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Uma das formas de se avaliar o desempenho de uma entidade consiste em analisar os indicadores, os quais podem ser gerados a partir das informações contábeis. Para Padoveze (2015), o valor da informação está ligado ao fato de que ela pode reduzir a incerteza para a tomada da decisão, ou seja, a informação é validada a partir da sua utilização, passando a gerar confiabilidade. Boas e Jones (2005), em sua pesquisa, concluem que as entidades devem ter um bom sistema gerencial, capaz de controlar os pontos que devem ser melhorados e, sendo assim, os dados devem ser estruturados.

Para Souza et al (2009), os indicadores são calculados a partir das informações contábeis, elencando, como resultado de sua pesquisa, um conjunto de indicadores, capaz de auxiliar na gestão financeira e econômica. Para Vieira et al. (2014), as demonstrações contábeis além de evidenciarem a situação patrimonial, representam as variações no patrimônio, as quais, segundo Padoveze (2015), são compostas pela integração dos sistemas de compras, contas a pagar, contas a receber, folha de pagamento.

Segundo Fanti et al. (2016), a análise das demonstrações contábeis, realizada a partir de um conjunto de indicadores contábeis, pode fornecer aos gestores importantes dados sobre

a saúde financeira da instituição. A pesquisa de Fanti et al. (2016), realizada na empresa Vale S/A, ainda possibilitou concluir que as demonstrações contábeis são confiáveis. Iudícibus (2017) sugere que os relatórios gerados sejam utilizados na tomada de decisão, afirmando que são gerados pela contabilidade gerencial.

Partindo-se para a análise das demonstrações com base nos indicadores, autores, como Iudícibus (2017) e Marion (2012), afirmam que ela é tão antiga quanto a própria contabilidade. Outros autores: Fanti et al. (2016); Bomfim, Macedo e Marques (2013); Breitenbach, Alves e Diehl (2010); Bressan et al. (2014); Carvalho e Neto (2008); Evrard e Cruz (2016); Flach, Castro e Mattos (2017); Frezatti (2001); Lucente e Bressan (2015); Ribeiro, Macedo e Marques (2012); Souza et al. (2009); Teles, Gomes e Lunkes (2013), em suas pesquisas, constataram que os indicadores de desempenho financeiros e econômicos vêm sendo usados pelos pesquisadores, como uma forma de entender a saúde financeira e econômica das entidades.

A análise das demonstrações contábeis constitui papel importante visto que objetiva apresentar e gerar informações úteis para a tomada de decisão. Segundo Martins, Miranda e Diniz (2018, p. 5), a contabilidade permite ao analista entender a empresa sob vários aspectos, e avaliar com atenção: “[...] se a empresa merece crédito, se é solvente, se é rentável”. A Figura 1, seguir, ilustra o processo de tomada de decisão, a partir das análises das demonstrações.

Figura 1- Objetivos da análise das demonstrações contábeis

Fonte: Martins, Miranda e Diniz (2018, p.5)

Assaf Neto (2018) entende que a globalização influencia no mercado, visto que ela pode, principalmente, gerar abertura econômica. Assim, diante do avanço do capitalismo tendente a tornar as economias fechadas em mercados abertos, a contabilidade assume um papel importantíssimo, que é apurar e demonstrar os resultados em contextos específicos. No seu

Análise das demonstrações contábeis

Subsidia o proceso decisório dos vários usuários

Avalia se a empresa merece crédito, se é solvente, se é

objetivo básico, que é fornecer informações corretas para a tomada de decisão, neste mundo globalizado, a contabilidade se destaca no sentido de gerar as informações em diversas formas de apresentação.

Bomfim, Macedo e Marques (2013) pesquisaram um grupo de indicadores por meio da análise fatorial, levando em consideração um grupo de empresas petrolíferas, a fim de avaliar o desempenho financeiro. Já a pesquisa de Breitenbach, Alves e Diehl (2010) procurou estudar os indicadores de gestão para as entidades de educação básica, criando um grupo de indicadores de desempenho financeiro, que foram analisados pelos gestores. Foi possível, assim, detectar diferenças, indicando que a gestão, a partir da análise dos indicadores, poderia melhorar o desempenho daquelas escolas, avaliadas no estudo.

Bressan et al. (2014) pesquisou um grupo de indicadores financeiros para o setor de cooperativa de crédito, que permitiu calcular a média de insolvência dessas entidades, testando, para sua análise, a aplicação do modelo Logit em dados de painel, valendo-se dos indicadores contábeis. Ainda avaliando o setor de cooperativas, a pesquisa de Carvalho e Neto (2008), por meio da análise fatorial, proporcionou mais objetividade na escolha de um grupo de indicadores capaz de avaliar o desempenho.

A análise por meio de indicadores pode ser realizada pelos mais variados seguimentos, como, por exemplo, a pesquisa de Evrard e Cruz (2016), que analisou o retorno das ações da Bovespa. Já a pesquisa de Flach, Castro e Mattos (2017) e Ribeiro, Macedo e Marques (2012), focaram no setor de energia elétrica, apontando, como resultado, que o giro do ativo circulante e não circulante são as variáveis de mais importância. Outras pesquisas, como de Frezatti (2001), analisou os indicadores de longo prazo; Lucente e Bressan (2015) analisaram os indicadores de um clube de futebol, especificamente o Sport Club Corinthians; Souza et al. (2009) pesquisaram o setor hospitalar; e Teles, Gomes e Lunkes (2013), o setor hoteleiro. Todas essas pesquisas estão relacionadas aos indicadores gerados a partir das demonstrações contábeis.

Assaf Neto (2018), por meio da análise das demonstrações, apresenta algumas conclusões sobre a posição econômica e financeira da entidade. Fazendo uma análise das demonstrações, além da posição financeira, cada usuário pode retirar as suas conclusões, identificando as causas que influenciaram na evolução financeira da entidade, além ser possível gerar projeções.

Para Martins, Miranda e Diniz (2018), o analista das demonstrações contábeis é um verdadeiro detetive, pois, como este, ele emprega suas habilidades para fazer todas as análises possíveis e necessárias, as quais irão subsidiar o processo de tomada de decisão. Isso posto,

surgem algumas interrogações: Quais informações deverão ser retiradas da contabilidade? Quais indicadores deverão ser usados? Nesse caso específico, para responder essas perguntas, é importante, primeiro, entender o que cada indivíduo ou empresa/instituição tem de interesse nas informações.

Ainda sobre as informações que podem ser retiradas por meio dos indicadores, Martins, Miranda e Diniz (2018) destacam que são vários os usuários, preocupados com as informações. Justamente por isso, faz-se esta pesquisa pretendendo gerar um conjunto de indicadores, que poderão ser usados para fazer essas análises.

Para melhor esclarecer este aspecto, demonstrando quem são os interessados na contabilidade, insere-se, aqui a Figura 2.

Figura 2 - Usuários das demonstrações contábeis divulgadas

Fonte: Martins, Miranda e Diniz (2018, p. 5).

As entidades, de forma constante, tomam decisões, as quais são vistas pelos seus interessados, como pode ser verificado na Figura 2. Nota-se, ainda, que a gestão pode ser norteada de várias formas, sendo uma delas pela análise dos indicadores. De modo um pouco diverso disso, a pesquisa de Silva (2012) aponta que gestão financeira pode ser feita com base no orçamento, evidenciando sobre a importância dela para a sobrevivência das entidades, hoje tão afetadas pela globalização. Para Gitman e Madura (2003), as decisões financeiras influenciam sobremaneira no valor da empresa.

Ao longo do seu caminhar, as entidades realizam várias operações financeiras, dentre as quais, para Assaf Neto (2018), têm-se as decisões concentradas em captação de recursos, que são voltadas ao financiamento; e as de aplicação de recursos, que são os investimentos a

serem realizados. Nesse sentido, a instituição precisa ter maturidade para tomar a decisão, pois o equilíbrio financeiro é essencial entre o passivo e a geração de caixa. Observa-se, ainda, que essa maturidade deve estabelecer atratividade econômica, promovendo a sua continuidade e valorização, bem como que o retorno dos investimentos satisfaça pelo menos as expectativas de remuneração, de maneira a viabilizar economicamente a entidade (ASSAF NETO, 2018).

Para Francisco et al. (2012), tem sido comum o uso de indicadores contábeis para diagnosticar problemas futuros e realizar as projeções. Iudícibus (2017), contudo, observa que vai além das projeções, sugerindo que a análise também compare os resultados com os concorrentes. Gitman (2010), por seu turno, destaca que as demonstrações padronizadas vêm permitindo comparações ao longo do tempo; enquanto para Kassai (2002), a análise por meio dos indicadores financeiros é também muito importante para a tomada de decisão, servindo de base para a realização de investimentos ou para concessão de investimento.

Para Iudícibus (2017), a análise dos demonstrativos é importante não só para credores, investidores, agências governamentais, visto que não é menos importante para os gestores. A análise dos demonstrativos configura uma arte de extrair informações úteis. Nesse sentido, conforme entendimento de Fischmann e Zilber (2000), a globalização e a tecnologia impõem aos gestores técnicas que possibilitam tomar as decisões em tempo hábil. Os mesmos autores entendem, ainda, que os indicadores são instrumentos capazes de auxiliar na definição do planejamento estratégico, criando indicadores financeiros e não financeiros. Para Matarazzo (2017), o analista dos balanços deve preocupar-se com os demonstrativos, além de empenhar- se em transformar em informações em instrumentos de análise, dos demonstrativos contábeis. Fazer uma análise não é simplesmente fazer os cálculos dos indicadores; muito mais que isso, é necessário que se faça uma revisão, podendo, ainda, ser necessário reclassificar algumas contas. Segundo Matarazzo (2017), as demonstrações devem ser preparadas para se fazer as análises, ressaltando que o termo “preparadas” significa dizer que as demonstrações devem observar um padrão, isto é, estar padronizadas.

Iudícibus (2017) argumenta que as peças contábeis devem ser colocadas convenientemente, e preparadas para a análise; que os demonstrativos devem ter um grau de detalhamento necessário para permitir uma boa análise. Para Marion (2012), a reclassificação, faz-se necessária para evitar, que os demonstrativos venham a ser influenciados, entendendo que as reclassificações evitam que se tenha informações distorcidas.

Segundo Matarazzo (2017), as demonstrações financeiras correspondem às operações realizadas pela entidade, estão apresentadas em moedas e são elaboradas de acordo com as

normas contábeis estabelecidas. Os índices, por sua vez, apontam a relação entre um grupo e outro; enquanto os indicadores visam apresentar os aspectos da situação financeira, ou a situação econômica da entidade, podendo ser também a situação econômica e financeira (MATARAZZO, 2017). A análise realizada por meio de indicadores é a forma mais usada para se entender a evolução patrimonial e dos resultados das instituições.

Nesse caso, se os índices apontam a situação econômica e financeira da entidade, deve-se usar, então, um grande volume de indicadores, para fazer a análise Matarazzo (2017) responde essa questão, orientando que deve se usar o número suficiente para conhecer a entidade, pois usar de forma demasiada os indicadores não vai ajudar em absolutamente nada, apenas vai gerar mais custos de análise. Ainda no sentido de responder ao questionamento, Martins, Miranda e Diniz (2018) recomendam que não se deve usar apenas um indicador, mas grupos de indicadores, analisando-se um período maior, comparando os números da entidade com os números de outras do setor. Assaf Neto (2018) corrobora essa afirmação ao entender que a análise dever ser feita através de uma série temporal, e comparando com outras entidades, sugerindo, assim, o uso de índice-padrão.

A pesquisa de Vieira (2014) apontou que os indicadores podem ser agrupados em cinco conjuntos: índices de liquidez, índices de endividamento, índices de atividades, índices de rentabilidade, e índices de mercado. Sobre a análise, destacou que pode ser dividida em duas categorias: análise financeira e análise econômica. Por sua vez, a pesquisa de Silva et al. (2019) gerou agrupamentos de liquidez e de desempenho econômico, focando na rentabilidade.

Fanti et al. (2016), na análise realizada na empresa Vale S/A, agrupou os índices em estrutura de capital, indicadores de liquidez e rentabilidade, tornando, com estes grupos, possível realizar o estudo bem como a avaliação da empresa. Breitenbach, Alves e Diehl (2010) estabeleceram grupos de indicadores de desempenho para avaliar uma instituição de ensino, com os quais foi possível indicar melhorias para os gestores, e foram criados dois grupos: índices de resultado e estratégico.

A pesquisa de Ferreira e Macedo (2011) foi focada na gestão de curto prazo, direcionando, assim, os indicadores para avaliar esse contexto. Jahara, Mello e Afonso (2016), que analisaram como funciona a gestão dos clubes de futebol, adotaram uma classificação dos indicadores em: liquidez, endividamento e lucratividade, e, dentro desta divisão, aplicaram alguns testes de insolvência. A pesquisa de Duarte e Lamounier (2007), que analisou as empresas do setor de construção civil, por meio de índice-padrão, focou em avaliar os índices de liquidez, obtendo resultados satisfatórios. Sem usar o índice-padrão, Souza et al. (2009)

realizaram pesquisa para verificar os indicadores mais adequados para o setor hospitalar, tendo organizado os indicadores de acordo a seguinte classificação: liquidez, endividamento, atividades, lucratividades e rentabilidade.

Várias pesquisas, como Fanti et al. (2016); Alves e Diehl (2010); Ferreira e Macedo (2011); Jahara, Mello e Afonso (2016); Duarte e Lamounier (2007); Souza et al. (2009), agruparam os indicadores, a fim de facilitar o entendimento, sobre a evolução patrimonial e econômica da amostra estudada. Percebeu-se que as pesquisas apresentam os indicadores por blocos.

Para a presente pesquisa, usou-se o modelo proposto por Matarazzo (2017), o qual afirma que deve se usar os índices não só para analisar a situação financeira, mas também para analisar a situação econômica. Ressalta-se que os indicadores econômicos tratam da rentabilidade, enquanto os indicadores financeiros dividem-se em: de estrutura de capitais e índices de liquidez (MATARAZZO, 2017). Para elucidar a estrutura de índices, tornando-a mais clara, faz-se uso da Figura 3, apresentada a seguir.

Figura 3 - Divisão das estruturas dos indicadores

Fonte: Matarazzo (2017, p. 84)

Os indicadores de estrutura de capitais, segundo Fanti et al. (2016) representam a distribuição e as origens do capital. Nesse mesmo entendimento seguem Flach, Castro e Mattos (2017), concluindo que os indicadores de liquidez representam os recursos que podem ser, facilmente, convertidos em dinheiro, ainda sobre rentabilidade, representa a habilidade que a entidade tem de gerar receitas além das suas despesas.

Sobre o grupo de indicadores, Matarazzo (2017) entende não haver necessidade de mais indicadores, pois no quadro 02 sugerido pelo autor, estão os principais índices, que devem compor uma análise de balanços. Diante do exposto, considera-se para fins de análises das ICES este grupo de indicadores, porém estes índices precisam ser comparados, com o

grupo sugerido por Grazzioli et al. (2015), que é um grupo de indicadores específicos para o terceiro setor. Neste caso é importante que se faça este paralelo, no sentido de analisar, se os indicadores apresentados por Matarazzo (2017) e por Grazzioli et al. (2015), podem ou não ser usados para analisar as ICES, e esta análise será feita no próximo tópico.

Antes, porém, e diante do exposto, entende-se necessário apresentar os indicadores sugeridos por Matarazzo (2017), o que se cumpre com a inserção, a seguir, do Quadro 2.

SIMBOLO ÍNDICE FÓRMULA INDICA INTERPRETAÇÃO ESTRUTURA DE CAPITAL

1. CT/PL Participação de capitais de terceiros (endividamento) Capitais de terceiros x 100 Quanto a empresa tomou de capitais de terceiros para cada $ 100 de capital próprio. Quanto menor, melhor. Patrimônio líquido

2. PC/CT Composição do endividamento Passivo circulante x 100 Qual o percentual de obrigações a curto prazo em relação às obrigações totais. Quanto menor, melhor Capitais de terceiros

3 AP/PL Imobilização do patrimônio líquido Ativo não circulante x 100 circulante para cara $ 100 de patrimônio líquido. Quantos $ a empresa aplicou no ativo não Quanto menor, melhor Patrimônio líquido

4. AP/PL + ELP Imobilização dos recursos não correntes Ativo não circulante x 100 (patrimônio líquido e exigível a longo prazo) foi Que percentual dos recursos não correntes destinado ao ativo não circulante.

Quanto menor, melhor Patrimônio líquido + exigível a longo prazo

LIQUIDEZ

5. LG Liquidez geral

Ativo circulante + realizável a

longo prazo realizável a longo prazo para cada $ 1 de dívida Quanto a empresa possui de ativo circulante +

total. Quanto maior, melhor. Passivo circulante + exigível a longo prazo

6. LC Liquidez corrente Ativo circulante Quanto a empresa possui de ativo circulante para cada $ 1 de passivo circulante Quanto maior, melhor Passivo circulante

7. LS Liquidez seca

Disponível + títulos a receber + outros ativos de rápida

conversibilidade Quanto a empresa possui de ativo líquido para cada $ 1 de passivo circulante Quanto maior, melhor Passivo circulante

RENTABILIDADE

8. V/AT Giro do ativo Vendas líquidas Quanto a empresa vendeu para cada $ 1 de investimento total Quanto maior, melhor

ativo

9. LL/V Margem líquida Lucro líquido x 100 Quanto a empresa obtém de lucro para cada $ 100 vendidos Quanto maior, melhor Vendas líquidas

10. LL/AT Rentabilidade do ativo Lucro líquido x 100 Quanto a empresa obtém de lucro para cada $ 100 de investimento total Quanto maior, melhor

Ativo

11. LL/PL Rentabilidade do patrimônio líquido Lucro líquido x 100 Quanto a empresa obtém de lucro para cada $ 100 de capital próprio investido, em média, no Quanto maior, melhor Patrimônio líquido médio

LEGENDA

CT – Capitais de terceiros LG - Liquidez geral

PL – Patrimônio líquido LC - Liquidez corrente

PC – Passivo circulante LS – Liquidez seca

AP – Realizável a longo prazo + investimento + imobilizados + intangível V – Vendas

ELP – Passivo não circulante AT – Ativo

2.4 ÍNDICES A SEREM USADOS PARA ANÁLISE DOS DEMONSTRATIVOS DAS