2.1. Introdução ao Branding contemporâneo
2.1.2. A arquitetura e estrutura da Identidade Visual
No enquadramento da temática deste trabalho de mestrado é importante perce- ber-se a estrutura da identidade visual de hoje em dia, uma vez que se foram alterando consoante as suas necessidades ao longo dos anos.
Segundo Raposo (2008, p.90) a identidade corporativa da marca não se limita apenas ao logótipo, ao símbolo, à tipografia, mas também se referencia com o «imaginá- rio coletivo dos públicos da empresa». Esta pode apresentar-se ao público através do «Sistema de Identidade Visual Corporativa».
Tanto Olins como Wheeler referem também a arquitetura da marca como uma componente fundamental para que uma marca esteja bem estruturada e preparada para o mercado.
Wheeler (2009, p.22) refere a arquitetura da marca como uma relação entre empresas, produtos e serviços, que devem apresentar uma estratégia organizada para que esta traga «consistency, visual and verbal order, thought, and intention to disparate
elements to help a company grow and market more effectively18».
Segundo Olins (2008, p.45), a arquitetura da marca estende-se em três vertentes, sendo elas «Corporativa […] identidade única de negócio» (fig.7), que é quando a empre- sa utiliza apenas uma forma de identidade nominal ou visual para todas as suas parcelas. Wheeler, (2009, p.23) completa esta primeira vertente afirmando ainda «Features and
benefits matter less to the consumer than the brand promise and persona19». A juntar ao raciocínio de Wheeler, Olins (2008, p.47) assume ainda uma das características mais importantes desta vertente, a sensibilidade de todos os produtos ou serviços agregarem o mesmo nome, ou identidade.
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«coerência , a ordem visual e verbal , pensamento e intenção de elementos díspares para ajudar a empresa a crescer no mercado de forma mais eficaz»
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Após esta abordagem, Olins (2008, p.45) referência uma segunda denominada de «Endossada […] a identidade múltipla de negócio» (fig.9), onde a “marca mãe” encontra- se sempre presente nos vários produtos e submarcas da empresa. Porém Wheeler (2009, p.23) vai mais a fundo nesta determinação identificando o produto na sua clara dimensão de mercado, que reporta à sua visibilidade. Para exemplificar este caso Olins (2008, p.48) refere o sistema militar, onde as armas têm a sua própria identidade e marca, que trans- mitem especificamente o seu significado agregado aos conceitos e valores que o sistema em questão defende.
Figura 7. Corporate, or monolithic – the single business identity. Diagrama de autor. Retirado de OLINS, W. (2010, p.45)
Figura 8. Figura Ilustrativa. FedEx. Retirado de WHEELER, A. (2009, p.22)
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Por fim, Olins (2008, p.45) menciona um terceiro ramo «Marca – a identidade baseada na marca» (fig.10) quando a empresa é portadora de uma diversidade de marcas que aparentemente não estão ligadas, ao qual Wheeler (2009, p.23) denomina de «Plura-
listic brand architecture20», que é composta por várias marcas conhecidas dos consumi- dores, onde o nome da “marca mãe” pode não ser minimamente relevante.
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«Arquitetura de marca Pluralista»
Figura 9. Endorsed – the multiple business identity. Diagrama de autor. Retirado de OLINS, W. (2010, p.45)
Figura 10. Branded – the brand-based identity. Diagrama de autor. Retirado de OLINS, W. (2010, p.45)
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Olins (2008, p.50) reflete um perfeito exemplo «Diageo owns Guiness, Johnnie
Walker and fifty or so other very famous brands21» porém a Diageo (fig.11) não é o nome utilizado pelo consumidor, isto acontece basicamente porque o que o consumidor enten- de as marcas de forma individual. Ainda que estes autores dividam as marcas em catego- rias onde as mesmas se possam encaixar, nem sempre é visível qual a vertente que seguem, até porque estes dados não são de ordem obrigatória. Existem muitas empresas que adaptam algumas das noções especificadas em cima, e adaptam à sua própria arqui- tetura de marca.
Para além desta arquitetura da marca existem outras componentes muito impor- tantes que devem estar presentes na estrutura da marca.
A estruturação da marca deve envolver componentes que a componham e que demonstrem os valores que a mesma pretende comunicar.
O nome é sem dúvida uma peça fulcral para o reconhecimento da marca. No entanto por vezes, as marcas necessitam de um refreshing, ou porque este já não faz sen- tido, ou porque precisam de agregar mais do que uma sucursal.
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«Diageo é a proprietária da Guiness, Johnnie Walker e de cinquenta e outras marcas muito famosas»
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Olins (2008, p.56) explícita esta mudança de nome como sendo o processo mais complicado, isto porque segundo o mesmo estas mudanças têm grandes proporções financeiras e podem até mesmo ser ridicularizadas, pela falta de compreensão do seu sentido perante o mercado.
Com isto, Olins (2008, p.56) pretende demonstrar que quando existe uma mudan- ça de nome, essa mudança pode por vezes demorar a enquadrar-se na sociedade. Ainda assim, mesmo que não haja essa drástica mudança o nome deve acompanhar a contem- poraneidade. Tal como o autor (2008, p.57) menciona, no caso da Shell (figura 12), em que acontece uma mudança gráfica do símbolo visto que, por vezes as marcas sentem a necessidade de mudar para que consigam permanecer no mercado, acompanhando a evolução.
Figura 12. Mudança da marca gráfica ao longo dos anos.
SHELL evolution brand. Retirado de OLINS, W. (2010,
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WWheeler (2009, p.24), menciona as taglines (fig.13) como sendo um termo que inclui toda a essência da marca e o que a mesma pretende transmitir, podendo ainda ter vários estilos de comunicação. Estas só podem existir depois do nome estar definido.
A englobar tudo isto, estão os ideais de Wheeler (2009, p.31) que incorporam os valores essenciais que uma marca deve conter: «Vision; Meaning; Authenticity; Coheren-
ce; Differentiation; Flexibility; Durability; Commitment; Value22». Por entre todos estes ideais, alguns percebem-se mais interessantes para a interligação com a imagética. A dife- renciação, autenticidade, significado e o valor integram-se perfeitamente no contexto presente neste projeto, da imagética como elemento preponderante ao sistema visual.
Wheeller (2009, p.34) refere informação acerca de cada termo acima referido: «Significado», segue-se pela representação de algo, o conceito, o posicionamento, o valor. Os símbolos ajudam bastante na perceção de significado, principalmente para o
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«Visão; Significado ; Autenticidade; Coerência; Diferenciação; Flexibilidade ; Durabilidade ; Compromisso; Valor»
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consumidor. Estes, quando são fortes, têm a capacidade de permanecer na mente duran- te mais tempo. Em relação à «Autenticidade», Wheeler (2009, p.36) explica que a expres- são da marca deve conter parâmetros inovadores e tradicionais que devem demonstrar- se genuínos. No tema da «Diferenciação», Wheeler (2009, p.38) refere que o mundo está sobrecarregado de escolhas e, por isso, as marcas precisam de explorar e partilhar as suas diferenças para tornar mais fácil a sua compreensão. Ainda oportuno é a questão do «Valor», que segundo a autora (2009, p.48) representa a ação da responsabilidade social e sustentável, cada vez mais deve ser uma componente incorporada nas marcas. Esta responsabilidade social cria credibilidade e envolvimento com o público.
Uma vez que a estruturação da marca é necessária, são todos estes parâmetros com que a mesma se pode diferenciar e ter sucesso num mercado de constante concor- rência. Não só é pertinente que esta estrutura seja abordada com o intuito acima descri- to, como também com o objetivo de dar a conhecer a todos os elementos da empresa e qual é realmente a marca com que trabalham todos os dias revelando quais as suas preo- cupações e valores.
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