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A ÇÃO 1: “P ALCOS DE D IÁLOGOS E R EFLEXÕES ”

A Ação 1, denominada pelas jovens e pelos profissionais “Palcos de Diálogos e Reflexões” (Apêndice I, p.303), decorreu entre fevereiro e maio de 2019, com encontros semanais, num total de 21 sessões (Apêndice J, pp.305-306).

Inicialmente, recorremos às conversas intencionais individuais para conseguirmos compreender o que as jovens esperavam desta intervenção, sendo posteriormente organizada uma primeira sessão de grupo (Apêndice K, pp.308-316). Nessa sessão, surgiu o desejo da criação de um espaço, onde as jovens pudessem discutir e refletir sobre situações trazidas por elas e pelos profissionais, relacionadas com experiências pessoais e coletivas e com assuntos relacionados com a sociedade em geral. A proposta apresentada pelas jovens relativa à organização das sessões era similar a um “tribunal”, desde o espaço, os materiais e os papéis assumidos, tendo, ao longo da sessão, todas dado contributos até chegarmos a um consenso acerca de como construirmos os nossos palcos. Definimos que todas as situações a serem discutidas terminassem com uma questão que as fizesse tomar uma posição; o espaço escolhido pelas jovens foi a sala de convívio, tendo em conta as características do espaço, nomeadamente a área ampla e a luminosidade; os recursos materiais necessários eram um computador, um projetor, dois sofás e um martelo, meios que permitiriam alcançar o que nos propúnhamos trabalhar ao longo destas sessões em particular; sobre os papéis que iriam ser desempenhados ao longo

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das sessões, as jovens referiram que era necessário que existisse um escrivão, um juiz e dois advogados, cada um com a sua função. Para elas, era importante que existissem pessoas a desempenharem o papel de advogados, uma vez que pretendiam que estas se reunissem com elas para definirem argumentos para defenderem a sua posição, com o objetivo de as fazer refletir sobre as situações discutidas, tendo surgido a ideia de os diferentes papéis serem desempenhados pelos profissionais da ET e da EE. Durante a partilha de ideias, algumas jovens mostraram-se mais participativas que outras, mas, com o desenrolar da sessão, todas se foram envolvendo, tendo sido necessário em alguns momentos manter a organização, preservando, no entanto, a participação genuína das mesmas. O envolvimento dos profissionais nestas sessões partiu do desejo das jovens, sendo que, em conversa com os mesmos, eles mostraram-se disponíveis, acabando por se envolver. Foi também desejo das jovens que as estagiárias da instituição participassem nestas sessões. Sobre como definiríamos as situações a serem discutidas, as jovens sugeriram que poderiam ser escritas por elas ou pelos profissionais, tendo ficado decidido que, quando alguma delas tivesse um caso que gostasse de ver discutido, escreveria num papel que nos entregaria, ficando também acordado que em nenhuma sessão seria referido quem tinha trazido, uma vez que para as jovens a manutenção do anonimato era fundamental. A dinâmica das futuras sessões ficou decidida nesta primeira sessão (Apêndice K, p.314). No final desta sessão, as jovens demonstraram-se entusiasmadas para continuarem envolvidas no Projeto, sendo de destacar o facto de terem realçado que se sentiam ouvidas. Respeitando o ritmo dos profissionais, ficou decidido que a atribuição dos diferentes papéis seria realizada sempre no dia da sessão, durante o período da manhã, havendo sempre conversas intencionais de preparação para as sessões com os profissionais que estariam envolvidos, partindo das situações que iriam ser discutidas (Apêndice K, pp.315-316). Assim, desde a segunda até à oitava sessão desta Ação, foram criados momentos, onde as jovens e os profissionais tiveram papéis ativos, apresentando as situações trazidas várias problemáticas subjacentes. Na segunda sessão (Apêndice K, pp.316-320), a situação discutida, trazida pela Dra. Rita, focou-se na intencionalidade e na não intencionalidade de um comportamento associadas à gravidade do mesmo. As jovens foram dando a sua opinião, trazendo diferentes pontos de vista sobre a situação, apoiando-se em experiências familiares para fundamentarem as suas escolhas.

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De forma unânime, o grupo gostou da sessão e as jovens demonstraram estarem ansiosas pela próxima sessão. As profissionais, que participarem desta sessão, referiram sentirem-se confortáveis ao assumirem os papéis e expressaram que a sessão tinha corrido bem, referindo, todavia, que “os profissionais que participam enquanto advogados deveriam estar mais preparados para estimularem as jovens a pensar mais além”, tendo surgido algumas sugestões para sessões futuras. Na terceira sessão (Apêndice K, pp.320-333), a situação discutida foi trazida por uma jovem, tendo-se discutido a questão relacionada com alguns dos privilégios dados na CAR, especificamente o cigarro. Houve oportunidade para refletirmos sobre os privilégios considerados prejudiciais e saudáveis e ainda sobre o interesse individual. Apesar de terem surgido dúvidas por parte das jovens relativamente à posição a tomar para defenderem os seus argumentos, pareceram disponíveis para considerarem que o desafio era precisamente refletirem sobre a situação apresentada. No final, os profissionais expuseram que a forma como tinham falado tinha sido intencional para incentivarem as jovens a pensarem de forma mais crítica. O Ed. Lucas referiu que sentia que as jovens iam conseguindo ouvirem-se melhor umas às outras, sem terem de gritar e a Dra. Carminho mostrou a sua admiração quanto à forma como a maioria das jovens, enquanto fumadoras, tinha conseguido defender a posição assumida, referindo “conseguiram pensar mais além”. Esta sessão ajudou-nos a perceber que, no grupo, alguns elementos tendiam a não participar de forma tão ativa, mas concluímos que isso poderia acontecer ao longo do tempo, por diversos motivos e, como a Dra. Carminho referiu, “o elas não falarem não quer dizer que não estejam a refletir”. Fomos de opinião de que esta sessão tinha tido mais impacto nas jovens, tendo-se refletido que poderia estar relacionado com o facto de se ter discutido uma questão muito presente no quotidiano da maioria delas. As jovens foram consensuais ao referirem que esta sessão tinha corrido bem, declarando que a mesma tinha sido positiva em vários aspetos, como: “foi bom porque o que disseram fez-nos pensar em algumas atitudes que temos” (Yasmine); “(…) quando tiver a oportunidade de escolher um privilégio, talvez escolher uma saída com alguém ou querer mais tempo com o telemóvel para poder falar com a minha mãe” (Lili). Na quarta sessão (Apêndice K, pp.333-340), a situação discutida foi trazida por uma das jovens. É de referir que esta foi uma conquista que tentámos alcançar.

Estimulámos as jovens para que se sentissem à vontade para vir ter connosco e

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para nos falarem sobre o que gostariam de ver discutido. Assim, foi através de uma relação baseada na confiança, na genuinidade e no respeito que, ao longo do tempo, fomos conseguindo que as jovens viessem até nós. O caso trazido para esta sessão deu a oportunidade para se dialogar sobre questões relacionadas com a autoridade, a lei, a afiliação e as relações. Em cima dos púlpitos (sofás), as representantes dos grupos foram apresentando os seus argumentos, sendo de referir que a Luana tinha sido sempre a escolhida pelas colegas para representar o grupo. Assim, demos a possibilidade de uma outra colega se juntar a ela, ajudando-se mutuamente a apresentarem os argumentos discutidos anteriormente em pequeno grupo. Estas sessões ajudaram-nos também a perceber que o grupo tinha alguma dificuldade em controlar e adequar o seu discurso, havendo faltas de respeito frequentes, principalmente quando não concordavam com a perspetiva umas das outras. Os juízes recorriam ao martelo para tentar chamar a atenção das jovens, havendo algumas delas que se mostravam incomodadas com tais atitudes e acabavam por alertar as colegas para a importância de aprenderem a ouvir e a respeitar-se. Na opinião do Ed.

Filipe, o facto de existir o momento em que as jovens se reuniam para falar com os advogados (antes de apresentarem os seus argumentos ao grande grupo) era importante, dado que nesse momento tinham oportunidade para discutirem em pequeno grupo, havendo algumas jovens que se mostravam mais participativas nesse primeiro momento, referindo “será importante preservar esses momentos, cuidar deles para que as diferentes jovens participem”. Foi possível perceber também que a postura das jovens se alterava consoante a presença de determinado profissional na atividade. A Dra. Rita salientou que os argumentos que as jovens tinham trazido tinham sido válidos e que tinha sentido que algumas revelavam maior capacidade para defenderem a sua opinião, tendo as jovens partilhado que se sentiam mais seguras para partilharem as suas ideias.

Para a quinta sessão (Apêndice K, pp.340-347), tínhamos uma situação que tínhamos previamente redigido com uma jovem, mas como esta não conseguiu estar presente nesta sessão, optou-se por criar uma situação com a ET, tendo a anterior ficado para a sessão seguinte. Nesta sessão refletiu-se sobre uma situação que abrangia questões relacionadas com a autoridade, a lei e a propriedade. Importa salientar que, para além dos advogados dirigirem perguntas às jovens com o intuito de elas refletirem sobre as variadas questões que iam surgindo em torno da situação, também as jovens começaram a

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evidenciar a preocupação de se irem questionando mutuamente. A situação desta sessão foi sentida pelas jovens como complexa, tendo-se refletido que, ao longo da nossa vida, teremos de pensar sobre aquilo que consideramos mais correto, conseguindo fundamentar as nossas escolhas e decisões. No final, as jovens transmitiram que ainda sentiam alguma dificuldade em ouvirem-se de forma respeitosa. A DT e a Dra. Margarida referiram sentir que a participação das jovens estava a ser saudável, mostrando a sua admiração face a algumas intervenções e realçando a postura adotada por algumas jovens. Porém, refletimos que seria pertinente pedir às jovens que, durante as sessões, não se dirigissem diretamente às colegas, para evitar os ataques pessoais que por vezes surgiam. Na sexta sessão (Apêndice K, pp.347-352), discutimos a situação trazida pela jovem e que tinha sido construída connosco. Era comum os profissionais, que desempenhavam o papel de juiz, lerem a situação em voz alta, sendo que nesta sessão começámos a apercebermo-nos que teríamos de ler mais pausadamente e, quando necessário, esclarecer alguns termos. Nesta sessão, ao contrário do que tinha acontecido até aí, todas as jovens tomaram a mesma posição, o que fez com que uma das estagiárias de psicologia assumisse o lado oposto, possibilitando-se a discussão de diferentes perspetivas sobre o mesmo assunto. Fomos notando de forma mais evidente que a participação das jovens era diferente, pois se algumas traziam as suas ideias de forma espontânea e quase imediata, outras tinham mais dificuldade em exprimir-se, tendo, por isso, sido importante ter potenciado a participação de todas. Algumas jovens, quando incentivadas, trouxeram os seus argumentos e acabaram por se envolver de forma mais ativa. No final da sessão, as jovens partilharam que sentiam ter conseguido estar mais atentas a ouvir as outras pessoas e esperar de forma mais calma e organizada pela sua vez de falar. Os profissionais referiram sentir que tinha havido um esforço por parte das jovens para terem uma postura mais adequada ao darem a sua opinião. Na sétima sessão (Apêndice K, pp.352-358), a situação a discutir foi trazida por uma outra jovem, relacionando-se com o consumo de água na CAR. Houve a oportunidade para refletir sobre o interesse individual e sobre a responsabilidade de cada um sobre esse assunto. É de referir que nestas últimas sessões, as jovens iam elegendo diferentes representantes do grupo para falarem, tendo-se apreciado que algumas jovens, consideradas mais introvertidas, acabavam por ter uma participação mais regular. As jovens, estimuladas pelos profissionais, tinham conseguido elencar

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algumas mudanças de atitude que poderiam adotar de modo a contribuir para um consumo de água mais consciente. Para a oitava sessão (Apêndice K, pp.358-364), uma outra jovem demonstrou interesse em redigir uma situação connosco, relacionada com os furtos, tendo a sessão incidido sobre a reflexão e discussão acerca de aspetos, como a lei, a punição e as relações. Nesta sessão, após as jovens terem tomado a sua posição e estarem prontas para argumentar, a Núria, enquanto representante de um dos grupos, pediu às colegas que a ajudassem se estivesse a sentir alguma dificuldade em falar, o que exigiu às colegas atenção e um sentimento de entreajuda. No final, as jovens consideraram que refletir sobre esta situação não tinha sido fácil, considerando-a “um cconsiderando-aso cinzento”. Apesconsiderando-ar de, nestconsiderando-a sessão, considerando-as jovens terem considerconsiderando-ado que estavam mais agitadas e nervosas, acabando por reconhecer que não se tinham concentrado devidamente na tarefa, no parecer dos profissionais, as mesmas tinham apresentado argumentações melhores e que parecia terem conseguido serem mais tolerantes na relação que estabeleciam umas com as outras. Esta situação deu azo a reflexões sobre os furtos que ocorriam na instituição.

Considerou-se que as reflexões, antes e após as sessões, desenvolvidas com as jovens e com os profissionais acabavam por ser tão, ou mais, importantes que a atividade em si, tendo estas sessões dado o mote para as reflexões em grupo.

Todos os envolvidos iam refletindo sobre as suas práticas, tendo nós participado em várias conversas entre os profissionais, onde dialogavam sobre várias questões, sobre como poderiam abordar diferentes questões do interesse das jovens. Esta Ação, apesar de ter sido maioritariamente desenvolvida com as jovens, conduziu à reflexão sobre as suas práticas profissionais. Com esta intervenção foi possível auxiliar as jovens a construírem um raciocínio moral mais elevado que lhes possibilitou (re)ações mais conscientes perante diversas situações, apostando na ética e na responsabilidade moral. Ademais, também trabalhámos as interações, apostando-se em dimensões, como: ouvirem, estarem atentas e respeitarem o próximo.

Paralelamente, na área das competências pessoais e sociais, foram desenvolvidas 10 sessões. Na primeira sessão (Apêndice K, pp.364-368), pretendeu proporcionar-se aos profissionais um espaço de partilha com o objetivo de trocarem ideias sobre o tema. Os profissionais partilharam imensos aspetos, nomeadamente que o défice de competências socais condicionava o desenvolvimento saudável das jovens, provocando comportamentos menos

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adequados e posturas frias entre elas, tendo a Ed. Maria referido que essas competências poderiam ser aprendidas e desenvolvidas. Assim, em conjunto, considerou-se importante investir em dimensões como: o autoconhecimento e a autoestima, a resiliência, a tolerância à frustração, a assertividade, a gestão das emoções, as relações interpessoais, a comunicação, a resolução de conflitos, a cooperação e o trabalho em equipa. Ao longo do tempo, as jovens também foram dando conta dos vários aspetos trazidos pelos profissionais. Contudo, pelos seus discursos, destacavam a importância de ouvirem os outros e estarem com eles de forma mais positiva, as questões das emoções, do trabalho em equipa, realçando a importância da existência de sentimentos positivos para consigo e para com os outros e, ainda, a importância de se investir ao nível da autoestima e confiança em si e nos outros. Apesar de termos aceitado o desafio de trabalhar estas dimensões com as jovens, esta sessão teve também como objetivo que os profissionais refletissem sobre o seu contributo para essas questões, procurando estimular-se a capacidade crítica e reflexiva, bem como o desenvolvimento de atitudes de responsabilização perante o trabalho que desenvolviam (Carvalho & Baptista, 2004; Gomes, 2010), uma vez que estava nas suas mãos darem continuidade à intervenção iniciada no âmbito deste Projeto. Os profissionais confirmaram a utilidade da sessão, referindo, por exemplo, que tinha permitido: “pensar que nunca podemos achar que é tarde para começar a dar passos, investindo em áreas tão importantes para elas” (Dra.

Rita). Na segunda sessão (Apêndice K, pp.369-372), pretendeu-se que as jovens pensassem como se caracterizavam enquanto grupo. Foi possível verificar que as jovens tiveram tendência para se focarem em aspetos menos positivos.

Perante isso, foram também incentivadas para refletirem em aspetos positivos do grupo. As jovens consideraram a sessão positiva, tendo destacado que: “deu para pensar sobre aspetos que temos de melhorar para o nosso bem” (Luana);

“deu também para ver que nem tudo é mau e quando queremos conseguimos ser umas para as outras” (Yasmine). Na terceira sessão (Apêndice K, pp.372-376), refletimos sobre a linguagem do nosso corpo, o seu papel na comunicação com os outros e deu-se espaço para a partilha de opiniões relativamente ao poder que o olhar, os gestos, as expressões faciais e a postura poderiam ter na nossa interação com outras pessoas. Lançámos às jovens o desafio de representarem diferentes estados de espírito através dos elementos corporais que tínhamos identificado e falámos sobre a voz, bem como sobre as suas

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características, lançando questões que incentivaram a partilha no grupo, percebendo-se que a forma como lidamos e nos relacionamos interfere no conteúdo e na qualidade das relações (Dias, 2004). O balanço da sessão foi positivo, como se pode verificar através dos discursos: “deu para perceber que às vezes temos dificuldade em comunicar da melhor forma” (Luana); “já fui mal interpretada porque não escolhi o tom de voz mais correto” (Sacaninha). A quarta sessão (Apêndice K, pp.376-382), teve como principal objetivo a partilha sobre os sentimentos, tendo-se estendido à partilha sobre dificuldades e facilidades na integração na CAR e no grupo. Houve espaço para dialogarmos sobre a importância de reconhecermos os nossos sentimentos, recorrendo-se ao pensamento, à escrita e ao desenho para identificarem sentimentos positivos e negativos. Posteriormente, de forma voluntária partilharam o que determinados sentimentos provocavam nelas, tendo todas acabado por participar. A atividade “Atravesse a linha” teve como objetivos promover o auto e heteroconhecimento, valorizar o respeito mútuo e reconhecer que os problemas que sentiam como únicos podiam ser partilhados por outras jovens.

Apesar de as jovens terem considerado que falar sobre sentimentos nem sempre era fácil, concordaram que partilhá-los com pessoas que sentissem ser confiáveis as poderia ajudar. No final, reconheceram a pertinência da sessão, tendo referido que: “gostei da sessão, deu para perceber que todas nós temos sentimentos e que, por vezes, o que sentimos é parecido ou igual ao que outra pessoa já sentiu ou sente” (Pipoca Mendes); “aprendi que os sentimentos são vividos por todas nós de forma diferente e é preciso entender e respeitar isso”

(Lili). Ademais, as jovens salientaram terem apreciado o facto de terem tido a possibilidade de desenhar, uma vez que algumas tinham dificuldades na escrita, o que se traduziu no respeito pelas suas características, comentando que tinham apreciado o facto de estarmos atentas a esses detalhes. Na sua perspetiva, a estratégia mobilizada tinha-as ajudado a irem mais além, capacitando-as para a exploração do que sentiam em diversas situações das suas vidas. Partilharam connosco que não sentiram o tempo a passar porque “estivemos muito concentradas” (Gaiata) e “distraídas com o que estávamos a fazer” (Pipoca Mendes), tendo perdido a noção das horas, o que revelou ser uma evolução no grupo, uma vez que tendiam a não ter interesse nas atividades, acabando por se distrair e desmotivar facilmente. A quinta sessão (Apêndice K, pp.382-389), foi dedicada aos valores que considerávamos importantes para nos relacionarmos

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com os outros. As jovens escolheram, arrancando de uma bola, um valor que considerassem importante na relação com os outros e para se viver em sociedade, tendo partilhado com o grupo o motivo da sua escolha. A segunda parte do exercício consistiu em as jovens fazerem uma escolha coletiva dos valores que considerassem mais importantes, tendo que negociar. Todas as jovens consideraram que a sessão tinha sido rica, mas foram unânimes ao considerarem que a segunda parte, que tinha exigido discussão e negociação, tinha sido a mais complicada. Devido à negociação que, por parte das jovens, pressupôs a exposição das suas ideias e das suas crenças, relativas aos vários valores, existiram alguns comentários menos felizes e desnecessários entre as jovens, tendo isso exigido atenção da nossa parte para compreendermos como cada uma estava a interagir com o grupo, e pedimos que as jovens pensassem na importância de saber escutar o outro respeitando-o. Na sexta sessão (Apêndice K, pp.389-393), explorou-se a questão do conflito, tentando compreenderem-se as ideias do grupo acerca do conflito, refletimos que o conflito era natural nas relações humanas e pensámos sobre a pertinência de saber lidar com os conflitos de forma positiva. As jovens foram convidadas a construírem uma tempestade de ideias em torno do conceito de conflito, pensando sobre se consideravam o conflito como algo bom ou mau, tendo, para isso, recorrido a dois novelos de lã, formando uma teia. Na primeira teia predominou a cor vermelha, mas, após terem visualizado a curta metragem

com os outros. As jovens escolheram, arrancando de uma bola, um valor que considerassem importante na relação com os outros e para se viver em sociedade, tendo partilhado com o grupo o motivo da sua escolha. A segunda parte do exercício consistiu em as jovens fazerem uma escolha coletiva dos valores que considerassem mais importantes, tendo que negociar. Todas as jovens consideraram que a sessão tinha sido rica, mas foram unânimes ao considerarem que a segunda parte, que tinha exigido discussão e negociação, tinha sido a mais complicada. Devido à negociação que, por parte das jovens, pressupôs a exposição das suas ideias e das suas crenças, relativas aos vários valores, existiram alguns comentários menos felizes e desnecessários entre as jovens, tendo isso exigido atenção da nossa parte para compreendermos como cada uma estava a interagir com o grupo, e pedimos que as jovens pensassem na importância de saber escutar o outro respeitando-o. Na sexta sessão (Apêndice K, pp.389-393), explorou-se a questão do conflito, tentando compreenderem-se as ideias do grupo acerca do conflito, refletimos que o conflito era natural nas relações humanas e pensámos sobre a pertinência de saber lidar com os conflitos de forma positiva. As jovens foram convidadas a construírem uma tempestade de ideias em torno do conceito de conflito, pensando sobre se consideravam o conflito como algo bom ou mau, tendo, para isso, recorrido a dois novelos de lã, formando uma teia. Na primeira teia predominou a cor vermelha, mas, após terem visualizado a curta metragem

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