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Somatização e sofrimento no trabalho

Somatização e sofrimento no trabalho

Considerando a viabilidade da livre estruturação, frente ao desenvolvimento da tarefa, o trabalho é realizado espontaneamente, numa seqüência de acordo com o jeito de ser e as possibilidades pessoais. Todavia esse jeito individual vai se aperfeiçoando ao longo do tempo e cada trabalhador apresentará uma maneira personalizada de executar a mesma tarefa. Ao contrário, quanto mais rígida e hierarquizada for a organização do trabalho e menos espaço houver para a espontaneidade, maior será a possibilidade de fragilizar o indivíduo frente à somatização. A rigidez no trabalho inviabiliza a livre estruturação do modo operatório do trabalhador, de maneira a gerar uma desorganização em seus sistemas espontâneos de defesa, favorecendo o desencadeamento das doenças somáticas.
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Prazer e sofrimento no trabalho: um estudo com bancários

Prazer e sofrimento no trabalho: um estudo com bancários

Este trabalho surgiu com o interesse da autora sobre o assunto e sua experiência profissional na área bancária. O presente estudo analisa as percepções dos bancários de duas agências da cidade de Fortaleza. O objetivo geral desta pesquisa foi analisar as vivências de prazer e sofrimento dos colaboradores no ambiente de trabalho, avaliando a qualidade de vida e como essas vivências podem influenciar na vida dos colaboradores e perceber como está a qualidade de vida dos bancários no ambiente de trabalho e sua relação com os sentimentos de prazer e sofrimento. Para a realização desse estudo, adotaram-se os métodos quantitativos baseados em um levantamento de dados. A metodologia de pesquisa utilizada foi a pesquisa bibliográfica exploratória que aborda conceitos sobre vivência de prazer e sofrimento no trabalho, apresentando descrições quantitativas acerca do nível de prazer-sofrimento dos bancários entrevistados, utilizando a aplicação da escala de prazer e sofrimento no trabalho (EISPT- Escala de Indicadores de Prazer e Sofrimento no Trabalho, elaborada por Mendes (1999). Foi respondido um questionário por 20 pessoas de diferentes agências bancárias, esse número foi definido pelo critério de facilidade de acesso as mesmas, com aplicação de questionários, os quais foram tabulados a apresentados em forma de gráficos e tabelas. A partir das respostas foi possível reconhecer a inter-relação entre trabalho como gerador de prazer, e em contrapartida de sofrimento. Percebeu-se no geral, que os bancários apresentam disposição, satisfação e comprometimento com o trabalho. Como consequências negativas destacam-se o estresse, a ansiedade e o cansaço causado pela intensa rotina intensa de trabalho. O resultados indicam a existência concomitante de prazer e sofrimento na amostra estudada.
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Valores organizacionais e prazer-sofrimento no trabalho.

Valores organizacionais e prazer-sofrimento no trabalho.

O artigo discute as relações entre valores organizacionais e as vivências de prazer-sofrimento no trabalho. Os valores estão definidos como princípios que guiam a vida da organização e estão estruturados em três dimensões bipolares: autonomia- conservação, estrutura igualitária-hierarquia e harmonia-domínio. O prazer-sofrimento é estudado como um constructo dialético, sendo definido como vivências de sentimentos de valorização, reconhecimento e desgaste no trabalho. A pesquisa foi realizada numa empresa pública de abastecimento e saneamento com 554 empregados. Foram aplicadas escalas para medir os valores organizacionais e o prazer-sofrimento, tendo sido os dados analisados por meio de estatística descritiva e correlações bivariadas. Os resultados indicaram uma preponderância das vivências de prazer, sendo o sofrimento vivenciado moderadamente. O prazer está correlacionado com quatro pólos dos valores organizacionais: autonomia, estrutura igualitária, harmonia e domínio. O sofrimento apresenta correlação negativa com o pólo da autonomia, estrutura igualitária e domínio. Palavras-chaves: Valores organizacionais; prazer e sofrimento no trabalho.
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Prazer e sofrimento no trabalho: contribuições à organização do processo de trabalho da enfermagem.

Prazer e sofrimento no trabalho: contribuições à organização do processo de trabalho da enfermagem.

A organização do trabalho, para Dejours, é , de certa forma, a expressão da vontade de outro. O trabalhador, domesticado e forçado a agir conforme a vontade de outro, de certa forma , é despossu ído de seu corpo físico e nevoso (desapropriado de sua competência). Ao ocupar, na organização, um cargo e ao desempenhar uma função, encontra á sua espera uma série de tarefas que deve cumprir. Encontra , também, os objetivos e os meios com os quais terá de trabalhar (nem sempre qualitativa e quantitativamente suficientes como se pôde constatar), ou seja, o seu trabalho já está determinado, restando-lhe, apenas, executá-lo. Portanto, a organização do trabalho é , primeiramente, a d ivisão do trabalho e sua repartição entre os trabalhadores, isto é , a divisão de homens recortando, assim, de uma só vez, tanto o conteúdo da tarefa quanto as relações h u manas de trabalho. Fracionamento máximo e rigidez i ntang ível da organização científica do trabalho aparecem, então, como as características fundamentais do taylorismo, que engendra mais d ivisões entre os indivíduos do que pontos de u n ião, confrontando os trabalhadores, um por u m , individualmente e na solidão, ás violências da produtividade. Por outro lado, ao mesmo tempo que isola o trabalhador dos outros pode colocá-lo em oposição aos demais. Ao não acompanhar as cadências, o operário que atrasa atrapalha os que o seguem na corrente de gestos produtivos. Tal é o paradoxo do sistema que dilui as diferenças, cria o anonimato, enquanto individualiza os homens frente ao sofrimento.
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Da questão do trabalho fora do mundo do trabalho: canavieiros e a experiência social do sofrimento

Da questão do trabalho fora do mundo do trabalho: canavieiros e a experiência social do sofrimento

A investigação que ora se apresenta, trata do estudo acerca da produção e reprodução das condições sociais vividas entre o lar e o talhão de cana no Médio Vale do Paranapanema – região limítrofe entre os Estados de São Paulo e Paraná. Resgatam-se os sentidos e significados do sofrimento social vivido por trabalhadores canavieiros, a partir das relações complementares de precariedade nesse tipo de trabalho e as condições de moradia construída na forma de abrigo na favela. Espaço social outro, e tido como de destino comum àqueles que não detêm poder para consumir o espaço físico enquanto distinção, a favela, como uma “metáfora desgastada” do sofrimento social, apresenta-se, assim, como localidade destinada aos que se mantêm mais próximos do dano e da não integridade física e moral. Tendo-se em conta as biografias individuais e coletivas e a experiência da falta: privação de equipamentos, condições de trabalho, infortúnios pessoais e maneiras de agir frente a excessos, examinam-se as noções de espaço social e o que foi a apropriação do território em que se deu esta pesquisa, a partir dos conceitos de reciprocidade de expectativas e de práticas discursivas, em consequência da pergunta sobre o que os sujeitos desta investigação pensavam estar fazendo ao viverem aquela realidade. Buscou-se, na observação de estar “de perto”, “de dentro” e “de longe” desse universo, a interpretação do sofrimento social sob a perspectiva de que resulta do que faz o poder político, econômico e institucional às pessoas e o que estas fazem a si e às demais pessoas. Dessa forma, em face da divisão entre o trabalho e a casa em sua manutenção e conexão com os demais campos que, aparentemente, mostram-se separados – saúde, bem-estar, assuntos legais, morais e religiosos – o sofrimento social resulta, antes de tudo, como prática de dominação e de subordinação que se produz e se reproduz enquanto sociabilidade a partir de experiências sociais negativas.
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Controlo percebido no trabalho, somatização e comportamento de cidadania organizacional

Controlo percebido no trabalho, somatização e comportamento de cidadania organizacional

A crença de que um indivíduo tem controlo sobre a sua vida tem sido identificada como uma motivação humana central e os seus vários benefícios sociais, emocionais e adaptativos são, há muito, um foco da investigação geral em psicologia (Thompson, 2002; cf. Bishop, Frain & Tschopp, 2008) e, noutro domínio, uma preocupação de filósofos como Benedict Spinoza, David Hume, John Locke, William James e, mais recentemente, Gilbert Ryle (Maddux, 2007). Um número considerável de teóricos, como por exemplo Brown (1991; cf. Hardré, 2003) e Bandura (2001; cf. Namasivayam & Mount, 2006), enfatiza a importância das percepções de controlo para os seres humanos e o seu bem-estar, chegando a considerar o desejo de ter uma influência no ambiente, um aspecto dominante e crucial, para além de uma preferência ou necessidade psicológica universalmente humana (Langer & Rodin, 1976; cf. Nordgren, Pligt & Harreveld, 2007; Greenberger & Strasser, 1986; Skinner & Greene, 2008). A ideia básica, segundo Skinner e Greene (2008), é que todos os seres humanos (e outros mamíferos superiores) nascem com o desejo inato de produzirem efeitos e de fazer coisas acontecer no seu contexto social e físico. Este forte desejo humano foi ilustrado por Langer e colaboradores (cf. Moller & Deci, 2007) que demonstraram que o desejo de controlo é tão grande que as pessoas tendem a perceber maior controlo do que aquele que têm na realidade (ilusão de controlo). Como tal, o controlo é geralmente aceite como uma força humana impulsionadora e costuma estar relacionado com a necessidade intrínseca que os indivíduos têm de demonstrar a sua competência, superioridade, domínio e controlo sobre o ambiente (White, 1959; cf. Hui & Bateson, 1991; Heider, 1958; cf. Baronas, 1988; Ganster, 1989), com a motivação de assegurar resultados positivos (Rodin, Rennert & Solomon, 1980; cf. Ganster, 1989) ou com a necessidade do indivíduo conhecer as causas e consequências dos seus comportamentos e dos comportamentos dos outros (Jones & Davis, 1965; Keiley, 1971; cf. Baronas, 1988). Sendo assim, o presente estudo está delineado para estimar as implicações que o controlo percebido no trabalho poderá ter sobre os indivíduos e sobre as organizações, recorrendo, para tal, a duas variáveis específicas: a somatização e o comportamento de cidadania organizacional.
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SOFRIMENTO SOCIAL E DO TRABALHO NO CONTEXTO DA ÁREA "SAÚDE MENTAL E TRABALHO".

SOFRIMENTO SOCIAL E DO TRABALHO NO CONTEXTO DA ÁREA "SAÚDE MENTAL E TRABALHO".

A intersubjetividade, outro desses recursos sociais (Linhart, 2010), um dos mais sutis e imprescindíveis à conservação de si, em algumas situações, torna-se opaca ante as malícias da produção lexível, enxuta e pautada pela obsessão das “metas a serem batidas”. Em alguns casos, cooperação e solidariedade no trabalho são brutalmente dissolvidas pela lógica individualista de avaliação dos desempenhos e de disputa pelo cumprimento de metas abusivas de produção; para citar apenas alguns dos mecanismos/ dispositivos perversos do capital lexível, implantados planejadamente (Dejours, 1998). Eles são parte substancial da força motriz do Sofrimento Social no mundo do trabalho contemporâneo, desregulamentado e lexibilizado. Manifestações patológicas são então diagnosticadas na realidade do trabalho contemporâneo e, apenas como exemplo, podem ser citados: o uso funcional e disfuncional de drogas nos contextos laborais (Lima, 2010), e o transtorno de estresse pós-traumático (Vieira, 2009).
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Sofrimento psíquico e trabalho.

Sofrimento psíquico e trabalho.

Os professores estão imersos em um conflito cotidiano entre o que é exigido, o que desejam e o que realmente é possível fazer diante dos obstáculos, das condições e da organização atual do trabalho. Em minha prática profissional pude observar o sofrimento psíquico vivenciado pelos professores manifestado através de sinais e sintomas expressos em desânimo, fadiga, frustração, estresse, depressão, impo- tência, insegurança, irritabilidade, angústia e, até mesmo, “sensação de enlou- quecimento”. Muitas vezes foram-me descritos os fatores que potencializam este sofrimento: as relações hierárquicas, a longa e exaustiva jornada de trabalho, a difi- culdade de estabelecer o “controle da turma”, o crescente rebaixamento salarial e, principalmente, a progressiva desqualificação e o não reconhecimento social de seu trabalho.
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Trabalho, sofrimento e patologias sociais

Trabalho, sofrimento e patologias sociais

Esta pesquisa investigou a influência da organização do trabalho nas vivências de sofrimento, estratégias de mediação e as patologias sociais de sobrecarga, violência e servidão voluntária, em bancários e trabalhadores anistiados políti- cos de uma empresa pública de comunicação. O referencial teórico é a psicodi- nâmica do trabalho e o enfoque psicossocial. Pretendemos caracterizar a orga- nização do trabalho; identificar os sentimentos e estratégias defensivas utiliza- das; e caracterizar a dinâmica da transformação das estratégias defensivas nas patologias sociais da sobrecarga no trabalho, violência e servidão voluntária. A metodologia utilizou entrevistas abertas e semi-estruturadas com quatro traba- lhadores voluntários de cada categoria profissional, totalizando oito participan- tes. Foram realizadas entrevistas individuais com os bancários e uma entrevista coletiva com os trabalhadores anistiados políticos. Os anistiados se reportaram às situações vivenciadas na década de 80, quando a empresa de comunicação na qual trabalhavam era "comandada" por militares com um estilo de gestão percebido pelos entrevistados como burocrático e autoritário, mas que já incor- porava práticas recentes do modelo capitalista, como a terceirização. Nessa década, os trabalhadores anistiados foram discriminados e demitidos, tendo si- do posteriormente reintegrados ao trabalho e indenizados, por via judicial. Os relatos dos bancários se referiram às situações vivenciadas nos últimos cinco anos. A empresa dos bancários entrevistados está inserida em um mercado competitivo e passou por sucessivas reestruturações produtivas, especialmente a partir de 1980. As entrevistas foram gravadas e submetidas à análise de con- teúdo temática. Os resultados sinalizaram que a organização do trabalho para os dois grupos, de modo geral, foi caracterizada por: pressão para atingir me- tas, sobrecarga de trabalho, segregação de funcionários, humilhações, discri- minações
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O sofrimento e seus destinos na gestão do trabalho.

O sofrimento e seus destinos na gestão do trabalho.

A pre s c rição med i c a m en tosa não se fazia ape- nas através dos médico s . E n tre os tra b a l h ado- res, circulavam diagnósticos e indicações, frutos da experiência empírica: A maioria tem tendini- te no ombro. Muita gen te fala que tem bi co - d e - pa pa ga i o. A gen te vai ao farm a c ê u ti co, e o mais comum é comprar Voltaren. Aprendemos isso com os colegas (H. D., trabalhador do setor operacio- n a l , 30 anos). O utras ve ze s , não era nece s s á ri o ir à farm á c i a . Cada setor dispunha de uma “pe- qu ena farm á c i a”. A cultu ra da med i c a l i z a ç ã o p a recia estar vi n c u l ada às repre s entações essen- c i a l m en te funcionalistas do corpo, a rti c u l a n do - se com os destinos da somatização e da psiquia- tri z a ç ã o. Como uma espécie de ferra m en t a , o remédio estava sem pre dispon í vel e aju s t ado p a ra o cumpri m en to da taref a , o que o tra n s- form ava em um verd adei ro el em en to “rep a ra - dor”: Tendinite, aí você não funciona direito, tra- va. Dói como clavícula quebrada. Lá, na seção, te- mos remédios numa caixa de pa pel ã o, tem rem é- dio para dor, mas também tem bicarbonato, água oxi gen a d a , band-aid ( G . C . , tra b a l h ador do se- tor operac i on a l , 34 anos). Di s pon i bilizar a me- dicação no local de trabalho pareceu-nos uma forma de ga ra n tir ad i tivos capazes de favorecer o cumprimento de funções, como se o corpo ti- vesse de ser periodicamente retificado. Algumas vezes, o medicamento no setor não era suficien- te , era preciso port á - l o, em caso de situ a ç õ e s i n e s perad a s : Trabal h a ndo na ru a , d e s a rra n jo in- te s tinal é o pior que pode aco n te cer. Nós usamos mu i to Im o se c , quando tamos com piri ri , e Busco- pan pa ra dor fo rte . É co mum também ter na sa- cola hidróxido de alumínio pa ra queimação no e s t ô m a go ( L . G . , tra b a l h ador do setor operac i o- n a l , 26 anos). Esses tra b a l h adores en ten d i a m que substâncias químicas poderiam “pro teger ” o corpo de situações adversas.
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Asas do trabalho: um estudo do sofrimento dos mototaxistas

Asas do trabalho: um estudo do sofrimento dos mototaxistas

O objetivo desta pesquisa consistiu em investigar o sofrimento psíquico dos indivíduos que se encontram trabalhando como mototaxistas, buscando a compreensão das questões subjetivas na construção da relação de trabalho. Levou-se em consideração a articulação, realizada pelos sujeitos, entre os conteúdos subjetivos, produzidos internamente durante suas histórias de vida, e os conteúdos objetivos, decorrentes do contexto material, social e histórico. O referencial teórico fundamentou-se, principalmente pela Psicodinâmica do Trabalho, enfatizando o autor Dejours (1986, 1992, 1993, 1999), bem como Pellegrino (1987), Gaulejac (2001). Em termos metodológicos, foram coletados os dados, por meio de entrevistas semidirigidas, com os mototaxistas da cidade de Assis (S.P.). O resultados apontaram que os trabalhadores apresentam indícios de sofrimento patogênico, pois a relação dos sujeitos entrevistados com a atividade que executam não propicia uma boa manutenção da saúde mental. Tal situação se apresenta como um grande círculo vicioso: dificuldade financeira, falta de identificação com o trabalho, falta de apoio dos órgãos competentes, falta de reconhecimento social e uma perigosa condição de trabalho. Os motoqueiros são obrigados a recorrer a algumas estratégias de defesa para lidarem com as dificuldades cotidianas que surgem no exercício laboral. O trabalho é encarado, por muitos, como a única maneira de promoverem a sua subsistência e a subsistência de suas famílias.
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O sofrimento ético no mundo do trabalho dos jornalistas

O sofrimento ético no mundo do trabalho dos jornalistas

um elemento que sobressaiu em todos os depoimentos de comunicadores que assu- miram terem sido constrangidos a adulterar dados visando benefi ciar empresas ou ato- res políticos que possuíam alianças impró- prias com os veículos que os empregaram, ou ainda que relataram terem sido tolhidos de realizar coberturas de notável relevância pública por restrições editoriais ou ordens de superiores, e mesmo entre aqueles que indicaram terem sido forçados a produzir matérias a partir de pautas “encomendadas” pela chefi a, é que eles não somente eviden- ciaram uma dolorosa consciência do áspero contraste entre os fundamentos éticos do campo e as práticas organizacionais das empresas de mídia, bem como assinalaram o sofrimento resultante desta experiência de serem compelidos a infringirem sua digni- dade no trabalho. Ademais, em parcela sig- nifi cativa dos relatos os jornalistas também apontavam as táticas que adotaram com o objetivo de contornar ordens que estives- sem em frontal descompasso à ética jorna- lística, como examinaremos adiante.
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Do prazer ao sofrimento no trabalho da enfermagem: o discurso dos trabalhadores.

Do prazer ao sofrimento no trabalho da enfermagem: o discurso dos trabalhadores.

Na instituição hospitalar, a satisfação no tra- balho referiu-se também a possibilidade de ame- nizar o sofrimento do paciente e da melhoria do seu quadro de saúde. Isso significa que, apesar de conviver com situações de sofrimento e morte, a equipe tem momentos de sucesso, que se tornam gratificantes e trazem satisfação. O bom relacio- namento da equipe de trabalho também foi desta- cado como gerador de prazer na atividade laboral, fato este diverso de outras realidades de equipes de enfermagem em que as relações interpessoais surgem como gerador de insatisfação. Entende- se que a complexidade do relacionamento no tra- balho envolve diversos fatores que possibilitam ao trabalhador, conviver com maior ou menor habi- lidade com seus pares nos locais de trabalho (6-11) .
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Trabalho e sofrimento: a extinção de cargos na universidade pública

Trabalho e sofrimento: a extinção de cargos na universidade pública

gestão, que exigem a correção do desvio de função e o cumprimento das atribuições originais desses servidores, conforme previstas na descrição dos cargos ocupados por eles, contribuem para invisibilizar os processos sociais e institucionais que produzem a realidade de trabalho, o sofrimento e o adoecimento na universidade. Não obstante suas trajetórias de trabalho se constituam a partir de processos que extrapolam a esfera de suas escolhas individuais, o ônus dessa realidade recai sobre os servidores. A adoção, no serviço público, de ferramentas de gestão importadas da iniciativa privada, principalmente a partir dos anos 1990, contribui para a culpabilização e responsabilização dos servidores por suas condições de trabalho, para a intensificação do individualismo e para a fragilização das estratégias coletivas de resistência (NEVES, 2005; SPILKI; TITONI, 2005). A substituição de servidores por profissionais terceirizados contribui para a fragmentação da representação sindical, dificultando a resistência coletiva na luta por direitos e por melhores condições de trabalho. Histórias de vida profissional desses servidores ocupantes de cargos em extinção expõem os efeitos das transformações no mundo do trabalho, na universidade pública brasileira. Características como o desemprego, a inserção precária e mal remunerada, conjuntamente com a precarização, com o desmonte e com as mudanças na gestão e na organização da universidade pública, repercutem na saúde, nas sociabilidades e nos modos de viver e adoecer desses servidores. Condições de trabalho insuficientes, ausência de reconhecimento, dominação, discriminação, exploração, cobranças e culpabilização são alguns componentes que, sob o “manto da modernização” na gestão pública, refletem negativamente na saúde e na produção de sofrimento no trabalho desses servidores. Tratam-se de múltiplas correlações desiguais que marcam a coisificação da condição humana nesse espaço ocupacional, cuja sujeição do trabalhador o “torna expropriado de componentes relevantes de sua subjetividade” (SELIGMANN-SILVA, 2011). As estratégias utilizadas por esses servidores – sejam elas individuais ou coletivas – mostram-se demasiadamente frágeis para combater o ataque a sua dignidade ou para promover mudanças na realidade em que se encontram.
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Desamparo e sofrimento no trabalho bancário : um estudo de caso em clínica do trabalho

Desamparo e sofrimento no trabalho bancário : um estudo de caso em clínica do trabalho

bancário, com base nos referenciais teóricos da Psicodinâmica do Trabalho e da noção de desamparo da psicanálise. Trabalhar é preencher um espaço entre o prescrito e o real, espaço que deverá ser descoberto cada vez que o sujeito trabalha. Enfrentar o real indica que trabalhar se manifesta afetivamente para o sujeito em forma de sofrimento, e isso marca não apenas o resultado ou o fim de um processo, mas também a subjetividade no trabalho. A condição de desamparo do homem refere-se à precariedade física e psíquica que fundamenta sua própria existência e põe em evidência as relações do sujeito com a alteridade. Seu legado se posiciona numa demanda de amor ao outro para que seja possível a sobrevivência. Uma leitura social da condição de desamparo aponta para a relação dessa condição originária com as formas de laço social na sociedade e no mundo do trabalho. Realizou-se um estudo de caso clínico de atendimento individual a uma trabalhadora bancária no CAEP/UnB. Foram realizadas 18 sessões semanais de duração média de 50 minutos, com supervisão do caso após cada atendimento. Os dados, registrados em diários de campo e memoriais, foram analisados por meio de Interpretação e da Análise Clínica do Trabalho de Mendes e Araujo (2012) em sua Etapa II. Encontrou-se que a organização do trabalho foi variando em função das mudanças e reestruturações. O sofrimento – expresso em sentimentos de inutilidade, desqualificação e em nervosismo, irritação, desmotivação e falta de paciência – apareceu associado às vivências da reorganização do trabalho (O.T). Encontrou-se também que a reorganização da O.T. vivenciada pela bancária se condensou numa cena infantil que trouxe elementos para pensar a condição de desamparo. O psíquico da trabalhadora foi captado pela O.T. de modo que se prendeu ao medo originário do estado de desamparo. Os achados apontaram que é uma lógica que administra a organização do trabalho bancário que se colocou na condição de protetor, mas também de gestor dessa insegurança. Sugerem-se outros estudos que confirmem e ampliem esses achados.
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Mal-estar docente e a somatização no mundo do trabalho

Mal-estar docente e a somatização no mundo do trabalho

ção desses profissionais, gerando um campo de tensões a partir de vivências de estados emocionais intensos. Isso tem implicações físicas e psicológicas, atingindo não só aspectos profissionais, mas também pessoais desses indi- víduos. Desse modo, apesar de um esforço pessoal frente às dificuldades vivenciadas na profissão, ao ser afetado pelos problemas, na intenção de absorver ou elaborar so- luções no trabalho, fica vulnerável à somatização, carac- terizada pela manifestação de conflitos e angústias psico- lógicos por meio de sintomas corporais. Essa somatiza- ção pode ser consequência do mal-estar docente, uma das
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MÃO-DE-OBRA BARATA: O SOFRIMENTO NO TRABALHO DE ESTAGIÁRIOS

MÃO-DE-OBRA BARATA: O SOFRIMENTO NO TRABALHO DE ESTAGIÁRIOS

A temática do trabalho já foi discutido por diferentes paradigmas e autores, como: Marx (1849), quem discute o trabalho, de maneira geral, como força vital trocada por dinheiro; Arendt (2011) a qual distingue o trabalho em duas vertentes: o artesão (homo faber) e o operário (animal laboran), de forma que o artesão precisa realizar o trabalho como uma necessidade humana e o utiliza como caminho para a emancipação, enquanto o operário produz somente por obrigação ou alguma necessidade humana imediata; Dejours (2008; 2012ª; 2012b; 2015), precursor dos estudos sobre a psicodinâmica e o sofrimento no trabalho, analisa a fundo a influência que o trabalho exerce sobre o indivíduo e como o mesmo lida com esta realidade. Embora exista uma gama de âmbitos para ser discutido dentro deste assunto, este trabalho foca no sofrimento no trabalho. Dentro das pesquisas científicas, verifica-se a significância do tema, o qual aumentou em número de publicações nas áreas da influência do trabalho sobre os indivíduos nos últimos anos (MACHADO; MACÊDO; MACHADO, 2017). Mesmo com vários estudos avançando neste tema, entende-se que cada profissão tem suas particularidades e possibilidades de descobertas, bem como as fases da vida do indivíduo. Ademais, o sofrimento no trabalho pode ser compreendido de formas diferente a cada geração. Isso posto, uma destas áreas que foi pouco discutida até o momento é o trabalho do estagiário.
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Estresse ocupacional e sofrimento no trabalho: um estudo com caminhoneiros

Estresse ocupacional e sofrimento no trabalho: um estudo com caminhoneiros

Segundo Dejours (1994) o trabalho pode ser fonte de prazer ou de sofrimento isto dependerá se ele permite ou não a diminuição da carga psíquica. Ele define como carga psíquic[r]

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Sofrimento e trabalho na cidade em marcha forçada.

Sofrimento e trabalho na cidade em marcha forçada.

Nesse sentido, na condição de elos da produção capitalista cindida pela reestrutu- ração produtiva, que externalizou parte da produção em nome de um ideário de fábrica enxuta, limpa e silenciosa, esses trabalha- dores sobre duas rodas asseguram a atual logística da acumulação, caracterizada pelo processo de compressão do espaço pelo tem- po. Seu papel social é, acima de tudo, viabi- lizar a aceleração do processo de produção- -distribuição-troca-consumo. Assim, o que se espera deles é velocidade e, por isso, eles têm pressa. Portanto, seu modo de trabalho é a caricatura, frequentemente renegada pela sociedade, de uma sociabilidade hostil e des- gastante, fundada na sincronização alienante ao tempo, cada vez mais curto, da realização da mais-valia.
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Assédio moral, ética e sofrimento no trabalho

Assédio moral, ética e sofrimento no trabalho

O assédio moral é um fenômeno complexo e uma realidade no mundo do trabalho. Para que uma ação seja definida como assédio moral, a intenção do assediador, a duração e frequência com que os episódios ocorrem precisam ser investigados. É um tipo de violência que envolve princípios éticos individuais e coletivos e que pode afetar a qualidade de vida dos trabalhadores, levando a doenças físicas, psíquico-emocionais e sofri- mento no trabalho. Esta reflexão narrativa define e caracteriza assédio moral relacionando-o à ética; relata suas principais repercussões à saúde dos trabalhadores e comenta brevemente sobre a legislação internacio- nal e nacional sobre este tema.
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