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2.5 A Análise do Comportamento

2.5.2 A Análise do Comportamento e seus conceitos

O Behaviorismo metodológico herda de Pavlov a compreensão do comportamento que era considerado respondente. No comportamento respondente que trabalha a partir da compreensão do reflexo inato. Estamos falando de aprendizagem que é estabelecida por Condicionamento Pavloviano. O reflexo inato é característica das espécies e desenvolvida ao longo da sua história filogenética. A espécie tem a capacidade de aprender novos reflexos. Pavlov descobriu essa capacidade de aprender novos reflexos e denominou de Condicionamento Pavloviano (PAVLOV, 1927).

O condicionamento Pavloviano era desenvolvimento por intermédio do emparelhamento. Um conjunto de simples compreensão entre estímulo e resposta. Consistia em apresentar simultaneamente dois estímulos, sendo um que eliciava a resposta e outro que não eliciava. Pavlov denominava estimulo a condição de estímulo neutro (NS), de estímulo incondicionado (US) e de estímulo condicionado (CS). Quanto as respostas as denominava de resposta incondicionada (UR) e resposta condicionada (CR) (GORMEZANO; TAIT, 1976).

O cerne desse comportamento é o estímulo e a resposta. Segundo Keller e Schoenfeld (1974) um estímulo pode ser provisoriamente definido como “uma parte, ou mudança em uma

parte, do ambiente”, já uma resposta pode ser definida como “uma parte, ou mudança em uma parte, do comportamento". Devemos reconhecer, entretanto, que “um estímulo não pode ser definido independentemente de uma resposta".

Skinner (2003) em sua proposta de desenvolver a psicologia como ciência, avança na compreensão do comportamento. A condição que agora ele propõe é o que o indivíduo pode modificar e sofrer a ação do seu ambiente. Na condição aprendizagem temos o condicionamento operante. Que também pode ser chamado de comportamento controlado por suas consequências.

O comportamento operante apresenta-se na relação homem-ambiente. Sua natureza é processual, mutável e fluida. Apresenta-se como o que opera sobre o ambiente, podendo assim modificá-lo e ser modificado pelas consequências de sua ação. O comportamento é compreendido cientificamente pela sua natureza. São fenômenos que são apresentados em condição de serem explicados e nunca a causa ou explicação de fenômenos ‘psicológicos’ quaisquer (RODRIGUES, 2005).

Catania (1996) apresenta o operante como uma classe de comportamento selecionada por suas consequências, é uma unidade fundamental do comportamento. A classe é definida em termos tanto de propriedades da resposta quando dos estímulos na presença dos quais a resposta ocorre. É importante lembrar que a classe operante é definida por todos os três termos da contingência tríplice. Classes operantes são definidas funcionalmente, não topograficamente.

Matos (1999) descreve o comportamento dentro de sua condição de funcionalidade. A sua descrição de relação funcional é apresentada quando a causa de um comportamento é substituída pela mudança na variável independente e o efeito do comportamento é substituído pela mudança na variável dependente. Sendo assim dizemos que um comportamento é funcional quando consideramos o ambiente e a função que o comportamento tem naquele lugar. Skinner (2003) ao falar de operante apresenta uma condição tríplice de eventos. Diferente do pensamento de Watson da relação estimulo e resposta. Skinner apresenta a condição dos antecedentes do comportamento. Na verdade, sua apresentação refere-se à condição de contingência. A contingência pode significar qualquer relação de dependência entre eventos ambientais ou entre eventos comportamentais e ambientais. Sua compreensão é obtida pela interação organismo-ambiente (TODOROV, 1985; SKINNER, 2003).

A contingência pode ser compreendida como a probabilidade de um evento poder ser afetado ou causado por outros eventos. No comportamento operante, por meio do qual o organismo modifica o ambiente, contingência se refere “às condições sob as quais uma consequência é produzida por uma resposta, isto é, a ocorrência da consequência depende da ocorrência da resposta” (Catania, 1993).

A condição tríplice da contingência ocorre dentro de uma relação entre um estimulo discriminativo, reposta e a consequência.

Uma contingência tríplice específica (1) uma situação presente ou antecedente que pode ser descrita em termos de estímulos chamados discriminativos pela função controladora que exercem sobre o comportamento; (2) algum comportamento do indivíduo, que se emitido na presença de tais estímulos discriminativos tem como consequência (3) alguma alteração no ambiente, que não ocorreria (a) se tal comportamento fosse emitido na ausência dos referidos estímulos discriminativos ou (b) se o comportamento não ocorresse (TODOROV, 1985, p.75).

Nos conceitos básicos elaborados por Skinner para explicar a contingência temos que compreender o que é o reforço. Quando observamos que determinadas consequências podem aumentar a probabilidade de um evento voltar a ocorrer, denominamos isso de reforço. O reforço nada mais é do que um fortalecimento para a ocorrência de um determinado comportamento. A contingência do reforço pressupõe compreender a análise dos antecedentes ou ocasião em que o comportamento ocorre, o próprio comportamento e as consequências por ele produzidas (BAUM, 2006)(BAUM, 2017).

O reforço ganha a sua compreensão quando relacionado a manutenção do comportamento, ou seja, suas consequências. Na relação organismo e seu ambiente, onde o organismo emite uma resposta que altera o seu ambiente, e com isso aumenta a probabilidade dessa resposta voltar a acontecer, denominamos essa relação de contingência de reforço (BAUM, 2006).

O comportamento quando mantido por reforço necessita considerar a origem de sua consequência. Ferster (1967) introduziu os conceitos de reforçamento natural e reforçamento arbitrário. “O reforçador natural é aquele que é eficaz no ambiente (natural) do indivíduo. Sua eficácia, como reforçador natural, é mantida porque ele ocorre nas circunstâncias cotidianas e porque não depende da intervenção de uma outra pessoa” (FERSTER, 1967, p. 739). É fácil

compreender o reforçamento natural quando observamos um aluno estudando a lição para entender o assunto.

Segundo Ferster (1967, p. 738), o reforçador arbitrário é aquele que, para ser eficaz, exige a intervenção direta de uma segunda pessoa. O reforçador está, geralmente, associado a condições de privação do controlador e não do indivíduo, cujo comportamento está sendo controlado”. Neste caso podemos verificar que o comportamento é mantido por um consequente externo não resultante direto. Ferster (1967) ainda afirma que o reforço arbitrário “implica, frequentemente, no uso de controle aversivo”. O fato de um aluno estudar para tirar nota acima da média.

Outra condição de compreendermos o reforço é pela apresentação de seus estímulos. Quando apresentamos estímulos temos um reforço positivo, quando retiramos estímulos temos o reforço negativo. Consideremos que o comportamento mantido por reforço deve manter ou aumentar o comportamento. No caso do reforço positivo os estímulos são apresentados. Um elogio ao término de uma tarefa é um reforço positivo emitido pelo professor. No caso do reforço negativo os estímulos são reduzidos ou eliminados. Professores que usam a música para que alunos façam a tarefa e eles gostam da música. A redução da música pode aumentar a probabilidade de terminar a tarefa. Neste caso temos um aversivo (MOREIRA; MEDEIROS, 2007).

O aversivo é o estímulo cuja remoção contingente a uma resposta tem por efeito aumentar a probabilidade de emissão futura dessa resposta. Pode ser entendido, também, como o estimulo cuja apresentação contingente a uma resposta reduz a probabilidade futura de emissão da resposta. O aversivo ocorre dentro de uma condição que pode ser apresentada na compreensão do estimulo, sendo este positivo ou negativo. E na apresentação de comportamento como fortalecedor ou enfraquecedor, neste caso temos a punição. As operações básicas que denominam a apresentação de aversivos ou de seu controle são: reforçamento negativo, punição positiva e punição negativa (CATANIA, 1999; BAUM, 2006; HUNZIKER, 2011).

A apresentação de um reforço, para que este oportunize uma resposta duradoura, necessita de uma tecnologia. O objetivo do reforçamento é modificar o comportamento. Esta promoção é considerada eficaz quando o estimulo condicionado passa a ser um estimulo discriminativo, desta forma passamos a ter um operante discriminativo. O estimulo

discriminativo (SD) é considerado quando ocorre antes do comportamento e controla a sua ocorrência. Sendo assim, o comportamento operante discriminativo vai ocorrer quando emitido em um contexto, produzirá consequências reforçadoras. Há também os estímulos que não são reforçados, chamamos de estimulo delta (SΔ) (CATANIA, 1999).

O controle de estímulo é um termo utilizado para referir-se à influência dos estímulos antecedentes sobre o comportamento. Isso pode ser entendido como o efeito que o contexto exerce sobre o comportamento. O controle de estímulos discriminativos é considerado quando determinado comportamento tem alta probabilidade de ocorrer na presença de um estimulo discriminativo (BAUM, 2006).

Quando um determinado comportamento é esperado ou busca-se que ele venha a ocorrer, utiliza-se o treino discriminativo. Nada mais é, do que reforçar um comportamento na presença de um estimulo discriminativo (SD) e extinguir o comportamento na presença de estimulo delta (SΔ) (BAUM, 2006).

Extinguir, em análise do comportamento, vem da condição de extinção de um comportamento. A extinção significa que na presença de um estimulo há uma grande probabilidade do comportamento não ser emitido. No caso da extinção operante, o reforço seria suspenso e as respostas emitidas seriam gradualmente reduzidas, até não ocorrerem mais (CATANIA, 1999).

Catania (1996) descreve os operantes por classes e que elas podem ser produzidas de diferentes maneiras:

– Modelagem. A definição de resposta na contingência tríplice é alterada gradativamente, ocorrendo o reforço diferencial de aproximações sucessivas à resposta final

– novo operante (Keller & Schoenfeld, 1950). Exemplos: Eckerman, Hienz, Stein & Kowlowitz, 1980; Platt, 1973; Stokes e Balsam, 1991.

– Desvanecimento (fading). Semelhantemente à modelagem da resposta podem ocorrer mudanças com aproximações sucessivas em relação à dimensões do estímulo discriminativo (Terrace, 1963). Uma nova classe operante se estabelece pela mudança do estímulo discriminativo da contingência tríplice.

– Estabelecimento de classes de ordem superior. Uma classe operante de nível superior inclui outras classes que podem funcionar como operantes por si... (CATANIA, 1996)

Os comportamentos são incorporados, à medida que aprendidos, ao repertório comportamental do indivíduo. Desta forma, todo comportamento novo que deva ser aprendido passa pela condição de um já existente. Algumas aquisições de novos comportamentos no repertório comportamental são adquiridas pela modelagem. A modelagem é reforçamento diferencial de aproximações sucessivas de um comportamento. O resultado final é um novo comportamento. Um exemplo clássico é a aprendizagem do falar mamãe por um bebê. A medida que o bebê emite sons parecidos com “mam” eles serão imediatamente reforçados pela mãe até chegarem a formatação de mãe (MOREIRA; MEDEIROS, 2007).