Top PDF Reestruturação produtiva e formas de flexibilização do trabalho.

Reestruturação produtiva e formas de flexibilização do trabalho.

Reestruturação produtiva e formas de flexibilização do trabalho.

Observou-se que funcionárias demonstraram cansaço em épocas de muita produção, quando têm de “pagar” as horas que devem ao banco de horas, “Cansa- tivo é, mas ...” (EB01) ou “Cansa, porque o trabalho que faço é bem delicado” (EB02). Outras têm a sensação de que sempre estão devendo horas: “Eu devo horas... porque começou as aulas e eu estudo à noite. Eu não pude pagar as horas à noite. Tem gente que pagou e ainda tem hora a ver...” (EB03). O trabalhador acaba assu- mindo um risco que é do próprio proprietário e, muitas vezes, se não consegue pagar as horas e ficar até tarde da noite trabalhando, culpa-se por não conseguir. Em alguns setores, a empresa substituiu funcionárias por máquinas, como na passadoria, por exemplo: “Nós éramos em duas passadeiras, mas agora com- praram a máquina de tirar os fiozinhos, passaram a outra passadeira para lá e eu fiquei sozinha, mas tá indo bom, por enquanto eu estou conseguindo vencer o trabalho...” (EB04). Além disso, quando a produção aumenta, esses trabalhos são repassados a terceiros: “Eles mandam ainda para uma das mulheres de fora fa- zer, quando a menina daqui não vence, eles mandam para fora, não é sempre, senão a maioria fica aqui” (EB04). A aquisição da tecnologia e a estratégia da flexibilização do processo produtivo via terceirização da produção constituem duas formas de sobrevivência adotadas pela EBeta..
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REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA E FLEXIBILIZAÇÃO DO TRABALHO: UM ESTUDO SOBRE OS PROCESSOS DE SUBCONTRATAÇÕES E RELAÇÕES DE TRABALHO NA ALUNORTE SA

REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA E FLEXIBILIZAÇÃO DO TRABALHO: UM ESTUDO SOBRE OS PROCESSOS DE SUBCONTRATAÇÕES E RELAÇÕES DE TRABALHO NA ALUNORTE SA

A dissertação aborda as transformações no mundo do trabalho neste início do século XXI. Para tanto desenvolve um estudo teórico sobre os processos de subcontratações e o impacto nas relações de trabalho, resultante da reestruturação produtiva ocorrida em uma indústria química, a ALUNORTE S/A, localizada no Município de Barcarena, no Estado do Pará. O estudo ressalta o processo de reestruturação produtiva e a reordenação do trabalho, considerando a transição do regime de acumulação de base taylorista/fordista para um regime de acumulação “flexível”, caracterizado pela flexibilização das relações de trabalho e a racionalização do processo produtivo, que permitiu o uso de tecnologias flexíveis, técnicas organizacionais que levam à intensificação da exploração da força de trabalho e a subcontratação. A análise empírica revelou o aprofundamento da precarização do emprego e a submissão dos trabalhadores terceirizados à condição de invisibilidade frente à empresa, transformando-os em trabalhadores periféricos. Este processo de contratação e alocação de mão-de-obra se tornou excludente do ponto de vista local, haja vista que não absorveu ao quadro funcional da ALUNORTE S/A grande parte dos trabalhadores do município, não contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico regional, resultando em maior clivagem no mercado de trabalho.
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Reestruturação produtiva e recomposições do trabalho e emprego: um périplo pelas "novas" formas de desigualdade social.

Reestruturação produtiva e recomposições do trabalho e emprego: um périplo pelas "novas" formas de desigualdade social.

Questionar a inevitabilidade destes processos de segmentação e precarização das relações de tra- balho e emprego, que têm vindo a alicerçar o actual modelo de desenvolvimento das socieda- des e economias ocidentais, constitui o propósi- to do presente artigo. Propõe-se, por conseguin- te, um ensaio crítico onde se dialoga com os au- tores que se debruçaram direta e indiretamente sobre a temática da reestruturação produtiva e as “novas” formas de desigualdade social. Com efeito, não só falta um consenso sobre as trans- formações ao nível dos modelos produtivos e organizacionais, do trabalho e emprego, como somos interpelados a reflectir sobre os seus ce- nários de evolução de modo a se ultrapassar as (de)visões neoliberais e teses tecno-determinis- tas dominantes. Na verdade, ainda que haja al- gum conhecimento sobre as transformações em curso, este apresenta-se insuficiente para uma reflexão consistente sobre a problemática das consequências do ponto de vista econômico e social em geral, bem como da qualidade de vida no trabalho e das condições para o exercício de uma cidadania activa e responsável.
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A reestruturação produtiva e as novas formas de organização do trabalho: a experiência do transporte alternativo no município de Belém/PA

A reestruturação produtiva e as novas formas de organização do trabalho: a experiência do transporte alternativo no município de Belém/PA

O estudo realizado nesta tese analisa as novas formas de organização do trabalho no setor de transporte coletivo urbano, o chamado Transporte Alternativo que é uma nova modalidade de transporte público que surge nos contextos urbanos brasileiro nos meados da década de noventa, cuja prestação do serviço é operacionalizado por trabalhadores autônomos ou subcontratado, em geral organizado em cooperativas. Trata-se de investigação das novas formas de trabalho precário, informal que vem se expandindo no setor de transporte urbano. Portanto, discute a desregulamentação do setor de serviços e problematiza as formas de sobrevivência de trabalhadores excluídos do mercado formal de trabalho principalmente a partir da reestruturação produtiva do capital. Tem como área privilegiada de investigação, a política setorial de transporte urbano que constituí campo das principais redes de articulações políticas definidoras da dinâmica do espaço urbano. Sabe-se que o transporte coletivo urbano possibilita o acesso à produção, circulação e consumo em geral, sendo necessário à mobilidade da população residente, principalmente aquela de baixo poder aquisitivo. Toma-se como campo de investigação empírica o Município de Belém, localizado na Região Amazônica - Norte do Brasil. Os pontos principais tratados nesta pesquisa partem das relações concretas do cotidiano de trabalhadores que desenvolvem sua atividade no Transporte Alternativo mediados com referenciais teóricos necessários à compreensão e interpretação da realidade estudada. As estratégias de investigação foram construídas do abstrato (conhecimentos teórico produzidos para análise da realidade) ao concreto através da investigação quantitativo- qualitativa desta área das políticas urbanas, possibilitando a formação de um quadro de referencias para a análise do objeto estudado. Resgata a sua historicidade, a partir da caracterização do espaço urbano da Região Metropolitana de Belém perpassando pelas formas de organização e prestação de serviço de transporte enquanto elemento essencial de produção e reprodução das relações sociais. Identifica os principais sujeitos que historicamente vem participando da construção da política de transporte municipal e a formas de expressão das relações de forças políticas local. Destaca o papel do Estado na rede de relações estabelecidas junto ao poder local, bem como destaca a importância das Ciências Sociais no entendimento das políticas urbanas na área de transporte, buscando trazer contribuições para pra o debate acadêmico-científico. Os pontos mencionados e elegidos neste estudo são fundamentais a uma reflexão crítica da política de transporte. Essa relação não é dada, mas construída historicamente no quadro de relações de forças que compõem esta área privilegiada das políticas urbanas.
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Reestruturação produtiva, sindicatos e a flexibilização das relações de trabalho no Brasil.

Reestruturação produtiva, sindicatos e a flexibilização das relações de trabalho no Brasil.

Duas mudanças políticas/institucionais interdependentes acompanharam essas transformações, notadamente no que se refere ao funcionamento do mercado de trabalho: a flexibilização dos regimes de trabalho (jornadas, salários, mobilidade funcional etc.) e a flexibilização/desregulamentação do sistema legislativo nacional de proteção ao trabalho, da CLT. Medidas provisórias como as que regularizavam o banco de horas, o contrato de trabalho por tempo determinado, a suspensão temporária do contrato de trabalho por motivos econômicos, acenavam com a legitimidade institucional para a concretização daquela flexibilização, abrindo caminho para iniciativas de reformas pontuais importantes naquele ordenamento jurídico do trabalho. No presente texto procuro brevemente caracterizar dois momentos históricos importantes para a compreensão da correlação de forças que imprime mudanças àquelas relações de trabalho e sua legislação: 1) a revitalização do movimento sindical e as pressões pela redemocratização do país, animados pelo chamado novo sindicalismo; e, 2) o processo mais recente de retração desses movimentos, assolados pela reestruturação produtiva nas empresas e cuja luta política se direciona no sentido da desregulamentação daquele sistema de proteção trabalhista. Faço isto com base em literatura já consagrada sobre o assunto. A idéia é construir um referencial analítico que fundamente um argumento central que perpassa todo o texto: o de que a história das relações de trabalho no país foi construída sob condições de forte autoritarismo gerencial, e seu corolário, de debilidade da organização sindical. Isso possibilitou a sedimentação de práticas de uso flexível e precário do trabalho, práticas estas retratadas, por exemplo, nos elevados índices de rotatividade, na precariedade dos vínculos ou nos baixos salários. Neste sentido, a tendência recente de flexibilização da CLT põe em risco a garantia de direitos, investe na possibilidade de seu rebaixamento. Embora sejam grandes as necessidades de reforma, especialmente no que se refere a institucionalização de regras que assegurem a representação coletiva nos locais de trabalho, a CLT ainda é o parâmetro central que impede que as relações de trabalho no país resvalem na pura mercantilização da força de trabalho.
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As mulheres no âmago da precariedade histórica do mundo do trabalho

As mulheres no âmago da precariedade histórica do mundo do trabalho

Depois de um ano de graduada entrei no mestrado no Programa de Pós- Graduação em Geografia (PPGEO-UFS) em 2005, estimulada pela mesma orientadora acima citada, mas com outro foco de pesquisa, sobre reestruturação produtiva no campo sergipano, debatendo sobre as novas tecnologias, agronegócio e trabalho camponês. Meu primeiro mergulho no universo do campo sergipano, pois minha vida sempre foi na cidade. Na ocasião, mesmo não sendo objetivo da dissertação, observei que as mulheres do campo tinham o seu trabalho doméstico e o da “roça” como se fossem invisíveis. A dimensão do trabalho reprodutivo parecia fundir-se com o trabalho camponês da unidade familiar. Nas entrevistas para a compreensão da reestruturação produtiva (via citricultura) só consegui conversar com homens: técnicos, camponeses, assalariados, donos de estufas, etc.; nenhuma mulher. As pesquisas revelam que as mulheres por mais que produzam no campo não são admitidas nem como produtoras nem como donas das propriedades. Também se deu no mestrado meu primeiro contato com o arcabouço teórico marxiano: trabalho, mais- valia, alienação, Estado, dentre outras, que foi desenhado a partir daí. A conclusão da dissertação me levaria não somente ao contato com o campo, mas também ao entendimento de como a reestruturação produtiva, dentro do agronegócio da laranja, reproduzia a subjugação do trabalho do camponês e promoveria a geração de novas formas de trabalho. Quatro meses após finalizar o mestrado fui aprovada na seleção para professora substituta na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) em Vitória da Conquista, em 2008, momento em que inicio minha carreira no ensino superior.
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Trajetórias de vida e de trabalho flexíveis: o processo de trabalho pós-Braverman.

Trajetórias de vida e de trabalho flexíveis: o processo de trabalho pós-Braverman.

O artigo analisa características do processo de trabalho, após 40 anos da publicação do livro “Trabalho e capitalismo monopolista: a degradação do trabalho no século XX”, de Harry Braverman. O foco recai na flexibilidade, característica cada vez mais requerida dos trabalhadores, no mercado de trabalho globalizado e movido à velocidade eletrônica. Generalizar a flexibilidade restringe entendimento de seus diferentes usos nos processos e relações de trabalho. Assim, são examinadas duas formas de utilização da flexibilidade: (1) no chão de fábrica, com a introdução de multifuncionalidade, trabalho em equipe, solicitação por maior qualificação e garantia de qualidade; (2) por meio de contratos atípicos de trabalho. As duas formas são exemplificadas por duas pesquisas, realizadas em momentos históricos e contextos específicos. A primeira, por uma pesquisa em indústrias do Rio Grande do Sul, durante a reestruturação produtiva dos anos 1990. A segunda, pela introdução de formas atípicas de contratação na Itália, a partir dos anos 2000. Esta última, baseia-se em depoimentos de trabalhadores italianos a uma enquete nacional sobre a flexibilização de contratos de trabalho, realizado em forma de blog, por um importante jornal. A escolha por examinar os diferentes momentos de aplicação da flexibilidade decorre da convicção de que há um aprofundamento do uso dessa estratégia produtiva, com consequências para o trabalho e trabalhadores. Algumas interrogações, já presentes em pesquisas anteriores, são renovadas no artigo. A principal refere-se aos impactos da flexibilidade nas relações de trabalho, desde os primórdios de sua aplicação.
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Processo de trabalho do agente comunitário de saúde e a reestruturação produtiva.

Processo de trabalho do agente comunitário de saúde e a reestruturação produtiva.

re ao pesquisador dar “língua aos afetos”, pois é através deles que se processam as conexões e os fluxos de intensidades conformadores de no- vas subjetividades, capazes de fazer com que os sujeitos produzam determinadas formas de agir sobre a realidade, configurando-a conforme seus próprios sentidos. Segundo Kastrup 22 (p. 7), “a cartografia não é um método que vise apresentar uma análise exaustiva ou totalizante, mas busca circunscrever um plano coletivo de sentido, siste- mas de signos que não desenham uma identidade, mas ao contrário, permitem detectar os elementos de processualidade do território em questão”. É isto que se pretende, buscar os territórios sobre os quais o ACS transita ao produzir o cuidado, revelar seu processo de trabalho, dentro dos sentidos que lhe dá, e com base nas vivências cotidianas, nos encontros e por conseqüência, a produção de si mesmo como sujeito do trabalho em saúde.
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Reestruturação produtiva e saúde no setor metalúrgico: a percepção das trabalhadoras

Reestruturação produtiva e saúde no setor metalúrgico: a percepção das trabalhadoras

Mas além destas formas tradicionais de controle, presentes também na figura dos líderes das células ou dos encarregados de setor, há o controle do ritmo e da intensidade do trabalho feito pelas próprias máquinas e pela programação da velocidade das linhas de montagem. Além disto, há novos dispositivos de controle, como o que encontramos na Empresa B. Nesta, na entrada de cada célula há um painel com a identidade de cada trabalhadora, suas habilidades e a função que cada uma realiza. Nele estão estabelecidas as orientações gerais para o bom andamento do processo de produção, assim como o número de peças fabricado por hora e o número de peças com defeito. Através desse painel é feito também o controle das saídas, por um dispositivo acionado eletronicamente, acendendo uma luz assim que a trabalhadora deixa o seu posto, que se apaga no seu retorno. Este dispositivo transforma a estratégia do controle das idas ao banheiro, que antes era feito por meio das chefias diretas.
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Desenhando a nova morfologia do trabalho no Brasil.

Desenhando a nova morfologia do trabalho no Brasil.

Esse nosso texto pretende, então, apresentar algumas tendências que par- ticularizam a nossa classe trabalhadora. Sabemos que as mudanças e transforma- ções ocorridas no capitalismo recente, a partir de meados da década de 1980 e especialmente na década seguinte, foram de grande intensidade e desencadea- ram um conjunto de transformações, alterando, em alguma medida, elementos da forma de ser da classe trabalhadora. O Brasil se estruturava, então, com base em um desenho produtivo bifronte: de um lado, era voltado para a produção de bens de consumo duráveis, como automóveis, eletrodomésticos etc., visando um mercado interno restrito e seletivo; de outro, dada sua condição de depen- dência em relação ao capitalismo avançado, desenvolvia a produção voltada para a exportação, tanto de produtos primários quanto de produtos industrializados. Internamente, a dinâmica do padrão de acumulação capitalista se baseava na vigência de um processo de superexploração da força de trabalho, caracteri- zado por baixos salários, ritmos de produção intensificados, jornadas de trabalho prolongadas, combinando uma extração tanto da mais valia absoluta quanto da mais valia relativa. E esse padrão de acumulação gerou altas taxas de acumula- ção, de que foi exemplo o chamado “milagre econômico” (1968-1973) . Com a vitória do neoliberalismo no Brasil, a partir de 1990 , ampliou-se o processo de reestruturação produtiva, mediante a adoção de novos padrões organizacionais e tecnológicos, de novas formas de organização do trabalho e da introdução dos métodos “participativos”, em decorrência das imposições das empresas transna- cionais que levaram as suas subsidiárias no Brasil a adotar, em maior ou menor medida, técnicas inspiradas no toyotismo e nas formas flexíveis de acumulação. As empresas brasileiras tiveram que se adaptar à competitividade internacional, sem deixar de responder às ações sindicais praticadas pelo “novo sindicalismo”, emergente especialmente a partir da eclosão das greves do ABC no pós- 1978 (Antunes, 2006 e 2013 ; Alves, 2000 ).
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Trabalho e reestruturação produtiva no Brasil neoliberal: precarização do trabalho e redundância salarial.

Trabalho e reestruturação produtiva no Brasil neoliberal: precarização do trabalho e redundância salarial.

É importante ressaltar que a contratação assala- riada precária envolve não apenas o assalariamento sem carteira (inclusive no setor público), mas a utili- zação de formas flexíveis de trabalho nas empresas privadas e setor público. Mesmo no setor público, a estatística social constatou o crescimento em 50% de contratação sem carteira assinada; o que talvez explique porque o emprego assalariado não teve uma queda significativa nesse setor. Isto é, o setor públi- co, por conta das demandas sociais crescentes, não conseguiu ser “enxugado” de forma significativa pe- las gestões neoliberais. Entretanto, em contrapartida, buscou-se precarizar o estatuto salarial do emprego público. O crescimento de 50% nas contratações assalariadas sem carteira e o recurso aos serviços terceirizados, que crescem também de forma signifi- cativa no período, embora não sejam discriminados entre setor privado e setor público, atestam com vi- gor, a tese da precarização paulatina do emprego público na RMSP.
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A materialidade do trabalho e o “trabalho imaterial” — Outubro Revista

A materialidade do trabalho e o “trabalho imaterial” — Outubro Revista

Com a observação a seguir, não desejamos sugerir que Negri, Hardt e Lazzarato sejam hegelianos; efetivamente não o são. Hegel, diferente desses autores, cultivava a precisão conceitual, o racionalismo, era metodo- logicamente aferrado à categoria da totalidade. E tinha, acima de tudo, uma enorme sede de história. O que tais autores compartilham com os “jovens hegelianos” de A sagrada família é sua “atitude livre” face ao objeto. Em um movimento análogo ao dos jovens hegelianos criticados por Marx, que inver- teram a seqüência histórica (a máquina a vapor como o coroamento, e não o início da Revolução Industrial; as cidades fabris antes das fábricas, etc.), Negri, Hart e Lazzarato invertem causa e efeito tomando a “reestruturação produtiva” como conseqüência – e não causa – do fechamento de postos de trabalho. Para eles, como vimos, foram os operários que se recusaram ao tra- balho fordista e não os capitalistas que, premidos pela crise e pela concorrên- cia mais acirrada, teriam expulsado os trabalhadores de seus postos de traba- lho. A causa do fechamento dos postos de trabalho seria os próprios operári- os, e não o processo de autovalorização do capital. No mesmo caminhar, to- mam por “comunista” um “território produtivo” que nada mais é que uma das formas mais intensas da exploração do trabalho pelo capital: a “Terceira Itália”. E, no mesmo diapasão, substituem a acumulação primitiva pelo “amor para o tempo” como força motriz da história moderna.
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Cad. CRH  vol.28 número75

Cad. CRH vol.28 número75

O livro em questão está divido em três partes. A primeira, “O sistema global do ca- pital e a corrosão do trabalho”, é dedicada às reflexões mais globais sobre as novas moda- lidades do trabalho no Brasil e no mundo. A segunda, “As formas de ser da reestruturação produtiva no Brasil e a nova morfologia do tra- balho”, apresenta os resultados das pesquisas empíricas e analíticas sobre os vários ramos da economia, num esforço de compreender as par- ticularidades da reestruturação produtiva do capital e suas consequências para o mundo do trabalho brasileiro. Já a terceira parte, “Os sin- dicatos na encruzilhada: ação e resistência dos trabalhadores”, reúne os artigos relacionados ao mundo sindical, aos movimentos dos traba- lhadores e às suas reações a essas mudanças.
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Cad. CRH  vol.20 número51

Cad. CRH vol.20 número51

Na segunda parte – As formas diferenciadas da reestruturação produtiva do capital e a nova morfologia do trabalho –, estão reunidos os estu- dos empíricos que comprovam o quadro mais ge- ral da flexibilização e precarização, constatado na reestruturação das empresas da indústria automotiva, calçadista e têxtil, que se difunde para o trabalho nos serviços, especialmente no setor bancário – público e privado – e nos mais recentes processos de violenta taylorização associados à revolução tecnológica de base microeletrônica, atra- vés da informatização, cujo exemplo maior está nos trabalhadores de telecomunicações e de telemarketing. Esse último setor é constituído, em sua maioria, por mulheres, obrigadas a se subme- ter a uma rigorosa e permanente vigilância dos supervisores, que trabalham sob uma constante pressão do cliente e das metas de produtividade, submersas num alucinante tempo quase ininterrupto de trabalho, o que resulta num cres- cente adoecimento físico e mental dessas trabalha- doras.
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A reestruturação do trabalho docente: precarização e flexibilização.

A reestruturação do trabalho docente: precarização e flexibilização.

RESUMO: O artigo pretende discutir as atuais condições de traba- lho dos docentes de escolas públicas brasileiras, tendo como referên- cia resultados de pesquisas empíricas e revisão bibliográfica que de- monstram um contexto de reestruturação do trabalho pedagógico. Parte-se da premissa de que com a reestruturação produtiva assistida de forma mais ostensiva nas duas últimas décadas, novas demandas têm sido apresentadas à educação escolar com relação aos seus objetivos, refletindo em mudanças nas formas de gestão e organiza- ção do trabalho na escola. Tais mudanças trazidas pelas reformas edu- cacionais mais recentes têm resultado em intensificação do trabalho docente, ampliação do seu raio de ação e, conseqüentemente, em maiores desgastes e insatisfação por parte desses trabalhadores. O tex- to pretende, ainda, discutir como tais mudanças interferem no que se entende como processo de flexibilização e precarização do trabalho docente à luz das teses da desprofissionalização e proletarização. Palavras-chave: Trabalho docente. Educação e trabalho. Gestão escolar.
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Caminhos percorridos pela educação profissional: o prescrito e o vivido

Caminhos percorridos pela educação profissional: o prescrito e o vivido

No segundo capítulo, intitulado Do Modelo Fordista às Teorias da Reestruturação Produtiva: os impactos sobre a cidadania e a formação humana, Josania Portela enfatiza o conceito de “cidadania social”. Partindo, inicialmente, dos pressupostos liberais ancorados nas ideias de Marshall (1967), ela estabelece que o conceito de cidadania é composto através de três direitos, a saber: civis, políticos e sociais. Eles facultam aos sujeitos serem “qualificados como cidadãos do Estado” (p. 43). A autora descreve ainda, a classe social como um dos desafios para o desenvolvimento da cidadania, o que é enfatizado no âmbito científico pelos dados da desigualdade social.
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Formação profissional no Brasil: o papel do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAI.

Formação profissional no Brasil: o papel do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAI.

Apesar de 2/3 dos egressos do curso técnico analisado estarem empregados, o curso realizado só foi determinante para a admissão de metade desses (GRAF. 03). Uma discussão importante sobre esse aspecto diz respeito, segundo Moraes (1999), ao fato de o SENAI ter a opção política de não atender o desempregado. Com isso, a instituição contribui para o desenvolvimento das indústrias brasileiras, mas contribui de maneira insignificante para a diminuição da desigualdade social e para o ingresso no sistema produtivo de indivíduos excluídos desse processo. Outro aspecto que exclui uma parte significativa da população brasileira dos cursos técnicos é a exigência da sua realização após ou concomitante o segundo grau. Com isso, muitos indivíduos ficam impossibilitados de conciliar a formação profissional com o trabalho, impedindo a frequência em tais cursos. De acordo com Deluiz (2001), além de uma forma de elitização do ensino técnico-profissional, a exigência de conclusão ou de realização concomitante do ensino médio para a frequência no ensino técnico revela um mecanismo de contenção ao ingresso no nível superior.
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Serviços de atenção domiciliar na saúde suplementar e a inserção da enfermagem em Belo Horizonte/MG.

Serviços de atenção domiciliar na saúde suplementar e a inserção da enfermagem em Belo Horizonte/MG.

Contudo, os resultados indicam que o processo de trabalho na atenção domiciliar ainda permanece com centralidade no papel do médico expressa pela decisão clínica nas condutas terapêuticas. Nos serviços analisados, embora a enfermeira elabore o plano de cuidados na pri- meira avaliação de admissão dos usuários nas diferentes modalidades, há uma tendência a que o médico centralize as decisões que implicam custos (cabe a ele confirmar a necessidade de tratamentos, a mobilização de outros profissionais, a permanência nos programas, etc.).

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Enfoque de gênero e relação saúde/trabalho no contexto de reestruturação produtiva e precarização do trabalho.

Enfoque de gênero e relação saúde/trabalho no contexto de reestruturação produtiva e precarização do trabalho.

Con dition s, Organ isation d u Travail et Nou velles Tecn ologies en 1991.. Résu ltats de l’En qu ête Con dition s de Tra- vail.[r]

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Reestruturação Produtiva e Força de Trabalho : o Caso da Companhia Siderúrgica de Tubarão

Reestruturação Produtiva e Força de Trabalho : o Caso da Companhia Siderúrgica de Tubarão

Dessa forma, a idéia de que novos conhecimentos deverão ser adquiridos durante toda a vida profissional acompanha a constatação de que junto com o fordismo também se esvaecem as biografias profissionais lineares e ascendentes. Prevêem-se hoje sucessivas mudanças de profissão ao longo da vida, alternância entre o mercado formal e atividades alternativas, bem como entre períodos de trabalho e de estudo, como condição para a conversão a outras atividades via estratégias de requalificação. Diz NARDI que hoje se estuda em um campo para trabalhar em outro, e por isso mesmo a especialização é um caminho que a escola não deve percorrer. Esta deve fornecer bases sólidas sobre as quais outros conhecimentos sejam agregados e articulados.
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