Para desenvolver o relatório de Caminhabilidade da cidade de Toronto, os pesquisadores do departamento de saúde pública (2012) utilizaram uma ferramenta chamaram de Índice Caminhabilidade. O Índice Caminhabilidade foi desenvolvido para medir e avaliar características de uma vizinhança que foram claramente associadas com caminhadas utilitarista e com grande densidade residencial. Diferentemente de outros índices de Caminhabilidade que servem para ranquear lugares, ruas ou definir
indicadores de qualidade da Caminhabilidade de um determinado local, o Índice Caminhabilidade de Toronto não foi projetado para avaliar a infraestrutura de ruas ou problemas como sombra, ruído e árvores, questões de segurança relacionadas a iluminação, trânsito, calçadas e ciclovias, ou instalações recreativas tais como parques, trilhas, que também têm um impacto significativo sobre a caminhada e o ciclismo. O Índice Caminhabilidade é uma medida contínua que reflete várias características da vizinhança: densidade residencial, que indica quantas pessoas vivem por hectare;
o varejo, que indica o quanto do uso do solo no bairro é dedicado para o comércio;
edifícios comerciais versus estacionamento; mix do uso do solo, que indica a variação do mix que está dentro de um bairro (por exemplo, se existem lojas, bibliotecas, centros de recreação e escritórios em um bairro); e a densidade das interseções, que indica se as vias têm continuidade e tamanho dos quarteirões. O Índice de Caminhabilidade foi aplicado em toda cidade de Toronto e indica se o grau de Caminhabilidade é baixo, médio ou alto.
A secretária de Saúde Pública de Toronto divulgou em 2011 o primeiro de uma série de relatórios sobre como os bairros poderiam ser mais saudáveis para seus moradores.
Cidades saudáveis são cidades mais habitáveis, prósperas e sustentáveis. A gestão pública observou que cidades saudáveis não acontecem por acaso: elas são resultados de uma visão criativa que respeita as necessidades dos cidadãos. Outro fator importante é que cidades saudáveis têm bom desenho urbano, isto é, boa infraestrutura, que permite às pessoas caminhar mais, andar de bicicleta e fazer exercícios. O estudo foi realizado na Grande Toronto e analisou a preferência dos moradores por tipos de bairros mais caminháveis e “Transit-supportive neighbourhood”, que é um programa do Ministério de Transportes Canadense que promove bairros mais compactos apoaidos
aos sistemas de transportes públicos e desenho urbano mais amigável para transporte alternativo. Esses bairros são caracterizados por formas específicas de vizinhança, zoneamento e desenho urbano, com lojas, pequenos comércios e serviços a curta distância das casas. Os pesquisadores descobriram que existe uma forte demanda de bairros mais caminháveis na cidade de Toronto. O estudo também demonstrou que, em bairros mais caminháveis, as pessoas fazem caminhadas mais utilitárias, para comprar algo, ir trabalhar, etc. e dirigem com menos frequência, de forma que as caminhadas são mais fequentes e mais curtas. Nesses bairros, as pessoas têm pesos corporais inferiores do que as pessoas que vivem em bairros mais distantes e menos caminháveis. Estudos mostram que nesses bairros pode haver significativa melhora na qualidade do ar. O estudo mostrou que a Caminhabilidade pode receber uma série de interferências de outros fatores, como congestionamentos de carros, iluminação, falta de instalações recreativas, mobiliário urbano, sombra, ruídos etc. O estudo mostra que o acesso a transporte público aumenta o número de caminhadas no bairro e, por sua vez, afeta os níveis de atividade física. Também descobriu-se que, quando um bairro tem transporte público acessível, as pessoas andam no mínimo 30 minutos.
Tabela 18: Aplicação do Índice de Caminhabilidade em Toronto. As áreas mais caminháveis estão nas áreas centrais ou próxima do centro de Toronto. - Fonte: Cidade de Toronto (2012)
Tabela 19: BMI – Índice de massa corporal Os índices de obesidades são maiores em bairros menos caminháveis.
Fonte: Departamento de Saúde Pública de Toronto (2009)
Tabela 20: Número de viagens com carro.
Em bairros menos caminháveis as pessoas tem maior dependência pelo carro.
Fonte: Departamento de Saúde Pública de Toronto (2009)
Tabela 21: Distância viajada com carro (em km). Fonte: Departamento de saúde pública de Toronto (2009).
Tabela 22: Walkability X outros modais. Fonte:
Cidade de Toronto (2009).
O relatório de 2009 concluiu que os padrões de Caminhabilidade dos bairros de Toronto deveriam ser alterado para padrões mais caminháveis e que, para isso, a cidade precisaria alterar o seu planejamento, zoneamento e o desenho dos bairros.
Novos Planejamentos foram incorporados:
- Alteração do Zoneamento;
- Streetscape Manual;
- Vibrant Streets Guidelines for street furniture;
- Toronto Bike Plan;
- Toronto Walking Strategy;
- Toronto Food Charter;
- Green Toronto (ERA, 2012);
Tabela 23: Divisão Modal Toronto X fora da Grande Toronto. Fonte: Cidade de Toronto (2009).
- Política de Desenvolvimento de Infra-estrutura e Padrões (DIPS) para o desenho geométrico de Novas ruas públicas residenciais (TTS, 2012); e
- Pedestrian Oriented Streets.
3.2.6 – Resumo dos métodos estudados
As formas de aplicação e de métodos são variáveis e os objetivos são diversos, mas todas as auditorias e planos de Caminhabilidade das cidades buscam promover maior qualidade de vida para seus cidadãos.
Para este trabalho foram examinados 5 projetos de Caminhabilidade das cidades de Londres, Toronto, San Diego, Los Angeles e Perth. A escolha se deu em função da disponibilidade de informações no sítio eletrônico. Com exceção de San Diego, uma vez que o trabalho foi feito como estudo pela Universidade de San Diego, todas as outras foram executadas pelas cidades. É interessante notar que Londres vem trabalhando com a temática da Caminhabilidade desde 2004, quando identificou que suas ruas eram inferiores às de outras cidades europeias. A partir desta constatação passou a realizar uma série de estudos complementares, já que na época o conceito de Caminhabilidade era muito recente. Talvez seja por isso que a cidade possui um universo vasto de informações sobre pedestres, infraestrutura, planos de ação. Atualmente os projetos de Caminhabilidade são realizadas pelas subprefeituras e para realizar as auditorias eles utilizam o sistema PERS desenvolvido por uma empresa privada, cujo software pode ser customizado para outras cidades. Londres desenvolveu metodologias para medir o nível de serviço de calçadas e ilhas de refúgios de cruzamentos e também um manual de referência para diversas tipologias de desenho urbano, o que facilita a auditoria. É a única que faz contagem automática de pedestres, mede obstruções físicas e temporárias (filas de bancos, comércio, placas, ambulantes que ocupam a calçada de forma temporária). Essas medições servem para calcular o tamanho do espaço para o pedestre. Eles calculam a largura da calçada pelo comprimento
e subtraem os espaços ocupados por mobiliário urbano e obstruções temporárias:
poluição atmosférica, ruídos, uso do solo também são verificados durante a leitura de Caminhabilidade. A cidade de Toronto criou um plano mais consistente e com participação da população em todo o processo de auditoria e de consultas públicas. A auditoria de Caminhabilidade serviu como ferramenta para criação de um inventário das condições de todas as calçadas de Toronto, planejamento de Caminhabilidade e uma estratégia pouco utilizada pelas outras cidades, que foi um plano para mudança de cultura do carro para o pedestre, envolvendo vários outros departamentos, tais como meio-ambiente, transportes, trabalho, saúde pública e cultura e comunicação.
Qualquer comunicação da cidade tinha que incentivar o deslocamento a pé. A cidade de Los Angeles desenvolveu uma auditoria de Caminhabilidade, incialmente não para implantar um plano de Caminhabilidade, mas para criar critérios para o setor de construção civil. Los Angeles resolveu que todas as novas construções ou reformas da construtora seriam responsáveis em melhorar a qualidade da Caminhabilidade do entorno. O estudo faz parte do plano diretor que obriga a cidade a melhorar a qualidade da infraestrutura para pedestres, para aprovação de projetos. A prefeitura usa o manual de Caminhabilidade, que também serve para que as comunidades discutam com as construtoras sobre a qualidade do projeto de Caminhabilidade de suas áreas.
Perth esta localizada na Australia Ocidental, é uma cidade com mais de 1.2 milhões de habitantes e procura ser a cidade mais caminhável do Mundo.
Tabela 24: Auditoria de Caminhabilidade das cidades. Fonte: Elaborada pelo autor.
Tabela 25: Auditoria de pedestres.
Fonte: Elaborada pelo autor.
Tabela 26: Auditoria de Pedestres.
Fonte: Elaborada pelo autor.
Conclusão
As cidades estudadas estão em processos diferentes de Caminhabilidade. Los Angeles por exemplo não partiu da Caminhabilidade como uma prioridademas está respondendo a uma orientação do seu plano diretor que prevê uma cidade mais caminhável no futuro, incluindo no processo de aprovação de novos empreendimentos na cidade uma auditoria de Caminhabilidade. O poder público pode solicitar alteração no desenho urbano dependendo do empreendimento. Já Londres está mais adiantada, desenvolvendo estudos mais complexos com mais coesão entre outras áreas, como Saúde e Meio Ambiente. Já a cidade de Toronto segue caminho semelhante, tendo desenvolvido um mapeamento sobre as condições de todas as calçadas da cidade.
Todas as cidades que implantaram auditoria de Caminhabilidade produziram manuais para orientação da auditoria.
Todas as aplicações seguiram praticamente os mesmos critérios para avaliação dos elementos do ambiente urbano para pedestres, umas mais e outras menos. Londres e Perth incluíram escala de pontos para avaliação da qualidade da infraestrutura e indicadores para monitorar a qualidade da Caminhabilidade durante os anos.