A Área de Proteção Ambiental (APA) do São Bartolomeu e Descoberto foi criada pelo Decreto Federal no 88.940/1983 (vide Anexo A)16, que por sua vez estabelece critérios
de supervisão, fiscalização e zoneamento da UC pela extinta Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA), órgão vinculado ao então Ministério do Interior.
Conforme descrito pelo art. 1o do Decreto no 88940, de 7 (sete) de novembro de 1983:
Ficam criadas, com as delimitações abaixo especificadas, as Áreas de Proteção Ambiental(APAs) das Bacias dos Rios São Bartolomeu e Des- coberto, com o objetivo principal de proporcionar o bem-estar futuro das populações do Distrito federal e de parte do Estado de Goiás, bem como assegurar condições ecológicas satisfatórias às represas da região. Importante destacar o art. 2o do Decreto no 88.940/198317, o qual declara a área
compreendida pela UC enquanto área de relevante interesse ecológico: "As Áreas de Preservação Permanente, incluídas nas APAs das Bacias dos Rios Descoberto e do São Bartolomeu, ficam declaradas de relevante interesse ecológico, para os efeitos do artigo 18, da Lei no
6.938/1981, de 31 de agosto de 1981." Ora a execução da PNMA também é pautada num regime de proteção de áreas em que se aplica a compatibilização entre o desenvolvimento econômico e o equilíbrio ecológico.
De fato, os incisos I e II do art. 4o da Lei 6.938/1981 assim versam:
16 As referências no texto à APA do São Bartolomeu sem remição ao Rio Descoberto irão ocorrer de
modo proposital ao longo desta pesquisa, uma vez especificada a área de estudo escolhida, restando implícita que a APA, em seu aspecto formal, nasce juntamente com a Unidade de Conservação do Rio Descoberto, cujo decreto de criação é o mesmo.
17 BRASIL. Decreto no88.940, de 7 de novembro de 1983. Diário Oficial da União - Seção 1 - 9/11/1983,
Art 4o - A Política Nacional do Meio Ambiente visará:
I - à compatibilização do desenvolvimento econômico-social com a pre- servação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico; II - à definição de áreas prioritárias de ação governamental relativa à qualidade e ao equilíbrio ecológico, atendendo aos interesses da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios; O Decreto no
88.351/1983, primeiro regulamento da Lei no
6.938/1981, definirá, para a execução da PNMA, o dever do poder público de manter a fiscalização permanente dos recursos ambientais e sua compatibilização para com o desenvolvimento econômico e a proteção ambiental. Deste modo, dispõe o art. 1o que:
Art. 1o. Na execução da Política Nacional do Meio Ambiente, cumpre ao
Poder Público, nos seus diferentes níveis de governo:
I - manter a fiscalização permanente dos recursos ambientais, visando à compatibilização do desenvolvimento econômico com a proteção do meio ambiente e do equilíbrio ecológico; II - proteger as áreas representativas de ecossistemas mediante a implantação de unidades de conservação e preservação ecológica; III - manter, através de órgãos especializados da administração, o controle permanente das atividades potencial ou efetivamente poluidoras, de modo a compatibilizá-las com os critérios vigentes de proteção ambiental; IV - incentivar o estudo e a pesquisa de tecnologias para o uso racional e a proteção dos recursos ambientais, utilizando nesse sentido os planos e programas regionais ou setoriais de desenvolvimento industrial e agrícola; V - implantar, na áreas críticas de poluição, um sistema permanente de acompanhamento dos índices locais de qualidade ambiental; VI - identificar e informar aos órgãos e entidades do Sistema Nacional do Meio Ambiente sobre a existência de áreas degradadas, ou ameaçadas de degradação, propondo medidas para sua recuperação; VII - orientar a educação, em todos os níveis, para a participação ativa do cidadão e da comunidade na defesa do meio ambiente, cuidando para que os currículos escolares das diversas matérias obrigatórias contemplem o estudo da ecologia.
Ao prever, no âmbito da atuação do SISNAMA, a articulação coordenada dos órgãos e entidades que o instituem, a PNMA preconizará, para efeitos da proposição de APAs, a sua identificação em razão dos próprios objetivos e ou proibições relacionadas às tarefas de proteção e salvaguarda do meio ambiente, bem assim restrições de uso dos recursos ambientais, e condições sanitárias e habitacionais das propriedades situadas em suas imediações, a par da obrigatoriedade quanto ao licenciamento de atividades potencialmente degradadoras e ou poluidoras.
Originalmente, o Decreto no
88.940/1983 previa em seu art. 3o18
, o zoneamento a ser estabelecido pela extinta Secretaria Especial de Meio Ambiente (SEMA), zoneamento
18 Art. 3o, inciso I, da Lei no 88.940/1983: "Para a recuperação e proteção das APAs da região das
Bacias dos Rios São Bartolomeu e Descoberto, serão adotadas, entre outras, as seguintes medidas prioritárias: I - zoneamento das APAs estabelecido em portaria da SEMA e realizado em estreita articulação com a CAESB, indicando em cada zona as atividades que ali deverão ser encorajadas ou incentivadas, bem como as que deverão ser limitadas, restringidas ou até proibidas, de acordo com a legislação aplicável, respeitados os princípios constitucionais que regem o Direito de Propriedade;"
este o qual constitui instrumento por excelência de consecução da PNMA previsto pelo inciso II do art. 9o da Lei 6.938/198119, servindo de baliza para os critérios de restrição do
uso da propriedade. Previa o Decreto no 88.940/1983, ainda, a utilização de instrumentos legais e incentivos financeiros para proteção da zona de vida silvestre e uso racional do solo, implementação de estrutura urbana pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (CAESB) e a adoção de faixa verde em torno do Lago, onde somente atividades de florestamento e reflorestamento poderiam ser permitidas (vide Anexo A).
Criada sob o viés de proteção estatuído para as APAs pelo art. 9o da Lei no 6.902/1981 (vide AnexoB), regulamentada pelos Decretos no88.351/1983 e no99.274/199020,
regida ainda pelas Resoluções CONAMA no
10/1988 e no
13/199021
, a APA do São Bar- tolomeu tem o primeiro zoneamento realizado na década de 1980, através da portaria da extinta SEMA de no
2/1988, num contexto de mudança do governo distrital e sob a égide de uma primeira legislação para fins de regularização de parcelamentos do solo no âmbito do Distrito Federal - Lei no 54/8922, marco de criação do Plano de Organização
do Solo (POSO), e sob a égide da Lei no 41/8923, que instituiu a Política Ambiental do
DF nos anos oitenta, época também de criação da Secretaria de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia (SEMATEC) e do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), marcada pela intensificação do controle da APA pelo Governo do Distrito Federal (GDF) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).
No entanto, será muito antes desta época, a partir dos primórdios da formação da nova capital, que exsurgem as primeiras normas republicanas de ordenação do território, ainda na década de 60, quando se tem a desapropriação de terras para a construção da nova sede do Distrito Federal e a formação de núcleos rurais nas imediações da APA estudada, com processos localizados e urbanização marcada por núcleos populacionais aleatórios não pertencentes a planos de assentamento ou expansão urbana, época depois da qual irão surgir sucessivos reordenamentos de uso do território, fazendo-se necessária, portanto, uma incursão sobre este desenrolar histórico.
BRASIL. Decreto no 88.940, de 7 de novembro de 1983. Diário Oficial da União - Seção 1 - 9/11/1983,
Página 18881 (Publicação Original).
19 Lei 6.938/1981: "Art. 3o- São instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente: II - o zoneamento
ambiental;" BRASIL. Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981. Diário Oficial da União - Seção 1 -
2/9/1981, Página 16509 (Publicação Original).
20 Decreto no 99.274, de 6 de junho de 1990. Diário Oficial da União - Seção 1 - 7/6/1990, Página 10887
(Publicação Original).
21 Os Decretos no88.531/1983 e no 99.274/1990 regulamentam a Lei 6.902/1981, que cria as estações
ecológicas e APAs, bem assim a Lei no 6.938/1981, que cria a o Sistema Nacional de Meio Ambiente
(SNMA). As resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) no10/1988 e no13/1990,
por sua vez, regem respectivamente as APAs e as normas referentes às atividades no entorno das Unidades de Conservação (UCs). Disponíveis no sítio<http://www.mma.gov.br/port/conama/legiano. cfm?codlegitipo=3> Acesso em 16 jan. 2016.
22 BRASIL. Distrito Federal. Lei no54, de 23 de novembro de 1989. DODF DE 24.11.198. REPUBLI-
CADA NO DODF DE 25.06.1990.
23 BRASIL. Distrito Federal. Lei no41, de 13 de setembro de 1989. DODF DE 14.09.1989 - REPUBLI-