PARTE IV – UM ESTUDO EMPÍRICO ACERCA DA AUTORREGULAÇÃO E DA
1.1 A CONTEXTUALIZAÇÃO DA PESQUISA E O PROCESSO DE
INSERSÃO/IMERSÃO EM CAMPO
A pesquisa em campo começou a se desenhar quando obtive o
consentimento da professora participante do estudo para realizar a investigação
junto a ela. Esta professora possui graduação em Pedagogia, concluída no ano de
2001, em uma Instituição de Ensino Superior particular de Curitiba, e pós-graduação
em Psicomotricidade Relacional, realizada em uma instituição de especialização lato
sensu, nesta mesma cidade, concluída no ano de 2011. No período em que se
realizou a pesquisa, a referida profissional trabalhava no período matutino e
vespertino em duas escolas que oferecem atendimento aos anos iniciais (AI) do
Ensino Fundamental, pertencentes à Rede Municipal de Educação de Curitiba/PR.
A docente há algum tempo vinha realizando estudos autônomos em relação
ao trabalho com portfólios, e motivada por esses estudos participou de uma oficina
sobre a construção de portfólios que foi ministrada por mim durante a Semana de
Estudos Pedagógicos, promovida pela Secretaria Municipal de Educação da cidade
de Curitiba, em maio de 2007. Após sua participação nessa oficina, ela procurou-me
para pedir orientações e trocar ideias a respeito das possibilidades de implementar
um trabalho mais sistematizado com portfólios com as suas turmas de alunos, em
duas escolas municipais de AI do EF nas quais trabalhava naquele momento.
Durante os anos que se seguiram realizei alguns encontros com a
professora e foi possível perceber que ela buscava desenvolver o trabalho com
portfólios com os grupos que tinha sob sua responsabilidade de uma maneira muito
próxima ao que Villas Boas (2006) propunha. A professora havia lido todo o livro de
Villas Boas, sempre fazia referência à autora e estava muito empenhada em fazer
um trabalho com portfólios de modo que as crianças, de fato, participassem
ativamente da construção dos mesmos, seja mediante a seleção e inclusão de
atividades que lhes eram significativas, como também por meio da realização de
atividades de autoavaliação (elaboradas pela professora), nas quais as crianças
podiam se expressar livremente sobre suas aprendizagens, autoconceitos,
preferências e dificuldades.
É importante salientar que a referida professora desenvolvia, por iniciativa
própria, um trabalho com portfólios que se diferenciava daquele que era
recomendado pelas equipes pedagógicas dos Núcleos de Educação
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e das escolas
(que pertencem a tais núcleos) em que ela trabalhava; pois, segundo as orientações
da maior parte desses profissionais, era o professor que deveria compor os
portfólios, os quais deveriam ser constituídos apenas por provas, introduzindo outros
tipos de materiais e atividades nas pastas apenas no caso dos alunos a respeito dos
quais se levantassem hipóteses de que talvez precisassem ser retidos na primeira
ou na segunda etapa dos AI (nos terceiros ou quintos anos do EF). A docente em
tela realizava este tipo de trabalho, mas também tentava consolidar uma atuação na
qual as crianças pudessem efetivamente participar do processo de avaliação de sua
própria aprendizagem, e isso se aproximava muito do que acreditamos ser uma
prática que, realmente, contempla atividades de autoavaliação pela criança no
primeiro ciclo do EF.
Assim, à medida que foi se desenhando o nosso Projeto de Pesquisa e em
função das características da mencionada professora no que se refere ao trabalho
com portfólios, efetivamos o convite para que participasse do nosso estudo, o que
ela aceitou prontamente. Conversei bastante com a professora sobre as implicações
desta concordância: em muitos momentos eu, na condição de pesquisadora, estaria
presente em sala de aula, acompanhando seu trabalho e observando as respostas
das crianças ao mesmo tempo; além de que a minha presença, por si só,
provavelmente interferiria nos processos em sala de aula. Apesar de ter clareza em
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