CAPÍTULO 2 – A ARQUITETURA DE GESTÃO DE CRISES DA UE
2.2. A Arquitetura intergovernamental da PESC/PCSD
O processo de decisão intergovernamental, no quadro da PCSD (UE, 2010:30), é um processo complexo e demorado, envolvendo uma arquitetura institucional maioritariamente baseada em Bruxelas sob a presidência do Conselho Europeu (Figura 3).
A arquitetura intergovernamental da PCSD deverá poder implementar estas decisões de uma forma coerente, concordando com uma política comum baseada em prioridades estratégicas e ter a capacidade de mobilizar, comandar e controlar rapidamente os recursos militares, civis e financeiros disponíveis para executar operações de gestão de crises.
Fonte: Weisserth, Hans-Benhard (2012) “Overview of the main Council Bodies” in Jochen Rehrl e Hans- Benhard Weisserth (eds.) Handbook on CSDP, (2ª ed.). Viena: Ministério da Defesa e dos Desportos da
República Federal da Áustria,33.
Figura 3
As estruturas da arquitetura intergovernamental de PESC/ PCSD sob a autoridade do Conselho Europeu e do Conselho de Assuntos Externos (Foreign Affairs Council), tem
como característica principal a unanimidade10 do processo de decisão em todos os seus níveis. Importa de uma forma resumida elencar as principais atribuições das diferentes estruturas de decisão política e dos seus órgãos e serviços de apoio e aconselhamento.
O Conselho Europeu11, European Council (EC) compreende os Chefes de Estado e de Governo e o Presidente da Comissão define as políticas e as prioridades da UE. A AR/VP acompanha os trabalhos do CE.
O Conselho de Negócios Estrangeiros12, Foreign Affairs Council (FAC), uma das dez possíveis configurações do Conselho da União Europeia, presidido pela AR/VP é o responsável pela ação externa da UE, incluindo a política comum externa, de segurança e de defesa, o comércio e a cooperação externa, certificando-se da sua coerência em coordenação com a Comissão.
O Comité dos Representantes Permanentes13, Comité des Représentants Permanents (COREPER) constituído pelos embaixadores representantes dos EM sediados em Bruxelas, é responsável pela preparação dos trabalhos do Conselho e, todos os assuntos a discutir nas reuniões do Conselho, são analisados obrigatoriamente no COREPER antes de serem incluídos na agenda do Conselho. Consoante os assuntos a tratar, reúne em duas configurações, COREPER I e COREPER II, sendo esta última configuração a responsável pelos assuntos gerais e relações externas.
A Alta Representante da UE para as Relações Externas e Política de Segurança e Vice-presidente da Comissão Europeia exerce as suas funções de acordo com o expresso no Artigos 18 e 27 do TUE, sendo a responsável pela coerência e consistência da ação externa da UE. Como VP da Comissão é também responsável pela coordenação interna, de todos os assuntos relacionados com as relações externas da UE. É a representante da UE em todos os assuntos relacionados com a PCSD e exerce a sua autoridade sobre o Serviço de Ação Externa Europeu (European External Action Service - EEAS), e sobre todas as delegações da UE, em países terceiros e em organizações internacionais.
10 Art.º 24 do TUE
11 Para mais detalhe ver European Council em http://www.consilium.europa.eu/pt/european-council/e 12
Para mais detalhe ver, O Conselho Europeu e o Concelho - Duas Instituições na Ação Europeia disponível em http://www.consilium.europa.eu/pt/documents-publications/publications/2013/european-council-council-two-institutions-acting-europe/
O Conselho Político e de Segurança, Political Security Council (PSC) de nível embaixador, é a pedra angular da PCSD. De acordo com o Artigo 38 do Tratado de Lisboa, acompanha a situação internacional, colaborando na definição de políticas no âmbito da PCSD e monitorizando a sua implementação, quando acordadas. É o responsável primário, pela preparação das respostas coerentes e consistentes da UE às crises, fazendo recomendações ao Conselho e, quando autorizado, exerce o controlo político e a direção estratégica, sob a autoridade do Conselho e da Alta Representante. O trabalho do PSC é preparado pelo Grupo Nicolaidis14. O PSC é presidido por um representante da AR/VP.
O Comité para os Aspetos Civis de Gestão de Crises, Civilian Committee (CIVCOM)15 é um dos grupos de trabalho do Conselho sob a autoridade do COREPER
responsável por informar, recomendar e aconselhar, sob os aspetos civis de gestão de crises, o Conselho Político de Segurança. Tem um papel preponderante no desenvolvimento de conceitos e no planeamento de missões civis de gestão de crises, sendo também responsável pela elaboração de relatórios periódicos dessas missões. Contribui ainda, para o estabelecimento de mecanismos de troca de informação, coordenação e reação rápida entre a UE e os EM. É presidido por um representante da AR/VP.
O Comité Militar da União Europeia, European Union Military Committee (EUMC)16 é um dos órgãos do Conselho, composto pelos Chief of Defense17 (CHODs), representados pelos seus representantes militares (MilReps) em Bruxelas. É responsável pelo aconselhamento e recomendação ao PSC em todos os assuntos e atividades militares da UE. Tem um Presidente (Chairman) permanente, escolhido pelos CHODs e nomeado pelo Conselho. O Chairman (CEUMC) assiste às reuniões do Conselho, quando houver decisões a tomar no âmbito da defesa. O CEUMC é o principal conselheiro militar da AR/VP e o ponto de contato (POC) com os comandantes das operações militares da UE.
O Grupo Político-Militar, Political Military Group (PMG)18 é responsável pelos aspetos políticos dos assuntos civis e militares relacionados com a PCSD, incluindo os relacionados com as missões, operações, capacidades e conceitos, facilitando a troca de
14 Herdou esta designação por homenagem ao seu primeiro presidente (Chairman) 15 Mais detalhe em http://eeas.europa.eu/csdp/structures-instruments-agencies/index_en.htm
16 Mais detalhe em http://eeas.europa.eu/csdp/structures-instruments-agencies/index_en.htm
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Generais cujas designações diferem de acordo com os países, responsáveis pelas Forças Armadas. A designação NATO é Chief of Defense CHOD. No caso de Portugal é o Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas (CEMGFA)
informação e contribuindo para o desenvolvimento de políticas horizontais. Prepara as conclusões do Conselho, faz recomendações ao PSC e monitoriza a sua implementação. Coordena todas as atividades relacionadas com parcerias, relações NATO-UE, incluindo os exercícios.
O Grupo de Trabalho dos Conselheiros para as Relações Externas, Working Party of Foreign Relations Counsellors (RELEX)19 analisa todos os aspetos legais e financeiros de todos os instrumentos de PESC, incluindo os Representantes Especiais da UE (EU Special Representatives), não-proliferação, sanções e de PCSD. No âmbito da PCSD é responsável pelos aspetos institucionais, legais, logísticos e financeiros das missões e operações. Prepara todas as decisões do Conselho relacionadas com a parte financeira e submete-as para aprovação. É presidido por um representante da Presidência rotativa da UE.