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A Arca Causa Transtorno aos Filisteus (5.1-

Comentário Sobre o Texto I Ascensão e “ Reinado” de Samuel

2) A Arca Causa Transtorno aos Filisteus (5.1-

a. Dagom Danificado em Asdode (5.1-5) ‘Os filisteus, pois, tomaram a arca de Deus, e a levaram de Ebenézer a Asdode. 2Então os filis­ teus tomaram a arca de Deus e a introduziram na casa de Dagom, e a puseram junto a Dagom. 3Levantando-se, porém, de madrugada no dia seguinte os de Asdode, eis que Dagom estava caído com o rosto em terra diante da arca do Senhor; e tomaram a Dagom, e tornaram a pô-lo no seu lugar. 4E, levantando-se eles de madrugada no dia seguinte, eis que Dagom estava caído com o rosto em terra diante da arca do Senhor; e a cabeça de Dagom e ambas as suas mãos estavam cortadas sobre o limiar; somente o tronco ficou a Dagom. sPelo que nem os sacerdotes de Dagom, nem nenhum de todos os que entram na casa de Dagom pisam o limiar de Dagom em Asdode, até o dia de hoje.

Tendo-se declarado livre de qualquer dependência física de Israel (cf. comentário sobre 4.12-18), Deus rapidamente demons­ trou que a derrota em Afeque não se deveu a uma falta de poder de sua parte. Em duas cenas dramáticas, o Senhor demonstrou sua superioridade, primeiro sobre o deus filisteu e depois sobre o próprio povo belicoso.

A preocupação do leitor moderno com as técnicas empregadas por Deus no exer­ cício de seu domínio obscurece seriamente o propósito principal da narrativa bíblica. Os antigos israelitas careciam de nossa compreensão da relação causa-efeito e atri­ buíam todos os fenômenos naturais direta­ mente a Deus. Ele era autor tanto do bem (SI 16.2) quanto do mal (ISm 16.14). Suas obras portentosas poderiam ser ou muito espetaculares (Js 10.13) ou bastante comuns (Is 8.18). O autor do presente contexto não estava preocupado em como a imagem de Dagom fora derrubada, mas com o signi­ ficado do acontecimento em si. Deus estava tornando seu poder conhecido a todos — fosse o ato cumprido por sua própria mão,

por um terremoto, ou por comandos guer­ rilheiros.

Os filisteus a princípio atribuíram a pros­ tração de Dagom diante da arca a mero acaso. Somente o acúmulo de tais “coinci­ dências” convenceu-os de que o Deus de Israel poderia ser o responsável por seus infortúnios.

A natureza exata do costume pagão envolvido no não pisar o limiar é incerta. A santidade do limiar entre os vizinhos de Israel pode ter-se originado na inclusão dos corpos das vítimas sacrificiais em fundações de edifícios importantes (lRs 16.34). Se tal for o caso, a cabeça e mãos separadas de Dagom contêm uma ironia especialmente macabra. Não obstante, em clara contra­ dição à teologia filistéia, os israelitas suprem (cf. v. 5) sua própria resposta zombeteira sobre o porquê de os sacerdotes de Dagom evitarem contato com o limiar de seu templo.

A prática de saltar sobre o limiar era claramente proibida entre os israelitas (Sf

1.9). Não obstante, Ezequiel pode estar deixando implícito que israelitas de época posterior, por motivos decididamente dife­ rentes, reverenciavam o limiar do templo de Jerusalém. Uma oferta especial devia ali ser feita (46.2), e o rio sagrado fluindo do templo iria ter origem naquele ponto (47.1).15

b. Enfermidades Devastam a Filístia (5.6-12) 6Entretanto a mão do Senhor se agravou sobre os de Asdode, e os assolou, e os feriu com tumores, a Asdode e aos seus termos. 70 que tendo visto os homens de Asdode, disseram: Não fique conosco a arca do Deus de Israel, pois a sua mão é dura sobre nós, e sobre Dagom, nosso Deus. 8Pelo que enviaram mensageiros e congregaram a si todos os chefes dos filisteus, e disseram: Que faremos nós da arca do Deus de Israel? Responderam: Seja levada para Gate. Assim levaram para lá a arca do Deus de Israel. 9E desde que a levaram para lá, a mão do Senhor veio contra aquela cidade, causando grande pânico; pois feriu aos homens daquela cidade, desde o pequeno até o grande, e

15 O term o bastante desusual para designar “lim iar” m iphtan, que aparece em ISm 5.4,5, é en contrado alhures no A ntigo Testam ento somente em Ez 9.3; 10.4,18; 42.6; 47.1; Sf 1.9.

nasceram-lhes tumores. 10Então enviaram a arca de Deus a Ecrom. Sucedeu, porém, que, vindo a arca de Deus a Ecrom, os de Ecrom exclamaram, dizendo: Transportaram para nós a arca do Deus de Israel, para nos matar a nós e ao nosso povo. ‘'Enviaram, pois, mensageiros, e congregaram a todos os chefes dos filisteus, e disseram: Enviai daqui a arca do Deus de Israel, e volte ela para o, seu lugár, para que não nos mate a nós e ao nosso povo. Porque havia pânico mortal em toda a cidade, e a mão de Deus muito se agravara sobre ela. 12Pois os homens que não morriam eram feridos com tumores; de modo que o clamor da cidade subia até o céu.

Para muitos observadores, a captura da arca do Senhor pelos filisteus (4.12-18) sugeria impotência da parte do Deus de Israel. O antigo escritor claramente demonstra que a derrota em Afeque repre­ sentava o julgamento de Deus sobre a corrupção nacional, não uma falta de poder divino. Primeiro Deus provou sua superio­ ridade sobre o deus filisteu (5.1-5), e depois demonstrou seu controle sobre aquele povo.

A natureza da doença que afligiu os filis­ teus é incerta. A palavra traduzida por tumores (’»phalim) é, no singular, provavel­ mente o mesmo que o nome Ofel (’ophel), que refere-se a uma colina fortificada ou acrópole dentro de uma cidade (Ne 3.26; cf. 2Rs 5.24; Is 32.14). Assim, qualquer inchaço ou tumor no organismo podia ser indicado. A menção a ratos no capítulo seguinte (6.4 e s.) sugere à mente moderna a peste bubônica. Essa praga mortal é acom­ panhada por uma inchação das glândulas linfáticas sem que estas mudem de cor, espe­ cialmente na virilha e nas axilas. Contudo, no capítulo 5 não se faz qualquer referência a ratos.

Por outro lado, os massoretas, que preser­ varam o texto hebraico, não pronuncia­ vam a palavra ’»phalim. Eles ignoravam o termo escrito e liam tehorim em seu lugar. Emprega-se esta palavra para designar inchações no intestino reto resultantes de tipos virulentos de disenteria. Daí, “hemor­ róidas” haveria de ser tradução mais adequada. De qualquer forma, sofrimento e morte podiam facilmente atingir proporções epidêmicas, uma vez que tanto

a disenteria como a praga são facilmente transmissíveis.

Quando a praga atingiu Asdode e vizi­ nhanças, os homens da cidade começaram a buscar uma explicação para seu infor­ túnio. Estranhos acontecimentos cercavam a presença da arca no templo de Dagom, de modo que o povo, sem muita certeza, conclui que o Deus de Israel poderia estar buscando vingança sobre eles. Evidente­ mente, eles ainda tinham esperança de que a praga e seu valioso troféu de guerra não tivessem relação entre si. Doutro modo, difi­ cilmente estariam tão ansiosos por mandar a arca a outras importantes cidades filistéias. Primeiro em Gate, e depois em Ecrom, morte e sofrimento acompanharam sua passagem.

3) A Arca Volta a Israel (6.1—7.2) a. Os Filisteus Pagam Reparações (6.1-9)

*A arca do Senhor ficou na terra dos filisteus sete meses. zEntão os filisteus chamaram os sacer­ dotes e os adivinhadores para dizer-lhes: que faremos nós da arca do Senhor? Fazei-nos saber como havemos de enviá-la para o seu lugar. 3Responderam eles: Se enviardes a arca do Deus de Israel, não a envieis vazia, porém sem falta envia­ reis a ele uma oferta pela culpa; então sereis curados, e se vos fará saber por que a sua mão não se retira de vós. 4Então perguntaram: Qual é a oferta pela culpa que lhe havemos de enviar? Eles responderam: Segundo o número dos chefes dos filisteus, cinco tumores de ouro e cinco ratos de ouro, porque a praga é uma e a mesma sobre todos vós e sobre todos os vossos príncipes. sFazei, pois, imagens dos vossos tumores, e dos ratos que andam destruindo a terra, e dai glória ao Deus de Israel; porventura aliviará o peso da sua mão de sobre vós, e de sobre vosso deus, e de sobre vossa terra. 6Por que, pois, endureceríeis os vossos corações, como os egípcios e Faraó endureceram os seus corações? Porventura depois de os haver Deus casti­ gado, não deixariam ir o povo, e este não se foi? 7Agora, pois, fazei um carro novo, tomai duas vacas que estejam criando, sobre as quais não tenha vindo o jugo, atai-as ao carro e levai os seus bezerros de após elas para casa. 8Tomai a arca do Senhor, e ponde-a sobre o carro; também metei num cofre, ao seu lado, as jóias de ouro que haveis de oferecer ao Senhor como ofertas pela culpa; e assim a envia­ reis para que se vá. 9Reparai então: se ela subir pelo caminho do seu termo a Bete-Semes, foi ele quem nos fez este grande mal; mas, se não, sabe-

remos que não foi a sua mão que nos feriu, e que isto nos sucedeu por acaso.

O texto do capítulo 6 é confuso e os deta­ lhes da história são difíceis de ser recons­ truídos. A princípio, os sacerdotes filisteus pareciam convencidos de que uma oferta aplacaria o Deus de Israel: então sereis

curados, e se vos fará saber por que a sua mão não se retira de vós. Posteriormente,

contudo, eles se revelaram incertos: dai

glória ao Deus de Israel; porventura aliviará o peso da sua mão de sobre vós, e de sobre vosso Deus, e de sobre vossa terra. O

número de ratos de ouro também varia. O versículo 4 indica que deveriam ser feitos cinco deles, mas o 18 deixa implícito que seriam consideravelmente mais. Antigas traduções gregas e aramaicas também oferecem textos que diferem significativa­ mente do Texto Massorético.

Embora circunstâncias que cercam o retorno da arca dos filisteus possam parecer incertas, o impacto teológico do relato é bastante claro. O Senhor que havia punido Israel por permitir que a nação fosse derro­ tada em batalha, agora também havia humilhado os conquistadores filisteus. Ele promoveu o retorno de sua arca de um terri­ tório inimigo e permaneceu pronto para defender sua privacidade contra israelitas abelhudos (6.19).

Após sete longos meses de devastação desanimadora, os filisteus estavam ansiosos por devolver a arca para o seu lugar, mas sentiram que deviam seguir um protocolo apropriado. Os sacerdotes e adivinhos filis­ teus deram instruções para o preparo de imagens de ouro das pragas que os haviam afligido.

Os sacerdotes filisteus se expressaram quase como iavistas praticantes, mas a refe­ rência deles à experiência de Israel com o Egito simplesmente declara: “Por que esperar até mais tarde? Vamos ver agora mesmo se Deus trouxe isso sobre nós.” Dar

glória ao Deus de Israel era admitir que

ele era o responsável pelos infortúnios que haviam sobrevindo à terra.

As ações dos filisteus provavelmente refletiam uma crença no efeito mágico de “simpatias”. O povo esperava que de algum modo as imagens ajudassem a desviar a peste para longe. O valor de sua oferta destinava-se a reduzir a responsabilidade por sua culpa.

O perdão de Deus, contudo, não pode ser comprado com a moeda do ritual vazio. Sem uma vida transformada, o sacrifício atrai o juízo de Deus, não a sua graça (Is

1.11-17).

Sem concordar com essa distorcida pers­ pectiva da religião, o antigo escritor emprega aquela experiência para demonstrar mais uma vez a grandeza de Deus. O Senhor humilhou o deus dos filisteus, debilitou seu povo e forçou-o a reconhecer publicamente sua subserviência a ele.

b. A Arca de Volta a Israel (6.10-18) 10Assim, pois, fizeram aqueles homens: tomaram duas vacas que criavam, ataram-nas ao carro, e encerraram os bezerros em casa; "também puseram a arca do Senhor sobre o carro, bem como o cofre com os ratos de ouro e com as imagens dos seus tumores. 12Então as vacas foram caminhando pelo caminho de Bete-Semes, seguindo a estrada, andando e berrando, sem se desviarem nem para a direita nem para a esquerda; e os chefes dos filisteus foram seguindo-as até o termo de Bete- -Semes. 13Ora, andavam os de Bete-Semes fazendo a sega do trigo no vale; e, levantando os olhos, viram a arca e, vendo-a, se alegraram. 14Tendo chegado o carro ao campo de Josué, o bete-semita, parou ali, onde havia uma grande pedra. Fenderam a madeira do carro, e ofereceram as vacas do Senhor em holocausto. 15Nisso os levitas desceram a arca do Senhor, como também o cofre que estava junto a ela, em que se achavam as jóias de ouro, e puseram- -nos sobre aquela grande pedra; e no mesmo dia os homens de Bete-Semes ofereceram holocaustos e sacrifícios ao Senhor. 16E os cinco chefes dos filisteus, tendo visto aquilo, voltaram para Ecrom no mesmo dia. 17 Estes, pois, são os tumores de ouro que os filisteus enviaram ao Senhor como oferta pela culpa: por Asdode um, por Gaza outro, por Asquelom outros por Gate outro, por .Ecrom ou tra 18Como também os ratos de ouro, segundo o número de todas as cidades dos filisteus, perten­ centes aos cinco chefes, desde as cidades fortificadas até as aldeias campestres. Disso é testemunha a grande pedra sobre a qual puseram a arca do Senhor, pedra que ainda está até o dia de hoje no campo de Josué, o bete-semita.

Os adivinhos filisteus idealizaram uma última maneira para testar o envolvimento do Senhor nas calamidades que haviam sobrevindo ao seu país. Duas vacas, sepa­ radas de seus bezerros, deveriam ser usadas para puxar a arca numa carroça construída especialmente para tal propósito. Se as vâcas retornassem a seus bezerros ao serem soltas, a peste que havia varrido a terra devia ser considerada um acontecimento casual. Se as vacas seguissem na direção de Bete- -Semes, a cidade israelita mais próxima, então o povo concluiria que o Senhor os tinha afligido. Assim, o envolvimento de Deus na história humana foi mais uma vez confirmado quando as vacas foram soltas e a arca foi conduzida no rumo de seu terri­ tório.

Quando a arca foi devolvida a Israel, seu primeiro ponto de parada foi Bete-Semes. O carro e as vacas foram usados num sacri­ fício para comemorar o evento, e um grande altar de pedra ali serviu como testemunho perpétuo da confirmação da honra do Senhor. Nada se diz sobre a arca retornar a Siló, onde havia estado antes da Batalha de Afeque. Igualmente, a Bíblia em parte alguma menciona a destruição desse santuário estratégico, conquanto saiba-se que caiu por volta desse tempo. O autor aparentemente tinha um propósito mais importante em mente. Ele estava mostrando que, embora a arca tivesse sido anterior­ mente guardada em Siló, poderia legiti­ mamente ficar localizada em qualquer outro lugar de Israel. Num sentido real, portanto, a arca já havia retornado para casa.

c. Mortandade em Bete-Semes (6.19—7.2) 19O ra, o Senhor feriu os homens de Bete- -Semes; porquanto olharam para dentro da arca do Senhor; feriu do povo cinqüenta mil e setenta homens; então o povo se entristeceu, porque o Senhor o ferira com tão grande morticínio. 20Disseram os homens de Bete-Semes: Quem poderia subsistir perante o Senhor, este Deus santo? e para quem subirá de nós? 21Enviaram, pois, mensageiros aos habitantes de Quiriate-Jearim, para lhes dizerem: Os filisteus remeteram a arca do Senhor; descei, e fazei-a subir para vós.

'Vieram, pois, os homens de Quiriate-Jearim, tomaram a arca do Senhor e a levaram à casa de Abinadabe, no outeiro; e consagraram a Eleazar, filho dele, para que guardasse a arca do Senhor. 2E desde o dia em que a arca ficou em Quiriate- -Jearim passou-se muito tempo, chegando até vinte anos; então toda a casa de Israel suspirou pelo Senhor.

A história da arca após ter retornado a Israel representa o clímax do argumento teológico que vem sendo desenvolvido ao longo dos capítulos 4—6. Como conse­ qüência da corrupção dos filhos de Eli, que assistiam à arca, o Senhor permitiu que a arca caísse em mãos inimigas em Afeque. Ele então defendeu sua honra e poder, operando a libertação da arca das mãos dos filisteus. Agora, para ter certeza de que sua lição inicial não foi esquecida, o Senhor repreendeu seu povo por deixar de respeitar a transcendência divina.

Os israelitas de Bete-Semes não sentiram o perigo causado pela presença da arca entre eles. Iavé, afinal de contas, era o seu Deus e acaba de exercer poder sobre seus inimigos. Presumiram que, por serem isra­ elitas, o Senhor deveria estar aos lado deles. Sua falta de temor em relação à arca logo os encorajou a satisfazerem a curiosidade quanto à relíquia religiosa. Julgaram que, como povo escolhido de Deus, estavam livres das regras de conduta que dirigem os homens comuns. Logo aprenderam que, não importa qual seja sua origem nacional, biológica ou religiosa, todos os homens devem sujeitar-se ao controle divino.

Presumivelmente a praga que havia devastado a Filístia dirigiu-se a Israel e afligiu igualmente os israelitas. O sacrílego tratamento dispensado à arca pelo povo de Bete-Semes supriu uma pronta explicação do juízo de Deus, e a arca foi transferida para Quiriate-Jearim.

Nesse ponto a lição de teologia estava completa, a história chegara a um ponto estacionário, e a arca passou vinte anos em obscuridade. Permaneceu em Quiriate- Jearim sob os cuidados de Abinadabe e seus filhos até ser trazida, com honras, para Jeru­ salém, ao tempo de Davi (2Sm 6; mas cf.

1) Vitória Alcançada em Mizpá (7.3-11)

’Samuel, pois, falou a toda a casa de Israel, dizendo: Se de todo o vosso coração voltais para o Senhor, lançai do meio de vós os deuses estra­ nhos e as astarotes, preparai o vosso coração para com o Senhor, e servi a ele só; e ele vos livrará da mão dos filisteus. 4Os filhos de Israel, pois, lançaram do meio deles os baalins e as astarotes, e serviram só ao Senhor. 5Disse mais Samuel: Congregai a todo o Israel em Mizpá, e orarei por vós ao Senhor. 6Congregaram-se, pois, em Mizpá, tiraram água e a derramaram perante o Senhor; jejuaram aquele dia, e ali disseram: Pecamos contra o Senhor. E Samuel julgava os filhos de Israel em Mizpá. 7Quando os filisteus ouviram que os filhos de Israel estavam congregados em Mizpá, subiram os chefes dos filisteus contra Israel. Ao saberem disto os filhos de Israel, temeram por causa dos filisteus. 8Pelo que disseram a Samuel: Não cesses de clamar ao Senhor nosso Deus por nós, para que nos livre da mão dos filisteus. 9Então tomou Samuel um cordeiro de mama, e o ofereceu inteiro em holocausto ao Senhor; e Samuel clamou ao Senhor por Israel, e o Senhor o atendeu. ,0Enquanto Samuel oferecia o holocausto, os filis­ teus chegaram para pelejar contra Israel; mas o Senhor trovejou naquele dia com grande estrondo sobre os filisteus, e os aterrou; de modo que foram derrotados diante dos filhos de Israel. n Os homens de Israel, saindo de Mizpá, perseguiram os filisteus e os feriram até abaixo de Bete-Car.

Após a digressão um tanto quanto longa tratando do destino da arca, o autor bíblico reenceta a história da carreira de Samuel. Em ambas as seções há importantes impli­ cações históricas, mas nenhum dos relatos está basicamente interessado na estrita narração de detalhes. Sob a influência de Eli e seus filhos corruptos, Israel se enfra­ quecera a ponto de ter sua existência nacional ameaçada pela expansão do poder filisteu. Agora, sob a liderança de Samuel, as condições tendiam a melhorar um pouco.

O relato da reunião em Mizpá propicia uma perspectiva concisa, quase estilizada, do rumo que as questões nacionais toma­ ram agora que uma nova era profética fora instituída em Israel (3.19,20). O tema cen­ tral (v. 3) é um bom exemplo duma aplica­ ção da doutrina da retribuição divina (cf. Introdução): a pureza religiosa resultará

5. Samuel Liberta o Povo (7.3-17) em prosperidade nacional. Sob a influência

da carreira notável de Samuel, Israel foi se desviando cada vez mais dos cultos de ferti­ lidade cananeus e volveu a uma fé em Deus, obtendo, assim, uma trégua tempo­ rária da agressão filistéia.

O culto a Baal e Astarote era bastante difundido entre os vizinhos cananeus de Israel. Ambos os nomes são empregados no plural aqui para referir-se às muitas variedades ou manifestações locais das prin­ cipais divindades masculinas e femininas do panteão cananeu. O culto em seus santuários envolvia a prática ostensiva de ritos sexuais, tornando-os particularmente repugnantes a iavistas zelosos. Esses dois termos, baalins e astarotes, são usados freqüentemente juntos para designar o culto de todos os deuses pagãos locais entre os vizinhos de Israel (Jz 2X3; 10.6; ISm 12.10).

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