obra rouseauniana sustenta o caráter radical da incomunicabilidade, prenuncian- do o modo romântico de existir. A militância por uma grande reforma social, seu engajamento com a música e numerosas doenças afastam Rousseau pouco a pouco dos amigos, inclusive Diderot.
Mostrar mais

17 Ler mais

EDINILSON MATOS CAVALCANTE O PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO COMO INSTRUMENTO DE MUDANÇA ORGANIZACIONAL NUMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO DA REDE ESTADUAL DO AMAZONAS

EDINILSON MATOS CAVALCANTE O PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO COMO INSTRUMENTO DE MUDANÇA ORGANIZACIONAL NUMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO DA REDE ESTADUAL DO AMAZONAS

Encerramos este capítulo com a certeza de que a escola tentou implantar uma gestão participativa somente com o corpo docente, tanto nas suas ações do dia a dia quanto nas discussões do PPP, portanto, não houve uma participação da comunidade escolar neste processo. O PPP foi organizado pelo pedagogo a mando da gestão e repassado para os professores, que elaboraram as perguntas dos questionários socioeconômicos, passaram para os alunos e fizeram a tabulação. Depois de organizado pelo pedagogo, o desenho do PPP passou para as discussões entre os professores que decidiram todas as partes do documento. Assim, o envolvimento da comunidade está atrelado aos esforços da equipe diretiva em comunicar sobre o PPP, com a participação somente nas respostas dos questionários, pois segundo Limeira (2012, p. 7) a participação da comunidade está atrelada aos esforços da escola, isto é, só participa se a escola articular esses encontros. Outra investigação precisa ser realizada para compreender o porquê de a comunidade não participar da gestão escolar, já que a escola fala que busca essa participação.
Mostrar mais

89 Ler mais

UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA CENTRO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PROFISSIONAL EM GESTÃO E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA MIRLEY DA ROCHA MOREIRA

UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA CENTRO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PROFISSIONAL EM GESTÃO E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA MIRLEY DA ROCHA MOREIRA

Diante das análises, apesar de os Professores Presenciais possuírem o domínio das ferramentas e dos dispositivos tecnológicos, chegamos à conclusão da necessidade de reformulação dos cursos de formação oferecidos através do Centro de Mídias visto que os resultados da pesquisa mostraram que os cursos de formação deixam o Professor Presencial pouco preparado para desempenhar sua função na sala de aula; a dificuldade na inserção dos dados referentes à vida acadêmica dos alunos no SCA pelos Professores Presenciais, além disso, possuem dificuldades com o fechamento das atas finais. Outro dado importante foi que metade dos Professores Presenciais considera boa sua atuação na interação com os Professores Ministrantes e a mediação do conhecimento nas possíveis dúvidas dos alunos do projeto no processo midiático, o que pode ainda ser melhorado a partir das propostas de intervenção. Portanto, há a necessidade de melhoria nos cursos de formação técnica aos Professores Presenciais no uso das tecnologias para fins pedagógicos.
Mostrar mais

118 Ler mais

O braço armado da mundialização — Outubro Revista

O braço armado da mundialização — Outubro Revista

A guerra contra a Sérvia foi igualmente um meio de testar em “escala natural” as tecnologias incorporadas nos sistemas de armas. Por um lado, tratava-se de verificar as melhoras trazidas pela guerra do Golfo. A título de exemplo, podemos mencionar os mísseis PAC-3 (Patriot Advanced Capabilities), versão melhorada do Patriot; a utilização, pela primeira vez, dos bombardeiros B-52 como plataforma de lançamento de mísseis de cruzeiros guiados por satélites (o que lhes permitia atravessar a espessa camada de nuvens); ou a dos bombardeiros “furtivos” B-2, como plataforma de lançamento de bombas guiadas pelos GPS (os JDAM). Por outro lado, os Estados Unidos introduziram novas armas. Os veículos aéreos sem pilotos (os drones), cujo desenvolvimento estava em curso, foram utilizados e, segundo especialistas, destinados a um futuro promissor. 25 As bombas
Mostrar mais

19 Ler mais

Razão e democracia: uso público da razão e política deliberativa em Habermas[ign] [title language="en"]Reason and democracy[ign]: [subtitle]Public use of reason and deliberative politics in Habermas.

Razão e democracia: uso público da razão e política deliberativa em Habermas[ign] [title language="en"]Reason and democracy[ign]: [subtitle]Public use of reason and deliberative politics in Habermas.

Nas cidades-estado da antiga Grécia, a esfera da polis era separada do domínio privado do oikos. A vida pública estava constituída na praça do mercado e nas assembleias, onde os cidadãos se reuniam para discutir e deliberar sobre as questões do dia; a esfera pública era, em princípio, um âmbito aberto ao debate – no qual aqueles cidadãos que recebiam o reconhecimento por direito do status de cidadão podiam interagir entre eles como iguais. Ainda que essa concepção clássica da vida pública, enquanto ideal normativo da democracia, tenha tido uma inluência perdurável sobre o pensamento ocidental, as formas institucionais da esfera pública variaram muito de um período ao outro. Na Idade Média europeia, segundo Habermas, não existia uma esfera pública diferenciada: a esfera pública estava ligada à representação do status de reis e senhores. As iguras públicas se exibiam como representantes ou personiicações de uma autoridade suprema ou algum poder superior. Tal esfera pública representativa atingiu sua expressão mais elaborada na vida cortesã dos séculos XV e XVI, depois foi perdendo gradualmente sua signiicação com o desenvolvimento do capitalismo mercantil e com as mudanças jurídico-institucionais nas formas de poder político.
Mostrar mais

28 Ler mais

A autocompreensão ética da espécie e o futuro da natureza humana segundo Habermas. Seria a eugenia um direito?

A autocompreensão ética da espécie e o futuro da natureza humana segundo Habermas. Seria a eugenia um direito?

A questão habermasiana de como o ser humano quer compreender-se como espécie hu- mana encontra, na diversidade cultural, diversas imagens que, no decorrer da história, formaram-se sobre o homem. O desdobramento da pergunta “o que é o homem?” suscita dificuldades, na atualida- de, em encontrar uma linha conceitual que unifique as múltiplas visões que descrevem as categorias fundamentais sobre o ser homem. Trata-se de uma pergunta tão abrangente que requer um novo nível de análise diante do desenvolvimento da tecnologia genética, que afeta significativamente a imagem que o ser humano construiu de si mesmo. O ser humano se pergunta sobre si mesmo e acer- ca daquilo que o constitui a partir de certas visões ou enquadramentos, seja no campo da ciência, da metafísica, seja da religião, pertencendo a um sistema de interpretações que representa um contexto antropológico denso e plural. De acordo com Habermas (2010, p. 57), nas sociedades pluralistas, sob as condições pós-metafísicas, as interpretações em torno de uma autocompreensão ética da espécie, articulada em determinadas tradições e formas de vida, não permitem que convirjam, de certo modo, para uma moral válida para todos e em todas e quaisquer situações. Conforme Pinzani (2005, p. 165), “[...] por ser uma sociedade pluralista, ela não dispõe de concepções éticas compartilhadas e já não pode apelar para a tradição na tentativa de justificar normas.” Assim, Habermas entende que há a necessidade de uma antropologia de base que seja adequada à moral, a fim de haver uma conexão entre autocompreensão moral e considerações éticas de espécie.
Mostrar mais

16 Ler mais

Show all 10000 documents...

temas relacionados