• Nenhum resultado encontrado

Coube ao TCE proceder, a cada ano, a auditoria do Programa Bahia Azul. Para isso, contou com uma equipe de acompanhamento.

Na auditoria realizada em outubro de 2000 sobre o Programa de Modernização do Setor

Saneamento (PMSS), integrante do Programa Bahia Azul, o TCE constatou que a coorde- nação do PMSS não dispôs de um sistema estruturado de planejamento, o que dificultou o acompanhamento e a avaliação da execução de cada componente do Programa. (BAHIA. Tribunal de Contas do Estado, 2000, p. 10) Além disso, segundo o TCE, a Unidade Executora do Programa BTS não realizou, de forma sistemática, o acompanhamento e avaliação da execução do PMSS com relação às ações previstas, metas alcançadas, prazos, preços e quantitativos contratados, atribuição conferida a essa Unidade pelo Decreto no 5.205/1996.

Sobre o Programa Bahia Azul, a auditoria do TCE registrou que

[...] em ambas as vertentes (oceânica e BTS), os serviços de recalque e estações eleva- tórias ainda não foram concluídos até o momento, enquanto em relação aos intercep- tores, apenas encontram-se executados os trechos pertencentes às sub-bacias de Tripas e Baixo Pituaçu. (BAHIA. Tribunal de Contas do Estado, 2000, p. 31)

O TCE afirmou ainda que

Mesmo nas bacias onde já foram implantadas redes coletoras de esgoto, ainda obser- va-se a presença de esgoto nos córregos e galerias de drenagem. [...] Ainda existem liga- ções clandestinas nas galerias de drenagem, fossas sépticas que ainda não foram desa- tivadas e outras soluções inadequadas que comprometem o efeito destas obras nestas áreas. [...] exige uma reavaliação da importância do trabalho das ligações domiciliares e identificação de áreas ainda não atendidas dentro dessas bacias, visando plenamente

atender a população com condições sanitárias adequadas. (BAHIA. Tribunal de Contas do Estado, 2000, p. 32-33)

Em 2001, o TCE ao avaliar o desempenho da gestão do Programa Bahia Azul, destacou que:

Da análise dos índices de eficácia e eficiência, conclui-se que a Embasa, a Conder e a Prefeitura Municipal do Salvador, órgãos co-executores do Programa, não vêm tendo o desempenho esperado na gestão de recursos públicos, tendo em vista que a relação entre as metas previstas e realizadas e dos respectivos prazos e custos revela nível de desempenho insatisfatório. Registre-se, que os prazos previstos para a execução das obras apresentam-se, parcialmente, comprometido em sua estimativa, vez que as enti- dades não elaboram projetos básicos nos moldes estabelecidos na Lei no 8.666/93. (BAHIA. Tribunal de Contas do Estado, 2001, p. 65)

Sobre o sistema de esgotamento sanitário de Salvador, o TCE faz uma série de reco- mendações, tais como: priorização por parte da Embasa da execução de ligações domici- liares; realização de monitorização das águas da BTS; manutenção periódica e preventiva dos equipamentos de bombeio; realização de limpeza e remoção periódica de resíduos acumulados nas elevatórias; e realização periódica de programa de educação ambiental. O relatório é concluído com uma série de observações, podendo-se destacar a seguinte:

[...] no gerenciamento/operacionalização do Programa Bahia Azul, que tem como obje- tivo melhorar a qualidade de vida da população de Salvador e das cidades do entorno da Baía de Todos os Santos, mediante intervenções integradas em saneamento ambiental, há deficiências que comprometem a efetividade do Programa e afetam a eficácia, efi- ciência, economicidade na gestão de recursos públicos [...]. (BAHIA. Tribunal de Contas do Estado, 2001, p. 89-90)

Já a auditoria do TCE de dezembro de 2003 destacou que a Embasa buscou eliminar os principais focos de poluição das praias de Salvador, mas o rio das Pedras continua rece- bendo esgotos no seu percurso, contribuindo para a poluição da praia da Boca do Rio. As captações de tempo seco, que tinham por objetivo reduzir a vazão de esgotos lançadas

nas praias, foram consideradas provisórias pelo Tribunal, tendo este recomendado a elimi- nação dessas captações após a conclusão das obras, na expectativa de que as águas dos rios e do mar pudessem ser despoluídas, como previa o Programa. O TCE também fez refe- rência ao Programa de Educação Sanitária e Ambiental, considerando que este “[...] não apre- sentou a continuidade e amplitude devida, sendo, portanto, insuficientes para sensibilizar e conscientizar a população da importância do Programa, colocando em risco o sucesso de suas realizações”. (BAHIA. Tribunal de Contas do Estado, 2003, p. 25) Quanto às ações no sistema de esgotamento sanitário de Salvador, segundo o TCE, “[...] a quantidade de

ligações intradomiciliares executadas não é considerada suficiente [...]”. (BAHIA. Tribunal de Contas do Estado, 2003, p. 22)

O TCE observou também que as metas de redução de descargas na Baía de Todos os Santos não foram integralmente atingidas. (BAHIA. Tribunal de Contas do Estado, 2003) O Tribunal solicitou uma série de informações à Coordenação do Programa, não tendo obtido resposta até o final dos trabalhos da auditoria. Quanto ao então CRA, o TCE fez questionamento quanto às providências adotadas em face do não atendimento das metas, porém também não obteve resposta. De modo geral, houve uma queixa do TCE com relação ao não fornecimento de informações por parte da Coordenação do Programa (UEP), da Embasa, da Secretaria da Fazenda e do CRA, o que, na avaliação do Tribunal, determinou limitações na realização da auditoria.

Em 2005, a auditoria do TCE indicou importantes limites do Programa:

a) O rio Camarajipe transformou-se em um canal de águas residuárias. (BAHIA. Tribunal de Contas do Estado, 2005);

b) “[...] embora o BTS tenha cumprido as metas físicas, persiste a poluição de rios e cór- regos, decorrente da insuficiente quantidade de ligações intradomiciliares de esgoto executada, que não garante o alcance dos objetivos previstos e o consequente retorno social e financeiro dos investimentos realizados. Cite-se, ainda, que não foi alcançado o percentual de 80% da população de Salvador com cobertura de esgotamento sanitário previsto no PPA 2000-2003”. (BAHIA. Tribunal de Contas do Estado, 2005, p.15) c) “[...] não há equidade no atendimento com serviços de esgotamento sanitário nas áreas

com maior deficit sócio-sanitário e que a quantidade de ligações executadas não é sufi- ciente para atender à população...”. (BAHIA. Tribunal de Contas do Estado, 2005, p.18) d) “[...] pode-se concluir que em Salvador as redes de esgotamento sanitário apresentam

problemas de conservação nas áreas mais pobres e estão em aparente bom estado nas áreas onde a população residente possui um maior poder aquisitivo”. (BAHIA. Tribunal de Contas do Estado, 2005, p. 20)

e) “A melhoria da condição de balneabilidade das praias deve-se, em parte, à existência de 41 captações em tempo seco [embora conste no Plano Diretor de Esgotos de Salvador e Lauro de Freitas, revisado e atualizado em 2003, que existiam 150], que desviam para os interceptores ligados à ECP do Rio Vermelho a carga de esgotos que seria lançada nas praias pelos rios e riachos ainda poluídos. Entretanto, quando chove, as captações não suportam as vazões provenientes dos rios e riachos, que seguem o seu curso normal, voltando a poluir as praias”. (BAHIA. Tribunal de Contas do Estado, 2005, p. 25)