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A contribuição dos telecentros para o desenvolvimento local

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9. O uso das línguas moçambicanas nos meios de comunicação de massa comunitários

10.2 A contribuição dos telecentros para o desenvolvimento local

O estabelecimento de telecentros na África constitui um grande desafio para todos os países do continente, em particular Moçambique, afinal, trata-se de usar as novas tecnologias de informação e comunicação (NTIC) como ferramentas para o combate à pobreza absoluta, batalha travada desde o fim da guerra dos 17 anos, em 1992. No nosso entender, para ganhar essa batalha é necessário, entre outras coisas, que a população moçambicana tenha acesso aos serviços de comunicação e informação oferecidos pelos telecentros que estão sendo estabelecidos no país.

Apesar de cada telecentro possuir características locais próprias, muitos de seus objetivos são comuns, entre eles, estimular e responder à demanda por serviços de informação e comunicação, de forma a atender às necessidades da comunidade. De certo modo, todos os telecentros desempenham um papel relevante nas comunidades às quais servem; um indicador importante do sucesso de qualquer telecentro é a profundidade da integração com a comunidade onde estão inseridos.

Ao serem beneficiadas pelo telecentro com serviços que os fortaleçam pessoal e profissionalmente e que também auxiliem o desenvolvimento da comunidade, as pessoas têm uma sensação de pertença para como telecentro. Se a população – ou seus representantes – está envolvida na implantação de um telecentro próspero, sua autoconfiança é motivada e

diminui o pessimismo em relação às mudanças; além desses, muitos outros benefícios surgirão, permitindo assim que o poder esteja nas mãos das comunidades a que servem.

Os telecentros podem ser usados para promover acesso ao ensino a distância, oportunidades de emprego, treinamento e formação técnico-profissional e novos negócios. Podem, ainda, permitir que empresários planejem suas atividades de produção e se comuniquem com parceiros e clientes em potencial a distância. Pela internet, os telecentros oferecem aos estudantes e educadores a possibilidade de se associar a qualquer instituição educacional no mundo, acessar materiais de arquivo ou receber, on-line, etc.; podem, também, oferecer serviços especializados aos trabalhadores da saúde, tais como programas de telediagnóstico, encomenda de materiais, divulgação de informações de saúde pública e obtenção de conselhos de especialistas para problemas de saúde mais complexos.

Além de fornecer acesso aos serviços das NTIC, o telecentro pode ser também um lugar onde as pessoas se encontrem e troquem idéias e experiências sobre vários assuntos da vida e sobre as novas tecnologias úteis para o seu dia-a-dia.

Como já referimos anteriormente, os telecentros surgem com a finalidade de promover a inclusão de todos os cidadãos nos programas de desenvolvimento, oferecendo à eles a oportunidades de aprendizagem e assimilação de conhecimentos sobre o funcionamento destes – e o livre acesso às tecnologias de informação e comunicação (TICs), tais como a internet e o correio eletrônico, entre outros recursos. Oferecem aos usuários uma variedade de TICs que facilitam e estimulam a comunicação e a troca de informação em todas as regiões do mundo, mesmo as mais isoladas, utilizando para tal uma abordagem interativa e participativa. Portanto, os telecentros auxiliam o desenvolvimento econômico, cultural, social e político da comunidade local e oferece a esta uma gama de ferramentas para seu auto-desenvolvimento.

De acordo com Assumpção (2003, p.6), o telecentro comunitário pode contribuir para o desenvolvimento humano integral quando seus principais objetivos são:

 “Ampliar a participação ativa dos cidadãos na gestão pública e no controle do governo, ampliando a esfera pública e melhorando a sua acessibilidade;

 “Constituir um patamar de cooperação que englobe comunidade, empresas e instituições, baseado no interesse da maioria e na busca do crescimento da competitividade global;

 “Promover a alfabetização tecnológica das camadas mais pobres da população, abrindo novas oportunidades de acesso à educação e à cultura, de trabalho e de geração de renda;

 “Promover o conhecimento de expectativas, necessidades e problemas da população às

empresas e instituições, enquanto agentes econômicos e políticos comprometidos com a comunidade;

 “Promover o acúmulo de experiências e dados que subsidiem a formulação de políticas públicas consistentes.”

Com base nesses objetivos, no Brasil, por exemplo, no contexto do programa federal Fome Zero, o plano de maior escala previa a instalação de cerca de 1.200 telecentros comunitários em localidades de maior incidência de pobreza, os quais se tornariam centros de acesso coletivo à internet, geridos pela comunidade local e funcionando como locais de implementação das tecnologias de informação e comunicação75. Entre os anos 2000 e 2004, projeto parecia corresponder a uma experiência significativa de parceria entre o poder público e a comunidade. Em são Paulo, a prefeitura municipal custeou a instalação e manutenção de

75

Telecentros. Disponível em: <http://www.amora.rits.org.br/cemina/html/subcpII8.html> Acessado em 8 de Julho de 2005

infra-estruturas onde estão instalados os telecentros e cobriu os custos com o pessoal76, e para garantir o seu pleno e efetivo funcionamento, cada telecentro, que opera com vinte estações e um servidor, é gerido localmente por entidades da própria comunidade, que buscam priorizar as necessidades expressas desta.

76

Novo site dos telecentros, uma comemoração ao meio milhão de usuários. Disponível em: <http://www.telecentros.sp.gov.br/institucional/imprensa/reliase/index.php?p=2487> Acessado em 8 de Julho de 2005.

Capítulo IV

A COMUNICAÇÃO COMUNITÁRIA COMO FORMATO DO

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Desde os tempos em que o homem ainda vivia nas cavernas, a comunicação assume para a civilização um papel cada vez mais importante na construção do desenvolvimento social, pois permite o intercâmbio de idéias e o registro de fatos e dados que permitem que contemos nossa trajetória e nos construamos como sujeitos. No entanto, os instrumentos e as técnicas de comunicação vêm sendo reservados a minorias poderosas e hegemônicas nas diversas formações sociais ao longo da história.

A conquista do direito de conhecer e utilizar a arte da comunicação tem sido resultado das lutas da sociedade civil organizada, em sua busca por igualdade, democracia, liberdade e desenvolvimento socioeconômico; é o esforço para sair da condição de mero receptor de informações e participar das negociações sociais como sujeito do processo.

Esse esforço, porém é quase sempre marcado pelo amadorismo e pelo voluntariado, os quais, se por um lado apresentam compromisso e envolvimento para com a causa a que se dispõem, por outro podem impossibilitar a concretização de um trabalho consistente de comunicação para o desenvolvimento local, pela falta de técnicas adequadas de ação.

Para que as comunidades possam reaver o lugar de receptores que lhes foi conferido e chegar, não apenas a uma democracia em que há várias opções de caminho, mas a uma condição de real democracia na qual o cidadão se torne elemento necessário para a produção de conhecimentos (e não só consumi-la). É preciso empenho dos comunicadores em levar até as camadas populares o arsenal de recursos tecnológicos ora existentes a serviço da comunicação. Mais para isso, é preciso trabalhar em prol de desenvolvimento comunitário valendo-se dos recursos comunicacionais locais – que, ao contrário do que se imagina, são

variados e ricos em qualidade. Mais ainda, é preciso que se desenvolva uma ação formativa do cidadão no sentido de torná-lo ator principal da transformação da sociedade que integra.

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