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1.2 E-learning: a aprendizagem mediada pelo computador

1.2.4 A andragogia e a heutagogia

Quando dizemos que a educação pós-moderna está associada a um novo paradigma científico, é importante lembrar que há também uma terminologia que

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One can say anything to anyone. 9

O trabalho teve como objeto ue estuuo o uiscurso prouuziuo uurante a implantação ue um programa ue treinamento em serviço (Ensino Reflexivo) em uma instituição ue ensino ue inglês como língua estrangeira. A hipótese norteauora é a ue que o uiscurso neoliberal ue Qualiuaue Total constitui o uiscurso uiuático-peuagógico uo programa ue treinamento em serviço ue um instituto ue línguas, pouenuo funcionar como um mecanismo ue controle, conforme proposto por Foucault (1971/1999; 1987/2000; 1979/2000; 1988).

acompanha esse contexto. Litto (2010) apresenta um glossário justamente para que a semântica não atrapalhe a compreensão do processo relacionado à EAD. Assim, termos como aprendizagem a distância, estudo em casa, aprendizagem externa ou off- campus, aprendizagem autônoma, autodirigida, distribuída ou flexível passaram a ser cada vez mais parte do nosso vocabulário, muitas vezes como maneiras de se referir à EAD. De todos os termos utilizados, chama-nos atenção os que reforçam uma característica importante na EAD: a autonomia e independência do aprendiz.

Dentre os desafios da educação estão “as discussões sobre as possibilidades de aprendizagem e o perfil desejável do aluno nessa modalidade de ensino”, conforme Almeida (2009, p. 105). Tanto a flexibilização do espaço e tempo como a interação entre pessoas e informação foram ampliadas com as TICs, mas somente a tecnologia não pode garantir a qualidade ou a abordagem educacional. Para a autora, os estudos sobre a EAD devem levar em consideração as diferenças e analogias entre a aprendizagem de adultos, de crianças e de alunos com necessidades específicas para melhor entender quem é o aprendiz nesse contexto.

Enquanto a pedagogia diz respeito ao ensino das crianças e de jovens, a andragogia foca no conceito do adulto, ou daquele que depois de passar pelo período de educação escolar regular, passa a atuar na perspectiva da educação continuada.

A heutagogia, por sua vez (ALMEIDA, 2009, p.107):

[...] surge com o estudo da autoaprendizagem na perspectiva do conhecimento compartilhado. Trata-se de um conceito que expande a concepção de andragogia ao reconhecer as experiências cotidianas como fonte de saber e incorpora a autodireção da aprendizagem com foco nas experiências.

Assim, esse processo de gestão de aprendizagem incorpora os contextos externos do aprendiz, como seu conhecimento de mundo e suas experiências prévias, ao contexto de reflexão. A aprendizagem centrada na transferência de conhecimento do professor para o aluno não é a única a ser considerada. Almeida (2009) sustenta que a partir de vários pensadores como Dewey, Freire, Piaget, Schön e Vygotsky,

surgiram outras abordagens educacionais centradas na aprendizagem do aluno e do meio que o cerca. Para uma experiência significativa num determinado contexto servir como instrumento de desenvolvimento do aprendiz, é preciso ir além da exposição dos alunos às TICs. É preciso que haja envolvimento por meio de reorganização de experiências cotidianas e por meio da ação e reflexão, como proposto por Shön (1983, 1992) e partilhado, de certa forma, com Freire (1997), ao defender o questionamento do aprendiz do seu cotidiano e a reflexão sobre a sua realidade para que ela possa ser transformadora.

Os ambientes virtuais devem potencializar a criação de um espaço que leve à interação social. Para tanto, é necessário o desenvolvimento de competências como a tecnológica e a capacidade de perceber como as diferentes mídias se relacionam na construção de sentidos. A maneira como a leitura da informação é feita e processada e os caminhos percorridos até o aprendiz chegar às suas respostas fazem parte de seu processo de aprendizagem.

Resumo

Neste capítulo, descrevemos as principais mudanças tecnológicas que levaram nossa sociedade e, consequentemente, a educação, a uma epistemologia digital. Essas mudanças dizem respeito à maneira como as pessoas lidam com a socialização da informação e como as novas ferramentas foram capazes de auxiliar a educação ao promover maior contato e maior possibilidade de compartilhamento de conteúdos e ideias.

Apontamos como a CMC produz novos efeitos de sentido a respeito das funções do professor e uma lógica de interação e interatividade. Ambos auxiliam no encurtamento das distâncias, não apenas entre professor e aluno, mas entre os alunos e o conhecimento. Para tanto, é importante que esse aluno, em especial o envolvido nesta pesquisa, que é adulto, seja autônomo e independente. Essa mudança de ponto de vista reflete o movimento entre a cultura moderna e a pós-moderna, uma vez que

traz à tona uma maneira de agir diversa daquela a que fomos acostumados, causando também conflitos e incertezas.

Fica claro que a revolução tecnológica dos últimos anos contribuiu muito para o desenvolvimento da EAD e que ela continua num progresso contínuo, tanto que as pesquisas na área de educação não conseguem acontecer com a mesma rapidez com que as ferramentas e recursos são disponibilizados, como é o caso do curso da instituição focal da nossa pesquisa. O microcosmo estudado está situado no final dos anos 2000 e deve ser estudado levando-se em conta os recursos e os avanços pedagógicos da época.

No próximo capítulo, problematizaremos os efeitos dessa revolução dentro do contexto de nossa pesquisa, a começar pela instituição e os cursos oferecidos.

CAPÍTULO 2

A instituição focal e o projeto de E-learning

“As coisas mudam no devagar depressa dos tempos.” Guimarães Rosa

Acreditamos que a visão de como as mudanças tecnológicas vêm acontecendo seja de extrema valia para esta pesquisa, da mesma maneira que é essencial que conheçamos um pouco mais a instituição que promove o trabalho investigado. Dessa forma, o objetivo deste capítulo é descrever as condições de produção de nossa pesquisa. As condições de produção dizem respeito ao contexto histórico e social, aos interlocutores, ao lugar de onde eles falam, da imagem que fazem de si e do outro e do referente (BRANDÃO, 1991, p. 89). Em nosso contexto, saber como a instituição focal funciona, em especial como o departamento de e-learning e os cursos online são estruturados, contribui para a nossa análise. Assim, quando descrevemos o microcosmo de nossa pesquisa, pretendemos situar o leitor diante do contexto em que ela foi feita. Esse contexto será útil na análise dos excertos produzidos durante a pesquisa e na própria análise do curso que é o foco desta tese.

Tendo em mente as considerações feitas sobre a evolução das tecnologias da informação e da aprendizagem por e-learning no primeiro capítulo, descreveremos agora a instituição focal, assim como o corpus da nossa pesquisa, relacionando-os ao contexto do curso de inglês online analisado em nosso trabalho. Para entendermos como o instituto de línguas atua, é importante que retomemos alguns conceitos discutidos em trabalhos anteriores (ARAÚJO, 2002; 2004; 2010) sobre como o discurso neoliberal de Qualidade Total (QT) influencia e constitui o contexto educacional, em especial na instituição estudada.