Abordamos, primeiramente, as concepções expressas pelas educadoras de educação infantil, a respeito de criança e de agressividade. Para analisar o modo pelo qual o discurso pedagógico concebe a agressividade, acreditamos que seja essencial ter alguma noção do que pensam acerca da infância, pois a concepção que se tem de criança pode determinar a visão acerca da agressividade. A maneira pela qual o sujeito infantil se apresenta na atualidade causa impactos aos adultos de forma geral. De acordo com as falas de professoras, seus alunos diferem muito das crianças de outras épocas, inclusive ao compararem com as suas infâncias. Segundo elas, há um acesso muito maior à informação, com um reduzido número de restrições ou interdições. Exemplos deste ponto de vista pode ser verificado abaixo:26
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A partir deste ponto, ao longo do texto, são abordados recortes das falas das professoras apresentados em itálico.
Eu não sei, mas eu vejo as crianças hoje em dia muito mais... mais lá na frente que a gente... anos atrás as crianças eram mais ingênuas, mais assim, ... Uma me falou lá esses dias: “Meu pai é aquele lá é o Maninho! Só que ele não me registrou”. Criança de seis anos... “Então eu moro só com minha mãe e minha vó” Assim eles sabem de tudo...
É tudo permitido. Nossos pais escondiam muita coisa de nós, né. Ficavam entre eles; era coisa de adulto.
Já não há uma separação tão rígida daquilo que é destinado para o mundo adulto e do que se refere ao mundo infantil. Contudo, esse espanto apresentado pela educadora, ao apontar uma certa incompatibilidade entre a informação trazida pela criança e a idade da mesma, nos faz pensar que ainda permanece um ideal ou uma imagem de criança pura e ingênua. Esse ideal fornece alguns indicativos para compreender o modo pelo qual concebem a agressividade. Quando discutíamos no grupo sobre a agressividade e sua origem, algumas professoras trouxeram o seguinte depoimento.
A gente não consegue achar que uma criança... A infância é uma coisa tão magnífica, tão pura!
Por mais que as professoras percebam tais mudanças a respeito do sujeito infantil que se apresenta hoje, encaram este novo jeito de ser como algo anormal, pois essas novas configurações não se enquadram em uma idéia pré-estabelecida de infância. Identificamos então uma distância considerável entre a imagem que o discurso pedagógico ainda carrega de infância, ligado a um ideal de pureza e docilidade. Dessa forma, quando se referiam à agressividade, ficava claro o quanto as manifestações ditas agressivas não poderiam ser consideradas advindas de uma criança.
Mas não é deles essa agressividade. Eu não acredito que uma criança seja má.
Esses depoimentos demonstram com clareza uma imagem que se tem de criança, com fortes influências de Rousseau e Froebel. A maldade não poderia estar na infância, mas deveria ser proveniente da família, da mídia e da sociedade em geral, pois sendo um “bom selvagem”, suas ações seriam amorais, ou seja, não poderiam ser julgadas como “certas” ou “erradas”.
Constatamos uma associação entre infância, agressividade e selvageria. A ligação entre esses elementos nos remete a pensar sobre a idéia de maldade. Ao falar sobre agressividade, logo uma professora afirma que não acredita que uma criança possa ser má. Isso permite concluir que, na visão de muitas educadoras, há uma equivalência entre agressividade e maldade. Nessa perspectiva, a agressividade geraria o mal, ou poderia ser considerada a própria maldade em si. Os atos agressivos são vistos então como atos de maldade que somente seriam cometidos pelas crianças por elas não terem tido ainda acesso aos parâmetros de “bem” e “mal”, de “certo” e “errado”, estão em estado puro, como selvagens.
Sendo isento de juízos, de julgamentos, toda atitude que remeta à agressividade não é tomada como algo civilizado, mas também não é considerado algo próprio da criança. É como se as manifestações agressivas estivessem além do infantil. A criança “naturalmente boa” não poderia ser detentora desses traços agressivos. A maioria das professoras concorda que é difícil pensar que uma criança poderia ser ruinzinha por natureza... A idéia da pureza infantil é predominante, bem como a equivalência entre agressividade e ruindade, por exemplo.
A partir de tais depoimentos, concluímos que há uma concepção bem presente no discurso das professoras, a respeito de uma impossibilidade de que a agressividade possa ser originária de uma criança. Os educadores defendem a idéia de que a agressividade provém das influências do meio, principalmente da família. Vários recortes dos discursos das professoras indicam tal pensamento.
Paro e fico pensando. Por que essas crianças são assim. Por que cada ano que passa tem mais crianças com problemas de agressividade. Então assim, eu imagino que seja problemas que as famílias estão passando. As pessoas têm que trabalhar. Antigamente só o pai trabalhava. A mãe ficava em casa. Ela tinha tempo com os filhos. Ela tava com seu filho. Tanto que na EMEI eles ficam tempo integral. Chegam em casa e ainda vêem problemas financeiros e de vários aspectos... Os pais brigam na frente das crianças. As crianças já acabam vivendo aquilo ali e achando que é uma coisa normal... Então ela vai para escola. Ela tem o modelo do que os pais fazem em casa. Eu acho que de repente nós temos que fazer um trabalho com as famílias. Claro que a escola tem que fazer a parte da gente. Mas a família tem que estar presente. Senão acho que os resultados não vão ser tão bons.
Eu penso que algumas situações a criança aprende com a família. Ela tem que ter um modelo em casa porque ela usa algumas coisas com a gente, algumas respostas, algumas reações que ela vê alguém. É impossível que a criança faça....
Se a criança ta num ambiente que é estimulada pra desenvolver a agressividade, é lógico que vai ser agressiva.
... aquelas crianças que os pais surram muito em casa, são agressivas na escola.
Nos quatro recortes que tomamos do discurso apresentado nos grupos focais, constata- se o quanto a família passa ser culpabilizada pelos comportamentos agressivos dos alunos. A falta de tempo para os filhos, a forma como os pais agem com as crianças e o poder do mau exemplo. O pai ou a mãe que brigam, que espancam, são considerados pelos professores como modelos a serem copiados ou seguidos pelos filhos. O ambiente do qual essas crianças fazem parte seria determinante para suas atitudes futuras e, principalmente, para as manifestações de agressividade, as quais são sempre colocadas como algo negativo.
Tanto os bons hábitos como os maus comportamentos teriam como determinantes o meio em que a criança vive. Sendo considerada um resultado da convivência familiar, o que a
escola pode fazer com essa agressividade? Se não é da criança, parece que a escola fica numa posição de impotência, de nada poder fazer em relação a essas manifestações, a não ser procurar combater e, principalmente, procurar minimizar as influências do meio familiar. Essa aparente impotência frente a essa impossibilidade de controlar ou impedir totalmente os atos que remetem à agressividade podem ser observados nos seguintes relatos das professoras.
Tudo que a gente trabalha na escola, logo ao sair do portão, não tem né... a mesma referência,..
Tentar mostrar uma outra forma... É um trabalho que a gente passa o ano inteiro fazendo. E cada volta do final de semana, começa a história, tudo de novo. (...)vivem o contrário o final de semana inteiro. E na segunda-feira você espera uma outra atitude dele. E ele teve todos os maus exemplos no final de semana e volta na segunda-feira com uma carga toda para sala de aula e aí você tem que ir acalmando à medida do possível.
A agressividade é associada a um traço vindo da família, pois a criança é uma
conseqüência daquilo que ela vive. As vivências familiares são fatores mencionados como a
origem da agressividade. Quando foram questionadas sobre a origem da agressividade, tínhamos como objetivo compreender o entendimento que possuíam deste conceito, porém a expectativa que acompanhava tal questão era a de identificar alguma possibilidade de compreensão da agressividade enquanto um traço ou elemento da subjetividade infantil.
Eu acho, dentro do que estou trabalhando,... que vem bastante da família, o modo como vivem. Eles contam na hora da rodinha coisas absurdas, que a gente nem imagina. Que os pais brigaram com faca... Eu acho que teria que ser trabalhado com a família, né?
Essa fala nos permite perceber uma concepção cristalizada de que a agressividade, vista como algo ruim, só pode ser fruto de uma influência familiar. Dentro dessa perspectiva, há, no discurso escolar, uma expectativa de que o trabalho não se restrinja à criança, mas que se estenda à família como um todo. É interessante lembrar que os objetivos iniciais, nos
primórdios dos “jardins-de-infância”, eram alcançar as famílias, influenciar na educação dos lares, estabelecendo novos paradigmas de comportamentos, hábitos e rotinas, considerados mais saudáveis e condizentes com o progresso científico em que se deparava o mundo moderno. Hoje não é muito diferente. A escola de educação infantil ainda carrega estas marcas de responsabilidade pelo desenvolvimento de noções básicas de um bom convívio social. Contudo, constatamos que esse é um ideal difícil de ser alcançado, pois envolve questões culturais que, na maioria das vezes, é mais forte que a intervenção da educação sistematizada.
A impressão dá é que a família está terceirizando pra escola a educação dos filhos (...) E eles chegam no Jardim B com seis anos, (...) eles não têm noção de nada, de regras, de hábitos, eles não ouvem, eles não sentam, eles não sabem nem lavar as mãozinhas na hora da merenda... Tudo isso ta ficando. A criança chega com seis anos e é na escola que ela vai aprender essas coisas.
É como se a escola, no decorrer de sua história, tivesse abarcado responsabilidades que antes eram dos pais, permitindo que a família se liberasse um pouco a respeito da educação dos filhos. Contudo, há aspectos que a escola ainda espera que os pais desenvolvam em suas crianças. Nos depoimentos de algumas professoras ficou claro o quanto se espera que os pais resolvam com os seus filhos esta questão da agressividade. Procurando deixar, dessa maneira, a escola isenta desta problemática.
Se os pais souberem trabalhar em casa, vão ter bem menos problemas de agressividade na escola.
... a família que está presente nessa constituição, na construção desse relacionamento, não é tão difícil na escola.
Assim como falam sobre a interferência da família, a mídia é citada como outro elemento que contribui para a presença de manifestações agressivas por parte das crianças.
Esta também teria a função de usurpar a inocência infantil, a partir de seus desenhos animados violentos, dos games sanguinolentos e personagens que sempre estão lutando, destruindo monstros ou dizimando inimigos, presentes em diversos tipos de programações. Mais uma vez a agressividade é associada à maldade, ao destruir, ou seja, a algo negativo. Nos recortes seguintes percebemos essas preocupações.
Eu penso que a mídia também está aí. Não dá para trabalhar contra ela. Nós já sabemos isso. Não tem como bater de frente. Isso é muito forte na vida da criança. Nas brincadeiras... Antigamente eles brincavam de outras coisas. Quando eu era criança eu brincava de outras brincadeiras. Hoje em dia “Meu anel é tal. Meu poder é tal” Então... Reflete muito nas brincadeiras: eles se puxam, eles se agarram.
Como você falou: é a mídia, é computador, é muita informação que a criança não ta conseguindo interioriza, sabe. ...Assiste TV de manhã, os desenhos animados: é uma agressividade total! Luta disso, luta daquilo, luta disso... Daí, tu dá um espaço para ele brincar, o que eles externalizam? Aquilo que ele vêm de manhã. É o que bateu no ciclano, é o Rangers, ... todos aqueles homenzinhos que tem...
Ao analisarmos a preocupação dos professores com tais veículos de comunicação e suas influências sobre os sujeitos infantis, pensamos que não é possível desconsiderar tal elemento da cultura e seus efeitos sobre a subjetivação dos seres que estão expostos a estes artefatos. Como abordamos no capítulo dois, as crianças não mais são puras e ingênuas como nos ideais de Rousseau. Elas são constituídas a partir daquilo que as rodeia, sendo ilusório propor um afastamento de tudo aquilo que pudesse contaminar a sua pureza. Contudo, as influências específicas da mídia na vida da criança, não são o foco do trabalho, não nos permitindo o aprofundamento desse tema. Mesmo assim, acreditamos que seria de extrema pertinência pesquisar acerca da agressividade em relação às implicações da mídia.
Outra maneira de considerar a agressividade é como forma de expressão. Entendida como expressão, abre possibilidade para entender-se ou escutar o que o aluno quer dizer com determinada manifestação.
E a criança é sensível, né...? E ela não se expressa através de palavras, mas através de gestos, atitudes,...
Algumas educadoras trazem, com muita propriedade, vários exemplos de atitudes agressivas que as crianças tomam para que sejam notadas, para dizerem que não querem mais algo, que alguma coisa está incomodando, para lutarem por certo objetivo, para demonstrarem a necessidade de carinho, de atenção, pois não conseguem manifestar-se com palavras. Dessa forma, concebem a agressividade como um modo de defesa decorrente das limitações de comunicação e de relacionamento, próprias de sua idade.
... ela dá um empurrão quando quer chamar a atenção, ela reage dessa forma. Ela não sabe dizer “- Mãe, me dá um carinho!” Elas não chegam a dizer. Como vão expressar o que estão sentindo... Eles reagem.
Eu acho que é uma defesa deles. A gente tem aquela reação de adulto para a criança. A criança não tem ainda essa reação de adulto. É próprio da criança isso de reagir...
A agressividade é concebida, em vários momentos, como um modo de reagir negativamente, principalmente quando essas reações vêm daquelas crianças chamadas sem
limites que, nas ocasiões em que são contrariadas, reagem com gritos, choros, atitudes, gestos
e verbalizações agressivas. É preciso compreender que, na educação infantil, há crianças que estão em pleno processo de constituição do seu eu. Inicialmente, a imagem especular que se tem de si, como já abordamos anteriormente nesse trabalho, é de completude, de perfeição, de que realmente pode tudo, que deve ganhar tudo, que é o centro do universo, pois se considera como tudo aquilo que completa a mãe. Podemos supor o quanto deve ser complicado trabalhar com várias crianças neste mesmo estágio. A criança vendo a outra brincar com tal
brinquedo é o mesmo que ver ela própria brincando com esse objeto, então precisa tomá-lo para sentir-se completa. É um exemplo do transitivismo, abordado por Lacan (1998), em seu texto sobre o estádio do espelho.
À medida que passa pelo complexo de Édipo, uma grande ferida narcísica se abre, pois a ameaça de castração lhe coloca, simbolicamente, num lugar de ser incompleto, o qual precisa ir em busca de um ideal perdido, daquele que Freud chama de ideal do eu. A partir daí, o herdeiro do complexo de Édipo, o supereu, passa a indicar o que é valorizado no social, ou seja, aspectos de uma educação que passa a estabelecer limites e julgamentos direcionados àquele que antes podia tudo.
Reportamo-nos ao que Freud fala sobre a educação em seu texto “Feminilidade”, em “Novas conferências introdutórias sobre psicanálise” (1933 [1932]).
[...] a própria educação mais branda não pode evitar o uso da coerção e a introdução de restrições, e toda intervenção desse tipo na liberdade da criança deve provocar como reação uma inclinação à rebeldia e à agressividade (FREUD, 1980, p. 124).
Freud reforça e ressalta a impossibilidade de se pensar uma educação que não traga em si exigências e barreiras à liberdade do indivíduo ao qual esse processo educativo está sendo direcionado. A resistência a esse processo, a reação da criança é entendida, por ele, como algo inevitável.
Lembrando Lacan, é nas crises vitais, ou seja, nestes momentos de grandes mudanças estruturais na vida do sujeito, que se abrem feridas narcísicas e, então, a agressividade se faz presente. Sousa (2000) se refere à agressividade como a expressão de “ruído do processo de constituição”. Retomando a idéia de que o eu se constitui a partir do outro, a agressividade sendo dirigida a um objeto pré-determinado, vislumbra a existência de uma alteridade, pois há um investimento nesse outro. Supomos que os educadores de educação infantil são colocados
neste lugar privilegiado, o qual pode fornecer um suporte necessário para que as crianças direcionem este aspecto de sua psique.
Quando falamos da escola fornecer este suporte ao sujeito infantil, estamos nos referindo à possibilidade de essa agressividade ser recebida pelo professor, não como algo bom ou ruim, mas como um movimento dialético de ir ao encontro a uma alteridade. De acordo com Oliveira (2006), é através da linguagem e da socialização que o eu constitui as formações discursivas. A agressividade se desprende deste processo. Portanto, dar suporte é acolher esta agressividade, ou seja, permitir que a criança se depare com uma alteridade para que possa se constituir, pois, como afirmamos em outro momento, somos seres sociais e dependemos dos relacionamentos para nossa estruturação.
Outro eixo que obtém destaque é a tentativa de classificar a agressividade como uma fase do desenvolvimento, ainda que essa possibilidade, para muitas profissionais escutadas, venha em tom de dúvida.
E temos outra situação lá na EMEI (Escola Municipal de Educação Infantil), que as crianças da fase do maternal II, 3 e 4 anos, tanto as meninas como os meninos reagem muito se chacoalhando, puxando os cabelos. Gostaria de entender se isso é uma fase ou isso é uma agressividade infantil?.(...) e a gente quer entender isso: é essa fase, que a criança precisa passar, que precisa aprender a conviver, dentro do eu, sei lá..., Ou se é a própria agressividade infantil?
Dentro dessa discussão, uma professora define a fase do desenvolvimento pela qual a criança estaria passando, nesse momento da educação infantil, como “egocentrismo”. Ela ta
na fase do egocentrismo e o que a gente faz em educação infantil, é trabalhar com essa fase. É o “eu”.(...)É um trabalho que tem que ser feito com as crianças nessa fase de adaptação.
Nesses depoimentos, transparece uma certa angústia referente a essa dúvida. Parece que a criança teria de se encaixar em alguma classificação: sendo fase seria algo normal, do contrário, apontaria para algum problema.
Na minha turma eu vejo aquele menino que se destaca, mas conversando com outra professora lá da escola, que tem o maternal II, ela vê que é meio generalizado, que quase todos agem dessa forma. O que nos deixa com essa dúvida: é coisa da fase ou é uma característica de agressividade.
A visão que observamos, nesses discursos, é de que a criança deveria agir de uma maneira específica, pré-determinada, de acordo com manuais da psicologia do desenvolvimento. Caberia à escola educar esse eu, socializar a criança, adaptá-la. Nesta concepção, é como se todas as manifestações de agressividade fossem normais, desde que estivessem de acordo com um determinado padrão. Contudo, se após muito tempo de trabalho, não fossem obtidas respostas satisfatórias, ou seja, se a criança não evoluísse e continuasse respondendo com agressividade a diversas situações, deveria ser entendido como algo patológico.
É difícil conceituar, mas eu percebo que a agressividade se torna, se caracteriza por inúmeras tentativas que você tenta fazer com que essa criança se socialize, se integre, e ela não te dá respostas. Depois de inúmeras tentativas... A criança nessa fase é bastante egocêntrica. É natural ainda, mas depois de tanto convívio, de tanta experiência, de tanto relacionamento... se ela não conseguir, aí eu considero que é algo do lado da agressividade.
A questão da patologia não é central nesta pesquisa, pois requer um estudo específico, mas é citada como um elemento trazido pelos educadores para darem sentido a determinados comportamentos agressivos apresentados pelos alunos. Mesmo assim, como patologia é algo que se classifica como negativo, anormal, constatamos que, facilmente, a agressividade é
considerada como tal, ou seja, no lugar daquilo que está fora da normalidade, algo a ser banido, que não possui espaço no meio social.
A partir de outra discussão interessante surgida nos encontros, que se refere ao caráter positivo da agressividade, cabe pensar na questão das polaridades, ou seja, o quanto há necessidade de se classificar em um ou outro lado, bom ou mal, certo ou errado, positivo ou negativo. Até certo momento, a agressividade foi situada no lado negativo, mas algumas