Top PDF Quando o espetacular desaparece no desejo do outro

Quando o espetacular desaparece no desejo do outro

Quando o espetacular desaparece no desejo do outro

projeto baseado na coleta de 50 mil embalagens de leite e em sua exibição dentro de uma gaiola como uma obra de arte. O co- letivo doou o trabalho ao padre da paróquia de Saint-Roch para que ele pudesse vendê-lo a um museu ou a outro benfeitor em troca de vales para refeições em um restaurante. Essa manoeuvre aconteceu em diversos níveis: como transição de uma economia simbólica para a economia real, como movimento de um centro de artistas (Le Lieu) até uma igreja (Saint-Roch), onde a gaiola de embalagens de leite foi exibida, e como transferência do discurso artístico para o sermão religioso no domingo seguinte. A operação saiu do bairro e retornou após seguir uma rota que passava pela igreja e o museu, aumentando, assim, seus valores simbólico e econômico. Ao fim, não adentrou a economia real, uma demons- tração de que manoeuvres dependem do desejo do outro. Voltarei a essa questão na sequência.
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As múltiplas faces do outro/Outro em Lacan  entre o amor, o desejo e o gozo

As múltiplas faces do outro/Outro em Lacan entre o amor, o desejo e o gozo

Os seres eram duplos, isto é, tinham todas as partes em dobro, duas cabeças, dois sexos, quatro braços, quatro pernas e eram completos 10 . Tomados de tanta força, decidiram escalar os céus para destronar os deuses. Desafiado por essa unidade perfeita, Zeus cortou-os em dois com o seu raio e assim pôde enfraquecê- los. Apolo, por ordem de Zeus, costurou a parte fendida à região do umbigo, restaurando a pele sobre o ventre. Zeus não devia matá-los, era necessário que ficassem vivos para poderem render culto aos deuses e honrá-los com sacrifícios. Os seres começaram a perecer e logo morriam por não encontrarem sua parte faltante; além disso, morriam, também,quando encontrando sua metade, não mais se separavam, esquecendo-se dos cuidados pela sobrevivência. Zeus então costura na parte da frente o sexo de cada metade, pois assim seria possível a posse sexual que permitiria a satisfação do desejo, possibilitando aos seres a dedicação para com as atividades de sobrevivência 11 . Desde então, o homem está condenado à busca incessante do outro que o completa, ou melhor, a busca de si mesmo no outro e é pela busca dessa completude que o homem tem vivido as mais diversas emoções em nome desse sentimento, o amor. É aqui que Eros é introduzido ao discurso, quando do redirecionamento dos órgãos sexuais, o Eros passa a dirigir os encontros humanos.
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A competição e o(s) outro(s) : estudo exploratório da relação entre crenças face à competição e o sentido de comunidade, o apoio social e o desejo de contribuir

A competição e o(s) outro(s) : estudo exploratório da relação entre crenças face à competição e o sentido de comunidade, o apoio social e o desejo de contribuir

Este trabalho foi desenvolvido tendo como foco principal o estudo da importância das crenças sobre o mundo competitivo em que vivemos, no sentimento de pertença a uma comunidade, na percepção da disponibilidade de suporte do outro, e na vontade de contribuir para a sociedade ou para o bem-estar dos que nos rodeiam. Estes conceitos foram medidos através da Escala da Necessidade de Competir para Evitar a Inferioridade (Gilbert et al., 2007; versão portuguesa de Ferreira, Pinto Gouveia & Duarte, 2011), da Escala Breve de Sentido de Comunidade (Peterson, Speer & McMillan, 2008; versão adaptada por Colaço & Lind, 2010) e da Escala de Provisões Sociais (Cutrona & Russel, 1987; versão adaptada por Moreira & Canaipa, 2007). A Escala do Desejo de Contribuir foi desenvolvida no âmbito da presente investigação, procurando medir um novo conceito, o Desejo de Contribuir. Não existindo estudos prévios que relacionem as variáveis mencionadas, esta investigação consiste num estudo exploratório, onde participaram 386 adultos de nacionalidade portuguesa. Estudaram-se as relações entre as Crenças face à Competição e o Sentido de Comunidade, o Apoio Social e o Desejo de Contribuir, bem como a influência de algumas características sócio-demográficas. Esta investigação permitiu determinar que as Crenças Centradas nas Necessidades se relacionam com as outras variáveis de forma inversa e as Crenças Centradas nos Valores de forma directa. Concluiu-se ainda que, em média, as Crenças Centradas nas Necessidades são mais elevadas nos homens, enquanto as Crenças Centradas nos Valores são mais elevadas nas mulheres. Mais ainda, obteve-se, em média, Crenças Centradas nos Valores mais elevadas em indivíduos com um baixo nível sócio-económico. A Idade não revelou influência nas Crenças face à Competição. Relativamente ao novo conceito em estudo, mostrou apenas que são as mulheres quem, em média, apresentam resultados mais elevados. São ainda abordadas possíveis implicações deste trabalho e sugeridas novas abordagens de investigação, tendo em conta as limitações indicadas.
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A dominação masculina: o poder do desejo do Outro

A dominação masculina: o poder do desejo do Outro

Este trabalho discute os efeitos da dominação masculina e do poder do desejo do Outro, a partir de depoimentos da escultora franco- americana Louise Bourgeois. Para tanto, utiliza o referencial teórico da psicanálise, o pensamento do sociólogo Pierre Bourdieu e um livro de depoimentos da artista, que reúne uma série de entrevistas, desenhos e escritos produzidos por ela ao longo de sua vida. Inicialmente, faz uma breve apresentação da sua biografia, mostrando como a decepção de seu pai com o nascimento de uma filha mulher produziu nela um sentimento de risco de morte e busca de sobrevivência através da arte. Posteriormente, o trabalho problematiza uma de suas obras, intitulada "A Destruição do Pai", e seus efeitos considerados por ela como terapêuticos. Por fim, conclui que a trajetória da artista e a obra de arte aqui trabalhada podem expressar uma reação contra a violência simbólica, que a representação do desejo do Outro pode acarretar.
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Patinho Feio fora do desejo do outro: Entre o conto e a realidade, um estudo psicanalítico

Patinho Feio fora do desejo do outro: Entre o conto e a realidade, um estudo psicanalítico

"Como este mundo é grande," diziam os patinhos, porque eles haviam descoberto que havia muito mais espaço ainda do que eles tinham tido quando eles estavam dentro da casca do ovo.. "Você[r]

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O (OUTRO) LUGAR DO DESEJO NOTAS INICIAIS SOBRE SEXUALIDADES, CIDADE E DIFERENÇA NA TRÍPLICE FRONTEIRA AMAZÔNICA

O (OUTRO) LUGAR DO DESEJO NOTAS INICIAIS SOBRE SEXUALIDADES, CIDADE E DIFERENÇA NA TRÍPLICE FRONTEIRA AMAZÔNICA

Ao longo dos nove anos de relação com seu namorado, Silvério alimentava uma posição ambivalente com relação à parceria que estabeleciam. Se por um lado o namoro era segredo, tendo em vista que o menino também era indíge- na, por outro lado havia uma expectati- va de que um dia pudessem viver juntos e constituir algo como uma família. Tal projeto não chegou a ser concretizado, tendo em vista que Silvério descobriu uma traição de seu companheiro, que segundo ele havia “ficado” com uma outra menina da comunidade, situação que levou ao término da relação. Nas ocasiões em que conversávamos e perguntava-se sobre outros meninos que se relacionavam com meninos na comunidade, as histórias se multipli- cavam nas narrativas de Silvério. De algum modo, elas eram presentes na forma como ele reportava a infância e mesmo o começo da adolescência de vizinhos, parentes e amigos. A quan- tidade de indicações que apresentava, acompanhada de histórias e detalhes sobre lugares e parcerias crescia tanto quanto a curiosidade sobre o tema ou o fascínio tanto pessoal quanto antropo- lógico sobre as modalidades de relação que esses encontros produziam. Esse
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Desejo de maternidade

Desejo de maternidade

Apesar das crescentes dificuldades da vida de hoje o desejo de ter um filho continua a ser uma situaªo comum nas famlias contempornea s. Existe todo um contexto ideolgico, social e cultural que rodeia o indivdu o e, que de uma forma mais ou menos explicita o pressiona no sentido da maternidade/paternidade. Numa sociedade em que a famlia tradicional Ø valorizada, o nªo ter filhos pode ser encarado como um sinal de imaturidade, egosmo, falhano ou instabilidade, co ntribuindo para a estigmatizaªo e isolamento social (Oliveira, A.& Faria, C. 2000). As motivaıes para uma mulher engravidar vªo desde o desejo de formar um lar feliz, perpetua r o apelido, exprimir o amor pelo marido, realizar um dever social ou ainda completar-se narcisicamente no caso das mulheres imaturas prØ-genitais ou incompletude narcsica da auto-imagem (Dias Cordeiro, J. C. 2002). Essa decisªo pode tambØm ligar-se necessidade de preenchimento de um espao vazio no seio do casal, vazio que pode ser tªo intenso qu e o nªo-filho poderÆ ser equivalente ao nªo-casal, ou seja dissoluªo do casal, ou mesmo ao assumir de que o casal nunca existiu (Loureno, M. 2002). O desejo de reproduzir o prpr io sexo Ø mais frequente nos homens do que nas mulheres, traduzindo por parte destes, uma maior necessidade em confirmar a sua identidade masculina. O nascimento de um filho proporciona aos pais um sentimento de imortalidade na medida em que um filho Ø um testemunho da sua existŒncia. Surge como um espelho em que se podem rever. (Oliveira, A.& Faria, C. 2000). A maternidade define a passagem para o estatuto de adulto, testemunhando a maturidade do corpo, e ao colocar outro indivduo da sociedade sob a sua total depend Œncia, a maturidade do seu comportamento social (Figueiredo, B. 2005).
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O CONCEITO, O DESEJO E A ÉTICA: O DESEJO COMO MÓBIL DO CONCEITO FUNDAMENTAL

O CONCEITO, O DESEJO E A ÉTICA: O DESEJO COMO MÓBIL DO CONCEITO FUNDAMENTAL

A questão é levada às últimas consequências por Lacan, ao afirmar que o campo fundado por Freud é um campo que se perde (LACAN, 1964/1988, p. 122). Vale dizer, o conceito fundador da psicanálise, o inconsciente (das Unbewusste), justamente por incidir como corte, não constitui um campo positivo, instaurado de uma vez por todas. De um lado, depende do desejo do analista enquanto o operador que permite que a hiância do inconsciente – que se abre apenas para tornar a se fechar - não seja obturada. De outro, convoca o sujeito a se responsabilizar por aquilo que, advindo de Outra cena, é-lhe, no entanto, o mais íntimo e dissemelhante (Lacan cunhou o neologismo êxtimo para designar esta condição).
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Um desejo de cidade, um desejo de modernidade (Chapecó, 1931-1945)

Um desejo de cidade, um desejo de modernidade (Chapecó, 1931-1945)

O discurso nacionalizador do Estado Novo encontrou ressonância em Chapecó, muito também pela própria possibilidade de concretização dos interesses privados dos sujeitos responsáveis pela colonização. A região estava sendo colonizada e toda uma propaganda estava sendo realizada no sentido de “atrair” colonos para o Oeste Catarinense. As terras estavam sendo comercializadas e colonizadas, na sua maior parte, por colonos advindos do Estado do Rio Grande do Sul. De acordo com os discursos locais, o governo do Rio Grande do Sul não estava interessado nesse movimento imigratório dos colonos gaúchos; havia toda uma preocupação em relação à imigração. Por outro lado, a elite de Chapecó procurava criticar as autoridades do Estado vizinho pelo fato de que essa postura dificultava a “integração” do País. De acordo com as narrativas, a “eliminação dos regionalismos” muito interessava a Chapecó; a “unidade” interessava ao país. Eis então a necessidade do trabalho conjunto, de “trabalhar unidos” na busca pela consolidação da Nação Brasileira. Nesse sentido, um trabalho importante que estava sendo realizado pelo Estado Novo era em relação ao “combate aos regionalismos”. Para esse grupo, homens locais reunidos através da imprensa, a “coesão social” e a “prosperidade” dependeriam do “combate aos regionalismos”. Porém, argumentavam que esta não era a concepção de “alguns brasileiros” (em referência aos administradores gaúchos). 189 Portanto, em Chapecó a elite (reunida através da imprensa) procurava trabalhar no “campo subjetivo”, no “campo das paixões”. Para essa elite, que “sentia sede” de progresso, todos os colonos que trocaram o conforto da cidade pelo trabalho áspero, mas compensativo e próspero, no município de Chapecó, praticaram um “ato patriótico de amor pela Nação Brasileira”.
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Metonímias do desejo.

Metonímias do desejo.

A expressão entre colchetes, “Eu próprio dois?”, sugere a pergunta feita acerca da existência de uma relação entre a voz poética e o corpo defunto (como no caso de Rosa) de alguém a quem não se conhece. Aqui, particularmente este desconhecimento é duplo: primeiro, por conta da dúvida da própria voz poética; segundo, para o leitor, a quem não é dada nenhuma pista sobre a identidade do defunto. A confirmação vem versos acima, quando o “outro” é mencionado. No mesmo diapasão, soa “incógnito” o que a voz poética chama de “assombro álgido” que vai, poeticamente, “entreabrindo / A porta suprema e invisível; / O nexo incompreensível”. Isso pode ser lido como índices do desejo que se revela desconhecido em sua própria experiência. Seguindo ainda a trilha dos passos do jogo inconsciente que se revela em significantes por demais provocadores, constatação da ausência do “corpo humano que não é corpo humano”. Este corpo ausente, objeto do desejo que se desconhece em sua materialidade por força da morte, é “coisa estranha e muda em todo o corpo”. Essa coisa “ebúrnea, no caixão”, por força de sua caracterização, remete a um conceito de beleza – a lisura, a brancura do mármore – que vai, por sua vez, detonar, a ideia de fracasso, pertinente ao pensamento de Nietzsche. Isso porque o subs- tantivo “caixão” conota morte, perda, fim, o que se busca com a satisfação dos desejos. A morte impede esta realização.
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Desejo sem Objeto.

Desejo sem Objeto.

Uma antiga história conta-nos sobre uma velha que vagueia pelas estradas do mundo, descalça, implorando por ajuda, em busca de seu marido perdido. Vamos considerá-la uma imagem da vida suplicando para ser vivida. O que acredito que seja o verdadeiro núcleo dinâmico do que aqui foi chamado de nova tradição não é tanto o domínio dos aspectos técnicos, mas antes o desejo de responder ao chamado da velha errante que vemos passar diante de nossa casa todos os dias, sem enxergá-la. Resgatar o simples. As técnicas são importantes, mas, antes e depois da técnica algo mais é necessário. Não confundamos técnica com ofício: este último inclui a primeira sem que seus limites coincidam. O fato é que se o escutar e o responder ao chamado da velha errante devem ser mantidos com alguma constância, necessita-se de algum tipo de base. Atualmente não vejo outro ponto de partida senão a impecabilidade profissional. Para que alguma coisa seja pos- sível, é necessário o esforço de um trabalho bem realizado. Por outro lado – quem sabe? – o mundo é vasto, visto a partir da nossa escala, ele é quase infinito, então, quem pode realmente dizer? Contudo, não há dúvida de que o tempo de que dispomos não é infinito. Não podemos nos dar ao luxo de desperdiçá-lo.
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A lei do desejo e o desejo produtivo: transgressão da ordem ou afirmação da diferença.

A lei do desejo e o desejo produtivo: transgressão da ordem ou afirmação da diferença.

Essas são algumas das operações que tornam possível descrever o inconsciente como discurso do Outro, da cadeia de significantes que constitui o elo de associações metonímicas na linguagem. Conseqüentemente, estar na linguagem é apresentar-se como um Outro inerradicável, como a alteridade da própria significação que constantemente escapa às intenções subjetivas. Assim, não é o sujeito que é alienado de si mesmo, caso no qual um princípio de identidade ainda se sustentaria de maneira velada. Na verdade, o sujeito é alienado no próprio significante que inexoravelmente o divide. Essa divisão é analisada por Lacan a partir do recalque dos desejos edipianos e concebida como uma proibição fundadora, ou fundamental, que sobrevive no desejo como Lei do significante, a qual condiciona a individuação do sujeito. Esse recalque primário também constitui o desejo como falta, ou seja, como uma resposta à separação originária, que é menos a separação do nascimento do que o resultado da proibição da união incestuosa. É por isso que o desejo é tido como um querer-ser ou uma falta-a-ser (Lacan, 1979, p. 33), perpetuamente frustrada por causa de sua sujeição à Lei do Significante. Esse complexo raciocínio leva a pensar que se o desejo se faz representar na linguagem, ele só o faz sob a forma de uma presença oblíqua: sempre associado à sua proibição, ele assume a forma de uma ambivalência necessária.
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O brilho inesperado de um desejo ou Kafka, um desejo indestrutível

O brilho inesperado de um desejo ou Kafka, um desejo indestrutível

Temos então um Tour de Force sobredeterminado. Em 1923, aos 40 anos, Franz Kafka ainda carrega o “mérito” de ser um funcionário padrão e exemplar; Franz, o obedientíssimo, aposenta-se e, pela primeira vez em toda sua vida, arrancando do íntimo a justeza e justiça de outra lei, a lei ética do desejo, se faz homem: ele escolhe uma mulher. Para fazer valer seu ato, não somente não pede autorização aos pais, como também resiste a todas as objeções da família, partindo com convicção ao encontro de sua companheira. Dora, por sua vez, apesar de não ter rompido com os pais, tinha abandonado a Polônia e a vida judaica tradicional que a constrangia, em busca de liber- dade e independência. Ao conhecer Kafka, decidiu ir com ele para uma nova vida em Berlim. Por uma única vez Kafka não esperou do Outro a autorização para unir-se a uma mulher e agir como homem em nome próprio. Em Berlim, Kafka,
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"O Conde Jano" de Mário de Carvalho : uma história de desejo no desejo de história

"O Conde Jano" de Mário de Carvalho : uma história de desejo no desejo de história

Esta duplicidade vai de par com a alteridade, que constitui um outro aspecto fundamental do mesmo tema do duplo, para retomarmos a linha de pensamento de Osvaldo Silvestre. Com efeito, n’O Conde Jano é patente a relação com a linguagem de outro texto pertencente a outra época, tal como noutras obras do autor se evidencia a conformação à linguagem do Outro nas maneiras de falar que lhe são próprias, exemplificando a diversidade discursiva das diferentes camadas sociais. Assim, a sedução pela História e pela sua manipulação manifesta-se também a nível discursivo na reminiscência visível da história do idioma. Como nos lembram Linda Hutcheon (1988) e François Lyotard (1979), a matéria do lugar social encontra-se tanto na significação da narrativa como no próprio acto de enunciação. Neste caso, o desejo de História estende-se aos planos lexical e estilístico na linguagem arcaica que o texto adopta.
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Desejo de desejo na mercadoria e o olhar do artista

Desejo de desejo na mercadoria e o olhar do artista

O esquema L é uma topologia onde o sujeito (S) se estende entre a e a’, num “véu de miragem narcísica” que serve para susten- tar tudo o que nela venha se refletir por seus efeitos de sedução e captura (LACAN, 1998, p. 557). O desejo da histérica é o desejo de desejo, cujo desejo é o desejo do Outro. A histérica trata de se colocar na posição de substituir o Outro (o pai) nesta função do desejo: ela esvazia sua relação com o objeto (Sra. K), fomentando o desejo do Outro por este objeto. Ela se empenha em sustentar o amor deste outro (Sra. K) que é seu verdadeiro objeto – situação bastante ambígua, Dora sustenta o desejo de seu pai pela Sra. K e mascara seu objeto que é a Sra. K., portadora de sua questão: O que é uma mulher?
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Desejo de cinema, desejo de modernidade.

Desejo de cinema, desejo de modernidade.

Por outro lado, em paralelo às medidas de caráter concreto, instauravam-se outras, de cunho mais subjetivo e menos palpável. Conforme a avaliação de Gunning (1984), as diversões populares possuem, em última análise, as suas conformações pautadas pelos grupos de consumo e seus valores, respeitando os padrões daquele que comumente se conhece como “público-alvo”. Caso haja um descolamento muito radical entre um produto voltado para certo público e os valores-chave desse público, haverá um comprometimento para a sobrevi- vência dessa forma cultural como um produto de massa. Nesse caso, a resposta mais frequente, no sentido da manutenção desses padrões, é a autocensura. Em outras palavras, para adequar-se a seu público, um produto cultural deve estar em sintonia com seus valores básicos, devendo operar, permanentemente, uma autorregulação em seus contornos de acordo com o peril desse seu público-alvo. Uma das maneiras pelas quais essa autorregulação se concretizou no caso do cinema foi a temática dos ilmes, que foi totalmente reformulada em relação ao que era até então, aproximando-se dos valores da classe que pretendia atrair. Segundo Machado, “no que diz respeito mais propriamente ao conteúdo, os primeiros ilmes não só davam exemplos abundantes de cinismo e perversão, como ainda ridicularizavam a autoridade, invertendo os valores morais” (2002, p. 81). A mudança no “tom” com que certos temas passaram a ser tratados bem como a supressão pura e simples de determinadas temáticas vão mostrar-se fundamentais para a construção da ideia de cinema como uma forma de lazer respeitável. Noël Burch ressalta que, nesse momento, alguns diretores tomaram para si o papel de fornecer conselhos sobre quais eram os conteúdos adequados a serem transpostos para a tela:
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Roda de capoeira: rito espetacular

Roda de capoeira: rito espetacular

Outro elemento musical que compõe a roda é a cantiga, cantada por um ―cantador‖ e respondida pelo coro. Todos os participantes da roda compõem o coro. Existe a tradição de a primeira música da roda ser cantada pelo Mestre, ou por quem está tocando o Gunga, ou por um capoeirista que está se preparando para jogar. Tanto na abertura da roda como no seu encerramento, o cantador grita Iê!, a expressão que invoca energia para a roda. A música de abertura de uma roda de capoeira é uma ladainha. Na capoeira, a ladainha é uma música que conta uma história, ou uma lenda, e pode também ser um canto usado como uma prece, com caráter de devoção a algum santo ou invocar sua proteção. Existem outros tipos de músicas cantadas durante uma roda, como chulas, quadras e corridos. Tais músicas não serão analisadas em profundidade nesta pesquisa. Mas vale lembrar que as letras cantadas na roda fazem menção a personagens importantes, ou a fatos marcantes que fazem parte da história da capoeira. As cantigas também podem ser cantadas para dar um recado a um jogador, comentar alguma coisa que esteja acontecendo no jogo, para saudar alguém, como despedida de algum jogador que esteja de mudança etc. A música é um importante instrumento condutor de energia, ela é mantenedora do ―fluxo‖ da roda, da pulsação do ritual.
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2 MÍDIA E INFORMAÇÃO: O ENREDO ESPETACULAR

2 MÍDIA E INFORMAÇÃO: O ENREDO ESPETACULAR

RESUMO Em uma época na qual a mídia constrói dentre outros movimentos sociais as disputas político-eleitorais, discute- se neste artigo, especialmente com a ajuda da produção cinematográfica, a relação entre informação e memória criada por processos midiáticos. A principal justificativa do estudo é levantar considerações sobre o estatuto de verdade que costuma ser atribuído à informação produzida pela mídia e seus reflexos na vida da sociedade. A partir das concepções teóricas sobre televisão e mídia (Bourdieu), sobre manutenção da tradição (Huyssen) e ainda considerando a dicotomia entre lembrar e esquecer (Žižek e Sarlo), analisa-se a importância dos veículos de comunicação na produção dos processos de informação e memória. O universo empírico utilizado pauta-se pela análise do filme Mera Coincidência (Wag the dog, no original), cujo eixo dramatúrgico ficcional refere-se aos bastidores de uma campanha presidencial nos Estados Unidos. Com foco nas decisões informacionais e sua repercussão no resultado do processo eleitoral em curso, identifica-se que fatos criados/ inventados (sem ínfima ressonância na realidade), fazem parte de um universo simbólico com repercussões no futuro. Esse fato leva a crer que, de um lado, realidade e ficção se misturam para construir a memória e que, de outro, o presente midiatizado interfere tanto no passado quanto na memória do futuro. Palavras-chave: Memória Social. Informação. Esquecimento. Mídia. Cinema.
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O Centro Politécnico de Jaraguá do Sul e a educação profissional: quando a delimitação entre o público e privado desaparece

O Centro Politécnico de Jaraguá do Sul e a educação profissional: quando a delimitação entre o público e privado desaparece

produção camponesa e a lenta e segura inserção da economia catarinense na nacional, através de mercadorias de boa qualidade”. (p. 114). Michels, após traçar o quadro comparativo das diversas versões sobre a industrialização catarinense, conclui de forma crítica: “Os periféricos, os Schumpeterianos, as outras contribuições e os Desenvolvimentistas analisaram a economia e a sociedade catarinense de múltiplas formas, mas todas, sem uma única exceção, deixaram de captar no processo de acumulação de capital em Santa Catarina a superexploração do trabalho e a intervenção estatal como fatores preponderantes para o crescimento das indústrias e das pequenas estruturas familiares. As duas variáveis supra citadas são fundamentais para compreender a atual situação econômica e social do Estado, na qual, de um lado, historicamente ampliaram-se os patrimônios privados, ideologicamente atribuídos à competência empresarial dos atuais grandes grupos econômicos e, de outro, ampliou-se o empobrecimento social catarinense”. (MICHELS, 1998, p. 231).
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O desejo pelo novo:

O desejo pelo novo:

Voltando ao mercado brasileiro, sob a perspectiva do consumidor, a obsolescência programada é pouco percebida e, mesmo quando notada, não é interpretada sob um prisma crítico por parte da população. É o que constatou Echegaray (2015, pp. 10-3) em seu estudo empírico, ao notar que fatores subjetivos do consumidor, como o desejo de satisfação social e emocional atrelados ao consumo de produtos mais novos, são critérios superiores à durabilidade física dos mesmos. Conforme o pesquisador, qualquer iniciativa que tenha por escopo lidar com a obsolescência programada deverá enfrentar os desafios de informação ligados à psicologia do consumo. Ele argumenta a necessidade de ressignificação social de produtos que durem mais no mercado, com uma postura crítica e de cobrança por iniciativas concretas e sustentáveis por parte do consumidor para com as empresas.
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