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Registo das conversas intencionais com os Profissionais

Os encontros com a Dra. Inês, psicóloga e membro integrante da equipa técnica, decorreram na sala de reuniões da instituição. Estes três encontros individuais proporcionaram-se, já que, numa fase inicial do processo de integração era obrigatória a participação numa formação inicial, como era designada pela equipa técnica. Nas palavras da psicóloga essa destinava-se “às pessoas que entram de novo na casa e que irão trabalhar com as pessoas envolvidas de forma mais consistente”, tendo como objetivo “compreenderem exatamente as nossas intenções, os nossos objetivos… para trabalharmos todos para o mesmo lado”. É de referir que tais momentos tiveram como base conversas intencionais, que se tornaram importantes para o conhecimento de alguns aspetos da realidade, inclusive sobre os profissionais e sobre as jovens acolhidas, aos olhos desta profissional.

Esta profissional, quando questionada sobre como é que caracterizava as jovens, mencionou alguns aspetos que também podiam ser lidos nos documentos institucionais, nomeadamente: o serem provenientes de contextos sociais disfuncionais, trazendo aspetos relacionados com o baixo suporte afetivo/emocional, com défices de competências parentais, com o desenvolvimento pessoal deficitário ao nível emocional e comportamental e ainda sobre o facto de vivenciarem experiências precoces de maus tratos e abusos. Para além disso, também falou sobre o abandono real ou emocional por parte dos cuidados primários, sobre o facto de serem jovens em acolhimento institucional prolongado e ainda sobre o insucesso, absentismo e abandono escolar. A psicóloga revelou que a maior parte das jovens tinha grandes dificuldades e deficiências intelectuais ligeiras/moderadas. “Disfarçam muito bem porque são espertas, não porque não têm competências, o que lhes faltou foi a estimulação precoce… falta de outras experiências… nas conversas podem

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estar a falar com elas e elas darão a entender que estão a perceber tudo, até usam palavras do vosso vocabulário, mas elas efetivamente, muitas das vezes, não percebem”. De acordo com esta profissional, era importante que percebêssemos se elas realmente entendiam o que estávamos a querer dizer. Acrescentou

“usamos na mesma as palavras difíceis, as expressões, porque isso é enriquecedor para elas – toda a gente nesta casa, contribui (e eu acho que isto é terapêutico) com as suas próprias experiências… elas vão estar a falar-te sobre isto e aquilo e tu tens músicas, referências, experiências pessoais, sítios que lhes vais transmitir e pode ser extremamente enriquecedor para elas…podem abrir completamente o mundo delas. Por vezes é muito fácil nós nos esquecermos que elas não têm um mundo tão alargado como nós e não é porque vivem numa instituição em particular, é provavelmente por causa do contexto onde cresceram”. Acerca da vivência precoce de maus tratos e abusos, a psicóloga Inês mencionou que tais experiências “marcam sempre muito e, quanto mais precoce, mais difícil de reverter, de colmatar, mas não é impossível, senão não estaríamos aqui a desenvolver um trabalho com elas”. Ainda sobre o mesmo aspeto, a profissional aludiu que “há jovens com historiais de maus tratos muito graves que vemos uma evolução e outras que bloqueiam. É importante perceber que há limites na nossa atuação e que há coisas que nós não vamos conseguir reverter e colmatar como também há aspetos que nós nunca compensamos neste tipo de acolhimento”.

Quando questionada acerca do que tentavam proporcionar diariamente às jovens, a psicóloga manifestou que “tentamos muito que tenham um espaço muito protetor, que tenham carinho, atenção, afeto (que nunca é suficiente), mas nunca seremos uma família a sério e há coisas que lhes vão faltar sempre, porque tudo o que fazemos nunca chega”. A par disso, a psicóloga sentiu a necessidade de expressar que a equipa se esforçava e que era persistente todos os dias – “não está em mim nem na natureza desta equipa desistir, somos teimosas para caraças, não está mesmo, porque senão teria outro emprego. Eu acredito muito nelas, acredito sempre que evoluirão alguma coisa e elas evoluem sempre bastante”. A psicóloga, chamou a atenção para que “…às vezes é uma relação que faz a diferença”, partilhando que também trabalhou muito em escolas e tinha a perceção de que por vezes bastava um professor para salvar a vida de uma criança ou jovem – “salvar a vida no sentido de: há coisas boas no

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mundo, eu sou capaz ou aquela pessoa importa-se o suficientemente comigo para se chatear”. Acerca da escola que havia dentro das instalações da CAR, a profissional referiu que de dois em dois anos tinham de pedir autorização ao Ministério da Educação para a manter, visto ser “fora do quadrado…”. Explicou que o que a instituição tinha a esse nível era “um curso EFA (Educação e Formação de Adultos). Elas obviamente não podem frequentar este curso, visto ser para maiores de 18, mas fazem-no de uma forma modular e por portefólios, dossiers de trabalhos, onde vão fazendo aquisição de competências, vão comprovando essa aquisição e vão passando de módulo”. Quando questionada se conseguiria apontar uma vantagem por serem módulos, referiu que “a vantagem por ser por módulos é que elas não entram por anos letivos, entram quando há vagas, e podes entrar em julho, agosto, setembro que apanhas o comboio; não andam todas ao mesmo tempo, por vezes coincide.” Outra das questões que surgiu foi quem é que lecionava este curso na instituição, tendo a profissional respondido que “são professores escolhidos a dedo, professores de referência que aceitaram isto como um desafio mais pessoal do que profissional – eles não têm qualquer tipo de vantagem em estar connosco. Eles fazem isto por missão e fazem-no por gosto e isso faz a diferença e é muito importante. Por isso, é que temos uma Ariana zero escola a vida toda e hoje que tinha uma consulta na maternidade diz “oh, vou perder aulas outra vez?” - porque se sentem bem, valorizadas”. Ainda relativamente a esse facto exposto, relacionado com o facto de existir a escola no interior da instituição, a profissional considerou que “é uma aposta que tem corrido muito bem, temos recebido muitos elogios e eu continuo a ficar maravilhada todos os dias com elas e miúdas que estão aqui há bastante tempo, e eu conheço-as bem e sabia que eram capazes, não sabia é se eram capazes de resistir a entrar em padrões de comportamentos antigos, porque elas andaram na escola muitos anos até cá entrarem e, apesar de tudo, aqui é tudo controlado, um comportamento bom na escola dá direito a um privilégio e um mau dá direito a uma consequência, é tudo imediato, o que pelo menos numa fase inicial é muito importante para o desenvolvimento”.

Quanto ao aspeto do acolhimento institucional prolongado, a psicóloga Inês aludiu que, por exemplo, “há muitas casas de acolhimento que têm equipas com horários muito certinhos, temos casas em que, por exemplo, a cozinheira sai por

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volta das 16:30 e depois os dois educadores que entram no turno da noite, um deles terá de preparar o jantar, enquanto o outro tem de orientar coisas que são necessárias fazer… as cozinheiras aqui fazem um trabalho muito importante com as miúdas, muito familiar, muito de preparação para a autonomia. Há um contacto muito especial com a cozinha e com a comida como uma questão emocional afetiva que é muito importante e nós não devemos descurar isso, portanto, é bom que as cozinheiras tenham tempo. Tempo para ralhar com elas porque não comeram o peixe ou a sopa… as cozinheiras sabem os truques, as manhas delas e isso é cuidar”.

Relativamente ao insucesso, absentismo e abandono escolar, a psicóloga referiu que a maior parte das jovens tinha percursos escolares muito inconsistentes. “Temos jovens e pais que não valorizam a escola e essas aprendizagens inconstantes levam a grandes dificuldades. Temos meninas que estão por exemplo no 6.º ano, mas com dificuldades imensas ao nível da leitura… temos dois educadores que dão apoio ao estudo, os dois licenciados, que têm sensibilidade para estas questões e a hora de estudo é orientada tendo em conta alguns problemas que elas manifestam”.

De acordo com a profissional, o papel do acolhimento residencial assentava em determinados princípios, sendo que fez questão de explicar alguns de forma mais detalhada. Referiu a importância do sentimento de pertença, mas que este devia ser “sem ilusões, não serás a mãe delas nem irmã, pois elas têm alcunhas para as pessoas, o que não tem mal, se for opção delas, mas tem de ser muito claro o tu podes chamar-me mãe, mas eu não sou a tua mãe. É importante transmitir que não nos importamos que nos chamem assim, se as faz sentir bem”. Para além disso, acrescentou “muitas vezes elas não pertencem a ninguém ou a lado nenhum (às vezes pertencem ao bairro, a contextos que são marcados pelo estigma; pertencer ao bairro não é mau por si só, pois há bairros muito difíceis, mas com uma cultura de pertença e proteção muito interessantes; o problema está em se isso te restringe completamente). E a verdade é que é muito mais difícil não pertencer a ninguém do que pertencer a um sítio menos bom, pois todos os sítios têm sempre pontos positivos em que nos podemos agarrar.” Esta profissional também reconhece e chama a atenção para o facto de percebermos que podemos “estar de braços abertos a dar tudo para elas se sentirem parte e a bagagem emocional delas pode não deixar. Temos

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meninas aqui que não se dão bem com os homens, não se ligam bem com os homens com aquela fisionomia específica. Normalmente, a relação com os homens é sempre difícil, por um lado até podem respeitar mais facilmente do que as mulheres, sendo uma figura de autoridade mais aceitável para elas, há muito menos crises físicas e comportamentais se houver um homem presente.

Por outro lado, para muitas que têm um passado marcado por maus tratos não é fácil e, por vezes, há tendência para marcar aquela pessoa em particular e depois, quando a gente começa a fazer 2+2, características físicas, formas de falar, expressões, tom de voz e tudo isso pode levantar reações e memórias e muitas vezes nem é claro para elas o porquê. Ou porque não são capazes de destrinçar ou porque não querem mexer nisso”.

Na perspetiva da psicóloga, o facto de a equipa educativa ser mista era, muito importante – “para nós é importante porque relativamente a questões físicas é muito importante. É verdade que uma mulher consegue segurar uma rapariga, mas é verdade também que os homens por vezes o conseguem fazer melhor e elas normalmente reagem melhor à presença masculina. Por outro lado, é importante termos homens distintos, com idades diferentes, com estruturas diferentes que não sejam agressivos, que não sejam violentos, que não sejam verbalmente violentos, mas sim que sejam referências/modelos positivos”.

Outro dos aspetos referenciados pela psicóloga como pertinente esteve relacionado com o aspeto de sermos modelos para as jovens, tendo acrescentado que todos nós éramos modelos na relação que estabelecemos uns com os outros e que as jovens, mesmo que saíssem por momentos da casa, elas viviam lá dentro, o que fazia com que elas, na perceção desta psicóloga, soubessem

“perfeitamente mexer nos botões e fragilidades dos adultos todos, sabendo perfeitamente que, como em casa, há coisas que se pedem à mãe e outras ao pai e também por isso, os adultos têm de comunicar muito para não entrarem nestes choques e manipulações”. Sobre a essa questão da manipulação, esta profissional dizia “elas são altamente manipuladoras, porque é uma questão de sobrevivência, de modelos muitas vezes, algumas são mentirosas… há dias em que tu pensas que só queres que os teus turnos sejam tranquilos, não estamos sempre com os botões todos ligados, virados para a mudança (…) eu costumo dizer que o “quotidiano é um dos nosso principais inimigos em termos do nosso trabalho”, para nós profissionais, é muito fácil entrares numa rotina de

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quotidiano, ires marcar o ponto… e não estás com os botões ligados para a X está a dar-me sinais que eu posso mobilizar, usar para a mudança…porque o nosso trabalho não é pacificar jovens, porque isso é relativamente fácil, mas não é isso que queremos. Nós o que queremos é mudança e a mudança é dolorosa, é criar ruturas e tu só sais de determinados padrões comportamentais se os substituíres por outros e para fazeres essa transição é partir osso mal sarado para o pôr no sítio e isso dói e custa e até porque normalmente tu vês o mundo assim porque te bateram até o veres assim… e, portanto, agora eu não te vou maltratar para tu o veres assado, mas vou ter que te pôr tudo no sítio e isso é doloroso. E há dias em que tu vens trabalhar e pensas “oh, pá, é hoje que eu vou apanhar a X e há dias em que tu pensas: não me está a apetecer nada levar duas horas com ela aos berros”, de forma resumida, não te preocupares com isso, deixares andar, faz com que tenhas um turno tranquilo naquele dia, mas no futuro não vai ser bom nem te sentirás bem contigo própria. Então, o objetivo é ajudar a colmatar este sentimento de pertença a algum lado ou a resolver na cabeça delas no sentido “tu podes pertencer aqui, podes pertencer lá…o teu pai/tua mãe batia-te, mas não precisas de o fazer às tuas crianças”. A técnica também se referiu à promoção da mudança interna nas jovens, dizendo que a mudança que se pretendia não era só a comportamental, definindo essa como a que talvez fosse a mais fácil de produzir mudança, referindo-se ao sistema

“muito bem instituído cognitivo comportamental”, o sistema de pontos, de fases que existia, o que nas palavras desta profissional era “ótimo para elas, ótimo para entrar aqui na casa, mas que não traz mudanças muito significativas nem a longo prazo, traz sim mudanças muito imediatas e muito necessárias para se chegar às grandes mudanças”. Explorando acerca do funcionamento do sistema de fases e pontos, a profissional referiu que esse “é muito central na vida delas, mas não é central no nosso trabalho. É muito orientador e é muito determinante das nossas rotinas (mais para a equipa educativa), são as notas que determinam os privilégios e aquilo a que tenho direito e a nota depende do meu comportamento, é semanal e previsível. Em termos comportamentais, faz-se muito por esta lógica, grelha de consequências e privilégios”. Ao tentar explicar como decorria esse processo de dar as notas às jovens, a profissional destacou que já tinham tentado fazê-lo de várias maneiras, nomeadamente “já se deu com elas, mas implicava uma maturidade emocional e maturidade relativamente à

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pressão do grupo”. No presente as notas eram dadas em reuniões de equipa todas as semanas e segundo a psicóloga definia essas reuniões de pontos como

“momentos bons de discussão de casos, porque para falares da nota da semana tens de discutir a semana de cada uma de forma aprofundada (…) não é só uma reunião de pontos, pois os profissionais estão a dizer “ela na segunda feira não respeitou o silêncio noturno, mas porque recebeu uma chamada e estava nervosa…” por exemplo”. Acrescentou “são bons momentos de discussão entre a equipa técnica e educativa, onde se fala dos comportamentos bons e menos bons dessa semana”. Ainda acerca do sistema de pontos, a profissional aludiu que as jovens tinham nota e objetivo individual todas as semanas – “a nota refletia mais ao menos um conjunto de comportamentos normativos sociais aceitáveis e o objetivo individual é uma “fraqueza, uma coisa particularmente trabalhada em ti (pode ser: o ter um quarto arrumado, um sorrir mais, um respeitar o espaço das colegas, um esforçar-se mais nas aulas)”, o que na perspetiva da profissional, individualizava a perspetiva das jovens com quem desenvolviam o seu trabalho. A par disso, também falou sobre a importância de as jovens saberem funcionar em grupo e viverem em comunidade. Referiu que acolhiam jovens que estavam habituadas cada uma por si, muito autocentradas e por isso, muitas das vezes, “por uma pagavam todas”, exprimindo a existência de consequências coletivas como também privilégios. A profissional exprimiu que a toma dessas decisões muitas das vezes eram complicadas, uma vez que as jovens até compreendiam a razão de ser delas, mas que não gostavam – “no dia até podem aceitar, mas no dia seguinte querem o mesmo privilégio e não têm e irão botar-te isso à cara e o trabalho é desconstruíres isso com elas – e isso não é mudança comportamental, mas sim mudança emocional e social. Remete-nos para a importância de individualizar a intervenção, pois não são todas iguais e é perigoso entrares a tratá-las todas por igual”.

Relativamente ao papel do acolhimento residencial no sentido de dar sentido às experiências passadas, a psicóloga alertou para o facto de que “aquilo que eu posso considerar muito grave, elas podem vivenciá-lo de forma muito diferente ou aquilo que me parece menos grave pode ser apreendido por cada um de nós de maneira distinta”, justificou isso, dizendo que “a nossa grelha de leitura do mundo é altamente influenciada pelos nossos traços de personalidade, pelas nossas vivências, sendo que o mesmo comportamento pode ter um impacto

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diferente em duas pessoas”. Neste âmbito, refletiu-se sobre o compreender a dor e o caos do passado como “narrativa”, sendo que a profissional afirmou que as jovens precisavam de dar coerência às suas narrativas e acrescentou que elas “já falaram imensas vezes e foram ouvidas como já falaram e sentiram que não foram ouvidas”, mas a verdade é que elas “têm a história de vida delas e o que temos de fazer é demonstrar que nos preocupamos com as dimensões que elas nos mostram da vida delas”. Outra das funções do acolhimento residencial, referida por esta psicóloga, disse respeito ao providenciar uma base segura, no qual a profissional disse “…no meio de tudo o que acontece nós sobrevivemos e estamos cá no dia seguinte – por vezes é sobreviver ao elas terem-te maltratado, terem-te insultado, magoado e tu podes estar com má cara no dia a seguir, pouco disponível e dizer que estás magoada, mas que estás cá e se precisares que eu te trate de uma ferida eu trato, se precisares que te vá buscar o shampoo eu vou”.

Ao ver da psicóloga, tal postura dos profissionais era muito importante, mas, simultaneamente, era “chocante e surpreendente na vida delas o facto de tu estares lá na mesma, sem cobranças. Esses momentos, muitas vezes, constituem-se como momentos de viragem na relação entre elas e os educadores”. A profissional expõe também que com as jovens resultava “atos genuínos do estar cá. Por exemplo, no caso de uma menina nos mentir, podemos transmitir: estou magoada contigo, irei precisar de tempo, como todos nós precisamos, mas não te vou negar cuidados, não vou deixar de te cumprimentar nem vou deixar de te desejar boa noite, não vou deixar de cuidar de ti. Posso demorar um pouquinho mais a confiar em ti porque me mentiste, mas isso é uma consequência natural do teu comportamento e não uma retaliação à pessoa que tu és”.

Aspetos sobre a criação de um clima terapêutico na intervenção em acolhimento residencial também foram abordados, sobretudo: o para quem se dirigia a intervenção, que métodos eram mobilizados, a importância de o espaço ser percecionado como seguro, a avaliação dos resultados ao longo do tempo e o espaço relacional em grupo. Em relação ao para quem se dirige a intervenção, a profissional aludiu que todos os grupos “têm a sua própria homeostase, não funcionam sempre em grupo massivamente, mas influenciam e são influenciadas massivamente… neste grupo atual temos meninas com algumas debilidades, dificuldades – portanto, há coisas que têm de ser ajustadas

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constantemente. Não é caracterizar a população hoje e isso é valido para sempre – isto não se aplica.” Relativamente aos métodos que eram usados, a profissional dizia ser importante pensar em “que métodos é que vamos usar e porque é que são estes e não outros? Tudo tem de ter uma intencionalidade e tudo tem de estar pensado com um objetivo”. Ao pronunciar-se sobre o espaço, a profissional mencionou “para criar um clima terapêutico é preciso que o espaço seja seguro, cuidador e congruente entre toda a gente e quanto mais gente há mais difícil é”. Além disso, a profissional também falou acerca das condições estruturais da casa, afirmando que “esta contenção que nós temos em termos estruturais, aquelas grades já foram mais baixas (apontando para elas), subimos as grades e chegou-se a pensar em colocar arame farpado, sendo que não é isso que queremos. Mas, a casa tem alguma contenção física: as portas não estão todas abertas; há uma porta fogo lá dentro que está sempre aberta, e elas efetivamente não fogem… agora, quem está nos quartos lá em baixo são as meninas consideradas mais estáveis, as da quarta fase ou terceira fase mais estáveis, as mais instáveis estão lá em cima (…) as janelas de lá de baixo abrem, as de cá de cima não, são em arame basculante”. A par disso, acrescentou que

constantemente. Não é caracterizar a população hoje e isso é valido para sempre – isto não se aplica.” Relativamente aos métodos que eram usados, a profissional dizia ser importante pensar em “que métodos é que vamos usar e porque é que são estes e não outros? Tudo tem de ter uma intencionalidade e tudo tem de estar pensado com um objetivo”. Ao pronunciar-se sobre o espaço, a profissional mencionou “para criar um clima terapêutico é preciso que o espaço seja seguro, cuidador e congruente entre toda a gente e quanto mais gente há mais difícil é”. Além disso, a profissional também falou acerca das condições estruturais da casa, afirmando que “esta contenção que nós temos em termos estruturais, aquelas grades já foram mais baixas (apontando para elas), subimos as grades e chegou-se a pensar em colocar arame farpado, sendo que não é isso que queremos. Mas, a casa tem alguma contenção física: as portas não estão todas abertas; há uma porta fogo lá dentro que está sempre aberta, e elas efetivamente não fogem… agora, quem está nos quartos lá em baixo são as meninas consideradas mais estáveis, as da quarta fase ou terceira fase mais estáveis, as mais instáveis estão lá em cima (…) as janelas de lá de baixo abrem, as de cá de cima não, são em arame basculante”. A par disso, acrescentou que

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