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Área da infância e juventude

No documento CONTA DA SEGURANÇA SOCIAL 2009 PARTE II (páginas 162-167)

Por escalão de referência do agregado familiar

IX. 5.2.1.4 Variação do número de titulares por distrito do Continente e RA’s

IX.8. A CÇÃO SOCIAL

IX.8.5. Programas e Outras Despesas

IX.8.5.1. Área da infância e juventude

A despesa paga em prestações sociais e com programas e projectos de acção social abrangidos pela área da infância e juventude atingiu um valor global de 114,9 milhões de euro em 2009, denotando um crescimento de 13,6% relativamente a 2008.

Para esse crescimento concorreram principalmente o aumento das transferências para o Ministério da Educação (+14,3% face a 2008)61, no âmbito do pagamento do pré-escolar, e da despesa com “prestação de alimentos a menores” (+25,1%). A despesa com os “ATL” cresceu ainda 14,2% face ao período homólogo do ano anterior.

2005-2009

(milhares de euro)

2009/2008 2009/2005

Actividades tempos livres 130,2 176,2 454,5 467,5 533,9 14,2 310,0

Funcionamento actividade amas 7.084,3 7.664,0 8.193,3 8.464,8 8.257,8 -2,4 16,6

Prestação alimentos a menores - FAGDM 7.522,0 9.797,7 12.780,3 15.573,3 19.485,1 25,1 159,0

Subsídios famílias acolhimento 17.397,2 17.060,2 16.068,8 12.288,4 5.083,8 -58,6 -70,8

Subsídios utentes lares lucrativos 0,3 8,6 260,5 8,2 -100,0 -100,0

PEPS 1,3 5,0 0,8 0,8 -100,0 -100,0

GEF do Ministério da Educação 44.440,0 45.640,0 42.789,7 43.663,5 49.921,1 14,3 12,3

Programa Ser Criança 4.459,6 2.200,9 1.780,6 1.022,4 102,4 -90,0 -97,7

Programa de Apoio à Primeira Infância (PAPI) 1.448,7 1.534,7 1.152,0 339,0 363,2 7,1 -74,9

Programas Escolhas 5.750,0 5.750,0 5.750,0 5.750,0 5.750,0

Com. Protec. Crianças e Jovens Risco / Protoc. municipais 5.612,8 6.047,9 10.717,9 12.415,0 11.389,8 -8,3 102,9

Verbas do Euromilhões 420,9 210,8 16,8 -92,0 -

Outras 66,0 43,8 214,0 914,0 13.988,9 1.430,5 21.102,3

TOTAL 93.912,5 95.929,1 100.583,3 101.117,6 114.892,9 13,6 22,3

Variação (%)

Despesas da área da Infância e Juventude

Áreas e Rubricas 2005 2006 2007 2008 2009

Numa análise quinquenal, constata-se que as despesas da área da infância e juventude cresceram 22,3% entre 2005 e 2009, sendo responsáveis por esta evolução nomeadamente a despesa com a prestação de alimentos a menores (cresceu cerca de 3 vezes), as despesas de funcionamento com Comissões de Protecção de Crianças e Jovens em Risco e celebração de protocolos com os municípios (+102,9%) e o pagamento de actividades de tempos livres (+310,0%), que apresentaram taxas de crescimento a três dígitos no quinquénio 2009/2005.

Nesta área merecem ainda destaque os subsídios a famílias de acolhimento, com um peso relativo de 4,4%

na despesa total em 2009 (um decréscimo de 7,7 p.p. em relação a 2008), e as transferências para o Ministério da Educação para pagamento do pré-escolar, que representaram 43,5% da despesa total da área, mais 0,3 p.p. do que em 2008, devido ao acréscimo de 14,3% no montante despendido.

No âmbito do Decreto-Lei n.º 12/2008, de 17 de Janeiro, foi aplicado, em 2009, o programa de apoio em meio natural vida, cuja despesa ascendeu a 3,7 milhões de euro.

Programa Ser Criança

O Programa Ser Criança foi criado em 199562, tendo como principais objectivos:

- promover e qualificar a intervenção dirigida a crianças e jovens portadores de deficiência ou em situação vivencial de riscos múltiplos, bem como às suas famílias;

- promover a (re)integração de crianças e jovens institucionalizados;

- proporcionar e desenvolver a aquisição de competências pessoais, parentais e de relacionamento intra- familiar; apoiar a formação/qualificação profissional dos técnicos e agentes sociais;

- promover a experimentação de novas e diferenciadas metodologias de intervenção e de investigação no âmbito social;

- promover o conhecimento do fenómeno das crianças e jovens em risco, possibilitando a sua sistematização.

Em 2009, os projectos no âmbito do Programa Ser Criança incorreram, no Continente, numa despesa total de 102,4 milhares de euro, uma redução de 90,0% face a 2008. Desde o início deste programa, em 1996, e até 2009, o total da despesa realizada foi de 47,9 milhões de euro63, sendo que se tem verificado uma tendência de redução consecutiva da despesa. O quadro seguinte releva as despesas totais do programa nos últimos cinco anos:

Execução do Programa Ser Criança 2005-2009

(milhares de euro)

2005 2006 2007 2008 2009

Despesa anual 1) 4.459,6 2.200,9 1.780,6 1.022,4 102,4

1) Excluindo despesas de administração.

62

O Programa Ser Criança foi criado pelo Despacho n.º 26/MSSS/95, de 30 de Novembro, sendo regulamentado através do Despacho n.º 3269/2000, de 17 de Janeiro.

63

Excluindo despesas de administração.

Despesas da área Infância e Juventude Em milhares de euro 2005-2009 0 20.000 40.000 60.000 80.000 100.000 120.000 140.000 2005 2006 2007 2008 2009 -1,0% 1,0% 3,0% 5,0% 7,0% 9,0% 11,0% 13,0% 15,0% Despesa

Programa de Apoio à Primeira Infância (PAPI)

O Programa de Apoio à Primeira Infância (PAPI) foi criado em 200164, tendo em vista a melhoria qualitativa e quantitativa dos serviços dirigidos ao acolhimento de crianças de idades compreendidas entre os 4 meses e os 3 anos, designadamente através do alargamento do número de lugares existentes, da melhoria e modernização dos serviços prestados, da diversificação da tipologia de respostas existentes, da criação de condições para o desenvolvimento da iniciativa privada e da promoção da articulação com o sistema pré-escolar.

O ano de arranque das candidaturas ao PAPI foi 2001, em que se despendeu apenas 752,8 milhares de euro com este programa. Em 2009, a despesa com o PAPI situou-se ainda num valor inferior, em 363,2 milhares de euro, um valor sensivelmente idêntico a 2008.

Execução do Programa de Apoio à Primeira Infância (PAPI) 2005-2009

(milhares de euro)

2005 2006 2007 2008 2009

Despesa anual 1.448,7 1.534,7 1.152,0 339,0 363,2

Despesa acumulada 7.576,0 9.110,7 10.262,7 10.601,7 10.965,0

Peso do ano no total 13,7% 14,5% 10,9% 3,2% 3,3%

Comissões de Protecção a Crianças e Jovens em Risco e Protocolos Municipais

O financiamento das despesas de funcionamento das Comissões de Protecção a Crianças e Jovens em Risco (CPCJR) processa-se através de uma comparticipação financeira, por parte da Segurança Social, no apoio logístico que as Câmaras Municipais asseguram às Comissões, através da celebração de protocolos de cooperação com os respectivos municípios.

Os Protocolos Municipais resultaram do protocolo de cooperação celebrado em 10 de Janeiro de 2001, entre o Governo - através do Ministro da Justiça e do então Ministro do Trabalho e da Solidariedade, e a Associação Nacional dos Municípios Portugueses, prevendo uma comparticipação aos Municípios com o objectivo de dotarem as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens em Risco (CPCJ) das condições adequadas ao seu funcionamento. O valor desta comparticipação financeira no apoio logístico que as Câmaras Municipais asseguram às CPCJ, que se encontra regulamentada pelo Despacho Conjunto 562/2001, de 22 de Junho, tem por base a população residente no Concelho com idade inferior a 15 anos.

Em 2009, a despesa efectuada com os protocolos de cooperação celebrados situou-se em 11,4 milhões de euro, registando uma redução de 8,3% face a 2008 e representando um valor superior em duas vezes ao registado em 2005, conforme o quadro seguinte:

Com. Protec. Crianças Jovens em Risco / Protoc. Munic. 2005-2009 (milhares de euro) 2005 2006 2007 2008 2009 Despesa anual 5.612,8 6.047,9 10.717,9 12.415,0 11.389,8 Taxa de crescimento 12,5% 7,8% 77,2% 15,8% -8,3%

Em 2009, as despesas com as CPCJ e com protocolos com os municípios, distribuíram-se pelas seguintes rubricas:

Comissão de Protecção de Crianças e Jovens Risco (e Protocolos municipais) 2005-2009 (milhares de euro) Montante Peso relativo Montante Peso relativo Montante Peso relativo Montante Peso relativo Montante Peso relativo

Despesa com Pessoal 495,1 8,8% 395,8 6,5% 228,34 2,1% 387,31 3,1% 489,4 4,3% 26,3%

Aquisição de bens e serviços 290,3 5,2% 1.277,9 21,1% 4.568,54 42,6% 5.059,49 40,8% 4.720,5 41,4% -6,7%

Transf. Correntes - Administ. Local 4.825,2 86,0% 4.369,6 72,2% 5.918,05 55,2% 6.964,75 56,1% 5.486,8 48,2% -21,2%

Outras despesas correntes 1,3 0,0% 2,6 0,0% 1,93 0,0% 2,57 0,0% 137,7 1,2% 5249,2%

Aquisição de bens de capital 0,9 0,0% 2,0 0,0% 1,00 0,0% 0,91 0,0% 0,0 0,0% -100,0%

Total 5.612,8 100,0% 6.047,9 100,0% 10.717,9 100,0% 12.415,0 100,0% 11.389,8 100,0% -8,3% 2007 2006 Variação 2009/2008 2008 2009 Rubricas 2005 Programa ESCOLHAS

O Programa ESCOLHAS foi criado em 200165, com o objectivo de apoiar a integração das crianças e jovens provindos de contextos socioeconómicos mais desfavorecidos e problemáticos, numa perspectiva de maior equidade.

Numa primeira fase de implementação, que decorreu entre Janeiro/01 e Dezembro/03, o ESCOLHAS tratou-se de um programa de prevenção da criminalidade e inserção de jovens dos bairros mais vulneráveis dos distritos de Lisboa, Porto e Setúbal. Durante esse período, foram implementados 50 projectos, que abrangeram 6.712 destinatários.

Na sequência deste programa, surge o Escolhas – 2ª Geração (E2G), já de âmbito nacional, criado através da Resolução do Conselho de Ministros n.º 60/2004, que decorreu entre Maio/04 e Setembro/06. Em termos de intervenção, e a partir da experiência adquirida na primeira fase, foram introduzidas alterações que se resumem em três eixos essenciais:

1. – Transformação de um Programa de prevenção da criminalidade num Programa de promoção da inclusão;

2. – De um programa com uma lógica central para um Programa assente em projectos localmente planeados;

3. – De entre as crianças e jovens vulneráveis com necessidade de maior investimento no sentido da sua inserção social, encontram-se as crianças e jovens descendentes de imigrantes e minorias étnicas, que se tornaram numa das prioridades do Programa.

O E2G financiou e acompanhou 87 projectos, enquadrados nas Zonas Norte (33), Centro(29) e Sul e Ilhas (25), que abrangeram cerca de 43 mil destinatários. Foram envolvidas 412 instituições e 394 técnicos, em 54 concelhos do país.

Numa terceira fase, entre 2007 e 2009, o ESCOLHAS foi reforçado através de um aumento do investimento direccionado e do número de projectos a apoiar, através da Resolução do Conselho de Ministros n.º 80 de 2006. A renovação do Programa teve como objectivo promover a inclusão social de crianças e jovens provenientes de contextos sócio-económicos mais vulneráveis, nomeadamente dos descendentes de imigrantes e minorias étnicas,

tendo em consideração o maior risco de exclusão social, procurando a igualdade de oportunidades e o reforço da coesão social.

Nesta terceira fase decorreram 121 novos projectos, que abrangeram um maior número de concelhos do território nacional (71). Cada projecto constituiu-se por uma instituição promotora e diversos parceiros, nomeadamente escolas, centros de formação, associações, IPSS, que formaram um consórcio. Através deste modelo, o Programa ESCOLHAS reuniu cerca de 770 instituições. Cada consórcio concebeu e implementou actividades em quatro domínios de acção, complementares, que se indicam:

MEDIDA I – Inclusão Escolar e Educação Não Formal: actividades de combate ao abandono escolar e de promoção do sucesso escolar; medidas de educação que facilitem a reintegração escolar de crianças e jovens que tenham abandonado a escola, a partir dos 12 anos, dinamizadas dentro ou fora do espaço escolar; acções de educação não formal que favoreçam a aquisição de competências pessoais e sociais, promovendo o sucesso educativo;

MEDIDA II – Formação Profissional e Empregabilidade: actividades que favoreçam o acesso à formação profissional e ou emprego; capacitação dos destinatários com competências e saberes que constituem vantagens competitivas para a sua integração social e profissional; promoção da responsabilidade social de empresas e outras entidades, mobilizando oportunidades para a inserção na vida activa (estágios profissionais, promoção do primeiro emprego, etc.);

MEDIDA III – Participação Cívica e Comunitária: desenvolvimento de espaços criativos e inovadores, promoção da participação social, desenvolvimento de um espírito de cidadania activa, aproximação às instituições do Estado, co- responsabilização dos familiares no processo de desenvolvimento pessoal, social, escolar e profissional, iniciativas de serviço à comunidade, promoção de espaços de informação e promoção da mobilidade juvenil dentro e fora do território nacional;

MEDIDA IV – Inclusão Digital: actividades lúdico-pedagógicas, actividades específicas de âmbio formativo em Tecnologias da informação e da Comunicação, actividades de apoio à inclusão escolar.

Até ao final de 2007, primeiro ano da terceira fase, o Programa Escolhas abrangeu cerca de 47.300 destinatários. Relativamente à despesa, foram despendidos com este programa 5,8 milhões de euro em 2009, um valor que se manteve inalterável desde 2005. Verifica-se ainda que a respectiva expressão relativa no total da despesa, na área da Infância e juventude, diminuiu ligeiramente face a 2008 (de 5,7% para 5,0%). A evolução da despesa com o Programa ESCOLHAS, desde 2005, é indicada no quadro seguinte:

Execução do Programa ESCOLHAS 2005-2009

(milhares de euro)

2005 2006 2007 2008 2009

Despesa anual 5.750,0 5.750,0 5.750,0 5.750,0 5.750,0

Verbas do Euromilhões

Nos termos do disposto no artigo 9.º de Decreto-Lei n.º 210/2004, de 20 de Agosto, os resultados líquidos da exploração do jogo Euromilhões foram repartidos, em partes iguais, pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e pelo Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social. Em 2009, foi transferido o montante de 16,8 milhares de euro para a área de intervenção infância e juventude, ao qual acresce a verba destinada à população idosa (173,0 milhares de euro, conforme ponto de análise posterior).

No documento CONTA DA SEGURANÇA SOCIAL 2009 PARTE II (páginas 162-167)