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O professor tem um papel definido dentro do contexto escolar. Ele não é apenas e simplesmente um transmissor de conhecimento. Ele é um interlocutor entre diversos saberes (ROSIN-PINOLA; PRETTE, DEL, 2014). Sua condição em sala de aula é de proporcionar uma facilitação ao aprendizado do aluno. Assim sendo, sua real e nobre missão é proporcionar estímulos e ambientes que promovam a aprendizagem.

Soares (2012) conceitua o professor como aquele que compreende o sentido mais profundo de sua profissionalização, que compreende o seu papel como figura proeminente do processo educativo, assume a discussão sobre sua função no contexto escolar. Pratica uma atividade cuja ação é o exercício de uma função pública. O professor também é conceituado como um educador, por trazer consigo a condição de ser um formador de opinião (DURÃES, 2011).

2.3.1 A formação

A reflexão sobre a formação de professores nos leva as escolas de formação docentes, no século XIX, que é a escola normal. Esta possuía nível secundário. Foi alterada, com a publicação da LDB em 1996, quando passou-se a exigir formação de docentes com nível superior (GATTI, 2010).

A formação inicial de professores sofre pelos graves problemas que afetam o processo ensino-aprendizagem dos estudantes. Há uma grande preocupação quanto a questão dos cursos de licenciatura, que pela legislação brasileira, tem um foco, na formação de professores para a educação básica (AZEVEDO et al., 2012). Várias são as razões para essa preocupação, que vão desde as políticas educacionais, o financiamento da educação básica, os aspectos da cultura, seja nacional, regional ou local, as formas de estrutura e gestão das escolas, bem como a formação dos gestores, entre outros (GATTI, 2010). É importante observar, também, os aspectos institucional, pedagógico e a insuficiência da prática no processo formativo do professor. Todavia esta não é a causa do problema da aprendizagem, visto que esse é um assunto mais complexo, com múltiplas variáveis (PARO, 2012).

Segundo a visão histórica da formação do professor, Azevedo e col. (2012) categoriza o estilo de ensino por épocas. Nos anos de 1960 o professor é o transmissor de conhecimento. Nos anos de 1970 ele passa a ser um técnico em educação. Em 1980 o docente é visto como um educador. Nos anos de 1990 o docente é o professor-pesquisador. Nos anos 2000 o docente é visto como pesquisador-reflexivo, aquele que contribui na elaboração de novos conceitos.

Paro (2012) verificou que muitos professores não possuem experiência ao sair da faculdade e assumir uma sala de aula. Sendo assim é de suma importância o estágio, quando da formação. Considerando isso, podemos reforçar a ideia de que a experiência deve estar agregada ao conhecimento teórico. Despois de formado é muito importante o processo de continuar procurando aprimoramentos. Cursos de curta duração, congressos e seminários programados para todo o sistema são modalidades de formação que certamente não podem ser descartadas quando se pretende manter atualizados ou incrementar os conhecimentos dos professores. Essas ações devem fazer parte constante do cotidiano do professor e devem também ser propiciados pela gestão e pelo Estado, criando condições para sua realização.

A formação de um professor tende a ser mantida por um conjunto de atividades que são normalmente voltadas a leituras de textos, discussões e estágios de término de curso. Os estágios normalmente tendem a ser sobre uma abordagem estabelecida pelo orientador da supervisão do estágio. Esse estágio também tende a ser a observação prática de um profissional que já atua na área. Uma crítica que Rodrigues e Moroz (2008) fazem a esse tipo de formação é que essa uma formação pode ser compreendida como um processo natural e espontâneo de aprender com base na própria experiência. Em certo momento esse tipo de ensino pode ser uma experiência “deixada a própria sorte”. É um aprendizado focado na experiência. Isso nos apresenta a condição de que um professor não pode ser formado sem acompanhamento e um trabalho sistemático.

2.3.2 A formação em Análise do Comportamento no contexto da formação do professor A formação em Análise do Comportamento no Brasil esteve dentro do domínio da Psicologia, sem muita abertura para se chegar a outras áreas de conhecimento como a Educação. Nessa direção, uma possível crítica que podemos fazer à formação do professor é ausência de forma específica da análise do comportamento (ARAÚJO et al., 2015a). Rodrigues (2005) apresenta uma condição fragmentada e diminuta da Análise do Comportamento na formação de pedagogia e das licenciaturas. Esse evento pode ser explicado pelas incorreções, deturpações e mitos acerca da Análise do Comportamento. A maioria das informações aprendidas são oriundas de textos de revistas e livros que não prezam pela correta veiculação de informações sobre a Análise do Comportamento (RODRIGUES; MOROZ, 2008).

A análise do comportamento deveria ser ensinada ao professor procurando apresentar- lhe uma visão adequada de seus conceitos e seus objetos de atenção. Bijou (1970) apresenta uma opinião onde o educador deveria aprender os aspectos mais específicos da Análise do comportamento. Sua principal discussão está no fato de o educador não ver a teoria como simplista. Outra condição importante na observação de Bijou está na condição do educador ter uma experiência com a aplicação dos princípios da Análise do Comportamento. Observar e ser reforçado dentro do ambiente escolar é fundamental para a construção de repertório por parte do educador.

A observação traz o reconhecimento de que o professor é o agente facilitador dos processos de desenvolvimento e aprendizagem, mediando as experiências escolares

(RODRIGUEZ; BELLANCA, 2007). Essa compreensão pode ser explicada pela condição e a posição que o professor exerce em sala de aula. Quer seja na condição de instrução, quer seja na condição de orientação e correção.

O professor pode apresentar diferentes papéis diante de sua sala de aula. Há professores que são mediadores, interativos, proativos em sua relação com a sala de aula. Todavia há também aqueles professores que apresentam dificuldades, como alta irritabilidade, insensibilidade com as dificuldades do aluno. Por essa razão a formação continuada pode trazer benefícios para o desenvolvimento do trabalho docente em classes regulares e que possuam ou não crianças em condição de inclusão (DALL’AQUA et al., 2008)

O professor possui muitos desafios em sala de aula. É concebível a necessidade do suporte institucional e acadêmico. Muitos professores reconhecem a necessidade e se beneficiam de conhecimentos psicológicos, como técnicas e manejos de comportamentos. Todo esse suporte tende a contextualizar o professor e prepará-lo para lidar com a realidade da sala de aula (Siqueira, 2015).

O professor exerce papel fundamental na aprendizagem do aluno. Ele opera como um agente técnico no fator conteúdo. Isso significa que ele age como um mediador nas informações que devem ser adquiridas pelo aluno. O professor também, é um agente motivacional no ambiente escolar, bem como possui expectativas sobre o sucesso ou fracasso do aluno (BANDURA, 1999). O fator, professor agente motivacional, é bem explorado quando se percebe a sua múltipla ação. Há uma inter-relação do fator motivacional entre os componentes cognitivos, afetivos, sociais e acadêmicos que são atuantes tanto nos alunos quanto nos professores. O processo ensino-aprendizagem sofre a interlocução do agente motivacional (DECI et al., 1999). O professor exerce a direção da aula e diante disso leva o aluno a construção da sua aprendizagem (CASTRO-CARRASCO et al., 2012).

Observando a proposta de Skinner para o ensino, Zanotto (1997) apresenta alguns pontos que devem ser levados em consideração sobre o professor. Em primeiro lugar que é função do professor explicitar os objetivos em termos comportamentais do aluno, partindo de seu conhecimento e suas possibilidades. Isso o levaria à possibilidade de identificar as mudanças ocorridas em seus alunos. Podendo avaliar a aprendizagem dos mesmos. Também permitindo uma autoavaliação de erros e acertos. Em segundo lugar, teríamos o planejamento e execução de procedimentos de ensino. O objetivo nesse ato seria montar conteúdos

distribuídos em proposições que possam ser usadas e reforçadas com uma redução gradual de estímulos, permitindo um sequenciamento de substituição que permitisse uma evolução no aprendizado, fazendo ser mais ágil, eficiente e possivelmente prazeroso. Em terceiro lugar, é necessário efetuar a avaliação contínua dos processos de ensino e de aprendizagem como condição para novos planejamentos, colocando o professor em condições de avaliar o processo de aprendizagem e o processo de ensinar, incluindo o comportamento do próprio professor.

Rodrigues (2005), avaliando o papel do professor segundo os princípios de Skinner, o apresenta como um arranjador e planejador de contingências de ensino. Sendo assim o professor deve ser capaz de planejar e executar um ensino que promova a aprendizagem daquilo que se propôs a ensinar. A sua formação deve capacitá-lo: a atuar em função das finalidades da educação; estabelecer o que deve ser ensinado; conhecer quem é o aluno com quem trabalha; selecionar o conteúdo específico adequado aos objetivos propostos; utilizar princípios e conhecimentos sobre a aprendizagem e ensino como base para a proposição de estratégias de ensino; avaliar o desempenho do aluno; e, em função disso, o seu desempenho como professor.