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A Atualidade com Xi Jinping: A Continuidade e a Transformação

No documento III Seminário IDN Jovem (páginas 172-185)

Carolina Barata 1 Introdução

4. A Atualidade com Xi Jinping: A Continuidade e a Transformação

4.1 A Perceção dos Desafios pelo Actual Presidente Chinês

A perspetiva geopolítica da China foi expressamente apresentada por xi Jinping no início de 2017, quando referiu três pontos fundamentais: a multipolarização do mundo, a globalização da economia e a democratização das relações internacionais (Jinping, 2017c). Referiu também que, considerando que a conjuntura apresenta desafios e oportunidades para a China, esta deverá manter a sua estabilidade estratégica, confiança estratégica e paciência estratégica (Jinping, 2017c).

A referência à multipolarização do mundo deve-se ao facto de a China entender que o mundo não é unipolar e da sua perspetiva face à indesejabilidade de um poder hegemó- nico que anule e reprima outras potências. Na perspetiva chinesa, dado o crescimento e desenvolvimento de um conjunto de outras potências, entre as quais a China, o mundo deve ser entendido como multipolar e não unipolar ou uni-multipolar como defende Samuel Huntington (1999).

Quanto à referência à globalização da economia, xi Jinping entende que, se por um lado, a globalização tem potenciado o crescimento económico do país nas últimas três décadas e é sustentáculo do desenvolvimento do país, por outro, a China tem dado um importante contributo para o desenvolvimento estável da economia mundial.

A ideia de democratização das relações internacionais encontra-se relacionada com a perceção que o sistema internacional e as organizações internacionais são concebidas e dominadas pelo Ocidente. Esta ideia liga-se com a perspetiva chinesa de vitimização e humilhação sofridas com o imperialismo e pela exploração dos séculos xIx e xx. Assim, para a China, a democratização das relações internacionais passa pela criação de outros fóruns e sistemas, dado que, por exemplo, a China aposta na ASEAN e investiu recursos significativos em projetos de infraestrutura em toda a Ásia, incluindo o Asian Develop- ment Bank e o Asian Infrastructure Investment Bank. Passa ainda pela não-aceitação de

decisões do sistema pós II guerra Mundial em vigor quando, por exemplo, não reconhece a jurisdição de um tribunal de arbitragem em Haia sobre reivindicações territoriais no Mar do Sul da China.

Contudo, apesar da conjuntura apresentar desafios e oportunidades para a China, Xi Jinping considera que se regista uma tendência de prosperidade crescente na região Ásia- -Pacífico (Jinping, 2015e). Desta forma, a China continua num período de oportunidade estratégica que beneficiará o seu desenvolvimento e rejuvenescimento e, por conseguinte, a sua ambição.

De salientar que é sempre referida a importância do caminho traçado com base no socialismo de características chinesas, sendo enfatizada a necessidade de uma diplomacia de estilo chinês na articulação internacional (Jinping, 2016). Desta forma, continua a ser sublinhada a singularidade da China, registando-se um salto de uma lógica interna, do socialismo de características chinesas, para uma lógica externa, através da referência à diplomacia de estilo chinês.

4.2 As Prioridades de Xi Jinping

De referir que para cumprir os seus objetivos, a liderança chinesa tem gizado uma estratégia que tem uma vertente interna e uma vertente externa, com políticas e iniciativas que são desenvolvidas com vista a alcançar os objetivos traçados e a proteger os interes- ses definidos. Sendo que, no caso da China, “as decisões-chave são tomadas pelo Partido e as questões de política externa são vistas pelos dirigentes chineses como o prolonga- mento da política interna” (Romana, 2005, p. 47).

4.2.1 Estratégia para a Segurança Nacional

A segurança nacional tem-se tornado uma questão chave na agenda estratégica da China e uma constante no discurso de xi Jinping, à medida que a China ajusta o seu crescimento económico ao seu desenvolvimento e aos seus interesses. Têm surgido questões relacionadas com a segurança nacional, nomeadamente com questões internas, ligadas ao facto da China ser multiétnica e multilinguística e ligadas às contradições pro- vocadas pelas alterações económicas e sociais, e com desafios e ameaças externas, que podem colocar obstáculos à China na proteção e promoção de seus interesses.

Neste contexto foi criado em 2013 o Conselho de Segurança Nacional, órgão unifi- cado sob o comando do Partido, criado para se debruçar sobre as principais questões estratégicas e para auxiliar no processo de tomada de decisão para a implementação das estratégias de segurança nacional (You, 2016).

Este Conselho de Segurança Nacional unificou a política externa e interna de segu-

rança do país, significando a centralização de uma lógica mais ampla de segurança nacio- nal. Na primeira reunião do Conselho em 2014, xi Jinping articulou um conceito de

grande segurança, defendendo que a China deve ter uma abordagem global para a segu- rança nacional, de forma a garantir a paz e a estabilidade do país (Weixing, 2016). Ou seja,

a visão é que a prosperidade e estabilidade domésticas são a base para o caminho de desenvolvimento do país, do chamado rejuvenescimento nacional.

Também a nível interno, dado o crescimento económico e a dificuldade em distribuir a riqueza pela população, têm-se registado alguns protestos, como foram exemplo os protestos pró-democracia de 2014, em Hong Kong. Contudo, a quinta geração de líderes que assumiu os destinos do país em 2012, no 18.º Congresso do PCC, caracteriza-se por ser aberta e pragmática mas também nacionalista. Desta forma, a questão da segurança nacional tem sido articulada com a ideia de um nacionalismo chinês, no orgulho num país em desenvolvimento e afirmação que é utilizado retoricamente como instrumento polí- tico para mobilização popular e, assim, contribuir para a estabilidade do pais e para a legitimação da elite no poder. Legitimação esta que xi Jinping procurou cimentar no Congresso do PCC realizado em Outubro de 2017 e que lhe permitirá controlar eventu- ais descontentamentos e tentar impor reformas na economia chinesa.

4.2.2 Soberania

As Disputas no Mar do Sul da China

Os dois exemplos de referência são as disputas territoriais no Mar do Leste (nomea- damente as ilhas Senkaku) e no Mar do Sul da China (nomeadamente as ilhas Spratly), visíveis na figura 1. A China criou em 2013 uma Zona de Identificação de Defesa Aérea do Mar do Leste (ECS ADIZ) o que leva a crer que também criará o mesmo sistema para o Mar do Sul. Além disso, a criação da cidade de Sansha para administrar as ilhas Paracel, as ilhas Spratly e as ilhas Zhongsha, bem como a produção de ilhas artificiais, com a jus- tificação de consolidação da extensão terrestre da plataforma continental, significam uma nova abordagem para esta região.

A questão das ilhas no Mar do Sul da China encontra-se ligada ao controlo que a China pretende nesta região. Sendo apresentada como uma questão de soberania, o con- trolo das ilhas encontra-se relacionado com a garantia do comércio internacional e abaste- cimento do país, pelo que se articula com a proteção dos interesses económicos chineses. A China parece apostar em manobras ofensivas e em provocações, pretendendo demonstrar poder na região. Contudo, apesar do desenvolvimento de capacidades milita- res navais por parte da China, estas ainda são bastante limitadas. Esta atuação tem ainda consequências ao nível da estabilidade securitária na região, dado que os países vizinhos encaram com insegurança as pretensões e provocações chinesas. Por outro lado, os países vizinhos encaram com receio a contradição entre o discurso de um desenvolvimento pacífico, não hegemónico, e estas manobras de afirmação de soberania na região.

Assim, torna-se interessante verificar que apesar da retórica de cooperação e de esta- bilidade na região, a China tem também utilizado uma retórica de autodefesa, referindo no “China’s Military Strategy” de 2015 que não atacará a menos que seja atacada, afirmando

contudo que contra-atacará se atacada. Neste documento é ainda relevante verificar que é colocada ênfase na capacidade militar marítima em águas profundas (as denominadas “blue-waters”).

Nesta retórica de autodefesa, os restantes atores são encarados como ameaça e alvo de criticismo, principalmente no que respeita aos EUA, pelas suas bases na Coreia do Sul, Japão e Filipinas, aos aliados na região, como a índia e o Japão, e aos exercícios navais

conjuntos no Mar do Sul da China. O problema para a China é que o seu acesso marítimo é controlado pelos EUA, pelo que procura uma abertura para que possa controlar esse acesso vital.

Figura 1 – “Choke Points” Marítimos da China

Fonte: geopolitical Futures (CIA World Factbook, 2016)

Ao mesmo tempo, apesar do comportamento hostil, a China não chega a tomar ações hostis, trabalhando mais ao nível das perceções e de uma imagem de força na defesa da soberania que reclama do que em efetivas ações. Isto porque a China não pode desestabilizar a região ao máximo, dado que tal implicaria a interrupção da circulação marítima da qual dependem as suas importações e exportações.

Estas incursões marítimas estendem-se ainda até ao Oceano índico, provocando preocupações na índia. São exemplo os movimentos chineses no Oceano índico como o

envio de navios chineses para o Paquistão ou o estabelecimento de novos negócios de infraestrutura em países como o Sri Lanka. Este tipo de movimentos e investimentos gera assim tensões e desconfiança quanto às intenções e sobre a projeção de poder da China na região (eventual criação de bases), que chocam com os interesses indianos.

4.2.3 Estabilidade e Segurança da Região da Ásia-Pacífico

A Estabilidade na Região – Consolidar a Posição na Ásia

A China está focada em passar uma mensagem pacífica e de cooperação para a região contudo, existe ainda muita desconfiança nos países vizinhos relativamente às intenções chinesas e um receio relativo à forma como esta perspetiva a região (Imagem 2) e à even- tual hegemonia da China nessa mesma região.

Figura 2 – A Perspetiva da China

Fonte: geopolitical Futures (2016)

Com o crescimento económico registado e com a crescente importância enquanto ator regional e global, a China começou a esboçar um quadro de segurança na região, tentando moldar conceitos e instituições que espelham a sua visão para a região.

Em 2014, na conferência Interaction and Confidence Building Measures in Asia (CICA), o

Presidente xi apresentou o que denominou de “Novo Conceito de Segurança Asiático” (Jinping, 2014), abrangendo a cooperação sustentável e inclusiva para que as questões de segurança asiáticas sejam resolvidas pelos países da região.

Em 2016, a visão que seria apresentada um ano depois oficialmente foi preanun- ciada pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros no Fórum xiangshan, uma plata- forma para diálogo sobre segurança e defesa na Ásia patrocinada por duas entidades chinesas.

Assim, em janeiro de 2017, relativamente à sua segurança na Ásia-Pacífico e à sua posição na região, a par de algumas declarações efetuadas por xi Jinping e outros líderes, a China disponibilizou a sua visão no documento “China’s Policies on Asia-Pacific Security Cooperation”.

Neste documento, a China apela à construção de um novo modelo de relações inter- nacionais centrado numa cooperação mutuamente benéfica e, especificamente para a região, propõe um conceito de segurança comum, numa lógica de cooperação abran- gente, cooperativa e sustentável, sublinhando a necessidade de melhoria do quadro de segurança regional.

O documento apresenta ainda a visão da China para a arquitetura de segurança da região, identificando seis pontos fundamentais para a paz e estabilidade na região da Ásia- -Pacífico:

(1) Promover o desenvolvimento comum;

(2) Promover a construção de parcerias e fortalecer a base política;

(3) Reforço do atual quadro multilateral regional, melhorando e fortalecendo os mecanismos existentes;

(4) Promover a definição e salvaguarda de regras, seguindo as normas internacionais amplamente reconhecidas;

(5) Intensificar a cooperação militar;

(6) Resolver adequadamente as disputas mantendo um ambiente sólido de paz e estabilidade na região da Ásia-Pacífico.

De salientar que a China tem criado instituições regionais que são estruturas asiáticas, independentes do Ocidente, e dirigidas pela própria China, que lhes dá impulso e as financia. São exemplo:

• O Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB) criada em 2014, cujo objetivo é facilitar a integração regional na Ásia e substituir o Banco Asiático de Desenvolvi- mento.

• A ideia proposta por Xi Jinping em 2014 na Cimeira da APEC para o estabeleci- mento de uma “Área de Livre Comércio APEC”, que é vista como a intenção da China de extensão da Regional Comprehensive Economic Partnership (RCEP) e para con-

testar a Parceria Trans-Pacífico (TPP).

De sublinhar também a “One Belt, One Road Initiative” (OBOR), anunciada por Ji

xinping em 2013 e novamente reforçada em 2017. Trata-se de um projeto que visa ligar o noroeste da China à Europa através de uma de corredores terrestres e marítimos, fazendo ligações através da Ásia Central, Sudeste Asiático e África Oriental.

Esta iniciativa, a ser concretizada, possibilitará a projeção consolidada da China e a mitigação das vulnerabilidades decorrentes da sua dependência a nível comercial e de abastecimento energético do Índico, do Pacífico e do Estreito de Malaca. Este projeto poderá permitir ainda desenvolver o país a oeste, região pouco desenvolvida atualmente. Em termos estratégico, será também uma iniciativa que poderá equilibrar a influência da China em relação à Rússia na Ásia Central e, num todo, criar uma dependência estrutural dos países envolvidos para com a economia chinesa. Realizando-se a iniciativa em pleno,

a China poderá regressar à condição de potência hegemónica na Ásia e alcançar o refe- rido Chinese Dream. Contudo, nesta iniciativa, como noutras, existirão sempre obstáculos,

principalmente políticos, dado que para além da desconfiança em relação à intenções chinesas e do receio de dependência por parte de outros países, estas iniciativas colidem com os interesses de outras potências, sejam elas regionais ou mesmo os EUA.

Assim, pode-se depreender que a China enfatiza o desenvolvimento e a cooperação, dando primazia à região da Ásia-Pacífico. Ou seja, trata-se de uma visão que procura a estabilidade e cooperação na região para fortalecimento da sua posição nessa mesma região.

Desta forma, a China procura assumir um papel preponderante nestas estruturas regionais, sendo um “maker” e “shaper” desta arquitetura. Por esta via, a China parecer

querer moldar as estruturas de acordo com a sua visão, estando disposta a utilizar o seu poder de influência para alterar o ambiente a seu favor.

4.3 A Abrangência na Atuação: Diplomacia Económica, Soft Power e

Prestígio

A política externa da China tem sido historicamente definida por interesses regionais e, a nível das organizações internacionais, como por exemplo na ONU, por se pautar por uma abstenção na tomada de decisão no que respeita aos conflitos internacionais e por uma postura neutral. Contudo, nos últimos anos, é possível verificar uma extensão dos interesses a nível mais alargado que o local e regional, verificando-se a assunção de posições em relação a determinados conflitos que até então não tinha acontecido. Veja-se, a título de exemplo, a postura em relação à Síria, a aproximação ao Paquistão, a posição em relação ao Afeganistão e na questão Norte Coreana.

A China começa assim a assumir algumas posições, dado que o seu poder e influên- cia lhe permitem uma vantagem diplomática em determinadas questões e porque pre- tende aumentar o seu prestígio a nível global, em busca do lugar de grande potência. A este nível, é também de salientar e incorporação do yuan em 2016 no cabaz de moedas do FMI, o que tem sido usado internamente para estimular o orgulho na posição cada vez mais relevante que o país assume e assim continuar a legitimar a liderança e o caminho traçado. A este nível, xi Jinping refere inclusive a necessidade de criatividade do país ser ativo nas relações internacionais, por forma a realizar o Chinese Dream e o rejuvenesci-

mento nacional (Jinping, 2014b).

A nível da extensão da influência da China, de salientar também a construção de uma rede de investimentos por todo o mundo, com relevância para as suas atividades e inves- timentos em África. A China aposta em África por razões estratégicas, nomeadamente, o acesso às matérias-primas baratas que alimentam a sua economia, sendo o maior parceiro comercial de África sendo que, de acordo com o “Trade Map”, cerca de 12% de todas as exportações para fora da África vão para a China. A par da relação comercial, a China é também uma grande financiadora de Estados africanos, sendo uma forma de afirmação no continente e de aumentar o seu prestígio e afirmação internacionais.

Figura 3 – Maiores Destinos de Exportação dos Países Africanos em 2015

Fonte: geopolitical Futures, 2016 (Trade Map)

Em relação a outras regiões, de referir que, em 2013, foi criado e sediado em xangai, o Banco de Desenvolvimento do BRICS, sendo que a China contribui para quase metade do fundo de reserva de emergência do banco.

Relativamente à Europa, de salientar o papel da China no controlo da crise financeira e económica de 2008/2009, através da aquisição de parte das dívidas soberanas de países da eurozona em 2010 e de dívida norte-americana.

Além disso, a aposta no sector da construção, especialmente de infraestruturas em determinados países tem também um significado geopolítico, como são exemplo o pro- jeto do canal da Nicarágua e do canal Kra da Tailândia, o projeto Twin Ocean Railroad Connection da América do Sul e a base naval no Djibouti.

Desta forma, com um jogo entre diplomacia económica, soft power, prestígio e pro-

ses, influenciar o ambiente estratégico em seu proveito e consolidar a sua influência na Ásia, bem como noutros continentes.

5. Considerações Finais

Através da análise dos documentos mencionados e dos discursos referidos, é possí- vel salientar a existência de uma ambição e de objetivos nacionais permanentes, que se destinam a garantir a manutenção uma posição favorável ao país.

é possível sublinhar duas variáveis no discurso que têm sido base e estímulo da estratégica gizada. Por um lado, é explorada a memória histórica, sendo salientada a humilhação do país sofreu por parte de outras potências e, simultaneamente, é exaltado o facto de ser uma grande civilização e de ser historicamente seu um lugar no seio das grandes potências. Estas duas variáveis são conjugadas e exploradas junto da população, dado que a liderança chinesa traçou uma visão específica sobre papel da China no mundo. Podemos considerar que existe uma estratégia pensada, com ambições, objetivos e interesses, que passam pelo crescimento económico e desenvolvimento do país, pela garantia da sua soberania, independência, integridade territorial e pela estabilidade polí- tica e social sob a égide do PCC.

Desta forma, pode-se concluir que existe um pensamento estratégico e uma cultura estratégica nos líderes chineses, que têm impregnada uma visão de longo termo que espe- lha as ambições chinesas. Assim, é central a preocupação da liderança chinesa com pros- secução dos objetivos traçados e com a garantia dos interesses do país, a nível interno e externo, que geram uma cultura estratégica de eficiência com base num nacionalismo que caracteriza a quinta geração no poder atualmente.

Como referido, os objetivos ligados ao desenvolvimento, segurança nacional e esta- bilidade interna são variáveis constantes cuja articulação parece cada vez maior, numa conjuntura de globalização. Assim, sendo a economia chinesa um dos motores do cresci- mento global, apesar do ambiente estratégico se revelar incerto, este pode simultanea- mente entendido como oportunidade para a China.

Com Xi Jinping, podem ser identificados traços e iniciativas mais pró-ativos e con- fiantes de política externa em relação aos seus predecessores. Face ao crescimento eco- nómico, às capacidades desenvolvidas e em desenvolvimento, a China apresenta-se com maior confiança e voz no sistema internacional. Desta forma, procura maximizar os benefícios e projetar poder e influência a nível regional e global na defesa dos seus inte- resses. Ou seja, através da adoção de uma postura mais assertiva, a China pretende demonstrar poder e capacidade de influência e transmitir que não abdicará na defesa dos seus interesses. Contudo, persiste a questão se China conseguirá manter o grau de cresci- mento económico e aumentar o grau de desenvolvimento da população sem uma reforma política fundamental.

Face ao exposto, podemos considerar que é vital para a China alcançar a sua ambição de rejuvenescimento nacional e de retoma de um lugar de grande potência, bem como a garantia dos seus interesses e a projeção de segurança e estabilidade para o resto da Ásia, através da cooperação na região em diversos fóruns asiáticos.

Contudo, a cooperação desenvolvida com outras partes como com África e a Amé- rica Latina, e a proposta de iniciativas como a OBOR parecem revelar ambições diferen- tes e mais alargadas de projeção de influência em termos globais. A China parece entrar numa fase de expansão geoestratégica, assumindo uma postura ativa, diferente da discri- ção com que até então se pautava. A Ásia está a mudar, bem como a China, que parece procurar projetar o poder político e capacidade de influência que o crescimento econó-

No documento III Seminário IDN Jovem (páginas 172-185)