Nenhum desses distritos urbanos estudados dispõe de sistema de esgoto. É um fato notório para aqueles que vivem na Baixa da Soronha as duas razões relacionadas com falta do sistema de esgoto: 1) é uma área ocupada que se situa numa encosta e, portanto, extre- mamente vulnerável a inundações durante a estação chuvosa; 2) é uma área densamente povoada, com esgotos a céu aberto expostos no meio das ruas estreitas, fato que representa um risco para a saúde das crianças.
Em Nova Constituinte, os esgotos a céu aberto e canais ou valas desprendem um cheiro similar, mas são menos visíveis porque há uma menor densidade de população e a área habi- tada está numa colina, o que facilita o escoamento da água. Para os moradores, as melhorias para seu distrito e condições de habitação estão diretamente associadas à construção de um sistema de esgoto e um banheiro. Eles consideram a construção de um sistema de esgoto como um direito público, mas essa realidade está condicionada a promessas políticas ou eleitoreiras. Assim, os habitantes reconhecem que são objeto das campanhas eleitorais e esse conhecimento, por sua vez, os torna ainda mais conscientes da situação de exclusão em que se encontram. Sobre esse assunto, Iara (moradora de Nova Constituinte) acredita que a questão de um sistema de esgoto é uma armadilha eleitoral porque assim que o candidato ganha as eleições se esquece dos seus compromissos eleitorais:
Nosso prefeito, Imbassahy, deve deixar a gente viver aqui porque quando ele tava concor- rendo pra prefeito ele foi cima e para baixo, apertando as mãos das pessoas, olhando para o nosso problema... de perto. Ele foi até a parte onde a água suja escorre, desceu para ver o que poderia ser feito, assim haveria menos contaminação para as pessoas. Agora, a única coisa que ele faz é se interessar pelo centro da cidade, melhorando os pontos turísticos, se esquecendo dos trabalhadores que o ajudaram a se eleger prefeito. Ah! Porque sofremos no meio de chuvas e mais chuvas para obter votos para que ele fosse eleito. Ele tem que pagar essa dívida com o povo de Nova Constituinte, Imbassahy. (Iara, Nova Constituinte,
3/06/1998)
Para os habitantes da Baixa da Soronha, os problemas de saúde estão relacionados à falta de condições sanitárias e, nas palavras de Lúcia (moradora), os técnicos da Prefeitura, após uma série de visitas a área, informaram quais seriam as condições insalubres de habi- tação nessa zona urbana.
Durante o período eleitoral, porque eles aparecem aqui muito mais quando é hora de votar [...], as ruas estão cheias. Uma vez um monte de gente apareceu aqui, as pastas nas mãos tomando notas sobre quem sabe o quê, e um deles disse: “Quem disse que vocês podiam construir sua casa sobre estes esgotos?” Eles conversaram. Muita gente falou sobre isto: “Quem disse que vocês podiam construir sua casa sobre esses esgotos?”. Assim, essas pes- soas que apareceram na rua passaram seu tempo medindo a ruas, uma por uma, eles são da Prefeitura. Este é mais um problema de saúde por causa do esgoto. (Lucia, Baixa da
Soronha, 24/10/1998)
Para os moradores, a solução para o problema do sistema de esgoto é uma questão de responsabilidade política. Na falta de políticas públicas adequadas, a solução apresentada é tentar resolver individualmente o problema de alagamento pela simples recanalização da água dos esgotos que passam na frente das casas. Na opinião de algumas mulheres, a falta de responsabilidade política, de modo algum isenta as pessoas da área de tomar medidas para evitar acidentes. Inundações nas casas também podem ser causadas pela água do esgoto misturado com águas pluviais pela filtragem ou por canos quebrados que canalizam a água dos banheiros para a fossa séptica. As pessoas da área também acreditam que essas inundações dos esgotos são resultado da falta de responsabilidade dentro do bairro, porque eles não constroem valas para redirecionar o fluxo de água.
Durante o processo de ocupação de um pedaço de terra em Nova Constituinte, a cons- trução de uma espécie de tanque séptico, sob a forma de um buraco fundo, foi a opção encontrada por algumas famílias, na tentativa de se livrarem do excremento humano. As poucas mulheres que têm esse tipo de tanque séptico queixam-se da manutenção e da
péssima qualidade da construção, que pode conduzir a água pela filtragem ou por bloqueios, o que acaba tornando a situação ainda pior, somando-se ao problema de tentar manter a casa limpa. No caso de Rosa (moradora), o problema principal é a construção por causa do fluxo de água no subsolo. Ela mesma reconhece a necessidade de um sistema de esgoto:
[...] O meu problema aqui é o esgoto, a gente não tem um sistema de esgoto. Eu cavei um buraco no final do quintal, um tipo de fossa séptica, e a água escoou para fora. Eu tive que cobrir tudo. Eu cavei outro e água também escoou para fora. Então, para melhorar as coisas por aqui, eu acho que [precisamos de] um sistema de esgoto, não tanto para a água, tem água, mesmo se ficar dois ou três dias sem água, a gente sempre tem água. Em outros lugares, eles ficam duas semanas ou até um mês sem água. Para mim, a água não é uma grande coisa. O pior é a rede de esgoto. Esta rua é cheia de lama e quando chove, a gente escorrega muito. (Rosa, Nova Constituinte, 5/08/98)
As águas sujas são as águas dos esgotos que atravessam os quintais, as ruas e os canais abertos. As águas sujas são definidas como aquelas resultantes da lavagem de roupa, louças e águas mais contaminadas onde se misturam a urina e fezes. A maioria das famílias da Baixa da Soronha tem um banheiro, mas o cano de esgoto vai diretamente para o canal aberto.
No caso da Nova Constituinte, a maioria das famílias usa o “balão” como método para se livrar de excrementos. O excremento é depositado em jornais ou sacos de plástico e depois colocado no lixo próximo da casa ou em algum rio das proximidades, que vira o esgoto para as casas em Vista Alegre. Apenas três famílias tem um banheiro e construíram as suas próprias fossas sépticas. Embora essas famílias reconheçam que essas fossas requerem manutenção, nenhuma delas está em condição de proporcionar a manutenção necessária e dispendiosa, a fim de manter certo nível de limpeza nos tanques. Por conseguinte, quando o tanque séptico está cheio, a solução mais comum é construir outro perto da casa, enquanto para outros a solução está condicionada à canalização de água corrente, geralmente locali- zada mais acima, a partir do tanque séptico:
O pouco que eu aprendi me ensinou que a gente deve ter cuidado com o tanque séptico. A água não deve entrar em contato com os locais contaminados, porque isso significa a
nossa saúde. A gente já é pobre, não tem dinheiro para gastar com uma boa alimentação, por que é que vai gastar com medicação? A gente não pode! Então, a gente vai colocar outro tubo [...] e colocar pra poder usar o tanque séptico na frente. A gente vai ter um tubo que vai deixar a gente respirar, então não vai ter mais mau cheiro dentro de casa. (Iara,
Nova Constituinte, 3/06/98).
Em alguns casos as pessoas queimam os excrementos, no entanto, outros preferem enterrá-los no seu próprio quintal ao invés de levá-los para o depósito de lixo:
Você faz um buraco bem fundo no jardim perto da casa e fica lá e joga lá... Quando fica quase cheia a gente cobre e faz outro buraco [...]. Dizem que é melhor jogar fora, mas mesmo que seja em um saco fechado dentro de outro saco fechado o cheiro ainda sai. É por isso que eu não concordo com isso, porque o mau cheiro fica no quintal. Eu prefiro enterrar [...] Eles dizem que é melhor enterrar. (Milena, Nova Constituinte, 29/07/98)
Além disso, o “balão” pode até causar brigas entre vizinhos em muitas ocasiões. Por exemplo, Marli (moradora) decidiu parar de jogar fora os excrementos perto da casa de seu vizinho para evitar queixas. O resultado dos argumentos e ameaças de denunciá-la às auto- ridades públicas de saúde mudaram sua maneira de pensar:
A gente não tem banheiro, se precisamos ir ao banheiro, temos de ir lá embaixo, no rio lá embaixo, nos arbustos lá embaixo, que é onde a gente tem de fazer tudo. Se eu tiver que ir, eu tenho de ir! Podemos fazer nossos negócios à noite ir lá e despejar. De qualquer forma, podemos fazer nos arbustos, naquele rio maluco lá, qualquer coisa. Um esgoto! Temos fazer todos os nossos negócios lá, despejar lá, porque antes, eu não vou negar, eu costu- mava despejar por aqui. Quando havia arbustos, os grandes arbustos embaixo da árvore de araçá, que é onde a gente estava habituada a despejar. Porque depois de tantas reclamações, quando as pessoas estão no próprio inferno eles só querem discutir. Eu não gosto de discutir as coisas com ninguém. Eu não gosto de discutir as coisas, se eu tiver que discutir com uma
pessoa, eu vou lá e dou um soco na boca, eu sou a favor de sentar e bater na cara. Eu não discuto as coisas, eu não tenho paciência pra isso [...] Eu jogava lá, de tempos em tempos eu fiz, eu não vou negar, porque eu não sou uma mentirosa. Então, a gente se acostumou a juntar e despejar lá, ele e as crianças como eu, todo mundo jogava lá, mas para evitar discussões, porque teve um que disse que ia chamar as autoridades de saúde, eu não sei, eu não sei! Discutia e eu ouvi lá da porta, ele não me viu. Eu perguntei a ele: “O que você tá falando?” E quando ele começou a falar da gente, a gente já tinha parado de despejar lá, quando ele começou a falar da gente, a gente já não tava mais fazendo o “balão”, que jogava lá embaixo! À noite, eu usava (os arbustos), porque gente pode querer ir a qualquer momento, de dia ou de noite. Meia-noite, a qualquer hora. A gente vai para fora, nos arbustos e não há como saber quem está lá embaixo. Eu parei de jogar as coisas prá faz uns três meses. (Marli, Nova Constituinte, 16/03/98)
As mulheres são de opinião que o projeto Bahia Azul irá melhorar as condições sanitárias. Mas os atrasos na construção, o aumento da lama nas ruas e a falta de segurança durante os trabalhos de construção têm gerado mais dificuldades para as pessoas que ali vivem, resultando em acidentes, como os que envolveram crianças, e até mesmo adultos, durante o período da pesquisa. O risco de acidentes ocasionados pela construção dos esgotos é uma constante preocupação:
Aqueles do Bahia Azul vieram aqui, colocaram as tampas aqui. Quando Bahia Azul voltou, ou outra empresa, e terminou o trabalho, depois tudo vai ser escavado outra vez, o que eu quero dizer é que vai ter mais lama, mais buracos e muita gente vai cair. Eu também caí, por causa dos problemas com a Bahia Azul. Eles cavaram aqui e encheu de lama, eu vim e caí perto da minha porta da frente. Se eu batesse com a cabeça contra uma dessas tampas de esgotos eu poderia ter morrido. Por que não terminar o trabalho todo ao mesmo tempo? [...] Então, ele caiu (ou seja, seu filho mais novo), ele escorregou de novo e só parou no esgoto [...] Eles deveriam ter feito todo o canal, mas eles só fizeram isso. Então, eles vão voltar e fazer novamente? Eu acho que há um monte de trabalho duro aqui, um monte um trabalho mal feito e eles não notam que a gente não tem isso! Eu mesmo cavei duas fossas sépticas, eu não estou em posição para colocar uma aqui, porque ela iria encher com água.
(Rosa, Nova Constituinte, 15/05/98)
Quando a obra foi concluída, as tampas que cobrem o esgoto nas ruas ficaram presas e se tornaram um perigo para as crianças. Aqueles que eram a favor do programa de elimi- nação de águas residuais mudaram rapidamente de ideia quando o povo teve de lidar com os problemas relacionados ao trabalho de construção (lama, buracos, acidentes etc.) A falta de informações sobre o valor das taxas para fazer a ligação das casas ao sistema era uma grande preocupação para a pessoa que agiu como intermediário para o programa Bahia
Azul na região. Nenhuma informação a respeito do valor das taxas foi dada aos moradores que participaram desta pesquisa.
O grau de desinformação sobre como e quando os domicílios seriam ligados ao sistema de esgoto central e o medo de multas em caso das inevitáveis ligações clandestinas à rede de esgoto são apenas alguns dos principais problemas que as mulheres associaram à cons- trução do Projeto Bahia Azul. Gostaríamos de deixar claro que a perspectiva de implantação básica da eliminação das águas residuais é vista por essas mulheres como um benefício à saúde. Entretanto, o período de espera envolvido para atingir esse objetivo torna mais evidente os problemas enfrentados pelos moradores porque, ao mesmo tempo em que pessoas são obrigadas a mudar seus hábitos diários, elas também têm de enfrentar novas dificuldades. Isto é, a lama, os buracos, os enormes tubos de cimento espalhados por todos os lados, que são causa de quedas e resultam em reclamações contra o que, de fato, deve ser um direito para os habitantes. Na narração que segue, uma mulher tem medo de ser multada por fazer uma conexão doméstica para o sistema de esgoto, antes do mesmo ser instalado e entrar em funcionamento. Sobre esse assunto, Rosa deu um exemplo de uma vizinha que havia secretamente ligado sua rede doméstica à rede de esgoto e foi advertida pelo engenheiro de que se ela não desfizesse a ligação seria multada:
Eu descobri que eles estavam em Nova Constituinte, que vieram aqui dizendo que iam construir um sistema de esgoto. Eu fiquei, eu queria saber sobre isso. Um sistema de esgoto? Quando eu cheguei aqui perguntei a eles. Eles me disseram: “É o Bahia Azul, que vai cons- truir um sistema esgoto e você não vai ter mais problemas para ligar a sua casa com a fossa séptica e de lá para a rua. Você não terá que construir uma fossa séptica na parte de trás do quintal, você será capaz de tomar um banho, ligar a água, tudo”. Ele me disse: “Nós não vamos cavar a rua inteira”. Eles colocaram um esgoto e os canos. Mas, até agora, eles só colocaram os esgotos e canos, mas não há lugar para fazer a ligação e fazer uso do pro- grama Bahia Azul, por que elas estão bloqueadas. Eles construíram um sistema de esgoto, mas não podemos usá-lo. Se a gente tentar usar, a multa é de dois salários mínimos. [...].
(Rosa, Nova Constituinte, 5/08/98)
Na ocupação da Baixa da Soronha, onde o sistema de esgoto foi construído durante o período de coleta de dados para esta pesquisa, as mulheres expressaram opiniões diferentes de suspeita e desconfiança sobre as promessas da Prefeitura da cidade sobre o inteiro pro- grama de eliminação de águas residuais:
Os mesmos vereadores sabem sobre isso aqui. Eles sabem do que se trata. Eles estiveram aqui várias vezes, os políticos... Tivemos um monte de conversas com os políticos, vieram aqui um monte de vezes, incluindo os engenheiros da CODESAL, pessoas do conselho, o prefeito, vereadores da cidade. Todos sabem sobre isso [...]. Bahia Azul é um projeto de rede de esgoto para a cidade, não é? Mas o Bahia Azul, que vai cuidar dos esgotos não é a única coisa que me interessa. Este projeto... depois de quatro reuniões, juntaram as pessoas e explicaram que seria construído entre novembro e janeiro. A gente teves reuniões em uma empresa aqui [...] E esse grupo foi na última reunião no Music Hall, no Largo de Abaeté.
[...] Um político, um e outro, avaliou que deve ser desta forma, outro avaliou que algo mais deve ser feito, e outro que nada mais deve ser acrescentado, mas a promessa era tão grande que havia pessoas lá das URBIS, da Caixa Econômica ... Então ... para aqueles que enten- deram que não havia problema, não ia ser um problema [...]. A promessa era que ia ser feito entre novembro e janeiro. Estamos agora em maio [...]. Bahia Azul não vai participar do trabalho. (Jorge, Baixa da Soronha, 08/05/98)
Em Nova Constituinte, as mulheres consideram o que elas vão fazer no futuro, quando o
Programa Bahia Azul de eliminação de águas residuais entrar em vigor. Algumas delas estão adiando certas alterações em suas casas e estão planejando a construção de um banheiro para quando puderem conectá-lo à rede de esgoto:
Eu queria colocar uma casa de banho (aponta para o banheiro) e um vaso sanitário... Toda a obra, porque a instalação já está feita [ela quer dizer que o esgoto Bahía Azul já está pronto], e eu vou construir o meu banheiro [...] quando eu tiver o dinheiro [...]. (Ana Luiza,
Nova Constituinte, 31/03/98)
Saúde e saneamento
As narrativas mostram uma associação direta entre saneamento básico e saúde. A relação é qualitativamente proporcional, isto é, uma melhor qualidade de saneamento
aumenta o nível de saúde de uma pessoa. Para os habitantes que querem gozar de boa saúde são necessárias uma dieta saudável, um sistema de esgoto eficiente e um serviço de coleta de lixo. Sobre esse ponto, Deuzita (moradora) destaca o sistema esgoto como um elemento principal para a saúde das crianças:
– Esse esgoto que corre ao longo da parte de trás da casa é prejudicial e muito, muito mais
que isso.
– Como você acha que esse problema de esgoto para a comunidade pode ser resolvido? – Basta fazer um canal, que é o que o Bahia Azul está fazendo no momento. Eles estão
fazendo o canal, é a única coisa. (Deuzita, Baixa da Soronha, 4/08/98)
Entre as representações relativas aos esgotos, é a presença de excrementos a que sim- boliza a maior ameaça para a saúde. O esgoto significa uma estratégia para a eliminação de excrementos. Além da situação de acumulação de excrementos nos esgotos, existe a possibilidade de contaminação pela água de chuva com o refugo sendo misturado com água corrente devido à condição precária dos tubos. A falta de manutenção por parte da com- panhia de águas (Embasa) só favorece a proliferação de doenças, como Iara bem observou, especialmente em relação à diarreia:
Há um tipo de diarreia que é causada pelo acúmulo de todo o lixo que é jogado fora, há um monte de moscas, mosquitos, e lama e eles entram no sistema de esgoto. Você tem de ver a quantidade de tubos que se quebraram! Aqui há um monte de tubos construídos pela EMBASA que se quebraram. (Iara, Nova Constituinte, 3/06/98)
O aumento de esgotos abertos, o mau cheiro que eles exalam e os mosquitos são a causa da maioria das doenças com que as pessoas daqui estão familiarizadas e que só podem ser evitados pela construção de um sistema de esgoto que é responsabilidade do Estado. Para reduzir o risco de contaminação ambiental causada pelos esgotos abertos, os moradores são da opinião de que as políticas urbanas desenvolvidas no Brasil têm que mudar, a fim de beneficiar os habitantes que vivem em condições precárias. A relação entre os problemas do ambiente e a falta de interesse político por mudar essa realidade é fundamental para a compreensão da seguinte narrativa que diz respeito à transmissão de doenças:
[...] Havia tantas pessoas que apresentavam queixas sobre os esgotos, que eram um perigo para as crianças, que causavam infecção no intestino, tantas coisas, que provocavam can- saço, falta de ar, tudo o que estava acontecendo no Brasil. E assim eu também reclamava disso, por causa do tempo esses esgotos miseráveis têm ficado aqui, enxames de insetos [...] Eu não acredito que Deus vai trazer alguma doença para ninguém [...]. Aqui no Brasil há muito a ser feito e o presidente e os vereadores não fazem. No final do dia é a pessoa que vive aqui que sofre. Eles precisam trabalhar sério nesses esgotos. Tudo é pressa, pressa, pressa nesta terra por causa desses esgotos, e só vai parar quando eles corrigirem esse esgoto. Tem dias que esses esgotos fedem... você vai acreditar no fedor! Isso só traz coisas ruins para o povo porque isso nunca vai trazer nada de bom. A água escorrendo lá está contaminada, é como uma bomba prestes a explodir. (Ivana, Nova Constituinte, 1/04/98)
O aumento da presença de mosquitos está diretamente relacionado com o acúmulo de água, seja de esgotos, canais, valas ou baldes onde a água limpa é armazenada. As mulheres